DA SANTA SÉ

 

 

SÍNODO DOS BISPOS E JORNADA MUNDIAL

SOBRE A JUVENTUDE

 

No passado dia 8 de Abril, o Papa Francisco frisou que o próximo Sínodo dos Bispos, a realizar-se em Outubro de 2018, centrado nos desafios das novas gerações, será “para todos os jovens”, independentemente da sua condição de fé ou relação com a Igreja Católica.

 

“O Sínodo é para todos os jovens, nenhum deve sentir-se excluído. Vocês são os protagonistas. Mas também os jovens que se sentem agnósticos? Sim! Também os que têm uma fé menos consolidada? Sim; e também os que estão mais afastados da Igreja, os que se sentem ateus”, disse Francisco durante uma vigília de oração, na Basílica de Santa Maria Maior.

A iniciativa, integrada no Dia Mundial da Juventude, serviu de preparação para os dois próximos grandes eventos que vão congregar os mais novos: o Sínodo dos Bispos e a Jornada Mundial da Juventude em 2019, no Panamá.

Na vigília esteve presente o arcebispo do Panamá e a cruz das Jornadas, vinda de Cracóvia, que foi entregue aos jovens panamianos no Domingo de Ramos.

Durante a sua intervenção, o Papa argentino destacou a necessidade de “escutar” os que os jovens têm hoje a dizer, “à Igreja toda” mas também à sociedade em geral: “o que pensam, o que sentem, o que querem, o que criticam, o que lamentam, de que coisas se arrependem”.  

“A Igreja precisa desta primavera, que é a estação dos jovens. E todos nós temos de escutá-los, eles têm algo a dizer aos adultos, aos padres, aos bispos e ao Papa”, salientou Francisco, dirigindo-se aos muitos jovens da região de Roma que participaram na vigília, e inclusivamente deixaram vários testemunhos.

“O mundo de hoje precisa de jovens activos, dinâmicos, que sintam que a vida é uma vocação, uma experiência em caminho. O mundo só poderá mudar com jovens assim”, disse o Papa, que lamentou o drama que muitos jovens enfrentam, “descartados, sem trabalho, sem ideais que possam cumprir”.

“Falta educação, falta integração, tantos precisam de sair, migrar para outras terras. É duro dizer, mas os jovens de hoje são frequentemente material descartável. Nós não podemos tolerar isto, por isso é que vamos fazer este Sínodo”, explicitou.

No final da sua intervenção, o Papa argentino destacou a importância dos mais novos falarem e de não perderem o contacto, a ligação com as gerações mais velhas.

“Eu estou no fim da vida. Mas os jovens têm uma missão, de falar com os avós. Hoje mais do que nunca temos necessidade desta ponte, deste diálogo, entre os idosos e os jovens, ajudá-los a sonhar, transformar o sonho dos nossos avós em profecia. É a tarefa que a Igreja vos dá. Não sei se estarei no Panamá em 2018, mas o Papa que lá estiver vai-vos perguntar isso”, avisou.

O tema do Sínodo dos Bispos em Outubro de 2018 vai ser “A Juventude, a Fé e o Discernimento Vocacional”.

 

 

LAVANDARIA DO PAPA

PARA POBRES E SEM ABRIGO

 

No passado dia 11 de Abril, o Papa Francisco promoveu a abertura de uma lavandaria gratuita para as pessoas pobres ou sem-abrigo em Roma.

 

O arcebispo Konrad Krajewski, responsável pela Esmolaria Pontifícia, explicou que a partir de agora as pessoas mais necessitadas da capital italiana passam a ter um local onde “podem lavar, secar e passar a ferro as suas roupas e mantas”.

A “Lavandaria do Papa” fica situada dentro do Centro “Gente de Paz”, da Comunidade de Santo Egídio, no antigo complexo hospitalar de São Gallicano, na estrada com o mesmo nome, n.º 25.

À disposição passam a estar “seis máquinas de lavar roupa, seis máquinas de secar e diversos ferros de passar, doados por empresas do sector, que também fornecem os detergentes e amaciadores necessários.

Este projecto pretende ajudar a “restaurar a dignidade de muitas pessoas, irmãos e irmãs”, que vivem em condições precárias e mesmo sem tecto ou morada fixa.

Desta forma, o Vaticano e o Papa dão seguimento a um conjunto de iniciativas que começaram a ganhar forma durante o Ano da Misericórdia, entre 2014 e 2015.

O Papa já tinha inaugurado nos últimos anos um balneário e uma barbearia, perto da Basílica de São Pedro, no Vaticano; e também um dormitório para os mais necessitados.

 

 

ANUNCIAR COM ALEGRIA

A VERDADE E A MISERICÓRDIA

 

No passado dia 13 de Abril, o Papa Francisco disse que o Evangelho é portador de "verdade", "misericórdia" e "alegria", e que ninguém deve separar estas "três graças" das escrituras.

 

O Papa Francisco falava de uma verdade "não negociável", de uma misericórdia "incondicional com todos os pecadores" e de uma "alegria íntima e inclusiva" durante a Missa Crismal, a que presidiu na Basílica do Vaticano, acompanhado pelos cardeais, bispos e padres diocesanos e religiosos presentes em Roma.

"Nunca a verdade da Boa-Nova poderá ser apenas uma verdade abstracta, uma daquelas que não se encarnam plenamente na vida das pessoas, porque se sentem mais confortáveis na palavra escrita dos livros", aludiu Francisco.

Referindo-se à misericórdia que provém do Evangelho, o Papa afirmou que esta nunca poderá corresponder a "uma falsa compaixão, que deixa o pecador na sua miséria, não lhe dando a mão para se levantar nem o acompanhando para dar um passo mais no seu compromisso".

Na Missa Crismal, em que os sacerdotes renovam as promessas feitas na sua ordenação e são benzidos os óleos dos doentes e dos catecúmenos para o Crisma, o Papa afirmou que os padres devem anunciar a Boa Nova "com toda a sua pessoa".

"Tal como Jesus, o sacerdote torna jubiloso o anúncio com toda a sua pessoa. Quando pronuncia a homilia – breve, se possível –, fá-lo com a alegria que toca o coração do seu povo, valendo-se da Palavra com que o Senhor o tocou na sua oração. Como qualquer discípulo missionário, o sacerdote torna jubiloso o anúncio com todo o seu ser".

 

 

PAPA EMÉRITO CELEBROU

O SEU 90º ANIVERSÁRIO

 

O Papa emérito Bento XVI, que completou 90 anos de idade no domingo de Páscoa, 16 de Abril, festejou o seu aniversário no dia seguinte no Mosteiro Mater Eclesiae, no Vaticano, onde reside, junto de uma delegação da Baviera, sua terra natal.

 

As fotos divulgadas pelo jornal L’Osservatore Romano retratam Bento XVI, sorridente, com uma caneca de cerveja, acompanhado pelo seu irmão, monsenhor Georg Ratzinger, três anos mais velho, e do seu secretário particular, Mons. Georg Ganswein.

O Papa emérito agradeceu pelo afecto recebido e agradeceu a Deus por ter-lhe oferecido uma “vida bela, intensa, com altos e baixos”, relata a Rádio Vaticano.

O Papa Francisco tinha cumprimentado pessoalmente Bento XVI na quarta-feira santa, antes do início do Tríduo Pascal.

Para assinalar o 90.º aniversário do Papa emérito foi lançado o livro “Bento XVI, imagens de uma vida”, da autoria da jornalista Maria Giuseppina Bonanno e de Luca Caruso, responsável do departamento de imprensa da Fundação Joseph Ratzinger.

No prefácio do livro, o padre Federico Lombardi, presidente da Fundação Ratzinger e antigo porta-voz do Vaticano, escreve que “os olhos de Bento XVI são os de um homem que procura a verdade e que a intui”.

O livro traz também um breve texto de monsenhor Georg Ratzinger, que sublinha como muitas pessoas encontram nas palavras de Bento XVI “força e orientação”.

 

 

MILAGRE ATRIBUIDO À INTERCESSSÂO

DOS BEATOS PASTORINHOS DE FÁTIMA

 

O caso considerado como milagre que abriu caminho à canonização dos beatos Francisco e Jacinta Marto, que foram declarados santos a 13 de Maio, em Fátima, relaciona-se com a queda de uma criança, que ficou em coma.

 

O milagre reconhecido pelo Papa no dia 23 de Março diz respeito a uma criança brasileira, que na época tinha seis anos. 

Um artigo da vaticanista Stefania Falasca, publicado em 20 de Abril passado no jornal católico italiano Avvenire, relata que em Março de 2013 o miúdo estava em casa do avô, brincando com uma irmã, quando caiu por acidente de uma janela, de cerca de sete metros de altura, “sofrendo um grave traumatismo crânio-encefálico, com perda de matéria cerebral”.

Levado ao hospital, em coma, e sujeito a uma intervenção cirúrgica, o quadro clínico era de particular gravidade, com elevado risco de morte ou de estado vegetativo permanente, ou, na melhor das hipóteses, com graves deficiências cognitivas. 

Porém, três dias depois, o miúdo recebeu alta, sem nenhuma terapia específica, caminhando autonomamente e sem nenhum dano neurológico ou cognitivo.

No momento do acidente, o pai do menino invocara Nossa Senhora de Fátima e os dois beatos pastorinhos e, naquela mesma noite, os familiares e uma comunidade de religiosas de clausura tinham rezado com insistência aos pastorinhos de Fátima.

 Em 2 de Fevereiro de 2007, a «Consulta médica» do Vaticano deu parecer positivo unânime acerca da “inexplicabilidade da cura do ponto de vista científico”. Posteriormente, a «Consulta teológica» do Vaticano confirmou o carácter sobrenatural da cura e a Sessão de cardeais e bispos aprovou que se apresentasse ao Santo Padre para decisão final.

 

 

SELO DO VATICANO COMEMORATIVO

DO CENTENARIO DAS APARIÇÕES

 

O Departamento de Filatelia e Numismática do Vaticano emitiu um selo comemorativo pelos 100 anos das aparições de Nossa Senhora em Fátima, que entrou em circulação a 4 de Maio.

 

O selo do Vaticano dedicado ao centenário das aparições em Fátima apresenta, como narrado por Lúcia dos Santos, a Virgem que em 13 de maio de 1917 aparece no meio de nuvens vestida de branco e envolta por uma luz radiante.

O véu tem uma borda dourada, que cobre a cabeça e as costas de Nossa Senhora, e à sua frente estão os três pastorinhos, em devoto recolhimento numa paisagem bucólica.

O selo tem o valor de 2 euros e 55 cêntimos.

 

 

SECRETARIA PARA A COMUNICAÇÃO,

EM VIAS DE REFORMA

 

No passado dia 4 de Maio, o Papa Francisco recebeu os participantes na primeira Assembleia plenária da Secretaria para a Comunicação, a quem pediu que a reforma em curso nos media do Vaticano tenha atenção às situações de pobreza.

 

Francisco disse que o critério que guia esta reforma é “apostólico e missionário, com uma atenção especial às situações de pobreza e dificuldade, na consciência de que elas também devem ser enfrentadas com soluções adequadas”.

“Assim, é possível levar o Evangelho a todos, valorizar os recursos humanos, sem substituir a comunicação das Igrejas locais, e ao mesmo tempo, ajudar as comunidades eclesiais que mais precisam”, prosseguiu.

A Secretaria para a Comunicação, criada há dois anos, tem entre os seus membros D. Nuno Brás, bispo auxiliar de Lisboa e vogal da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais em Portugal.

Segundo o Papa, este novo organismo visa “renovar o sistema de comunicação da Santa Sé”, através dos meios que o novo contexto cultural digital coloca à disposição.

“O actual contexto comunicativo, caracterizado pela presença e pelo desenvolvimento dos meios de comunicação digitais, pelos factores de convergência e interactividade, exige uma revisão do sistema informativo da Santa Sé”, sublinhou.

O Papa realçou, por outro lado, que em países com menor desenvolvimento tecnológico, o serviço de onda curta da Rádio Vaticano não vai ser cortado, ao contrário do que chegou a ser adiantado.

A mudança vai envolver, nos próximos meses, a Livraria Editora Vaticana e também o jornal L’Osservatore Romano, que passarão a estar sob a supervisão da Secretaria para a Comunicação.

 

 

CARDEAL VIETNAMITA VAN THUÂN,

A CAMINHO DOS ALTARES

 

No passado dia 5 de Maio, o Papa Francisco autorizou a Congregação para as Causas dos Santo a promulgar, entre outros, o Decreto relativo às virtudes heróicas do Servo de Deus Cardeal François-Xavier Van Thuân (1928-2002), com o qual passa a ser Venerável.

 

François-Xavier Van Thuân nasceu no Vietname em 1928, tendo sido ordenado sacerdote em 1953 e nomeado bispo da Diocese de Nha Trang, no centro do país, em 1967.

Mais tarde seria nomeado arcebispo coadjutor de Saigão em 1975, o que lhe valeu a perseguição pelo governo comunista e a prisão até ao ano de 1988.

Chamado por João Paulo II, foi Presidente do Conselho Pontifício Justiça e Paz entre 1998 e 2002, tendo falecido em Roma no dia 16 de Setembro de 2002.

Durante a sua estada na prisão, “o cardeal Van Thuân tornou-se no mais perigoso dos prisioneiros, porque transformava e convertia os guardas”, assinalava em Setembro passado o presidente da Comissão Nacional Justiça e Paz, Pedro Vaz Patto, numa sessão organizada pela Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS).

Na apresentação do livro «François-Xavier Nguyên Van Thuân – Homem de esperança, caridade e alegria», editado pela Fundação AIS e escrito por Luísa Melo e Waldery Ilgeman, Pedro Vaz Patto comparou o “calvário do Cardeal” ao sofrimento e às perseguições dos cristãos nos dias de hoje.

 

 

PAPA RESPONDE AOS JORNALISTAS

NO REGRESSO DE FÁTIMA

 

No regresso de Fátima para Roma, a bordo do avião da TAP, o Papa Francisco esteve à disposição dos jornalistas que o acompanhavam para “responder ao maior número possível de perguntas”, disse.

 

Fátima Campos Ferreira, da Radiotelevisão Portuguesa, foi a primeira: “Santo Padre, veio a Fátima como peregrino para canonizar Francisco e Jacinta, no ano em que se completa o centenário das aparições. Deste ponto de vista histórico, que resta agora para a Igreja e para o mundo inteiro?”

Papa Francisco: Fátima tem, sem dúvida, uma mensagem de paz; e levada à humanidade por três grandes comunicadores que tinham menos de treze anos. Isto é interessante. Que eu vim como peregrino, é verdade; quanto à canonização, não estava prevista inicialmente, porque o processo do milagre estava em andamento, mas registou uma inesperada aceleração quando se viu que todas as perícias resultaram positivas... assim juntaram-se as duas coisas. E isso deixou-me muito feliz. Que pode esperar o mundo? – Paz. E de que vou falar, daqui para diante, com quem quer que seja? – Da paz.

 

 

«O BISPO VESTIDO DE BRANCO»

 

A segunda pergunta referiu-se à expressão «o Bispo vestido de branco», usada pelo Papa Francisco na oração na Capelinha das Aparições, na tarde do dia 12 de Maio. Foi feita por Aura Miguel da Rádio Renascença:

 

“Santidade, em Fátima, apresentou-se como «o Bispo vestido de branco». Até agora, esta expressão aplicava-se sobretudo à visão da terceira parte do segredo, a São João Paulo II e aos mártires do século XX. Que significa agora a sua identificação com esta expressão?”

Papa Francisco: É verdade, aparece na oração [na Capelinha das Aparições, na tarde do dia 12 de Maio]; esta, não a fiz eu, fê-la o Santuário. E também eu me interroguei: porque disseram isto? E há uma ligação na cor branca: o Bispo vestido de branco, a Senhora vestida de branco, a alvura da inocência das crianças depois do Batismo; naquela oração, há uma ligação na cor branca. Creio – visto que não fui eu que a fiz – creio que, literariamente, procuraram expressar com o branco aquele desejo de inocência, de paz: inocência, não fazer mal ao outro, não fazer guerra...

Aura Miguel: Há uma revisão da interpretação da mensagem?

Papa Francisco: Não. Quanto àquela visão, creio que o então Cardeal Ratzinger, quando era Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, explicara tudo claramente. Obrigado!

 

 

13 DE MAIO DE 1992,

DATA IMPORTANTE PARA O PAPA

 

A argentina Elizabeta Piqué, do jornal “La Nación”, recordou ao Papa Francisco que o dia 13 de Maio era uma data importante para ele.

 

“Hoje é o centenário das aparições da Virgem de Fátima, mas é também um aniversário importante dum facto da sua vida, sucedido há vinte e cinco anos, quando o Núncio Calabresi lhe disse que iria ser Bispo Auxiliar de Buenos Aires: um facto que representou o fim do seu exílio em Córdoba e uma grande mudança na sua vida. A pergunta é esta: Já alguma vez associou com a Virgem de Fátima este facto que mudou a sua vida? E, nestes dias em que rezou diante d’Ela, pensou nisso e pode-no-lo contar?”

 Papa Francisco: As mulheres sabem tudo! Não pensei na coincidência; só ontem, enquanto rezava diante de Nossa Senhora, me apercebi de que foi num treze de Maio que recebi o telefonema do Núncio, há vinte e cinco anos. É verdade. Não sei como me veio; e disse para comigo: «Olha a coincidência!» E, com Nossa Senhora, falei um pouco disso, pedi-Lhe perdão para todos os meus erros, incluindo um pouco de má apreciação na escolha das pessoas... Mas, ontem, apercebi-me da coincidência.

 

 

RELAÇÕES DA FRATERNIDADE SÃO PIO X

COM A IGREJA

 

Nicholas Senèze, de «La Croix» (França), perguntou ao Papa como se encontrava a situação actual da Fraternidade São Pio X em relação à Igreja:

 

“Fala-se muito de um acordo que daria um estatuto oficial à Fraternidade na Igreja. Alguns imaginaram mesmo que este anúncio pudesse ter sido dado hoje. Santidade, pensa que seja possível a curto prazo este acordo? E quais são ainda os obstáculos? Para o Santo Padre, qual é o sentido desta reconciliação?”

Papa Francisco: As relações atuais são fraternas. No ano passado, dei licença de confessar a todos eles, e também uma forma de jurisdição para os matrimónios. Mas, já antes, os próprios problemas – por exemplo, casos que tinham e que deviam ser resolvidos pela Congregação para a Doutrina da Fé – era a própria Congregação que os resolvia. Por exemplo, os casos de abuso traziam-nos a nós; o mesmo se passa com a Penitenciaria Apostólica; também na redução ao estado laical de um sacerdote, trazem o caso a nós... Existem relações fraternas. Com Mons. Fellay, tenho um bom relacionamento, falei várias vezes... Não gosto de apressar as coisas. Caminhar, caminhar, caminhar... depois se verá. Para mim, não é uma questão de vencedores ou de vencidos, não. É um problema de irmãos que devem caminhar juntos, procurando a fórmula para dar passos em frente.

 

 

VALOR DAS ALEGADAS APARIÇÕES

EM MEDJUGORGE

 

Mimmo Muolo, de «Avvenire» (Itália), quis saber se já havia solução para as alegadas aparições da Virgem em Medjugorge:

 

“Que pensa destas aparições – se foram aparições – e do fervor religioso que suscitaram, dado que decidiu nomear um Bispo delegado para os aspetos pastorais?”

Papa Francisco: Todas as aparições ou alegadas aparições pertencem à esfera privada, não fazem parte do Magistério público ordinário da Igreja. Quanto a Medjugorje: fez-se uma comissão presidida pelo Cardeal Ruini. Fê-la Bento XVI. Eu, no final de 2013 ou princípios de 2014, recebi do Cardeal Ruini o resultado. Uma comissão de bons teólogos, bispos, cardeais. Bons, bons, bons... O relatório Ruini é muito, muito bom. Mas havia algumas dúvidas na Congregação para a Doutrina da Fé (…)

A verdade é que se devem distinguir principalmente três coisas. Sobre as primeiras aparições, quando [os «videntes»] eram adolescentes, o relatório diz mais ou menos que se deve continuar a investigar. Sobre as alegadas aparições atuais, o relatório tem as suas dúvidas. Eu, pessoalmente, sou mais «ruim»: prefiro Nossa Senhora mãe, nossa mãe, e não uma Nossa Senhora chefe dum departamento telegráfico que todos os dias, a determinada hora, envia uma mensagem; esta não é a Mãe de Jesus. E estas alegadas aparições não possuem tanto valor. Isto, digo-o como opinião pessoal. (…)

[No relatório Ruini] distinguem-se as duas espécies de aparições. E, depois, o cerne verdadeiro e próprio do relatório Ruini: o facto espiritual, o facto pastoral, pessoas que vão lá e se convertem, pessoas que encontram Deus, que mudam de vida... Para isso, não há uma varinha mágica, e este facto espiritual-pastoral não se pode negar. Agora, para ver a realidade com todos estes dados, com as respostas que me enviaram os teólogos, nomeou-se este Bispo – bom, bom porque tem experiência – para ver como anda a parte pastoral. E, no fim, alguma palavra será dita.

 

 

FALTA DE CATEQUESE MATIZADA

AOS CATÓLICOS

 

Joana Haderer, da agência portuguesa «Lusa», levantou a questão de que, em Portugal, com uma grande maioria de católicos, se vão aprovando medidas fracturantes:

 

“Vou fazer uma pergunta sobre o caso de Portugal, mas creio que se aplica a muitas das nossas sociedades ocidentais. Em Portugal, quase todos os portugueses se identificam como católicos – quase todos, quase 90% –, mas a forma como se organiza a sociedade, as decisões que tomamos são muitas vezes contrárias às orientações da Igreja. Refiro-me ao casamento dos homossexuais, à despenalização do aborto. Agora vamos começar a discutir a eutanásia. Como vê isto?”

Papa Francisco: Creio que é um problema político, mas também que a consciência católica por vezes não é uma consciência totalmente aderente à Igreja; e que, por trás disso, falta uma catequese matizada, uma catequese humana... Um exemplo duma catequese séria e matizada é o Catecismo da Igreja Católica. Creio que é falta de formação e também de cultura. Pois é curioso, um fenómeno que se verifica… noutras regiões (penso na Itália, algures na América Latina): são muito católicos, mas são anticlericais.

 


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