S. Pedro e S. Paulo

Missa da Vigília

28 de Junho de 2017

 

Solenidade

 

Esta Missa celebra-se na tarde do dia 28 de Junho, antes ou depois das Vésperas I da solenidade.

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Fez-vos Cristo luz do mundo, F. da Silva, NRMS 36

 

Antífona de entrada: Pedro, apóstolo, e Paulo, doutor das gentes, ensinaram-nos a vossa lei, Senhor.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

A Igreja celebra neste dia dois santos que se empenharam com generosidade na construção da Igreja de Jesus Cristo: S. Pedro, um dos Doze Apóstolos, que foi escolhido para ser o primeiro Papa e deu a vida pelo Mestre, morrendo martirizado depois e se ter empenhado na difusão do Evangelho; e S. Paulo que, depois de perseguidor da Igreja — ele estava convencido de que assim fazia a vontade de Deus — se tornou o maior evangelizador de todos os tempos e morreu também mártir em Roma, como Pedro.

Toda a Liturgia nos recorda Igreja fundada por Jesus Cristo e à qual fomos chamados, e a generosidade com que devemos amá-la e servi-la.

 

Acto penitencial

 

Peçamos ao Senhor nos perdoe as faltas de amor à Igreja nossa Mãe, e a falta de empenhamento na sua missão.

 

(Tempo de silêncio. Sugerimos o esquema A, com a confissão e o Kyrie.)

 

Oração colecta: Senhor nosso Deus, que, por meio dos apóstolos São Pedro e São Paulo, comunicastes à vossa Igreja os primeiros ensinamentos da fé, concedei-nos, por sua intercessão, o auxílio necessário para chegarmos à salvação eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: S. Pedro curou, à porta do templo de Jerusalém, um coxo de nascença que ali pedia esmola. O acontecimento produziu o esperado alvoroço e movimento de conversões à igreja nascente.

O grande milagre que as pessoas dos nossos dias esperam contemplar é o milagre da nossa fidelidade à Igreja.

 

Actos dos Apóstolos 3, 1-10

Naqueles dias, 1Pedro e João subiam ao templo para a oração das três horas da tarde. 2Trouxeram então um homem, coxo de nascença, que colocavam todos os dias à porta do templo, chamada Porta Formosa, para pedir esmola aos que entravam. 3Ao ver Pedro e João, que iam a entrar no templo, pediu-lhes esmola. 4Pedro, juntamente com João, olhou fixamente para ele e disse-lhe: «Olha para nós». 5O coxo olhava atentamente para Pedro e João, esperando receber deles alguma coisa. 6Pedro disse-lhe: «Não tenho ouro nem prata, mas dou-te o que tenho: em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, levanta-te e anda». 7E, tomando-lhe a mão direita, levantou-o. Nesse instante fortaleceram-se-lhe os pés e os tornozelos, 8levantou-se de um salto, pôs-se de pé e começou a andar depois entrou com eles no templo, caminhando, saltando e louvando a Deus. 9Toda a gente o viu caminhar e louvar a Deus 10e, sabendo que era aquele que costumava estar sentado, a mendigar, à Porta Formosa do templo, ficaram cheios de admiração e assombro pelo que lhe tinha acontecido.

 

Temos aqui o relato da cura do coxo de nascença, o primeiro milagre realizado por Pedro, com que se inicia mais uma unidade literária de Actos (Act 3, 1 – 5, 42) que refere a primeira actividade apostólica em Jerusalém, após o Pentecostes.

1 «Para a oração das 3 horas de tarde» (hora nona), a hora em que começavam no Templo as cerimónias do sacrifício vespertino que se prolongavam até ao cair da tarde; então se oferecia um cordeiro em sacrifício, como também de manhã, segundo Ex 12, 6.

2 «Porta Formosa», porta assim chamada pelos seus ricos adornos, que dava do átrio dos gentios para o átrio das mulheres, em frente do pórtico de Salomão (v. 11), que rodeava a zona do templo do lado Leste.

6 «Em nome de Jesus…» Os prodígios operados pelos Apóstolos não eram feitos em nome próprio, como Jesus fazia, revelando a sua divindade ao não precisar dum poder alheio para os realizar, como é o caso de Pedro.

 

Salmo Responsorial    Sl 18 A (19 A) 2-3.4-5 (R. 5a)

 

Monição: O salmo responsorial que a liturgia desta solenidade nos propõe rezar ao Altíssimo porque fez de nós Seus filhos e nos conduz à vida eterna.

 

Refrão:        A sua mensagem ressoou por toda a terra.

 

Os céus proclamam a glória de Deus

e o firmamento anuncia a obra das suas mãos.

O dia transmite ao outro esta mensagem

e a noite a dá a conhecer à outra noite.

 

Não são palavras nem linguagem

cujo sentido se não perceba.

O seu eco ressoou por toda a terra

e a sua notícia até aos confins do mundo.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. Paulo, na sua carta aos cristãos a Igreja da Galácia, canta um hino de acção de graças ao Senhor, porque o destinou, desde o seio materno, a ser apóstolo da Igreja.

Ele procurou corresponder a esta graça, percorrendo o mundo e enfrentado contradições e sofrimentos, para difundir a luz do Evangelho.

 

Gálatas 1, 11-20

11Eu vos declaro, irmãos: O Evangelho anunciado por mim não é de inspiração humana, 12porque não o recebi ou aprendi de nenhum homem, mas por uma revelação de Jesus Cristo. 13Certamente ouvistes falar do meu proceder outrora no judaísmo e como perseguia terrivelmente a Igreja de Deus e procurava destruí-la. 14Fazia mais progressos no judaísmo do que muitos dos meus compatriotas da mesma idade, por ser extremamente zeloso das tradições dos meus pais. 15Mas quando Aquele que me destinou desde o seio materno e me chamou pela sua graça, 16Se dignou revelar em mim o seu Filho para que eu O anunciasse aos gentios, decididamente não consultei a carne e o sangue, 17nem subi a Jerusalém para ir ter com os que foram Apóstolos antes de mim mas retirei-me para a Arábia e depois voltei novamente a Damasco. 18Três anos mais tarde, subi a Jerusalém para ir conhecer Pedro e fiquei junto dele quinze dias. 19Não vi mais nenhum dos Apóstolos, a não ser Tiago, irmão do Senhor. 20– O que vos escrevo, diante de Deus o afirmo: não estou a mentir.

 

S. Paulo escreve aos cristãos da Galácia, mais provavelmente da Galácia do Norte, na Turquia actual. Eram cristãos na maior parte convertidos de tribos pagãs originárias da Gália, que estavam a ser perturbados por pregadores de tendência judaizante, que os intimidavam dizendo-lhes que, para se salvarem, não bastava o Baptismo e a fé cristã, mas que necessitavam de ser circuncidados. Para imporem a sua teoria, tentavam desacreditar a pessoa de S. Paulo, afirmando que ele não era um verdadeiro Apóstolo, pois não tinha recebido a sua missão directamente de Jesus. Nesta carta o Apóstolo começa por declarar e explicitar como foi o próprio Senhor que lhe revelou o Evangelho – os principais mistérios – que ele pregava. Sendo assim, logo após a conversão, não teve necessidade de vir imediatamente a Jerusalém para ouvir os Apóstolos, retirou-se para a Arábia (o reino nabateu, a sul de Damasco) e só ao fim de três anos é que foi estar com os Apóstolos. Pergunta-se, então, que fez S. Paulo durante esses três anos? Uns pensam que foram anos de pregação, outros que teria sido um tempo de retiro espiritual, em que ele assenta ideias, confrontando a revelação que teve com os dados do Antigo Testamento e da fé dos primeiros cristãos.

19 «Só vi Tiago». A forma de falar não significa necessariamente que este irmão do Senhor fosse um dos 12 Apóstolos. Para que tenha sentido a frase, basta que se trate duma figura proeminente da igreja jerosolimitana; para isto seria suficiente o simples título de «irmão (parente) do Senhor» e a participação da missão apostólica. Por isso, hoje, muitos exegetas entendem que este Tiago é distinto do apóstolo, «filho de Alfeu.», o «São Tiago Menor. Não se pode tratar de Tiago, irmão de João, pois, segundo o testemunho de Flávio José, foi martirizado por volta do ano 42 (cf. Act 12, 2).

 

Aclamação ao Evangelho        Jo 21, 17b

 

Monição: Unidos aos sentimentos de Pedro, quando era interpelado por Jesus ressuscitado nas margens do Mar da Galileia, manifestemos o nosso Amor ao Divino mestre, aclamando o Evangelho da Salvação.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação – 4,F. Silva, NRMS 50-51

 

Senhor, que sabeis tudo, bem sabeis que Vos amo.

 

 

Evangelho

 

São João 21, 15-19

Quando Jesus Se manifestou aos seus discípulos junto ao mar de Tiberíades, 15depois de comerem, perguntou a Simão Pedro: «Simão, filho de João, tu amas-Me mais do que estes?». Ele respondeu-Lhe: «Sim, Senhor, Tu sabes que Te amo». Disse-lhe Jesus: «Apascenta os meus cordeiros». 16Voltou a perguntar-lhe segunda vez: «Simão, filho de João, tu amas-Me?». Ele respondeu-Lhe: «Sim, Senhor, Tu sabes que Te amo». Disse-lhe Jesus: «Apascenta as minhas ovelhas». 17Perguntou-lhe pela terceira vez: «Simão, filho de João, tu amas-Me?». Pedro entristeceu-se por Jesus lhe ter perguntado pela terceira vez se O amava e respondeu-Lhe: «Senhor, Tu sabes tudo, bem sabes que Te amo». Disse-lhe Jesus: «Apascenta as minhas ovelhas. 18Em verdade, em verdade te digo: Quando eras mais novo, tu mesmo te cingias e andavas por onde querias mas quando fores mais velho, estenderás a mão e outro te cingirá e te levará para onde não queres». 19Jesus disse isto para indicar o género de morte com que Pedro havia de dar glória a Deus. Dito isto, acrescentou: «Segue-Me».

 

15-17 É fácil de ver na tripla confissão de amor de Pedro uma reparação da sua tripla negação (18, 17.25-27). Na redacção do texto grego, pode ver-se também um jogo de palavras muito expressivo, pois na 1ª e 2ª pergunta Jesus interroga Pedro com um verbo de amor mais divino, profundo e intelectual (amas-Me? – agapâs me), ao passo que Pedro responde com um verbo de simples afeição e amizade (sou teu amigo – filô se); à 3ª vez, Jesus condescende com Pedro, usando este segundo verbo, e Pedro ficou triste por se lembrar que esta mudança de Jesus se devia à imperfeição do seu amor. Toda a Tradição católica viu neste encargo de pastorear todo o rebanho de Cristo (cordeiros e ovelhas) o cumprimento da promessa do primado (Mt 16, 17-19 e Lc 22, 31-32; cf. 1 Pe 5, 2.4. Recorde-se, a propósito, o que diz o Concílio Vaticano II, LG, 22: «O colégio ou corpo episcopal não tem autoridade a não ser em união com o Pontífice Romano, sucessor de Pedro, entendido como sua cabeça, permanecendo inteiro o poder do seu primado sobre todos, quer pastores, quer fiéis. Pois o Romano Pontífice, em virtude do seu cargo de Vigário de Cristo e Pastor de toda a Igreja, nela tem pleno, supremo e universal poder, que pode sempre exercer livremente».

18-19 «Estenderás as mãos... Segue-Me». Pedro havia de seguir a Cristo até ao ponto de vir a morrer crucificado em Roma, na perseguição de Nero (64-68), segundo a tradição documentada já por S. Clemente, no século I. Também se diz que, por humildade, pediu para ser crucificado de cabeça para baixo.

21-22. Jesus não satisfaz curiosidades inúteis, mas apela à fidelidade: «segue-me». Tendo em conta que Pedro já morrera havia uns 40 anos, não deixa de impressionar a ligação tão íntima entre o discípulo amado e Pedro, aparecendo este sempre numa posição de superioridade (cf. Jo 13, 24; 18, 15-16; 20, 1-8; 21, 1-12.15.20-23); há quem veja nisto um apelo a um critério a seguir nas relações entre as comunidades joaninas da Ásia Menor e a Igreja de Roma.

 

Sugestões para a homilia

 

• A missão da Igreja

Escola de oração

Atenta e solícita com as pessoas

Cura os doentes

• Escola de Amor

Amar, condição para ser Igreja

Caminhar à frente

Seguir a Jesus Cristo

 

1. A missão da Igreja

 

a) Escola de oração. «Naqueles dias, Pedro e João subiam ao templo para a oração das três horas da tarde

Pedro e João, continuando com os hábitos de orar diariamente no templo de Jerusalém, para lá se dirigiam. Foi neste contexto que se deu o milagre da cura do coxo de nascença.

Eles ensinam-nos o que é mais importante na nossa vida cristã: fazer oração. Quando nos desculpamos, dizendo que não rezamos, porque não temos tempo, ignoramos o que é essencial na nossa vida, porque a oração é a respiração da vida sobrenatural.

A Igreja é a família dos filhos de Deus que estão na terra — Igreja militante —, no Purgatório — Igreja Padecente ou Purgante — e no Paraíso — Igreja triunfante.

Quando Jesus Cristo planeou continuar a anunciar a Boa Nova das Salvação a todas as pessoas e todos os tempos; a santificar pelos Sacramentos; e guiar-nos para a Casa do Pai, instituiu a Igreja. Ela é “instrumento universal de Salvação”; é Jesus Cristo a actuar hoje no mundo, aceitando a querendo a nossa cooperação.

Como qualquer família normal, a Igreja ensina-nos a falar com o nosso Pai que está no Céu e com a Santíssima Trindade que vive em nosso coração.

Jesus Cristo ensinou os Apóstolos a orar, quer dando-lhes o exemplo, quer ensinando-lhes mesmo como o haviam de fazer.

A missão da Igreja não é, portanto, construir templos, nem promover grandes manifestações religiosas, mas fomentar em todos nós uma familiaridade crescente com Deus.

Ela tem a sua oração oficial: a Liturgia das Horas, rezada todos os dias por muitos dos seus fieis, em louvor da Saníssima Trindade. A partir da reforma litúrgica do Concílio Vaticano II, há muitos leigos que a rezam todos os dias, além dos sacerdotes e outras pessoas consagradas.

Tudo o que aprendemos na Igreja deve levar-nos a este trato familiar e cheio de confiança com Deus.

 

b) Atenta e solícita com as pessoas. «Trouxeram então um homem, coxo de nascença, que colocavam todos os dias à porta do templo, chamada Porta Formosa, para pedir esmola aos que entravam. [...]. Pedro, juntamente com João, olhou fixamente para ele»

Desde a suas origens, a Igreja atendeu sempre a toda a pessoa humana. Nada do que é humano lhe é alheio. Promoveu a cultura a todos os níveis, ensinou as pessoas a viverem na comunidade política e, principalmente, atendeu aos mais carenciados.

De acordo com as necessidades que se vão manifestando, a Igreja foi unindo os seus esforços para lhes encontrar uma solução.

Logo no princípio da Igreja, surgiu o cuidado das viúvas, um grupo de pessoas carenciadas, porque ficavam ao desamparo, sem qualquer ajuda. Instituiu para as atender, os diáconos.

Surgiram depois, na Idade Média, as leprosarias ou lazaretos, porque esta doença era incurável, e os próprios familiares rejeitavam os seus doentes.

Organizaram-se mais tarde as Misericórdias, para fomentar o exercício de todas as obras de misericórdia, especialmente centradas nos Hospitais. Por sua vez, as Irmandades e Confrarias atendiam preferentemente às necessidades espirituais: sufrágios dos defuntos, voluntariado para acompanhar os mais carenciados.

Hoje, é ainda a Igreja quem se preocupa com os toxicodependentes e alcoólicos e outros marginalizados pela sociedade.

Entretanto, surgem respostas a outras necessidades novas: os infantários e lares de terceira idade, além do ensino a todos os níveis.

Se, de repente, toda a assistência da Igreja acabasse, o mundo ficaria em pânico.

Com esta união de forças, as pessoas, inspiradas pela luz do Evangelho, realizam maravilhas no nosso meio.

 

c) Cura os doentes. «Pedro disse-lhe: «Não tenho ouro nem prata, mas dou-te o que tenho: em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, levanta-te e anda». E, tomando-lhe a mão direita, levantou-o. Nesse instante fortaleceram-se-lhe os pés e os tornozelos, levantou-se de um salto, pôs-se de pé e começou a andar

Pedro adverte este coxo de nascença: «Não tenho ouro nem prata.» De facto, a missão da Igreja não é juntar riqueza, nem promover empregos ou empresas onde todos trabalhem. Mas ajuda a todos os seus filhos a colocarem ao serviço de todos as riquezas da terra.

Mas logo em seguida, com os poderes que recebeu de Jesus, curou este homem, restituindo-o a uma vida saudável.

Cura os doentes, nos seus hospitais e outras obras de carácter social, e os doentes da alma, ajudando todas as pessoas a encontrarem o caminho da alegria e da felicidade. Ensina-as e ajuda-as a lutar contra as suas limitações e pecados. Oferece-lhes o remédio dos sacramentos e ora por elas.

Mas Igreja somos todos nós. Ela não existe em abstracto, mas nas pessoas. Ao prestar cuidados às pessoas, fá-lo por meio de cada um de nós.

Precisamos estar mais atentos aos mais carenciados. Hoje, há muitos marginalizados que precisam de ajuda para recomeçarem uma vida normal.

Muitas vezes, os mais carenciados vivem em boas casas e parece até que têm um nível de vida invejável.

A grande doença para muitas pessoas, nestes dias, é uma esmagadora solidão. Ela é fruto de uma sociedade de conforto. As pessoas fecham-se no seu mundo egoísta, deixando os que lhe são mais caros mergulhados no isolamento.

Como Pedro, temos de dizer-lhes: “Não tenho ouro nem prata”, mas tenho tempo e uma palavra de conforto para te dirigir!” “Quero ajudar-te a reencontrar o sentido da vida!”

Simão Pedro tinha o seu projecto de vida, até que o Mestre passou ao seu lado e o convidou a segui-lo. Queria seguir a profissão de pescador do mar da Galileia, continuando a tradição da família.

Depois de três anos na escola de Jesus, foi colocado pelo Mestre à frente da Igreja e entregou a sua vida por inteiro ao serviço da mesma Igreja.

Percorreu o mundo e veio a morrer mártir — crucificado de cabeça para baixo, por humildade — no lugar onde hoje se levanta a Basílica de S. Pedro.

 

2. Escola de Amor

 

a) Amar, condição para ser Igreja. «depois de comerem, perguntou a Simão Pedro: “Simão, filho de João, tu amas-Me mais do que estes?”. Ele respondeu-Lhe: “Sim, Senhor, Tu sabes que Te amo”.»

A cena deste Evangelho dá-se junto ao Mar da Galileia, depois da ressurreição de Jesus, e da pesca miraculosa e refeição em comum.

Jesus perguntou três vezes a Pedro se O amava mais do que os outros Apóstolos ali presentes. Ele entristeceu-se quando se apercebeu que Jesus aludia à tríplice negação que agora o convidava a reparar.

Imaginemos, por momentos, que Jesus dirigia esta mesma pergunta a cada um de nós: que Lhe responderíamos, sabendo que Ele lê em nosso coração como em livro aberto?

Parece relativamente fácil dizer a Jesus que O amamos. Quando se trata de fazer comparações, o assunto complica-se, porque não vemos o interior de cada pessoa. Podemos, ao menos, exprimir o desejo de O amar assim.

Mas a resposta de Jesus é muito mais exigente, porque Ele quer ser amado em cada uma das pessoas que vivem ao nosso lado. Pergunta S. João: «Como podes dizer que amas a Deus a Quem não vês, se não amas o teu irmão a quem vês

Na verdade, é fácil confundirmos amor com sentimento e afirmarmos que amamos a Jesus, infinitamente amável, mas não sermos capazes de vencer as repugnâncias da natureza, aceitando os nossos irmãos com todas as suas limitações.

Um santo dos nossos dias, num encontro numeroso de pessoas, perguntava às esposas presentes e aos maridos, à vez: Amas os defeitos do teu marido... da tua esposa? Se não, não amas, porque não podemos separar a pessoa das suas limitações.

Toda a nossa vida está centrada no Amor a Deus e ao próximo — aquelas pessoas concretas que temos ao nosso lado.

Para ajudar as pessoas, é preciso começar por amá-las, e não entrar logo numa longa série de conselhos. Quantas vezes o modo como damos os conselhos exprime claramente que não temos qualquer afecto às pessoas a quem falamos!

O êxito apostólico dos santos — João Paulo II, João XXIII, S. João Bosco, S. Josemaria... está no amor. Quando falavam a uma pessoa, ela intuía que era amada.

O cuidado de manifestar amor aos filhos e não ira, ou desinteresse pelos seus problemas é uma lembrança de sempre.

 

b) Caminhar à frente. «Disse-lhe Jesus: “Apascenta os meus cordeiros” [...].”Apascenta as minhas ovelhas”.»

Jesus entrega a Pedro o pastoreio das ovelhas e dos cordeiros. São alusões figuradas à sua missão de Chefe visível da Igreja que Jesus veio fundar.

Compreendemos que quando o Pastor quer guiar as ovelhas, conduzindo-as a bons pastos e defendendo-as dos perigos, tem de caminhar à frente, sem perder de vista todo o rebanho, evitando que caiam num precipício, se alimentem com ervas daninhas ou sejam devoradas pelo lobo.

Neste caminhar à frente — apascentar — há uma alusão velada de Jesus ao bom exemplo, à coerência entre o que se aconselha e se vive.

Quem deseja ajudar uma pessoa, aconselhando-a, tem de começar por fazer um esforço generoso e sério por pôr em prática aquilo mesmo que aconselha. Na verdade, somos companheiros de viagem e não placas de sinalização.

Jesus repete três vezes esta ordem — apascenta as minhas ovelhas; apascenta os meus cordeiros — para que compreendamos que isto é importante.

Há poucos dias, o Papa Francisco visitou uma prisão de Roma e conseguiu comover os reclusos, não pelo sermão que lhes pregou, mas porque lhes disse com toda a simplicidade: “Eu também cometi muitos erros na minha vida, e procuro emendar-me.”

Por outro lado, não podemos ficar à espera de sermos santos para começar a ajudar as outras pessoas.

Não somos modelos, nem padrões de comportamento para os outros, mas companheiros de caminho.

Caminhar com os que queremos ajudar, viver os seus problemas, é a única forma de ter êxito: Então, poderemos dizer-lhes em confidência: “Eu também tenho as mesmas dificuldades, mas estou a procurar vencê-las!”

 

c) Seguir a Jesus Cristo. «Dito isto, acrescentou: “Segue-Me”.»

Este convite feito a Pedro por Jesus aludia misteriosamente à missão e vida de Pedro. Seguindo os passos do Divino mestre, acabaria por dar a vida pela Verdade, como Ele.

Não se tratava de percorrer o mesmo caminho físico, espacial que Jesus percorre nas terras de Israel, mas de imitar a Sua vida.

Foi precisamente para nos ensinar a viver como bons filhos de Deus que o Senhor assumiu a nossa natureza humana.

É também o convite que Jesus faz a cada pessoa para a sua vocação pessoal. A todos convida: vem e segue-Me! Este convite é dirigido a todos os baptizados — casados e solteiros, sacerdotes e leigos, homens e mulheres — porque a vocação leva-nos a isto mesmo: a seguir os passos de Cristo em qualquer lugar em que nos encontremos.

O caminho de Jesus foi fazer a vontade do Pai, provando-Lhe assim, momento a momento, o Seu Amor.

Seguir a Cristo não implica, portanto, d modo geral, abandonar a família de sangue, a terra e o emprego. Esta vocação é para um número muito limitado de pessoas na Igreja.

Para a maioria dos fieis, seguir Jesus Cristo pelos caminhos da vida significa fazer a Sua vontade no trabalho, nos afectos e projectos de vida e nas amizades e alegrias. Concretiza-se na vocação à santidade que todos recebemos na fonte Baptismal e que havemos de seguir nos diversos caminhos da vida.

Temos todos um mesmo ponto de partida — o Baptismo — e um mesmo ponto de chegada — a felicidade eterna do Céu. De um ponto ao outro, cada um seguirá o próprio caminho, de acordo coma vocação pessoal recebida do Senhor.

Pedro começou por se entregar à profissão da família, acompanhando o pai na arte e faina da pesca. Um dia, passou na praia Jesus e convidou-o a integrar o grupo dos Doze: «Farei de vós pecadores de homens

Dentro do grupo dos Doze, o Senhor entregou-lhe a missão de servir os outros mandando, sendo cabeça visível da Igreja que fundara.

O importante para nós, como o foi para Pedro, é estar onde o Senhor quer que estejamos e fazer o que Ele quer de nós.

Assim foi também com Paulo: perseguiu a Igreja, cheio de boa fé, pensando que estavam a prestar um serviço a Deus. Esteve, nesta condição, presente no martírio de Santo Estêvão e aprovou-o.

Na sua fúria de perseguição à Igreja, foi interpelado pelo Mestre às portas de Damasco. A partir daqui, a sua vida mudou radicalmente e tornou-o o maior evangelizados de todos os tempos. Realizou plenamente a ordem de Jesus: «Segue-Me

 

Fala o Santo Padre

 

«Pedro experimentou que a fidelidade de Deus é maior do que as nossas infidelidades,

e mais forte do que as nossas negações.»

[…] «O Senhor enviou o seu anjo e me arrancou das mãos de Herodes» (Act 12, 11). Nos primeiros tempos do serviço de Pedro, na comunidade cristã de Jerusalém havia grande apreensão por causa das perseguições de Herodes contra alguns membros da Igreja. Ordenou a morte de Tiago e agora, para agradar ao povo, a prisão do próprio Pedro. Estava este guardado e acorrentado na prisão, quando ouve a voz do Anjo que lhe diz: «Ergue-te depressa! (...) Põe o cinto e calça as sandálias. (...) Cobre-te com a capa e segue-me» (Act 12, 7-8). Caiem-lhe as cadeias, e a porta da prisão abre-se sozinha. Pedro dá-se conta de que o Senhor o «arrancou das mãos de Herodes»; dá-se conta de que Deus o libertou do medo e das cadeias. Sim, o Senhor liberta-nos de todo o medo e de todas as cadeias, para podermos ser verdadeiramente livres. Este facto aparece bem expresso nas palavras do refrão do Salmo Responsorial da celebração litúrgica de hoje: «O Senhor libertou-me de toda a ansiedade». […]

O testemunho do apóstolo Pedro lembra-nos que o nosso verdadeiro refúgio é a confiança em Deus: esta afasta todo o medo e torna-nos livres de toda a escravidão e de qualquer tentação mundana.[…]

Pedro reencontrou a confiança, quando Jesus lhe disse por três vezes: «Apascenta as minhas ovelhas» (Jo 21, 15.16.17). Ao mesmo tempo ele, Simão, confessou por três vezes o seu amor a Jesus, reparando assim a tríplice negação ocorrida durante a Paixão. Pedro ainda sente queimar dentro de si a ferida da desilusão que deu ao seu Senhor na noite da traição. Agora que Ele lhe pergunta «tu amas-Me?», Pedro não se fia de si mesmo nem das próprias forças, mas entrega-se a Jesus e à sua misericórdia: «Senhor, Tu sabes tudo; Tu bem sabes que eu sou deveras teu amigo!» (Jo 21, 17). E aqui desaparece o medo, a insegurança, a covardia.

Pedro experimentou que a fidelidade de Deus é maior do que as nossas infidelidades, e mais forte do que as nossas negações. Dá-se conta de que a fidelidade do Senhor afasta os nossos medos e ultrapassa toda a imaginação humana. Hoje, Jesus faz a mesma pergunta também a nós: «Tu amas-Me?». Fá-lo precisamente porque conhece os nossos medos e as nossas fadigas. E Pedro indica-nos o caminho: fiarmo-nos d’Ele, que «sabe tudo» de nós, confiando, não na nossa capacidade de Lhe ser fiel, mas na sua inabalável fidelidade. Jesus nunca nos abandona, porque não pode negar-Se a Si mesmo (cf. 2 Tm 2, 13). [...]

Papa Francisco, Homilia, Solenidade Santos Pedro e Paulo, Basílica Vaticana, 29 de Junho de 2014

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

Neste dia em que celebramos a solenidade de S. Pedro e S. Paulo,

duas colunas dada Igreja a que nos alegramos de pertencer,

elevemos a nossa oração ao Pai, por Jesus Cristo, no Espírito,

pedindo pelas necessidades da Igreja e de todas as pessoas.

Oremos (cantando):

 

    Senhor, aumentai a nossa fé!

 

1. Pelo Santo Padre, sinal e instrumento de unidade e comunhão na Igreja,

    para que encontre em nosso carinho filial a alegria na sua missão de Pai,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor, aumentai a nossa fé!

 

2. Pelos nossos Bispos, sucessores dos Apóstolos, que presidem às Igrejas,

    para que saibam e possam construir uma Igreja viva e actuante no mundo,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor, aumentai a nossa fé!

 

3. Pelos Presbíteros que, em união com os Bispos, estão ao serviço da Igreja,

    para que vivam com alegria a sua vocação e ajudem os fieis no Vida cristã,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor, aumentai a nossa fé!

 

4. Por todos os ministérios da Igreja que, na alegria, trabalham em unidade,

    para que o Senhor os encha de paz e eficácia na sua missão eclesial,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor, aumentai a nossa fé!

 

5. Pelas famílias cristãs, verdadeiras igrejas domésticas e fontes de vida,

    para que sejam testemunhas da fidelidade ao Senhor entre os homens,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor, aumentai a nossa fé!

 

6. Pelas Igrejas perseguidas por causa da sua fidelidade ao Divino Mestre

    para que o Senhor as conforte e não deixe cair nas mãos dos inimigos,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor, aumentai a nossa fé!

 

7. Por todos os nossos irmãos que nos precederam na confissão da mesma fé,

    para que descansem na paz, e na glória que mereceram na vida terrena,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor, aumentai a nossa fé!

 

Senhor, que nos chamastes à Vossa Igreja na terra,

para merecermos uma coroa de glória eterna:

ajudai-nos a viver com fidelidade a vida presente,

e assim alcançarmos uma eternidade feliz no Céu.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

Os frutos da terra que levamos ao altar vão ser transubstanciados n Corpo e Sangue do Senhor, em virtude do Espírito Santo que o sacerdote recebeu no dia da sua ordenação sacerdotal.

Preparemo-nos com todo o empenho para participar generosamente na Mesa da Eucaristia.

 

Cântico do ofertório: Em redor do teu altar, M. Carneiro, NRMS 42

 

Oração sobre as oblatas: Ao celebrarmos com alegria, Senhor, a festa dos apóstolos São Pedro e São Paulo, apresentamos as nossas ofertas ao vosso altar e, reconhecendo a pobreza dos nossos méritos, esperamos da vossa bondade a alegria da salvação. Por Nosso Senhor.

 

Prefácio próprio, como na Missa seguinte.

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Saudação da Paz

 

O Senhor quer dar-nos a Sua paz, mas deseja que nós colaboremos neste dom divino, perdoando e aceitando que nos perdoem também as nossas ofensas.

Manifestemos estes sentimentos, ao trocarmos entre nós o sinal litúrgico da reconciliação.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

A Comunhão Sacramental exige de nós o estado de graça e o compromisso de nos deixar transformar n’Ele, tornando-nos cada vez mais membros vivos da Igreja.

Comunguemos, pois, com as disposições que Jesus põe como exigência para O recebermos com boas disposições.

 

Cântico da Comunhão: Não fostes vós que Me escolhestes, Az. Oliveira, NRMS 59

Jo 21, 15.17

Antífona da comunhão: Jesus disse a Pedro: Simão, filho de João, amas-Me tu mais do que estes? Pedro respondeu: Senhor, Vós sabeis tudo; bem sabeis que eu Vos amo.

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que iluminastes os vossos fiéis com os ensinamentos dos Apóstolos, fortalecei-nos sempre com estes sacramentos celestes. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Deus conta connosco para a construção de um mundo novo, com uma Igreja viva e cada vez mais operante.

Não defraudemos os Seus planos com a nossa falta de colaboração.

 

Cântico final: O Senhor enviou os seu Apóstolos, F. da Silva, NRMS 66

 

 

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Fernando Silva

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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