22.º Domingo Comum

3 de Setembro de 2017

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Aproximai- vos do Senhor, F. da Silva, NCT 375

Salmo 85, 3.5

Antífona de entrada: Tende compaixão de mim, Senhor, que a Vós clamo o dia inteiro. Vós, Senhor, sois bom e indulgente, cheio de misericórdia para àqueles que Vos invocam.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Jesus anuncia a sua morte e ressurreição. “Jesus começou a explicar que tinha de ir a Jerusalém e sofrer muito às mãos dos anciãos. Tinha de ser morto e ressuscitar ao terceiro dia.” Os discípulos já acreditavam em Jesus como Filho de Deus. Agora devem aceitar Jesus, como Messias sofredor, que há-de morrer para salvar a humanidade.

A liturgia do 22º Domingo do Tempo Comum convida-nos a reflectir sobre o convite de Jesus. “Se alguém quiser seguir-me, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Quem perder a vida por minha causa há-de encontrá-la.”

 

Oração colecta: Deus do universo, de quem procede todo o dom perfeito, infundi em nossos corações o amor do vosso nome e, estreitando a nossa união convosco, dai vida ao que em nós é bom e protegei com solicitude esta vida nova. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: «Vós me seduzistes, Senhor.»

 O profeta Jeremias sentiu a tentação de “não mais falar em nome de Deus”. Nesta luta interior, o amor e a fidelidade do profeta, foi mais forte que o desânimo, porque “sentiu nos seus ossos o fogo abrasador pela glória de Deus.” 

 

Jeremias 20, 7-9

7Vós me seduzistes, Senhor, e eu deixei-me seduzir; Vós me dominastes e vencestes. Em todo o tempo sou objecto de escárnio, toda a gente se ri de mim; 8porque sempre que falo é para gritar e proclamar: «Violência e ruína!» E a palavra do Senhor tornou-se para mim ocasião permanente de insultos e zombarias. 9Então eu disse: «Não voltarei a falar n’Ele, Não falarei mais em seu nome». Mas havia no meu coração um fogo ardente, comprimido dentro dos meus ossos. Procurava contê-lo, mas não podia.

 

Este texto é uma parte de uma das chamadas «confissões de Jeremias», as dolorosas lamentações do Profeta numa situação tremendamente dramática, após a trágica morte do rei Josias; prisioneiro da paixão por Deus, que o leva ao cumprimento fiel da sua espinhosa missão profética, Jeremias sente a repugnância instintiva do sofrimento que este desempenho lhe causa, pois isto era o pretexto para os seus adversários o acusarem de ser ele o culpado de todas as desgraças que desabavam sobre o povo, desgraças que haviam de culminar na conquista e destruição de Jerusalém por Nabucodonosor em 587 a. C. e no exílio de Babilónia. Jeremias chega ao ponto de, em dolorosos desabafos, amaldiçoar a sua vida, mas, ao mesmo tempo, mostrando uma inquebrantável confiança em Deus. Deixou-nos os mais belos textos literários que exprimem o drama da dor humana de um homem de fé: a fina e delicada sensibilidade de Jeremias como que se revolta, chega ao paroxismo e desata em doridos desabafos que se devem entender não como gritos de revolta, mas como queixumes ditados pela confiança e abandono nas mãos do Senhor. Deste texto depreende-se claramente a sobrenaturalidade da sua vocação profética: se este carisma fosse algo de imanente, não faria sentido que se queixasse a Deus de o ter seduzido – «Vós me seduziste, Senhor» (v. 7) – e de não conseguir dominar o impulso interior que o levava a profetizar: «mas havia no meu coração um fogo ardente… Procurava contê-lo, mas não podia» (v. 9). Pelas provações que teve de sofrer, o profeta celibatário, é considerado como uma figura de Cristo, casto e sofredor.

A notável obra do profeta de Anatot encontra-se muito desordenada, sem uma sequência natural, em parte ter sido mandada queimar pelo rei Joaquim; os seus oráculos, postos por escrito pelo seu secretário Baruc, foram recolhidos de modo muito disperso, como é fácil de verificar. As confissões de Jeremias encontram-se em: Jer 11, 18 – 12, 6; 15, 10-21; 17, 14-18; 18, 18-23; 20, 7-18.

 

Salmo Responsorial    Sl 62 (63), 2.3-4.5-6.8-9 (R. 2b)

 

Monição: O salmo de hoje traduz o grande desejo de contemplar a glória de Deus. Tal como o salmista, também nós temos sede de Deus. A Igreja utiliza frequentemente este salmo 62 na oração da manhã: “Senhor, sois o meu Deus, desde a aurora vos procuro.”

Refrão: A minha alma tem sede de Vós, meu Deus.

 

Refrão:        A minha alma tem sede de Vós, meu Deus.

 

Senhor, sois o meu Deus: desde a aurora Vos procuro.

A minha alma tem sede de Vós.

Por Vós suspiro,

como terra árida, sequiosa, sem água.

 

Quero contemplar-Vos no santuário,

para ver o vosso poder e a vossa glória.

A vossa graça vale mais do que a vida;

por isso, os meus lábios hão-de cantar-Vos louvores.

 

Assim Vos bendirei toda a minha vida

e em vosso louvor levantarei as mãos.

Serei saciado com saborosos manjares,

e com vozes de júbilo Vos louvarei.

 

Porque Vos tornastes o meu refúgio,

exulto à sombra das vossas asas.

Unido a Vós estou, Senhor,

a vossa mão me serve de amparo.

 

Segunda Leitura

 

Monição: «Oferecei-vos como vítima santa, agradável a Deus.»

Jesus ofereceu a sua vida por nós. São Paulo pede-nos para imitar o divino Mestre, fazendo da nossa vida uma oferenda permanente e agradável a Deus: “Peço-vos, irmãos, oferecei-vos a Deus. Não vos conformeis com este mundo.”

 

Romanos 12, 1-2

1Peço-vos, irmãos, pela misericórdia de Deus, que vos ofereçais a vós mesmos como vítima santa, viva, agradável a Deus, como culto racional. 2Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos, pela renovação espiritual da vossa mente, para saberdes discernir, segundo a vontade de Deus, o que é bom, o que Lhe é agradável, o que é perfeito.

 

Aqui S. Paulo começa a parte moral ou exortatória (12 – 15) da sua epístola, com a energia própria da sua autoridade de Apóstolo dos gentios. Foram precisamente estas palavras que deram ao pecador Agostinho para a sua conversão definitiva (Confissões).

1 «Vos ofereçais a vós mesmos como vítima…». Este apelo, com que S. Paulo inicia a parte moral ou parenética da epístola, está em perfeita consonância com aquele de S. Pedro (cf. 1 Pe 2, 5): pode-se ver aqui uma bela exortação a exercitarmos a alma sacerdotal vivendo o «culto racional», isto é, espiritual, de que fala; é um obséquio da mente a Deus, próprio do sacerdócio baptismal, comum a todos os fiéis. «A vós mesmos», à letra, «os vossos corpos», não no sentido de «o organismo físico do corpo humano», mas no sentido de «a própria pessoa», como neste caso e noutros se entende o termo sôma.

2 «Não vos conformeis com este mundo», isto é, o mundo em oposição aos planos de Deus, não propriamente as realidades mundanas, mas o «mundanismo», que a 1ª de João sintetiza em «concupiscência da carne, concupiscência dos olhos e estilo de vida orgulhoso» (1 Jo 2, 16). Conformar-se com este mundo é amoldar-se ao estilo de vida mundana, adoptar a sua escala de valores.

 

Aclamação ao Evangelho        cf. Ef 1, 17-18

 

Monição: “Deus ilumine os olhos dos nossos corações.” (Ef 1,17)

O Espírito Santo derramado em nossos corações dá-nos a alegria de sabermos a que esperança fomos chamados. Com os Anjos havemos de cantar as misericórdias do Senhor, na glória do Pai celeste.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação – 4,F. Silva, NRMS 50-51

 

Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo,

ilumine os olhos do nosso coração,

para sabermos a que esperança fomos chamados.

 

 

Evangelho

 

São Mateus 16, 21-27

Naquele tempo, 21Jesus começou a explicar aos seus discípulos que tinha de ir a Jerusalém e sofrer muito da parte dos anciãos, dos príncipes dos sacerdotes e dos escribas; que tinha de ser morto e ressuscitar ao terceiro dia. 22Pedro, tomando-O à parte, começou a contestá-l’O, dizendo: «Deus Te livre de tal, Senhor! Isso não há-de acontecer!» 23Jesus voltou-Se para Pedro e disse-lhe: «Vai-te daqui, Satanás. Tu és para mim uma ocasião de escândalo, pois não tens em vista as coisas de Deus, mas dos homens». 24Jesus disse então aos seus discípulos: «Se alguém quiser seguir-Me, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me. 25Porque, quem quiser salvar a sua vida há-de perdê-la; mas quem perder a sua vida por minha causa, há-de encontrá-la. 26Na verdade, que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua vida? Que poderá dar o homem em troca da sua vida? 27O Filho do homem há-de vir na glória de seu Pai, com os seus Anjos, e então dará a cada um segundo as suas obras».

 

Aqui começa o que se pode considerar a 2ª parte do ministério de Jesus, em que Ele é apresentado em Mateus a caminho de Jerusalém (Mt 16, 21 – 20, 34), que é o caminho da Cruz, uma dura realidade que Ele «começou a explicar» (v. 21), depois que estavam suficientemente seguros de que Jesus era o Messias (cf. Mt 16, 16).

23 «Vai-te daqui, Satanás». Pedro faz o mesmo papel do diabo, ao tentar desviar Jesus da sua missão, por isso ouve a mesma resposta (cf. Mt 4, 10). E ouve estas duras palavras, depois de, pouco antes, ter sido proclamado «bem-aventurado» (Mt 16. 17); então, tinha-se deixado mover pelo espírito de Deus; e agora, pelo seu próprio espírito.

24-27 Esta passagem evangélica, em termos fortemente paradoxais – um recurso semítico frequente em Jesus para chamar a atenção para um ensinamento importante e a não esquecer –, é uma daquelas que todos os cristãos deviam saber de cor, a par com as outras fórmulas do catecismo (cf. Cathechesi tradendæ). Aceitar e abraçar a cruz é fundamental para o homem alcançar a salvação: para viver é preciso morrer. O fim do homem é o próprio Deus, não é gozar dos bens deste mundo, que são puros meios. Para se chegar a Deus é preciso renegar-se a si mesmo, renunciando ao comodismo, egoísmo, apego aos bens terrenos, e «tomar a sua cruz», abraçando os sacrifícios que acarreta o dever bem cumprido. Na expressão do Catecismo da Igreja Católica, no nº 2015: «O caminho da perfeição passa pela Cruz. Não há santidade sem renúncia e combate espiritual. O progresso espiritual implica a ascese e a mortificação, que conduzem gradualmente a viver na paz e na alegria das bem-aventuranças».

 

Sugestões para a homilia

 

Seduziste-me, Senhor.

«Se alguém quiser seguir-Me, renuncie a si mesmo.» 

 

 

Seduziste-me, Senhor.

O profeta Jeremias, seduzido pelo amor divino, colocou a sua vida ao serviço do Senhor. Enfrentou a classe dominante, que não aceitava a sua mensagem, muito dura, porque anunciava a destruição e a ruína de Jerusalém. A sua pregação tornou-se motivo de insulto e zombaria. Não se calou. Continuou a falar em nome de Deus. Deixou-se consumir pelo fogo ardente, comprimido nos seus ossos: “Vós me seduzistes, Senhor e eu deixei-me seduzir.” Quem sentiu o chamamento divino guarda sempre dentro de si a força e a confiança que vem de Deus. Eis o que o próprio profeta escreveu, recordando a sua vocação: “Eu te escolhi, Eu te consagrei e te constitui profeta entre as nações. Eu ponho as minhas palavras na tua boca. Dou-te poder sobre os povos e reinos para arrancar e demolir, para arruinar e destruir, para edificar e plantar. Eu estou contigo para te salvar.” (Cf Jer 1, 4-10.19)

 

«Se alguém quiser seguir-Me, renuncie a si mesmo.» 

No Domingo passado, S. Pedro fez uma profissão de fé em Jesus, afirmando: “Senhor, Vós sois o Messias, o Filho de Deus.” Foi sobre esta fé que Jesus edificou a Sua Igreja. Neste Domingo, Jesus revela aos discípulos a sua missão de Messias salvador, mas como “Servo sofredor”. Jesus identifica-se com o Servo de Deus anunciado pelo profeta Isaías. Jesus vai carregar sobre si as culpas da humanidade. Dentro de pouco tempo, em Jerusalém, Jesus vai percorrer o caminho do Calvário. A salvação virá através da Cruz. Depois da morte, virá a ressurreição. Deu-nos o exemplo, para que possamos levar a cruz todos os dias. “A alegria da Ressurreição é consequência da Cruz. O caminho da nossa santificação pessoal passa, quotidianamente pela cruz. Jesus ajuda-nos e com Ele não há lugar para a tristeza. Com a alma trespassada de alegria, nenhum dia sem cruz.”[1] Aceitemos todas as palavras de Jesus e não apenas as que nos agradam. Sigamos Jesus, carregando a cruz, cumprindo a missão de Servo de Deus e dos homens. Os amigos de Jesus seguem os seus passos, aceitam o seu convite: «Se alguém quiser seguir-Me, renuncie a si mesmo.» Deus deu-nos a vida não para a guardar, mas para a perder. Amar é esquecer-se de si mesmo para nos darmos aos outros. Renunciar à própria vida, neste mundo, é condição indispensável para a gozar em plenitude, na eternidade: “Quem perder a vida por minha causa há-de encontrá-la. Na glória de meu Pai, Eu retribuirei a cada um, segundo o seu modo de proceder.”

Jesus revela-nos o sentido autêntico do seu messianismo e da sua filiação divina que não passa pelo triunfo humano, mas pela Paixão e morte de cruz. Acreditamos que Jesus é o “Messias, o Filho de Deus” e desejamos participar da Sua glória. O discípulo não é mais do que o Mestre. Quem quiser ser discípulo de Jesus, terá de renunciar a si mesmo, tomar a sua cruz, todos os dias. Quem, por amor a Jesus, perder a vida neste mundo, ganhará a vida eterna, na glória de Deus Pai. Tomemos a decisão de seguir Jesus. “Troquemos o instante pelo eterno, sigamos o caminho de Jesus. a primavera vem depois do inverno. A alegria vem depois da Cruz.”[2]

 

Fala o Santo Padre

 

«É triste encontrar cristãos que já não são o sal da terra. Por isso é necessário renovar-se continuamente.

E como se pode realizar isto a nível prático? Não esqueçais: Evangelho, Eucaristia e oração.»

 

Prezados irmãos e irmãs!

 

No itinerário dominical com o Evangelho de Mateus, hoje chegamos ao ponto crucial em que Jesus, depois de ter verificado que Pedro e os outros onze tinham acreditado nele como Messias e Filho de Deus, «começou a explicar aos seus discípulos que tinha de ir a Jerusalém e sofrer muito... teria morrido e ressuscitaria no terceiro dia» (16, 21). Trata-se de um momento crítico no qual sobressai o contraste entre o modo de pensar de Jesus e o dos discípulos. Pedro chega a sentir que tem o dever de repreender o Mestre, porque não pode atribuir ao Messias um fim tão ignóbil. Então Jesus, por sua vez, admoesta severamente Pedro, chama-o à «obediência», pois não pensa «segundo Deus, mas segundo os homens» (v. 23) e, sem se dar conta, desempenha o papel de satanás, o tentador.

Sobre este ponto insiste, na liturgia deste domingo, também o apóstolo Paulo que, escrevendo aos cristãos de Roma, lhe diz: «Não vos conformeis com este mundo — não entreis nos esquemas deste mundo — mas transformai-vos pela renovação do vosso espírito, para que possais discernir qual é a vontade de Deus» (Rm 12, 2).

Com efeito, nós cristãos vivemos no mundo, estamos plenamente inseridos na realidade social e cultural do nosso tempo, e isto é bom; no entanto, isto comporta o risco de nos tornarmos «mundanos», o risco de que «o sal perca o seu sabor», como diria Jesus (cf. Mt 5, 13), ou seja, que o cristão se «dilua», perca a sua carga de novidade que lhe advém do Senhor e do Espírito Santo. Na realidade, deveria ser o contrário: quando nos cristãos permanece viva a força do Evangelho, ela pode transformar «os critérios de julgar, os valores que contam, os centros de interesse, as linhas de pensamento, as fontes inspiradoras e os modelos de vida» (Paulo VI, Exortação Apostólica Evangelii nuntiandi, 19). É triste encontrar cristãos «diluídos», que se parecem com o vinho aguado, e já não se sabe se são cristãos ou mundanos, como o vinho aguado, que não se sabe se é vinho ou água! Isto é triste. É triste encontrar cristãos que já não são o sal da terra, e sabemos que quando o sal perde o seu sabor, não serve para mais nada. O seu sal perdeu o sabor, porque cederam ao espírito do mundo, ou seja, tornaram-se mundanos.

Por isso é necessário renovar-se continuamente, haurindo a linfa do Evangelho. E como se pode realizar isto a nível prático? Antes de tudo, precisamente lendo e meditando o Evangelho todos os dias, de tal forma que a palavra de Jesus esteja sempre presente na nossa vida. Recordai-vos: servir-vos-á de ajuda, trazer sempre convosco o Evangelho: um pequeno Evangelho, no bolso, na bolsa, para dele ler um trecho durante o dia. Mas sempre com o Evangelho, porque isto significa trazer a Palavra de Jesus, poder lê-la. Além disso, participando na Missa dominical, onde encontramos o Senhor na comunidade, ouvimos a sua Palavra e recebemos a Eucaristia que nos une a Ele e entre nós; e depois são muito importantes para a renovação espiritual os dias de retiro e de exercícios espirituais. Evangelho, Eucaristia e oração. Não esqueçais: Evangelho, Eucaristia e oração. Graças a estes dons do Senhor nós podemos conformar-nos não com o mundo, mas com Cristo, e segui-lo ao longo do seu caminho, a vereda do «perder a própria vida» para a encontrar (cf. Mt 15, 25). «Perdê-la» no sentido de entregá-la, oferecê-la por amor e no amor — e isto requer o sacrifício e até a cruz — para voltar a recebê-la purificada, livre do egoísmo e da hipoteca da morte, repleta de eternidade.

A Virgem Maria precede-nos sempre ao longo deste caminho; deixemo-nos orientar e acompanhar por Ela.

 

Papa Francisco, Angelus, Praça de São Pedro, 31 de Agosto de 2014

 

Oração Universal

 

Caríssimos irmãos e irmãs:

Supliquemos ao Senhor que inspire as nossas orações e nos faça sentir sede de Deus, como terra ressequida e sem água, pedindo com fé:

R. Senhor, nós temos confiança em Vós. 

 

1. Para que os bispos, os presbíteros e os diáconos,

busquem apenas no Senhor a sua glória

e não se envergonhem da cruz do Salvador, oremos.

 

2. Para que os chefes dos povos e nações

respeitem a dignidade de toda a pessoa humana, rica ou pobre, honrada ou desconhecida, oremos.

 

3. Para que os fiéis não se conformem com este mundo,

mas se deixem transformar pelo Espírito,

e descubram o que é perfeito e Lhe agrada, oremos.

 

4. Para que os monges, os religiosos e as religiosas,

sejam como os profetas de Israel,

que se deixaram seduzir pelo Senhor, oremos.

 

5. Para que os membros da nossa comunidade

 tenham sede de Deus e da Palavra

e encontrem no Senhor o seu refúgio, oremos.

 

Deus, nosso Pai,

que pela palavra de Jesus nos convidais a segui-l’O,

iluminai o nosso olhar para que, fazendo agora a vossa vontade,

sejamos recebidos um dia na glória eterna.

Por Cristo Senhor nosso.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Sois, Jesus, o meu Deus, M. Borda, NRMS 107

 

Oração sobre as oblatas: Santificai, Senhor, a oferta que Vos apresentamos e realizai em nós, com o poder da vossa graça, a redenção que celebramos nestes mistérios. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Santo: A. Cartageno, Suplemento CT

 

Monição da Comunhão

 

São Paulo convida os cristãos a oferecerem toda a sua existência a Deus, porque este é o culto verdadeiro e agradável a Deus. Isto significa que não nos devemos conformar com este mundo. Na mesa da comunhão recebemos a força do alimento que permanece para a glória da vida eterna.

 

Cântico da Comunhão: Somos todos convidados, F. da Silva, NRMS 40

Salmo 30, 20

Antífona da comunhão: Como é grande, Senhor, a vossa bondade para aqueles que Vos servem!

 

Ou

Mt 5, 9-10

Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus. Bem-aventurados os perseguidos por amor da justiça, porque deles é o reino dos céus.

 

Cântico de acção de graças: Cantarei ao Senhor, F. da Silva, NRMS 70

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que nos alimentastes com o pão da mesa celeste, fazei que esta fonte de caridade fortaleça os nossos corações e nos leve a servir-Vos nos nossos irmãos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

S. João da Cruz diz que há muitos que desejam que Sua Majestade os encha dos seus favores e dons, mas o número dos que se esforçam por Lhe agradar, renunciando a si mesmos, é muito pequeno. São poucos os homens espirituais que chegam a renunciar por completo a si mesmos, cumprindo, por amor a Jesus Cristo, as obras da perfeição e do desprendimento.

“Quem não procura a Cruz de Cristo, não procura a glória de Cristo.”

(São João da Cruz, Pontos de Amor, 23)

 

Cântico final: Eu quero viver na tua alegria, H. Faria, NRMS 11-12

 

 

Homilias Feriais

 

22ª SEMANA

 

2ª Feira, 4-IX: Passar tempo com Cristo

1 Tes  4, 13-18 / Lc 4, 16-30

Se, como acreditamos, Jesus morreu e ressuscitou, assim também Deus levará com Jesus aqueles que tiverem morrido com Ele.

«Viver no Céu é estar com Cristo (Leit.). Os eleitos vivem nEle, pois nEle conservam a sua verdadeira identidade, o seu nome próprio» (CIC, 1026).

Os que se encontravam na sinagoga não quiseram a companhia de Jesus e expulsaram-no da cidade (Ev.). Para compensar a atitude daqueles que rejeitam Jesus, procuremos fazer-lhe ainda mais companhia, estar com Ele durante o dia: uma visita ao Sacrário, comunhões espirituais, actos de desagravo, oferecimento do trabalho, etc. E não esqueçamos que Ele quis ficar no Sacrário, para poder estar sempre connosco (o Emanuel).

 

3ª Feira, 5-IX: Libertação do pecado.

1 Tes 5, 1-6. 9-11 / Lc 4, 31-37

Encontrava-se então na sinagoga um homem que tinha o espírito de um demónio impuro.

Este homem, que tinha o espírito impuro (Ev.), representa o pecador que se quer converter a Deus e tem que se libertar de Satanás e do pecado.

Infelizmente há muitas pessoas que se tornam escravas do pecado, porque «todo aquele que comete pecado é escravo do pecado». E também: «a presença do demónio torna-se cada vez mais forte, à medida que o homem e a sociedade se afastam de Deus» (S. João Paulo II). Temos, no entanto, que colocar a nossa esperança em Cristo: «Cristo morreu por nós para que, vivos ou mortos, cheguemos à vida em união com Ele» (Leit.).

 

4ª feira, 6-IX: O Evangelho e a presença de Cristo.

Col 1, 1-8 / Lc 4, 38-44

Tenho que ir às outras cidades par anunciar a Boa Nova do reino de Deus, porque é para isto que fui enviado.

A Boa Nova que Jesus tinha que anunciar (Ev.) é a mesma que encontramos no Evangelho, proclamado na celebração eucarística. S. Paulo alegra-se de o Evangelho ter chegado à comunidade de Colossos (Leit.).

«Quando na Igreja se lê a Sagrada Escritura é o próprio Deus que fala ao seu povo, é Cristo presente na sua palavra que anuncia o Evangelho» (SC, 45). Que se possa dizer de cada um de nós o mesmo louvor de S. Paulo: «Como em todo o mundo, assim também entre nós, o Evangelho tem estado a frutificar e a desenvolver-se» (Leit.).

 

5ª feira,7-IX: Agradar em tudo ao Senhor.

Col 1, 9-14 / Lc 5, 1-11

Não temos deixado de orar por vós e de pedir que chegueis a conhecer plenamente a vontade de Deus.

«Com a graça de Deus e, pela pureza de intenção, que consiste em ter em vista o verdadeiro fim do homem, com um simples olhar, o baptizado procura descobrir e cumprir a vontade de Deus (Leit.)» (CIC, 2520).

Simão Pedro descobriu também a vontade de Deus e cumpriu-a, ainda que ao princípio lhe custasse: «Mestre andámos na faina toda a noite e não apanhámos nada. Mas, já que o dizes, largarei as redes» (Ev.). Procuremos agradar ao Senhor em tudo, realizando toda  a espécie de boas obras (Leit.).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         José Roque

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 



[1] Josemaria Escrivã, Cristo que passa, 176.

[2] Liturgia das Horas, Hino da Hora Intermédia, Quarta-feira.


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