ACONTECIMENTOS ECLESIAIS

DO MUNDO

 

 

ROMA

 

“RECONFIGURAÇÃO”

DOS MISSIONÁRIOS COMBONIANOS

 

A Congregação dos Missionários Combonianos do Coração de Jesus afirma, na mensagem do Simpósio que realizaram em Roma pelos 150 anos da sua fundação, de 26 de Maio a 1 de Junho, a necessidade de uma “reconfiguração do instituto”.

 

“É necessária uma reconfiguração do nosso instituto. Encontramo-nos perante o desafio de uma missão que não se detém, que está ainda longe das suas metas”, afirmam os missionários Combonianos.

Os religiosos indicam alguns motivos para a renovação, como o “envelhecimento dos membros do instituto” que é acompanhado pela “quebra de vocações”, os novos paradigmas de missão e a alteração do seu “papel no seio das igrejas locais”.

“Esta missão exige um testemunho que vai muito para além das obras e questiona o nosso estilo de vida, e pede-nos a entrega cabal de nós mesmos”, explicam sobre uma reconfiguração do instituto que passa por quatro caminhos: a mística; a humildade; a fraternidade; e a ministerialidade.

Segundo a mensagem divulgada, a “ministerialidade” é preciso ser revista devido aos “novos contextos sociais”.

“Hoje temos necessidade de ser mais bem qualificados nos diversos campos da evangelização, trabalhando em equipa com todos os sujeitos da família comboniana e da igreja local”, explicam.

“Nascemos na pobreza, sem apoios eclesiásticos, políticos e económicos particulares. Este evento quase único na história do movimento missionário do século XIX deu-nos uma grande liberdade de responder à nossa vocação especial”, realça o instituto missionário.

A nível mundial a congregação conta com cerca de 1600 missionários e tem 90 religiosos de origem portuguesa, três estão em Roma, nos serviços centrais, e os restantes noutros continentes, onde, por exemplo, na Ásia o superior da região é português.

De assinalar também que a Congregação dos Missionários Combonianos do Coração de Jesus está a celebrar 70 anos de presença em Portugal.

 

 

ESPANHA

PRIORIDADE DA

COMUNICAÇÃO DIGITAL

 

As comissões dos episcopados católicos de Portugal e Espanha para a área dos media defenderam no passado dia 7 de Junho a necessidade de promover a “comunicação digital” na Igreja, respondendo aos desafios que o sector coloca.

 

“As instituições da Igreja, têm de dar prioridade à comunicação digital e à produção e distribuição de conteúdos online. São cada vez mais os utilizadores que acedem à informação e formação através dos smartphones e a Igreja tem de estar aí para se encontrar com todos”, refere o documento conclusivo do encontro ibérico que decorreu em Múrcia, Espanha, desde 5 de Junho.

Os membros da Comissão Episcopal dos Meios de Comunicação Social (Espanha) e da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais (Portugal) propõem, para este fim, a criação de um “plano de acção com recursos”.

Os responsáveis por estas comissões reflectiram, com a ajuda de peritos, o tema “A imagem para mostrar a identidade da Igreja”.

“A Igreja, sempre atenta aos sinais dos tempos, está chamada a ocupar um lugar no universo digital para servir de ponto de encontro entre as pessoas e o transcendente”, refere o texto das conclusões.

Os participantes sublinham a progressiva perda de influência dos meios de comunicação tradicionais face às redes sociais, pedindo às instituições católicas uma “presença digital” que seja “autêntica e coerente”.

“É importante assumir este ambiente criado pelas ferramentas digitais. A palavra e as mensagens são as mesmas, mas a comunicação tem de ser mais intuitiva, audiovisual, constante, emotiva, relacional”, referem.

O documento fala na necessidade de criar a “catedral digital” que seja “uma referência neste novo ambiente, repleto de imagens, relações, onde se compete por captar a atenção”.

“Hoje o bem mais escasso para a comunicação não é o tempo, mas a atenção das pessoas, pelo que é necessário captar a atenção para provocar a comunicação”, prosseguem as conclusões.

 

 

ANGOLA

 

PRIMEIRO

CONGRESSO EUCARÍSTICO NACIONAL

 

O arcebispo do Lubango, D. Gabriel Mbilingi, afirmou que o primeiro Congresso Eucarístico Nacional de Angola, realizado de 12 a 18 de Junho, deixou marcas muito grandes e foi um ponto de partida, porque a missão tem sempre de ultrapassar fronteiras.

 

No Santuário de Fátima, o arcebispo da Congregação dos Missionários do Espírito Santo explicou que o Congresso foi um ponto de partida, porque a “missão não pode circunscrever-se apenas nestas gerações ou nas que chegaram a Angola e acolheram o Evangelho”.

O primeiro Congresso Eucarístico Nacional de Angola, que teve como tema “Reconheceram-no ao partir do Pão”, realizou-se na cidade de Huambo, para assinalar os 150 anos da segunda fase da evangelização de Angola, coincidente com os 150 anos de presença dos Espiritanos no país.

O Congresso Eucarístico Nacional de Angola contou com a presença do presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, D. Manuel Clemente, como enviado extraordinário do Papa Francisco, bem como do bispo de Bragança-Miranda, D. José Cordeiro, como conferencista, e do padre Manuel Barbosa, secretário e porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa.

 

 

ÍNDIA

 

No passado dia 19 de Junho faleceu em Roma o Cardeal indiano Iván Dias, de origem goesa, aos 81 anos de idade, depois de longa enfermidade.

 

Iván Dias nasceu em Bombay (actualmente Mumbai), em 14 de Abril de 1936, filho de pais naturais de Goa, de quem aprendeu a falar português. Frequentou o Seminário diocesano, sendo ordenado sacerdote da arquidiocese em 8 de Dezembro de 1958.

Em 1961 foi enviado para Roma para continuar os estudos, tendo frequentado a Pontifícia Academia Eclesiástica e obtido o doutoramento em Direito Canónico na Pontifícia Universidade Lateranense em 1964. Neste ano colaborou na visita do Papa Paulo VI a Bombay.

De 1965 a 1973 entrou no serviço diplomático da Santa Sé e esteve em várias nunciaturas. Regressado ao Vaticano, esteve encarregado das relações da Santa Sé com países soviéticos e países africanos.   

 Em 1982 foi nomeado Pró-Núncio Apostólico em Gana, Togo e Benim, em 1987 Núncio Apostólico na Coreia do Sul e em 1991 passou para a Albânia, acumulando a Administração Apostólica da diocese, depois de cinco décadas de comunismo ateu.

Em 1996 João Paulo II nomeou-o arcebispo de Bombay e criou-o Cardeal em 2001. Participou no conclave que elegeu Bento XVI, o qual o chamou em 2006 para Prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos, até terminar o seu mandato em 2011; em 2013 participou em cadeira de rodas no conclave que elegeu o Papa Francisco.

Homem de grande cultura e espiritualidade, conservou sempre o sentido e a peculiaridade das suas origens indianas. Filho de um país onde os cristãos são uma minoria, mas constituem uma presença muito antiga e oferecem um serviço precioso aos mais pobres e frágeis, o Cardeal encarnava na própria experiência humana e sacerdotal o carácter universal e ecuménico da Igreja, empenhada no diálogo com os crentes de todas as religiões e no apostolado entre os últimos da terra. Não por acaso foi um grande amigo e admirador de Madre Teresa de Calcutá, à qual o ligavam a experiência amadurecida nos anos passados na Albânia como representante pontifício e a sensibilidade partilhada pela situação social e religiosa na Índia.

No telegrama enviado a um dos irmãos do Cardeal, o Santo Padre dizia: “Recordo com gratidão os anos de fiel serviço do Cardeal à Santa Sé, especialmente o seu contributo para a reconstrução espiritual e física da Igreja sofredora na Albânia e o zelo missionário demonstrado no seu trabalho como Prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos. Também uno as minhas orações às dos fiéis da Arquidiocese de Bombay, onde são lembrados com carinho a preocupação pastoral e a ampla visão apostólica que marcaram o seu serviço como arcebispo”. 

 

 

ESPANHA

 

FALECEU O FUNDADOR

DA FRATERNIDADE VERBUM DEI

 

O Fundador da Fraternidade Missionária Verbum Dei, padre Jaime Bonet, faleceu no passado domingo 25 de Junho, aos 91 anos de idade, no Hospital de Henares (Madrid), depois duma longa doença que o foi fragilizando progressivamente.

 

O padre Jaime Bonet nasceu em Maiorca (Espanha), em 21 de Maio de 1026, de pais de fé profunda e simples.

Aos 14 anos sentiu o chamamento a seguir a Cristo Crucificado e na Eucaristia e ingressou no Seminário diocesano. Os seus estudos iam a par com uma actividade apostólica incansável: explicação do Catecismo a ciganos e a pobres, semanas de pregação nos bairros pobres, etc.; assim como a participação nos nascentes Cursillos de Cristandade, fundados na diocese de Palma de Maiorca pelo bispo D. Juan Hervás, e na Acção Católica.

Recebeu a ordenação sacerdotal no 35.º Congresso Eucarístico Internacional, a 31 de Maio de 1952, em Barcelona. Continuou a colaborar na pregação dos Cursillos de Cristandade por toda a ilha de Maiorca, assim como retiros a religiosos e religiosas e aos alunos de teologia do Seminário diocesano.

Neste ambiente apostólico de evangelização nasceu a Fraternidade Verbum Dei, em 17 de Janeiro de 1963, sempre animada pelos bispos que se sucederam, que o autorizaram a dedicar-se a ela a tempo inteiro, orientando as novas fundações pelos cinco continentes e o aprofundamento do carisma nos seus membros.

Participou no Sínodo dos Bispos sobre “A vida consagrada e a sua missão na Igreja e no mundo” em 1994, como fundador e representante das Novas Formas de Vida Consagrada.

A Fraternidade recebeu a aprovação pontifícia como uma família de vida consagrada, por decreto em 15 de Abril de 2000, no pontificado de São João Paulo II.

No ano 2001, por próprio desejo, o Padre Jaime deixou a Presidência da Fraternidade Missionária Verbum Dei, com a intenção explícita de que lhe sucedesse uma missionária, de acordo com as Constituições aprovadas pela Santa Sede.

A sua espiritualidade e estilo de vida identificaram-se de forma peculiar com a vida e estilo de São Paulo, pela sua dedicação incansável à pregação e fundação de comunidades. Ao mesmo tempo bebeu dos grandes místicos e mestres de oração como santa Teresa de Ávila, São João da Cruz, São Francisco de Assis, Santo Inácio de Loyola, Santa Teresinha do menino Jesus, Carlos de Foucauld, etc.

 

 

INGLATERRA

 

O DRAMA DO PEQUENO CHARLIE

 

Os pais do pequeno Charlie Gard, de 10 meses, passam os últimos dias ao lado do seu filho em estado terminal, antes de o ventilador ser desligado. No dia 27 de Junho, Chris Gard e Connie Yates tinham sido informados que o Tribunal Europeu de Direitos Humanos autorizara o desligamento dos equipamentos que mantinham a vida do bebé.

 

Charlie sofre de um síndrome de miopatia mitocondrial, uma enfermidade que provoca a perda progressiva de força muscular. Esta doença genética e incurável é considerada extremamente rara. O pequeno nasceu em Agosto de 2016, aparentemente saudável. Com o tempo, a mãe notou que ele começou a perder peso e força. Ao completar oito semanas de vida, Charlie foi levado ao Hospital Great Ormond Street, em Londres, depois de ter tido uma pneumonia. Ficou internado desde então, precisando de ventilação mecânica para continuar vivo.

O bebé esteve no centro de uma longa batalha judicial entre os seus pais, que gostariam que ele fosse submetido a uma terapia experimental nos Estados Unidos, e os especialistas do hospital de Londres, que dizem que nenhum tratamento experimental seria capaz de salvá-lo.

No dia 27 de Junho, o Tribunal Europeu emitiu sentença definitiva para que os aparelhos fossem desligados e ordenou a suspensão das medidas judiciais provisórias que estavam a ser aplicadas aguardando a decisão judicial final, argumentando que manter o bebé ligado às máquinas apenas prolonga o seu sofrimento.

A história de Charlie comoveu o mundo. Também foi indeferido o desejo dos pais de trazerem o bebé para casa para estarem com ele até à sua morte natural. Talvez por isso, o Hospital resolveu adiar a interrupção do ventilador, para que os pais pudessem acompanhar os últimos dias do bebé.

Os seus pais já conseguiram mais de 1,4 milhão de libras (equivalente a quase 1,6 milhão de euros) após lançarem um apelo num site americano para pagar o tratamento. Os pais querem agora destinar esta soma para uma Fundação para o tratamento da doença que teve o seu bebé.

O Papa Francisco acompanha o bebé e os pais: “O Santo Padre acompanha com afecto e comoção o caso do pequeno Charlie Gard e manifesta a sua proximidade aos seus pais. Reza por eles, fazendo votos de que não seja negligenciado o seu desejo de acompanhar e cuidar do próprio filho até ao fim”, dizia o comunicado do dia 2 de Julho da Sala de Imprensa da Santa Sé.

No seguimento deste pronunciamento, no dia seguinte 3 de Julho, o Hospital “Bambino Gesù”, propriedade da Santa Sé, em Roma, mostrou-se disponível para acolher o bebé; no entanto, a proposta foi rejeitada “por motivos legais”.

Segundo o ensinamento da Igreja, num caso destes não é necessário usar meios extraordinários para manter a vida do doente; mas não se podem dispensar os meios ordinários de nutrição e hidratação, além de facilitar a assistência dos familiares até à morte natural.

 

 

ROMA

 

FALECEU JOAQUÍN NAVARRO-VALLS.

ANTIGO PORTA-VOZ DA SANTA SÉ

 

O jornalista Joaquín Navarro-Valls, que foi porta-voz do Vaticano durante o pontificado de S. João Paulo II, faleceu no passado dia 5 de Julho, aos 80 anos, na sua residência, acompanhado pelos amigos mais próximos, vítima de um cancro no pâncreas.

 

Joaquín Navarro-Valls, psiquiatra de formação e jornalista, foi correspondente do jornal espanhol ABC e presidente da Associação de imprensa estrangeira, em Roma, antes de ser escolhido por S. João Paulo II como Director da Sala de imprensa da Santa Sé, cargo que desempenhou de 1984 a 2006. Foi o primeiro leigo a ocupar este cargo.

Foi um homem decisivo na relação com os jornalistas e, sobretudo, na projecção mediática e comunicação do Papa Wojtyla.

Navarro-Valls introduziu um novo estilo nas relações entre a Santa Sé e os jornalistas, relações que até então eram bastante rígidas e clericais. Remodelou o espaço reservado pelo Vaticano aos jornalistas, criou uma agência de notícias da Santa Sé (Vatican Information Service, actualmente incluída no portal News.va) e deu um grande impulso à página web do Vaticano.

O seu protagonismo levou-o, inclusivamente, a integrar delegações vaticanas em contextos diplomáticos difíceis, como aconteceu com uma ida a Moscovo ao lado do cardeal Casaroli, ou a Cuba, para negociar com Fidel Castro a primeira visita de João Paulo II, e também integrou as missões da Santa Sé nas conferências mundiais da ONU, no Cairo, Pequim e Istambul.

Ainda acompanhou Bento XVI durante 15 meses, nas mesmas funções, mas retirou-se em Julho de 2011, para se dedicar ao ensino e assumir a presidência honorária de um hospital privado em Roma.

Segundo Aura Miguel, da Rádio Renascença, Navarro-Valls marcou várias gerações de vaticanistas, e os que bem o conheceram viam nele um homem de fé, com grande amor à Igreja e ao Papa.

As exéquias de Navarro-Valls foram celebradas no dia 7, na Basílica de Santo Eugénio, em Roma, sob a presidência de Mons. Mariano Fazio, Vigário-geral do Opus Dei, instituição a que pertencia Navarro-Valls desde os seus anos na Universidade espanhola.

No final da Missa foi lida a carta enviada pelo arcebispo emérito de Cracóvia, cardeal Stanislaw Dziwsz, que fora secretário de João Paulo II. Dizia que “foi um homem de confiança e de fé, com quem o Papa discutia muitas questões importantes para a vida da Igreja e do mundo. Não duvido de que o unia a S. João Paulo II não só a colaboração profissional, mas também a amizade”. 

 

 


Imprimir | Voltar atrás | Página Inicial