DOCUMENTAÇÃO

CARDEAL PIETRO PAROLIN

 

EM MEMÓRIA DE SHAHBAZ BHATTI

 

 

Seis anos depois da morte de Shahbaz Bhatti, ministro católico das minorias do Paquistão, assassinado a 2 de Março de 2011 em Islamabad, Paul Bhatti escreveu o livro “Shahbaz — La voce della giustizia” (Cinisello Balsamo, San Paolo, 2017, 168 páginas), no qual repercorre sob um ponto de vista familiar a vida do irmão e o seu compromisso pelo diálogo e pela justiça.

Transcrevemos o prefácio da obra escrito pelo Cardeal Secretário de Estado., publicado em L’Osservatore Romano, ed. port., de 23-III-2017.

 

 

Há pessoas dispostas a morrer pelo ideal no qual acreditam. Entre elas estava Shahbaz Bhatti, ministro federal das Minorias do Paquistão, assassinado a 2 de Março de 2011 em Islamabad. Contudo, o ideal de Shahbaz Bhatti não era uma simples ideia nem um mero valor, apesar de nobre e elevado. Era o que os cristãos têm de mais querido, isto é, o próprio Cristo (cf. V. Soloviev, Il racconto dell’anticristo). «Quero viver por Cristo e por Ele quero morrer», escreveu no seu testamento espiritual.

De Shahbaz conhecemos alguns pormenores da vida pública, mas nada sabemos sobre o seu universo interior. Com esta publicação, o seu irmão Paul torna-o familiar a nós, descrevendo-o na sua intimidade, na sua existência diária, mostrando os seus progressos humanos e espirituais.

Páginas escritas com lágrimas nos olhos e com um véu de amargura, mas aliviadas pela certeza de que a fé de Shahbaz nunca falhou. Até nos momentos mais difíceis, quando as ameaças e o ódio tentavam pôr fim à sua missão de cristão e de político.

Um político no verdadeiro sentido do termo, que escolheu o Evangelho como estilo de vida e com ele conformou a sua ação. No testamento, em parte incluído nesta biografia, deixou frases inesquecíveis, que exprimem a profundidade da sua relação íntima com Cristo. Desde a infância Shahbaz, segundo a narração de Paul, procurou o que une e não o que separa. Manteve sempre no coração a sorte dos mais pobres, dos mais frágeis, dos últimos. Entre estes, reservou um lugar particular à minoria cristã do Paquistão.

Ao cumprir a sua missão, foi um promotor sincero do diálogo interreligioso, do ecumenismo e da paz entre os povos, demonstrando que só o confronto aberto pode educar as novas gerações para a escuta, a tolerância e a convivência pacífica.

Uma certeza que encontra confirmação nas palavras do testamento de Shahbaz, que ressoam como um programa de vida: «Propuseram-me altos cargos no governo e pediram-me para abandonar a minha batalha, mas rejeitei sempre, até arriscando a vida. A minha resposta é sempre a mesma: “Não. Quero servir Jesus como homem comum”».

Servir Jesus na simplicidade e humildade, pondo-se em questão, sem desistir diante dos poderes do mundo, ciente de que nada nem ninguém poderia tirá-lo da mão do seu Senhor. Foi com esta fé granítica que Shahbaz soube resistir à violência e ao ódio.

A leitura deste livro, que deseja ser antes de tudo um contributo para a busca da paz e da justiça, enriquecerá o leitor. Através destas páginas, Shahbaz Bhatti ajuda-nos a não nos esquecermos dos cristãos do Paquistão e das suas dificuldades, e continua o seu compromisso pela convivência civil e a compreensão mútua entre as religiões na sua pátria, que sempre amou e serviu.

 


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