Assunção da Virgem Santa Maria

Missa da Vigília

14 de Agosto de 2017

 

Solenidade

 

Esta Missa utiliza-se na tarde do dia 14 de Agosto, antes ou depois das Vésperas I da solenidade.

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Deus te salve, claro exemplo, M. Carneiro, NRMS 81

 

Antífona de entrada: Grandes coisas se dizem de Vós, ó Virgem Santa Maria, que hoje fostes exaltada sobre os coros dos Anjos e triunfais com Cristo para sempre.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

A Igreja celebra com alegria a Vigília da Assunção da Virgem Santa Maria ao Céu, glorificada em corpo e alma, à semelhança do seu Divino Filho.

Embora esta doutrina tenha sido definida só em 1 de Novembro de 1950, ela era crença geral da Igreja, desde os primeiros anos da sua existência. S. João Damasceno (+749) tem um formoso sermão sobre a dormição de Nossa Senhora (Panegírico sobre a dormida da Mãe de Deus, 10: SC 80,107).

Unamo-nos em espírito a toda a Corte celeste que celebra tão grande mistério da nossa fé.

 

Acto penitencial

 

Peçamos ao Senhor perdão, porque muitas vezes vivemos como se depois desta via não esperássemos mais nada.

Prometamos, com a ajuda de Nossa Senhora da Assunção, estarmos mais atentos à oração, aos sacramentos e às boas obras que nos conduzam ao Céu.

 

(Tempo de silêncio. Sugerimos o esquema A, com a Confissão e Senhor tende piedade de nós.).

 

Oração colecta: Senhor nosso Deus, que, olhando para a humildade da Virgem Maria, a elevastes à dignidade de ser Mãe do Verbo Encarnado e neste dia a coroastes de glória, concedei-nos, por sua intercessão, que, salvos pelo mistério da redenção, mereçamos ser por Vós glorificados. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O Primeiro Livro das Crónicas refere-nos a grande festa organizada por David, quando fez transportar a Arca da Aliança para a Cidade de Jerusalém.

A Liturgia vê neste passo do Antigo Testamento uma figura da entrada de Maria — Arca da Nova Aliança — na Jerusalém celeste, por Seu divino Filho Jesus Cristo.

 

1 Crónicas 15, 3-4.15-16 16, 1-2

 

Naqueles dias, 3David reuniu em Jerusalém todo o povo de Israel, a fim de trasladar a arca do Senhor para o lugar que lhe tinha preparado. 4Convocou também os descendentes de Aarão e os levitas. 15Os levitas transportaram então a arca de Deus, por meio de varas que levavam aos ombros, conforme tinha ordenado Moisés, segundo a palavra do Senhor. 16David ordenou aos chefes dos levitas que dispusessem os seus irmãos cantores, para que, acompanhados por instrumentos de música – cítaras, harpas e címbalos – , entoassem as suas alegres melodias. 1Assim trasladaram a arca de Deus e colocaram-na no meio da tenda que David mandara levantar para ela. 2Depois ofereceram, diante de Deus, holocaustos e sacrifícios de comunhão. Quando David acabou de oferecer os holocaustos e os sacrifícios de comunhão, abençoou o povo em nome do Senhor.

 

A Liturgia vê no solene e festivo transporte da Arca da Aliança de Quiriat-Iarim para a cidade de Jerusalém, conquistada aos jebuseus por David, a figura da entrada de Maria, em corpo e alma, no Céu. A Arca era o símbolo da presença de Deus no meio do seu povo. A Igreja louva Maria com o título de Arca da Aliança. Há exegetas que vêem na visita da Virgem Maria a Isabel ressonâncias deste relato, que justificam este título bíblico atribuído à Virgem Maria.

 

Salmo Responsorial    Sl 131 (132), 6-7.9-10.13-14 (R. 8)

 

Monição: O Salmo que a Liturgia nos convida a entoar é uma oração de peregrinação, composta para ser cantada no Templo a pedir pelo rei.

A Liturgia aplica-o à Assunção de Maria, figurada na solene entrada em Jerusalém da Arca da Aliança, preparada pelo rei David.

 

Refrão:        Levantai-Vos, Senhor, e entrai no vosso repouso,

Vós e a arca da vossa majestade.

 

Ouvimos dizer que a arca estava em Éfrata,

encontrámo-la nas campinas de Jaar.

Entremos no seu santuário,

prostremo-nos a seus pés.

 

Revistam-se de justiça os vossos sacerdotes,

exultem de alegria os vossos fiéis.

Por amor de David, vosso servo,

não afasteis o rosto do vosso Ungido.

 

O Senhor escolheu Sião,

preferiu-a para sua morada:

«É este para sempre o lugar do meu repouso,

aqui habitarei, porque o escolhi».

 

Segunda Leitura

 

Monição: O triunfo de Maria sobre a morte — sugere-nos S. Paulo, na Primeira Carta aos fiéis da Igreja de Corinto —  deve-se aos méritos de Jesus Cristo.

O Apóstolo pergunta, com júbilo: «Ó morte, onde está a tua vitória? Ó morte, onde está o teu aguilhão?»

 

1 Coríntios 15, 54b-57

Irmãos: 54bQuando este nosso corpo mortal se tornar imortal, então se realizará a palavra da Escritura: «A morte foi absorvida na vitória. 55Ó morte, onde está a tua vitória? Ó morte, onde está o teu aguilhão?». 56O aguilhão da morte é o pecado e a força do pecado é a Lei. 57Mas dêmos graças a Deus, que nos dá esta vitória por Nosso Senhor Jesus Cristo.

 

56 «O aguilhão da morte é o pecado». S. Paulo apresenta a morte personificada, a picar com o ferrão, isto é, a exercer o seu domínio sobre a humanidade: ao sermos feridos pelo pecado, morremos. Como se vê, isto está dito de modo figurado. «A força do pecado é a Lei». A Lei de Moisés, ao tornar mais patentes as obrigações, sem conceder a força para fazer o bem, dava força ao pecado, isto é, tornava-se ocasião de pecado (cf. Rom 7, 7-8).

57 «A vitória por N. S. J. Cristo»: Jesus, dando pleno cumprimento à Lei antiga, que exigia a morte do pecador, não só venceu a morte com a sua própria morte, como também arrebatou à morte o seu poder mortífero – «o aguilhão» –, isto é, o pecado, que feria a humanidade e a submetia à morte.

 

Aclamação ao Evangelho        Lc 11, 28

 

Monição: Jesus indica o caminho a todos os que desejam tomar parte no triunfo da Santa Mãe de Deus: ouvir a Palavra de Deus e procurar convertê-la em vida.

Manifestemos ao Senhor o nosso propósito de seguir este caminho, aclamando O Evangelho da nossa Salvação.

 

Aleluia

 

Cântico: Az. Oliveira, NRMS 36

 

Felizes os que ouvem a palavra de Deus

e a põem em prática.

 

 

Evangelho

 

São Lucas 11, 27-28

27Naquele tempo, enquanto Jesus falava à multidão, uma mulher levantou a voz no meio da multidão e disse: «Feliz Aquela que Te trouxe no seu ventre e Te amamentou ao seu peito». 28Mas Jesus respondeu: «Mais felizes são os que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática».

 

Com este episódio começa a ter efectivação a previsão de Maria: todas as gerações me hão-de chamar bem-aventurada (Lc 1, 48).

Jesus não contradiz o belo elogio dirigido a sua Mãe, mas aproveita a ocasião para fazer ver que o que importa aos seus ouvintes não são os laços de sangue, mas que ouçam e cumpram a Palavra de Deus. Pode ver-se aqui um elogio que Jesus faz ao «faça-se» de Maria (cf. Lc 1, 38). O Papa Bento XVI em Fátima, a propósito da resposta de Jesus àquela mulher do povo – «mais felizes são os que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática» (v. 28) –, interpela-nos seriamente: «Mas quem tem tempo para escutar a sua palavra e deixar-se fascinar pelo seu amor? Quem vela, na noite da dúvida e da incerteza, com o coração acordado em oração? Quem espera a aurora do dia novo, tendo acesa a chama da fé? A fé em Deus abre ao homem o horizonte de uma esperança certa que não desilude; indica um sólido fundamento sobre o qual apoiar, sem medo, a própria vida; pede o abandono, cheio de confiança, nas mãos do Amor que sustenta o mundo».

 

Sugestões para a homilia

 

• Maria, Arca da Nova Aliança

Levada em triunfo à Jerusalém celeste

Com a alegria da corte celeste

Maria, bênção do Povo de Deus

• Maria glorificada em corpo e alma

Jesus glorifica a Sua Mãe

Maria glorifica Jesus

Maria, promessa da nossa glorificação

 

1. Maria, Arca da Nova Aliança

 

a) Levada em triunfo à Jerusalém celeste. «Naqueles dias, David reuniu em Jerusalém todo o povo de Israel, a fim de trasladar a arca do Senhor para o lugar que lhe tinha preparado. [...] Os levitas transportaram então a arca de Deus, por meio de varas [...].»

Maria nasceu em Nazaré. Muito jovem, concebeu, pela virtude do Espírito Santo, o Filho de Deus, Redentor do mundo. Quis o Senhor que, sendo já Mãe de Deus, celebrasse o matrimónio virginal com S. José, para que em tudo, menos na geração, desempenhasse a missão de Pai de Jesus.

Deu-O à luz em Belém, teve de fugir com Ele para o Egipto, por causa da perseguição de Herodes que, por inveja, O queria matar.

Regressou a Nazaré e acompanhou, com o seu esposo, a infância, adolescência e vida professional de Jesus.

Deixou generosamente que Ele partisse para a vida pública, a cumprir a missão que o Pai Lhe confiara, talvez depois da morte de S. José.

Aparece depois nas Bodas de Caná onde obtém de Jesus um milagre, aproxima-se, anónima, da multidão que escuta a pregação do Filho.

Toma parte na Paixão de Jesus, acompanhando-O no caminho do Calvário e permanecendo com fortaleza ao pé da Cruz.

Aí recebe como herança todas as pessoas que vão pertencer à Igreja, sendo proclamada solenemente do alto da Cruz, pelo Filho agonizante, num testamento divino, Mãe de todos os filhos da Igreja.

Testemunha da Ascensão de seu Filho, a está presente no Cenáculo com a Igreja nascente, quando o Espírito Santo desce sobre ela.

Acompanha S. João Evangelista na sua missão apostólica, provavelmente para Éfeso, e terá estado com ele desterrado na ilha de Patmos.

Terminada a sua vida na terra pelo sono dos bem aventurados, Maria foi elevada ao Céu em corpo e alma glorificados, à semelhança de Jesus Ressuscitado, com os dotes do Corpo glorioso: a Claridade — que o torna resplandecente da luz da ressurreição —, a impassibilidade — que o impede de ter qualquer dor ou limitação —, a agilidade — que o faz mover-se com a maior das facilidades, sem encontrar qualquer obstáculo —, a subtilidade — que lhe permite atravessar qualquer corpo ou obstáculo, como atravessou Jesus a rocha compacta onde estava cavado o túmulo de José de Arimateia.

A Liturgia da Igreja vê na narração do Livro das Crónicas que nos descreve a trasladação da Arca da Aliança para a tenda que David lhe mandou construir na Cidade Santa.

 

b) Com a alegria da corte celeste. «David ordenou aos chefes dos levitas que dispusessem os seus irmãos cantores, para que, acompanhados por instrumentos de música– cítaras, harpas e címbalos –,  entoassem as suas alegres melodias

Podemos imaginar, embora fiquemos muito aquém, a alegria de toda a corte celeste, quando Maria, revestida de glória, foi ali acolhida pela Santíssima Trindade e por todos os coros de Anjos e Santos.

Festa da comunhão. Ao celebrar esta solenidade, nós estamos em comunhão com a corte celeste e a viver antecipadamente a alegria que nos espera no Céu. Nós formamos um só Corpo com Jesus e todos os Anjos e Santos do Céu. A sua alegria e festa são também a nossa alegria e a nossa festa. A Assunção de Maria é um acontecimento da nossa família sobrenatural.

Festa da esperança. Salvas as devidas distâncias, também um dia seremos recebidos no Céu, pela misericórdia de Deus. A glorificação do nosso corpo terá lugar no fim do mundo, quando Jesus, sobre as nuvens do Céu vier julgar os vivos e os mortos.

Então seremos revestidos da glória imortal, à imagem e semelhança da Mãe de Deus e nossa Mãe.

Festa do Amor filial. Ao celebrar a Assunção de Maria, temos oportunidade de lhe manifestar o nosso amor e gratidão, por tudo quanto lhe devemos.

Diante de Maria, somos como as crianças de berço. Estão sempre a receber mimos e carinhos da sua mãe, mas não se apercebem de nada. Quantos mimos devemos a Nossa Senhora nesta vida e que só vamos conhecer quando chegarmos ao Céu!

Festa da verdadeira alegria. As festas em honra da mãe enchem de alegria toda a família, especialmente os seus filhos, porque experimentaram, mais do que ninguém, a sua bondade e dedicação sem limites, e alegram-se que essa bondade seja reconhecida por todos.

 

c) Maria, bênção do Povo de Deus. «Quando David acabou de oferecer os holocaustos e os sacrifícios de comunhão, abençoou o povo em nome do Senhor

David, ungido por Samuel, para suceder a Saul no trono de Israel abençoou o Povo de Deus, em nome do Senhor.

Tratava-se, não de uma bênção consecratória — pela qual o que se abençoa se torna coisa sagrada, separado do uso profano — mas de uma bênção invocativa, isto é, pela qual se invocavam, as graças do Senhor.

Maria atrai sobre cada um de nós as bênçãos do Céu. Ela é a Medianeira de todas as graças. É verdade que Ela não é uma Medianeira necessária, indispensável. Mediador necessário há um só: Jesus Cristo, mediador único entre nós e Pai.

Mas Deus quis constituir Maria Santíssima como Medianeira entre os homens e Jesus Cristo. Há duas espécies de mediação em Maria, referidas pelo Cardeal Suenens, na Teologia do Apostolado da Legião de Maria:

Mediação ascendente. Nenhuma prece ou oferta sobe ao trono do Pai, por Jesus, sem passar pelo Coração Imaculado de Maria. Ela reforça, com a sua graça, a nossa petição.
S. Luís Maria de Monforte, no Tratado da Verdadeira Devoção, ilustra-nos com uma comparação que nos ajuda a conhecer o papel de Maria nas nossas petições e ofertas.

Se um agricultor quiser oferecer directamente um presente de maçãs ao rei, ele ficará agradecido. Mas se este homem as entregar nas mãos da Rainha para que as apresente ao soberano, ela saberá limpá-las e melhorar-lhe o aspecto, colocá-las numa bandeja rica do palácio real, com um pano bordado pelas suas mãos. Quando este presente chega à presença do rei, vai enriquecido pelo melhor aspecto, pela bandeja e bordado e, sobretudo, pela simpatia da Rainha.

De modo semelhante, temos sempre vantagem ao ofertar as nossas orações e boas obras por mediação de Maria.

Mediação descendente. Nenhuma graça vem do Céu até nós, sem passar pelo Coração Imaculado de Maria.

Por isso invocamos Nossa Senhora no mistério da sua Assunção como Medianeira de todas as Graças.

 

2. Maria glorificada em corpo e alma

 

a) Jesus glorifica a Sua Mãe. «Naquele tempo, enquanto Jesus falava à multidão, uma mulher levantou a voz no meio da multidão e disse: “Feliz Aquela que Te trouxe no seu ventre e Te amamentou ao seu peito”.»

Uma leitura superficial desta passagem do Evangelho de S. Lucas poderia levar-nos à convicção de que Jesus não gostou do que esta mulher do povo disse, entusiasmada.

Mas a realidade é muito diferente. Queremos imaginar Jesus, guardando um momento de silêncio, para dominar a emoção que lhe causou este elogio traçado à Sua Mãe. Terá havido algum filho que amasse a sua mãe como Jesus?

O Seu olhar meigo pousou, agradecido, sobre aquela mulher anónima que tecera um belo louvor a Maria, deslumbrada pela maravilha que constituía ouvir Jesus a anunciar a Boa Nova. As Suas palavras iam certeiras ao coração e enchiam-no de luz e doçura.

Pela memória do Mestre terá passado nesse momento a vida toda da Virgem de Nazaré: o seu fiat generoso, o acolhimento em seu seio virginal durante nove meses, numa intimidade jamais havida entre uma criatura e o seu Criador; o carinho com que foi acolhido nos seus braços maternos e olhar vigilante sobre os Seus primeiros passos.

A frase dita pela mulher exprime uma redundância da linguagem oriental que se resume nisto: ‘Bendita seja a Tua Mãe!’

Também nós devemos glorificar Maria, à imitação de Jesus. Fazemo-lo quando

Reconhecemos a sua Maternidade divina e universal. Maria é Mãe de Jesus e, porque Mãe da Cabeça deste Corpo Místico, é Mãe de todos nós.

A sua maternidade universal começou no momento em que concebeu Jesus porque, de algum modo, nesse mesmo momento todos nós fomos n’Ela concebidos para fazermos parte do Corpo Místico — da Igreja de que Jesus Cristo é a Cabeça.

A sua Maternidade universal foi proclamada solenemente do alto da Cruz, momentos antes de Jesus entregar a alma ao Pai, nas palavras singelas: «Mulher, eis o teu filho!»  «João, eis a tua Mãe!» Talvez Jesus nos quisesse ajudar compreender que esta Maternidade admirável é fruto da Cruz.

Tratemo-l’A como nossa Mãe. Foi para vivermos em profundidade esta filiação de Maria que Jesus no-l’A deu.

A relação entre a mãe e o filho é permanente — ultrapassa os nove meses de concepção e os da infância — de modo que se vai conservar toda a vida. Quando um filho, por desgraça, se afasta voluntariamente do carinho da mãe, entrou já em grave crise.

Para tratar Maria como Mãe, havemos de conversar com Ele, pedir-lhe conselho, ajuda, confidenciar-lhe as alegrias e tristezas...

Há um dialogo que Ele tem recomendado sempre: a reza do Terço. Quando o fazemos, estamos a falar com Ela. Talvez por isso mesmo, Ela aprecia-o tanto. Qual é a mãe que não gosta que o filho lhe fale.

No silêncio, também Maria nos diz muitas coisas belas, quando procuramos rezá-lo bem.

 

b) Maria glorifica Jesus. «Mas Jesus respondeu: “Mais felizes são os que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática”

Jesus parece dizer àquela mulher que elogia a Sua Mãe que não A podem imitar na maternidade divina, porque isso aconteceu de uma vez para sempre.

Mas há um aspecto em que A podemos e devemos imitar: no seu acolhimento à Palavra de Deus.

Ouvir a Palavra de Deus. Antes do mais, é preciso fazer silêncio para ouvir o que o Senhor nos quer dizer.

Precisamos de silêncio interior. O silêncio exterior ajuda-nos mas não é indispensável. No meio de grande ruído somos capazes de ouvir o que o Senhor nos diz e dialogar com Ele.

Mais importante é o silêncio interior. É preciso fazer calar a voz das paixões — da vaidade, da soberba, da sensualidade, da ambição, da irritação contra os irmãos — para ouvir o que Senhor que fala dentro de nós.

É preciso querer ouvir. Por vezes, temos medo de ouvir as exigências de Deus porque, num primeiro momento, vão causar-nos incomodidades, como qualquer tratamento à saúde do corpo que temos de fazer.

Faz-nos bem começar por um acto de humildade, lembrando-nos da nossa pequenez e, ao mesmo tempo, da nossa grandeza de filhos de Deus.

É precisamente isto o que encontramos em Nossa Senhora, logo no momento da Anunciação: “Eis a escrava do Senhor...”

Fazer um esforço para compreender. Este esforço, mais do que em pensar, concretiza-se em pedir ajuda ao Senhor, à imitação dos doentes que acorriam à procura da ajuda do Divino Mestre: “Senhor, que eu veja!” “Senhor, que eu ande!”

Contar com a acção do Espírito Santo. Quantas vezes o Senhor nos surpreende com uma iluminação repentina de uma palavra, de uma frase, que ganha um sentido concreto e prático para nós naquela circunstância em que nos encontramos!

Pôr em prática os ensinamentos do Senhor. Ouvir e praticar são os dois passos do cristão. A fé não consiste apenas nuns conhecimentos que se adquirem, como quem frequenta qualquer Faculdade universitária. Há, de facto, uns conhecimentos que adquirimos. Mas... até que ponto estes conhecimentos mudam profundamente a nossa conduta?

Deus respeita infinitamente a nossa liberdade. A cada sim, correspondem novas luzes acompanhadas da consolação da fidelidade.

Quando dizemos não, o Céu encerra-se. Assim se compreende que haja pessoas com boa formação doutrinal que tiveram uma vida espiritual intensa e que acabam por abandonar tudo.

É indispensável, como diz Jesus, ouvir e pôr em prática.

 

c) Maria, promessa da nossa glorificação. «Irmãos: Quando este nosso corpo mortal se tornar imortal, então se realizará a palavra da Escritura: “A morte foi absorvida na vitória. [...]” Mas dêmos graças a Deus, que nos dá esta vitória por Nosso Senhor Jesus Cristo

Em Maria Santíssima realizou Deus perfeitamente o Seu projecto de Amor que tem sobre cada um de nós. Ela mostra-nos graficamente o que havemos de ser, depois da glorificação final.

É verdade que Ela não conheceu a corrupção do túmulo, à imitação do que aconteceu com Jesus. O quarto dia era aquele em que, de acordo com a concepção judaica, o corpo começava a corromper-se. Por isso, quando Jesus chegou ao túmulo de Lázaro, quatro dias depois da sepultura, Marta preveniu: «Já cheira mal

Jesus ressuscitou ao terceiro dia. Esteve no túmulo desde a sepultura de sexta feira até ao pôr do sol — momento em que começava o Sábado — todo o Sábado santo e parte do Domingo da Ressurreição.

Não sabemos quanto tempo mediou entre deixar Maria ávida mortal e a sua ressurreição gloriosa. Uma piedosa tradição fala de que durante os três dias a seguir à morte, se ouvia junto do túmulo uma música celestial.

Connosco vai ser diferente. O nosso corpo baixará à sepultura, depois da morte, a ali vai regressar ao pó de que foi formado.

No fim do mundo, quando Jesus vier sobre as nuvens do Céu para julgar os vivos e os mortos, seremos restituídos à vida. Se tivermos morrido na graça de Deus, seremos revestidos da glória e dos dotes do corpo glorioso: claridade, impassibilidade, agilidade e subtilidade.

Se quisermos ver como havemos de ser depois de glorificados, olhemos para Maria, embora descontando a grande distância na santidade que nos separa d’Ela.

A Eucaristia que estamos a celebrar é penhor — garantia! — da nossa ressurreição final.

Diz assim a promessa de Jesus: «Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e Eu o ressuscitarei no último dia

 

 

Oração Universal

 

Irmãs e irmãos, filhos de Maria Santíssima:

Nesta vigília do dia em que toda a Igreja se alegra

com o triunfo da Virgem Santa Maria,

oremos a Deus, por intercessão da cheia de graça.

Oremos (cantando), com alegria:

 

    Interceda por nós a Virgem cheia de graça.

 

1. Pela santa Igreja de Jesus Cristo presente em todo o universo,

    para que Deus as encha de dons e a todos conduza à glória,

    oremos, por intercessão da Virgem Maria.

 

    Interceda por nós a Virgem cheia de graça.

 

2. Pelos responsáveis da vida pública e pelos seus súbditos,

    para que orientem o seu governo pela vontade de Deus,

    oremos, por intercessão da Virgem Maria.

 

    Interceda por nós a Virgem cheia de graça.

 

3. Pelos jovens das nossas famílias que crescem para a vida,

    para que orientem os seus passos imitando Nossa Senhora,

    oremos, por intercessão da Virgem Maria.

 

    Interceda por nós a Virgem cheia de graça.

 

4. Por todas as famílias desta nossa comunidade (paroquial),

    para que sejam Igrejas domésticas e viveiros de vocações,

    oremos, por intercessão da Virgem Maria.

 

    Interceda por nós a Virgem cheia de graça.

 

5. Pelas virgens consagradas a Cristo, pelas mães e seus filhos,

    para que Deus a todas guarde em seu amor e encha de alegria,

    oremos, por intercessão da Virgem Maria.

 

    Interceda por nós a Virgem cheia de graça.

 

6. Pelos defuntos da nossa comunidade que morreram em graça,

    para que contemplem hoje o rosto glorioso Maria no Paraíso,

    oremos, por intercessão da Virgem Maria.

 

    Interceda por nós a Virgem cheia de graça.

 

Ouvi, Deus de bondade, as nossas súplicas

e fazei-nos entrar também na glória eterna,

onde já se encontra a Mãe do vosso Filho,

elevada ao Céu em corpo e alma.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

Foi o sim generoso de Maria, pronunciado na Anunciação e vivido durante toda a vida que A conduziu ao triunfo da Assunção.

Foi também este sim que nos possibilitou o Corpo e Sangue do Senhor oferecido na Eucaristia e que agora o sacerdote vai consagrar.

 

Cântico do ofertório: Avé Maria, Senhora, F. da Silva, NRMS 81

 

Oração sobre as oblatas: Recebei, Senhor, este sacrifício de reconciliação e de louvor que celebramos na Assunção da Santa Mãe de Deus, para que alcancemos o perdão dos pecados e vivamos em contínua acção de graças. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio próprio, como na Missa seguinte.

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Saudação da Paz

 

Maria é a Senhora da paz, porque sempre viveu numa conformidade perfeita com a vontade do Senhor.

É este o caminho único da verdadeira paz. Façamos o propósito de o seguir com fidelidade.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

Hoje, Vigília da Assunção de Maria em glória ao Céu, procuremos receber Jesus Cristo na Eucaristia — se nos encontramos devidamente preparados — com a pureza, humildade e devoção com que Ela O recebia quando estava na terra.

 

Cântico da Comunhão: Como é admirável Senhor, F. dos Santos, NCT 257

cf. Lc 11, 27

Antífona da comunhão: Bendita seja a Virgem Maria, que trouxe em seu ventre o Filho de Deus Pai.

 

Cântico de acção de graças: O meu espírito exulta, C. Silva, NRMS 38

 

Oração depois da comunhão: Senhor nosso Deus, que nos fizestes participar na mesa celeste, ouvi benignamente as nossas súplicas e livrai de todo o mal aqueles que celebram a Assunção da Mãe de Deus. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Celebremos com toda a alegria a Assunção jubilosa da nossa Mãe à glória do Paraíso.

E não nos esqueçamos de seguir o caminho que Ela percorreu, para chegarmos um dia junto d’Ela.

 

Cântico final: Avé Maria, farol do mar, Az. Oliveira, NRMS 73-74

 

 

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Fernando Silva

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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