Virgem Santa Maria Rainha

22 de Agosto de 2017

 

Memória

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Gloriosa Rainha do mundo, C. Silva, NRMS 75

cf. Salmo 44, 10

Antífona de entrada: A vossa direita, Senhor, está a Rainha, revestida de beleza e de glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

A celebração de hoje revela-nos a beleza de Deus que transparece em Maria. Em Maria Rainha vemos o culminar de uma vida doada aos projectos de Deus e em benefício da humanidade.

Mas também proclamamos o itinerário de cada filho de Deus que aceita viver como Maria. O próprio Paulo diz ao terminar a sua vida: “Combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a fé. E agora já me está preparada a coroa de glória” 2 Tm 4,6-8.

Maria, nossa querida Mãe, convida-nos a oferecermo-nos a Deus com toda a frescura do nosso amor, com a solicitude da conversão, com a oração e a vida. Assim encontraremos o caminho da glória, não só para nós como para os nossos irmãos.

 

Oração colecta: Senhor nosso Deus, que nos destes a Mãe do vosso Filho como nossa Mãe e Rainha, fazei que, protegidos pela sua intercessão, alcancemos no Céu a glória prometida aos vossos filhos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Maria nos alcança a realização da Promessas de Deus. Como Ela alegremo-nos pelo Menino que nos é dado, o Príncipe da paz.

 

Isaías 9, 1-6

 

1O povo que andava nas trevas viu uma grande luz para aqueles que habitavam nas sombras da morte uma luz começou a brilhar. 2Multiplicastes a sua alegria, aumentastes o seu contentamento. Rejubilam na vossa presença, como os que se alegram no tempo da colheita, como exultam os que repartem despojos. 3Vós quebrastes, como no dia de Madiã, o jugo que pesava sobre o povo, o madeiro que ele tinha sobre os ombros e o bastão do opressor. 4Todo o calçado ruidoso da guerra e toda a veste manchada de sangue serão lançados ao fogo e tornar-se-ão pasto das chamas. 5Porque um menino nasceu para nós, um filho nos foi dado. Tem o poder sobre os ombros e será chamado «Conselheiro admirável, Deus forte, Pai eterno, Príncipe da paz». 6O seu poder será engrandecido numa paz sem fim, sobre o trono de David e sobre o seu reino, para o estabelecer e consolidar por meio do direito e da justiça, agora e para sempre. Assim o fará o Senhor do Universo.

 

Este belíssimo texto é um trecho do chamado livro do Emanuel (Is 7 – 12), onde, em face da iminência de várias guerras, se abrem horizontes de esperança, que se projectam em tempos vindouros, muito para além das soluções empíricas e imediatas: é a utopia messiânica de paz e alegria que veio a ter o seu pleno cumprimento com a vinda de Cristo ao mundo.

2 «Uma luz começou a brilhar». Esta luz é o «menino» (v. 5) que nasce para nós na noite de Natal, «a luz do mundo» (cf. Jo 8, 12; 1, 5.9).

4 «Como no dia de Madiã». Referência à grande vitória de Gedeão sobre os madianitas, que se conta no livro dos Juizes, cap. 7.

7 O «poder» e a «paz sem fim» serão garantidos para o trono de David pelo Menino de predicados divinos verdadeiramente surpreendentes (v. 5) que, embora em termos semelhantes aos dos soberanos egípcios e assírios, suplantam os predicados de qualquer rei empírico, e correspondem ao mistério de Jesus, Deus feito homem.

 

Salmo Responsorial    Sl 112 (113), 1-2.3-4.5-6.7-8 (R. 2)

 

Monição: Louvemos o Deus que faz sentar os pobres com os grandes do seu povo.

 

Refrão:        Bendito seja o nome do Senhor para sempre.

Ou:               Aleluia.

 

Louvai ao Senhor, servos do Senhor,

louvai o nome do Senhor.

Bendito seja o nome do Senhor,

agora e para sempre.

 

Desde o nascer ao pôr do sol,

seja louvado o nome do Senhor.

O Senhor domina sobre todos os povos,

a sua glória está acima dos céus.

 

Quem se compara ao Senhor, nosso Deus,

que tem o seu trono nas alturas,

e Se inclina lá do alto,

a olhar o céu e a terra?

 

Levanta do pó o indigente

e tira o pobre da miséria,

para o fazer sentar com os grandes,

com os grandes do seu povo.

 

 

Aclamação ao Evangelho        Lc 1, 28

 

Monição: “ Conceberás e darás á luz um Filho”.

A missão da Virgem Nossa Senhora é convidar todos os seus filhos a acolherem o Filho de Deus e a doarem as suas vidas no mesmo querer e objectivo.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação – 4,F. Silva, NRMS 50-51

 

Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco

bendita sois Vós entre as mulheres.

 

 

Evangelho

 

Lucas 1, 26-38

 

Naquele tempo, 26o Anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia chamada Nazaré, a uma Virgem desposada com um homem chamado José. 27O nome da Virgem era Maria. 28Tendo entrado onde ela estava, disse o Anjo: «Ave, cheia de graça, o Senhor está contigo». 29Ela ficou perturbada com estas palavras e pensava que saudação seria aquela. 30Disse-lhe o Anjo: «Não temas, Maria, porque encontraste graça diante de Deus. 31Conceberás e darás à luz um Filho, a quem porás o nome de Jesus. 32Ele será grande e chamar-Se-á Filho do Altíssimo. O Senhor Deus Lhe dará o trono de seu pai David 33reinará eternamente sobre a casa de Jacob e o seu reinado não terá fim». 34Maria disse ao Anjo: «Como será isto, se eu não conheço homem?». 35O Anjo respondeu-lhe: «O Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra. Por isso o Santo que vai nascer será chamado Filho de Deus. 36E a tua parenta Isabel concebeu também um filho na sua velhice e este é o sexto mês daquela a quem chamavam estéril 37porque a Deus nada é impossível». 38Maria disse então: «Eis a escrava do Senhor faça-se em mim segundo a tua palavra».

 

A narrativa da Anunciação reveste-se de uma densidade tal que cada palavra encerra uma riqueza e profundidade impressionante, o que condiz bem com o acontecimento mais transcendente da História, o preciso momento em que, com o sim da Virgem Maria, o Eterno entra no tempo, o Criador se faz criatura.

26 «O Anjo Gabriel». O mesmo que anunciou a Zacarias o nascimento de João. Já era conhecido o seu nome no A.T. (Dan 8, 16-26; 9, 21-27). O seu nome significa «homem de Deus» ou também «força de Deus».

28 Coadunando-se com a transcendência da mensagem, a tripla saudação a Maria é absolutamente inaudita:

«Ave»: Vulgarizou-se esta tradução, correspondente a uma saudação comum (como ao nosso «bom dia»; cf. Mt 26, 49), mas que não parece ser a mais exacta, pois Lucas, para a saudação comum usa o semítico «paz a ti» (cf. Lc 10, 5); a melhor tradução é «alegra-te» – a tradução literal do imperativo grego khaire –, de acordo com o contexto lucano de alegria e com a interpretação patrística grega, não faltando mesmo autores modernos que vêm na saudação uma alusão aos convites proféticos à alegria da «Filha de Sião» (Sof 3, 14; Jl 2, 21-23; Zac 9, 9).

Ó «cheia de graça»: Esta designação tem muita força expressiva, pois está em vez do nome próprio, por isso define o que Maria é na realidade. A expressão portuguesa traduz um particípio perfeito passivo que não tem tradução literal possível na nossa língua: designa Aquela que está cumulada de graça, de modo permanente; mais ainda, a forma passiva parece corresponder ao chamado passivo divino, o que evidencia a acção gratuita, amorosa, criadora e transformante de Deus em Maria: «ó Tu a quem Deus cumulou dos seus favores». De facto, Maria é a criatura mais plenamente ornada de graça, em função do papel a que Deus A chama: Mãe do próprio Autor da Graça, Imaculada, concebida sem pecado original, doutro modo não seria, em toda a plenitude, a «cheia de graça», como o próprio texto original indica.

«O Senhor está contigo»: a expressão é muito mais rica do que parece à primeira vista; pelas ressonâncias bíblicas que encerra, Maria é posta à altura das grandes figuras do Antigo Testamento, como Jacob (Gn 28, 15), Moisés (Ex 3, 12) e Gedeão (Jz 6, 12), que não são apenas sujeitos passivos da protecção de Deus, mas recebem uma graça especial que os capacita para cumprirem a missão confiada por Ele.

Chamamos a atenção para o facto de na última edição litúrgica ter sido suprimido o inciso «Bendita es tu entre as mulheres», pois este não aparece nos melhores manuscritos e pensa-se que veio aqui parar por arrasto do v. 42 (saudação de Isabel). A Neovulgata, ao corrigir a Vulgata, passou a omiti-lo.

29 «Perturbou-se», ferida na sua humildade e recato, mas sobretudo experimentando o natural temor de quem sente a proximidade de Deus que vem para tomar posse da sua vida (a vocação divina). Esta reacção psicológica é diferente da do medo de Zacarias (cf. Lc 1, 12), pois é expressa por outro verbo grego; Maria não se fecha no refúgio dos seus medos, pois nela não há qualquer espécie de considerações egoístas, deixando-nos o exemplo de abertura generosa às exigências de Deus, perguntando ao mensageiro divino apenas o que precisa de saber, sem exigir mais sinais e garantias como Zacarias (cf. Lc 1, 18).

32-33 «Encontraste graça diante de Deus»: «encontrar graça» é um semitismo para indicar o bom acolhimento da parte dum superior (cf. 1 Sam 1, 18), mas a expressão «encontrar graça diante de Deus» só se diz no A. T. de grandes figuras, Noé (Gn 6, 8) e Moisés (Ex 33, 12.17). O que o Anjo anuncia é tão grandioso e expressivo que põe em evidência a maternidade messiânica e divina de Maria (cf. 2 Sam 7, 8-16; Salm 2, 7; 88, 27; Is 9, 6; Jer 23, 5; Miq 4, 7; Dan 7, 14).

34 «Como será isto, se Eu não conheço homem?» Segundo a interpretação tradicional desde Santo Agostinho até aos nossos dias, tem-se observado que a pergunta de Maria careceria de sentido, se Ela não tivesse antes decidido firmemente guardar a virgindade perpétua, uma vez que já era noiva, com os desposórios ou esponsais (erusim) já celebrados (v. 27). Alguns entendem a pergunta como um artifício literário e também «não conheço» no sentido de «não devo conhecer», como compete à Mãe do Messias (cf. Is 7, 14). Pensamos que a forma do verbo, no presente, «não conheço», indica uma vontade permanente que abrange tanto o presente como o futuro. Também a segurança com que Maria aparece a falar faz supor que José já teria aceitado, pela sua parte, um matrimónio virginal, dando-se mutuamente os direitos de esposos e renunciando a consumar a união; mas nem todos os estudiosos assim pensam, como também se vê no recente e interessante filme Figlia del suo Figlio.

35 «O Espírito Santo virá sobre ti…». Este versículo é o cume do relato e a chave do mistério: o Espírito, a fonte da vida, «virá sobre ti», com a sua força criadora (cf. Gn 1, 2; Salm 104, 30) e santificadora (cf. Act 2, 3-4); «e sobre ti a força do Altíssimo estenderá a sua sombra» (a tradução litúrgica «cobrirá» seria de evitar por equívoca e pobre; é melhor a da Nova Bíblia da Difusora Bíblica: «estenderá sobre Ti a sua sombra»); o verbo grego (ensombrar) é usado no A. T. para a nuvem que cobria a tenda da reunião, onde a glória de Deus estabelecia a sua morada (Ex 40, 34-36); aqui é a presença de Deus no ser que Maria vai gerar (pode ver-se nesta passagem um fundamento bíblico para o título de Maria, «Arca da Aliança»).

«O Santo que vai nascer…». O texto admite várias traduções legítimas; a litúrgica, afasta-se tanto da da Vulgata, como da da Neovulgata; uma tradução na linha da Vulgata parece-nos mais equilibrada e expressiva: «por isso também aquele que nascerá santo será chamado Filho de Deus». I. de la Potterie chega a ver aqui uma alusão ao parto virginal de Maria: «nascerá santo», isto é, não manchado de sangue, como num parto normal. «Será chamado» (entenda-se, «por Deus» – passivum divinum) «Filho de Deus», isto é, será realmente Filho de Deus, pois o que Deus chama tem realidade objectiva (cf. Salm 2, 7).

38 «Eis a escrava do Senhor…». A palavra escolhida na tradução, «escrava» talvez queira sublinhar a entrega total de Maria ao plano divino. Maria diz o seu sim a Deus, chamando-se «serva do Senhor»; é a primeira e única vez que na história bíblica se aplica a uma mulher este apelativo, como que evocando toda uma história maravilhosa de outros «servos» chamados por Deus que puseram a sua vida ao seu serviço: Abraão, Jacob, Moisés, David… É o terceiro nome com que Ela aparece neste relato: «Maria», o nome que lhe fora dado pelos homens, «cheia de graça», o nome dado por Deus, «serva do Senhor», o nome que Ela se dá a si mesma.

«Faça-se…». O «sim» de Maria é expresso com o verbo grego no modo optativo (génoito, quando o normal seria o uso do modo imperativo génesthô), o que põe em evidência a sua opção radical e definitiva, o seu vivo desejo (matizado de alegria) de ver realizado o desígnio de Deus.

 

Sugestões para a homilia

 

Maria, Rainha do amor.

Maria, Rainha da paz.

Maria, Rainha do Povo de Deus.

 

 

Maria, Rainha do Amor.

Ao contemplamos Maria como Rainha saltam dos nossos corações louvores de gratidão a Deus Trindade Santa, pela pessoa e missão que é Maria. Uma Rainha ao serviço do amor no compromisso heróico, simples, humilde e eficaz na realização dos projectos de Deus e em bem de todos nós.

Coroada como rainha dos Anjos e dos Santos como visibilidade do culminar de uma vida toda entregue. Ela seguiu o itinerário que o Anjo lhe propôs e por isso acolheu em seu ventre Aquele Deus que primeiramente fora acolhido no seu coração virginal. Acolheu, disse sim. Comprometeu-se numa fidelidade sem imperfeição e numa docilidade à graça, fazendo-se serva e escrava do Senhor. Aceitou sem barreiras ou imperfeições de qualquer ordem o Deus para quem nada é impossível. Amou sem cessar numa entrega que culmina na Cruz junto com o Seu Filho e Filho de Deus. Entregou-se e foi entregue a todos nós na eficácia de uma maternidade sem fim e numa intercessão que corre como um rio de paz, de graça e de vida.

O Coração de Maria é uma das belas mensagens de Deus para o nosso tempo. Maria convida-nos à urgência do amor. Temos de descobrir e redescobrir o amor de Deus, e nesse amor, o amor aos nossos irmãos. Só no amor de Deus, e por Ele, no amor aos irmãos, impediremos que o inferno alastre sobre a terra.

Num mundo sempre tentado ao egoísmo, à hipocrisia, à violência e aos interesses mesquinhos e individualistas é importante escutar os apelos de Maria, colocar-se ao seu serviço, com as armas da Justiça e do amor de Deus. Maria convida a todos, mas sobretudo os pequeninos. Maria chama-nos insistentemente e convida-nos a que nos deixemos atrair por Deus, a partilhar o Seu amor.

Rainha com o ceptro da justiça que prolonga as suas mãos de ternura e de acolhimento da vida. Coroada Rainha para poder manifestar com mais eficácia o poder de Deus. No seu manto envolve a multidão de filhos que nEla encontram referência para serem discípulos autênticos em coerência e fé. Manto que acolhe e aconchega a vida. Manto do Espírito Santo derramado na luz pascal de Cristo. Uma Rainha que vencerá a ultima batalha esmagando a cabeça do poder do mal.

 

Maria, Rainha da paz.

Maria desafia-nos à paz como sinal da nossa comunhão com Deus. Quando levamos Deus a sério e O procuramos conhecer e amar, a vida é inundada pela paz e pela alegria, mesmo diante das dificuldades e do combate que temos de travar. Ela nos oferece esse Deus feito menino, o príncipe da paz. Leva-nos ao ressuscitado que sobre os seus derrama a paz e o Espírito Santo.

Na celebração do centenário das suas aparições aos pastorinhos ficam claro o grande desafio da paz. A solução para a paz parte de nos aproximarmos de Deus, da docilidade ao convite da nossa Mãe a levarmos a sério a conversão pessoal e colectiva. Pessoalmente e a nível das comunidades e da sociedade é-nos pedido a abertura à conversão. Este deve ser o primeiro desafio da pastoral: aproximarmo-nos de Deus e a mudança de vida. A paz como fruto da nossa oração e do nosso sacrifício. A nossa Mãe disse-nos que a paz se alcança assim.

Em ano centenário como é bom voltar ouvir o genuíno pedido a que rezemos o terço todos os dias e nos sacrifiquemos por todos. Como posso eu melhorar este pedido quer de forma pessoal quer de forma comunitária?

 

Maria, Rainha do Povo de Deus.

O Arcanjo disse a Maria que seria Mãe do Filho do Altíssimo e que o Senhor Deus lhe daria o trono de seu pai, David; Ele reinaria eternamente sobre a casa de Jacob e o seu reino não teria fim (cf. Lc1,32-33).

A Virgem Maria foi constituída em Rainha do Povo de Deus pela participação singular e única na salvação do mesmo Povo de Deus. E é este Povo de Deus que sente alegria e gratidão pelo seu nascimento e pelo itinerário de vida até à glorificação. Na glória de Seu Filho é coroada como Rainha.

A sua realeza aparece no apocalipse: “Apareceu em seguida um grande sinal no céu: uma Mulher revestida do sol, a lua debaixo dos seus pés e na cabeça uma coroa de doze estrelas” (Ap 12, 1). A Rainha do Povo de Deus mergulhou desde sempre na experiencia da humildade e pobreza, viveu no meio do seu povo sem palácios, sem vaidades e sem ânsia de protagonismo. Viveu da Palavra, viveu da presença de Deus, viveu da Encarnação, viveu dos mistérios de seu Filho, viveu do serviço, viveu da entrega, viveu da maternidade pascal, viveu e vive amando o Povo de Deus e a interceder por ele, nos caminhos da história onde o monstro procura derrubar e destruir a vida de seus filhos. Mas Ela foi escolhida para encerrar a página da história esmagando o poder do mal.

Somos o Povo de Deus chamado a aproximarmo-nos deste trono de misericórdia e de graça; a estar ao serviço da Nossa Mãe num desejo permanente de conversão e da doação da nossa vida por inteiro a Deus e aos irmãos; a crescermos no seu amor filial, colocando-nos sobre a Sua proteção e imitando a Sua vida, as suas virtudes; a progredirmos em todas as devoções marianas, sobretudo no rosário e nos primeiros sábados; na oração constante que leva à vida quotidiana; a fazermos da vida um serviço aos irmãos como em Caná, como no serviço a Isabel, como junto à Cruz.

 

 

Oração Universal

 

Irmãs e irmãos:

Maria Santíssima é o sinal maravilhoso

que Deus nos oferece para a nossa adesão,

fidelidade e correspondência ao projeto de Deus.

Por sua intercessão invoquemos a Deus, nosso Pai,

dizendo (ou:  cantando), com alegria:

 

R. Interceda por nós a Virgem cheia de graça.

Ou: Interceda por nós a Virgem Imaculada.

Ou: Interceda por nós a Santa Mãe da Igreja.

 

1-Pelo Papa Francisco, pelos bispos, presbíteros e diáconos,

para que, seguindo o caminho da fé,

à maneira de Maria Santíssima,

irradiem confiança, alegria e disponibilidade,

oremos, irmãos.

 

2-Pelos jovens das nossas Dioceses

que sentem o chamamento de Jesus,

para que, dóceis aos apelos de Maria,

escutem a voz de Cristo e O sigam,

oremos, irmãos.

 

3- Pelos cristãos, para que,

na fidelidade aos pedidos de Nossa Senhora,

tenham Cristo no centro das suas vidas, atividades e opções;

sejam acolhedores, serviçais e vivam em comunhão eclesial,

oremos, irmãos.

 

4- Pelos governos de todo o mundo,

por todos os que se dedicam à investigação científica

e pelos profissionais de saúde;

para que perscrutando as preocupações de Maria

em favor dos pequeninos: as crianças no ventre de suas mães,

os doentes, os que querem desistir de viver,

aceitem o Evangelho de Jesus Cristo,

e sejam defensores da vida humana,

oremos, irmãos.

 

5-Pelos que se entregam ao serviço dos mais pobres,

para que sintam em Maria estimulo a mais generosidade,

e por Ela, o Senhor, lhes dê o seu Espírito

e a perseverança na caridade,

oremos, irmãos.

 

6- Por todos nós que celebramos a festa

da nossa querida Mãe do Céu,

para que vivamos no cumprimento

de tudo o que Jesus nos pede,

oremos, irmãos.

 

 

Senhor, que fizeste da Virgem Santa Maria

a Mulher forte, sempre ao lado do seu Filho

e das dificuldades dos Povos,

concedei-nos também a nós a graça

de colaborarmos generosamente

na obra da redenção da humanidade.

Por Cristo, nosso Senhor.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Ó Maria concebida sem pecado, M. Simões, NRMS 33-34

 

Oração sobre as oblatas: Ao celebrarmos a memória da Virgem Santa Maria, nós Vos oferecemos, Senhor, os nossos dons e Vos pedimos que venha em nosso auxílio o vosso Filho feito homem, que a Vós Se ofereceu na cruz como oblação imaculada. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio de Nossa Senhora I [na festividade]: p. 486 [644-756], ou II p. 487

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte, e exaltar a vossa infinita bondade ao celebrarmos a festa da Virgem Santa Maria, Rainha.

Recebendo o vosso Verbo em seu coração imaculado, Ela mereceu concebê-l’O em seu seio virginal e, dando à luz o Criador do universo, preparou o nascimento da Igreja.

Junto à cruz, aceitou o testamento da caridade divina e recebeu todos os homens como seus filhos, pela morte de Cristo gerados para a vida eterna.

Enquanto esperava, com os Apóstolos, a vinda do Espírito Santo, associando-se às preces dos discípulos, tornou-se modelo admirável da Igreja em oração.

Elevada à glória do céu, assiste com amor materno a Igreja ainda peregrina sobre a terra, protegendo misericordiosamente os seus passos a caminho da pátria celeste, enquanto espera a vinda gloriosa do Senhor.

Por isso, com os Anjos e os Santos, proclamamos a vossa glória, cantando numa só voz:

 

Santo: A. Cartageno, Suplemento CT

 

Monição da Comunhão

 

Senhor, nós vos agradecemos por este dom maravilhoso que nos deste que é Maria, a Mãe que escolheste para Ti e para nós. Obrigado, Senhor, pelo dom que é Maria, que permitiu esta participação e comunhão contigo, com o Pai e com o Espírito Santo, e com toda a tua Igreja, teu corpo.

Maria, Nossa Mãe e Rainha, tu que acolheste a Cristo no teu Coração belo e santo, e no teu ventre de ternura e graça, ajuda-nos a acolhê-Lo sempre na graça e no mais belo amor feito vida.

Maria tu que foste a primeira a levá-Lo pelos caminhos da vida fazendo exultar vidas com a alegria da sua presença, ajuda-nos a sermos comprometidos na obra da evangelização.

Ajuda-nos a viver na Alegria de Cristo e a comprometer a nossa vida pela mesma causa.

 

Cântico da Comunhão: O Senhor fez em mim maravilhas, Az. Oliveira, NRMS 45

cf. Lc 1,45

Antífona da comunhão: Bendita sejais, ó Virgem Maria, que acreditastes na palavra do Senhor.

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que nos alimentais com este sacramento celeste, ao venerarmos a memória da Virgem Santa Maria, concedei-nos a graça de tomar parte no banquete do reino dos Céus. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Deus nos chama à missão. Como Maria dizemos sim a Deus e fazemos compromisso de uma doação consciente, activa e responsável na família, na comunidade, na Igreja e no mundo.

Maria nos diz: reinar é amar e servir.

 

Cântico final: Glória da humanidade, A. Cartageno, NRMS 101

 

 

Homilias Feriais

 

4ª Feira, 23-VIII: A dedicação às coisas de Deus e aos outros.

Jz 9, 6-15 / Mt 20, 1-16

Ao sair pelas cinco horas, encontrou outros, que ali estavam e disse-lhes: Por que ficais aqui o dia inteiro inactivos?

O Senhor, o proprietário da vinha, procurava trabalhadores, mas a maior parte dos convidados passava o dia ociosos (Ev.). Trabalhar na vinha significa cuidar das coisas que se referem a Deus: melhorar a vida de piedade, estar mais unidos a Deus, etc. Significa também participar na construção do reino de Deus na terra, melhorando as condições do  mundo em que vivemos.

A alegoria das árvores (Leit.), mostra-nos igualmente que estas não estão dispostas a renunciar às suas próprias coisas. Devemos estar dispostos a vencer o nosso egoísmo e comodismo para nos dedicarmos mais a Deus e aos outros.

 

5ª Feira, 24-VIII: S. Bartolomeu: O elogio da veracidade.

Ap 21, 9-14 / Jo 1, 45-51

A muralha da cidade tinha na base doze reforços salientes, e neles doze nomes: os doze Apóstolos do Cordeiro.

Jesus escolheu os doze Apóstolos, que são as pedras do alicerce da nova Jerusalém (Leit.). De entre eles, destacou em S. Bartolomeu a virtude da veracidade (Ev.). «A verdade ou veracidade é a virtude que consiste em mostrar-se verdadeiro nos actos e em dizer a verdade nas palavras, evitando a duplicidade, a simulação e a hipocrisia» (CIC, 2505).

O ambiente está infelizmente carregado de falsidade e mentira. Muitos meios de comunicação social transmitem, em vez da verdade, muitas falsidades, acabando por alterar os critérios morais de uma sociedade. Apoiemo-nos em Jesus, que é a Verdade.

 

6ª Feira, 25-VIII: Avaliação do nosso amor a Deus.

Rut 1, 1-2. 3-6. 14-16. 22 / Mt 22, 34-40

Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com toda a tua mente.

Deus ama-nos com um amor eterno, amou-nos primeiro, enviou o seu Filho Unigénito, como vítima de expiação pelos nossos pecados. Como corresponder a este amor? «Este é o índice para que a alma possa conhecer se ama a Deus ou não. Se o ama, o seu coração não se centrará em si própria, nem estará atenta a conseguir os seus gostos e conveniências. Quanto mais tem o coração em si próprio, menos o tem para Deus» (S. João da Cruz).

Rute esqueceu-se de si própria: «Irei para onde fores e viverei onde viveres. O teu povo será o meu povo e o teu Deus será o meu Deus» (Leit.).

 

Sábado, 26-VIII: Humildade e espírito de serviço.

Rut 2, 1-3. 8-11; 4, 13-17 / Mt 23, 1-12

Aquele que for o maior entre vós será vosso servo. Quem se elevar será humilhado, quem se humilhar será exaltado.

Os escribas e fariseus procuravam a sua própria glória (Ev.) Por isso, Jesus chama a atenção para a virtude da humildade e do espírito de serviço. Ele é o exemplo supremo de humildade e entrega aos outros: «O Filho do homem não veio para ser servido mas para servir».

Assim aconteceu com Rute: «Como pude alcançar a teus olhos acolhimento favorável, de maneira que te interessasses por mim, uma estrangeira?» (Leit.). Graças à sua humildade veio a ser avó do rei David e antepassada de Jesus.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Armando Rodrigues Dias

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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