Santíssimo Corpo e Sangue e Cristo

15 de Junho de 2017

 

Solenidade

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Nesta Santa Eucaristia, H. Faria, NRMS 103-104

Salmo 80, 17

Antífona de entrada: O Senhor alimentou o seu povo com a flor da farinha e saciou-o com o mel do rochedo.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

É muito bela esta festa do Corpo de Deus. É manifestação da fé do povo cristão na presença de Jesus entre nós, vivo na hóstia consagrada.

É ocasião de Lhe manifestarmos a nossa gratidão e a nossa adoração. E também de O desagravarmos pelos nossos desleixos ao longo do ano.

 

Olhemos para Jesus com os olhos da fé e peçamos-Lhe perdão dos nossos pecados.  

 

Oração colecta: Senhor Jesus Cristo, que neste admirável sacramento nos deixastes o memorial da vossa paixão, concedei-nos a graça de venerar de tal modo os mistérios do vosso Corpo e Sangue, que sintamos continuamente os frutos da vossa redenção. Vós que sois Deus com o Pai na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Moisés lembrava ao povo de Israel a caminhada pelo deserto até à Terra prometida e o maná com que Deus os alimentou nessa caminhada. Ele era uma figura do pão do Céu que Jesus iria dar.

 

Deuteronómio 8, 2-3.14b-16a

Moisés falou ao povo, dizendo: 2«Recorda-te de todo o caminho que o Senhor teu Deus te fez percorrer durante quarenta anos no deserto, para te atribular e pôr à prova, a fim de conhecer o íntimo do teu coração e verificar se guardarias ou não os seus mandamentos. 3Atribulou-te e fez-te passar fome, mas deu-te a comer o maná que não conhecias nem teus pais haviam conhecido, para te fazer compreender que o homem não vive só de pão, mas de toda a palavra que sai da boca do Senhor. 14bNão te esqueças do Senhor teu Deus, que te fez sair da terra do Egipto, da casa de escravidão, 15e te conduziu através do imenso e temível deserto, entre serpentes venenosas e escorpiões, terreno árido e sem águas. Foi Ele quem, da rocha dura, fez nascer água para ti 16ae, no deserto, te deu a comer o maná, que teus pais não tinham conhecido».

 

A leitura é tirada da parte central do Deuteronómio, o 2º discurso de Moisés (Dt 4, 44 – 28, 68), na passagem que recorda como Deus forjou a alma do povo com as provações sofridas no deserto, acompanhadas de uma amorosa providência, para o socorrer na fome e na sede.

3 «O maná». É figura e símbolo da Eucaristia (cf. Jo 6, 31-33.49-52), figura muitíssimo expressiva, pois é chamado «pão do céu» (Ex 16, 4), «pão dos Anjos» (Sab 16, 20), «pão dos fortes» (Salm 77, 25), «um pão já pronto, sem trabalho, dado do céu, capaz de produzir todas as delícias e bom para todos os gostos», segundo a releitura deráxica do autor do livro da Sabedoria (Sab 16, 20-21). Na actualização cristã feita no discurso eucarístico de S. João, temos que, assim como o maná alimentou providencialmente o antigo Povo de Deus na sua penosa travessia pelo deserto a caminho da terra prometida, assim também, com uma Providência mais maravilhosa ainda, é alimentado pela Sagrada Eucaristia o novo Povo de Deus no peregrinar desta vida a caminho do Céu.

«Foi para te fazer compreender...»: Com o maná, Deus não só alimentava o seu povo, como o educava, fazendo-o compreender a especial providência e amor que lhe mostrava; o êxito da nossa vida não depende apenas dos recursos naturais – «nem só de pão vive o homem» (v. 3). O maná não era uma comida que propriamente chovia do céu, mas uma providência divina, com base na própria natureza, pois ainda hoje se podem apanhar no Sinai, de fins de Maio até fins de Julho, umas bolinhas transparentes, com uma tonalidade parda amarelenta, de sabor doce, que os beduínos aproveitam como guloseima. Trata-se duma secreção duma espécie de uma espécie de tamareira (tamarix mannifera), quando picada por um insecto (actualmente em vias extinção); a secreção, com a fresca da noite, coagula em pequenos grãos que podem cair ao chão e se derretem com o calor do dia.

 

Salmo Responsorial     Sl 147, 12-13.14-15.19-20(R. 14 ou Aleluia)

 

Monição: O salmo é um convite a louvar o Senhor pelos muitos benefícios concedidos ao Seu povo.

 

Refrão:        Jerusalém, louva o teu Senhor.

 

Ou:               Aleluia.

 

Glorifica, Jerusalém, o Senhor,

louva, Sião, o teu Deus.

Ele reforçou as tuas portas

e abençoou os teus filhos.

 

Estabeleceu a paz nas tuas fronteiras

e saciou-te com a flor da farinha.

Envia à terra a sua palavra,

corre veloz a sua mensagem.

 

Revelou a sua palavra a Jacob,

suas leis e preceitos a Israel.

Não fez assim com nenhum outro povo,

a nenhum outro manifestou os seus juízos.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S.Paulo recorda aos cristãos de Corinto a maravilha da Eucaristia que nos une a Cristo e nos deve unir uns aos outros.

 

1 Coríntios 10, 16-17

Irmãos: 16Não é o cálice de bênção que abençoamos a comunhão com o Sangue de Cristo? Não é o pão que partimos a comunhão com o Corpo de Cristo? 17Visto que há um só pão, nós, embora sejamos muitos, formamos um só corpo, porque participamos do único pão.

 

Para a perfeita compreensão deste texto, precisamos de ter presente o contexto em que fala S. Paulo. O Apóstolo está a dar resposta à questão posta sobre se podiam comer ou não as carnes de animais que antes tinham sido imoladas nos templos idolátricos e depois comidas em banquetes sacrificiais promovidos pelos devotos, ou vendidas no mercado (1 Cor 8, 1 – 11, 1). Depois de ter exposto os princípios gerais (cap. 8), ilustrados com dois exemplos (o de Paulo e o da história de Israel: 9, 1 – 10, 13), passa a dar soluções práticas para o problema. O nosso texto é um pequeno extracto (vv. 16 e 17) daquela parte (vv. 14-22) em que Paulo apresenta a primeira razão teológica que fundamenta a proibição absoluta de participar nos banquetes sacrificiais, a saber: o culto pagão e o culto cristão são incompatíveis, uma vez que pela comunhão num sacrifício oferecido à divindade fica-se em contacto com a divindade à qual é oferecido esse sacrifício, por isso, «não podeis beber o cálice do Senhor e o cálice dos demónios; não podeis participar da mesa do Senhor e da mesa dos demónios» (v. 21); de facto, «aquilo que os pagãos sacrificam, sacrificam-no aos demónios e não a Deus» (v. 20).

16 «Comunhão com o Sangue de Cristo… com o Corpo de Cristo». S. Paulo não diz simplesmente «comunhão com Cristo», o que bastava para a condenação da participação nos banquetes idolátricos, mas, ao fazer menção explícita do Corpo e do Sangue de Cristo, deixa ver que a união que se dá com Jesus na Santíssima Eucaristia não é apenas uma união de tipo moral, espiritual ou mística com o Cristo celeste, mas uma união imediata com Jesus ressuscitado realmente presente entre nós com o seu Corpo e o seu Sangue, isto é, em pessoa, embora de modo sacramental, apenas sensível em sinais, as espécies do pão e do vinho.

«O cálice de bênção que nós abençoamos»: a expressão é uma forma de se referir às palavras da consagração, inseridas já nalgum formulário litúrgico primitivo, em relação com Ceia do Senhor, onde Jesus concluiu a instituição da Eucaristia precisamente com a consagração da terceira taça, assim denominada no hagadá da Páscoa: «o cálice da bênção».

«O pão que partimos». Referência à celebração eucarística (cf. Act 2, 42.46; 20, 7.11), pois nela se partia o pão imitando o gesto de Jesus na Última Ceia, gesto que ainda hoje se mantém na fracção da Hóstia, antes da Comunhão.

«Formamos um só corpo, porque participarmos...» A Sagrada Eucaristia não é mero sinal significativo de unidade – todos comem do mesmo pão –, mas é sobretudo um sinal que produz a unidade; precisamente porque contém Jesus Cristo, cimenta a unidade inaugurada no Baptismo.

 

Aclamação ao Evangelho        Jo 6, 51

 

Monição: Depois da multiplicação dos pães Jesus anunciou o prodígio da Eucaristia. Vamos dizer-Lhe com S.Pedro: Senhor, Tu tens palavras de vida eterna e nós acreditamos.

 

Aleluia

 

Cântico: M. Faria, NRMS10 (II)

 

Eu sou o pão vivo descido do Céu, diz o Senhor.

Quem comer deste pão viverá eternamente.

 

 

Evangelho

 

São João 6, 51-58

Naquele tempo, disse Jesus à multidão: 51«Eu sou o pão vivo descido do Céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão que Eu hei-de dar é a minha Carne pela vida do mundo». 52Os judeus discutiam entre si: «Como pode Ele dar-nos a sua Carne a comer?». 53Jesus disse-lhes: «Em verdade, em verdade vos digo: Se não comerdes a Carne do Filho do homem e não beberdes o seu Sangue, não tereis a vida em vós. 54Quem come a minha Carne e bebe o meu Sangue tem a vida eterna; e Eu o ressuscitarei no último dia. 55A minha Carne é verdadeira comida e o meu Sangue é verdadeira bebida. 56Quem come a minha Carne e bebe o meu Sangue permanece em mim, e Eu nele. 57Assim como o Pai, que vive, Me enviou, e Eu vivo pelo Pai, também aquele que Me come viverá por Mim. 58Este é o pão que desceu do Céu; não é como aquele que os vossos pais comeram, e morreram; quem comer deste pão viverá eternamente».

 

Se os versículos anteriores deste Discurso do Pão do Céu se podem interpretar também no sentido de que Jesus é um alimento espiritual para fé dos que crêem nas suas palavras (assim no v. 35), a verdade é que, a partir deste v. 51, o discurso tem um sentido nítida e indiscutivelmente eucarístico, deixando mesmo de se usar a expressão «pão da vida» (vv. 35.38), para se falar agora do «pão vivo».

51 «O pão vivo… que eu hei-de dar: este «dar» não é um dar qualquer, mas um oferecimento «pela vida» (salvação) «do mundo». A referência à morte de Cristo (cf. Jo 3, 15-16) e à instituição da Eucaristia (cf. 1 Cor 11, 24; Lc 22, 19) é fácil de descobrir. O realismo eucarístico das palavras de Jesus não pode ser mais claro: o pão vivo é a «carne» (não simplesmente corpo) de Jesus e simultaneamente o sangue» que é preciso beber (o que não podia ser mais chocante para a fé e a cultura judaica: cf. Lv 17, 10-14; Act 15, 20); perante o escândalo dos ouvintes (v. 52), Jesus não desfaz um mal-entendido como costumava fazer, não apela para um sentido metafórico, nem suaviza as suas palavras, mas antes as reforça com mais clareza. Por outro lado, nos vv. 54, 56, 57 e 58, emprega-se um verbo que exprime, com realismo, o próprio do acto de comer com os dentes (mastigar – trôgô) e que se traduz bem por «comer realmente»; também o adjectivo «verdadeiro» (v. 55: alêthês) tem em S. João uma força particular, pois equivale a genuíno (o que é verdadeiro, isto é, o que corresponde à sua designação, apesar das aparências). Com efeito, neste Evangelho o adjectivo alêthês distingue-se de alêthinós (cf. Jo 1, 9) que encerra a ideia de exclusividade (o que é real, em oposição a putativo).

52 «Como pode Ele dar-nos a sua Carne a comer?» Os ouvintes aparecem como quem entende as palavras de Jesus no sentido próprio e não no sentido figurado de adesão pela fé. De facto, comer a carne de alguém, em sentido figurado, seria, pelo contrário, ter ódio ou perseguir alguém, nunca aderir a alguém! Jesus tem o costume de desfazer equívocos, quando os ouvintes interpretam em sentido próprio o que tinha um sentido figurado (cf. Jo 3, 4-5; Mt 16, 6-12). A insistência de Jesus produz escândalo nos ouvintes, ao afirmar que não se pode conseguir a vida eterna, se não se comer a sua Carne e não se beber o seu Sangue. E é que não se trata apenas de algo já de si simplesmente espantoso, pois beber o sangue era algo proibido pela Lei de Moisés (cf. Lv 17, 10-14) e sumamente repugnante para um judeu (cf. Act 15, 20).

54 «E Eu o ressuscitarei». Eis o comentário de S. Tomás de Aquino: «O Verbo dá a vida às almas, mas o Verbo feito carne vivifica os corpos. É que, neste Sacramento, não se contém só o Verbo com a sua divindade, mas também com a sua humanidade; portanto, não é só causa da glorificação das almas, mas também dos corpos» (Super Ev. Jo. Lectura).

56-58 A Teologia explicita os efeitos do Sacramento da Eucaristia, aqui indicados, como a «graça sacramental», concretamente: a) a «graça unitiva» (v. 56); b) a «graça nutritiva e transformativa» (v. 57); c) e o «penhor da vida eterna e da gloriosa ressurreição final» (v. 58).

 

Sugestões para a homilia

 

Eu sou o Pão vivo 

Os judeus discutiam

Formamos um só corpo

 

 

Eu sou o Pão vivo 

 

S.João conta no seu Evangelho o milagre que Jesus fez para matar a fome à multidão que O seguia. As pessoas ficaram entusiasmadas e queriam fazê-Lo rei. Mas Ele não fez aquele prodígio para receber aclamações humanas. Foi para acudir às necessidades daquelas pessoas que O seguiam e até se esqueciam da comida. E também para prepará-las para o sermão da Eucaristia.

Ali em Cafarnaum Jesus anuncia-lhes que tem um pão melhor para lhes dar, um pão descido do Céu, um pão que dá a vida eterna. Ele mesmo é esse pão. “Quem come a Minha carne e bebe o Meu sangue tem a vida eterna. A Minha carne é verdadeira comida e o Meu sangue é verdadeira bebida

O Senhor quis deixar bem claro que estava a falar a sério e não se tratava de linguagem figurada.

Na última Ceia iria realizar essa maravilha e dar aos Apóstolos o poder e o mandato de celebrar a Eucaristia até ao fim dos tempos. “Tomai e comei – diz-lhes Jesus, tomando o pão – isto é o Meu Corpo. Tomai e bebei, este é o cálice do Meu Sangue “, tendo nas mãos o copo com o vinho.

Jesus podia fazê-lo porque é Deus. Ele quis ficar connosco até ao fim dos tempos, quis ser para nós a fonte da vida nesta caminhada que nos há-de levar ao Céu. Por isso disse aos Apóstolos: “Fazei isto em memória de Mim “.

O povo de Israel na peregrinação no deserto desde o Egipto até à terra prometida tinha comido um pão miraculosos, o maná que caía todos os dias como grãozinhos de orvalho e que os alimentou durante quarenta anos. Era uma figura da Eucaristia. Mas esta é mil vezes superior “Não é como aquele que os vossos pais comeram e morreram; quem comer deste pão viverá eternamente “-dizia Jesus.

Jesus quis ficar connosco cá na terra ao longo dos tempos. Quis ser o pão que nos dá a vida eterna.

 

 Os judeus discutiam

 

Avivemos a nossa fé neste mistério que hoje celebramos.  Aquela gente há dois mil anos tinha visto o milagre de Jesus mas não queriam acreditar nas Suas palavras. ”Como pode Ele dar-nos a Sua carne a comer “? - diziam. Muitos foram-se embora e deixaram de andar com Ele. Mas Jesus não voltou atrás. Repetiu uma vez e outra as suas afirmações. E perguntou aos Apóstolos: - “Também quereis ir-vos embora”? S.Pedro respondeu: - “Senhor a quem iremos? Só Tu tens palavras de vida eterna e nós acreditamos“.

Digamos muitas vezes a Jesus: - Senhor eu creio mas aumenta a minha fé. Ou como o Anjo ensinou aos pastorinhos, rezando com eles diante da hóstia e do cálice suspensos no ar: Meu Deus eu creio, adoro, espero e amo-vos. Peço-vos perdão para os que não crêem, não adoram, não esperam e não vos amam.

Os pastorinhos de Fátima são para nós exemplo de fé e de amor à Eucaristia, a Jesus escondido como gostavam de Lhe chamar. Francisco e Jacinta receberam a primeira comunhão das mãos do Anjo de Portugal. O Francisco – depois das aparições - gostava de passar muitas horas na igreja de Fátima, que ficava perto da escola, a fazer companhia a Jesus, a consolar a Jesus (Memórias da Irmã Lúcia I, p138).

A Jacinta, doente na cama, dizia à Lúcia que ia para a escola: - Olha diz a Jesus escondido que eu gosto muito d’Ele e que O amo muito. Outras vezes dizia: Diz a Jesus que Lhe mando muitas saudades (Ibid., p.41).

Temos de ter sabedoria de teólogos, conhecer bem a nossa fé e ter fé de meninos que não discutem o que Jesus diz, que se abandonam totalmente.

Jesus torna-Se presente na hóstia consagrada no momento da consagração. Servindo-Se das palavras do sacerdote Ele muda o pão no Seu Corpo e o vinho no Seu sangue. Ficam as aparências do pão e do vinho, como sinais para nós. Mas o pão deixou de ser pão e tornou-Se o Corpo de Jesus, o vinho deixou de ser vinho e tornou-se o sangue de Jesus. A substância do pão deixou de estar ali, ficaram apenas as aparências. A Igreja chama a essa transformação transubstanciação.

Jesus pode fazer este milagre porque é Deus. Chamamos à festa deste dia festa do Corpo de Deus. Porque Jesus está ali como homem no Seu Corpo, Sangue Alma e na Sua Divindade tão perfeito e realmente como está no Céu

Adoremo-Lo cheios de alegria, de humildade e gratidão. Peçamos aos anjos que estão junto do sacrário que nos ensinem a adorá-Lo como fez o Anjo em Fátima.

“Jesus não é uma ideia, um sentimento, uma recordação - dizia S.João Paulo II aos jovens - Jesus é uma “pessoa” viva sempre e presente entre nós. Amai a Jesus presente nas Eucaristia”. (Aloc 8-11-78)

 

 Formamos um só corpo

 

S.Paulo lembra na 2ª leitura que somos um só Corpo com Cristo. Somo-lo desde o batismo. Fomos enxertados nEle. Foi Jesus que ensinou: “Eu sou a cepa da videira e vós as varas“. Nas suas cartas S.Paulo repete esta verdade: que somos um só corpo com Cristo, que somos membros do Seu Corpo e estamos unidos uns aos outros.

Na Eucaristia aumenta esta união com Jesus e uns com os outros. ”Visto que há um só pão nós embora sejamos muitos formamos um só corpo porque participamos do mesmo pão”. ”Não é o pão que partimos a comunhão com o Corpo de Cristo?” pergunta o Apóstolo aos cristãos de Corinto pois havia divisões entre eles.

A Eucaristia une-nos mais a Jesus. Para isso temos de purificar a alma de todo o pecado mesmo venial, para que nada que nos afaste dEle. A confissão frequente é a melhor forma de nos preparamos para a comunhão. Nossa Senhora lembrou-o em Fátima ao falar da devoção dos primeiros sábados.

Não basta ir comungar, é preciso estar preparados. Por isso S.Paulo lembra também aos coríntios: “Todo aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor indignamente será réu o Corpo e Sangue do Senhor. Examine-se, pois, cada um a si mesmo e assim coma deste pão e beba deste cálice, porque aquele que o come e bebe não distinguindo o Corpo do Senhor come e bebe a sua própria condenação” (1 Cor 11,27-29). Desagravemos a Jesus por aqueles que vão comungar em pecado mortal.

Procuremos preparar bem o nosso coração antes de comungar com actos de fé, de humildade e de amor. Peçamos a Nossa Senhora nos ensine a tratar bem a Jesus.

 

Fala o Santo Padre

 

«A medida de Deus é sem medida. Tudo! Tornemo-nos então capazes de amar também quem não nos ama:

e isto não é fácil. Amar quem não nos ama... Não é fácil!»

«Não esquecer estas duas coisas: a medida do amor de Deus é amar sem medida.

E seguindo Jesus, nós, com a Eucaristia, fazemos da nossa vida um dom. »

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Na Itália e em muitos outros países celebra-se neste domingo a festa do Corpo e Sangue de Cristo — usa-se muitas vezes o nome latino: Corpus Domini ou Corpus Christi. A Comunidade eclesial recolhe-se em volta da Eucaristia para adorar o tesouro mais precioso que Jesus lhe deixou.

O Evangelho de João apresenta o discurso do «pão da vida», pronunciado por Jesus na sinagoga de Carfanaum, no qual afirma: «Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Se alguém comer deste pão, viverá para sempre. Este pão é a minha carne, que eu darei pela vida do mundo» (Jo 6, 51). Jesus frisa que não veio a este mundo para dar algo, mas para se dar a si mesmo, a sua vida, como alimento por quantos têm fé n’Ele. Esta nossa comunhão com o Senhor compromete-nos, a nós seus discípulos, a imitá-lo, fazendo da nossa existência, com as nossas atitudes, um pão repartido pelos outros, como o Mestre repartiu o pão que é realmente a sua carne. Para nós, ao contrário, são os comportamentos generosos em relação ao próximo que demonstram a atitude de repartir a vida pelos outros.

Todas as vezes que participamos na Santa Missa e nos alimentamos do Corpo de Cristo, a presença de Jesus e do Espírito Santo age em nós , plasma o nosso coração, comunica-nos atitudes interiores que se traduzem em comportamentos segundo o Evangelho. Antes de tudo a docilidade à Palavra de Deus, depois a fraternidade entre nós, a coragem do testemunho cristão, a fantasia da caridade, a capacidade de dar esperança aos desencorajados, de acolher os excluídos. Deste modo a Eucaristia faz amadurecer o nosso estilo de vida cristã. A caridade de Cristo, acolhida com o coração aberto, muda-nos, transforma-nos, torna-nos capazes de amar não segundo a medida humana, sempre limitada, mas segundo a medida de Deus. E qual é a medida de Deus? Sem medida! A medida de Deus é sem medida. Tudo! Tudo! Não se pode medir o amor de Deus: é sem medida! Tornemo-nos então capazes de amar também quem não nos ama: e isto não é fácil. Amar quem não nos ama... Não é fácil! Porque se sabemos que uma pessoa não gosta de nós, também nós somos levados a não gostar dela. Mas não deve ser assim! Devemos amar também quem não nos ama! Opor-nos ao mal com o bem, perdoar, partilhar, acolher. Graças a Jesus e ao seu Espírito, também a nossa vida se torna «pão partido» pelos nossos irmãos. E vivendo assim descobrimos a verdadeira alegria! A alegria de fazer-se dom, para retribuir o grande dom que recebemos primeiro, sem merecimento nosso. Isto é bom: a nossa vida faz-se dom! Isto significa imitar Jesus. Gostaria de recordar estas duas coisas. Primeira: a medida do amor de Deus é amar sem medida. É claro? E a nossa vida, com o amor de Jesus, recebendo a Eucaristia, faz-se dom. Como foi a vida de Jesus. Não esquecer estas duas coisas: a medida do amor de Deus é amar sem medida. E seguindo Jesus, nós, com a Eucaristia, fazemos da nossa vida um dom.

Jesus, pão de vida eterna, desceu do céu e fez-se carne graças à fé de Maria Santíssima. Depois de o ter levado consigo com amor inefável, ela seguiu-o fielmente até à cruz e à ressurreição. Peçamos a Nossa Senhora que nos ajude a redescobrir a beleza da Eucaristia, a fazer dela o centro da nossa vida, sobretudo na Missa dominical e na adoração.

Papa Francisco, Angelus, Praça de São Pedro, 22 de Junho de 2014

 

Oração Universal

 

Na Eucaristia Jesus está vivo junto de nós. É verdadeiro Deus e verdadeiro homem. É nosso amigo e nosso intercessor junto Pai. Cheios de confiança peçamos muitas graças e favores para nós e para toda a Igreja.

Digamos: Senhor, aumentai a nossa fé e o nosso amor

 

1-Pela Santa Igreja de Deus,

para que difunda a verdadeira sabedoria que vem de Cristo

e todos se deixem atrair pela Sua luz, oremos ao Senhor.

 Senhor, aumentai a nossa fé e o nosso amor

 

2-Pelo Santo Padre,

para que o Senhor o proteja e defenda

e o encha das luzes do Espírito Santo, oremos ao Senhor.

  Senhor, aumentai a nossa fé e o nosso amor

 

3-Pelos bispos e sacerdotes,

para que proclamem com clareza os ensinamentos de Jesus,

animando a todos a viver o amor à Eucaristia, oremos ao Senhor.

  Senhor, aumentai a nossa fé e o nosso amor

 

4-Pelos cristãos do mundo inteiro,

para que vivam a devoção a Jesus no sacrário, oremos ao Senhor.

 Senhor, aumentai a nossa fé e o nosso amor

 

5-Para que todos escutemos e vivamos os apelos de Nossa Senhora em Fátima,

purificando a nossa alma do pecado, oremos ao Senhor.

 Senhor, aumentai a nossa fé e o nosso amor

 

6-Por todos os que andam afastados de Deus,

para que o Senhor os atraia ao Seu amor, oremos ao Senhor.

  Senhor, aumentai a nossa fé e o nosso amor

 

7-Por todos os que se encontram no Purgatório, purificando-se dos pecados,

para que o Senhor lhes abra as portas do Céu, oremos ao Senhor.

  Senhor, aumentai a nossa fé e o nosso amor

 

Senhor, que nos chamastes à santidade em Cristo, Vosso Filho,

ajudai-nos a aproveitar o Pão da vida que nos transforma nEle.

Pelo mesmo N.S.J.C.Vosso Filho que conVosco vive e reina na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Que bom Senhor estar ao pé de Ti, M. Carneiro, NRMS 36

 

Oração sobre as oblatas: Concedei, Senhor, à vossa Igreja o dom da unidade e da paz, que estas oferendas misticamente simbolizam. Por Nosso Senhor.

 

Prefácio da Eucaristia: p. 1254 [658-770]

 

Santo: M. Simões, NRMS 50-51

 

Monição da Comunhão

 

O Senhor vem a nós na Eucaristia. Procuremos recebê-Lo com grande amor e carinho.

 

Cântico da Comunhão: A minha carne é verdadeira comida, F. da Silva, NRMS 102

Jo 6, 57

Antífona da comunhão: Quem come a minha Carne e bebe o meu Sangue permanece em Mim e Eu nele, diz o Senhor.

 

Cântico de acção de graças: Ó verdadeiro Corpo do Senhor, F. da Silva, NRMS 42

 

Oração depois da comunhão: Concedei-nos, Senhor Jesus Cristo, a participação eterna da vossa divindade, que é prefigurada nesta comunhão do vosso precioso Corpo e Sangue. Vós que sois Deus com o Pai na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Agradeçamos a Jesus o ter ficado connosco para ser o nosso companheiro de viagem e o nosso alimento.

 

Cântico final: Ao Deus do Universo, J. Santos, NRMS 1 (I)

 

HomiliaS FeriaIS

 

6ª Feira, 16-VI: Manter o coração limpo.

2 Cor 4, 7-15 / Mt 5, 27-32

Todo aquele que tiver olhado uma mulher, para a desejar, já cometeu adultério no seu coração.

Jesus pede-nos que vivamos bem o nono mandamento da Lei de Deus (Ev.). O motivo é que levamos o tesouro do amor de Deus em vasos de barro (Leit.), que se podem quebrar muito facilmente.

Precisamos combater as tentações internas contra a castidade: guardar os sentidos, travar as imaginações, as recordações, etc. Uma boa ajuda pode ser a mortificação: «Por toda a parte trazemos sempre no corpo a morte de Jesus». Só assim manteremos o coração limpo, para amarmos mais a Deus e ao próximo, como Deus quer.

 

Sábado, 17-VI: A nova criatura e a Verdade.

2 Cor 5, 14-21 / Mt 5, 33-37

Se alguém, pois, está em Cristo, é uma nova criatura. O que era antigo, passou: tudo foi renovado.

Deus faz-nos participar da sua própria vida, através da graça: «A graça é um dom  gratuito que Deus nos faz da sua vida, infundida pelo Espírito Santo na nossa alma para a curar do pecado e a santificar (Leit.) » (CIC, 1999).

Um dos aspectos da nova criatura (Leit.) é um grande amor à Verdade (Ev.).  Esta «consiste em mostrar-se verdadeiro nos actos e dizer a verdade nas palavras, evitando a duplicidade, a simulação e a hipocrisia» (CIC, 2468). É também indispensável viver esta virtude no convívio com os demais (CIC, 2469).

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Celestino C. Ferreira

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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