OPINIÃO

A DITADURA DA IMAGEM

 

 

 

 

Rodrigo Lynce de Faria

 

 

 

A Bela e o Monstro é um grande filme porque procede de uma história encantadora. Bela possui um pretendente chamado Gastão, que, sendo externamente um bonitão, é superficial, frívolo e cheio de si mesmo. Em poucas palavras: um verdadeiro parvalhão.

 

Pelo contrário, o Monstro possui um aspecto exterior repugnante. No entanto, Bela intui nele uma beleza genuína. As aparências enganam. Por trás do Monstro há um príncipe encantado que só é possível descobrir com um olhar limpo.

 

A mensagem de fundo da história é sempre actual: a beleza de cada ser humano, homem ou mulher, é sobretudo interior.

 

O belo atrai, fascina e maravilha. Sem ele cairíamos irremediavelmente no desespero. E o mais belo deste mundo — muito acima das paisagens, das obras de arte, da música — está no ser humano. No seu mundo interior.

 

No entanto, o perigo de pensar que a beleza se reduz à aparência física, à fotografia, ao aspecto corporal sempre esteve presente na História da Humanidade, sobretudo no que se refere à beleza feminina.

 

Hoje em dia, quantas adolescentes e jovens se deixam enganar por uma enorme mentira: a aparência exterior é tudo! Vales o que vale a tua imagem! Para manter uma boa “fotografia” vale a pena sacrificar tudo!

 

Num mundo saturado de imagens são especialmente as raparigas que pagam o grande contributo à “fotografia”, começando pelo número de “likes” nas redes sociais. Uma jovem, se não sai desta espiral, entra num concurso de beleza que não acaba e do qual sairá obrigatoriamente “descartada”.

 

A beleza meramente exterior é um dom emprestado: tem os dias contados! A beleza interior — ser boa pessoa, possuir um coração generoso — é um dom conquistado e deve crescer com o passar dos anos.

 

É necessário lutar contra a ditadura da imagem. Caso contrário, muitas jovens ficarão irremediavelmente feridas no dia de amanhã.

 


Imprimir | Voltar atrás | Página Inicial