25.º Domingo Comum

24 de Setembro de 2017

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Povo por Deus reunido, H. Faria, NRMS 103-104

 

Antífona de entrada: Eu sou a salvação do meu povo, diz o Senhor. Quando chamar por Mim nas suas tribulações, Eu o atenderei e serei o seu Deus para sempre.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

É possível que tenhamos herdado a ideia de um Deus distante, severo e intratável, fácil em castigar e difícil em perdoar. É uma triste herança duma heresia que nunca foi condenada como tal, mas se meteu nas almas como uma epidemia.

Esta corrente de doutrina chamava-se jansenismo — de Cornelius Jansen — Jansénio, seu autor. Vem na sequência dos erros protestantes acerca da justificação das pessoas.

Dele emana um profundo pessimismo acerca da salvação, a tal ponto que levava as pessoas ao desespero de se salvarem.

Desenvolveu-se principalmente na França e na Bélgica, nos séculos XVII e XVIII, no seio da Igreja Católica e estas teorias acabaram por ser consideradas heréticas pela mesma, desde 16 de Outubro 1656, através da bula Ad sacram subscrita pelo Papa Alexandre VII.

Esta doutrina afastou muitas pessoas dos sacramentos, por medo ou por escrúpulo. Comungavam apenas uma vez por ano, mantendo-se interiormente afastados de Deus, como quem foge de um inimigo perigoso.

A doutrina emanada da Liturgia da Palavra do 25.º Domingo do Tempo Comum, pelo contrário, fala-nos de um Deus sumamente bondoso que nos procura sem cessar, para nos conduzir à felicidade temporal e eterna.

 

Acto penitencial

 

Nós também nos deixamos cair num certo receio de nos aproximarmos de Deus porque não nos lembramos que Ele é para connosco o melhor dos pais. É tal o amor que nos dedica, que morreu numa cruz por nós.

Peçamos humildemente perdão desta desconfiança e deste afastamento que não faz qualquer sentido.

 

(Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, elementos para o esquema C)

 

•   Senhor Jesus: Perdoai-nos o descuido em cuidar da nossa Salvação

    e ajudai-nos a combater a preguiça que nos tem impedido de o fazer.

    Senhor, misericórdia!

 

    Senhor, misericórdia!

 

•   Cristo: Tornai-nos atentos ao convite do Senhor que nos procura,

    para trabalharmos a sério na vinha da alma, da Igreja e do mundo.

    Cristo, misericórdia!

 

    Cristo, misericórdia!

 

•   Senhor Jesus: Livrai-nos da tentação de adiar a nossa conversão

    e dai-nos a fortaleza e alegria de hoje mesmo mudarmos de vida.

    Senhor, misericórdia!

 

    Senhor, misericórdia!

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração colecta: Senhor, que fizestes consistir a plenitude da lei no vosso amor e no amor do próximo, dai-nos a graça de cumprirmos este duplo mandamento, para alcançarmos a vida eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Isaías, em nome do Senhor, convida-nos a que nos voltemos para Deus, a que O procuremos enquanto O podemos encontrar.

“Voltar para Deus” é uma atitude interior que exige de nós uma transformação radical, de forma a que os nossos pensamentos e acções se deixem guiar pelas luzes do Alto.

 

Isaías 55, 6-9

6Procurai o Senhor, enquanto se pode encontrar, invocai-O, enquanto está perto. 7Deixe o ímpio o seu caminho e o homem perverso os seus pensamentos. Converta-se ao Senhor, que terá compaixão dele, ao nosso Deus, que é generoso em perdoar. 8Porque os meus pensamentos não são os vossos, nem os vossos caminhos são os meus – oráculo do Senhor –. 9Tanto quanto o céu está acima da terra, assim os meus caminhos estão acima dos vossos e acima dos vossos estão os meus pensamentos.

 

Este belo texto da parte final do Dêutero-Isaías encerra um impressionante convite à conversão e à confiança na misericórdia e no perdão de Deus. O regresso dos exilados à sua pátria não é o mais importante, mas sim o regresso a Deus.

 

Salmo Responsorial    Sl 144 (145), 2-3.8-9.17-18

 

Monição: O salmista convida-nos a contemplar as obras do Senhor para que, à luz da fé, possamos fazer a descoberta do carinho infinito de Deus para cada um de nós.

Não nos dirigimos a um Deus distante e anónimo, mas a um Pai que nos ama infinitamente e está sempre ao nosso lado.

 

Refrão:        o Senhor está perto de quantos O invocam.

 

Quero bendizer-Vos, dia após dia,

e louvar o Vosso nome para sempre.

Grande é o Senhor e digno de todo o louvor,

insondável é a sua grandeza.

 

O Senhor é clemente e compassivo,

paciente e cheio de bondade.

O Senhor é bom para com todos

e a sua misericórdia se estende a todas as criaturas.

 

O Senhor é justo em todos os seus caminhos

e perfeito em todas as suas obras.

O Senhor está perto de quantos O invocam,

de quantos O invocam em verdade.

 

Segunda Leitura

 

Monição: A carta dos Cristãos de Filipos apresenta-nos o exemplo de Paulo que que abraçou, de forma exemplar, a vontade de Deus. Renunciou aos interesses pessoais e às ambições do egoísmo e de comodismo, e colocou no centro da sua existência Cristo, os seus valores, o seu projecto.




 

Filipenses 1, 20c-24.27a

Irmãos: 20cCristo será glorificado no meu corpo, quer eu viva quer eu morra. 21Porque, para mim, viver é Cristo e morrer é lucro. 22Mas, se viver neste corpo mortal é útil para o meu trabalho, não sei o que escolher. 23Sinto-me constrangido por este dilema: desejaria partir e estar com Cristo, que seria muito melhor; 24mas é mais necessário para vós que eu permaneça neste corpo mortal. 27aProcurai somente viver de maneira digna do Evangelho de Cristo.

 

S. Paulo, ao escrever estas palavras está preso, mas não é possível determinar com certeza onde se encontra prisioneiro; a opinião mais corrente a favor da primeira prisão romana (pelos anos 60-62) tem vindo a perder adeptos a favor de uma provável prisão em Éfeso (pelos anos 54-57), durante a sua longa estadia nesta cidade por ocasião da 3ª viagem. Ele fala como quem corre um perigo real de ser condenado à morte, e exprime uma total disponibilidade para o que venha a suceder-lhe, com a segurança de que em qualquer das alternativas «Cristo será glorificado» (v. 20), e declara: «não sei o que escolher» (v.22), se «permanecer neste corpo mortal» (v. 24), se «partir e estar com Cristo» (v. 23), o que aconteceria logo após a morte. Mas pende para aquilo que «é mais necessário» (v. 23) para os seus fiéis. Em qualquer dos casos, a sua vida não tem outro sentido que não seja Cristo e viver nele: «Para mim, viver é Cristo» (v. 21). Este desejo de morrer para estar com Cristo é uma característica dos santos, poeticamente expressa por Santa Teresa de Jesus: «Vivo sin vivir en mí, y tan alta vida espero, que muero porque no muero» (Poesia 2).   

 

Aclamação ao Evangelho        cf. Actos 16, 14b

 

Monição: A Palavra de Deus enche o nosso coração de alegria, de paz e de boa vontade para com todos.

Aclamemos o Evangelho que vai ser proclamado para todos nós e deixemos que entre plenamente em nós este fermento novo que Jesus veio trazer ao mundo.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação-2, F. da Silva, NRMS 50-51

 

Abri, Senhor, os nossos corações,

para aceitarmos a palavra do vosso Filho.

 

 

Evangelho

 

São Mateus 20, 1-16a

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos a seguinte parábola: 1«O reino dos Céus pode comparar-se a um proprietário, que saiu muito cedo a contratar trabalhadores para a sua vinha. 2Ajustou com eles um denário por dia e mandou-os para a sua vinha. 3Saiu a meia manhã, viu outros que estavam na praça ociosos e disse-lhes: 4‘Ide vós também para a minha vinha e dar-vos-ei o que for justo’. 5E eles foram. Voltou a sair, por volta do meio-dia e pelas três horas da tarde, e fez o mesmo. 6Saindo ao cair da tarde, encontrou ainda outros que estavam parados e disse-lhes: ‘Porque ficais aqui todo o dia sem trabalhar?’ 7Eles responderam-lhe: ‘Ninguém nos contratou’. Ele disse-lhes: ‘Ide vós também para a minha vinha’. 8Ao anoitecer, o dono da vinha disse ao capataz: «Chama os trabalhadores e paga-lhes o salário, a começar pelos últimos e a acabar nos primeiros’. 9Vieram os do entardecer e receberam um denário cada um. 10Quando vieram os primeiros, julgaram que iam receber mais, mas receberam também um denário cada um. 11Depois de o terem recebido, começaram a murmurar contra o proprietário, dizendo: 12‘Estes últimos trabalharam só uma hora e deste-lhes a mesma paga que a nós, que suportámos o peso do dia e o calor’. 13Mas o proprietário respondeu a um deles: ‘Amigo, em nada te prejudico. Não foi um denário que ajustaste comigo? 14Leva o que é teu e segue o teu caminho. Eu quero dar a este último tanto como a ti. 15Não me será permitido fazer o que quero do que é meu? Ou serão maus os teus olhos porque eu sou bom?’ 16aAssim, os últimos serão os primeiros e os primeiros serão os últimos».

 

A lição central da parábola situa-nos para além de critérios humanos de estrita justiça e parece consistir em mostrar o primado da graça de Deus, que vai para além do estritamente devido; a graça é isso mesmo, é dom gratuito. A todos Deus chama ao seu Reino, não tendo maior importância o ter sido chamado primeiro (como foi o caso de Israel). Ninguém tem o direito de ver com maus olhos que Deus seja bom e cheio de misericórdia (v. 15).

 

Sugestões para a homilia

 

• Conversão pessoal

Procurar o Senhor

Voltar-se para Deus

Perseverar

• Cuidar da santificação

Deus procura-nos

Acolher bem o convite

Teremos recompensa eterna

 

 

1. Conversão pessoal

 

a) Procurar o Senhor. «Procurai o Senhor, enquanto se pode encontrar, invocai-O, enquanto está perto

Para procurar o Senhor não é preciso andar longos caminhos, nem interrogar muitas pessoas, para que nos digam onde podemos encontrá-l’O. Basta alimentarmos um desejo, e logo Ele nos dirá: “Aqui estou! Que pretendes de Mim?”

O nosso Deus espera de nós o mais leve sinal para nos abrir logo os braços e nos acolher.

Temos necessidade de O procurar, de nos voltarmos para Ele muitas vezes ao dia e durante a noite.

Trata-se de reconhecermos que estamos mal, afastados do Seu caminho e acalentar o desejo de recomeçar e intensificar a amizade com Ele.

Para o fazer é preciso ser humilde. Custa-nos muito reconhecer os nossos erros e desvios. Tentamos justificar-nos, desculpando-nos com os outros, com o nosso feitio e com outras razões, até repetirmos o gesto do filho pródigo diante do Pai: «Pai, pequei contra o Céu e contra ti. Já não mereço ser chamado teu filho

Afastamo-nos de Deus quando cometemos pecados e endurecemos o nosso coração, com pensamentos, palavras, obras e omissões contra a Sua vontade.

Por isso, temos de procurar que o Acto penitencial da Santa Missa não seja só uma questão de palavras ditas sem pensar em nada.

Quando, à noite, nos recolhemos ao descanso e ao sono, havemos de fazer sempre um acto de contrição, pensando bem nas palavras que estamos a dizer.

Que a morte não nos encontre frios com Deus e afastados d’Ele por causa dos pecados cometidos e de que não nos arrependemos.

Corremos o risco de as nossas confissões não chegarem a ser um verdadeiro encontro com o Senhor, porque nos deixamos vencer pela rotina, limitando-nos a dizer palavras sem pensar no sentido que têm.

 

b) Voltar-se para Deus. «Deixe o ímpio o seu caminhoe o homem perverso os seus pensamentos. Converta-se ao Senhor, que terá compaixão dele, ao nosso Deus, que é generoso em perdoar

Converter-se é voltar as costas ao pecado e voltar-se para Deus. O pecado põe-nos de costas voltadas para Ele. É necessário que nos voltemos para o nosso melhor Amigo.

Se estávamos zangados com alguém e nos reconciliamos, há uma verdadeira conversão. Quando ouvimos falar em conversão, imaginamos imediatamente que ela só é necessária aos grandes pecadores. Nós — pensamos — não precisamos de nos convertermos.

E, no entanto, todos precisamos de estar continuamente a converter-nos, a pedir perdão e a voltar para Deus.

A conversão inclui várias coisas:

Reconhecer o mal feito. Custa muito ao nosso orgulho fazê-lo. Se quisermos ouvir duas pessoas zangadas, acabamos por concluir que ambas têm razão e a culpa é sempre do outro.

Arrepender-se do mal feito ou bem omitido. Há quem se regozije e alegre do mal que conseguiu fazer. Até na acusação das nossas faltas reina às vezes uma satisfação íntima pela resposta dada, pela agressão, pelo prejuízo...

Emenda de vida. O arrependimento, o pedir perdão ou desculpa não faz sentido quando estamos resolvidos a continuar a cometer os mesmos erros voluntariamente.

 

c) Perseverar. «para mim, viver é Cristo e morrer é lucro. Mas, se viver neste corpo mortal é útil para o meu trabalho,não sei o que escolher. [...]: desejaria partir e estar com Cristo, que seria muito melhor; mas é mais necessário para vósque eu permaneça neste corpo mortal

Perseverar não é ser impecável. Aprendemos também cometendo erros e procurando emendá-los.

Depois de tomada uma resolução, começamos um caminho. Mas caímos em desvios do rumo, tropeçamos e hesitamos em continuar, vencidos pelas tentações do desânimo.

O importante é não desistir da caminhada, mas manter a disposição de recomeçar todas as vezes que for necessário.

Para perseverar são precisas várias coisas:

Utilizar os meios que nos são indicados. Entre eles temos a oração, a frequência de sacramentos, alguém que nos oriente no caminho e nos alente nos desânimos. È preciso que seja uma pessoa experiente e viva a mesma aventura que nós, isto é, que se esforce por caminhar na santidade. Sobejam as placas de sinalização. O que nos falta verdadeiramente são testemunhas, companheiros de viagem. É uma alegria saber que neste combate não estamos sós a enfrentar o inimigo e as dificuldades e que, se quisermos, sairemos vencedores.

Recomeçar todos os dias. Havemos de estar na disposição de recomeçar todos os dias, deixar que o desânimo se apodere de nós. Não digamos “fui derrotado”, mas antes: “ainda não venci!”

Vencer a fadiga e o desânimo. Cada dia que começa oferece-nos uma nova oportunidade.

Nesta vida não há santos, porque a prova só acaba no fim. Há lutadores que recomeçam com teimosia até à vitória final.

 

2. Cuidar da santificação

 

a) Deus procura-nos. «O reino dos Céus pode comparar-se a um proprietário, que saiu muito cedo a contratar trabalhadores para a sua vinha.Ajustou com eles um denário por diae mandou-os para a sua vinha

O Evangelho refere-se a um velho costume dos povos e que ainda hoje vigora em algumas terras: Quem não tinha ocupação laboral e desejava tê-la, dirigia-se a uma praça já conhecida e ali aguardava quem o contratasse para mais um dia de trabalho.

Para nos ensinar que nos procura continuamente, desafiando-nos a trabalhar na vinha da nossa salvação, Jesus conta-nos a Parábola dos operários da vinha na qual se refere este costume.

Na verdade, o Senhor chama-nos continuamente a mudar de vida, a tomar a sério a nossa salvação, não adiando continuamente este problema fundamental e urgente.

Ouvimos a Sua Palavra e enganamo-nos a nós mesmos, pensando que aquele convite que ouvimos não é para nós, mas para os outros, porque eles é que precisam de se converter.

Inspira-nos diante dos acontecimentos — a morte de um familiar ou de um amigo, uma catástrofe, uma boa notícia — e procuramos afastar este pensamento, porque o achamos importuno.

Envia-nos pensamentos que nos removem, durante o trabalho, no descanso da noite, ou mesmo quando vamos a caminho.

O pai de família voltou até ao fim do dia praticamente, para contratar operários que trabalhassem na sua vida. Não podemos pensar que, não indo agora, podemos ir no fim do dia, porque não sabemos quando ele chega para cada um de nós, uma vez que o fim do dia é a morte. Alguns ainda têm tempo de se preparar, porque surge uma doença terminal, mas a maior parte das pessoas recebe a chamada quando menos pensa. E mesmo a vida daqueles que acamam, a maior parte das vezes apaga-se inesperadamente.

Um santo dos nossos dias dizia que precisamos de vencer a última batalha; mas como não sabemos qual é a última, temos de as vencer todas.

A isto nos convida o Senhor no Evangelho: «Na hora em que menos pensardes, virá o Filho do Homem. Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora em que o Filho do homem há de vir.» (Mt 25, 13).

 

b) Acolher bem o convite. «Saiu a meio da manhã,viu outros que estavam na praça ociosos e disse-lhes: ‘Ide vós também para a minha vinhae dar-vos-ei o que for justo’. E eles foram

Acolher o convite para trabalhar na vida concretiza-se em deixar a praça da ociosidade e seguir a vontade do Senhor com disponibilidade para trabalhar na nossa santificação, sem cair na tentação dos adiamentos.

Quem se disponibiliza para trabalhar percorre estas fases:

Lançar mãos dos instrumentos de trabalho. Significa frequentar os sacramentos e fazer oração.

Obedecer às indicações que de quem dirige o trabalho. Nenhum trabalhar ganha a vida fazendo o que lhe vem à cabeça, mas integrando o seu esforço num plano: cavar a vinha, podá-la, fazer a vindima, etc.

Para sabermos o que temos de fazer precisamos de ouvir a Palavra de Deus, escutando-a na liturgia, lendo a Sagrada Escritura em casa, frequentando meios de formação, etc.

Devemos, em seguida, fazer aquilo que nos é indicado: ouvir a Palavra de Deus e pô-la em prática.

Trabalhar pontualmente. Como regra, o demónio não nos tenta a dizer não, quando recebemos o convite para nos santificarmos. Leva-nos a dizer depois, adiando sempre: “quando eu for mais velho e tiver passado o ardor das paixões”; “quando não parecer mal deixar esta má companhia”... “quando me reformar, vou ter mais tempo para frequentar os sacramentos rezar”... Ele espera com paciência que chegue o momento em que já não possamos adiar mais, nem fazer o que devíamos.

Outra tentação frequente é ficarmos à espera de que nos apeteça: “agora não rezo, porque não me apetece”; “agora apetece-me comer isto ou beber aquilo”... etc.

Anda muita gente atrás do espontâneo. Curiosamente, quando se trata de outras obrigações — ir para o trabalho, pagar uma conta, etc. — não estamos à espera que nos apeteça para nos levantarmos da cama. Por que só com a preocupação de orar, de viver em graça, não fazemos do mesmo modo?

Também havemos de ter especial cuidado com os propósitos genéricos, porque não levam a parte nenhuma: “vou ser melhor... quereria ser santo... qualquer dia vou ter que me emendar...” Com eles, a pessoa engana-se a si mesma com toda a facilidade.

 

c) Teremos recompensa eterna. «Ao anoitecer, o dono da vinha disse ao capataz: «Chama os trabalhadores e paga-lhes o salário, a começar pelos últimos e a acabar nos primeiros’»

Por uma pequena fidelidade mantida durante alguns dias na terra, o Senhor dá-nos uma recompensa eterna.

O sentido desta vida na terra é a de um tempo de prova, de competição desportiva, para mostrarmos o que valemos. Nenhum atleta vai para o campo desportivo para dormir a sesta, mas para disputar um prémio.

Oxalá possamos dizer como S. Paulo: «Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé. Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda.» (2 Timóteo 4:7-8).

Mas, enquanto nas competições desportivas só uma ganha a medalha de ouro e os outros dois, a medalha de prata ou de bronze, nesta competição a caminho do Céu ganham o prémio todos quantos chegarem à meta.

No fim da vida seremos julgados sobre o Amor. O Senhor vai ver a nossa alma como num espelho e nada Lhe podemos ocultar: «Dá-me contas a tua administração.» Na verdade, somos administradores dos dons de Deus.

O prémio, significado no denário que recebeu cada um dos trabalhadores, será maior ou menor, conforme à generosidade que tivermos nesta vida.

Todos recebem a mesma salvação eterna, mas cada um será feliz na medida em que tiver sido generoso na vida presente. Quando estava a preparar-se para a primeira Comunhão, Santa Teresinha do Menino Jesus perguntou à sua irmã, como poderiam ser inteiramente felizes as pessoas no Céu, recebendo uma felicidade desigual. Maria, a sua irmã mais velha, explicou-lhe lançando mão de dois copos, um maior que o outro e encheu-os inteiramente de água. Os dois estavam cheios, mas um tinha mais água do que o outro.

A Sagrada Escritura fala-nos do Céu. Jesus diz que «uns irão para o prémio eterno

Deus quer sentar-nos à Sua Mesa, fazer-nos participantes a Sua mesma felicidade infinita e eterna. «Nem os olhos viram, nem os ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que O amam.» (1 Coríntios 2:9).

No Livro do Apocalipse diz-se que «O Senhor teu Deus enxugará as lágrimas dos seus olhos, não haverá nem morte, nem choro, nem luto, nem grito, nem dor, porque essas coisas terão passado.» (Apoc 21, 4).

De algum modo, assim como o trabalhador se anima ao pensar que tem garantido o salário no fim do dia, também o nosso prémio começa nesta vida por uma alegria que ninguém nos pode arrebatar.

Esta alegria, fruto da confiança que a fé nos dá, renova-se em cada Missa, porque nela o Senhor nos testemunha o Seu Amor infinito por nós.

Maria, glorificada em corpo e alma no Céu, anima-nos a perseverar nesta confiança.

 

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

Oremos, cheios de confiança ao Pai, pelo Filho e no Espírito,

porque Ele nos garante que está perto dos que O invocam

e abre generosamente a todos o Seu Coração misericordioso.

Recomendemos-Lhe todos os que pelos caminhos da terra,

vão a caminho da eternidade, para que os acolha em Sua Casa.

Oremos (cantando):

 

    Escutai, Senhor, a oração do Vosso povo!

 

1. Pelo Santo Padre, com os Bispos em comunhão com ele,

    para que nos ensine a acolher sempre o convite do Senhor,

    oremos, irmãos.

 

    Escutai, Senhor, a oração do Vosso povo!

 

2. Pelos que se afastaram dos caminhos da salvação eterna,

    para que o Senhor os reconduza a uma vida cheia de fé,

    oremos, irmãos.

 

    Escutai, Senhor, a oração do Vosso povo!

 

3. Pelos jovens que recebem o convite do Senhor para fé,

    para que correspondam generosamente ao chamamento,

    oremos, irmãos.

 

    Escutai, Senhor, a oração do Vosso povo!

 

4. Por nós que estamos a celebrar hoje esta a Eucaristia,

    para que vivamos conscientes da importância da vida,

    oremos, irmãos.

 

    Escutai, Senhor, a oração do Vosso povo!

 

5. Por todos os desempregados que não têm trabalho,

    para que o Senhor os socorra nesta vida angustiada,

    oremos, irmãos.

 

    Escutai, Senhor, a oração do Vosso povo!

 

6. Pelos que já faleceram e ainda são a ser purificados,

    para que o Senhor abrevie o seu cativeiro e os acolha,

    oremos, irmãos.

 

    Escutai, Senhor, a oração do Vosso povo!

 

Senhor, nosso Deus, cujos pensamentos e caminhos

estão muito acima dos nossos projectos na terra,

fazei que a palavra de Jesus nos desperte neste dia

para o trabalho que temos de realizar na Sua vinha.

Por Cristo, nosso Senhor.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

Ouvimos a advertência do profeta Isaías: «Procurai o Senhor, enquanto se pode encontrar, invocai-O, enquanto está perto

Além de que Ele preside a esta celebração e está no meio de nós, já nos falou na Liturgia da Palavra e quer agora dar-Se-nos na Santíssima Eucaristia.

Para que esta maravilha seja possível, vai transubstanciar o pão e vinho que Lhe ofertamos no Seu Corpo e Sangue, pelo ministério do sacerdote.

 

Cântico do ofertório: Em redor do teu altar, M. Carneiro, NRMS 42

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai benignamente, Senhor, os dons da vossa Igreja, para que receba nestes santos mistérios os bens em que pela fé acredita. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Santo: F. dos Santos, NCT 201

 

Saudação da Paz

 

A paz é um dom de Deus que somos alcançar quando procuramos o Senhor e Lhe abrimos o coração para que Ele reine em nós.

Manifestando o desejo de que Ele tome inteiramente conta do nosso coração,

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

O Senhor não se limita a chamar-nos para trabalhar na Sua vinha — na nossa santificação —, mas dá o Seu Corpo e Sangue como Alimento, para que possamos aguentar o peso do trabalho e do calor.

Se não comermos a Carne e o Sangue do Filho do Homem, não poderemos ter a Vida — a graça de Deus — em nós.

Aproximemo-nos com reverência e amor da mesa da Sagrada Comunhão e agradeçamos ao Senhor este dom de infinito valor.

 

Cântico da Comunhão: A minha carne é verdadeira comida, F. da Silva, NRMS 102

Salmo 118, 4-5

Antífona da comunhão: Promulgastes, Senhor, os vossos preceitos para se cumprirem fielmente. Fazei que meus passos sejam firmes na observância dos vossos mandamentos.

 

Ou

Jo 10, 14

Eu sou o Bom Pastor, diz o Senhor; conheço as minhas ovelhas e as minhas ovelhas conhecem-Me.

 

Cântico de acção de graças: É bom louvar- Te Senhor, M. Carneiro, NRMS 84

 

Oração depois da comunhão: Sustentai, Senhor, com o auxílio da vossa graça aqueles que alimentais nos sagrados mistérios, para que os frutos de salvação que recebemos neste sacramento se manifestem em toda a nossa vida. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

O pensamento do salmo de meditação deve encher o nosso dia: «O Senhor está perto de quantos O invocam

Invoquemo-l’O muitas vezes ao dia com cânticos, orações jaculatórias e pedidos de auxílio, para nos comportarmos como bons filhos de Deus.

 

Cântico final: Deus é Pai, Deus é Amor, F. da Silva, NRMS 90-91

 

 

Homilias Feriais

 

25ª SEMANA

 

2ª Feira, 25-IX: O verdadeiro Templo

Esd 1, 1-6 / Lc 8, 16-18

Se alguém entre vos fizer parte do seu povo...suba a Jerusalém, para construir o Templo do Senhor.

Com a vinda de Jesus, o verdadeiro Templo já não é construído por mãos humanas: é a própria humanidade de Jesus: 'destruí este templo e em três dias o reedificarei'. E cada um de nós passa a ser também, desde o baptismo, templo de Deus: 'Não sabeis que sois templo de Deus e que o Espírito Santo habita em vós'? (1 Cor 3,16).

A consideração desta realidade maravilhosa há-de levar-nos a procurar uma maior intimidade com o Senhor, para iluminarmos os outros com o nosso testemunho: «para verem a luz aqueles que entram» (Ev.).

 

3ª Feira, 26-IX: A família de Jesus.

Esd 6, 7-8. 12. 14-20 / Lc 8, 19-21

Mas Jesus respondeu-lhes: minha mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática.

Quem pertence à família de Jesus? » O germe e começo do Reino é o pequeno rebanho daqueles que Jesus veio congregar ao seu redor, e dos quais Ele próprio é o pastor. Eles constituem a verdadeira família de Jesus» (Ev.) (CIC, 764).

Esta família é caracterizada pelo cumprimento da vontade de Deus: quem fizer a vontade de meu Pai que está nos Céus. (CIC, 2233). Recebeu uma 'nova forma de agir', que consiste em ouvir a palavra de Deus e a pô-la em prática. E também uma oração própria: o Pai-nosso (CIC,764).

 

4ª Feira, 27-IX: A missão e os meios sobrenaturais.

Esd 9, 5-9 /Lc 9, 1-6

Os Apóstolos partiram então e começaram a percorrer as diferentes povoações, a anunciar a Boa Nova.

Ao acabar a Missa todos recebemos igualmente uma missão: «Na Antiguidade, o termo 'missa' significava simplesmente 'despedida'; mas, no uso cristão, o mesmo foi ganhando um sentido cada vez mais profundo, tendo o termo 'despedir' evoluído para 'expedir em missão'. Assim, a referida expressão exprime sinteticamente a natureza missionária da Igreja. Seria bom ajudar o povo de Deus a aprofundar esta dimensão constitutiva da vida eclesial» (SC, 51).

Para o cumprimento desta missão, devemos apoiar-nos nos meios sobrenaturais, pois é o Senhor que dá toda a eficácia: «Não leveis nada para o caminho» (Ev.).

 

5ª Feira, 28-IX: O ambiente das celebrações litúrgicas.

Ag 1, 1-8 / Lc 9, 7-9

Chegou a altura de habitardes em vossas casas ornadas de guarnições, enquanto este Templo continua em ruínas.

Deus queixa-se através do profeta Ageu de dedicarmos mais tempo e bens às nossas coisas do que às coisas de Deus, especialmente as que se referem à Eucaristia.

É necessário  que, em tudo o que tenha que ver com a Eucaristia, haja gosto pela beleza; dever-se-á ter respeito e cuidado pelos paramentos, as alfaias, os vasos sagrados, para que tudo, interligados de forma orgânica e ordenada, alimente o enlevo pelo mistério de Deus, manifeste a unidade da fé e reforce a devoção» (SC, 41).

 

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Fernando Silva

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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