17º Domingo Comum

30 de Julho de 2017

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Adorai o Senhor no seu Templo Santo, M. Carneiro, NRMS 98

Salmo 67, 6-7.36

Antífona de entrada: Deus vive na sua morada santa, Ele prepara uma casa para o pobre. É a força e o vigor do seu povo.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Como seres inteligentes que somos, queremos fazer em cada momento, o melhor aproveitamento do tempo que Deus, nosso Pai, nos vai concedendo viver. Para não nos enganarmos, precisamos de alguém que nos ajude nas nossas opções. Jesus, nosso grande e fiel Amigo, fala-nos hoje dum tesouro que todos devemos procurar descobrir, vencendo todos os obstáculos que surjam, para o conquistar. Peçamos ao Senhor a coragem necessária para sempre seguirmos os Seus tão sábios e amigos ensinamentos.

 

Ato Penitencial

 

Para ouvir o convite tão sábio e amoroso do Senhor é preciso purificar o coração. Examinemo-nos e peçamos perdão das nossas faltas de atenção.

Porque nem sempre teremos vivido com a devida seriedade o problema pessoal que a salvação exige e o Senhor nos recomenda, vamos humildemente pedir perdão de tão nefastos descuidos.

 

 (Tempo de silêncio. Eis uma sugestão, como alternativa.)

 

. Senhor Jesus, porque nem sempre temos estado atentos aos vossos tão sábios e amorosos ensinamentos, perdendo assim muito do tempo que na vossa misericórdia nos tendes concedido viver, tende de nós misericórdia.

 

Senhor, misericórdia!

 

. Cristo, que com tanta facilidade não escutamos os vossos conselhos para o bom aproveitamento do tempo que nos tendes concedido viver, tende de nós misericórdia.

 

Senhor, misericórdia!

 

. Senhor Jesus, que sois o verdadeiro tesouro da nossa vida, perdoai as nossas faltas de atenção e tende de nós misericórdia.

 

Senhor, misericórdia!

 

Oração colecta: Deus, protector dos que em Vós esperam: sem Vós nada tem valor, nada é santo. Multiplicai sobre nós a vossa misericórdia, para que, conduzidos por Vós, usemos de tal modo os bens temporais que possamos aderir desde já aos bens eternos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O rei Salomão pede a Deus o dom da Sabedoria para desempenhar bem a sua missão, sabendo sempre distinguir o bem do mal. É uma bela e importante lição, para todos nós.

 

1 Reis 3, 5.7-12

Naqueles dias, 5O Senhor apareceu em sonhos a Salomão durante a noite e disse-lhe: «Pede o que quiseres». 7Salomão respondeu: «Senhor, meu Deus, Vós fizestes reinar o vosso servo em lugar do meu pai David e eu sou muito novo e não sei como proceder. 8Este vosso servo está no meio do povo escolhido, um povo imenso, inumerável, que não se pode contar nem calcular. 9Dai, portanto, ao vosso servo um coração inteligente, para saber distinguir o bem do mal; pois, quem poderia governar este vosso povo tão numeroso?» 10Agradou ao Senhor esta súplica de Salomão e disse-lhe: 11«Porque foi este o teu pedido, e já que não pediste longa vida, nem riqueza, nem a morte dos teus inimigos, mas sabedoria para praticar a justiça, 12vou satisfazer o teu desejo. Dou-te um coração sábio e esclarecido, como nunca houve antes de ti nem haverá depois de ti».

 

A leitura é tirada do 1° Livro dos Reis, cuja figura central dos primeiros capítulos é Salomão, o rei sábio (3, 1 – 5, 15), construtor (5, 15 – 9, 25) e comerciante (9, 26 – 10, 29). A glória de Salomão, em especial a sua sabedoria, é-nos apresentada aqui como recompensa divina para a sua piedade e desprendimento: «agradou ao Senhor que Salomão tivesse feito este pedido» (v. 10).

5 «Gábaon». Localidade a cerca de onze quilómetros a Noroeste de Jerusalém (hoje. el-Gib) onde se encontrava o mais importante «lugar alto» (santuário situado no cimo dum monte). Ver 2 Cron 1, 3.

7 «Sou muito novo e não sei como proceder», à letra, sou um menino pequeno que não sabe sair nem entrar, isto é, tratar de negócios, governar. Sair e entrar é um hebraísmo muito corrente, uma forma figurada de falar, tirada da vida pastoril, em que o pastor mostra a sua capacidade saindo e entrando bem como todo o rebanho.

 

Salmo Responsorial    Sl 118, 57.72.76-77.127-128.129-130 (R . 97a )

 

Monição: O Salmo que vamos meditar recorda-nos como devemos amar a Lei de Deus. O seu cumprimento é mais precioso que o ouro e a prata.

 

Refrão:        Quanto amo, Senhor, a vossa lei!

 

Senhor, eu disse: A minha herança

é cumprir as vossas palavras.

Para mim vale mais a lei da vossa boca

do que milhões em ouro e prata.

 

Console-me a vossa bondade,

segundo a promessa feita ao vosso servo.

Desçam sobre mim as vossas misericórdias e viverei,

porque a vossa lei faz as minhas delícias.

 

Por isso, eu amo os vossos mandamentos,

mais que o ouro, o ouro mais fino.

Por isso, eu sigo todos os vossos preceitos

e detesto todo o caminho da mentira.

 

São admiráveis as vossas ordens,

por isso, a minha alma as observa.

A manifestação das vossas palavras ilumina

e dá inteligência aos simples.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Nesta segunda Leitura, S. Paulo fala-nos da confiança absoluta que devemos pôr em Deus: tudo o que nos possa acontecer, sempre será para nosso bem, para sermos santos, configurados à imagem de Seu Filho.

 

Romanos 8, 28-30

Irmãos: 28Nós sabemos que Deus concorre em tudo para o bem daqueles que O amam, dos que são chamados, segundo o seu desígnio. 29Porque os que Ele de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que Ele seja o Primogénito de muitos irmãos. 29E àqueles que predestinou, também os chamou; àqueles que chamou, também os justificou; e àqueles que justificou, também os glorificou.

 

Estas breves e incisivas palavras são das mais belas sínteses paulinas e estão na linha dos ensinamentos centrais de Romanos: a confiança mais absoluta em Deus, que há-de levar a cabo a obra já começada de salvar os seus fiéis. É certo que S. Paulo admite noutras passagens a possibilidade de que estes não se venham a salvar; mas, se isso vier a suceder, não pode ser por uma falha de Deus, mas apenas por uma atitude plenamente deliberada do homem resgatado. A nossa esperança é firmíssima (cf. Rom 5, 5.10), porque temos dentro de nós o próprio Espírito Santo, que vem em ajuda da nossa fraqueza, intercedendo por nós com gemidos inefáveis (cf. Rom 8, 26), e Deus Pai ouve esta intercessão, porque está plenamente conforme com Ele mesmo (v. 27). Além disso, por uma Providência amorosíssima, «Deus concorre, em tudo para o bem daqueles que O amam» (v. 28), o que também corresponde ao aforismo popular: «Deus escreve direito por linhas tortas».

29-30 O desígnio salvador de Deus é aqui explicitado em cinco etapas (já explicitadas noutras passagens): Deus «conheceu-nos de antemão», isto é, olhou-nos com amor; «predestinou-nos para sermos conformes à imagem do seu Filho», sendo um só com Cristo; «chamou-nos»; «justificou-nos»; «glorificou-nos». É certo que ainda não estamos na plena posse da glória que nos está garantida (cf. vv. 17-18), mas a verdade é que já a podemos considerar adquirida, dada a nossa íntima união a Cristo ressuscitado na sua glória; é por isso que os gramáticos consideram esta forma verbal do passado – glorificou-nos – como um «aoristo proléptico» (são frequentes em S. Paulo as figuras da prolepse).

 

Aclamação ao Evangelho        cf. Mt 11, 25

 

Monição: Jesus vai falar-nos dum tesouro que é o único pelo qual vale a pena dar a própria vida. Escutemos o que nos diz o Senhor para o alcançarmos.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação – 3, F. da Silva, NRMS 50-51

 

Bendito sejais, ó Pai, Senhor do céu e da terra,

porque revelastes aos pequeninos os mistérios do reino.

 

 

Evangelho*

 

* O texto entre parêntesis pertence à forma longa e pode ser omitido.

 

Forma longa: São Mateus 13, 44-52                  Forma breve: São Mateus 13, 44-46

Naquele tempo, disse Jesus às multidões: 44«O reino dos Céus é semelhante a um tesouro escondido num campo. O homem que o encontrou tornou a escondê-lo e ficou tão contente que foi vender tudo quanto possuía e comprou aquele campo. 45O reino dos Céus é semelhante a um negociante que procura pérolas preciosas. 46Ao encontrar uma de grande valor, foi vender tudo quanto possuía e comprou essa pérola.

[47O reino dos Céus é semelhante a uma rede que, lançada ao mar, apanha toda a espécie de peixes. 48Logo que se enche, puxam-na para a praia e, sentando-se, escolhem os bons para os cestos e o que não presta deitam-no fora. 49Assim será no fim do mundo: os Anjos sairão a separar os maus do meio dos justos 50e a lançá-los na fornalha ardente. Aí haverá choro e ranger de dentes. 51Entendestes tudo isto?» Eles responderam-Lhe: «Entendemos». 52Disse-lhes então Jesus: Por isso, todo o escriba instruído sobre o Reino dos Céus é semelhante a um pai de família que tira do seu tesouro coisas novas».]

 

Nesta leitura podemos distinguir três unidades: as parábolas do tesouro e da pérola (vv. 44-46); a parábola da rede (w. 47-50); e a conclusão final do discurso das parábolas (vv. 51-52). As duas primeiras parábolas são equivalentes e a da rede é paralela à do trigo e do joio (vv. 36-43).

44-46 As parábolas do tesouro escondido e da pérola rara deixam ver, antes de mais, que o Reino dos Céus é o maior bem que o homem pode chegar a conseguir; tudo o resto é relativo. Também parece significativo que tanto o pobre jornaleiro, como o negociante (este rico certamente) entregam tudo o que têm para chegarem à posse do tão precioso bem almejado. No entanto, cada uma das duas parábolas põe o acento num aspecto particular do Reino: o tesouro foca a abundância dos seus bens; a pérola, a sua beleza. Não parece que os pormenores em que ambas as parábolas divergem sejam didacticamente significativos, pois devem ser meros pormenores narrativos: assim a casualidade da descoberta do tesouro e o achado da pérola após longa procura; o tesouro está escondido e a pérola é apresentada. Também não é significativo o facto de que o homem que acha o tesouro o esconda, pois seria a aprovação dum expediente fraudulento; com efeito, o ensinamento da parábola não versa sobre isto: o que interessa, como lição, é a atitude do homem que se desprende de tudo para obter o tesouro escondido.

52 O longo discurso das parábolas termina com o elogio do escriba cristão, que se faz discípulo: «o escriba instruído sobre o Reino dos Céus». Este, como um senhor endinheirado, «tira do seu tesouro coisas novas e velhas», isto é, administra toda a riqueza da Antiga Aliança (que Cristo não rejeitou: cf. Mt 5, 17) e toda a riqueza da novidade evangélica. O discípulo de Cristo não possui só para si a riqueza do tesouro do Evangelho, mas tira do seu tesouro, para tornar os homens, seus irmãos, participantes de tão grande bem.

 

Sugestões para a homilia

 

1. Quanto amo Senhor a vossa Lei!

2.  Dar importância ao que verdadeiramente vale a pena é seguir o exemplo dos Santos.

3.  O que é verdadeiramente importante é mesmo a nossa salvação eterna.

 

 

1.     Quanto amo Senhor a vossa Lei!

 

Quanto amo Senhor a vossa Lei! Afirmámos há momentos. E este amor à Lei do Senhor será tanto maior quanto maior for também a compreensão que tivermos dessa mesma Lei.

A Lei do Senhor é a Lei do melhor dos pais. Tem em mente a nossa verdadeira felicidade – aquela que todos mais desejamos. Encontrar e executar essa Lei é possuir o melhor dos tesouros, a melhor das pérolas. Por ela vale a pena deixar tudo. Dessa importância nos falam de uma maneira especial as Leituras da Missa de hoje. Para compreender o real valor da Lei do Senhor, é necessário a virtude essencial da Sabedoria. Por isso a pediu Salomão. Deus ficou contente com o seu pedido.  Com a Sabedoria o Senhor deu-lhe também a riqueza, o poder e uma vida longa. Como Deus é generoso para quem sabe a Ele entregar-se, a Ele se confiar!

Sem a Sabedoria, corremos o risco de nos agarrarmos a coisas passageiras, verdadeiras quimeras, a darmos valor a coisas que o não têm. Aqui reside o engano de quem julga encontrar a máxima segurança da vida nas riquezas, no poder, nas paixões. Puro engano! Tal é fruto do orgulho que cega os homens, levando-os pelos caminhos errados da vida.

 

2.     Dar importância ao que verdadeiramente vale a pena é seguir o exemplo dos Santos.

 

Quem tem uma pérola é importante saber o seu real valor, caso contrário corre o risco de a desperdiçar e mesmo a perder. As parábolas contadas por Jesus no Evangelho de hoje, chamam a nossa atenção para o verdadeiro valor das coisas. É á luz desta Palavra de Deus que tem explicação a atitude de Santo Antão, S. Francisco de Assis e tantos e tantos outros irmãos nossos que tudo deixaram, para se darem de alma e coração a Deus-Pai.

O que mais importante temos na vida é precisamente salvar a mesma vida - a salvação eterna. Para obter esta riqueza vale bem a pena deixar tudo, se tal for necessário, como já o fizeram com pleno êxito os nossos irmãos, os Santos. Vale bem a pena dar a vida terrena, se necessário for, para obter a vida eterna.

 

3.     O que é verdadeiramente importante é mesmo a salvação eterna.

 

A salvação eterna, para a qual todos fomos chamados à vida, por Deus, nosso Pai, será uma realidade para quem seguir a Lei do Senhor. E os mandamentos do Senhor resumem-se em amar a Deus sobre todas as coisas e o próximo como nós mesmos, seja ele qual for, por Seu amor. É pelo Amor que um dia seremos julgados: ”Vinde benditos de Deus Pai...”

O reino dos céus, para o qual todos fomos criados é o Reino do Amor.  Só quem verdadeiramente ama está a fazer bom aproveitamento do tempo que o Senhor lhe concedeu viver. Podemos mesmo dizer que só verdadeiramente vivemos na medida em que amarmos. E o nosso amor pelos outros poderá mesmo só traduzir-se na oração. Nossa Senhora em Fátima afirmou ”que vão muitas almas para o inferno por não haver quem reze e sacrifique por elas”.  Todos, mesmo os doentes e velhinhos podem e devem rezar e oferecer os seus sofrimentos pela conversão dos pecadores, pela paz no mundo e por todas as necessidades da humanidade. Este meio maravilhoso de amar está pois acessível a todos.

Que o Senhor nos conceda a Sabedoria de que precisamos para não nos enganarmos nos caminhos da vida, cumprirmos com generosidade e alegria a santa Lei do Senhor, “A vossa lei faz as minhas delícias... Eu amo os vossos mandamentos mais que o ouro, o ouro mais fino” – dizia o salmista. Se assim fizermos, pela misericórdia infinita do Senhor, sempre necessária, chegaremos ao Reino dos Céus, para o qual todos fomos criados. Então veremos quanto valeu, na vida terrena, ter amado verdadeira e sinceramente a Lei do Senhor.

 

Fala o Santo Padre

 

«Quantas vezes nos voltamos para o outro lado, para não ver os irmãos necessitados!

É um modo educado de dizer: “Arranjai-vos sozinhos!”. E isto não é de Jesus: isto é egoísmo.»

Neste domingo, o Evangelho apresenta-nos o milagre da multiplicação dos pães e dos peixes (cf. Mt 14, 13-21). Jesus realizou-o na margem do lago da Galileia, num lugar isolado onde se tinha retirado com os seus discípulos, depois de ter recebido a notícia da morte de João Baptista. No entanto, foi seguido e alcançado por numerosas pessoas; e vendo-as, Jesus sentiu compaixão por elas e curou os doentes até à noite. Então os discípulos, preocupados porque a noite já caía, sugeriram-lhe que despedisse a multidão para que todos pudessem ir aos povoados a fim de comprar algo para comer. Mas Jesus, tranquilamente, retorquiu: «Dai-lhes vós mesmos de comer!» (Mt 14, 16); e, depois de ter mandado trazer cinco pães e dois peixes, abençoou-os e começou a parti-los e a oferecê-los aos discípulos, que depois os distribuíram ao povo. Todos ficaram saciados e ainda sobejou muita comida!

Neste acontecimento podemos ler três mensagens. A primeira é a compaixão. Diante da multidão que o segue e — por assim dizer — «não o deixa em paz», Jesus não reage com irritação, não diz: «Estas pessoa incomodam-me!». Não, não. Mas reage com um sentimento de compaixão, porque sabe que não o procuram movidos pela curiosidade, mas pela necessidade. Mas prestemos atenção: compaixão — aquilo que Jesus sente — não é simplesmente sentir piedade; é algo mais! Significa compadecer-se, ou seja, identificar-se com o sofrimento alheio, a ponto de o carregar sobre si. Assim é Jesus: sofre juntamente com cada um de nós, padece por nós. E o sinal desta compaixão são as numerosas curas por Ele levadas a cabo. Jesus ensina-nos a antepor as necessidades dos pobres às nossas. Por mais legítimas que sejam, as nossas exigências nunca serão tão urgentes como as carências dos pobres, que não dispõem do necessário para viver. Nós falamos com frequência dos pobres. Mas quando falamos dos pobres sentimos porventura que aquele homem, aquela mulher, aquelas crianças não dispõem do necessário para viver? Não têm o que comer, nem o que vestir, não têm a possibilidade de obter os remédios necessários... E também as crianças que não têm a possibilidade de ir à escola. E por isso as nossas exigências, embora sejam legítimas, jamais serão tão urgentes como as dos pobres, que não dispõem do necessário para viver.

A segunda mensagem é a partilha. A primeira é a compaixão, aquilo que Jesus sentia, e a segunda é a partilha. É útil confrontar a reacção dos discípulos, diante de pessoas cansadas e famintas, com a de Jesus. São diferentes. Os discípulos pensam que é melhor despedir a multidão, para que possa ir comprar algo para comer. Jesus, ao contrário, diz: Dai-lhes vós mesmos de comer! Dois motivos diversos, que reflectem duas lógicas opostas: os discípulos raciocinam segundo o mundo, pelo que cada qual deve pensar em si mesmo; raciocinam como se dissessem: «Arranjai-vos sozinhos!». Mas Jesus raciocina em conformidade com a lógica de Deus, que é a da partilha. Quantas vezes nos voltamos para o outro lado, para não ver os irmãos necessitados! E este olhar para o outro lado é um modo educado, com luvas brancas, de dizer: «Arranjai-vos sozinhos!». E isto não é de Jesus: isto é egoísmo. Se Ele tivesse despedido as multidões, muitas pessoas ficariam sem comer. Ao contrário, aqueles poucos pães e peixes, compartilhados e abençoados por Deus, foram suficientes para todos. Mas atenção! Não se trata de uma magia, mas de um «sinal»: um sinal que nos convida a ter fé em Deus, Pai providente, que não nos faz faltar o «pão nosso de cada dia», se nós soubermos compartilhá-lo como irmãos.

Compaixão e partilha. E a terceira mensagem: o prodígio dos pães prenuncia a Eucaristia. Vê-se isto no gesto de Jesus, que «abençoou» (v. 19) antes de partir os pães e de os distribuir à multidão. É o mesmo que fará Jesus na última Ceia, quando instituirá o memorial perpétuo do seu Sacrifício redentor. Na Eucaristia, Jesus não oferece um pão, mas o pão de vida eterna, doa-se a Si mesmo, oferecendo-se ao Pai por amor a nós. Contudo, nós devemos frequentar a Eucaristia com os sentimentos de Jesus, ou seja, com a compaixão e com a vontade de compartilhar. Quem se aproxima da Eucaristia sem ter compaixão pelos necessitados e sem compartilhar, não se sente bem com Jesus.

Compaixão, partilha, Eucaristia. Eis o caminho que Jesus nos indica neste Evangelho. Um caminho que nos leva a enfrentar as necessidades deste mundo com fraternidade, mas que também nos conduz mais além desta terra, porque começa em Deus Pai e para Ele retorna. Que a Virgem Maria, Mãe da Providência Divina, nos acompanhe ao longo desta vereda.

Papa Francisco, Angelus, Praça de São Pedro, 3 de Agosto de 2014

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs,

com a alma cheia de esperança

apresentemos a Deus nosso Pai os nossos pedidos

dizendo:  ouvi-nos Senhor.

 

 

1.     Pelo Santo Padre, Bispos, Sacerdotes e Diáconos

pelos lares cristãos e seus filhos,

para que amando sempre a Verdade

 suas vidas sejam confortadas pela virtude da esperança,

oremos, irmãos.

 

R. Ouvi-nos, Senhor.

   

2      Pelos governantes das nações,

para que trabalhando pela felicidade terrena dos homens,

estejam também abertos ao seu bem espiritual,

oremos, irmãos.

 

R.  Ouvi-nos, Senhor.

 

3.  Pelos que sofrem no corpo ou no espírito

para sejam reconciliados pela alegria da Ressurreição

e pela esperança da vida eterna,          

 oremos irmãos.

 

R. Ouvi-nos, Senhor.

 

4.  Pela paz e prosperidade de todo o mundo,

para que a esperança cristã se estenda a todos os homens,

e a fome, as calamidades e guerras se afastem dos povos,

oremos, irmãos.

 

R. Ouvi-nos,  Senhor.

 

5.  Por todos quantos já partiram para a eternidade,

para que, por intercessão de Maria,

alcancem de Deus a Sua infinita misericórdia,

oremos irmãos.

 

R. Ouvi-nos, Senhor.

 

 

Deus eterno e omnipotente, que estais sempre disponível

para nos dar a Vossa ajuda misericordiosa,

fazei-nos caminhar na justiça e no amor,

para vos servirmos na terra e glorificar-Vos no Céu.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

que Convosco vive e reina na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: No meio da minha vida, F. da Silva, NRMS 1 (II)

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, os dons que recebemos da vossa generosidade e trazemos ao vosso altar, e fazei que estes sagrados mistérios, por obra da vossa graça, nos santifiquem na vida presente e nos conduzam às alegrias eternas. Por Nosso Senhor.

 

Santo: Az. Oliveira, NRMS 50-51

 

Saudação da paz

 

A paz é a grande riqueza que todos sempre tanto desejam. Ela é fruto do cumprimento da Lei do Senhor, que nos leva a amar a Deus sobre todas as coisas e a todo o próximo, pelo Seu amor. Com o propósito de sempre assim fazermos, Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

Jesus, verdadeiramente presente na Sagrada Comunhão, é o grande Tesouro que Deus-Pai nos concede e  com Ele, nos dá também toda a força de que precisamos, para sempre verdadeiramente amar. Vamos recebê-LO com muito fé, esperança e amor.

 

Cântico da Comunhão: Em Vós, Senhor, está a fonte da vida, Az. Oliveira, NRMS 67

Salmo 102, 2

Antífona da comunhão: Bendiz, ó minha alma, o Senhor, e não esqueças os seus benefícios.

 

Ou

Mt 5, 7-8

Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus.

 

Cântico de acção de graças: É bom louvar- Te Senhor, M. Carneiro, NRMS 84

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que nos destes a graça de participar neste divino sacramento, memorial perene da paixão do vosso Filho, fazei que este dom do seu amor infinito sirva para a nossa salvação. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Ser sempre fiel aos planos amorosos de Deus-Pai é fazer o melhor aproveitamento que podemos realizar no tempo que o Senhor ainda nos conceder viver. Com o propósito de sempre assim atuarmos na vida, ide em paz e Senhor vos acompanhe.

 

Cântico final: Ao Deus do universo, J. Santos, NRMS 1 (II)

 

 

Homilias Feriais

 

17ª SEMANA

 

2ª Feira, 31-VII: A dignidade humana na lei de Deus.

Ex 32, 15-24. 30-34 / Mt 13, 31-35

As tábuas eram obra de Deus, a escrita era da letra de Deus, gravada em tábuas.

Nas tábuas encontramos as palavras de Deus, que indicam as condições de uma vida humana vivida em plenitude. «Por isso, é que estas tábuas são chamadas o 'testemunho'  (Leit.), pois contêm as cláusulas da Aliança concluída entre Deus e o seu povo» (CIC, 2058).

Como o grão de mostarda (Ev.) cresce, assim teremos que fazer nós: «O alimento da verdade (a palavra de Deus) leva-nos a denunciar as situações indignas do ser humano. E dá-nos nova força e coragem para trabalhar sem descanso na edificação da civilização do amor» (João Paulo II).

 

3ª Feira, 1-VIII: Os sinais de esperança e de desilusão.

Ex 33, 7-11; 34, 5-9. 28 / Mt 13, 36-43

A boa semente são os filhos do Reino, o joio são os filhos do Maligno e o inimigo que o semeou é o demónio.

Esta parábola do trigo e do joio tem uma grande actualidade, por exemplo: juntamente junto com a memória e os valores cristãos, há um agnosticismo prático e indiferentismo religioso, dando origem a uma nova cultura, influenciada por muitos meios de comunicação social e por algumas ideologias (João Paulo II)

Façamos nossa a oração de Moisés: «Se encontrei aceitação aos vossos olhos, Senhor, dignai-vos caminhar no meio de nós. É certo que somos um povo insubmisso, mas perdoai as nossas faltas e pecados e fazei de nós a vossa herança» (Leit.).

 

4ª Feira, 2-VIII: Exigências para entrar no reino de Deus.

Ex 34, 29-35 / Mt 13, 44-46

O reino de Deus é semelhante a um tesouro escondido num campo. O homem que o achou foi vender tudo quanto possuía e comprou aquele campo.

Para entrar no reino, Jesus exige «uma opção radical: para adquirir o Reino é preciso dar tudo. As palavras não bastam, exigem-se actos» (CIC, 546).Precisamos dedicar toda a vida à edificação do reino: primeiro, dentro de nós, através da vida sacramental e da oração; e depois, à nossa volta, com a entrega aos outros.

Para isso, precisamos de recorrer a Deus. Assim fazia Moisés: ia à presença de Deus, falar com Ele na Tenda do Encontro (Leit.). Nós podemos fazer o mesmo, recorrendo aos sacrários das igrejas.

 

5ª Feira, 3-VIII: A luz que vem da união com Deus.

Ex 40, 16-21. 34-38 / Mt 13, 47-53

A nuvem do Senhor estava de dia sobre o tabernáculo e, de noite, havia nela um fogo.

«A nuvem e a luz. Estes dois símbolos são inseparáveis nas manifestações do Espírito Santo. Desde as teofanias do Antigo Testamento, a nuvem, umas vezes escura, outras luminosa, revela o Deus vivo e salvador a Moisés no monte Sinai, na Tenda da reunião e durante a marcha pelo deserto (Leit.) (CIC, 697).

É na união com Deus, como Moisés na Tenda da Reunião, que continuaremos a descobrir sempre coisas novas e velhas: «Todo o escriba iniciado no reino dos Céus é semelhante a um proprietário que tira do seu tesouro coisas novas e velhas» (Ev.).

 

6ª Feira, 4-VIII: A importância do dia do Senhor.

Lev  23, 1. 4-11. 15-16. 27. 34-37 / Mt 13, 54-58

No oitavo dia, tereis uma assembleia sagrada: haveis de apresentar ao Senhor um sacrifício. Não fareis qualquer trabalho servil.

Procuremos esforçar-nos por viver bem o dia do Senhor: «Com efeito, a vida de fé corre perigo quando se deixa de sentir desejo de participar na celebração eucarística, em que se faz memória da vitória pascal» (SC, 73).

O Senhor quer transformar-nos, mas não o fará , por causa da nossa falta de fé (Ev.). Além disso, este dia há-de ajudar-nos a viver melhor o resto da semana: «Deste dia, com efeito, brota o sentido cristão da existência e uma nova maneira de viver o tempo, as relações, o trabalho, a vida e a morte» (SC, 73).

 

Sábado, 5-VIII: Dedicação da Basílica de Sª Mª Maior: A fé e a vida

Lev 25, 1. 8-17 / Mt 14, 1-12

Herodes mandara prender João e algemá-lo numa cadeia, por causa de Herodíade. É que João dizia a Herodes: Não podes tê-la contigo.

João Baptista foi martirizado por defender a verdade do Evangelho sobre o casamento (Ev.).

Precisamos viver uma unidade de fé e vida, isto é, a fé há-de ter consequências nas nossas decisões e comportamentos, Ao celebrarmos o dia da Dedicação da Basílica de Sª Mª Maior, podemos olhar para a Mãe de Deus e na sua decisão de aceitar ser a Mãe de Deus e, como daí em diante a sua vida está completamente dedicada a esta decisão. Nós talvez não possamos conseguir sempre, mas não devemos desistir.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Alves Moreno

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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