22º Domingo Comum

28 de Agosto de 2005

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Dai a paz senhor, M. Faria, NRMS 23

Salmo 85, 3.5

Antífona de entrada: Tende compaixão de mim, Senhor, que a Vós clamo o dia inteiro. Vós, Senhor, sois bom e indulgente, cheio de misericórdia para àqueles que Vos invocam.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Na celebração da liturgia Deus atrai o Seu povo pelo o amor que nela manifesta. Deus seduz-nos mostrando-nos o que fez e o que faz por nós. Todo o empreendimento humano, de grande ou pequeno vulto supõe, habitualmente, uma entrega e uma doação totais. Deus pede-nos essa entrega pedindo-nos para levarmos a nossa cruz. Mas temos a segurança de que Jesus vai à nossa frente dando-nos o exemplo.

 

Oração colecta: Deus do universo, de quem procede todo o dom perfeito, infundi em nossos corações o amor do vosso nome e, estreitando a nossa união convosco, dai vida ao que em nós é bom e protegei com solicitude esta vida nova. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Ser enviado por Deus não é uma garantia de celebridade; bem pelo contrário, o profeta é, muitas vezes, senão sempre, objecto de rejeição por parte daqueles a quem Deus envia. Mas a sedução que Deus opera no profeta é sempre maior do que o medo da rejeição por parte dos homens. Assim é o profeta Jeremias.

 

Jeremias 20, 7-9

7Vós me seduzistes, Senhor, e eu deixei-me seduzir; Vós me dominastes e vencestes. Em todo o tempo sou objecto de escárnio, toda a gente se ri de mim; 8porque sempre que falo é para gritar e proclamar: «Violência e ruína!» E a palavra do Senhor tornou-se para mim ocasião permanente de insultos e zombarias. 9Então eu disse: «Não voltarei a falar n’Ele, Não falarei mais em seu nome». Mas havia no meu coração um fogo ardente, comprimido dentro dos meus ossos. Procurava contê-lo, mas não podia.

 

Este texto é uma parte de uma das chamadas «confissões de Jeremias», as dolorosas lamentações do Profeta numa situação tremendamente dramática, após a trágica morte do rei Josias; prisioneiro da paixão por Deus, que o leva ao cumprimento fiel da sua espinhosa missão profética, Jeremias sente a repugnância instintiva do sofrimento que este desempenho lhe causa, pois isto era o pretexto para os seus adversários o acusarem de ser ele o culpado de todas as desgraças que desabavam sobre o povo, desgraças que haviam de culminar na conquista e destruição de Jerusalém por Nabucodonosor em 587 a. C. e no exílio de Babilónia. Jeremias chega ao ponto de, em dolorosos desabafos, amaldiçoar a sua vida, mas, ao mesmo tempo, mostrando uma inquebrantável confiança em Deus. Deixou-nos os mais belos textos literários que exprimem o drama da dor humana de um homem de fé: a fina e delicada sensibilidade de Jeremias como que se revolta, chega ao paroxismo e desata em doridos desabafos que se devem entender não como gritos de revolta, mas como queixumes ditados pela confiança e abandono nas mãos do Senhor. Deste texto depreende-se claramente a sobrenaturalidade da sua vocação profética: se este carisma fosse algo de imanente, não faria sentido que se queixasse a Deus de o ter seduzido – «Vós me seduziste, Senhor» (v. 7) – e de não conseguir dominar o impulso interior que o levava a profetizar: «mas havia no meu coração um fogo ardente… Procurava contê-lo, mas não podia» (v. 9). Pelas provações que teve de sofrer, o profeta celibatário, é considerado como uma figura de Cristo, casto e sofredor.

A notável obra do profeta de Anatot encontra-se muito desordenada, sem uma sequência natural, em parte ter sido mandada queimar pelo rei Joaquim; os seus oráculos, postos por escrito pelo seu secretário Baruc, foram recolhidos de modo muito disperso, como é fácil de verificar. As confissões de Jeremias encontram-se em: Jer 11, 18 – 12, 6; 15, 10-21; 17, 14-18; 18, 18-23; 20, 7-18.

 

Salmo Responsorial    Sl 62 (63), 2.3-4.5-6.8-9 (R. 2b)

 

Monição: A sedução que Deus exerce na alma dos seus fiéis produz a sede espiritual de quem procura Deus desde a aurora.

 

Refrão:        A minha alma tem sede de Vós, meu Deus.

 

Senhor, sois o meu Deus: desde a aurora Vos procuro.

A minha alma tem sede de Vós.

Por Vós suspiro,

como terra árida, sequiosa, sem água.

 

Quero contemplar-Vos no santuário,

para ver o vosso poder e a vossa glória.

A vossa graça vale mais do que a vida;

por isso, os meus lábios hão-de cantar-Vos louvores.

 

Assim Vos bendirei toda a minha vida

e em vosso louvor levantarei as mãos.

Serei saciado com saborosos manjares,

e com vozes de júbilo Vos louvarei.

 

Porque Vos tornastes o meu refúgio,

exulto à sombra das vossas asas.

Unido a Vós estou, Senhor,

a vossa mão me serve de amparo.

 

Segunda Leitura

 

Monição: O cristão é por natureza «não conforme» com este mundo e com a sua lógica que muitas vezes se afasta da vontade de Deus

 

Romanos 12, 1-2

1Peço-vos, irmãos, pela misericórdia de Deus, que vos ofereçais a vós mesmos como vítima santa, viva, agradável a Deus, como culto racional. 2Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos, pela renovação espiritual da vossa mente, para saberdes discernir, segundo a vontade de Deus, o que é bom, o que Lhe é agradável, o que é perfeito.

Aqui S. Paulo começa a parte moral ou exortatória (12 – 15) da sua epístola, com a energia própria da sua autoridade de Apóstolo dos gentios. Foram precisamente estas palavras que deram ao pecador Agostinho para a sua conversão definitiva (Confissões, ).

1 «Vos ofereçais a vós mesmos como vítima…». Este apelo, com que S. Paulo inicia a parte moral ou parenética da epístola, está em perfeita consonância com aquele de S. Pedro (cf. 1 Pe 2, 5): pode-se ver aqui uma bela exortação a exercitarmos a alma sacerdotal vivendo o «culto racional», isto é, espiritual, de que fala; é um obséquio da mente a Deus, próprio do sacerdócio baptismal, comum a todos os fiéis. «A vós mesmos», à letra, «os vossos corpos», não no sentido de «o organismo físico do corpo humano», mas no sentido de «a própria pessoa», como neste caso e noutros se entende o termo soma.

2 «Não vos conformeis com este mundo», isto é, o mundo em oposição aos planos de Deus, não propriamente as realidades mundanas, mas o «mundanismo», que a 1ª de João sintetiza em «concupiscência da carne, concupiscência dos olhos e estilo de vida orgulhoso» (1 Jo 2, 16). Conformar-se com este mundo é amoldar-se ao estilo de vida mundana, adoptar a sua escala de valores.

 

Aclamação ao Evangelho       cf. Ef 1, 17-18

 

Monição: Jesus afasta-se de maneira definitiva duma concepção messiânica do seu tempo, partilhada também pelos seus discípulos. Ele não é um Messias político e guerreiro, nem sequer simplesmente um profeta, mas Aquele que tem que dar a sua vida para cumprir o plano do Pai.

 

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação – 4, F. da Silva, NRMS 50-51

 

Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo,

ilumine os olhos do nosso coração,

para sabermos a que esperança fomos chamados.

 

 

 

Evangelho

 

São Mateus 16, 21-27

Naquele tempo, 21Jesus começou a explicar aos seus discípulos que tinha de ir a Jerusalém e sofrer muito da parte dos anciãos, dos príncipes dos sacerdotes e dos escribas; que tinha de ser morto e ressuscitar ao terceiro dia. 22Pedro, tomando-O à parte, começou a contestá-l’O, dizendo: «Deus Te livre de tal, Senhor! Isso não há-de acontecer!» 23Jesus voltou-Se para Pedro e disse-lhe: «Vai-te daqui, Satanás. Tu és para mim uma ocasião de escândalo, pois não tens em vista as coisas de Deus, mas dos homens». 24Jesus disse então aos seus discípulos: «Se alguém quiser seguir-Me, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me. 25Porque, quem quiser salvar a sua vida há-de perdê-la; mas quem perder a sua vida por minha causa, há-de encontrá-la. 26Na verdade, que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua vida? Que poderá dar o homem em troca da sua vida? 27O Filho do homem há-de vir na glória de seu Pai, com os seus Anjos, e então dará a cada um segundo as suas obras».

 

Aqui começa o que se pode considerar a 2ª parte do ministério de Jesus, em que Ele é apresentado em Mateus a caminho de Jerusalém (Mt 16, 21 – 20, 34), que é o caminho da Cruz, uma dura realidade que Ele «começou a explicar» (v. 21), depois que estavam suficientemente seguros de que Jesus era o Messias (cf. Mt 16, 16).

23 «Vai-te daqui, Satanás». Pedro faz o mesmo papel do diabo, ao tentar desviar Jesus da sua missão, por isso ouve a mesma resposta (cf. Mt 4, 10). E ouve estas duras palavras, depois de, pouco antes, ter sido proclamado «bem-aventurado» (Mt 16. 17); então, tinha-se deixado mover pelo espírito de Deus; e agora, pelo seu próprio espírito.

24-27 Esta passagem evangélica, em termos fortemente paradoxais – um recurso semítico frequente em Jesus para chamar a atenção para um ensinamento importante e a não esquecer –, é uma daquelas que todos os cristãos deviam saber de cor, a par com as outras fórmulas do catecismo (cf. Cathechesi tradendæ). Aceitar e abraçar a cruz é fundamental para o homem alcançar a salvação: para viver é preciso morrer. O fim do homem é o próprio Deus, não é gozar dos bens deste mundo, que são puros meios. Para se chegar a Deus é preciso renegar-se a si mesmo, renunciando ao comodismo, egoísmo, apego aos bens terrenos, e «tomar a sua cruz», abraçando os sacrifícios que acarreta o dever bem cumprido. Na expressão do Catecismo da Igreja Católica, no nº 2015: «O caminho da perfeição passa pela Cruz. Não há santidade sem renúncia e combate espiritual. O progresso espiritual implica a ascese e a mortificação, que conduzem gradualmente a viver na paz e na alegria das bem-aventuranças».

 

Sugestões para a homilia

 

A liturgia da palavra fala-nos da capacidade de aceitação das limitações da vida. A primeira leitura é um trecho das «confissões» amargas e dolorosas do profeta Jeremias, hostilizado no exercício da sua missão. A segunda leitura incita a não deixar-se enredar pela mentalidade deste mundo. E, finalmente, o trecho evangélico relativiza peremptoriamente as prioridades e critérios que os homens estabeleceram, declarando sem rodeios: «Quem quiser salvar a própria vida, há-de perdê-la; ao contrário, quem perder a própria vida por minha causa, então é que a encontrará».

Não há dúvida que, aos olhos da mentalidade comum, isto são duas coisas inacreditáveis, absurdas e inclusivamente ridículas. É que, de facto, há uma enorme dificuldade em assumir atitudes que contradigam o que são os padrões de felicidade e de bem-estar propostos por uma sociedade cujos objectivos são a satisfação imediata dos instintos de comodismo.

E a verdade é que o discurso sobre o «sofrimento e a paixão» não tem absolutamente sentido nenhum se não se perspectivar a vida humana em termos de eternidade. É evidente que não faz sentido nenhum «perder a própria vida» nesta vida se depois não se ganha uma outra vida. S. Paulo também o diz doutra maneira: «Se Cristo não ressuscitou, também nós não ressuscitaremos. E então, se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens, porque perdemos esta e a outra vida»

Quem tenha que pregar que os caminhos de Deus são diferentes dos caminhos dos homens não tem certamente uma vocação para a tranquilidade. É uma missão incómoda e incomodante. Jeremias é paradigma dessa situação de fronteira. Totalmente contra o seu feitio, ele tem o incómodo encargo de dizer aos seus contemporâneos coisas que gostaria de não ter que dizer. E, no entanto, não as pode calar, porque dentro de si há como que um fogo que não pode conter.

A sua alma é um vulcão e um autêntico campo de batalha. Entre Deus e a mentalidade do mundo, entre a necessidade de se sacrificar a si mesmo e a sua tendência para a tranquilidade e o imobilismo, não parece haver possibilidade de tréguas. E, por isso, ao fim e ao cabo, ao profeta Jeremias não lhe resta senão uma alternativa: deixar-se seduzir por Deus.

Não vou aqui percorrer as vocações de outros profetas e homens de Deus para provar a mesma realidade. Mas não posso deixar de acentuar que, dum modo geral, em todos eles, há essa «dicotomia»: por um lado, a resistência ao mandato de Deus; e, por outro, a incapacidade de resistir a essa urgência de serem os seus porta-vozes.

Diversa é a atitude de Jesus; precisamente porque tem a consciência perfeita da indefectibilidade da vida. Para Ele, o sofrimento, a paixão e a morte não só não são escândalo nem absurdo, mas são, em certo sentido, a consequência do estado de pecado introduzido no mundo. Nas palavras de Jesus, a paixão e a morte não são apenas «previsões» e consequência da recusa relativamente a Ele e à sua doutrina por parte dos anciãos e chefes do povo, mas é qualquer coisa que «deve» acontecer, um momento já prefigurado e anunciado pelos profetas e que faz parte do plano salvífico de Deus.

Ao contrário, Ele é um Messias que vai ser entregue pelos chefes do povo para ser maltratado e crucificado. É sintomática a maneira como Pedro reage a este pré-anúncio. É a reacção típica daqueles que, tendo uma ideia limitada da vida, não podem, de maneira nenhuma, compreender para além desta dimensão terrena. E é uma reacção que partilhamos todos nós, hoje, como homens de pouca fé, como o foram as pessoas do tempo de Jesus, incluindo os seus próprios discípulos.

Para compreendermos algo do mistério da dor e do sofrimento de Jesus, é absolutamente necessário revestirmo-nos da sua mentalidade. Mas, geralmente, não é isso que acontece. De qualquer forma, o facto de que Jesus tenha aceitado a paixão e morte como uma opção consciente, está a indicar que, se vale a pena sacrificar esta vida pela outra, a outra deve ter bem mais valor do que esta; ou melhor, está a indicar que esta vida, sem a outra, não vale a pena ser vivida.

Há muitos que esperam a salvação e a felicidade do sucesso terreno, das coisas, do «ganhar o mundo inteiro». E, por isso, organizam a sua vida e as suas actividades nesse sentido. E não é um pequeno número. Talvez seja a maioria.

Há outros que esperam a salvação das mãos de Deus procurando viver na fidelidade à sua vontade, mesmo que aos olhos do mundo pareça que «perdem a sua vida» e mesmo que os seus passos pareçam encaminhar-se para o falhanço e o insucesso.

Esta dicotomia simplista poderia levar a concluir que a humanidade se pode dividir em duas categorias de pessoas: os que, apostando só nesta vida, perdem a outra; e os que, apostando na outra, podem perder esta. Mas é uma conclusão ilegítima, porque se trata de uma verdade apenas parcial. A verdade é que essas duas posições opostas se encontram no interior do mesmo indivíduo...

Há também uma outra oposição radicada no íntimo de cada indivíduo. É a que aceita a palavra de Jesus em teoria e como afirmação verbal, digamos assim, mas depois a desmente pontualmente na práxis e na vida de todos os dias. Quantas vezes já ouvimos, por exemplo, as seguintes palavras citadas pelos Sinópticos com mínimas variantes: «Para que serve ganhar o mundo inteiro se, depois, acabamos por nos perder a nós mesmos?». Certamente já as teremos ouvido inúmeras vezes. Mas habituámo-nos de tal maneira a elas que já as esvaziámos por completo do seu sentido radical. Faz-nos muito mais cómodo reduzi-las a «slogans», a modos de dizer paradoxais e de efeito, mas que, por isso mesmo, acabam por ser inofensivas. E, no entanto, essa e outras frases parecidas estão lá no Evangelho e não é só para efeitos de ornamentação.

Com Deus, a estratégia do compromisso não vale. É típico de não poucos cristãos (e não vale a pena excluir-nos desse número!) um comportamento prático que acaba por prevalecer sobre o Evangelho. Ou seja, achamos bonito o que o Evangelho diz, mas, na prática, acabamos por optar pelo «modo de raciocinar segundo os homens». «Perder a vida para a ganhar» é uma frase bonita (pensamos nós) mas é só para constar lá nas páginas do Evangelho!

 

Fala o Santo Padre

 

«É na ‘vida quotidiana’ que Deus nos chama a viver de maneira extraordinária as coisas ordinárias.»

 

Caríssimos Irmãos e Irmãs

1. Em muitos países, o mês de Setembro marca o início das actividades de trabalho e escolares, depois da pausa do Verão, e faço votos de que tenha sido serena e positiva para todos. Alguns aproveitaram o Verão para participar em campos de oração, de formação espiritual, de trabalho e de serviço. Agora, chegou o momento de partilhar as experiências feitas com as famílias, os amigos, os grupos, as comunidades e as associações, dando à vida de todos os dias entusiasmo, serenidade e alegria.

2. A nível psicológico, o recomeço da vida ordinária nem sempre é fácil, aliás, por vezes pode causar algumas dificuldades de adaptação aos empenhos quotidianos. Mas é na «vida quotidiana» que Deus nos chama a obter aquela maturidade da vida espiritual, que consiste precisamente em viver de maneira extraordinária as coisas ordinárias.

De facto, a santidade adquire-se no seguimento de Jesus, não fugindo à realidade e às suas provas, mas aprofundando-as com a luz e a força do seu Espírito. Tudo isto encontra a sua compreensão mais profunda no mistério da Cruz, como é bem realçado na Liturgia deste domingo. Jesus convida os crentes a carregar todos os dias a própria cruz e a segui-lo (cf. Mt 16, 24), imitando-O até à doação total de si a Deus e aos irmãos. […]

4. Que a Virgem Maria nos ensine e nos ajude a fazer da nossa existência um humilde e alegre cântico de louvor a Deus, pois aos seus olhos tem mais valor um gesto de amor do que grandiosos empreendimentos. Maria nos ampare no nosso empenho quotidiano para que, como exorta hoje o Apóstolo, não nos conformemos com a mentalidade do mundo, mas renovemos a nossa mente para «poder discernir a vontade de Deus» (Rm 12, 2).

 

João Paulo II, Angelus, Domingo, 1 de Setembro de 2002

 

Oração Universal

 

Irmãos, oremos a Deus todo-poderoso,

e imploremos a misericórdia d’Aquele

que é o Deus dos vivos e não dos mortos, dizendo:

Ouvi-nos Senhor.

 

1.  Pelos bispos, presbíteros e diáconos:

para que busquem apenas no Senhor a sua glória e não se envergonhem da cruz do Salvador,

oremos, irmãos.

 

2.  Pelos chefes das nações:

para que respeitem a dignidade de toda a pessoa humana,

rica ou pobre, honrada ou desconhecida,

oremos, irmãos

 

3.  Para que nunca percamos a esperança perante as dificuldades da vida,

e sejamos sempre conscientes de que o Amor de Deus é mais forte que a morte,

oremos, irmãos.

 

4.  Para que o Senhor aumente cada vez mais a nossa fé e nossa confiança nele,

e saibamos descobrir os mil gestos de seu amor que diariamente acontecem ao nosso lado,

oremos, irmãos

 

5.       Para que todos nós vivamos nossa fé em Cristo ressuscitado numa Comunidade

que saiba repartir com os demais tudo o que é e o que tem,

oremos, irmãos.

 

Senhor nosso Deus e nosso Pai, fazei-nos encontrar no anúncio da Ressurreição

de Cristo Vosso amado Filho a alegria que só Vós podeis dar. Por Nosso Senhor Jesus Cristo …

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: A minha alma tem sede, M. Carneiro, NRMS 40

 

Oração sobre as oblatas: Santificai, Senhor, a oferta que Vos apresentamos e realizai em nós, com o poder da vossa graça, a redenção que celebramos nestes mistérios. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Santo: J. Santos, NRMS 6 (II)

 

Monição da Comunhão

 

A Eucaristia é memória e actualização da morte e ressurreição de Jesus. Não se pode entrar em comunhão com esse Jesus se não se aceitar essa dimensão do sofrimento e da morte, embora isso nos custe a admitir.

 

Cântico da Comunhão: Se alguém quiser seguir-me, C. Silva, Cânticos de Entrada e Comunhão II, pág 109

Salmo 30, 20

Antífona da comunhão: Como é grande, Senhor, a vossa bondade para aqueles que Vos servem!

 

Ou

Mt 5, 9-10

Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus. Bem-aventurados os perseguidos por amor da justiça, porque deles é o reino dos céus.

 

Cântico de acção de graças: A toda a hora bendirei o Senhor, M. Valença, NRMS 60

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que nos alimentastes com o pão da mesa celeste, fazei que esta fonte de caridade fortaleça os nossos corações e nos leve a servir-Vos nos nossos irmãos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Não se pode falar de mudança sem falar também de conversão real: da nossa maneira de equacionar a vida segundo coordenadas puramente humanas para a maneira de Jesus equacionar a vida. E foi precisamente Ele que disse que só quem perde a sua vida por causa dele é que a ganha. Não se pode ser verdadeiramente cristão aceitando apenas uma parte de Jesus.

 

Cântico final: Eu quero viver na tua alegria, H. Faria, NRMS 11-12

 

 

Homilias Feriais

 

22ª SEMANA

 

2ª feira, 29-VIII: O martírio de João Baptista: O sacrifício da vida como testemunho.

Jr. 1, 17-19 / Mc. 6, 17-29

O guarda foi decapitá-lo (a João Baptista) na cadeia, trouxe num prato a cabeça dele e entregou-a à jovem.

«(João Baptista) precedendo Jesus com o espírito e o poder de Elias, dá testemunho d’Ele pela sua pregação, pelo seu baptismo de conversão e, finalmente, pelo seu martírio (cf. Ev. do dia)» (CIC, 523).

No Calvário, Jesus oferece-se ao Pai, derramando o seu Sangue, que ficou então separado do seu Corpo. Ofereçamos também a nossa vida, colaborando na obra da Redenção: «Participar na Eucaristia, obedecer ao Evangelho que escutamos, comer o Corpo e beber o Sangue do Senhor, significa fazer da nossa vida um sacrifício agradável» (AE, 24).

 

3ª feira, 30-VIII: Libertação da escravidão.

1 Tes. 5, 1-6. 9-11 / Lc. 4, 31-37

Encontrava-se então na sinagoga um homem que tinha o espírito de um demónio impuro.

Este homem que tinha o espírito impuro de um demónio (cf. Ev.) representa o pecador que se quer converter a Deus e tem que se libertar de Satanás e do pecado.

Infelizmente muitas pessoas tornam-se escravas do pecado porque «todo o que comete pecado é escravo do pecado» (Jo. 8, 34). E também: «a presença do demónio torna-se mais forte à medida que o homem e a sociedade se afastam de Deus» (João Paulo II). Mas a nossa esperança está na morte de Cristo: «Cristo morreu por nós, para que, vivos ou mortos, cheguemos à vida em união com Ele» (Leit.).

 

4ª feira, 31-VIII: Ouvimos o Senhor pelo Evangelho.

Col. 1, 1-8 / Lc. 4, 38-44

Tenho de ir também às outras cidades para anunciar a Boa Nova do Reino de Deus, porque para isto é que fui enviado.

A Boa Nova que Jesus tinha que anunciar é a mesma que nos traz o Evangelho, proclamado na celebração eucarística. S. Paulo alegra-se do Evangelho ter chegado à comunidade de Colossos (cf. Leit.).

«Nós devemos ouvir o Evangelho como se o Senhor estivesse presente e nos falasse... As mesmas palavras que saíam da boca do Senhor escreveram-se e guardaram-se e conservaram-se para nós» (S. Agostinho). Que se possa dizer de nós o mesmo louvor que dava S. Paulo: «Como em todo o mundo, assim também entre vós, o Evangelho tem estado a frutificar e a desenvolver-se» (Leit.).

 

5ª feira, 1-IX: Agradar ao Senhor em tudo.

Col. 1, 9-14 / Lc. 5, 1-11

...Não temos deixado de orar por vós e de pedir que chegueis a conhecer plenamente a vontade de Deus.

Ao rezarmos o Pai nosso pedimos ao Pai que o seu plano se realize por completo na terra, como já se cumpre no céu (cf. CIC, 2823). «Foi em Cristo e pela sua vontade humana que a vontade do Pai se cumpriu perfeitamente e de uma vez para sempre... Só Jesus pode dizer: ‘Faço sempre o que é do seu agrado’» (CIC, 2824). É o que recomenda S. Paulo: que procuremos agradar ao Senhor em tudo (cf. Leit.).

Simão Pedro descobriu a vontade de Deus e cumpriu-a, ainda que ao princípio lhe custasse (cf. Ev.).

 

6ª feira, 2-IX: Restauração da imagem de Cristo.

Col. 1, 15-20 / Lc. 5, 33-39

Cristo é a imagem do Deus invisível, é que tem a primazia sobre todas as criaturas.

«Foi em Cristo, ‘imagem do Deus invisível’ (Leit. do dia), que o homem foi criado ‘à imagem e semelhança’ do Criador. Assim como foi em Cristo, redentor e salvador, que a imagem divina, deformada pelo homem pelo primeiro pecado, foi restaurada na sua beleza original e enobrecida pela graça de Deus» (CIC, 170).

Para colaborarmos nesta restauração da imagem de Cristo melhoremos as nossas disposições para recebê-lo na Comunhão; prestemos mais atenção à leitura da sua Palavra; purifiquemos melhor o nosso interior através da contrição.

 

Sábado, 3-IX: Reconciliação e purificação.

Col. 1, 21-23 / Lc. 6, 1-5

Mas agora, Deus reconciliou-nos consigo, pela morte de Cristo no seu corpo de carne, para vos apresentar diante d’Ele santos, puros e irrepreensíveis.

«Pelo Sangue da sua Cruz, Ele, levando em si próprio a morte à inimizade (Leit. do dia) reconciliou com Deus os homens e fez da sua Igreja o sacramento de unidade do género humano e da sua união com Deus» (CIC, 2305).

Cristo quer que nos apresentemos santos, puros e irrepreensíveis diante do Pai. Na Missa temos uma oportunidade: «A Eucaristia estimula à conversão e purifica o coração penitente, consciente das próprias misérias e desejoso do perdão de Deus» (AE, 22). Aproveitemos os momentos do Acto penitencial e outros da Santa Missa.

 

 

Celebração e Homilia:          Hermenegildo Faria

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha


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