aCONTECIMENTOS eclesiais

DA SANTA SÉ

 

 

PAPA AOS CONSAGRADOS:

EVITAR ATITUDE DE SOBREVIVÊNCIA

 

No passado dia 2 de Fevereiro, festa da Apresentação do Senhor e Jornada Mundial da Vida Consagrada, o Papa Francisco alertou para a tentação de procurar “atalhos” diante dos problemas que se colocam à Vida Consagrada.

 

“A atitude de sobrevivência faz-nos tornar reaccionários, temerosos, faz-nos fechar lenta e silenciosamente nas nossas casas e nos nossos esquemas”, alertou Francisco, na homilia da Missa, com membros das várias congregações religiosas.

Na Basílica de São Pedro, o Papa convidou os participantes a não encarar a vida consagrada apenas na perspectiva da “sobrevivência”, uma visão que “pode tornar estéril” todo e qualquer tipo de missão.

Para o Papa, quem vive a sua entrega a Deus dessa forma, acaba por cair na rotina, acomoda-se aos seus horizontes e perde de vista “a criatividade profética” que é indispensável para enfrentar os problemas, sobretudo num tempo marcado por uma “transformação multicultural”.

A homilia deixou críticas a quem “procura atalhos para escapar” aos desafios atuais e sublinhou que, mais do que “profissionais do sagrado”, os religiosos e religiosas são chamados a ser “pais, mães ou irmãos da esperança”.

Francisco convidou os membros dos Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica a reencontrar o objectivo de cada carisma, o apelo fundador que lhe deu origem.

“Faz-nos bem acolher o sonho dos nossos pais, para podermos profetizar hoje e encontrar novamente aquilo que um dia inflamou o nosso coração”, apontou o Papa.

Na sua reflexão, Francisco desafiou os consagrados a tornarem a sua vida “fecunda” colocando Cristo no meio da sociedade.

“Colocar Jesus no meio do seu povo significa ter um coração contemplativo, capaz de discernir como é que Deus caminha pelas ruas das nossas cidades, das nossas terras, dos nossos bairros, significa querer ajudar a levar a cruz dos nossos irmãos. É querer tocar as chagas de Jesus nas chagas do mundo, que está ferido e pede para ressuscitar”, concluiu o Papa.

 

 

O CAMINHO PARA A UNIDADE

COM A IGREJA EVANGÉLICA ALEMÃ

 

No passado dia 6 de Fevereiro, o Papa Francisco recebeu em audiência a Delegação ecuménica da Igreja Evangélica na Alemanha, a quem animou a prosseguir o caminho para a unidade.

 

O grupo, formado por vinte e três pessoas, era acompanhado pelo Presidente da Conferência Episcopal Alemã, Cardeal Reinhard Marx. Segundo o Pontífice, este “é o resultado de uma relação ecuménica que amadureceu ao longo dos anos”.

“É significativo que evangélicos e católicos, por ocasião dos 500 anos da Reforma Protestante, comemorem juntos os eventos históricos do passado a fim de colocar Cristo novamente no centro da sua relação”.

Segundo o Papa, “este ano de comemoração oferece-nos a oportunidade de dar mais um passo adiante, olhando ao passado sem rancores, mas segundo Cristo e em comunhão com Ele, a fim de repropor aos homens e mulheres do nosso tempo a novidade radical de Jesus, a misericórdia sem limites de Deus: Era isso que os reformadores, em seu tempo, queriam estimular”.

“É triste que esse chamamento à renovação tenha causado divisões entre os cristãos. Os fiéis não se sentiram mais irmãos e irmãs na fé, mas adversários e concorrentes. Durante muito tempo, alimentaram hostilidades e entregaram-se a lutas, fomentadas por interesses políticos e de poder, usando violência uns contra outros, irmãos contra irmãos”.

Francisco convidou católicos e evangélicos alemães a responderem, na oração, “ao chamamento de purificar a memória em Deus para serem renovados interiormente e enviados pelo Espírito a levar Jesus ao mundo de hoje”.

A este propósito, o Papa recordou algumas iniciativas ecuménicas previstas para este ano a fim de celebrar a “Festa de Cristo”: como a peregrinação à Terra Santa, o congresso bíblico comum para apresentar juntos as traduções novas da Bíblia e o dia ecuménico dedicado à responsabilidade social dos cristãos.

“As diferenças em questões de fé e moral ainda subsistem. São desafios no percurso da unidade visível almejada pelos nossos fiéis. A dor é sentida ainda mais pelos casais que pertencem a confissões diferentes. Devemos comprometer-nos, com a oração incessante e com todas as nossas forças, a superar os obstáculos ainda existentes, intensificando o diálogo teológico e reforçando a colaboração entre nós, sobretudo no serviço aos que sofrem e na protecção da Criação ameaçada”.

 

 

SÌNODO DOS BISPOS 2018

SOBRE A JUVENTUDE

 

O Papa Francisco defendeu, em entrevista divulgada no dia 9 de Fevereiro, que a Igreja Católica tem de ouvir a juventude, tarefa essencial na preparação para o Sínodo de 2018, sobre o tema “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional”.

 

“Isto é importante, não só formar os jovens para escutarem, mas, sobretudo, escutá-los, aos próprios jovens. Isto é uma primeira missão, importantíssima, da Igreja: a escuta dos jovens”, assinalou durante uma conversa com mais de 140 responsáveis mundiais de Institutos Religiosos católicos.

O encontro decorreu em Novembro de 2016, mas o conteúdo da intervenção do Papa, que respondeu a várias perguntas dos presentes, foi agora divulgado pela revista italiana dos jesuítas, “La Civiltà Cattolica”.

Francisco sustenta que o “ponto-chave” do próximo Sínodo dos Bispos quer ser o “discernimento”, que deve ser dinâmico, como a vida.

“As coisas estáticas não dão, sobretudo com os jovens. Quando era jovem, a moda era fazer reuniões, hoje as coisas estáticas como as reuniões não funcionam bem”, assinala.

O Papa convida a trabalhar com os jovens no terreno, através de “missões populares, trabalho social, ir todas as semanas distribuir alimentos aos sem-abrigo”.

“As perguntas mais difíceis, não as fazem os religiosos, mas os jovens. Os jovens colocam-te em dificuldade, eles sim. Os almoços com os jovens nas Jornadas Mundiais da Juventude ou noutras ocasiões, estas situações colocam-me dificuldades, porque eles são sinceros e perguntam as coisas mais difíceis”, confessou.

 

 

ÉTICA E SUSTENTABILIDADE

NA ECONOMIA

 

O Vaticano revelou no passado dia 15 de Fevereiro os vencedores do prémio Economia e sociedade 2017, cuja principal distinção se destina a um estudo sobre ética e sustentabilidade na Economia.

 

O presidente do júri, cardeal Reinhard Marx, referiu em conferência de imprensa que o vencedor do prémio internacional foi o teólogo alemão Markus Vogt, com a sua obra “Princípio da Sustentabilidade. Um projecto de perspectivas teológicas e éticas”, seleccionada entre mais de 57 candidaturas, provenientes de 12 países.

A distinção visa estimular “o conhecimento da Doutrina Social da Igreja Católica” e este ano distingue ainda dois jornalistas: o francês Dominique Greiner, pelo seu blog “La doctrine sociale sur le fil” e o alemão Burkhard Schäfers, pela sua transmissão radiofónica dedicada a Oswald von Nell-Breuning (1890-1991).

Markus Vogt, depois de ter estudado teologia e filosofia em Munique e em Jerusalém, trabalhou como perito de ecologia para o governo alemão.

O tema principal da obra premiada é apresentado como uma das preocupações centrais da encíclica Laudato si’ do Papa Francisco.

 

 

PROGRESSO DA FÉ

NA VIDA DO SACERDOTE

 

O Papa Francisco encontrou-se, no passado dia 2 de Março, na Basílica de S. João em Latrão, com os párocos da Diocese de Roma para uma meditação sobre o tema “o progresso da fé na vida do sacerdote”.

 

Para nós sacerdotes, disse Francisco, quando a nossa fé não cresce, quando não é madura, acabamos por fazer muito mal.

«Senhor, aumenta a nossa fé» (Lc 17, 5). Peçamos nós também, com a simplicidade do Catecismo da Igreja Católica: «Para viver, crescer e perseverar até ao fim na fé, temos de a alimentar com a Palavra de Deus; ela deve “agir pela caridade” (Gal 5, 6; Tgo 2, 14-26), ser sustentada pela esperança (cf. Rom 15, 13) e permanecer enraizada na fé da Igreja» (n. 162).

Francisco desenvolveu a sua meditação apoiando-se em “três pontos fixos: a memória, a esperança e o discernimento”.

Memória: Recordar as graças passadas confere à nossa fé a solidez da encarnação; coloca-a no âmbito de uma história, a história da fé dos nossos pais.

Esperança: ela abre a fé às surpresas de Deus; leva a ver o despojamento de Jesus.

Discernimento do momento: é aquilo que concretiza a fé, que a torna «activa por meio da caridade»; olha em primeiro lugar para o que agrada a nosso Pai.

Mediante estes três pontos fixos, Francisco desenvolveu toda a reflexão sobre o processo do crescimento da fé na vida do sacerdote e o desafio  do discernimento pastoral no mundo de hoje, tendo como ponto de referência a experiência de fé do Apóstolo Pedro.

 

 

CANTO LITÚRGICO

E INCULTURAÇÃO ACTUAL

 

O Papa Francisco recebeu no passado dia 4 de Março os participantes no Congresso Internacional de Música Sacra, promovido pelo Vaticano, e afirmou que o canto litúrgico deve ser inculturado nas “linguagens artísticas e musicais da actualidade” sem “mediocridade, superficialidade e banalidade”.

 

“Às vezes prevaleceu uma certa mediocridade, superficialidade e banalidade, em detrimento da beleza e intensidade das celebrações litúrgicas”, afirmou o Papa ao referir que o encontro com a modernidade e a introdução do vernáculo na liturgia suscitou problemas de “linguagem, de formas e géneros musicais”.

Francisco sublinhou que músicos e compositores, directores de coros das scholae cantorum, animadores da liturgia “podem dar um precioso contributo na renovação, sobretudo qualitativa, da música sacra e do canto litúrgico”.

Para o Papa, a Igreja tem de “salvaguardar e valorizar o rico e multiforme património herdado do passado” e “fazer com que a música sacra e o canto litúrgico sejam plenamente «inculturados» nas linguagens artísticas e musicais da actualidade”.

Francisco indicou que a tradução da Palavra de Deus em “cantos, sons, harmonias” tem de “fazer vibrar” o coração de quem os escuta, “criando também um oportuno clima emotivo, que disponha à fé e suscite o acolhimento e a plena participação no mistério que se celebra”.

O Papa acrescentou que é necessário utilizar o património musical “com equilíbrio” no presente, evitando “o risco de uma visão nostálgica ou «arqueológica»”.

Para Francisco, é necessário “promover uma adequada formação musical, também naqueles que se preparam para ser sacerdotes, no diálogo com as correntes musicais do nosso tempo, com as diversas áreas culturais e em atitude ecuménica”.

“Música e Igreja: culto e cultura a 50 anos da Musicam sacram” foi o tema do Congresso Internacional, que decorreu entre os dias 2 e 4 de Março, no Vaticano, por iniciativa do Conselho Pontifício da Cultura, em colaboração com o Instituto Pontifício de Música Sacra e o Instituto Litúrgico do Pontifício Ateneu de Santo Anselmo.

 

 

CONSULTA FEMININA,

NOVO ORGANISMO DA SANTA SÉ

 

No passado dia 7 de Março, o Conselho Pontifício da Cultura apresentou a Consulta Feminina, um organismo permanente que quer dar mais voz às mulheres, composto por mais de 20 representantes de vários países.

 

O cardeal Gianfranco Ravasi, presidente do Conselho Pontifício da Cultura, explicou que este novo organismo é oferecer “um olhar feminino” sobre a actividade deste dicastério.

“Consegue-se introduzir, por exemplo, uma leitura muito mais global, colorida, da realidade dos temas que abordamos, afastando-nos um pouco daquela análise teológico-filosófica, própria da linguagem eclesial”, acrescentou.

A sessão de lançamento da Consulta feminina contou com a presença de Shahrazad Houshmand, teóloga iraniana, e mais 20 mulheres, entre docentes universitárias, empresárias, políticas, artistas, jornalistas e consagradas.

O Dia Internacional da Mulher – 8 de Março – foi ainda assinalado pelo lançamento do número monográfico da revista “Cultura e Fé”, ao cuidado da Consulta Feminina.

“É dito por muitos que o mundo está a mudar e que o século XXI será o século das mulheres, para o bem ou para o mal. As mulheres da Consulta Feminina, interpretando cada uma à sua maneira o génio feminino, entendem que isto acontecerá para o bem”, assinala a apresentação do volume.

 

 

ENTREVISTA AO PAPA FRANCISCO

DE SEMANÁRIO ALEMÃO

 

O Papa Francisco concedeu uma entrevista ao semanário Die Zeit de Hamburgo (Alemanha), publicada em 9 de Março passado. A entrevista foi realizada em italiano pelo editor-chefe do semanário, Giovanni di Lorenzo. Damos um pequeno excerto dessa entrevista.

 

Die Zeit: O Santo Padre acredita que o ser humano por natureza seja bom, ou é bom e mau?

Papa Francisco: “O homem é imagem de Deus. O homem é bom, mas também o homem é fraco, foi tentado e se feriu. É uma bondade ferida”. 

Die Zeit: Quais são os limites da oração?

Papa Francisco: Rezar pelas coisas boas. Por exemplo: “Ajuda-me a ter o dinheiro necessário para acabar o mês com a minha família, que não me falte...”: isto é justo. Mas, “ajuda-me a ter muito dinheiro para ter muito poder”, isto não é correto. Porque se está pedindo algo que vai pelo caminho da mundanidade, o poder do mundo. Jesus falou tanto, no final da Ceia, com os discípulos e disse que rezou por eles ao Pai. E o que pediu ao Pai? Não para tirá-los do mundo, mas para protegê-los do espírito do mundo. O espírito do mundo é aquilo que não devemos pedir; as coisas que são do espírito do mundo: o espírito da soberba, do poder para dominar... Deve-se pedir coisas que constroem o mundo, que criam fraternidade e que tragam a paz.

Die Zeit: O Santo Padre não se sente pressionado pelas expectativas que as pessoas de hoje têm por “homens-exemplo”, como é o seu caso?

Papa Francisco: Mas, eu não me sinto um homem excepcional. Eu sinto que exageram com as expectativas, não fazendo justiça. Eu não digo que sou um pobre, não; mas sou um homem comum que faz aquilo que pode, mas comum. É assim que me sinto. E quando alguém diz: “Não, o senhor, o senhor é...”, isto não me faz bem.

Die Zeit: Diz isto, mesmo com o risco de desiludir muitos na Cúria, que têm necessidade de um pai impecável?

Papa Francisco: Todos os pais são pecadores – graças a Deus – porque isto também nos encoraja a ir em frente e dar a vida, nesta época de orfandade, onde existe a necessidade de paternidade. E eu sou um pecador, sou limitado. Mas não se esqueça que a idealização de uma pessoa é uma forma subtil de agressão, é um caminho para agredir sutilmente uma pessoa. E, quando me idealizam, sinto-me agredido.

 

 

QUARESMA: PAPA PARTICIPA

NO RITO DA RECONCILIAÇÃO

 

Na passada sexta-feira dia 17 de Março, o Papa Francisco presidiu na Basílica do Vaticano ao “Rito da reconciliação de vários penitentes, com a confissão e a absolvição individuais”, durante o qual começou por confessar-se e depois sentou-se para confessar alguns penitentes.

 

Após a celebração da palavra, os participantes foram convidados a um silêncio prolongado para o exame de consciência, confiando na misericórdia do Pai e acolhendo das mãos da Igreja o perdão.

Seguiu-se o rito da reconciliação, primeiro com a confissão geral dos pecados e depois com a confissão e absolvição individuais, sendo o Papa Francisco o primeiro a dirigir-se a um confessionário para o sacramento da Reconciliação.

O Papa confessou depois sete pessoas, três homens e quatro mulheres, num intervalo de cerca de 50 minutos.

 

 

SÃO JOSÉ,

EXEMPLO DE PATERNIDADE

 

No passado dia 20 de Março, na Casa de Santa Marta, na homilia da Missa de São José, cuja solenidade fora transferida do dia 19 para não coincidir com o domingo de Quaresma, o Santo Padre apresentou o Santo Patriarca como exemplo de «paternidade» para este tempo de orfandade.

 

São José obedece ao anjo que aparece em seu sonho e toma consigo Maria, grávida por obra do Espírito Santo, como narra o Evangelho de Mateus. Um homem silencioso, mas obediente. José é um homem que carrega sobre seus ombros as promessas de “descendência, de herança, de paternidade, de filiação e de estabilidade”.

“E este homem, este sonhador, é capaz de aceitar esta tarefa, esta tarefa difícil e que muito tem a dizer-nos neste período de uma grande sensação de orfandade”.

E acrescentou: “É o homem que não fala, mas obedece, o homem da ternura, o homem capaz de levar adiante as promessas para que se tornem firmes, seguras. O homem que garante a estabilidade do Reino de Deus, a paternidade de Deus, a nossa filiação como filho de Deus”.

Terminou pedindo a São José “que dê a todos nós a capacidade de sonhar, porque quando sonhamos coisas grandes, coisas bonitas, nos aproximamos do sonho de Deus, das coisas que Deus sonha para nós. Que aos jovens dê – porque ele era jovem – a capacidade de sonhar, de arriscar e assumir as tarefas difíceis que viram nos sonhos. E dê a todos nós a fidelidade que geralmente cresce num comportamento justo – e ele era justo –, cresce no silêncio, poucas palavras, e cresce na ternura que é capaz de proteger as próprias fraquezas e as dos outros”.

 

 

SOLIDARIEDADE DEVE SER 

A BASE DO PROJETO EUROPEU

 

No passado dia 24 de Março, o Papa Francisco recebeu no Vaticano chefes de Estado e de Governo da União Europeia (UE), para assinalar os 60 anos do Tratado de Roma, afirmando que a “solidariedade” é a base do projecto comunitário.

 

Entre os presentes esteve o primeiro-ministro português, António Costa, que cumprimentou e conversou com o Papa durante alguns instantes.

Francisco alertou os responsáveis para a “tentação” de reduzir os ideais que estiveram na origem da UE a “necessidades produtivas, económicas e financeiras”.

O encontro contou com a participação de Antonio Tajani, presidente do Parlamento Europeu; Donald Tusk, presidente do Conselho Europeu; e Jean-Claude Junker, presidente da Comissão Europeia.

O Papa falou do dia 25 de Março de 1967, data da assinatura do Tratado de Roma, como um dia de “esperança”, cuja memória ajuda a responder às expectativas dos povos europeus, hoje.

“Os pais fundadores lembram-nos que a Europa não é um conjunto de regras a observar nem um prontuário de protocolos e procedimentos a seguir”, assinalou.

Francisco afirmou que a UE representa um “modo de conceber” o ser humano, a partir da sua “dignidade transcendente e inalienável”.

A Europa “reencontra a esperança”, acrescentou, quando “defende a vida em toda a sua sacralidade”, permite que as pessoas possam ter os filhos que pretendem, “investe na família” e dá “reais possibilidades de inserção” no mundo do trabalho.

O discurso abordou depois o “drama dos muros e divisões” que afectou a Europa e está hoje de regresso no “drama” dos que fogem da guerra e da pobreza.

O Papa alertou para o crescimento de “populismos” e apelou a sociedades “autenticamente laicas”, em que todos tenham lugar, “o oriundo e o autóctone, o crente e o não-crente”.

Após ter realçado a importância da “abertura ao mundo”, a intervenção defendeu que a questão migratória coloca uma “pergunta mais profunda”, sobretudo cultural, sobre o que é a Europa.

“A riqueza da Europa sempre foi a sua abertura espiritual e a capacidade de colocar perguntas fundamentais sobre o sentido da existência”, precisou o Papa.

O “vazio de valores”, acrescentou, é um “terreno fértil para todas as formas de extremismo”.

No  60.º aniversário do tratado fundador da então Comunidade Económica Europeia, Francisco falou num tempo de “nova juventude”, que se contrapõe a uma expectativa pessimista de “inevitável velhice” do projecto comunitário.

O Papa desafiou os políticos presentes a promover um “novo humanismo europeu” para responder aos “problemas reais” das pessoas.

 

 

EXPOSIÇÃO CONJUNTA

VATICANO – MUSEU JUDAICO

 

Os museus do Vaticano e a comunidade judaica de Roma promovem uma exposição conjunta dedicada à história da Menorah, o candelabro judaico de sete braços, que está patente em vários estilos de arte.

 

Uma das peças mais apelativas é um baixo-relevo de uma Menorah, da região da Galileia, do século I, e vai poder ser visitada entre 15 de Maio e 27 de Junho.

O espaço do Braço Carlos Magno, na Praça São Pedro, vai expor 120 peças, enquanto o Museu Judaico de Roma apresenta 10 obras dedicadas ao candelabro judaico de sete braços.

Entre os museus que emprestaram peças estão, por exemplo, o Louvre, na França, e a Galeria Nacional de Londres.

A concretização do projecto “foi possível graças às boas relações” entre judeus e católicos, e na exposição apresentada no Museu Judaico de Roma, com a presença da sua responsável Alessandra Di Castro, estava a directora dos Museus do Vaticano, Barbara Jatta.

O Museu Judaico fica ao lado da Sinagoga de Roma, que foi visitada por São João Paulo II em 1986, pelo Papa emérito Bento XVI em 2010 e em 2016 pelo pontífice argentino.

 

 

AUMENTA A IMPORTÂNCIA DOS SANTUÁRIOS

 

O Papa Francisco promoveu uma alteração na organização da Santa Sé para aumentar a atenção que a Igreja Católica dedica aos santuários de todo o mundo.

 

A mudança, anunciada no passado dia 1 de Abril, promove a transferência das competências sobre os santuários para o Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização.

A Carta do Papa, em forma de Motu Proprio, explica que os santuários, “apesar da crise de fé” no mundo contemporâneo, continuam a ser vistos como “espaços sagrados para onde ir em peregrinação”, procurando encontrar “um momento de pausa, de silêncio e de contemplação na vida tantas vezes frenética” dos dias de hoje.

A relação entre a Santa Sé e os vários santuários católicos era até agora supervisionada pela Congregação para o Clero.

O documento sublinha o “grande valor simbólico” dos santuários e da peregrinação, um acto de fé que mobilizou milhões de pessoas ao longo dos séculos, levando-os ao encontro dos lugares sagrados onde Jesus viveu, aos túmulos dos Apóstolos e aos dedicados à Virgem Maria e aos Santos.

O Papa Francisco assinala a importância de dar atenção à “fé simples e humilde” dos fiéis, que nas peregrinações e nos santuários encontram formas de manifestar a sua devoção.

O novo documento sublinha depois o acolhimento que é devido aos “doentes, pobres, marginalizados e pessoas necessitadas”.

O Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização assume agora as competências relacionadas com a criação de novos santuários e a aprovação dos seus estatutos, procurando ainda criar instrumentos para favorecer a evangelização e a religiosidade popular.

 

 


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