11º Domingo Comum

18 de Junho de 2017

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Nós Somos o povo de Deus, Frederico de Freitas, NRMS 9-10 (I)

Salmo 26, 7.9

Antífona de entrada: Ouvi, Senhor, a voz da minha súplica. Vós sois o meu refúgio: não me abandoneis, meu Deus, meu Salvador.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

A Jesus Cristo foi confiada pelo Pai uma tríplice missão: Sacerdote, Profeta e Rei à qual correspondem as três Missões: santificar, ensinar e governar. Pelo nosso Baptismo, a partir do qual passámos a fazer parte do Corpo Místico de Jesus como um dos seus membros, participamos também, cada um a seu modo, desta tríplice missão do Salvador.

A Liturgia da Palavra deste 11º Domingo do tempo comum vem recordar-nos especialmente a nossa participação no Sacerdócio de Jesus Cristo: os leigos, no sacerdócio real; os que recebem o Sacramento da Ordem, no sacerdócio ministerial.

 

Acto penitencial

 

Peçamos humildemente ao Senhor nos perdoe a nossa insensibilidade perante os pecados próprios — de que não nos arrependemos — e alheios — que nos limitamos a censurar.

Concretizemos, com a Sua ajuda, algum propósito concreto para vivermos durante a semana que hoje começa.

 

(Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, elementos para o esquema C)

 

•   Para a cegueira espiritual, que nos leva, no exame de consciência,

    a pensar que não temos, na vida, grandes defeitos nem pecados

    Senhor, misericórdia!

 

    Senhor, misericórdia!

 

•   Para a doentia insensibilidade diante dos pecados e escândalos,

    limitando-nos a murmurar contra eles ou a aprovar a maldade,

    Cristo, misericórdia!

 

    Cristo, misericórdia!

 

•   Para a preguiça que temos em formar bem a nossa consciência,

    que nos leva a viver e a pensar na vida como se fôssemos pagãos

    Senhor, misericórdia!

 

    Senhor, misericórdia!

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração colecta: Deus misericordioso, fortaleza dos que esperam em Vós, atendei propício as nossas súplicas; e, como sem Vós nada pode a fraqueza humana, concedei-nos sempre o auxílio da vossa graça, para que as nossas vontades e acções Vos sejam agradáveis no cumprimento fiel dos vossos mandamentos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O nosso Deus — o Deus da “aliança”, — elege um Povo para com ele estabelecer laços de comunhão e de familiaridade; Yahwéh confia a esse Povo uma missão sacerdotal: Israel deve ser o Povo reservado para o serviço do Senhor, isto é, mediador entre o Altíssimo e os outros povos, um sinal de Deus no meio das outras nações.

 

Êxodo 19, 2-6a

Naqueles dias, 2os filhos de Israel partiram de Refidim e chegaram ao deserto do Sinai, onde acamparam, em frente da montanha. 3Moisés subiu à presença de Deus. O Senhor chamou-o da montanha e disse-lhe: «Assim falarás à casa de Jacob, isto dirás aos filhos de Israel: 4'Vistes o que Eu fiz ao Egipto, como vos transportei sobre asas de águia e vos trouxe até Mim. 5Agora, se ouvirdes a minha voz, se guardardes a minha aliança, sereis minha propriedade especial entre todos os povos. Porque toda a terra Me pertence; 6amas vós sereis para Mim um reino de sacerdotes, uma nação santa'».

 

No capítulo 19 começa a 2ª parte do livro do Êxodo, em que se narram os acontecimentos no Sinai, tendo como centro a Aliança. Logo de princípio aparece dado por Deus o sentido da Aliança.

2 «Refidim» é um lugar que está identificado, a sudoeste da península do Sinai. Ali é situada a vitória sobre os Amalecitas (cf. Ex 17, 8-16).

5-6 Pela aliança, aquele povo vai tornar-se «propriedade especial de Deus» e «um reino de sacerdotes». Israel, libertado por Deus, é por este título especial seu «domínio pessoal» (v. 5), por isso todo este «reino» está de modo particular dedicado ao culto de Yahwéh, daí a designação de reino de sacerdotes. Também nisto o antigo povo de Deus figurava o novo povo de Deus, em que todos participamos do sacerdócio de Cristo, o sacerdócio comum dos fiéis, pelo qual devemos fazer de toda a nossa vida do dia a dia uma oblação agradável a Deus (cf. 1 Pe 2, 5.9).

 

Salmo Responsorial    Sl 99 (100), 2.3.5 (R. 3c)

 

Monição: O Salmo que a Liturgia nos propõe cantar, como resposta à primeira Leitura, é um convite para louvarmos o Senhor com alegria.

Façamos dele a nossa oração, cheia de fé e de confiança em Deus.

 

Refrão:        Nós somos o povo de Deus,

                     as ovelhas do seu rebanho.

 

Aclamai o Senhor, terra inteira,

servi o Senhor com alegria,

vinde a Ele com cânticos de júbilo.

 

Sabei que o Senhor é Deus,

Ele nos fez, a Ele pertencemos,

somos o seu povo, as ovelhas do seu rebanho.

 

Porque o Senhor é bom,

eterna é a sua misericórdia,

a sua fidelidade estende-se de geração em geração.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. Paulo recorda aos fiéis de Roma que a comunidade dos discípulos é fundamentalmente uma comunidade de pessoas a quem Deus ama. A missão que lhe confia no mundo é a de dar testemunho do amor de Deus por cada um de nós: um amor eterno, inquebrável, gratuito e absolutamente único.

 

Romanos 5, 6-11

Irmãos: 6Quando ainda éramos fracos, Cristo morreu pelos ímpios no tempo determinado. 7Por um justo, dificilmente alguém morrerá; por um homem bom, talvez alguém tivesse a coragem de morrer. 8Mas Deus prova assim o seu amor para connosco: Cristo morreu por nós, quando éramos ainda pecadores. 9E agora, que fomos justificados pelo seu sangue, com muito mais razão seremos por Ele salvos da ira divina. 10Se, na verdade, quando éramos inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, com muito mais razão, depois de reconciliados, seremos salvos pela sua vida. 11Mais ainda: também nos gloriamos em Deus, por Nosso Senhor Jesus Cristo, por quem alcançámos agora a reconciliação.

 

São Paulo neste capítulo 5º de Romanos pretende fazer ver que o amor de Deus garante ao homem justificado a firmeza da esperança da salvação eterna. Esta esperança é certa, não ilusória. Eis o raciocínio do Apóstolo: Se «quando éramos ainda pecadores» (v. 8) e «inimigos» de Deus (v. 10) – antes da conversão –, recebemos a graça da justificação, como é que não havemos de estar seguros «agora que fomos justificados pelo seu Sangue» (v. 9) e «reconciliados com Deus» (v. 10)? Com muito mais razão (vv. 9 e 10) «seremos, por Ele, salvos da ira divina» – no dia do juízo –, quando a ira divina castigar os pecadores. «Havemos, pois, de ser salvos pela sua vida» (v. 10), isto é, em virtude da vida de Cristo nos Céus, quando aparecermos diante dele como santos, reconciliados e redimidos por Ele.

 

Aclamação ao Evangelho        Mc 1, 15

 

Monição: O Senhor anuncia-nos, no Evangelho, a grande notícia de que o Reino de Deus já chegou até nós, e convida-nos a levar esta grande notícia ao coração de todos os povos.

Aclamemos o Senhor que nos anuncia tão feliz notícia, cantando aleluia.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação – 4, F. da Silva, NRMS 50-51

 

Está próximo o reino de Deus.

Arrependei-vos e acreditai no Evangelho.

 

 

Evangelho

 

São Mateus 9, 36 – 10, 8

Naquele tempo, Jesus, 36ao ver as multidões, encheu-Se de compaixão, porque andavam fatigadas e abatidas, como ovelhas sem pastor. 37Jesus disse então aos seus discípulos: «A seara é grande mas os trabalhadores são poucos. 38Pedi ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara». 10, 1Depois chamou a Si os seus Doze discípulos e deu-lhes poder de expulsar os espíritos impuros e de curar todas as doenças e enfermidades. 2São estes os nomes dos doze apóstolos: primeiro, Simão, chamado Pedro, e André, seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão; 3Filipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o publicano; Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu; 4Simão, o Cananeu, e Judas Iscariotes, que foi quem O entregou. 5Jesus enviou estes Doze, dando-lhes as seguintes instruções: «Não sigais o caminho dos gentios, nem entreis em cidade de samaritanos. 7Ide primeiramente às ovelhas perdidas da casa de Israel. Pelo caminho, proclamai que está perto o reino dos Céus. 8Curai os enfermos, ressuscitai os mortos, sarai os leprosos, expulsai os demónios. Recebestes de graça, dai de graça».

 

Este trecho do Evangelho ajuda-nos a entrar dentro dos sentimentos mais profundos do Coração de Cristo, do próprio Coração de Deus feito homem; o próprio sintagma verbal – «encheu-se de compaixão» (v. 36) – é muitíssimo expressivo; traduzido a letra seria: «comoveram-se-lhe as entranhas». Jesus comovia-se pela falta de bons pastores para o povo, numa alusão e actualização da Palavra de Deus através do Profeta Ezequiel (cf. Ez 34). Esta situação de carência mantém-se, pelo que tem plena actualidade o pedido do Senhor para que peçamos, como no v. 38, «trabalhadores para a sua seara».

10, 2 «Apóstolos». Um momento importante da fundação da Igreja é a escolha dos Doze Apóstolos. A legítima Igreja de Cristo é apostólica, aquela onde se dá a sucessão ininterrupta do Colégio Apostólico, presidido por Pedro. Apóstolo significa «enviado», pois Jesus enviou-os a pregar o seu Reino e a sua doutrina.

6 «Ide antes às ovelhas perdidas da Casa de Israel». Só mais tarde, depois da Ressurreição, os Apóstolos são mandados a todo o mundo (Mt 28, 19). Com esta espécie de «estágio», Jesus preparava os Apóstolos para a sua missão universal e atendia ao plano divino que tinha estabelecido o povo judaico como o primeiro a ser chamado à salvação, o povo depositário das promessas divinas, o povo da primeira Aliança. A conservação desta ordem de Jesus na redacção do Evangelho é um grande indício do valor histórico do Evangelho, pois está em descontinuidade do que era a prática da Igreja, logo nos seus primórdios, que cedo começou a evangelizar os gentios.

7 «Proclamai que está perto o reino dos Céus». O Evangelho de S. Mateus, como se dirigia imediatamente a cristãos vindos do judaísmo, tem o cuidado de, à boa maneira judaica, evitar respeitosamente o pronunciar o nome inefável de Deus, por isso não diz «reino de Deus». Proclamar que este reino está perto não quer dizer que Jesus estava iludido quanto à sua chegada final como algo imediato, mas era, por um lado, uma forma de inculcar a urgência da pregação da Boa Nova e a necessidade de estar desprendido das coisas da terra – «recebestes de graça, dai de graça» – (vv. 8-10); por outro lado, com a presença de Jesus, o Reino dos Céus não podia mesmo estar mais perto (cf. Lc 17, 20-21)

 

Sugestões para a homilia

 

• Povo sacerdotal

Participamos da missão sacerdotal de Jesus

Em que se concretiza esta missão

Ter alma sacerdotal

• O sacerdócio ministerial

Sacramento da Nova Lei

Escolhidos por Jesus

Para servir

 

Povo sacerdotal

 

a) Participamos da missão sacerdotal de Jesus. «[...] mas vós sereis para Mim um reino de sacerdotes, uma nação santa’.»

Jesus Cristo foi constituído pelo Pai Sumo Eterno Sacerdote. Só Ele, em nome das pessoas de todos os tempos, Lhe oferece um sacrifício agradável. «Os sacrifícios e oblações que Te foram oferecidos não eram suficientes para Te aplacar. Então Eu disse: “Eis aqui, ó Pai, para fazer a Tua vontade.”» (Hebr).

As vítimas oferecidas no Antigo Testamento eram uma figura do Sacrifício da Nova Lei.

Pelo Baptismo, fomos incorporados como membros do Corpo Místico de Jesus Cristo, formando um só corpo e uma só vida com Ele.

O Concílio Vaticano II ensina-nos que a Liturgia, celebrada pela Igreja e na qual cada um de nós tem o seu papel, é o exercício do múnus sacerdotal de Jesus Cristo. Não somos, pois, na Missa, simples espectadores, mas oferecemo-nos a nós próprios e oferecemos o mundo em união com o único Redentor do mundo.

Por isso, quando Jesus Se oferece em sacrifício ao Eterno Pai não Se oferece só, nem actua como sacerdote isolado. Oferece-Se e oferece-nos, de tal modo que somos sacerdotes e vítimas em união com Ele.

 

b) Em que se concretiza esta missão. «Agora, se ouvirdes a minha voz, se guardardes a minha aliança, sereis minha propriedade especial entre todos os povos

A missão do único sacerdote aceite pelo Pai é ser Mediador, ser ‘ponte’. Por isso Lhe chamamos Pontífice Eterno.

Construímos esta ponte falando dos homens a Deus, ao pedir, desagravar, louvar e agradecer por eles; e falando aos homens acerca de Deus, ou seja, ensinando-os a estabelecer com Ele uma relação filial.

A preocupação dos pais pela educação religiosa dos filhos e a frequência dos sacramentos; as diligências dos militantes das obras de apostolado; as nossas amizades que encaminham para Deus, são o exercício deste sacerdócio real.

Mas o exercício do nosso sacerdócio real tem de começar, como nos diz acerca de Jesus a Carta aos Hebreus, por cumprir fielmente a vontade do Pai. Por isso Lhe rezamos no Pai Nosso: “Seja feita a Vossa vontade, assim na terra (a começar pela vida de cada um de nós, em todas as situações da vida) como no Céu.”

 

c) Ter alma sacerdotal. «‘Vistes o que Eu fiz ao Egipto, como vos transportei sobre asas de águia e vos trouxe até Mim.’»

Os Pastorinhos de Fátima travaram um diálogo com o Anjo, em 1916. Conta-nos a Irmã Lúcia, nas suas memorias:

«Passado bastante tempo, em um dia de Verão, em que havíamos ido passar a sesta a casa, brincávamos em cima dum poço que tinham meus pais no quintal a que chamávamos o Arneiro... De repente, vemos junto de nós a mesma figura ou Anjo, como me parece que era, e diz:

— Que fazeis? Orai muito. Os Corações Santíssimos de Jesus e Maria têm sobre vós desígnios de misericórdia. Oferecei constantemente, ao Altíssimo, orações e sacrifícios.

— Como havemos de nos sacrificar? — perguntei eu.

— De tudo o que puderdes, oferecei a Deus sacrifício em acto de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido e súplica pela conversão dos pecadores. Atraí assim, sobre a vossa Pátria, a paz. Eu sou o Anjo da sua guarda, o Anjo de Portugal. Sobretudo, aceitai e suportai, com submissão, o sofrimento que o Senhor vos enviar»[1].

Os Pastorinhos entenderam profundamente esta mensagem que era um chamamento a que exercessem o seu sacerdócio real, como baptizados. Compreenderam o que era ter alma sacerdotal.

• Rezar pelas pessoas, para que se voltem para Deus na sua vida; falar às pessoas acerca de Deus.

• Fazer de toda a vida uma oferenda agradável ao Senhor. Para isso, é preciso viver em santidade e em graça de Deus, fazendo o que Deus quer, como quer e quando quer.

• Temos de ser sinais de Deus no meio das pessoas, pelo nosso comportamento e pelas nossas palavras. (Qual o segredo para que esta pessoa se esforce por fazer o trabalho perfeito e com alegria; e não dobre o seu joelho diante do dinheiro, das honras e da sensualidade, sendo honesta em toda a sua vida?) Não bastam as cruzes e outros objectos religiosos.

 

O sacerdócio ministerial

 

a) Sacramento da Nova Lei. Pastores do rebanho. «Jesus, ao ver as multidões, encheu-Se de compaixão, porque andavam fatigadas e abatidas, como ovelhas sem pastor

Jesus concretiza esta alma sacerdotal convidando-nos a pedir muitos e santos pastores do Seu rebanho.

Se tanta gente se afasta de Deus e vive como se Ele não existisse, é porque não somos fermento do mundo e sal da terra.

Mas há muitas tarefas que os leigos podem realizar na Igreja. Mas há algumas que só as pode realizar validamente aquele que recebeu o sacramento da Ordem (Presbítero e Bispo).

O sacerdócio ministerial brotou do Coração misericordioso de Jesus Cristo no alto da Cruz, para que, por meio de pessoas humanas Ele possa:

• Alimentar a fé do Povo de Deus com a pregação do Evangelho;

• consagrar o pão e o vinho, transubstanciando-os no Corpo e Sangue do Senhor;

• perdoar os pecados no sacramento da Reconciliação e Penitência;

• administrar o sacramento da Confirmação e da Santa Unção.

Isto não dispensa a acção dos leigos: aproximar as pessoas destas fontes de graças, para que não andem como ovelhas sem pastor.

 

b) Escolhidos por Jesus. «Depois chamou a Si os seus doze discípulos e deu-lhes poder de expulsar os espíritos impuros e de curar todas as doenças e enfermidades

Jesus deixa claro que não somos nós que ousamos tomar a iniciativa de ser ordenados, mas é Ele quem chama os que quer. «Não fostes vós que me escolhestes, mas fui Eu que vos escolhi para que vades e deis fruto e o vosso fruto permaneça

Foi uma decisão importante para Jesus, de tal modo que a preparou, passando a noite anterior em oração.

Por meio dos Pastores da igreja. Vêm para servir, abandonando gostos e planos pessoais.

Muitos abandonam profissões em que ganham bem, cursos em que gostavam de trabalhar, para servir os seus irmãos no sacerdócio ministerial.

O sacerdote não se ordena para benefício de si mesmo. Quando ele necessita da graça dos sacramentos, tem de recorrer a outro.

 

c) Para servir. «Curai os enfermos, ressuscitai os mortos, sarai os leprosos, expulsai os demónios

Jesus não se refere à cura das doenças físicas. Para isto há profissionais, além de que a saúde corporal acaba por se perder definitivamente, porque esta vida na terra tem um limite.

Na Sua vida pública, Jesus curou muitos doentes que Lhe eram apresentados. Estas curas eram como que figuras de outras mais maravilhosas que Ele queria realizar na Igreja e no mundo até ao fim dos tempos.

Curar doenças. Muitas pessoas pensam que toda a doença deve ter cura... e quando não resolvem o problema no médico ou numa promessa que fazem a um santo, recorrem ao bruxedo. À medida que vai crescendo a ignorância religiosa, avança a superstição. Assim complicam a vida, são espoliados de muito dinheiro e acabam por se tornar presas da possessão diabólica.

Ressuscitar os mortos. Acontece este milagre no sacramento da Confissão. Quem vive em pecado mortal, está morto para a vida do Céu. Depois de uma confissão bem feita, a vida da graça regressa e, com ela, a alegria e a paz. O demónio odeia o confessionário.

Sarar os leprosos. As pessoas que se confessam bem, rezam e fogem das ocasiões, acabam por se libertarem da lepra do pecado, em vez de a contagiarem a outras pessoas.

Expulsar os demónios. Referimo-nos à possessão moral e não à física. De facto, se pudéssemos ver com os olhos do corpo, ficaríamos admirados ao ver como o Inimigo obedece à voz do sacerdote, porque Jesus Cristo opera nele.

Mas é sobretudo no altar que ele exerce em plenitude o seu ministério.

Que a Mãe dos sacerdotes nos dê muitos obreiros para a seara e os ampare nos seus trabalhos.

 

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

O Senhor mandou-nos rezar com toda a confiança,

pedindo ao Senhor da Messe que mande operários.

Com toda a fé e confiança neste Coração Divino,

elevemos, por Ele, ao Pai, no Espírito Santo,

as preces pelas necessidades de todas as pessoas.

Oremos (cantando):

 

    Fazei de nós, Senhor,

    bons pastores da Vossa Igreja!

 

1. Para que o Santo Padre, com o Colégio dos Bispos,

    receba de todos nós a colaboração no seu ministério,

    oremos, irmãos.

 

    Fazei de nós, Senhor,

    bons pastores da Vossa Igreja!

 

2. Para que todos os cristãos encarem a sua vida cristã

    como serviço de amor às pessoas de boa vontade,

    oremos, irmãos.

 

    Fazei de nós, Senhor,

    bons pastores da Vossa Igreja!

 

3. Para que os jovens, despertos para a aventura e doação,

    entendam a vida como um serviço generoso às pessoas,

    oremos, irmãos.

 

    Fazei de nós, Senhor,

    bons pastores da Vossa Igreja!

 

4. Para que a família seja uma escola onde todos aprendam

    a servir-se uns aos outros sem olhar a qualquer recompensa,

    oremos, irmãos.

 

    Fazei de nós, Senhor,

    bons pastores da Vossa Igreja!

 

5. Para que os sacerdotes das nossas comunidades cristãs

    encontrem a compreensão e a ajuda na edificação do Reino,

    oremos, irmãos.

 

    Fazei de nós, Senhor,

    bons pastores da Vossa Igreja!

 

6. Para que todos os que o Senhor já chamou à Sua presença

    contemplem, quanto antes, o esplendor da Santíssima Trindade,

    oremos, irmãos.

 

    Fazei de nós, Senhor,

    bons pastores da Vossa Igreja!

 

Ó Deus que nos constituístes na Vossa Igreja

como família solidária onde todos se dão as mãos:

ensinai-nos a ter, na vida cristã, alma sacerdotal,

para nos darmos as mãos nesta caminhada para o Céu.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

Pelo ministério do sacerdote, o Senhor partiu para nós o Pão da Sua Palavra.

Deseja agora, pelo mesmo ministério, transubstanciar o pão e o vinho que levamos ao altar no Seu Corpo e Sangue, para nosso alimento.

 

Cântico do ofertório: Na hóstia sobre a patena, B. Salgado, NRMS 6 (II)

 

Oração sobre as oblatas: Senhor nosso Deus, que pelo pão e o vinho apresentados ao vosso altar dais ao homem o alimento que o sustenta e o sacramento que o renova, fazei que nunca falte este auxílio ao nosso corpo e à nossa alma. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Santo: J. Santos, NRMS 6 (II)

 

Saudação da Paz

 

Somos uma família solidária que vai conjuntamente a caminho do Céu. Não pode haver entre nós qualquer mal-entendido ou sinal de divisão.

Com a disponibilidade de interior para aceitarmos perdoar e ser perdoados,

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

Foi para nós que o Senhor Jesus tornou presente o Seu Corpo e Sangue sobre o altar da celebração.

Aceitemos o Seu convite para O recebermos, se estamos na graça de Deus, acreditamos na Presença Real e cumprimos os ensinamentos da Igreja sobre a reverência e Amor com que O havemos receber.

 

Cântico da Comunhão: O Senhor enviou os seus Apóstolos, F. da Silva, NRMS 66

Salmo 26, 4

Antífona da comunhão: Uma só coisa peço ao Senhor, por ela anseio: habitar na casa do Senhor todos os dias da minha vida.

 

Ou

Jo 17, 11

Pai santo, guarda no teu nome os que Me deste, para que sejam em nós confirmados na unidade, diz o Senhor.

 

Cântico de acção de graças: Senhor, Tu és a Luz, Az. Oliveira, NRMS 6 (II)

 

Oração depois da comunhão: Fazei, Senhor, que a sagrada comunhão nos vossos mistérios, sinal da nossa união convosco, realize a unidade na vossa Igreja. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Vamos agora para a vida normal de cada dia, para nela exercermos o sacerdócio comum que recebemos pelo Baptismo.

Procuremos ter alma sacerdotal, oferecendo ao Altíssimo um sacrifício de tudo o que pudermos.

 

Cântico final: Ide por todo o mundo e proclamai, J. Santos, NRMS 59

 

 

Homilias Feriais

 

11ª SEMANA

 

2ª Feira, 19-VI: Uma nova mentalidade.

2 Cor 6, 1-10 / Mt 5, 38-42

Ouviste que foi dito aos antigos: olho por olho, dente por dente. Pois eu digo-vos: Não resistais ao malvado.

Jesus pede uma nova mentalidade e comportamento em relação ao próximo. É altura de acabar com a lei de Talião: olho por olho, dente por dente (Ev.). Agora deve prevalecer o amor ao próximo, que exige desprendimento do próprio eu, capacidade de humilhação, espírito de serviço desinteressado, ajuda aos mais necessitados.

É também ocasião para darmos um bom testemunho: pela constância nas tribulações, nas adversidades, nas fadigas; pela pureza, pela ciência e pela paciência, pela bondade, pela caridade não fingida, pela palavra da verdade e pela força de Deus (Leit.).

 

3ª feira, 20-VI: A descoberta de riquezas desconhecidas.

2 Cor 8, 1-9 / Mt 5, 43-48

Jesus, que era rico, fez-se pobre por vossa causa, para que vos tornásseis ricos pela sua pobreza.

O Apóstolo reconhece que os Coríntios são ricos em tudo: na fé, na eloquência, na doutrina, nas atenções e na caridade. E faz mais um pedido: que sejam ricos em generosidade, partilhando os seus bens materiais com os mais necessitados (Leit.).

Um outro campo em que nos é pedida uma maior generosidade é o do amor aos inimigos, aos que nos incomodam: «No Sermão da Montanha, o Senhor lembra o preceito: 'Não matarás', e acrescenta-lhe a proibição da ira, do ódio e da vingança. Mais ainda, Cristo exige do seu discípulo que ame os seus inimigos (Ev.)» (CIC, 2262).

 

4ª Feira, 21-VI: Semear com generosidade e alegria.

2 Cor 9, 6-11 / Mt 6, 1-6. 16-18

Quem semeia pouco, também colherá pouco e, quem semeia com largueza também colherá com largueza.

Com a imagem da sementeira, o Apóstolo anima-nos a semear com generosidade e alegria: «Deus ama quem dá com alegria» (Leit.).

Essa mesma generosidade há-de notar-se nas formas de penitência interior: «A penitência interior do cristão pode ter expressões muito variadas. A Escritura e os Padres insistem sobretudo em três formas: o jejum, a oração e a esmola (Ev.)» (CIC, 1434). Pensemos nas muitas pobrezas do nosso tempo: a fome, as doenças, a solidão dos idosos, os desempregados, a falta de doutrina e dos sacramentos, etc.

 

5ª Feira. 22-VI: O pão nosso de cada dia.

2 Cor 11, 1-11 / Mt 6, 7-15

Orai, pois, deste modo: Pai nosso... O Pão nosso de cada dia nos dai hoje.

Ao pedirmos o pão nosso de cada dia reconhecemos que toda a nossa existência depende de Deus, Em primeiro lugar, pedimos o que é necessário para resolver as necessidades de cada dia; depois, o que e necessário para a salvação da nossa alma.

O pão nosso tomado à letra «designa directamente o Pão da vida, o corpo de Cristo, ´remédio de imortalidade’, sem o qual não temos a vida em nós» (CIC, 2837). As Leituras da Escritura também são o pão de cada dia (CIC, 2837), porque nos falam de Jesus e nos ajudam a segui-lo (Leit.).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Fernando Silva

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 



[1]  Memórias, II, pg. 62. Cf SEBASTIÃO MARTINS DOS REIS, A Vidente de Fátima dialoga e responde pelas Aparições, Editorial Franciscana, Braga, 1970. Numa entrevista ao Dr. Goulven, a Irmã Lúcia (Junho e 1946?). A partir daqui, citar-se-á S. M. REIS, A Vidente de Fátima. Interrogada expressamente se o Anjo tinha dito "a vossa Pátria", Lúcia respondeu afirmativamente.


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