aCONTECIMENTOS eclesiais

DA SANTA SÉ

 

 

ACÇÃO DE PIO XII

EM DEFESA DOS JUDEUS

 

No passado dia 5 de Junho, o Papa Francisco elogiou o Papa Pio XII pela sua acção em defesa dos judeus durante a II Guerra Mundial (1939-1945), apresentando-o como exemplo do cumprimento das obras de misericórdia.

 

“Muitas vezes corremos riscos. Pensemos aqui, em Roma, em plena guerra: quantos arriscaram, a começar por Pio XII, para esconder os judeus, para que não fossem mortos, para que não fossem deportados”, disse, na homilia da Missa a que presidiu na capela da Casa de Santa Marta.

Na semana anterior, o Pontifício Colégio Português, em Roma, foi distinguido com o título “Casa de Vida”, da Fundação Raoul Wallenberg, reconhecendo o papel daquela instituição católica durante a II Guerra Mundial no acolhimento aos perseguidos pelo regime nazi.

Eugenio Pacelli (1876-1958), o Papa Pio XII, foi declarado “Venerável” por Bento XVI em Dezembro de 2009, o primeiro passo em direcção à sua beatificação.

Pio XII, assegurou então  Papa emérito, "agiu muitas vezes de forma secreta e silenciosa, porque, à luz das situações concretas daquele complexo momento histórico, ele intuía que só desta forma podia evitar o pior e salvar o maior número possível de judeus".

Na radiomensagem do Natal de 1942, Pio XII alertou para a situação de “centenas de milhares de pessoas que sem culpa nenhuma da sua parte, às vezes só por motivos de nacionalidade ou raça, se vêem destinadas à morte ou a um extermínio progressivo”.

Em Julho de 2012, o memorial “Yad Vashem” de Jerusalém, que evoca as vítimas do Holocausto durante a II Guerra Mundial, modificou um texto que acusava o Papa Pio XII de não ter feito o suficiente pelos judeus.

O grupo de especialistas dedicado às actividades do Vaticano e de Pio XII levou em consideração "as pesquisas realizadas nos últimos anos" que apresentam "uma imagem mais complexa do que anteriormente".

A legenda acrescentou referências à sua neutralidade e às acções da Igreja católica que permitiram salvar do Holocausto "um número importante” de judeus.

 

 

PAPA FRANCISCO:

25 ANOS DE ORDENAÇÃO EPISCOPAL

 

No passado dia 27 de Junho, o Papa Francisco presidiu a uma Missa na Capela Paulina, do Vaticano, com vários membros do Colégio Cardinalício, para assinalar os seus 25 anos de ordenação episcopal.

 

"Os que não gostam de nós dizem que somos a gerontocracia da Igreja. É uma piada, não percebem o que dizem: nós não somos ‘gerontes’, somos avôs - e se alguém não se sente assim, devemos pedir a graça de o sentir", declarou na homilia da celebração.

"Somos avôs chamados a sonhar e a dar o nosso sonho à juventude de hoje, que precisa deles", acrescentou.

"Agradeço-vos muito pela companhia fraterna, que o Senhor vos abençoe e acompanhe no caminho do serviço à Igreja, muito obrigado", disse aos participantes na Missa.

Jorge Mario Bergoglio nasceu em Buenos Aires, capital da Argentina, a 17 de Dezembro de 1936; filho de emigrantes italianos, trabalhou como técnico químico antes de se decidir pelo sacerdócio, no seio da Companhia de Jesus, licenciando-se depois em filosofia e teologia.

Ordenado padre a 13 de Dezembro de 1969, foi responsável pela formação dos novos jesuítas e depois provincial na Argentina (1973-1979).

João Paulo II nomeou-o bispo auxiliar de Buenos Aires em 1992 e foi ordenado bispo a 27 de Junho desse ano, assumindo a liderança da diocese a 28 de Fevereiro de 1998, após a morte do cardeal Antonio Quarracino.

Tem como lema “Miserando atque elegendo”, frase que evoca uma passagem do Evangelho segundo São Mateus: "Olhou-o com misericórdia e escolheu-o".

Na sua recente visita a Fátima, o Papa Francisco recordou que foi informado da sua nomeação como bispo a 13 de Maio de 1992.

“Não tinha pensado na coincidência; apenas enquanto rezava diante de Nossa Senhora, me lembrei de que a 13 de Maio recebi esse telefonema do núncio, há 25 anos”, referiu durante o voo de regresso a Roma.

“Falei um pouco com Nossa Senhora sobre isto, pedi desculpa pelos meus erros, também algum mau gosto para escolher pessoas”, confessou.

 

 

CINCO NOVOS CARDEAIS

 

No passado dia 28 de Junho, o Papa Francisco presidiu, no Vaticano, ao quarto consistório do actual pontificado, para a criação de cinco novos cardeais.

 

O rito de entrega do barrete e do anel decorreu na Basílica de São Pedro, na véspera da solenidade de São Pedro e São Paulo.

Os novos cardeais são Mons. Jean Zerbo, arcebispo de Bamaco (Mali); Mons. Juan José Omella, arcebispo de Barcelona (Espanha); Mons. Anders Arborelius, bispo de Estocolmo (Suécia); Mons. Louis-Marie Ling Mangkhanekhoun, vigário apostólico de Paksé (Laos); e Mons. Gregório Rosa Chávez, bispo auxiliar da Diocese de San Salvador (El Salvador), amigo e colaborador de D. Óscar Romero.

O último consistório tinha sido celebrado em Novembro de 2016, reforçando o papel das “periferias” no Colégio Cardinalício.

Desde 2013, quando os cardeais eleitores da Europa representavam 56% do total, Francisco tem vindo a alargar as fronteiras das suas escolhas, com uma mudança mais visível no peso específico da África, Ásia e Oceânia.

Quando foi eleito, o actual Papa tinha como colaboradores apenas 22 cardeais eleitores destes três continentes; agora, há 15 cardeais eleitores da Ásia, 15 de África, 17 da América Latina, 17 da América do Norte, 4 da Oceânia e 51 da Europa (42% do total).

Portugal está representado por três cardeais: D. Manuel Clemente, patriarca de Lisboa, e D. Manuel Monteiro de Castro, penitenciário-mor emérito, ambos eleitores; e D. José Saraiva Martins, prefeito emérito da Congregação para as Causas dos Santos.

 

 

PAPA PEDE NOVO PACTO SOCIAL

PARA RESOLVER O DESEMPREGO

 

No passado dia 28 de Junho, o Papa Francisco alertou no Vaticano para as consequências do desemprego na actual geração de jovens, enquanto os mais velhos têm de trabalhar demasiado tempo.

 

“É por isso urgente um novo pacto social humano, um novo pacto social pelo trabalho que reduza as horas de trabalho para quem está na última estação laboral, para criar emprego para os jovens que têm o direito-dever de trabalho”, disse, ao receber os delegados da Confederação Italiana dos Sindicatos de Trabalhadores.

O Papa deixou críticas a uma economia de mercado que deixa de parte a natureza social da empresa.

“O capitalismo do nosso tempo não entende o valor do sindicato, porque se esqueceu da natureza social da economia, da empresa. Este é um dos maiores pecados”, declarou.

Francisco citou São João Paulo II para defender uma “economia social de mercado” em vez de uma “economia de mercado”, denunciando a desigualdade salarial que afecta as mulheres e o trabalho infantil.

O Papa considerou “desumano” que os pais não tenham tempo para estar com os seus filhos, por causa do trabalho, e pediu “outra cultura”.

“A vossa vocação é também proteger quem ainda não tem direitos, os excluídos do trabalho que estão excluídos também dos direitos e da democracia”, referiu aos delegados sindicais.

A intervenção apontou campos de acção para os sindicatos, que têm de lutar pelos “descartados do trabalho” e não só por quem já trabalha ou se reformou.

Francisco alertou para os perigos da corrupção no mundo sindical e pediu que a presença destes responsáveis se façam sentir “entre os imigrantes, os pobres que estão dentro dos muros da cidade”.

 

 

NOVO PREFEITO DA

CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ

 

No passado dia 1 de Julho, o Papa Francisco nomeou o arcebispo espanhol jesuíta Mons. Luis Ladaria, de 73 anos, para suceder ao cardeal Gerhard Ludwig Müller como Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé.

 

O arcebispo Luis Francisco Ladaria era até agora Secretário da Congregação para a Doutrina da Fé, cargo para o qual tinha sido nomeado pelo Papa Bento XVI em 2008, altura em que recebeu a ordenação episcopal.

Depois de licenciado em Direito na Universidade de Madrid (1966), entrou na Companhia de Jesus, obtendo a licenciatura em Filosofia na Pontifícia Universidade de Comillas (Madrid) e a de Teologia em Frankfurt, sendo ordenado sacerdote em 1973.

Em 1975 obteve o doutoramento em Teologia na Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma, com uma dissertação sobre o  tema “O Espírito Santo em Santo Hilário de Poitiers”. Foi professor de Teologia Dogmática na Pontifícia Universidade de Comillas e em 1984 foi chamado para o mesmo cargo na Pontifícia Universidade Gregoriana, da qual foi vice-Reitor entre 1986 e 1992.

Em 2004, o Papa João Paulo II nomeou-o como secretário-geral da Comissão Teológica Internacional, à qual pertencia desde 1992, tendo mantido esse cargo até 2009.

Pelo seu novo cargo, é também presidente da Pontifícia Comissão “Ecclesia Dei” para o diálogo com a Fraternidade Sacerdotal São Pio X (lefebvrianos), assim como da Comissão Teológica Internacional e da Pontifícia Comissão Bíblica.

O seu antecessor, o Cardeal alemão Gerhard Ludwig Müller, nascido em 31 de Dezembro de 1947, fora nomeado por Bento XVI em 2 de Julho de 2012 para um mandato de 5 anos.

 


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