20.º Domingo Comum

20 de Agosto de 2017

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Senhor que nos dais guarida, F. da Silva, NRMS 90-91

Salmo 83, 10-11

Antífona de entrada: Senhor Deus, nosso protector, ponde os olhos no rosto do vosso Ungido. Um dia em vossos átrios vale mais de mil longe de Vós.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

A liturgia da Palavra deste domingo coloca-nos perante um tríplice apelo ao universalismo cristão. Assim, devem cair as barreiras de separação, os egoísmos, o individualismo. O cristão não pode pensar apenas na sua devoção, no seu bem espiritual, na sua salvação. Leva-nos a perceber que, muitas vezes, nós somos muito fechados e levantamos barreiras impedindo que outros, por causa das nossas atitudes, se aproximem do Senhor.

A comunidade cristã deve ser universal, católica, isto é, disposta a acolher qualquer ser humano que deseje a salvação. Pensemos na nossa atitude para com os outros: se tem sido de acolhimento ou de antipatia e oposição para com eles.

Peçamos perdão ao Senhor se porventura caímos nesta postura ou noutras, que levem ao distanciamento da salvação oferecida pelo Senhor.

 

Oração colecta: Deus de bondade infinita, que preparastes bens invisíveis para aqueles que Vos amam, infundi em nós o vosso amor, para que, amando-Vos em tudo e acima de tudo, alcancemos as vossas promessas, que excedem todo o desejo. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Através dos oráculos de Isaías, é-nos revelada a atitude do Senhor que deseja manifestar-Se a todos os homens e comunicar com eles.

 

Isaías 56, 1.6-7

1Eis o que diz o Senhor: «Respeitai o direito, praticai a justiça, porque a minha salvação está perto e a minha justiça não tardará a manifestar-se. 6Quanto aos estrangeiros que desejam unir-se ao Senhor para O servirem, para amarem o seu nome e serem seus servos, se guardarem o sábado, sem o profanarem, se forem fiéis à minha aliança, 7hei-de conduzi-los ao meu santo monte, hei-de enchê-los de alegria na minha casa de oração. Os seus holocaustos e os seus sacrifícios serão aceites no meu altar, porque a minha casa será chamada casa de oração para todos os povos».

 

O profeta fala-nos do convite amoroso que Deus faz a todos os homens para pertencerem ao seu Povo. Ele quer verdadeiramente a salvação de todos os povos. Este belo texto, com que se inicia o «Terceiro Isaías», fala-nos da admissão dos estrangeiros dentro da comunidade judaica, mas com a condição de que se sujeitem à observância da Lei, no referente às práticas cultuais; esses viriam a ser os prosélitos. Esta visão universalista – «a minha casa será chamada casa de oração para todos os povos» – prepara a catolicidade da Igreja de Cristo, mas ainda fica muito longe dela, ao mover-se dentro do âmbito do povo antigo de Deus, balizado pelo culto e pelas práticas judaicas.

 

Salmo Responsorial    Sl 66 (67), 2-3.5.6.8 (R. 4)

 

Monição: O salmo 66, que vamos proclamar, procura pôr o coração de acordo com os desígnios do Senhor. O seu refrão exprime o desejo de que todos os povos se alegrem e louvem a Deus, pois todos entram no Seu plano salvador.

 

Refrão:        Louvado sejais, Senhor,

pelos povos de toda a terra.

 

Deus Se compadeça de nós e nos dê a sua bênção,

resplandeça sobre nós a luz do seu rosto.

Na terra se conhecerão os vossos caminhos

e entre os povos a vossa salvação.

 

Alegrem-se e exultem as nações,

porque julgais os povos com justiça

e governais as nações sobre a terra.

 

Os povos Vos louvem, ó Deus,

todos os povos Vos louvem.

Deus nos dê a sua bênção

e chegue o seu temor aos confins da terra.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Paulo define-se a si próprio como o apóstolos dos gentios e ensina que a salvação é para todos, judeus e gentios.

 

Romanos 11, 13-15.29-32

Irmãos: 13É a vós, os gentios, que eu falo: Enquanto eu for Apóstolo dos gentios, procurarei prestigiar o meu ministério 14a ver se provoco o ciúme dos homens da minha raça e salvo alguns deles. 15Porque, se da sua rejeição resultou a reconciliação do mundo, o que será a sua reintegração senão uma ressurreição de entre os mortos? 29Porque os dons e o chamamento de Deus são irrevogáveis. 30Vós fostes outrora desobedientes a Deus e agora alcançastes misericórdia, devido à desobediência dos judeus. 31Assim também eles desobedeceram agora, devido à misericórdia que alcançastes, para que, por sua vez, também eles alcancem agora misericórdia. 32Efectivamente, Deus encerrou a todos na desobediência, para usar de misericórdia para com todos.

 

Porque Deus só quer o bem dos seus filhos, não se deixa vencer pelas nossas misérias. Até se serve delas, por vezes, para que nos resolvamos a voltar aos caminhos do seu amor, beneficiando da sua Misericórdia. É nesta ordem de ideias que se move S. Paulo ao afirmar que a infidelidade de Israel não será definitiva.

13-14 «Os gentios». A maior parte dos cristãos de Roma, na altura da redacção da carta, isto é, pelo ano 57, seriam procedentes da gentilidade. S. Paulo diz que, com a sua missão de trazer ao Reino de Deus os gentios, espera provocar a emulação dos judeus que, ao verem os frutos do Evangelho no mundo pagão, se sentirão atraídos para dele virem a participar.

15 O Apóstolo futura os maiores bens de salvação com essa conversão dos judeus; será como um regresso à vida de muitos mortos. Hoje não se interpreta esta passagem no sentido de que a conversão dos judeus seja um sinal do fim do mundo; com efeito, «um regresso de mortos à vida» não indica a ressurreição final, mas simplesmente a vinda do povo judeu à fé e à vida em Cristo.

 

Aclamação ao Evangelho        cf. Mt 4, 2

 

Monição: Jesus manifesta-Se disposto a acolher qualquer ser humano e por isso proclama o evangelho do reino e cura as doenças de todas as pessoas que se Lhe dirigem.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação – 1,F. Silva, NRMS 50-51

 

Jesus proclamava o evangelho do reino

e curava todas as doenças entre o povo.

 

 

Evangelho

 

São Mateus 15, 21-28

21Naquele tempo, Jesus retirou-Se para os lados de Tiro e Sidónia. 22Então, uma mulher cananeia, vinda daqueles arredores, começou a gritar: «Senhor, Filho de David, tem compaixão de mim. Minha filha está cruelmente atormentada por um demónio». 23Mas Jesus não lhe respondeu uma palavra. Os discípulos aproximaram-se e pediram-Lhe: «Atende-a, porque ela vem a gritar atrás de nós». 24Jesus respondeu: «Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel». 25Mas a mulher veio prostrar-se diante d’Ele, dizendo: «Socorre-me, Senhor». 26Ele respondeu: «Não é justo que se tome o pão dos filhos para o lançar aos cachorrinhos». 27Mas ela replicou: «É verdade, Senhor; mas também os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa de seus donos». 28Então Jesus respondeu-lhe: «Mulher, é grande a tua fé. Faça-se como desejas». E, a partir daquele momento, a sua filha ficou curada.

 

Este episódio da mulher cananeia também aparece contado em Marcos (Mc 7, 24-30), que a chama siro-fenícia e que tem o cuidado de não incluir o v. 24 de Mt – «não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel» –, que lhe constaria da tradição, mas que era demasiado duro para os seus destinatários imediatos, os cristãos de Roma, na maioria de origem gentílica. Jesus vem para todos os homens, mas estava nos seus planos pregar directamente apenas aos judeus. Caberia aos Apóstolos virem a evangelizar gentios (cf. Mt 28, 19-20).

21 «Tiro e Sidon»: cidades da costa fenícia, que hoje pertencem ao Líbano. O facto de que ficavam fora da jurisdição de Herodes Antipas, justifica que Jesus estivesse ali mais tranquilo e pudesse cuidar mais intensamente a formação dos seus discípulos.

22-27 A fé desta mulher é descrita de modo impressionante: não desiste apesar de se tornar maçadora (v. 22-23) e de se reconhecer indigna (vv. 24-26); persevera e alcança o que pede (vv. 27-28). As negativas de Jesus revelam uma dureza e desinteresse apenas aparentes, que são a ocasião de se pôr à prova a fé vibrante e humilde daquela pobre mãe aflita. Registamos o comentário do Santo Cura de Ars: «Muitas vezes o Senhor não nos concede logo o que Lhe pedimos. (…) Esse atraso não é uma recusa, mas uma prova que nos dispõe para recebermos mais abundantemente o que Lhe pedimos».

 

Sugestões para a homilia

 

Israel, povo de Deus, deveria anunciar a salvação ao mundo inteiro

O “universalismo” deve ser característica da comunidade cristã

Que deve abrir-se às iniciativas salvadoras de Deus

 

Israel, povo de Deus, deveria anunciar a salvação ao mundo inteiro

 

Israel, povo eleito, sempre teve a tendência para se fechar e isolar. Quando esteve no exílio, em Babilónia, foi obrigado a confrontar-se com a cultura dos outros povos e a corrigir muitos preconceitos, aí aprendeu a compreender os aspectos positivos que também existiam nessas culturas e a abrir o seu coração ao universalismo.

Deus, por intermédio do profeta Isaías, que viveu no período de regresso do exílio, manda dizer ao seu povo que também os estrangeiros podem compreender a Palavra, amar a Deus e ser admitidos à Sua presença, pois o templo do Senhor será “casa de oração para todos os povos”, uma comunidade “universal”. Como povo eleito deveria, segundo o projecto de Deus, anunciar o Seu projecto ao mundo inteiro. Todavia, no tempo de Jesus os judeus continuavam a pensar ser as únicas pessoas intactas, veneráveis, sem mácula e consideravam os pagãos como “cães” que não conheciam a lei de Deus.

O episódio da cananeia, narrado no Evangelho de hoje, conta-nos como Jesus tomou um dos gestos mais significativos e reveladores dessa universalidade.

A forma muito dura, como reage em relação àquela mulher cananeia, torna claro perante os judeus e os seus próprios discípulos que a Boa Nova se destinava ao mundo inteiro. Perante o pedido de ajuda da mulher nem se digna olhá-la ou dirigir-lhe a palavra. Os apóstolos intervêm, a fim de que Jesus se livre dela. Com brusquidão afirma àquela mulher estrangeira que apenas viera para “as ovelhas perdidas da casa de Israel”. Por fim, tem uma frase ainda mais ofensiva: “Não se deve tirar o pão aos filhos para o deitar aos cães”.

O desprezo pelos pagãos e a alusão à sua inferioridade foi uma “representação”, para levar os seus discípulos a uma mudança radical quanto ao relacionamento com os estrangeiros e mostrar que a sua conduta deve ser “católica”, isto é, “universal”. O “universalismo” deve, pois, ser a característica da comunidade cristã.

 

O “universalismo” deve ser característica da comunidade cristã

 

Jesus, ridicularizou desta forma a mentalidade separatista do povo judeu, que era estimulada pelos seus mestres espirituais. Quis mostrar que Deus está aberto a todos sem descriminação de raças, etnias ou bens materiais. Mostrou que os “cães” são melhores que os eleitos, os “donos”. Deu assim execução à profecia que escutamos na primeira leitura.

Perante isto, é conveniente reflectirmos hoje sobre a nossa atitude de cristãos. Será que todos os que fazem parte da nossa comunidade cristã se sentem na casa do Pai? Não estaremos a descriminar alguém devido à sua etnia, nacionalidade, ou que pela sua necessidade de trabalho se haja deslocado da sua comunidade de origem? Serão tão bem acolhidos e recebidos tanto os inteligentes e com estudos, como os mais simples e menos cultos, ou os que têm uma conduta discutível?

Jesus quis ensinar-nos que a comunidade cristã deve estar aberta às iniciativas salvadoras de Deus, como ouvimos na segunda leitura.

 

Que deve abrir-se às iniciativas salvadoras de Deus

 

S. Paulo, escreve aos romanos lembrando que a desobediência dos israelitas em aderir à fé motivou a entrada dos pagãos na comunidade cristã. Porém, também se sente esperançado que a recusa de Cristo por parte do povo eleito não durará sempre.

O que aconteceu com o povo de Israel pode repetir-se connosco, se nos consideramos os predilectos, os privilegiados e nos fechamos na nossa piedade individual. Lembremo-nos que corremos o risco de ficar fora da felicidade do Reino se não nos abrirmos às iniciativas salvadoras de Deus.

Que o Senhor nos ajude a sermos sempre fiéis ao nosso compromisso baptismal.

 

 

Oração Universal

 

Deus,

quer conduzir à salvação todos os povos da terra.

Na unidade e riqueza universal da Igreja de Cristo,

peçamos-Lhe pelas intenções do mundo inteiro, rezando:

 

Atendei, Senhor, a oração do vosso povo.

 

1.     Que o Papa (N.), Bispos, Presbíteros e Diáconos,

sejam testemunhas de fé e unidade

e apontem aos povos o caminho da salvação,

oremos, irmãos.

 

2.     Que os catequistas,

se deixem transformar

pela palavra do Evangelho

e ensinem a acabar com as barreiras

que separam as pessoas,

oremos, irmãos.

 

3.     Que os governantes das nações,

proporcionem condições de vida dignas

a todo o seu povo e todos os migrantes,

oremos, irmãos.

 

4.     Que os cristãos do mundo inteiro,

sejam fiéis à sua vocação de baptizados

e levem a luz do Evangelho aos povos de todo o mundo,

oremos, irmãos.

 

5.     Que todos nós aqui reunidos em assembleia dominical

a celebrar o dia do Senhor,

saibamos ser verdadeiramente acolhedores

e não fechados sobre nós mesmos,

oremos, irmãos.

 

6.     Que todos os que se afastaram da fé,

a readquiram em contacto com a nossa alegria,

coerência e fidelidade

na abertura universal ao plano de Deus,

oremos, irmãos. 

 

Senhor, Pai Santo,

ouvi, a nossa oração

e ajudai-nos a modelar o coração

de acordo com os Vossos desígnios de salvação.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

que é Deus convosco,

na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Tudo Vos damos, M. Faria, NRMS 11-12

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, o que trazemos ao vosso altar, nesta admirável permuta de dons, de modo que, oferecendo-Vos o que nos destes, mereçamos receber-Vos a Vós mesmo. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Monição da Comunhão

 

Jesus é o pão vivo descido do Céu. Ao comermos este pão mostramo-nos solidários e em união com todos os homens, imagem de Deus, e destinados à mesma salvação em Cristo.

 

Cântico da Comunhão: Eu vim para que tenham vida, F. da Silva, NRMS 70

Salmo 129, 7

Antífona da comunhão: No Senhor está a misericórdia, no Senhor está a plenitude da redenção.

 

Ou

Jo 6, 51-52

Eu sou o pão vivo descido do Céu, diz o Senhor. Quem comer deste pão viverá eternamente.

 

Cântico de acção de graças: A toda a hora bendirei o Senhor, M. Valença, NRMS 60

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que neste sacramento nos fizestes participar mais intimamente no mistério de Cristo, transformai-nos à sua imagem na terra para merecermos ser associados à sua glória no Céu. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Fortalecidos pela Palavra escutada e conscientes de que devemos fazer cair as barreiras que porventura nos separam, façamos o propósito de nos preocuparmos pelo bem material e espiritual dos outros. Não nos fechemos egoisticamente na nossa “piedade” individual, porque a vocação cristã é católica, isto é, universal, dirigida à salvação de todos os homens sem distinção de raça, etnia ou posição social.

 

Cântico final: Confiarei no meu Deus, F. da Silva, NRMS 106

 

 

Homilia FeriaL

 

20 ª SEMANA

 

2ª Feira, 21-VIII: O que é o Bem para mim?

Jz 2, 11-19 / Mt 19, 16-22

Ao ouvir estas palavras, o jovem retirou-se, pois tinha muitos bens.

«Mestre, que devo fazer de bom para ter a vida eterna?» (Ev.). Ao jovem que lhe faz este pergunta, Jesus responde, primeiro, invocando a necessidade de reconhecer a Deus como 'Único bem', o Bem por excelência e a fonte de todo o bem» (CIC, 2052).

O jovem retirou-se triste, porque não estava disposto a a reconhecer o «Bem por excelência», que é Deus. Estava mais interessado pelos muitos bens materiais que possuía; custava-lhe muito deixá-los. Uma coisa muito parecida aconteceu aos filhos de Israel, que abandonaram o Senhor e preferiram prestar cultos aos deuses (Leit.). E sofreram muito.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         António E. Portela

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Homilia Ferial:                      Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 

 


Imprimir | Voltar atrás | Página Inicial