28.º Domingo Comum

15 de Outubro de 2017

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Subirei alegre, M. Carneiro, NRMS 87

Salmo 129, 3-4

Antífona de entrada: Se tiverdes em conta as nossas faltas Senhor, quem poderá salvar-se? Mas em Vós está o perdão, Senhor Deus de Israel.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Os grandes momentos e acontecimentos da vida estão marcados pelo banquete, a refeição melhorada a festiva. Celebramos com o banquete o aniversário natalício, o Baptismo, a Primeira Comunhão, a Profissão de fé,; o casamento e a Ordenação Sacerdotal.

Num banquete, para além da alegria do convívio festivo, toda a espécie de fome e sede são saciadas.

A Igreja convoca-nos, em nome de Deus, para o Banquete Semanal de cada Domingo e Festas.

Que acolhimento temos dado a este convite do Senhor que deseja sentar-nos à Sua mesa para nos tornar felizes?

 

Acto penitencial

 

(Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, elementos para o esquema C)

 

•   Senhor Jesus: Temos preguiça de aceitar o Vosso convite para o Banquete

    e desculpamo-nos, fugindo indelicadamente às exigências deste convite,

    Senhor, misericórdia!

 

    Senhor, misericórdia!

 

•   Cristo: Não nos preparamos, com a devida diligência e amor agradecido,

    para participar dignamente no banquete divino da Santíssima Eucaristia.

    Cristo, misericórdia!

 

    Cristo, misericórdia!

 

•   Senhor Jesus: Não conseguimos fazer da nossa Comunhão Eucarística,

    o acontecimento principal e cheio de alegria, do da nossa vida cristã.

    Senhor, misericórdia!

 

    Senhor, misericórdia!

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração colecta: Nós Vos pedimos, Senhor, que a vossa graça preceda e acompanhe sempre as nossas acções e nos torne cada vez mais atentos à prática das boas obras. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Isaías dirige-se ao Povo de Deus, recentemente regressado do cativeiro de Babilónia, e anuncia no horizonte dos tempos que Deus vai oferecer a todos os povos um banquete na Sua Casa. «O Senhor preparará um banquete e enxugará as lágrimas de todas as faces»

É indispensável acolher o convite para este Banquete, para viver em comunhão com Deus. Dessa comunhão resultará, para o homem, a felicidade total, a vida em abundância.

 

Isaías 25, 6-10a

6Sobre este monte, o Senhor do Universo há-de preparar para todos os povos um banquete de manjares suculentos, um banquete de vinhos deliciosos: comida de boa gordura, vinhos puríssimos. 7Sobre este monte, há-de tirar o véu que cobria todos os povos, o pano que envolvia todas as nações; 8destruirá a morte para sempre. O Senhor Deus enxugará as lágrimas de todas as faces e fará desaparecer da terra inteira o opróbrio que pesa sobre o seu povo. Porque o Senhor falou. 9Dir-se-á naquele dia: «Eis o nosso Deus, de quem esperávamos a salvação; é o Senhor, em quem pusemos a nossa confiança. Alegremo-nos e rejubilemos, porque nos salvou. 10aA mão do Senhor pousará sobre este monte».

 

O texto é extraído do chamado Grande Apocalipse de Isaías (Is 24 – 27), uma colecção de oráculos escatológicos, cuja redacção actual é posterior ao exílio de Babilónia (Is 34 – 35 é o Pequeno Apocalipse). Isaías anuncia a salvação messiânica como extensiva a todos os povos e sob a imagem dum esplêndido banquete. Esta é a razão da escolha do texto, para introduzir a parábola do banquete nupcial do Evangelho de hoje. A tradição cristã viu nesta passagem a prefiguração do banquete eucarístico, as Bodas do Cordeiro (Apoc 19, 9).

10 «A mão do Senhor». Não é um simples antropomorfismo, mas uma expressiva imagem para indicar a bênção e a protecção de Deus.

 

Salmo Responsorial    Sl 22 (23), 1-3a.3b-4.5.6 (R. 6cd )

 

Monição: Como resposta do nosso coração à interpelação que o Espírito Santo nos faz pelo profeta Isaías, falando-nos da felicidade no Céu que não tem fim, nós respondemos com o salmo 22 que é cântico cheio de esperança.

Com ele combateremos o desânimo, quando o Inimigo tentar assaltar-nos nos caminhos da vida.

 

Refrão:        habitarei para sempre na casa do Senhor

 

O Senhor é meu pastor: nada me falta.

Leva-me a descansar em verdes prados,

conduz-me às águas refrescantes

e reconforta a minha alma.

 

Ele me guia por sendas direitas por amor do seu nome.

Ainda que tenha de andar por vales tenebrosos,

não temerei nenhum mal, porque Vós estais comigo:

o vosso cajado e o vosso báculo me enchem de confiança.

 

Para mim preparais a mesa

à vista dos meus adversários;

com óleo me perfumais a cabeça

e o meu cálice transborda.

 

A bondade e a graça hão-de acompanhar-me

todos os dias da minha vida

e habitarei na casa do Senhor

para todo o sempre.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. Paulo, na carta aos fiéis da Igreja de Filipos, na Macedónia, manifesta um optimismo e alegria que são fruto da sua fé ardente.

Havemos de repetir estas palavras em nosso coração, quando o desânimo tentar instalar-se em nós, perante as dificuldades da vida: «Tudo posso n’Aquele que me conforta»

 

Filipenses 4, 12-14.19-20

Irmãos: 12Sei viver na pobreza e sei viver na abundância. Em todo o tempo e em todas as circunstâncias, tenho aprendido a ter fartura e a passar fome, a viver desafogadamente e a padecer necessidade. 13Tudo posso n’Aquele que me conforta. 14No entanto, fizestes bem em tomar parte na minha aflição. 19O meu Deus proverá com abundância a todas as vossas necessidades, segundo a sua riqueza e magnificência, em Cristo Jesus. 20Glória a Deus, nosso Pai, pelos séculos dos séculos.

 

Autores há que pensam que a leitura faz parte de um bilhete de agradecimentos aos filipenses pela ajuda enviada (Filp 4, 10-23), escrito noutra ocasião, após a chegada de Epafrodito (v. 18), tendo vindo a ser integrado numa carta que corresponderia a duas ou três missivas de Paulo. O Apóstolo estava preso (tradicionalmente em Roma, mais recentemente pensa-se antes em Éfeso). Deixa-nos aqui uma lição de como se deve saber viver «tanto na pobreza como na abundância» (v. 12). Isto não significa desinteresse e alheamento pela justa promoção do bem estar material, evidentemente, embora pressuponha que não se lhe dê uma primazia absoluta. Paulo coloca toda a sua fortaleza – toda a sua auto-suficiência  – em Cristo, e não nos bens, que não passam de meios (cf. v. 13), com que Ele não falta aos que O servem.

 

Aclamação ao Evangelho        cf. Ef 1, 17-18

 

Monição: É tão grandiosa a nossa vocação que só a luz do Espírito Santo nos põe fazer abarcá-la em toda a sua amplitude.

Por isso, pedimos essa luz, para que a nossa alma se encha de alegria e de consolação, no meio das dificuldades da vida presente.

 

Aleluia

 

Cântico: M. Simões, NRMS 9(II)

 

Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo

ilumine os olhos do nosso coração,

para sabermos a que esperança fomos chamados.

 

 

Evangelho *

 

* O texto entre parêntesis pertence à forma longa e pode ser omitido.

 

Forma longa: São Mateus 22, 1-14    Forma breve: São Mateus 22, 1-10

1Naquele tempo, Jesus dirigiu-Se de novo aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos do povo e, falando em parábolas, disse-lhes: 2«O reino dos Céus pode comparar-se a um rei que preparou um banquete para o seu filho. 3Mandou os servos chamar os convidados para as bodas, mas eles não quiseram vir. 4Mandou ainda outros servos, ordenando-lhes: ‘Dizei aos convidados: Preparei o meu banquete, os bois cevados foram abatidos, tudo está pronto. Vinde às bodas’. 5Mas eles, sem fazerem caso, foram um para o seu campo e outro para o seu negócio; 6os outros apoderaram-se dos servos, trataram-nos mal e mataram-nos. 7O rei ficou muito indignado e enviou os seus exércitos, que acabaram com aqueles assassinos e incendiaram a cidade. 8Disse então aos servos: ‘O banquete está pronto, mas os convidados não eram dignos. 9Ide às encruzilhadas dos caminhos e convidai para as bodas todos os que encontrardes’. 10Então os servos, saindo pelos caminhos, reuniram todos os que encontraram, maus e bons. E a sala do banquete encheu-se de convidados.

[11O rei, quando entrou para ver os convidados, viu um homem que não estava vestido com o traje nupcial e disse-lhe: 12‘Amigo, como entraste aqui sem o traje nupcial?’ Mas ele ficou calado. 13O rei disse então aos servos: ‘Amarrai-lhe os pés e as mãos e lançai-o às trevas exteriores; aí haverá choro e ranger de dentes’. Na verdade, muitos são os chamados, mas poucos os escolhidos».]

 

A parábola dos convidados para as bodas (com grande paralelo com a de Lc 14, 15-24) está na sequência das dos dois últimos domingos, a dos dois filhos e a dos vinhateiros homicidas, pois se insere nas controvérsias de Jesus com as autoridades judaicas de Jerusalém e visam apresentar a Igreja como o novo povo de Deus, que corresponde à chamada divina. Esta parábola completa as anteriores, ao apresentar claramente o chamamento para o «banquete» – imagem bíblica do Reino de Deus – dirigido a todos aqueles que os mensageiros encontrarem «nas encruzilhadas dos caminhos» (v. 9).

1-7 A primeira parte da parábola fala do convite feito, em primeiro lugar, aos mais dignos – os judeus – para entrarem no Reino de Deus inaugurado por Cristo (o filho). É um convite, por isso pode não ser aceite; mas, dado que é Deus quem convida, não há nenhuma escusa legítima: não podem prevalecer impunemente os mesquinhos interesses humanos ao maravilhoso plano divino.

8-13 A segunda parte refere-se à chamada dos gentios – os menos dignos – à fé. Mas também não é suficiente a fé; são necessárias as boas obras («o traje nupcial»: v. 12). A parábola também mostra como no Reino de Deus há bons e maus, mas, quando o Rei vier – para o juízo final (é claro o matiz escatológico da parábola) –, excluirá definitivamente todos os que não quiseram vestir o traje nupcial da graça.

 

Sugestões para a homilia

 

• O banquete divino

Servido na Igreja

A celebração da alegria

A caminho da Salvação

• Convidados para o banquete

Somos todos convidados

Em traje de festa

Dois caminhos irreconciliáveis

 

1. O banquete divino

 

O profeta Isaías, em nome de Deus, fala-nos da Salvação temporal e eterna sob a figura de um banquete.

 

a) Servido na Igreja. «Sobre este monte, o Senhor do Universo há-de preparar para todos os povos um banquete de manjares suculentos, um banquete de vinhos deliciosos: comida de boa gordura, vinhos puríssimos

Isaías profetiza para o Povo de Deus, possivelmente já regressado do cativeiro de Babilónia. A referência que nele faz à superação da morte, das lágrimas e da vergonha, poderia sugerir que profeta se situaria num momento histórico posterior ao Exílio na Babilónia, quando Judá já teria reconquistado a liberdade.

Deus não é um ausente da nossa vida e das nossas aspirações e chama-nos à felicidade temporal e eternal sob a figura e um banquete.

Jesus Cristo serve-nos, na Igreja, o alimento da nossa vida sobrenatural: a Palavra de Deus e os Sacramentos.

Temos um Sacramento para cada situação da vida: o Baptismo para o nascimento sobrenatural;  a chegada ao estado adulto do cristão, pela Confirmação; a Santa Unção para a doença ou perigo e morte; e ainda dois sacramentos sociais: o Matrimónio, ao serviço da vida natural; e a Ordem, para a vida sobrenatural.

Ficam à nossa disposição especialmente dois que podemos e devemos repetir: a Reconciliação e Penitência, para nos restituir a saúde e a vida; e o Eucaristia, para alimento diário.

Antes de cada banquete, costumamos dedicar algum tempo à nossa apresentação pessoal, desde a limpeza ao asseio. Jesus ensina-nos que a Palavra de Deus nos prepara uma boa apresentação para participarmos neste banquete: «Vós já estais limpos, devido à palavra que vos tenho dirigido.» (João 15, 3).

Talvez atendendo a isto, a Igreja dividiu sempre a Santa Missa em duas partes: A Liturgia da Palavra — com uma ou duas leituras da Bíblia,  salmo de meditação e Evangelho — e Liturgia Eucarística — em que é transubstanciado o pão e o vinho no Corpo e Sangue do Senhor e O recebemos na comunhão sacramental.

 

b) A celebração da alegria. «Sobre este monte, há-de tirar o véu que cobria todos os povos, o pano que envolvia todas as nações; destruirá a morte para sempre. O Senhor Deus enxugará as lágrimas de todas as faces e fará desaparecer da terra inteira o opróbrio que pesa sobre o seu povo

A um povo triste, regressado de setenta anos de exílio e que vem encontrar destruídos a cidade de Jerusalém e o seu Templo, Isaías promete, em nome de Deus, tempos de alegria.

É um anúncio profético do que vai acontecer com a Igreja fundada por Jesus Cristo, o Povo de Deus da nova Aliança. Deus vai eliminar da terra as fontes de tristeza:

• O pecado. Há uma alusão misteriosa do profeta a esta realidade quando diz: «Sobre este monte, há-de tirar o véu que cobria todos os povos, o pano que envolvia todas as nações.» Ele é a verdadeira causa da tristeza e do luto no mundo, embora muitos ambientes de pecado tentem fingir uma certa alegria.

Da falsa promessa do Inimigo aos nossos primeiros pais — sereis como deuses, donos de toda a ciência do bem e do mal e da felicidade — passamos à verdadeira promessa de Jesus Cristo. Ele é o caminho da alegria.

• A escravidão. Deus restitui-nos a liberdade e dignidade de filhos de Deus. «O Senhor Deus enxugará as lágrimas de todas as faces e fará desaparecer da terra inteira o opróbrio que pesa sobre o seu povo

De que alegria se trata, afinal?

Não a alegria de animal são e farto; nem tão pouco será a de quem não tem problemas, porque não existem na terra pessoas sem preocupações.

Mas aquela que nasce da verdade de fé da nossa filiação divina. «Lança sobre os ombros do Senhor os teus cuidados e Ele te alimentará

Temos de revestir o coração e o rosto de festa, pois não se compreende que um filho de Deus mostre um ar de tristeza e desânimo.

 

c) A caminho da Salvação. «Dir-se-á naquele dia: “Eis o nosso Deus, de quem esperávamos a salvação; é o Senhor, em quem pusemos a nossa confiança. Alegremo-nos e rejubilemos, porque nos salvou. A mão do Senhor pousará sobre este monte”.»

Para os hebreus era muito importante o regresso do cativeiro de Babilónia, porque deixavam uma vida de escravidão e começavam a reconstruir o seu pais.

Ciro, o grande conquistador e rei que os autorizou a regressar à sua terra e ajudou na travessia e na reconstrução da cidade e do pais, é considerado uma figura de Cristo, como libertador da escravidão que nos conduz à liberdade.

Para nós, a única coisa importante é a salvação eterna, porque não temos outras alternativas: Céu o Inferno para sempre.

A verdadeira salvação vem de Jesus Cristo, e não dos políticos ou das estruturas sociais ou de qualquer invenção.

Estamos sempre à espera de que um partido, uma mudança de estruturas ou um invento inesperado mude o curso da história, para que haja mais justiça sobre a terra.

É uma ilusão falaz. A verdadeira mudança parte do coração de cada uma das pessoas, na medida em que se entrega a Cristo, cumprindo a Sua Lei e vivendo no Seu Amor.

Hão há mudança no mundo sem mudança no coração de cada pessoa, e esta mudança tem um nome no Evangelho: conversão pessoal. A mensagem de Cristo resume-se nestas palavras: «Convertei-vos e acreditai no Evangelho

Ou aceitamos esta mensagem, voltando-nos seriamente para Jesus Cristo, pelo acolhimento da Sua exigência amorosa, ou não queremos a mudança do mundo.

Somos enganados uma e muitas vezes por esta falsa esperança e voltamos sempre a ela. Antes do 25 de Abril, púnhamos toda a esperança na instauração de um regime democrático, como se fosse o caminho único para a felicidade na terra.

Passados quarenta anos, estamos, como nunca, cheios de manifestações na rua, e com as pessoas cada vez mais descontentes. De nada serve o conforto humano, se em cada coração e em cada família Deus não ocupar o lugar a que tem direito.

Aceitemos a mensagem de conversão, e cantemos: «Habitarei para sempre na casa do Senhor

 

2. Convidados para o banquete

 

a) Somos todos convidados. «O reino dos Céus pode comparar-se a um rei que preparou um banquete nupcial para o seu filho. Mandou os servos chamar os convidados para as bodas, mas eles não quiseram vir. Mandou ainda outros servos, ordenando-lhes: ‘Dizei aos convidados: [...] tudo está pronto. Vinde às bodas’

Deus convida-nos para o Banquete da Salvação, porque deseja encher a Sua Mesa de filhos muito felizes. Ele é magnânimo em tudo o que faz.

Figura o convite para o Banquete da Salvação naquele que fez o grande rei para as núpcias do seu filho.

Concretiza esta oferta de participação na festa no convite para a Missa Dominical, ao qual preside Ele mesmo e nos dá, não comidas vulgares, mas a Sua Carne e Sangue na Eucaristia.

Ninguém está dispensado de participar nele, porque é fundamental para nós. Devemos acolher o convite com agradecimento e participar nele devidamente preparados, sabendo perfeitamente o que vamos fazer.

Participantes no banquete. Deus convida-nos a todos para cada domingo e aguarda com ansiedade — falando em linguagem humana — o nosso aparecimento diante da porta da Igreja, tal como exultamos quando convidamos um amigo para almoçar connosco e o vemos aparecer.

O Senhor deseja a nossa participação, porque sabe que ela é indispensável para a nossa felicidade temporal e eterna.

Desculpamo-nos da nossa ausência, enganando-nos a nós próprios:

Falta de tempo. É verdade que a vida é cheia de ocupações; mas temos de fazer uma lista de prioridades, dando o primeiro lugar ao mais importante ao mais necessário.

Falta de disposição. “A Missa não me diz nada.” As pessoas refugiam-se com frequência num argumento de sensibilidade. Mas este argumento não funciona para as outras coisas. Se uma mãe estivesse à espera de disposição para zelar a sua casa ou socorrer um filho, não sei o que aconteceria.

— “Não gosto de ouvir a pessoa que celebra”. Procuramos encontramo-nos com Jesus Cristo, ou com um homem?

Portadores do convite. O Senhor deseja que não só compareçamos pontualmente e com alegria a este banquete, mas que animemos outros a participar. Manda-nos, como aos serventes do palácio: «Ide às encruzilhadas dos caminhos e convidai para as bodas todos os que encontrardes’»

 

b) Em traje de festa. «E a sala do banquete encheu-se de convidados. O rei, quando entrou para ver os convidados, viu um homem que não estava vestido com o traje nupcial. E disse-lhe: ‘Amigo, como entraste aqui sem o traje nupcial?’.»

Ainda hoje há roupa apropriada para as diversas cerimónias, e a da casamento é das mais exigentes, a começar nos noivos e a continuar nos convidados.

O Senhor fala da necessidade de um traje próprio para este banquete, para nos ensinar verdades eternas.

Que significa para nós, praticamente, tomar parte no banquete — comungar — em traje festivo?

Na graça santificante. Estar na graça de Deus, readquirida, se necessário, pelo Sacramento da Reconciliação. Há uma lamentável crise de fé que leva as pessoas a receber a Sagrada Comunhão como qualquer alimento. Ouçamos S. Paulo, na I aos fieis e Corinto: «sempre que comerdes este pão e beberdes este cálice, anunciais a morte do Senhor, até que venha. E assim, todo aquele que comer o pão, ou beber o cálice do Senhor indignamente, será réu do corpo e do sangue do Senhor.

Examine-se, pois, cada qual a si mesmo, e então coma deste pão e beba deste cálice. Aquele que come e bebe sem distinguir o corpo do Senhor, sem distinguir o corpo do Senhor (de qualquer alimento vulgar), come e bebe a sua própria condenação.» (1 Coríntios 11, 26-29).

A ignorância religiosa com a consequente falta de fé tem levado muitas pessoas escravizadas por numa vida e pecado a comungar sacramentalmente, cometendo um sacrilégio. A lei de Deus não mudou.

Com delicada finura. Devemos comungar com fé e amor, e exprimir o nosso interior pelo comportamento externo: a forma de vestir elegante e digna, a atitude recolhida e a caridade com que tratam os ouros, até no caminho para a Mesa sagrada.

Precisamos de ma catequese sobre a Santíssima Eucaristia, porque tratamos o Santíssimo, por vezes, como um pedaço de alimento vulgar num pic-nic.

Pelo que diz respeito à comunhão na boca ou na mão, os Bispos portugueses autorizam a escolha. Mas em cada um dos modos deve proceder-se com dignidade, como está estabelecido.

 

c) Dois caminhos irreconciliáveis. «O rei disse então aos servos: ‘Amarrai-lhe os pés e as mãos e lançai-o às trevas exteriores; aí haverá choro e ranger de dentes’. Na verdade, muitos são os chamados, mas poucos os escolhidos

À primeira vista, parece-nos demasiado rigorosa a atitude do rei, perante esta falta de respeito. O que o senhor nos quer dizer, em resumo, é que somos chamados a participar num banquete eterno — na felicidade para sempre no Céu, à Mesa do Senhor — e que a recusa a participar neste banquete é uma opção sem outra alternativa: ou felizes no banquete cheio de alegria, para sempre; ou atirados para as trevas exteriores ao Céu — no inferno — onde haverá choro e ranger de dentes, com uma raiva que não tem remédio.

A Eucaristia é uma prelibação deste banquete e é preciso participar nela com o traje da graça santificante — sem pecado mortal na alma — recebida no Baptismo, ou recuperada pela confissão sacramental.

Não basta ser chamado à Igreja, para se salvar. Não basta ser baptizado, para poder participar na Sagrada Comunhão.

É sempre necessário o estar na graça santificante, para poder comungar sacramentalmente. Fazer o contrário ofende gravemente a Deus.

Não basta o acto penitencial, no princípio da Missa, com a recitação da confissão, para os pecados mortais ficarem perdoados.

Se tivermos pecados veniais do dia a dia — e é difícil que os não tenhamos — devemos fazer um acto de contrição antes de comungar.

Nós queremos participar eternamente no banquete da eterna felicidade no Céu. Comecemos por participar cada Domingo no banquete da Santíssima Eucaristia, comungando com as disposições que os Senhor nos indica.

Costumam ser as mães que preparam os filhos para tomar parte numa festa. Que Maria nos ajude a fazer uma preparação condigna para participarmos no banquete festivo da Santíssima Eucaristia.

 

Fala o Santo Padre

 

«A bondade de Deus não conhece confins e não discrimina ninguém. Devemos abrir-nos às periferias, reconhecendo que também o rejeitado pela sociedade, constitui objecto da generosidade de Deus.»

No Evangelho deste domingo, Jesus fala-nos da resposta que se dá ao convite de Deus — representado por um rei — para participar num banquete de núpcias (cf. Mt 22, 1-14). O convite tem três características: a gratuidade, a generosidade, a universalidade. Os convidados são muitos, mas verifica-se algo surpreendente: nenhum dos escolhidos aceita participar na festa, dizendo que têm outras coisas para fazer; aliás, alguns demonstram indiferença, estraneidade e até incómodo. Deus é bom para connosco, oferece-nos gratuitamente a sua amizade, concede-nos gratuitamente a sua alegria, a salvação, mas muitas vezes não recebemos os seus dons, colocando em primeiro lugar as nossas preocupações materiais, os nossos interesses, e também quando o Senhor nos chama, muitas vezes parece que nos incomoda.

Alguns dos convidados até maltratam e chegam a matar os servos que comunicam o convite. Mas não obstante a falta de adesões da parte dos convidados, o plano de Deus não se interrompe. Diante da rejeição dos primeiros convidados, Ele não desanima, não suspende a festa, mas volta a propor o convite, ampliando-o para além de qualquer limite racional, e manda os seus empregados às praças e às encruzilhadas das estradas para reunir todos aqueles que encontram. Trata-se de pessoas simples, pobres, abandonadas e deserdadas, bons e maus — inclusive os maus são convidados — sem qualquer distinção. E a sala enche-se de «excluídos». Rejeitado por alguns, o Evangelho recebe o acolhimento inesperado em muitos outros corações.

A bondade de Deus não conhece confins e não discrimina ninguém: por isso, a festa dos dons do Senhor é universal para todos! A todos é oferecida a possibilidade de responder ao seu convite, ao seu chamamento; ninguém tem o direito de se sentir privilegiado, nem de reivindicar uma exclusividade. Tudo isto nos induz a vencer o hábito de nos inserirmos comodamente no centro, como faziam os chefes dos sacerdotes e os fariseus. Isto não se deve fazer; nós devemos abrir-nos às periferias, reconhecendo que até quantos estão nas margens, também aquele que é rejeitado e desprezado pela sociedade, constitui objecto da generosidade de Deus. Todos nós somos chamados a não reduzir o Reino de Deus aos confins da «igrejinha» — a nossa «igrejinha» — mas a dilatar a Igreja às dimensões do Reino de Deus. Só há uma condição: revestir-se com o hábito nupcial, ou seja, dar testemunho da caridade para com Deus e com o próximo.

Confiemos à intercessão de Maria Santíssima os dramas e as esperanças de tantos nossos irmãos e irmãs, excluídos, frágeis, rejeitados e desprezados, inclusive aqueles que são perseguidos por causa da fé[…].

Papa Francisco, Angelus, Praça de São Pedro, 12 de Outubro de 2014

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

Oremos ao Senhor, nosso Deus, e nosso Pai,

que a todos nos convida para o banquete festivo

das núpcias de seu Filho Jesus Cristo,

e peçamos-Lhe nos torne dignos e nele participar

com um coração limpo e cheio de amor generoso.

Oremos (cantando):

 

Acolhei-nos, Senhor, na Vossa Casa!

 

1. Pelo Santo Padre, com os Bispos em comunhão com ele,

para que nos ensine a participar dignamente na Eucaristia,

oremos, irmãos.

 

Acolhei-nos, Senhor, na Vossa Casa!

 

2. Por todos nós, aqui reunidos hoje a celebrar a Eucaristia,

para que levemos este convite a todas as pessoas do mundo,

oremos, irmãos.

 

Acolhei-nos, Senhor, na Vossa Casa!

 

3. Pelas pessoas que ocupam cargos públicos nesta sociedade,

para que vejam o seu cargo como um serviço aos mais pobres,

oremos, irmãos.

 

Acolhei-nos, Senhor, na Vossa Casa!

 

4. Pelos cristãos que são tentados a fugir das exigências da fé,

para que ponham de lado o respeito humano e se convertam,

oremos, irmãos.

 

Acolhei-nos, Senhor, na Vossa Casa!

 

5. Por todas as pessoas que pertencem a esta família paroquial,

para que sintam o dever urgente de levar os outros a Cristo,

oremos, irmãos.

 

Acolhei-nos, Senhor, na Vossa Casa!

 

6. Pelos nossos familiares e amigos que estão no Purgatório

para que o Senhor os acolha hoje mesmo na glória do Céu,

oremos, irmãos.

 

Acolhei-nos, Senhor, na Vossa Casa!

 

Senhor, nosso Deus e nosso Salvador,

que nos convidais a subir ao monte santo,

enxugai as lágrimas de todos os rostos

e fazei desaparecer da terra inteira

a violência e a miséria que a destroem.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso  Filho,

na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

A Santíssima Eucaristia é esse banquete maravilhoso — a preparar o Banquete eterno no paraíso — para o qual O Senhor deseja convidar-nos.

O mesmo Jesus prepara-o agora, pelo ministério do sacerdote. Tomando o pão e o vinho que levámos ao altar, vai transubstanciá-lo no Seu Corpo e Sangue.

 

Cântico do ofertório: Tomai, Senhor, e recebei, J. Santos, NRMS 70

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, as orações e as ofertas dos vossos fiéis e fazei que esta celebração sagrada nos encaminhe para a glória do Céu. Por Nosso Senhor...

 

Santo: F. dos Santos, NTC 201

 

Saudação da Paz

 

O Reino de Cristo é o reino da paz verdadeira. Abramos par em par as portas do nosso coração ao seu reinado para que em nós e no mundo inteiro reine a verdadeira paz e alegria.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

O Senhor convida a todos os que estão em graça a participar no Banquete da Santíssima Eucaristia, prelibação daquele em que vamos participar para sempre no Paraíso.

Recordemos, uma vez mais, as palavras de S. Paulo aos fieis da Igreja de Corinto: Examine-se, pois, cada qual a si mesmo, e então coma deste pão e beba deste cálice. Aquele que come e bebe sem distinguir o corpo do Senhor, sem distinguir o corpo do Senhor (de qualquer alimento vulgar), come e bebe a sua própria condenação

 

Cântico da Comunhão: Eucaristia, celeste alimento, M. Carneiro, NRMS 77-79

Salmo 33, 11

Antífona da comunhão: Os ricos empobrecem e passam fome; mas nada falta aos que procuram o Senhor.

 

Ou

cf. 1 Jo 3,2

Quando o Senhor se manifestar, seremos semelhantes a Ele, porque O veremos na sua glória.

 

Cântico de acção de graças: Deixai-me saborear, F da Silva, NRMS 17

 

Oração depois da comunhão: Deus de infinita bondade, que nos alimentais com o Corpo e o Sangue do vosso Filho, tornai-nos também participantes da sua natureza divina. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Não faz sentido para o cristão andar triste e desanimado pelos caminhos da vida, como se Deus se tivesse esquecido de nós.

Nas horas em que o desânimo bater à nossa porta, cantemos baixinho o salmo de meditação deste Domingo: Habitarei para sempre na casa do Senhor.

 

Cântico final: Ao Deus do universo, J. Santos, NRMS 1 (I)

 

 

Homilias Feriais

 

28ª SEMANA

 

2ª Feira, 16-X: Jesus será sempre um sinal para nós.

Rom 1, 1-7 / Lc 11, 29-32

Tal como Jonas foi um sinal para os habitantes de Nínive, assim também o Filho do Homem o será para esta geração.

Jonas conseguiu a conversão dos habitantes de uma cidade; Salomão era ouvido pela sua sabedoria (Ev.). Para nós, o sinal será sempre Jesus Cristo, ajuda para as nossas conversões: nEle encontraremos a sabedoria para todos os nossos problemas.

A Ele devemos a graça e a dignidade de filhos de Deus (Leit.). Por isso, o nosso comportamento de filhos de Deus terá nEle o modelo perfeito, o Caminho a seguir, a Verdade que nos liberta, e a Vida autêntica. Agradeçamos a Nª Senhora que, com o seu 'fiat', nos abriu as portas da filiação divina.

 

3ª Feira, 17-X: O Evangelho, fonte de salvação.

Rom 1, 16-25 / Lc 11, 37-41

Eu não me envergonho do Evangelho, que ele é a força de Deus para a salvação de todo o crente.

O Evangelho deve ser a fonte de toda a nossa salvação. Mas infelizmente, podemos esquecer-nos de Deus, podemos não dar-lhe toda a glória, trocamos a verdade de Deus pelos nossos interesses, pela mentira, etc. (Leit.).

A Boa Nova pregada por Cristo também nos pede que cuidemos muito o nosso interior (Ev.), para evitar que a nossa vida seja apenas uma 'fachada', para que os nossos sentimentos sejam os de Jesus e para que as nossas obras sejam um reflexo dela. Para Nossa Senhora, toda a vida era orientada pela palavra de Deus: «Faça-se em mim segundo a vossa Palavra».

 

4ª Feira, 18-X: S. Lucas: O contributo de S. Lucas.

2 Tim 4, 9-17 / Lc 10, 1-9

Escolhestes S. Lucas para revelar, com a sua palavra e com os seus escritos, o mistério do vosso amor pelos pobres.

S. Lucas transmitiu-nos, com a sua palavra  e os seus escritos (Oração), os ensinamentos de Jesus (Evangelho) e a vida da primitiva cristandade (Actos dos Apóstolos). Acompanhou S. Paulo nas suas viagens apostólicas,  até à prisão de Roma (Leit.).

A ele devemos um melhor conhecimento da vida de Jesus, especialmente da sua infância, de algumas parábolas (o filho pródigo, o Bom samaritano...). Também nos transmitiu muitos pormenores da vida de Nª Senhora, que contemplamos nos mistérios gozosos do Santo Rosário. Como aproveitamos todos este relatos para a nossa vida?

 

5ª Feira, 19-X: Desejo de expiação pelos pecados.

Rom 3, 21- 29 / Lc 11, 47-54

Deus apresentou-se como aquele que expia os pecados pelo seu sangue derramado e por meio da fé.

Todos pecámos e ficámos privados da glória de Deus. Mas Jesus expiou pelos pecados de todos, pelo Sangue derramado na Cruz (Leit.). Teremos que corresponder a esta entrega, expiando pelos nossos pecados.

Procuremos imitar Jesus, vivendo a expiação pelos nossos pecados e também pelos dos outros, oferecendo pequenos sacrifício e penitências por estas intenções. Desagravemos mais os Corações de Jesus e de Maria, pelas muitas ofensas que diariamente se cometem. E participemos com mais amor na Missa, oferecida em expiação pelos pecados do mundo.

 

6ª Feira, 20-X: Deus não se esquece de ninguém.

Rom 4, 1-8 / Lc 12, 1-7

Não se vendem cinco passarinhos por duas moedas? E nem um só deles está esquecido diante de Deus.

Deus não se esquece de nada nem de ninguém: estamos sempre presentes diante dEle (Ev.). É um Pai que se preocupa por todas as coisas dos filhos, mesmo as mais insignificantes: «até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados» (Ev.).

Aos olhos de Deus seremos felizes se nos aproximarmos do sacramento da Confissão: «felizes a quem foram perdoados os delitos» (Leit.). E também se nos esforçarmos por evitar qualquer tipo de pecado: «Feliz do homem a quem o Senhor não atribuir pecado». Rezemos: «À vossa protecção nos acolhemos, Santa Mãe de Deus, não desprezeis as nossas súplicas».

 

Sábado, 21-X: Deus sabe o que é mais conveniente para nós.

Rom 4, 16-18 / Lc 12, 8-12

Contra toda a esperança humana, Abraão teve esperança e acreditou. Por isso, tornou-se pai de muitas nações.

Abraão não vacilou, apesar de ser muito idoso e sua mulher estéril, estava disposto a imolar o filho. Teve esperança e a promessa de Deus cumpriu-se (Leit.).

O Senhor permite às vezes que sejamos atingidos pelo sofrimento. Se assim acontece, é porque haverá uma razão mais elevada que talvez não compreendemos. E também promete a assistência do Espírito Santo para a proclamação da Boa-Nova: «O Espírito Santo ensinará na própria hora o que haveis de dizer» (Ev.). Imitemos Nª Senhora que se entregou plenamente nas mãos de Deus: «Faça-se em mim segundo a vossa Palavra».

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Fernando Silva

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 

 


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