15º Domingo Comum

16 de Julho de 2017

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Exultai de alegria, cantai hinos, F. da Silva, NRMS 106

cf. Salmo 16, 15

Antífona de entrada: Eu venho, Senhor, à vossa presença: ficarei saciado ao contemplar a vossa glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Oração colecta: Senhor nosso Deus, que mostrais aos errantes a luz da vossa verdade para poderem voltar ao bom caminho, concedei a quantos se declaram cristãos que, rejeitando tudo o que é indigno deste nome, sigam fielmente as exigências da sua fé. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Neste breve frecho, Isaías fala da omnipotência e transcendência de Deus. Todos os acontecimentos, mesmo os mais angustiosos, têm como finalidade o progresso do Seu povo. Força alguma poderá opor-se aos Seus planos. Nem mesmo o próprio pecado fará desviar o plano de Deus, já que o Seu perdão não pode regular-se pelas normas da justiça humana.

Por isso, o homem pode confiar plenamente n'EIe, já que nada pode opor-se aos Seus desígnios, à ordem da Sua Palavra.

 

Isaías 55, 10-11

Eis o que diz o Senhor: 10«Assim como a chuva e a neve que descem do céu não voltam para lá sem terem regado a terra, sem a terem fecundado e feito produzir, para que dê a semente ao semeador e o pão para comer, 11assim a palavra que sai da minha boca não volta sem ter produzido o seu efeito, sem ter cumprido a minha vontade, sem ter realizado a sua missão».

 

Esta leitura, tirada do final do Segundo Isaías, foi escolhida em função do Evangelho de hoje (Mt 13, 1-23). Deus acaba de anunciar, através do profeta, todos os bens que tem preparados para os repatriados no seu regresso do exílio de Babilónia. A «palavra que sai da minha boca» (v. 11) é o anúncio do Profeta, como personificado; esta palavra não é uma mera palavra de ânimo, mas é dotada de eficácia e terá pleno cumprimento; para quem é o Todo-Poderoso, o dizer equivale ao fazer: Deus disse e tudo foi feito, como se lê no 1º capítulo do Génesis.

 

Salmo Responsorial    Sl 64 (65), 10abcd.10e-11.12-13.14 (R. Lc 8, 8)

 

Monição: A Palavra de Deus é a semente lançada nas nossas vidas. Se a acolhermos, com um coração puro e reto, essa semente dará muito e bom fruto, fruto de vida eterna.

 

Refrão:        A semente caiu em boa terra e deu muito fruto.

 

Visitastes a terra e a regastes,

enchendo-a de fertilidade.

As fontes do céu transbordam em água

e fazeis brotar o trigo.

 

Assim preparais a terra;

regais os seus sulcos e aplanais as leivas,

Vós a inundais de chuva

e abençoais as sementes.

 

Coroastes o ano com os vossos benefícios,

por onde passastes brotou a abundância.

Vicejam as pastagens do deserto

e os outeiros vestem-se de festa.

 

Os prados cobrem-se de rebanhos

e os vales enchem-se de trigo.

Tudo canta e grita de alegria.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Perante o sofrimento que domina todos os homens, há muitos que se assustam. Por isso, é preciso ter presentes as palavras de S. Paulo: «Os sofrimentos do tempo presente não têm comparação com a glória que há de manifestar em nós». Devemos olhar, pois, confiantes para o futuro.

 

Romanos 8, 18-23

Irmãos: 18Eu penso que os sofrimentos do tempo presente não tem comparação com a glória que se há-de manifestar em nós. 19Na verdade, as criaturas esperam ansiosamente a revelação dos filhos de Deus. 20Elas estão sujeitas à vã situação do mundo, não por sua vontade, mas por vontade d'Aquele que as submeteu, com a esperança de que as mesmas criaturas 21sejam também libertadas da corrupção que escraviza, para receberem a gloriosa liberdade dos filhos de Deus. 22Sabemos que toda a criatura geme ainda agora e sofre as dores da maternidade. 23E não só ela, mas também nós, que possuímos as primícias do Espírito, gememos interiormente, esperando a adopção filial e a libertação do nosso corpo.

 

Temos vindo nestes domingos a respigar alguns dos mais expressivos textos da epístola aos Romanos. Este é um dos textos de difícil interpretação, sobre a qual não há pleno acordo entre os exegetas.

19 «As criaturas esperam ansiosamente...» S. Paulo, lançando mão duma empolgante prosopopeia, associa o conjunto das criaturas irracionais à esperança e anelos do homem redimido por Cristo.

20 «Elas estão sujeitas à vã situação do mundo» (à letra, «à vaidade»). Esta situação vã do mundo é a obra da criação sujeita à destruição, podendo ver-se aqui uma alusão a Gn 3, 17, o rompimento da harmonia da criação como consequência do pecado do homem. Esta situação da criação deve-se «a quem a sujeitou», mas o original grego não explicita o sujeito (a tradução litúrgica traduziu por Deus); podemos pensar ou no mau uso que os homens fazem das criaturas, que o homem tem o poder de dominar (cf. Gn 1, 28-29), ou então em que Deus, após o pecado, dispôs a natureza de forma esta punir o homem pecador, a quem ela naturalmente devia servir (cf. Gn 3, 17-19). Em ambos os casos, temos a harmonia inicial da criação transtornada, devido ao pecado.

21 «As mesmas criaturas seriam também libertadas da corrupção que escraviza» (à letra, da escravidão da corrupção). A que libertação se refere o texto sagrado não se pode saber com certeza. Designará a glorificação dos corpos depois da ressurreição, a qual redundará em glória para toda a natureza irracional, uma vez que o homem «mikrokósmos», é uma síntese de todo o Universo? Ou aludirá a uma restauração física de todo o Universo, coisa que não parece estar na perspectiva paulina, mas que se poderia deduzir de Apoc 21, 1 e 2 Pe 3, 13, entendendo à letra estes textos simbólicos, pertencentes ao género apocalíptico? Pode tratar-se simplesmente da referência à libertação da maldição que o pecado trouxe às criaturas (cf. Gn 3, 17-19], sem se explicitar mais. Seja como for, podemos fazer uma leitura espiritual deste misterioso texto do modo seguinte: na medida em que os filhos de Deus santificarem o mundo, isto é, todas as realidades terrenas, ordenando-as segundo o espírito do Evangelho, nessa medida estão a libertá-las da escravidão do pecado, pois deixam de ser objecto do mau uso que delas faz o homem pecador; e, desta maneira, também elas participam da salvação: «para receberem a gloriosa liberdade dos filhos de Deus» (no original grego não há verbo nenhum), isto é, participam da «gloriosa liberdade dos filhos de Deus», à letra, «da liberdade da glória dos filhos de Deus», uma glória que liberta, em paralelismo com a «corrupção que escraviza», de que se fala no v. 21.

22-23 «Toda a criatura tem gemido e tem sofrido as dores da maternidade» O Apóstolo usa uma arrojada prosopopeia para apresentar toda a criação a suspirar juntamente com os cristãos, que já são filhos de Deus (v. 15), mas que esperam a plenitude desta filiação na vida eterna (cf. 1 Cor 13, 12; 1 Jo 3, 2).

 

Aclamação ao Evangelho        Jo 6, 64b.69b

 

Monição: A parábola do semeador aponta-nos o verdadeiro caminho. Há muitas formas de ouvir a Palavra, porém, uma só é capaz de transformar a nossa vida. A semente da mensagem de Cristo é lançada nos nossos corações. De nós depende a frutificação, isto é, o aparecimento de um mundo novo.

 

Aleluia

 

Cântico: J. Duque, NRMS 21

 

A semente é a palavra de Deus e o semeador é Cristo.

Quem O encontra viverá eternamente.

 

 

Evangelho*

 

* O texto entre parêntesis pertence à forma longa e pode ser omitido.

 

Forma longa: São Mateus 13, 1-23                    Forma breve: São Mateus 13, 1-9

1Naquele dia, Jesus saiu de casa e foi sentar-Se à beira-mar. 2Reuniu-se à sua volta tão grande multidão que teve de subir para um barco e sentar-Se, enquanto a multidão ficava na margem. 3Disse muitas coisas em parábolas, nestes termos: «Saiu o semeador a semear. 4Quando semeava, caíram algumas sementes ao longo do caminho: vieram as aves e comeram-nas. 5Outras caíram em sítios pedregosos, onde não havia muita terra, e logo nasceram porque a terra era pouco profunda; 6mas depois de nascer o sol, queimaram-se e secaram, por não terem raiz. 7Outras caíram entre espinhos e os espinhos cresceram e afogaram-nas. 8Outras caíram em boa terra e deram fruto: umas, cem; outras, sessenta; outras, trinta por um. 9Quem tem ouvidos, oiça».

[10Os discípulos aproximaram-se de Jesus e disseram-Lhe: «Porque lhes falas em parábolas?». 11Jesus respondeu-lhes: «Porque a vós é dado conhecer os mistérios do reino dos Céus, mas a eles não. 12Pois àquele que tem dar-se-á e terá em abundância; mas àquele que não tem, até o pouco que tem lhe será tirado. 13É por isso que lhes falo em parábolas, porque vêem sem ver e ouvem sem ouvir nem entender. 14Neles se cumpre a profecia de Isaías que diz: 'Ouvindo ouvireis, mas sem compreender; olhando olhareis, mas não vereis. 15Porque o coração deste povo tornou-se duro: endureceram os seus ouvidos e fecharam os seus olhos, para não acontecer que, vendo com os olhos e ouvindo com os ouvidos e compreendendo com o coração, se convertam e Eu os cure'. 16Quanto a vós, felizes os vossos olhos porque vêem e os vossos ouvidos porque ouvem! 17Em verdade vos digo: muitos profetas e justos desejaram ver o que vós vedes e não viram e ouvir o que vós ouvis e não ouviram. 18Vós, portanto, escutai o que significa a parábola do semeador: 19Quando um homem ouve a palavra do reino e não a compreende, vem o Maligno e arrebata o que foi semeado no seu coração. Este é o que recebeu a semente ao longo do caminho. 20Aquele que recebeu a semente em sítios pedregosos é o que ouve a palavra e a acolhe de momento, 21mas não tem raiz em si mesmo, porque é inconstante, e, ao chegar a tribulação ou a perseguição por causa da palavra, sucumbe logo. 22Aquele que recebeu a semente entre espinhos é o que ouve a palavra, mas os cuidados deste mundo e a sedução da riqueza sufocam a palavra, que assim não dá fruto. 23E aquele que recebeu a palavra em boa terra é o que ouve a palavra e a compreende. Esse dá fruto e produz ora cem, ora sessenta, ora trinta por um».]

 

O texto do Evangelho corresponde ao início do chamado discurso das parábolas, onde em São Mateus Jesus apresenta a natureza do Reino de Deus: «Falou-lhes de muitas coisas em parábolas». Como de costume, este evangelista deve ter agrupado aqui, neste capítulo 13, sete parábolas, com toda a probabilidade contadas por Jesus em diferentes ocasiões. Parábola é uma comparação prolongada; isto significa o próprio termo grego (parabolê). Distingue-se da fábula, pois é verosímil; é uma narração viva e atraente, tirada das coisas da natureza e da vida diária. Também é diferente da alegoria, pois esta está toda carregada de simbolismo e todos os seus elementos encerram algum significado especial, ao passo que a parábola, de mais simples interpretação, vai direita a uma ideia central que se quer inculcar, sem que os seus elementos secundários tenham, em geral, qualquer significado especial, sendo meros elementos de adorno. Em S. João, que não recorre a parábolas, temos a célebre alegoria da videira (Jo 15). Também há parábolas com elementos alegóricos, podendo mesmo este simbolismo ser captado apenas a partir da vida da Igreja (por ex., em Mt 25, 5, na parábola das 10 virgens, a demora do esposo passa a simbolizar a demora da parusía. A parábola do semeador, que hoje temos, também nos aparece misturada de alegoria, pois não se limita a expor uma ideia central: a eficácia extraordinária e sobrenatural da sementeira divina, da acção de Deus no mundo, na Igreja e nas almas (100, 60, 30 por um). Nesta parábola cada um dos terrenos tem um significado simbólico particular, significado que é atribuído por Cristo na explicação posterior. Mas, ao fim e ao cabo, a parábola do semeador encerra uma exortação implícita a converter-se em boa terra para receber a Palavra de Deus e a confiar na sua eficácia.

10-13 «Porque lhes falas em parábolas?» Jesus, segundo os costumes orientais, não explicava imediatamente uma parábola e deixava que ela ficasse a bailar no espírito dos ouvintes como uma espécie de enigma (o maxal hebraico correspondia tanto à comparação, como a uma máxima, sentença sábia, alegoria, ou mesmo a um enigma ou adivinha). Assim despertava Jesus o interesse dos ouvintes: as almas rectas e amantes da verdade podiam depois procurar aprofundar o ensinamento; as pessoas superficiais, materialistas e desinteressadas da verdade, deixavam que tudo se lhes escapasse, por isso diz Jesus que «a eles não lhes é dado conhecer os mistérios do Reino de Deus» (v. 11). «Àquele que tem dar-se-á...», aos que têm boas disposições, estas são-lhe aumentadas com as luzes da pregação de Jesus; ao passo que aos mal dispostos pelo mau uso da sua liberdade, até as luzes que tinham (particularmente as recebidas com a revelação do Antigo Testamento) acabam por perdê-las. A citação da «profecia de Isaías» contém um anúncio do endurecimento dos ouvintes da pregação profética, que é entendida como consequência e castigo da resistência à graça. Deus não quer este endurecimento do coração, mas permite-o, porque quer respeitar a liberdade humana; mas o homem tem a grave responsabilidade de ser fiel a Deus e de fazer frutificar os dons recebidos; «não fossem ver…, ouvir…, entender… e converter-se… e Eu os curasse» (v. 15) é uma linguagem para nós demasiado dura, por dar a entender que é Deus quem endurece o coração do pecador, mas, na linguagem bíblica, é frequente não distinguir o que Deus permite daquilo que Deus faz, atribuindo frequentemente a Deus, a Causa Primeira, aquilo que é fruto das causas segundas. «Se lhes falo em parábola, é porque vêem sem ver...» Em Mateus o ensino em parábolas aparece como um acto de condescendência de Jesus, como uma forma de tornar acessíveis os ensinamentos de Jesus sobre os elevados mistérios do Reino, mas que ficam incompreensíveis para as almas fechadas à luz da verdade.

 

Sugestões para a homilia

 

A parábola

O semeador

A semente

Os solos

 

A parábola

 

Jesus contava frequentemente, por parábolas, histórias sobre os acontecimentos do dia-a-dia, parábolas essas que serviam para ilustrar verdades espirituais. Uma das mais importantes destas parábolas é narrada em Mateus 13,1-23. Esta história fala de um semeador que lançou sementes em vários lugares com diferentes resultados, dependendo do tipo do solo.

Esta é uma das três únicas parábolas registadas em mais do que dois evangelhos (cf. Mc 4,1-20 e Lc 8,4-15), e também é uma das únicas que Jesus explicou especificamente. A parábola em si é simples. A explicação de Jesus é também fácil de entender. Alguém ensina as Escrituras a várias pessoas; a resposta dessas pessoas depende do estado do seu coração, isto é, da sua atitude. Consideremos o semeador, a semente e o solo.

 

O Semeador

 

O trabalho do semeador é colocar a semente no solo. Se a semente for deixada no celeiro, nunca produzirá colheita, por isso o seu trabalho é importante. Mas a identidade pessoal do semeador não é. O semeador nunca é chamado pelo nome nesta história. Nada nos é dito sobre a sua aparência, a sua capacidade, a sua personalidade ou as suas realizações. Ele simplesmente põe a semente em contacto com o solo. A colheita depende da combinação do solo com a semente.

Os seguidores de Cristo devem ensinar a palavra. Quanto mais ela é plantada nos corações dos homens, maior será a colheita. Mas a identidade pessoal do “semeador” não é o essencial. «Eu plantei, Apolo regou; mas o crescimento veio de Deus. De modo que nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus que dá o crescimento» (1 Cor 3,6-7).

Nos nossos dias, o semeador tornou-se, muitas vezes, a figura principal e a semente é bastante esquecida. Mas a parábola evidencia que mais importante que o pregador e as suas capacidades, é o acto de semear, ou seja, a transmissão da Boa Nova. Não devemos exaltar os homens, mas fixarmo-nos completamente no Senhor.

 

A Semente

 

A semente é a Palavra de Deus. Cada conversão é o resultado da aceitação do Evangelho por um coração puro. A palavra gera (Tg 1,18), salva (Tg 1,21), regenera (1 Ped 1,23), liberta (Jo 8,32), produz fé (Rom 10,17), santifica (Jo 17,17) e atrai-nos a Deus (Jo 6,44-45).

Foi-nos dito muito pouco sobre os homens que divulgaram o Evangelho nos primeiros tempos, porém muito foi transmitido sobre a mensagem que anunciaram. Basta vermos o livro dos Actos e rapidamente notaremos que em cada cidade por onde os apóstolos viajaram, ocorriam conversões como resultado da Palavra que era ensinada. A importância das Escrituras deve ser ressaltada ao máximo.

Aqui há também uma lição para o ouvinte. O fruto produzido depende da resposta à Palavra. É decisivamente importante ler, estudar e meditar a Palavra de Deus. A Palavra tem que vir habitar em nós (Col 3,16), para ser implantada no nosso coração (Tg 1,21). Temos que permitir que as nossas acções, as nossas palavras e as nossas vidas sejam formadas e moldadas pela Palavra de Deus.

Uma colheita depende sempre da natureza da semente, não do tipo da pessoa que a plantou. Um pássaro pode plantar uma castanha: a árvore que nascer será um castanheiro, e não um pássaro. Isto significa que ainda hoje há força e autoridade próprias da Palavra para produzir cristãos como aqueles do tempo dos Apóstolos. A Palavra de Deus contém força vivificante. Urgem homens e mulheres que permitam que a Palavra cresça e produza frutos nas suas vidas; pessoas com coragem para simplesmente seguir o ensinamento da Palavra de Deus.

Se também nós permitirmos que a Palavra opere e frutifique, podemos tornar-nos fiéis discípulos de Cristo justamente como aqueles que O seguiram há dois mil anos atrás. A continuidade depende da semente.

 

Os solos

 

É perturbador notar que a mesma semente foi plantada em cada tipo de solo, mas os resultados foram muito diferentes. A mesma palavra de Deus pode ser plantada nos nossos dias; mas os resultados serão determinados pelo coração daquele que ouve.

Alguns são solo de estrada, duro, impermeável. Não têm uma mente aberta e receptiva para permitir que a Palavra de Deus os transforme.

As raízes das plantas, no solo pedregoso, nunca se aprofundam. Durante os tempos fáceis, os rebentos podem parecer interessantes, mas abaixo da superfície do terreno, as raízes não se desenvolvem. Como resultado, se vem uma pequena seca ou um vento forte, a planta murcha e morre. Os cristãos precisam desenvolver as suas raízes por meio da fé em Cristo e do estudo da Palavra cada vez mais profundo.

Quando se permite que ervas daninhas cresçam junto com a semente pura, nenhum fruto pode ser produzido. As ervas disputam a água, a luz solar e os nutrientes e, como resultado, sufocam a boa planta. Existe uma grande tentação a permitir que os interesses mundanos dominem tanto a nossa vida que não nos resta energia para devotar ao crescimento do Evangelho nas nossas vidas.

Por fim, há o bom solo que produz fruto. A conclusão desta parábola é deixada para cada um escrever. Que espécie de solo és tu?

 

Fala o Santo Padre

 

«No final, todos nós seremos julgados com a mesma medida com a qual tivermos julgado: 

a misericórdia que tivermos usado em relação aos outros será utilizada também para connosco. »

Durante estes domingos a liturgia propõe algumas parábolas evangélicas, ou seja, breves narrações que Jesus utilizava para anunciar o Reino dos céus às multidões. Entre aquelas presentes no Evangelho de hoje, há uma bastante complexa, cuja explicação Jesus oferece aos discípulos: é a do trigo e do joio, que enfrenta o problema do mal no mundo, pondo em evidência a paciência de Deus (cf. Mt 13, 24-30.36-43). A cena desenrola-se num campo onde o senhor lança a semente; mas certa noite chega o inimigo e semeia o joio, termo que em hebraico deriva da mesma raiz do nome «Satanás», evocando o conceito de divisão. Todos nós sabemos que o diabo é um «semeador de joio», aquele que procura sempre dividir as pessoas, as famílias, as nações e os povos. Os empregados gostariam de arrancar imediatamente a erva daninha, mas o senhor impede-o com a seguinte motivação: «Ao extirpardes o joio, correis o risco de arrancar também o trigo» (Mt 13, 29). Pois todos nós sabemos que o joio, quando cresce, se assemelha muito ao trigo, e existe o perigo de se confundirem.

O ensinamento da parábola é dúplice. Antes de tudo recorda que o mal existente no mundo não deriva de Deus, mas do seu inimigo, o Maligno. É curioso, o Maligno sai à noite para semear o joio, na escuridão, na confusão; sai para semear o joio onde não há luz. Este inimigo é astuto: semeou o mal no meio do bem, de tal forma que para nós, homens, é impossível separá-lo claramente; mas no final Deus conseguirá fazê-lo!

E aqui chegamos ao segundo tema: a oposição entre a impaciência dos empregados e a espera paciente do dono do campo, que representa Deus. Às vezes temos uma grande pressa de julgar, classificar, pôr de um lado os bons e do outro os maus. Mas recordai-vos da oração daquele homem soberbo: «Graças a Vós ó Deus, eu sou bom, não sou como os outros homens, maus...» (cf. Lc 18, 11-12). Ao contrário, Deus sabe esperar. Ele olha para o «campo» da vida de cada pessoa com paciência e misericórdia: vê muito melhor do que nós a sujeira e o mal, mas vê também os germes do bem e espera com confiança que eles amadureçam. Deus é paciente, sabe esperar. Como isto é bom! O nosso Deus é um Pai paciente que nos espera sempre, que nos aguarda com o coração na mão para nos receber e perdoar. Perdoa-nos sempre se formos ter com Ele.

A atitude do dono do campo é aquela da esperança fundada na certeza de que o mal não é a primeira nem a última palavra. E é graças a esta esperança paciente de Deus que o próprio joio, ou seja, o coração maldoso, com muitos pecados, no final pode tornar-se uma boa semente. Mas atenção: a paciência evangélica não é indiferença diante do mal; não se pode fazer confusão entre o bem e o mal! Perante o joio presente no mundo, o discípulo do Senhor é chamado a imitar a paciência de Deus, a alimentar a esperança com o alento de uma confiança inabalável na vitória final do bem, ou seja, de Deus.

Com efeito, no final o mal será arrancado e eliminado: no tempo da colheita, isto é do juízo, os ceifeiros cumprirão a ordem do senhor, separando o joio para o queimar (cf. Mt 13, 30). Naquele dia da ceifa final o Juiz será Jesus, Aquele que lançou a boa semente no mundo e, tornando-se Ele mesmo «grão de trigo», morreu e ressuscitou. No final, todos nós seremos julgados com a mesma medida com a qual tivermos julgado: a misericórdia que tivermos usado em relação aos outros será utilizada também para connosco. Peçamos a Nossa Senhora, nossa Mãe, que nos ajude a crescer na paciência, na esperança e na misericórdia com todos os irmãos.

Papa Francisco, Angelus, Praça de São Pedro, 20 de Julho de 2014

 

Oração Universal

 

Oremos, irmãos, a Deus Pai,

e imploremos a bondade d’Aquele

que lançou a semente,

e quer que produza muito fruto.

 

1.  Por todos os pregadores:

para que, fieis ao mandamento de Cristo,

continuem firmes e alegres

no anúncio da Boa Nova,

oremos, irmãos.

 

2.  Por aqueles que são os mais pobres da terra,

que sofrem os efeitos da desigualdade e da injustiça,

e que mesmo no sofrimento e na dor,

são capazes de dar aos demais, de ser solidários,

oremos ao Senhor.

 

3.  Pelos governantes da terra,

para que todos os seus esforços sejam encaminhados

pelo Deus da vida e não pelos princípios do dinheiro,

oremos ao Senhor.

 

4.  Para que nossa comunidade cristã

encontre os caminhos que conduzam à vida digna de todos,

onde ninguém é marginalizado nem excluído,

oremos ao Senhor.

 

5.  Por todos nós aqui reunidos

para que tomemos consciência

da importância e do valor da Palavra de Deus

e deixemos que ela produza fruto abundante nas nossas vidas,

oremos ao Senhor.

 

Senhor nosso Pai,

lançai sobre nós a semente do vosso amor

para que, frutificando em nós,

possamos também semear a Boa Nova pelo mundo inteiro

Por nosso Senhor.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Cantai ao Senhor nosso Deus, cantai, M. Simões, NRMS 38

 

Oração sobre as oblatas: Olhai, Senhor, para os dons da vossa Igreja em oração e concedei aos fiéis que os vão receber a graça de crescerem na santidade. Por Nosso Senhor.

 

Santo: «Da Missa de festa», Az. Oliveira, NRMS 50-51

 

Monição da Comunhão

 

A Eucaristia é a representação da morte de Cristo e da Sua ressurreição. Cristo, pelo Seu sacrifício, faz-nos participantes da Sua vida. Participando do Seu sacrifício, sobretudo recebendo em nós o Seu corpo, estamos a receber o penhor da nossa transformação. Este corpo, sujeito à dor e ao sofrimento, caminha, não para o aniquilamento, mas para a ressurreição, pois também ele participará da glória do Senhor ressuscitado.

Tenhamos bem presente que, na Eucaristia, Cristo se sacrifica por todos os homens. Que os nossos sofrimentos, unidos aos de Cristo, sirvam para que todos os homens participem real e eficazmente dos frutos da Redenção.

 

Cântico da Comunhão: A semente é a Palavra de Deus, C. Silva, NCT 256

Salmo 83, 4-5

Antífona da comunhão: As aves do céu encontram abrigo e as andorinhas um ninho para os seus filhos, junto dos vossos altares, Senhor dos Exércitos, meu Rei e meu Deus. Felizes os que moram em vossa casa e a toda a hora cantam os vossos louvores.

 

Ou

Jo 6, 57

Quem come a minha Carne e bebe o meu Sangue permanece em Mim e Eu nele, diz o Senhor.

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que nos alimentais à vossa mesa santa, humildemente Vos suplicamos: sempre que celebramos estes mistérios, aumentai em nós os frutos da salvação. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Ao terminarmos esta Eucaristia, levamos connosco esta certeza: se a justiça, a paz e a fraternidade – frutos da Palavra – demoram a estabelecer-se, nem por isso a nossa confiança em Deus se deve sentir abalada. A Palavra de Deus é como a chuva, não volta sem ter manifestado em nós o seu efeito, sem ter derramado em nós o Seu amor.

 

Cântico final: Cantai ao Senhor, Cantai, M. Simões, NCT 243

 

 

Homilias Feriais

 

15ª SEMANA

 

2ª Feira, 17-VII: O seguimento de Cristo e a Cruz.

Ex 1, 8-14. 22 / Mt 10, 34- 11, 1

Quem não tome a sua cruz para me seguir, não é digno de mim-

Como o próprio Senhor afirma, devemos convencer-nos de que a primeira vocação do cristão é o seguimento de Cristo (Ev.), que exige uma conversão constante. Pelo contrário, o povo de Deus sofreu muito devido às medidas do novo faraó (Leit.).

«A conversão realiza-se na vida quotidiana por gestos de reconciliação, pelo cuidado dos pobres, o exercício e a defesa da justiça e do direito, a revisão devida, o exame de consciência, a direcção espiritual, a aceitação dos sofrimentos, a coragem de suportar a perseguição» (CIC, 1435).

 

3ª Feira, 18-VII: Aproveitamento das graças de Deus.

Ex 2, 1-5 / Mt 11. 20-24

Começou Jesus a censurar duramente as cidades em que tinha realizado a maioria dos seus milagres, por não terem feito penitência.

Os habitantes destas cidades não corresponderam às graças recebidas de Deus e os seus corações endureceram (Ev.). O mesmo aconteceu com o faraó do Egipto, apesar das muitas coisas realizadas pelo povo de Deus escravizado (Leit.).

«O coração do homem é pesado e endurecido. É necessário que Deus dê ao homem um coração novo. A conversão é, antes de mais, obra da graça de Deus, a qual faz com que os nossos corações se voltem para Ele: 'Convertei-nos e seremos convertidos'» (CIC, 1432). Como aproveitamos as graças que o Senhor nos concede?

 

4ª Feira, 19-VII: Para Deus não há impossíveis.

Ex 3, 1-7. 9-12 / Mt 11, 25, 27

Moisés: mas quem sou eu para ir à presença do faraó e levar os filhos de Israel para fora do Egipto?

Quando Deus nos encarrega alguma missão, que nos parece impossível, também nos há-de dar os meios para realizá-la. Disse a Moisés: «Eu estarei contigo» (Leit.) E, de facto, Deus esteve constantemente ao lado seu povo durante a longa travessia do deserto, até chegar à terra prometida. Lembremo-nos desta presença de Deus junto de nós até chegarmos ao Céu.

Além disso, precisamos ser humildes, porque é aos humildes que Ele se revela (Ev.). Nª Sª disse: fez em mim grandes coisas, porque viu a humildade da sua serva.

 

5ª Feira, 20-VII:Deus omnipotente e humilde.

Ex 3, 13-20 / Mt 11, 28-30

Eu sei que o rei do Egipto não vos deixará partir. Mas eu estenderei a minha mão, para fustigar o Egipto.

«Ele vem para libertar da escravidão os seus descendentes. Ele é o Deus que, para além, do espaço e do tempo, pode e quer fazê-lo, e empenhar a sua omnipotência na concretização desse desígnio (Leit.)» (CIC, 205).

Além da omnipotência, Deus é para nós um exemplo: «O Verbo fez-se carne, para ser o nosso modelo de santidade: 'Aprendei de mim que sou manso e humilde coração' (Ev.)» (CIC, 59). Embora exigente, não impõe um fardo pesado demais: «O meu jugo é suave e a minha carga é leve» (Ev.).

 

6ª Feira, 21-VII: O memorial da Páscoa de Cristo.

Ex 11, 10-12. 14 / Mt 12, 1-8

Comereis a toda a pressa: é um sacrifício pascal em honra do Senhor.

Este memorial da Páscoa dos judeus é uma maravilha de Deus: «É assim que Israel entende a libertação do Egipto: Sempre que se celebra a Páscoa, os acontecimentos do Êxodo (Leit.) tornam-se presentes à memória dos crentes, para que conformem com eles a sua vida» (CIC, 1363).

«Este memorial recebe um novo sentido no Novo Testamento. Todas as vezes que no altar se celebra o sacrifício da Cruz, no qual Cristo, nossa Páscoa, foi imolado, realiza-se a obra da nossa redenção» (CIC, 1364).

 

Sábado, 22-VII: S. Maria Madalena: Procurar o Senhor.

Cant 3, 1-4 / Jo 20, 1. 11-18

No primeiro dia da semana, Maria de Magdala foi de manhãzinha, ainda escuro ao túmulo do Senhor.

«Maria Madalena e as santas mulheres, que vinham acabar de embalsamar o corpo de Jesus, foram as primeiras pessoas a encontrar-se com o Ressuscitado»(CIC, 641).

Procuremos igualmente ir ao encontro do Senhor durante o nosso dia. Haverá momentos em que será mais difícil, mas Ele está sempre à nossa espera. Imitemos Maria Madalena no amor com que o procurou. «A contemplação procura 'aquele que o meu coração ama' (Leit.), que é Jesus e, nEle, o Pai. Ele é procurado porque desejá-lo é sempre o princípio do amor» (CIC, 2709).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Nuno Westwood

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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