23.º Domingo Comum

10 de Setembro de 2017

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Vinde, prostremo-nos em terra, Az. Oliveira, NRMS 48

Salmo 118, 137.124

Antífona de entrada: Vós sois justo, Senhor, e são rectos os vossos julgamentos. Tratai o vosso servo segundo a vossa bondade.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

A liturgia da Palavra diz-nos hoje que a prática da caridade e da correcção fraternas não são apenas de âmbito individual, mas uma tarefa de toda a comunidade eclesial. É que quando dois se reúnem em nome de Deus, Deus está entre eles (Mt 18, 20).

Se isto acontece quando se encontram dois, o que não acontecerá quando é toda uma comunidade que se reúne!! Não se trata apenas de buscar forças humanas, que aparecem em qualquer grande reunião, em que todos estão interessados nos mesmos assuntos e trocam impressões vivas. Na assembleia cristã, está presente Cristo Jesus. Por essa razão, tal comunidade de fé tem o poder de ligar e desligar em nome de Deus presente nela. Não o faz apenas pela decisão democrática de votos: as suas decisões têm valor nos Céus porque são tomadas com Deus e em nome de Deus.

É em Seu nome que hoje nos reunimos e celebramos estes sagrados mistérios.

 

Oração colecta: Senhor nosso Deus, que nos enviastes o Salvador e nos fizestes vossos filhos adoptivos, atendei com paternal bondade as nossas súplicas e concedei que, pela nossa fé em Cristo, alcancemos a verdadeira liberdade e a herança eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Como nos diz a primeira leitura, somos responsáveis também pelos nossos irmãos. E explica esta ideia com a comparação da sentinela, que deve tocar o clarim quando percebe a existência dum perigo.

 

Ezequiel 33, 7-9

7Eis o que diz o Senhor: «Filho do homem, coloquei-te como sentinela na casa de Israel. Quando ouvires a palavra da minha boca, deves avisá-los da minha parte. 8Sempre que Eu disser ao ímpio: ‘Ímpio, hás-de morrer’, e tu não falares ao ímpio para o afastar do seu caminho, o ímpio morrerá por causa da sua iniquidade, mas Eu pedir-te-ei contas da sua morte. 9Se tu, porém, avisares o ímpio, para que se converta do seu caminho, e ele não se converter, morrerá nos seus pecados, mas tu salvarás a tua vida».

 

Texto tirado do início da 4ª parte de Ezequiel, que se refere à restauração de Israel. Foi escolhido em função da leitura evangélica que trata do aviso ou correcção fraterna. O profeta é a «sentinela» de Deus, que tem o dever de avisar do bem e do mal, sob pena de se vir a tornar cúmplice da maldade do povo. De algum modo, todos nós nos devemos sentir responsáveis pelos nossos irmãos, avisando-os do mal que devem evitar (cf. Lv 19, 17).

 

Salmo Responsorial    Sl 94 (95), 1-2.6-7.8-9 (R. Cf. 8)

 

Monição: Sabemos que o Senhor não abandona os que n’Ele confiam. A sua misericórdia corresponde à nossa esperança.

 

Refrão:        Se hoje ouvirdes a voz do Senhor

                     não fecheis os vossos corações.

 

Vinde, exultemos de alegria no Senhor,

aclamemos a Deus nosso Salvador.

Vamos à sua presença e demos graças,

ao som de cânticos aclamemos o Senhor.

 

Vinde, prostremo-nos em terra,

adoremos o Senhor que nos criou.

Pois Ele é o nosso Deus

e nós o seu povo, as ovelhas do seu rebanho.

 

Quem dera ouvísseis hoje a sua voz:

«Não endureçais os vossos corações,

como em Meriba, no dia de Massa no deserto.

Onde vossos pais Me tentaram e provocaram

apesar de terem visto as minhas obras».

 

Segunda Leitura

 

Monição: Todos os ensinamentos de Deus sobre a convivência dos homens entre si, resumem-se em poucas palavras: «Amor ao próximo». O próprio culto prestado a Deus, deixará de o ser autenticamente, e o homem será um hipócrita, sempre que odeie o seu irmão e diga adorar a Deus.

 

Romanos 13, 8-10

Irmãos: 8Não devais a ninguém coisa alguma, a não ser o amor de uns para com os outros, pois, quem ama o próximo, cumpre a lei. 9De facto, os mandamentos que dizem: «Não cometerás adultério, não matarás, não furtarás, não cobiçarás», e todos os outros mandamentos, resumem-se nestas palavras: «Amarás ao próximo como a ti mesmo». 10A caridade não faz mal ao próximo. A caridade é o pleno cumprimento da lei.

 

O amor ao próximo é apresentado por S. Paulo como uma dívida que nunca se pode saldar, pois, enquanto se não tiver dado a vida pelos irmãos, não se terá amado suficientemente, como Cristo nos amou (cf. Jo 13, 34). Por outro lado, a caridade é o resumo da Lei e o seu pleno cumprimento, pois quem ama verdadeiramente «não faz mal ao próximo» (v. 10).

 

Aclamação ao Evangelho        2 Cor 5, 19

 

Monição: Tendo o amor para com o irmão a regra-base de todas as nossas opções, Cristo apela-nos aos discípulos para que, no seu seio, vivam a correcção fraterna como meio de reconciliação do pecador.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação – 3,F. da Silva, NRMS 50-51

 

Em Cristo, Deus reconcilia o mundo consigo

e confiou-nos a palavra da reconciliação.

 

 

Evangelho

 

São Mateus 18, 15-20

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 15«Se o teu irmão te ofender, vai ter com ele e repreende-o a sós. Se te escutar, terás ganho o teu irmão. 16Se não te escutar, toma contigo mais uma ou duas pessoas, para que toda a questão fique resolvida pela palavra de duas ou três testemunhas. 17Mas se ele não lhes der ouvidos, comunica o caso à Igreja; e se também não der ouvidos à Igreja, considera-o como um pagão ou um publicano. 18Em verdade vos digo: Tudo o que ligardes na terra será ligado no Céu; e tudo o que desligardes na terra será desligado no Céu. 19Digo-vos ainda: Se dois de vós se unirem na terra para pedirem qualquer coisa, ser-lhes-á concedida por meu Pai que está nos Céus. 20Na verdade, onde estão dois ou três reunidos em meu nome, Eu estou no meio deles».

 

Nesta leitura de hoje temos duas perícopes sobre temas distintos: a correcção fraterna (vv. 15-18) e a oração em comum (vv. 19-20). São tiradas do chamado discurso eclesiástico de Mateus, que aparece como mais uma agrupamento artificial do Evangelista, para nos oferecer um concentrado de instruções de Jesus referentes à vida da nova comunidade fundada por Ele, a sua Igreja (cf. Mt 16, 18), talvez (segundo pensam alguns) com o fim de propor uma espécie de regra da comunidade, à maneira da dos essénios de Qumrã (cf. 1 QS, VI, 62; VII, 25).

15-18 «Se teu irmão te ofender…» Esta tradução não facilita o sentido que sempre se viu na passagem referente à correcção fraterna, pois não se trata de meter na linha um irmão que me anda a aborrecer, ou a melindrar; o que está em causa é ajudar aquele irmão que peca (gravemente, como dá a entender o original grego: hamartêsê) e que põe em risco o bem da sua alma e o bem dos irmãos. Nesta linha estão os melhores manuscritos, como o Vaticano, o Sinaítico e outros, que têm escrito apenas «pecar», omitindo o «contra ti». No entanto, na linha da Vulgata, a Neovulgata também não segue estes manuscritos.

17 «Comunica o caso à Igreja», isto é, à sua legítima autoridade, aos chefes que a governam, pois, desde o princípio, a Igreja nunca foi uma comunidade desorganizada e acéfala, sem autoridade (cf. Act 2, 42; 4, 34-35; 15; Gal 2, 2; 1, 8-9: Act 20, 28, etc.). É evidente que, para se regulamentar desta maneira todo este procedimento na correcção, era por se encarar o caso de faltas graves e que trariam prejuízo à comunidade; no entanto o dever da correcção fraterna não se pode limitar só a este tipo de faltas. «Considera-o como um pagão ou um publicano»: certamente não por desprezo ou má vontade, mas para que esse irmão reconsidere e lhe sirva de emenda (cf. 1 Cor 5, 4-5), embora a expressão seja demasiado dura e pareça aludir mesmo uma exclusão definitiva.

18 «Tudo o que ligardes na terra…» A passagem do «tu» ao «vós» neste texto sugere que não estamos perante uma sequência originária de sentenças de Jesus, o que ajuda a dirimir a velha questão entre protestantes e católicos, a saber, se este «vós» se refere a todo a comunidade, ou apenas aos chefes. Sem entrarmos em complicadas questões de crítica histórica e literária, basta-nos ver que se trata de uma aplicação ao círculo dos Doze daquilo que é dito a Pedro, sem tirar nada do que lhe é dito por Cristo (cf. Jo 20, 21-23; Mt 16, 19; Jo 21, 15-17).

19-20 «Onde estão dois ou três reunidos em meu nome…» O texto vai mais além do encarecimento da oração em comum e em nome de Jesus, como corresponde ao contexto de um «discurso eclesiástico», que regula a vida em Igreja; com efeito, o paralelismo com uma máxima da Mixná – «onde estão dois sentados (juntos) e entre si falam as palavras da toráh, ali mora entre eles a xekhiná (Deus)» – sugere que Jesus é posto no mesmo plano de Deus, segundo uma técnica da hermenêutica rabínica (uma actualização deráxica chamada rémez, ou alusão).

 

Sugestões para a homilia

 

A corresponsabilidade

Responsáveis por nós

Responsáveis pelos outros

A dívida da caridade fraterna

Natividade de Maria

 

 

A corresponsabilidade

 

A Palavra de Deus neste Domingo vem relembrar-nos que, como Povo de Deus, formamos um só corpo, vivemos em comunidade e somos responsáveis uns pelos outros. Nesse sentido, apresenta diversas orientações que têm por objectivo desenvolver o amor e favorecer a harmonia entre os membros da comunidade.

 

Responsáveis por nós

 

Note-se, em primeiro lugar, que ninguém nos pode substituir diante de Deus. Cristo veio salvar-nos e apresentou ao Pai o grande e único sacrifício. Mas cada um tem de aplicar a si os méritos da paixão e morte de Cristo, tem de completar no seu caso o que falta à Paixão do Senhor.

Responsáveis por nós, ninguém tem o direito de se intrometer no nosso mundo interior. Ninguém se salva à força; os filhos de Deus são filhos do amor que vivem na liberdade. Se Deus nos criou livres, se Deus nunca nos condiciona nem atrofia, se Cristo repetia tantas vezes: «Se queres...», não podemos atirar para os ombros dos outros com a nossa responsabilidade, como se eles nos substituíssem diante de Deus.

 

Responsáveis pelos outros

 

Pertencemos todos à humanidade. Como cristãos, fazemos parte do Corpo Místico, de que somos membros vivos, por onde corre o sangue do Senhor. Não nos podemos alhear dos problemas dos irmãos; os problemas dos outros são também nossos problemas.

Tal como o profeta Ezequiel, na primeira leitura, também todos nós somos constituídos profetas, todos nós somos sentinelas, responsáveis pelo destino dos nossos irmãos. Quem vê alguém a comportar-se mal, não pode repetir a frase de Caim: «Por acaso sou eu o guarda do meu irmão» (Gn 4, 9). Essa responsabilidade impõe o dever de advertir os irmãos quando erram.

Se acaso essa advertência se não faz, seja lá a razão com que se argumente, ser-nos-ão pedidas contas pelo sangue desse irmão. É certo que ele pode fechar os ouvidos às advertências; mas já não apresentará diante de Deus a desculpa de que não foi advertido caritativamente.

 

A dívida da caridade fraterna

 

É vulgar contrair dividas. Uma, porém, é essencialmente cristã: amar a todos e sem excepção. Muitas coisas apresenta a Lei e todas elas explicitam o grande e fundamental mandamento: amar, amar sem excepção nem acepção. Amar quem mais distante esteja do amor, quem mais esteia carecido de amor. E se o amor não existir, nenhum mandamento proporcionará a salvação.

Ainda não meditámos suficientemente que o amor é a solução de todos os paradoxos humanos, a união dos contrários.

A correcção fraterna é uma obra de misericórdia cristã quando ditada pelo amor. É necessária, é importante, tão importante como as outras obras de misericórdia que mandam vestir os nus, dar de comer a quem tem fome, ensinar os ignorantes, etc.

Como obra de misericórdia, supõe o amor. O amor que fala claramente, chamando às coisas pelo nome próprio, dizendo sim quando é sim, e não quando é não. O amor que respeita as pessoas, tanto quem esclarece como quem é esclarecido. O amor que não colabora com os intrometidos nem com os escravizadores ou substitutos, que não pode calar-se e descobre como falar. O amor que sempre se estenderá ao pecador, embora denuncie o pecado.

Normalmente confundimos, no caso próprio e em ordem aos outros, acções com pessoas. E não compreendemos, ou não queremos compreender, como se podem atingir e denunciar os erros amando quem erra. O amor ensinar-nos-á a separar uma coisa da outra, a estar sempre com os irmãos, ainda que eles sejam pródigos de seus bens ou repitam o gesto de Judas.

O amor é encontro de irmãos que trocam entre si experiências e bens. Quando há amor num conselho, numa saudação, numa partilha desaparece o desnivelamento para se impor a igualdade. De facto, o amor aproxima e une as pessoas, revelando-as umas às outras na mesma estatura. Quem dá visivelmente, se o faz por amor, talvez esteja a receber mais do que dá.

Esta caridade fraterna é ainda sacrifício. Dar o supérfluo, interessar-se alguém pelos irmãos nas horas livres em que nada mais há para fazer, isso não é caridade cristã. A caridade cristã é a tempo inteiro, ignora as horas e em todos encontra Cristo.

A este mundo, importa proclamar a grande verdade. Todos os mandamentos se resumem nestas palavras: «Amarás ao próximo como a ti mesmo» (Rom 13, 9), e que «quem ama o próximo cumpre a lei, pois a caridade é o pleno cumprimento da Lei» (Rom 13, 8).

Os laços de unidade e caridade fraterna estabelecidos entre os irmãos tornam Cristo presente porque quando dois ou três se amam e se reúnem em Seu nome, Ele estará sempre no meio deles (Mt 18, 20).

Só pelo amor se pode conquistar e salvar o mundo.

 

Natividade de Maria

 

Para realizar o seu desígnio universal de amor e salvação, Deus «olhou para a humilde condição da sua serva» (Lc 1, 48), a Virgem Santíssima.

Enquanto recordamos hoje a Natividade de Maria, invoquemo-la com confiança, a fim de que todas as actividades, profissionais ou domésticas, possam realizar-se num clima de autêntica humanidade, graças ao humilde e concreto contributo de todos.

Que este dia dedicado a Maria nos faça reflectir sobre passos da sua vida de mulher e de mãe, que, dois mil anos passados, serão para nós luz e mensagem que tornam mais claro e decifrável o nosso caminho para o Reino de Amor.

 

Fala o Santo Padre

 

«Duas são as condições para ir bem à Missa: todos nós somos pecadores;

e a todos Deus concede a sua misericórdia.

Devemos recordar sempre isto, antes de ir ter com o irmão para a correcção fraterna.»

 

 

Prezados irmãos e irmãs, bom dia!

 

O Evangelho deste domingo, tirado do capítulo 18 de Mateus, apresenta o tema da correcção fraterna no seio da comunidade dos fiéis: ou seja, como devo corrigir outro cristão, quando ele faz algo que não é bom. Jesus ensina-nos que se o meu irmão cristão comete uma culpa contra mim, quando me ofende, eu devo ter caridade para com ele e, antes de tudo, falar-lhe pessoalmente, explicando-lhe que quanto ele disse ou fez não é bom. E se o irmão não me ouve? Jesus sugere uma intervenção progressiva: primeiro, volta a falar-lhe, com mais duas ou três pessoas, para que esteja mais consciente do erro cometido; se, não obstante isto, ele não aceitar a exortação, é necessário dizê-lo à comunidade; e se ele não ouvir nem sequer a comunidade, é preciso levá-lo a compreender a ruptura e a separação que ele mesmo provocou, faltando à comunhão com os irmãos na fé.

As etapas deste itinerário indicam o esforço que o Senhor pede à sua comunidade para acompanhar quem erra, a fim de que não se perca. Antes de tudo, é necessário evitar o clamor da crónica e a bisbilhotice da comunidade — esta é a primeira coisa que devemos evitar. «Vai e repreende-o, somente entre ti e ele» (v. 15). A atitude é de delicadeza, prudência, humildade e atenção àquele que cometeu uma culpa, evitando que as palavras possam ferir e até matar o irmão. Pois vós sabeis que até as palavras matam! Quando falo mal de alguém, quando faço uma crítica injusta, quando «esfolo» um irmão com a minha língua, isto significa matar a sua reputação. Até as palavras matam! Prestemos atenção a isto. Ao mesmo tempo, esta discrição de lhe falar a sós tem a finalidade de não mortificar inutilmente o pecador. Quando se fala a sós com ele, ninguém se dá conta e tudo acaba. É à luz desta exigência que se compreende também a série sucessiva de intervenções, que prevê a participação de algumas testemunhas e depois até a própria comunidade. A finalidade é ajudar a pessoa a dar-se conta daquilo que cometeu, e que com a sua culpa ofendeu não apenas um indivíduo, mas todos. Mas também tem a finalidade de nos ajudar a libertar-nos da ira ou do rancor, que só fazem mal: aquela amargura do coração que alberga a ira e o rancor, e que nos leva a insultar e a agredir. É muito feio ver sair da boca de um cristão um insulto ou uma agressão. É feio! Compreendestes? Nenhum insulto! Insultar não é cristão. Entendestes? Insultar não é cristão.

Na realidade, diante de Deus somos todos pecadores e necessitados de perdão. Todos. Com efeito, Jesus disse-nos que não devemos julgar. A correcção fraterna é um aspecto do amor e da comunhão que devem reinar no seio da comunidade cristã, é um serviço recíproco que podemos e devemos oferecer uns aos outros. Corrigir os irmãos é um serviço, e só será possível e eficaz se cada um se reconhecer pecador e necessitado do perdão do Senhor. A própria consciência, que me leva a reconhecer o erro cometido por outrem, recorda-me primeiro que eu mesmo errei e erro muitas vezes.

Por isso no início da Missa somos sempre convidados a reconhecer diante do Senhor que somos pecadores, expressando com palavras e com gestos o arrependimento sincero do coração. Dizemos: «Tende piedade de mim, Senhor. Sou pecador! Deus Todo-Poderoso, confesso os meus pecados». E não dizemos: «Senhor, tende piedade daquele ou daquela que está ao meu lado, pois são pecadores». Não! «Tende piedade de mim!». Todos nós somos pecadores e necessitados do perdão do Senhor. É o Espírito Santo que fala ao nosso espírito e nos leva a reconhecer as nossas culpas, à luz da palavra de Jesus. E é o próprio Jesus que convida todos nós, santos e pecadores, à sua mesa congregando-nos das encruzilhadas das estradas, das várias situações de vida (cf. Mt 22, 9-10). E entre as condições que irmanam os participantes na celebração eucarística, duas são fundamentais, duas são as condições para ir bem à Missa: todos nós somos pecadores; e a todos Deus concede a sua misericórdia. Trata-se de duas condições que abrem de par em par a porta para entrarmos bem na Missa. Devemos recordar sempre isto, antes de ir ter com o irmão para a correcção fraterna.

Peçamos tudo isto por intercessão da Bem-Aventurada Virgem Maria, que amanhã celebraremos na memória litúrgica da sua Natividade!

 

Papa Francisco, Angelus, Praça de São Pedro, 7 de Setembro de 2014

 

Oração Universal

 

Irmãs e irmãos,

a Cristo, realmente presente no nosso meio,

apresentemos as nossas preces

para que, tudo o que ligarmos nesta terra,

possa ser ligado no Céu,

dizendo cheios de confiança:

Senhor, enchei-nos do Vosso amor.

 

1. Pela Igreja que peregrina neste mundo,

para que, à imitação das primeiras comunidades cristãs,

continue a anunciar e a viver o mandamento novo da caridade,

como pleno cumprimento da verdadeira lei,

oremos ao Senhor.

 

2.  Para que todos os cristãos

se comprometam a viver desde agora os valores do Reino,

e pratiquem humildemente a correcção fraterna

como meio da edificação do Reino de Deus,

oremos ao Senhor.

 

3.  Para que a nossa comunidade cristã

aceite as exigências do seguimento de Cristo,

e tenha consciência da presença real de Jesus

quando dois ou três se reúnem em Seu nome,

oremos ao Senhor.

 

4.  Para que a mensagem da fraternidade universal trazida por Jesus

se oponha eficazmente à dinâmica de uma sociedade materialista

e edifique a civilização do amor,

oremos ao Senhor.

 

5.  Pelos nossos irmãos e irmãs falecidos,

para que, purificados das manchas dos pecados,

possam participar da glória da Virgem Santíssima,

oremos ao Senhor.

 

Senhor, Pai Santo,

escutai as preces dos vossos fiéis

que reconhecem e saboreiam a presença do Vosso Filho.

Ele que nasceu da Virgem Maria

e é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: O pão e o vinho que vos trazemos, B. Salgado, NRMS 12 (I)

 

Oração sobre as oblatas: Senhor nosso Deus, fonte da verdadeira devoção e da paz, fazei que esta oblação Vos glorifique dignamente e que a nossa participação nos sagrados mistérios reforce os laços da nossa unidade. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Santo: F. dos Santos, NCT 201

 

Monição da Comunhão

 

Unicamente do Tabernáculo pode brotar aquele espírito de comunhão que se torna fonte de caridade, de esperança e de empenho para cada crente.

 

Cântico da Comunhão: Se vos amardes uns aos outros, F. da Silva, NRMS 22

Salmo 41, 2-3

Antífona da comunhão: Como suspira o veado pela corrente das águas, assim minha alma suspira por Vós, Senhor. A minha alma tem sede do Deus vivo.

 

Ou

Jo 8, 12

Eu sou a luz do mundo, diz o Senhor; quem Me segue não anda nas trevas, mas terá a luz da vida.

 

Cântico de acção de graças: Quanta alegria é para mim, H. Faria, NRMS 18

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que nos alimentais e fortaleceis à mesa da palavra e do pão da vida, fazei que recebamos de tal modo estes dons do vosso Filho que mereçamos participar da sua vida imortal. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

A celebração eucarística é um memorial e uma vivência do Amor. Encontramo-nos frente a frente com o amor de Deus e o amor dos irmãos. Descobrindo-nos filhos amados de Deus e irmãos uns dos outros, seremos mensageiros do amor.

 

Cântico final: Queremos ser construtores, Az. Oliveira, NRMS 35

 

 

Homilias Feriais

 

23ª SEMANA

 

2ª Feira, 11-IX. O sofrimento e a Redenção

Col 1, 24-2, 3 / Lc 6, 6-11

Alegro-me de sofrer por vós e completo em mim o que falta às tribulações de Cristo, em benefício do seu Corpo que é a Igreja.

A obra da Redenção continua a realizar-se com a participação de cada um de nós. Ofereçamos os nossos sacrifícios para benefício dos outros (Leit.).

«O sofrimento, penetrado pelo espírito do sacrifício de Cristo, é o mediador insubstituível e autor dos bens indispensáveis para a salvação do mundo. O sofrimento é o que abre caminho à graça, que transforma as almas. O sofrimento torna presente na história da humanidade a força da Redenção» (J. Paulo II, S. Doloris, 27). No pão e no vinho, colocados no altar, está representado o sofrimento e o empenho de viver com Cristo.

 

3ª Feira, 12-IX: Santíssimo Nome de Maria.

Col 2, 6-15 / Lc 6, 12-19

Jesus partiu em direcção ao monte, para fazer oração, e passou a noite a rezar a Deus.

«O Evangelho segundo S. Lucas sublinha a acção do Espírito Santo e o sentido da oração no ministério de Cristo. Jesus ora antes dos momentos decisivos da sua missão. Reza também antes dos momentos decisivos que vão decidir a missão dos Apóstolos, antes de escolher e chamar os Doze (Ev.)» (CIC, 2600).

Oração significa estar enraizados em Deus: «Uma vez que aceitastes Cristo Jesus, o Senhor, deveis proceder em união com Ele, edificai a vossa vida sobre Ele» (Leit). No dia do S. Nome de Maria, aprendamos com Ela a meditar e conservar tudo no nosso coração.

 

4ª Feira, 13-IX: A pobreza de espírito.

Col 3, 1-11 / Lc 6, 20-26

Felizes de vós, os pobres, porque é vosso o reino de Deus.

'Bem-aventurados os pobres em espírito' (Ev.). As bem-aventuranças revelam uma ordem de felicidade e de graça, de beleza e de paz. O Verbo chama 'pobreza em espírito´ à humildade voluntária do espírito humano e à sua renúncia; e o Apóstolo dá-nos como exemplo a pobreza de Deus, quando diz 'Ele fez-se pobre por nós'» (CIC, 2546).

Para o conseguirmos sigamos os conselhos do Apóstolo: «Afeiçoai-vos às coisas do alto, não às coisas da terra. Mortificai, pois, os vossos membros terrenos: imoralidade, impureza, maus desejos e ganância» (Leit.).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Nuno Westwood

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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