Solenidade do Pentecostes

Missa do Dia

4 de Junho de 2017

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: O Amor de Deus foi derramado, M. Carvalho, NRMS 82-83

Sab 1, 7

Antífona de entrada: O Espírito do Senhor encheu a terra inteira; Ele, que abrange o universo, conhece toda a palavra. Aleluia.

 

Ou:

Rom 5, 5; 8, 11

O amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que habita em nós. Aleluia.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Obedecendo às ordens de Jesus, os Onze Apóstolos, com os Discípulos e acompanhando Nossa Senhora, recolheram-se no Cenáculo, preparando-se para a vinda do Espírito Santo.

Dez dias depois, a Terceira Pessoa da Santíssima trindade, Alma da Igreja desceu com toda a solenidade sobre a igreja nascente.

Celebramos hoje este solene acontecimento. Imaginemo-nos no Cenáculo de Jerusalém,

Com Maria e os Apóstolos, e peçamos ao Espírito Santo que desça também sobre nós.

 

Acto penitencial

 

(Está sugerido para o tempo Pascal que amanhã termina a substituição do Acto penitencial pelo rito de aspersão da Assembleia com a água lustral).

 

S. Paulo dá-nos três conselhos: não extingamos o Espírito Santo elo pecado mortal; não O contristemos com as nossas infidelidades; procuremos seguir com docilidade as suas inspirações.

Pelas vezes que não procedemos assim, peçamos humildemente perdão ao Senhor do universo.

 

(Tempo de silêncio. Segue-se o esquema A, com a confissão e Senhor, tende piedade de nós).

 

Oração colecta: Deus do universo, que no mistério do Pentecostes santificais a Igreja dispersa entre todos os povos e nações, derramai sobre a terra os dons do Espírito Santo, de modo que também hoje se renovem nos corações dos fiéis os prodígios realizados nos primórdios da pregação do Evangelho. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Em palavras simples, mas inspiradas, S. Lucas narra-nos o que aconteceu no Cenáculo na manhã do Pentecostes.

Transportemo-nos em espírito até esse lugar abençoado, para vivermos este grande acontecimento.

 

Actos dos Apóstolos 2, 1-11

1Quando chegou o dia de Pentecostes, os Apóstolos estavam todos reunidos no mesmo lugar. 2Subitamente, fez-se ouvir, vindo do Céu, um rumor semelhante a forte rajada de vento, que encheu toda a casa onde se encontravam. 3Viram então aparecer uma espécie de línguas de fogo, que se iam dividindo, e poisou uma sobre cada um deles. 4Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que se exprimissem. 5Residiam em Jerusalém judeus piedosos, procedentes de todas as nações que há debaixo do céu. 6Ao ouvir aquele ruído, a multidão reuniu-se e ficou muito admirada, pois cada qual os ouvia falar na sua própria língua. 7Atónitos e maravilhados, diziam: «Não são todos galileus os que estão a falar? 8Então, como é que os ouve cada um de nós falar na sua própria língua? 9Partos, medos, elamitas, habitantes da Mesopotâmia, da Judeia e da Capadócia, do Ponto e da Ásia, 10da Frígia e da Panfília, do Egipto e das regiões da Líbia, vizinha de Cirene, colonos de Roma, 11tanto judeus como prosélitos, cretenses e árabes, ouvimo-los proclamar nas nossas línguas as maravilhas de Deus».

 

1 «Pentecostes» significa, em grego, quinquagésimo (dia depois da Páscoa). Os judeus chamam-lhe Festa das Semanas (em hebraico, xevuôth, 7 semanas depois da Páscoa). Era uma festa em que se ofereciam a Deus as primícias das colheitas, num gesto de acção de graças. Mais tarde, os rabinos também lhe deram o sentido da comemoração da promulgação da Lei no Sinai.

3 «Línguas de fogo que se iam dividindo». O fogo toma esta forma talvez para significar o dom das línguas. Esta nova divisão das línguas tem a finalidade de unir os homens numa mesma fé e não de os separar com aquela divisão das línguas de que se fala no Génesis (11, 1-9).

4 «Começaram a falar outras línguas». Jesus tinha anunciado este prodígio, até então desconhecido (cf. Mc 16, 17). Trata-se de um fenómeno sobrenatural, não dum simples fenómeno de exaltação nervosa. No entanto, não há total acordo entre os exegetas para explicar o milagre das línguas do Pentecostes. A explicação mais habitual é que os Apóstolos falaram então verdadeiros idiomas novos (cf. Mc 16, 17), mas em Actos não se fala de línguas novas (kainais), como em Marcos, mas de línguas diferentes (cf. v. 4: hetérais). Alguns dizem que o milagre estava nos ouvintes, que ouviam na própria língua das terras donde provinham (v. 8) aquilo que os Apóstolos diziam em aramaico. Outros, especialmente nos nossos dias, põem este milagre em relação com o dom das línguas, ou glossolalia, carisma de que se fala em 1 Cor 14, 2-33: seria então um tipo de oração extática, especialmente de louvor, em que se articulavam sons ininteligíveis (algo parecido com aquele fenómeno místico a que Santa Teresa de Jesus chama «embriaguez espiritual, júbilo místico»). Sendo assim, o que aconteceu de particular no dia do Pentecostes, foi que não era preciso um intérprete (como em 1 Cor 14, 27-28) para que os ouvintes entendessem o que diziam os Apóstolos: os ouvintes de boa fé receberam o dom de interpretar o que os Apóstolos diziam, ao passo que os mal dispostos diziam que eles estavam ébrios (v. 13). De qualquer modo, em Actos nunca se diz que a pregação de Pedro (cf. vv. 14-36) foi em línguas; o discurso aparece como posterior a este fenómeno referido no v. 4; em línguas poderia ser algum tipo de oração de louvor, a «proclamar as maravilhas do Senhor» (v. 11).

9-11 Temos aqui uma vasta referência às diversas procedências dos judeus da diáspora: uns teriam mesmo vindo em peregrinação, outros seriam emigrantes que se tinham fixado na Palestina. De qualquer modo, esta enumeração bastante exaustiva e ordenada (a partir do Oriente para Ocidente) pretende pôr em evidência a universalidade da Igreja, que é católica logo ao nascer, destinada a todos os homens de todas as procedências, manifestando-se esta catolicidade na capacidade que todos têm para captar e aderir à pregação apostólica. Por outro lado, também a unidade da Igreja se deixa ver na única mensagem e no único Baptismo que todos recebem; como se lê na 2.ª leitura de hoje, (v. 13) «a todos nos foi dado beber um único Espírito».

 

Salmo Responsorial    Sl 103 (104), lab.24c.29bc-30.31.34

 

Monição: O Salmo que a Liturgia nos convida a cantar, como resposta à interpelação que o Espírito Santo nos fez na leitura os Actos do Apóstolos, faz-nos desejar também a Sua vinda sobre nós.

Peçamo-lo cheios de confiança com as palavras divinamente inspiradas o salmo 104.

 

 

Refrão:     Enviai, Senhor, o vosso Espírito

                e renovai a face da terra.

 

Ou:           Mandai, Senhor o vosso Espírito,

                e renovai a terra.

 

Ou:           Aleluia.

 

Bendiz, ó minha alma, o Senhor.

Senhor, meu Deus, como sois grande!

Como são grandes, Senhor, as vossas obras!

A terra está cheia das vossas criaturas.

 

Se lhes tirais o alento, morrem

e voltam ao pó donde vieram.

Se mandais o vosso espírito, retomam a vida

e renovais a face da terra.

 

Glória a Deus para sempre!

Rejubile o Senhor nas suas obras.

Grato Lhe seja o meu canto

e eu terei alegria no Senhor.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. Paulo lembra-nos que «Todos nós fomos baptizados num só Espírito, para formarmos um só Corpo.»

Ajuda-nos, depois, a tirar as conclusões oportunas: «há diversidade de dons espirituais, mas o Espírito é o mesmo. Há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. Há diversas operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos. Em cada um se manifestam os dons do Espírito para o bem comum.»

 

1 Coríntios 12, 3b-7.12-13

Irmãos: 3bNinguém pode dizer «Jesus é o Senhor», a não ser pela acção do Espírito Santo. 4De facto, há diversidade de dons espirituais, mas o Espírito é o mesmo. 5Há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. 6Há diversas operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos. 7Em cada um se manifestam os dons do Espírito para o bem comum. 12Assim como o corpo é um só e tem muitos membros e todos os membros, apesar de numerosos, constituem um só corpo, assim também sucede com Cristo. 13Na verdade, todos nós – judeus e gregos, escravos e homens livres – fomos baptizados num só Espírito, para constituirmos um só Corpo. E a todos nos foi dado a beber um único Espírito.

 

O contexto em que fala S. Paulo aos Coríntios é o de certa confusão que reinava na comunidade acerca dos carismas, em especial os de linguagem. Para começar, avança com um critério de discernimento, a saber, que quem fala o faça de acordo com a verdadeira fé, a confissão de fé na divindade de Jesus: «Jesus é Senhor» (sem artigo em grego, indicando que Jesus é Deus); com efeito, «Senhor» equivale a Yahwéh na tradução grega dos LXX para o nome divino. Por outro lado, deve-se ter em conta que o acto de fé não se pode fazer só pelas próprias forças, é fruto da graça do Espírito Santo (v. 3), que, pelos seus dons, especialmente o do entendimento e o da sabedoria, aperfeiçoam essa mesma fé.

4-5 Pertence à essência da vida da Igreja haver sempre, diversidade de dons espirituais (carismas), ministérios e operações. Estas três designações referem-se fundamentalmente aos mesmos dons de Deus em favor da edificação da Igreja, mas cada um destes três nomes foca um aspecto: a sua gratuidade, a sua utilidade e a sua manifestação do poder actuante de Deus. S Paulo apropria cada um destes aspectos a cada uma das três Pessoas divinas. Toda esta diversidade e variedade de dons procede da unidade divina e concorre para que a unidade a Igreja – um só Corpo (v. 13) – seja mais rica. O Concílio Vaticano II – L. G. 12 – recorda normas práticas acerca destes carismas, ou dons que Deus concede aos fiéis para a «renovação e cada vez mais ampla edificação da Igreja, para o bem comum» (v. 7). E diz que os dons extraordinários não se devem pedir temerariamente, nem deles se devem esperar, com presunção, os frutos das obras apostólicas; e o juízo acerca da sua autenticidade e recto uso, pertence àqueles que presidem na Igreja, a quem compete de modo especial não extinguir o Espírito, mas julgar e conservar o que é bom (cf. 1 Tes 5, 12.19-21). Não se pode opor o carismático ao jerárquico; a vida da Igreja, que se expande pelos carismas, tem que se manter na esfera da verdade, garantida pela Hierarquia, a fim de que seja verdadeira vida, e não mera excrescência doentia e anormal, porventura um princípio de auto-destruição.

12 «Assim como o corpo...». A comparação não é original, mas da literatura profana. S. Paulo adapta-a maravilhosamente à Igreja, concebida como um corpo onde não pode haver rivalidades e divisão: «um só corpo». Aqui está latente a doutrina do Corpo Místico explanada em Colossenses e Efésios, mas ainda não se considera de facto a Igreja universal, o Corpo de Cristo, apenas se considera que os cristãos de Corinto são um organismo – um corpo – dependente de Cristo e com a mesma vida de Cristo (v. 27).

13 «E a todos nos foi dado beber um único Espírito». Os exegetas em geral, tendo em conta que no v. anterior já se tinha falado do Baptismo, pensam haver aqui uma referência ao Sacramento da Confirmação, pois então estes Sacramentos se costumavam receber juntos (cf. Act 19, 5-6), como ainda hoje no Oriente e entre nós nos adultos.

 

SEQUÊNCIA

 

Vinde, ó santo Espírito,

vinde, Amor ardente,

acendei na terra

vossa luz fulgente.

 

Vinde, Pai dos pobres:

na dor e aflições,

vinde encher de gozo

nossos corações.

 

Benfeitor supremo

em todo o momento,

habitando em nós

sois o nosso alento.

 

Descanso na luta

e na paz encanto,

no calor sois brisa,

conforto no pranto.

 

Luz de santidade,

que no Céu ardeis,

abrasai as almas

dos vossos fiéis.

 

Sem a vossa força

e favor clemente,

nada há no homem

que seja inocente.

 

Lavai nossas manchas,

a aridez regai,

sarai os enfermos

e a todos salvai.

 

Abrandai durezas

para os caminhantes,

animai os tristes,

guiai os errantes.

 

Vossos sete dons

concedei à alma

do que em Vós confia:

 

Virtude na vida,

amparo na morte,

no Céu alegria.

 

Aclamação ao Evangelho       

 

Monição: Ao cantarmos a aclamação ao Evangelho, peçamos ao Senhor com toda a alma que não nos faça esperar mais pela Sua vinda.

Precisamos que Ele venha quanto antes, para renovar todos os corações de boa vontade.

 

Aleluia

 

Cântico: M. Faria, NRMS 87

 

Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e

acendei neles o fogo do vosso amor.

 

 

Evangelho

 

São João 20, 19-23

19Na tarde daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas da casa onde os discípulos se encontravam, com medo dos judeus, veio Jesus, colocou-Se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco». 20Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor. 21Jesus disse-lhes de novo: «A paz esteja convosco. Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós». 22Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo: 23àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes serão retidos».

 

Este texto foi escolhido por nele se falar também de uma comunicação do Espírito Santo, esta no dia de Páscoa, e que permite à Igreja o exercício de uma das principais concretizações da sua missão salvífica: o perdão dos pecados por meio do Sacramento da Reconciliação. (Ver atrás os comentários feitos para o 2.º Domingo da Páscoa). Aqui limitamo-nos a citar um belo texto da Declaração Ecuménica das Igrejas Cristãs (Upsala 1968), baseada num conhecido texto patrístico: «Sem o Espírito Santo, Deus fica longe; Cristo pertence ao passado; o Evangelho é letra morta; a Igreja, mais uma organização; a autoridade, um domínio; a missão, uma propaganda; o culto, uma evocação; o agir cristão, uma moral de escravos. Mas, com o Espírito Santo, o cosmos eleva-se e geme na infância do Reino; Cristo ressuscita e é alento de vida; a Igreja é comunhão trinitária; e a autoridade, serviço libertador; a missão é Pentecostes; e o culto, memorial e antecipação; o agir humano torna-se realidade divina».

 

Sugestões para a homilia

 

• Pentecostes, festa do Amor

O Espírito no coração dos homens

Vida em comunhão divina

Dons para partilhar

• O Espírito Santo, Dom do Pai

A Sua missão na Igreja e no mundo

N’Ele vivemos

Em Missão com o Espírito Santo.

 

1. Pentecostes, festa do Amor

 

a) O Espírito no coração dos homens. «Subitamente, fez-se ouvir, vindo do Céu, um rumor semelhante a forte rajada de vento, que encheu toda a casa onde se encontravam. Viram então aparecer uma espécie de línguas de fogo, que se iam dividindo, e poisou uma sobre cada um deles

São várias as figuras com que o Espírito Santo se manifesta no cenáculo, para nos ajudar a compreender a missão que Ele desempenha junto de nós.

Rajada de vento. O ar fresco, em rajada cheia de vida, purifica o ambiente, varrendo o ar bafiento e doentio, enchendo os pulmões de ar saudável. Assim actua o Espírito Santo no mundo.

Língua de fogo. O fogo aquece, ilumina, funde diversos metais, mesmo que não sejam da mesma natureza, purifica e transforma. O fogo do Amor do Espírito Santo opera todas estas maravilhas nos corações dos fieis.

A unidade. As línguas vão-se repartindo. É o mesmo fogo do amor que se comunica a cada um dos presentes. Com isto ajuda-nos a compreender a unidade da Igreja, condição vital para que possamos agradar a Deus.

De resto, Ele vem quando toda a Igreja primitiva está reunida para ouvir a palavra de Deus e cantar salmos. Maria Santíssima e os Apóstolos estavam todos reunidos no mesmo lugar.

Água. Jesus compara também o Espírito Santo à água, porque ela mata a sede, lava, purifica, fecunda as plantas.

A água é um elemento indispensável do nosso corpo. Ele é composto por 70% de água. Quando esta percentagem diminui no organismo humano, o corpo desidrata-se e entre em crise.

Não é possível levar uma vida cristã normal sem abrir as portas à acção do Espírito Santo em nós.

 

b) Vida em comunhão divina. «Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que se exprimissem

No momento da vinda do Espírito Santo acontece uma coisa prodigiosa: judeus e simpatizantes com o judaísmo de todo o mundo tinham vindo ao Templo de Jerusalém para celebrar o Pentecostes. Nele ofereciam ao Senhor as primícias das colheitas e comemoravam a entrega das tábuas da Lei no Sinai a Moisés feita por Iavhé.

Agora são oferecidas ao Senhor as primícias das conversões à Igreja, da grande colheita do Evangelho no mundo, ao longo dos séculos.

A partir de agora, os homens não contam apenas com as tábuas de pedra, com os Dez Mandamentos gravados, mas a lei de Deus é impressa no coração de cada pessoa, como foi prometida pele profeta Ezequiel.

Mas havia uma dificuldade prática: como poderiam as pessoas de línguas e procedências tão diversas compreender a pregação do Evangelho, se Pedro lhes falava em aramaico — a língua da terra Santa no tempo de Jesus?

O Espírito Santo veio em auxílio dos Apóstolos, fazendo que cada um dos presentes entendesse perfeitamente a pregação de Pedro, como se ele estivesse a falar na língua de cada um: «Partos, medos, elamitas, habitantes da Mesopotâmia, da Judeia e da Capadócia, do Ponto e da Ásia, da Frígia e da Panfília, do Egipto e das regiões da Líbia, vizinha de Cirene, colonos de Roma, tanto judeus como prosélitos, cretenses e árabes

Este prodígio há-de repetir-se mais vezes na história da Igreja, quando for necessário, embora O Espírito Santo não queira fazer aquilo que podemos realizar por nós próprios: estudar a língua das pessoas a quem se anuncia o Evangelho.

Mas, para além do aspecto Paráclito, há uma lição profunda: a doutrina do Evangelho, embora sendo exigente, é entendida por todas as pessoas e exerce sobre elas uma fascinação que, naturalmente, não se explica. Enquanto o pregador fala, o Espírito Santo está na alma de cada um para o ajudar a descobrir as aplicações práticas à sua vida do que é anunciado.

 

c) Dons para partilhar. «De facto, há diversidade de dons espirituais, mas o Espírito é o mesmo. Há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. Há diversas operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos. Em cada um se manifestam os dons do Espírito

O Espírito Santo, Alma da Igreja, faz dela um Corpo vivo e organizado, onde cada membro tem uma função em favor dos outros, à semelhança do que acontece com o corpo humano, de tal modo que ninguém vive para si mesmo.

O Espírito Santo enriquece a Igreja de vários modos:

Dons do Espírito Santo. São impulsos espirituais, inclinações fortes que nos levam a pensar e actuar como se Jesus Cristo ou Maria estivessem em nosso lugar.

 São sete, número bíblico da plenitude: Sapiência, pelo qual saboreamos a vida de intimidade com Deus; Entendimento, que nos leva a entender interiormente as verdades da fé e a relacioná-las entre si; o Conselho que nos conduz a procurar a vontade de Deus em cada situação da vida; a Fortaleza, que nos possibilita enfrentar situações difíceis e aguentar as dificuldades para continuarmos féis à vontade do Altíssimo; o dom da Ciência que nos ajuda a ver em cada criatura uma ajuda para conhecer e amar o nosso Deus; a Piedade que nos inclina a viver com a delicadeza de filhos de Deus, procurando fazer tudo o que Lhe pode dar gosto; o Temor de Deus que nos move a evitar tudo que, mesmo sem ser pecado, poderia desagradar a Deus.

Carismas. Os carismas são qualidades que o Espírito Santo nos dá para bem e serviço de toda a Igreja: a capacidade organizativa, ler e proclamar a Palavra de Deus, cantar, etc.

O Santo Padre recebeu o carisma da infalibilidade em material de fé e de costumes. “A missão do Magistério está ligada ao caráter definitivo da Aliança instaurada por Deus em Cristo com seu Povo; deve protegê-lo dos desvios e dos afrouxamentos e garantir-lhe a possibilidade objetiva de professar sem erro a fé autêntica. O ofício pastoral do Magistério está, assim, ordenado ao cuidado para que o Povo de Deus permaneça na verdade que liberta. Para executar este serviço, Cristo dotou os pastores do carisma de infalibilidade em matéria de fé e de costumes. O exercício deste carisma pode assumir várias modalidades.” (Catecismo da Igreja Católica, n.º § 890).

Ministérios. “As próprias diferenças que o Senhor quis estabelecer entre os membros de seu Corpo servem à sua unidade e à sua missão. Pois, embora "exista na Igreja diversidade de serviços, há unidade de missão. Cristo confiou aos apóstolos e a seus sucessores o múnus de ensinar, de santificar e de governar em seu nome e por seu poder. Os leigos, por sua vez, participantes do múnus sacerdotal, profético e régio de Cristo, compartilham a missão de todo o povo de Deus na Igreja e no mundo". Finalmente, "em ambas as categorias [hierarquia e leigos] há fiéis que, pela profissão dos conselhos evangélicos, se consagram, em seu modo especial, a Deus e servem à missão salvífica da Igreja; seu estado, embora não faça parte da estrutura hierárquica da Igreja, pertence, não obstante, à sua vida e santidade".” (CIC §873).

O Ministério vem a ser um carisma que a pessoa possuía e a Igreja oficializou.

 

2. O Espírito Santo, Dom do Pai

 

a) A Sua missão na Igreja e no mundo. «Na tarde daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas da casa onde os discípulos se encontravam, com medo dos judeus, veio Jesus, apresentou-Se no meio deles e disse-lhes: “A paz esteja convosco”.»

É missão do Espírito Santo manter viva e operante a Igreja, evangelizando e conduzindo com eficácia as pessoas à salvação eterna. É por isso que a Igreja nunca fracassa, nuca morre nem é derrotada. Depois do que os homens chamam um revês, acaba sempre por aparecer mais bela, depois das provações.

Depois de ressuscitado, Jesus procurou confirmar os Onze e os Discípulos na fé da Ressurreição. Foi procurá-los ao Cenáculo, onde se encontravam com as portas e janelas trancadas, por medo dos judeus. Não tinham paz nem alegria, porque o Mestre tinha-lhes sido roubado e sentiam-se culpados do modo como tinham procedido.

O dom da paz. Encheram-se de alegria e segurança, quando viram Jesus ressuscitado. Jesus começa por lhes dar este dom. Invoquemos o Espírito Santo, quando sentirmos a falta de paz interior, e procuremos reconquistá-la, se for preciso, pelo sacramento da reconciliação.

Muitas vezes, quando nos parece que o Inimigo nos quer roubar a paz, lembrando-nos os nossos pecados, façamos um acto de contrição e lembremo-nos que a terceira Pessoa da Santíssima Trindade — o Paráclito — vive em nós como num templo.

O perdão dos pecados. É pelo Espírito Santo recebido na Ordenação Sacerdotal — pela imposição das mãos do Bispo — que o sacerdote recebe o poder de perdoar os pecados.

Este poder é dado ao sacerdote para serviço exclusivo dos irmãos. Se ele pode comungar a Santíssima Eucaristia por ele consagrada, não pode igualmente perdoar os pecados a sis mesmo.

• A mudança operada nos Apóstolos. A vinda do Espírito Santo sobre os Apóstolos e Discípulos do Senhor, com Maria, operou neles uma profunda mudança. Eram tímidos e tornaram-se corajosos; de homens do mar, nada habituados a falar em público, Pedro fala em nome da Igreja, com grande eloquência e convertem-se logo cerca de 2.000 pessoas.

 

b) N’Ele vivemos. «Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós

O Espírito Santo vive em nós como num  templo. Podemos adorá-l’O e falar-Lhe em cada momento, pedindo humildemente a sua ajuda divina.

Vivemos no Espírito Santo. S. Paulo, falando no Areópago de Atenas dizia que fala daquele Deus no qual vivemos, nos movemos e existimos. Estas palavras inspiradas ajudam-nos a compreender um pouco a in-habitação do Espírito Santo e a Sua relação com cada um de nós.

Vivemos imersos neste mar infinito de Amor que nos banha, nos conforta e enche de vigor. Deixemos que Ele nos inspire, nos guie e nos anime nos caminhos da santidade pessoal.

Ele inspira-nos continuamente. Não podemos ter um bom pensamento ou desejo sem a ajuda do Espírito Santo. 

Quantas vezes somos surpreendidos por um desejo inesperado de maior fidelidade ao Senhor, de corrigir isto ou aquilo! E não nos damos conta de que é o Espírito Santo quem nos está a iluminar e a aquecer no Amor ao Pai.

Move-nos com suavidade para o bem. A pesar de termos ficado com inclinações doentias para o mal, para o pecado, também sentimos em  nós, com frequência, um desejo indefinido de amar mais ao Senhor, de vivermos com maior fidelidade a nossa vocação, correspondendo ao Amor de Deus.

Ele faz isto com tal discrição, que nos parece ser uma inspiração que nasceu de nós.

Enche-nos de consolação. O Espírito Santo enche-nos de gozo sobrenatural quando nos deixamos guiar por Ele, fazendo a vontade de Deus.

Falando sobre o Espírito Santo, aos Apóstolos no Cenáculo, Jesus diz-nos que Ele é o Paráclito — Advogado das nossas causas — o Consolador, Aquele que nos conduzirá à verdade total, que colocará delicadamente em nossos lábios as palavras necessárias quando formos interpelados sobre a razão da nossa Esperança.

 

c) Em Missão com o Espírito Santo. «Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: “Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes ser-lhes-ão retidos”.»

Deus chama-nos a anunciar a todas as pessoas o perdão de Deus, a alegria do Evangelho, a bondade infinita de Deus que veio ao mundo para nos salvar.

Proclamamo-lo com a nossa vida. Embora com muitas deficiências, e com as dificuldades de todos os outros, a nossa vida há-de ser uma proclamação solene da misericórdia de Deus.

À imitação de Jesus Cristo, também nós não estamos no mundo para julgar e condenar as outras pessoas, mas para as levar ao encontro do Mestre.

Não podemos guardar só para nós este tesouro da alegria do Evangelho.

Foi para perdoar os nossos pecados, porque Ele sabe que o justo peca sete vezes ao dia, que Jesus deu aos Apóstolos e, por eles, aos Bispos e Presbíteros de todos os tempos, o poder de perdoar os pecados.

• Na confissão. Ele está misteriosamente presente no sacerdote, quando ele traça sobre nós o sinal da cruz, pronunciando as palavras d absolvição sacramental.

Na Consagração as espécies. Pronuncia, pelos lábios do homem consagrado que é o sacerdote, as palavras da Concelebração sobre o pão e o vinho, transubstanciando-os no Seu Corpo e Sangue. Tudo isto acontece pela força do Espírito Santo recebido na Ordenação Sacerdotal.

• Em cada celebração da Santa Missa, somos enviados. Quando o sacerdote diz, com certa solenidade Ide em paz e o Senhor vos acompanhe, não faz uma despedida, mas procede a um envio solene para o mundo de onde viemos para a missa.

Quer dizer: Ide continuar a Missa na via de cada dia, santificando-vos e anunciando que Cristo vive e nos quer salvar!

Maria Santíssima, Esposa de Deus Espírito Santo, acompanha-nos nesta missão junto dos ouros e ajuda-nos a realizá-la.

 

Fala o Santo Padre

 

«O Espírito Santo ensina-nos o caminho; recorda-nos e explica-nos as palavras de Jesus;

leva-nos a rezar e a dizer «Pai» a Deus; faz-nos falar aos homens no diálogo fraterno e leva-nos a falar na profecia.»

«Todos ficaram cheios do Espírito Santo » (Act 2, 4).

Falando aos Apóstolos na última Ceia, Jesus disse que, depois da sua partida deste mundo, lhes teria enviado o dom do Pai, ou seja o Espírito Santo (cf. Jo 15, 26). Esta promessa realiza-se poderosamente no dia de Pentecostes, quando o Espírito Santo desce sobre os discípulos congregados no Cenáculo. Aquela efusão, embora tenha sido extraordinária, não foi única nem limitada àquele momento, mas é um acontecimento que se renovou e que ainda hoje se renova. Cristo glorificado à direita do Pai continua a cumprir a sua promessa, derramando sobre a Igreja o Espírito vivificador, que nos ensina, nos recorda e nos faz falar.

O Espírito Santo ensina-nos: é o Mestre interior. Ele orienta-nos pela senda recta, através das situações da vida. Indica-nos o caminho, a vereda. Nos primórdios da Igreja, o Cristianismo era conhecido como «o caminho» (cf. Act 9, 2), e o próprio Jesus é o Caminho. O Espírito Santo ensina-nos a segui-lo, a caminhar nas suas pegadas. Mais do que um mestre de doutrina, o Espírito Santo é um Mestre de vida. E, sem dúvida, da vida faz parte também o saber, o conhecer, mas no contexto do horizonte mais amplo e harmonioso da existência cristã.

O Espírito Santo recorda-nos, recorda-nos tudo aquilo que Jesus disse. É a memória viva da Igreja. E enquanto nos faz recordar, leva-nos também a compreender as palavras do Senhor.

Este recordar no Espírito e graças ao Espírito não se reduz a um gesto mnemónico, mas constitui um aspecto essencial da presença de Cristo em nós e na sua Igreja. O Espírito de verdade e de caridade recorda-nos o que Cristo disse, leva-nos a entrar cada vez mais plenamente no sentido das suas palavras. Todos nós fazemos esta experiência: num momento, em qualquer situação, temos uma ideia e depois mais uma, que se liga a um trecho da Escritura... É o Espírito que nos leva a percorrer este caminho: a vereda da memória viva da Igreja. E isto exige de nós uma resposta: quanto mais generosa for a resposta, tanto mais as palavras de Jesus se tornarão em nós vida, atitudes, escolhas, gestos e testemunho. Em síntese, o Espírito recorda-nos o mandamento do amor e chama-nos a vivê-lo!

Um cristão sem memória não é um cristão autêntico: é um cristão a meio caminho, é um homem ou uma mulher prisioneiro do momento, que não sabe valorizar a sua história, não sabe lê-la nem vivê-la como história de salvação. Ao contrário, com a ajuda do Espírito Santo, podemos interpretar as inspirações interiores e os acontecimentos da vida à luz das palavras de Jesus. E assim prospera em nós a sabedoria da memória, a sapiência do coração, que é um dom do Espírito. Que o Espírito reavive a memória cristã em todos nós! E naquele dia, juntamente com os Apóstolos, estava presente a Mulher da memória, Aquela que desde o princípio ponderava tudo no seu coração. Estava presente Maria, nossa Mãe. Que Ela nos ajude neste caminho da memória!

O Espírito Santo ensina-nos, recorda-nos e — outra sua característica — faz-nos falar com Deus e com os homens. Não existem cristãos mudos, emudecidos de alma; não, não há lugar para isto.

Ele leva-nos a falar com Deus na oração. A oração é uma dádiva que nós recebemos gratuitamente; é diálogo com Ele no Espírito Santo, que ora em nós em e que nos permite dirigir-nos a Deus chamando-lhe Pai, Aba (cf. Rm 8, 15; Gl 4, 4); e não se trata apenas de um «modo de dizer», mas da realidade: nós somos realmente filhos de Deus. «Todos aqueles que são conduzidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus» (Rm 8, 14).

Ele faz-nos falar no gesto da fé. Nenhum de nós pode dizer «Jesus é o Senhor» — como ouvimos hoje — sem o Espírito Santo. E o Espírito leva-nos a falar com os homens no diálogo fraterno. Ajuda-nos a falar com os demais, reconhecendo neles irmãos e irmãs; a falar com amizade, ternura e mansidão, compreendendo as angústias e as esperanças, as tristezas e as alegrias dos outros.

Mas há mais: o Espírito Santo leva-nos a falar também aos homens na profecia, ou seja, transformando-nos em «canais» humildes e dóceis da Palavra de Deus. A profecia é feita com franqueza, para mostrar abertamente as contradições e as injustiças, mas sempre com mansidão e intenção construtiva. Impregnados do Espírito de amor, podemos ser sinais e instrumentos de Deus que ama, serve e vivifica.

Recapitulando: o Espírito Santo ensina-nos o caminho; recorda-nos e explica-nos as palavras de Jesus; leva-nos a rezar e a dizer «Pai» a Deus; faz-nos falar aos homens no diálogo fraterno e leva-nos a falar na profecia.

No dia de Pentecostes, quando os discípulos «se tornaram cheios do Espírito Santo», teve lugar o baptismo da Igreja, que nasceu «em saída», «em partida», para anunciar a Boa Notícia a todos. A Mãe Igreja parte para servir. Recordemos também a outra Mãe, a nossa Mãe que partiu com prontidão para servir. A Mãe Igreja e a Mãe Maria: ambas são virgens, ambas são mães, são ambas mulheres. Jesus foi peremptório com os Apóstolos: eles não deviam afastar-se de Jerusalém antes de ter recebido do alto a força do Espírito Santo (cf. Act 1, 4.8). Sem Ele não existe a missão, e nem sequer a evangelização. Por isso, juntamente com a Igreja inteira, com a nossa Mãe Igreja católica, invoquemos: Vinde, Espírito Santo!

 

Papa Francisco, Homilia na Solenidade do Pentecostes, Praça de São Pedro, 8 de Junho de 2014

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

Neste dia santíssimo em que terminam as festas pascais,

oremos a Deus Pai todo-poderoso, com toda a confiança,

para que o dom do Espírito Santo renove toda a Igreja,

dizendo (ou: cantando), com alegria:

 

    Abençoai, Senhor, a vossa Igreja!

 

1. Pela Igreja de Jesus Cristo, presente em toda a terra,

    para que proclame as maravilhas do amor de Deus

    em todas as línguas, povos e culturas do universo,

    oremos, irmãos.

 

    Abençoai, Senhor, a vossa Igreja!

 

2. Pelo Santo Padre, sucessor de Pedro, pelos bispos,

    e por todos os párocos e comunidades confiadas,

    para que o Espírito Santo lhes dê ardor e sabedoria,

    oremos, irmãos.

 

    Abençoai, Senhor, a vossa Igreja!

 

3. Por todos aqueles que invocam a Deus como Pai

    e receberam em seus corações o dom do Espírito,

    para que sejam testemunhas vivas do Evangelho,

    oremos, irmãos.

 

    Abençoai, Senhor, a vossa Igreja!

 

4. Por cada homem que faz o bem e ama a justiça,

    que luta e sofre pela liberdade e pela paz e amor,

    para que o Espírito os torne firmes na esperança,

    oremos, irmãos.

 

    Abençoai, Senhor, a vossa Igreja!

 

5. Pelos fiéis que receberam dons do Espírito Santo

    e exercem ministérios nesta nossa comunidade

    para que sempre e em tudo agradem ao Senhor,

    oremos, irmãos.

 

    Abençoai, Senhor, a vossa Igreja!

 

6. Pelos irmãos que já partiram desta vida na terra,

    e são ainda purificados antes de entrarem no Céu,

    para que o Deus da misericórdia os acolha,

    oremos, irmãos.

 

    Abençoai, Senhor, a vossa Igreja!

 

Deus eterno e omnipotente, Senhor do Universo,

que enviastes aos corações dos vossos fiéis

o Espírito Santo da manhã do Pentecostes,

tornai-nos testemunhas do Evangelho

e das maravilhas que realizastes pelos homens.

Por Cristo, nosso Senhor.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

As maravilhas do Pentecostes continuam a dar-se em cada Missa em que temos a felicidade de participar.

Deus sentou-nos à Mesa da Palavra, para saciar a nossa fome de verdade que oriente a nossa vida.

Vai agora preparar a refeição do Seu Corpo e Sangue, para nos sentar à Mesa da Eucaristia.

 

Cântico do ofertório: O Espírito de Deus repousou sobre mim, Az. Oliveira, 58

 

Oração sobre as oblatas: Concedei-nos, Senhor nosso Deus, que o Espírito Santo, segundo a promessa do vosso Filho, nos revele plenamente o mistério deste sacrifício e nos faça conhecer toda a verdade. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

PREFÁCIO

 

O mistério do Pentecostes

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte.

Hoje manifestastes a plenitude do mistério pascal e sobre os filhos de adopção, unidos em comunhão admirável ao vosso Filho Unigénito, derramastes o Espírito Santo, que no princípio da Igreja nascente revelou o conhecimento de Deus a todos os povos da terra e uniu a diversidade das línguas na profissão duma só fé.

Por isso, na plenitude da alegria pascal, exultam os homens por toda a terra e com os Anjos e os Santos proclamam a vossa glória, cantando numa só voz:

 

Santo, Santo, Santo.

 

No Cânone Romano dizem-se o Communicantes (Em comunhão com toda a Igreja) e o Hanc igitur (Aceitai benignamente, Senhor) próprios. Nas Orações Eucarísticas II e III fazem-se também as comemorações próprias.

 

Santo: Santo I, H. Faria, NRMS 103-104

 

Saudação da Paz

 

Desejemo-nos mutuamente a paz, retirando cautelosamente da nossa vida tudo o que fomenta a divisão e a discórdia.

Com o Amor e solicitude de um filho de Deus, que nos dá a vida,

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

Pedimos ao Senhor que o Seu Corpo, Sangue, Alma e Divindade guarde a nossa alma para a vida eterna.

Peçamos-Lhe também que nos torne cada vez mais dóceis às inspirações do Espírito Santo.

 

Cântico da Comunhão: Se alguém tem sede, venha a mim, M. Carneiro, 82-83

Actos 2, 4. 11

Antífona da comunhão: Todos ficaram cheios do Espírito Santo e proclamavam as maravilhas de Deus. Aleluia.

 

Cântico de acção de graças: Louvai ao Senhor, louvai, J. Santos, NRMS 37

 

Oração depois da comunhão: Senhor nosso Deus, que concedeis com abundância à vossa Igreja os dons sagrados, conservai nela a graça que lhe destes, para que floresça sempre em nós o dom do Espírito Santo, e o alimento espiritual que recebemos nos faça progredir no caminho da salvação. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Na despedida do povo, o diácono ou o próprio sacerdote diz:

 

Ide em paz e o Senhor vos acompanhe. Aleluia. Aleluia.

 

O povo responde:

 

Graças a Deus. Aleluia. Aleluia.

 

Terminado o Tempo Pascal, convém levar o círio pascal para o baptistério e conservá-lo aí com a devida reverência, para que, na celebração do Baptismo, se acenda na sua chama a vela dos baptizados.

 

Nos lugares em que há o costume de afluírem em grande número os fiéis para assistirem à Missa na segunda ou também na terça-feira depois do Pentecostes, pode dizer-se a Missa do Domingo de Pentecostes ou a Missa votiva do Espírito Santo (p.1260).

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Entreguemos inteiramente ao Espírito Santo, para que opere em cada um de nós as maravilhas da manhã do Pentecostes.

 

Cântico final: Somos testemunhas, Az. Oliveira, NRMS 35

 

 

Homilias Feriais

 

TEMPO COMUM

 

9ª SEMANA

 

2ª Feira, 5-VI: Cristo, a pedra angular.

Tob 1, 1- 2, 1-8 / Mc 12, 1-12

Os agricultores: este é o herdeiro. Vamos matá-lo e a herança será nossa.

Através desta parábola. Jesus faz uma síntese da História da salvação: são enviados os profetas e, mais tarde Jesus (o filho do vinhateiro). Mas, aquele que foi rejeitado e crucificado, transformou-se na pedra angular (Ev.) de todas as construções. Também tentaram matar Tobit por ele viver as obras de misericórdia (Leit.).

Também hoje se verifica o que diz a parábola: tenta matar-se o Senhor, isto é, exclui-lo da vida de tantos povos, não só os crucifixos e as imagens, mas também os ensinamentos. Perante tal atitude podemos desagravar o Senhor e sua Mãe Santíssima por tantas ofensas.

 

3ª Feira, 6-VI: Defesa da dignidade humana.

Tob 2, 9-14 / Mc 12, 13-17

Jesus: Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus.

É certo que as realidades temporais, e a própria sociedade, se regem por leis próprias, mas isso não significa que as coisas criadas sejam independentes de Deus (GS, 36).

Não podemos esquecer que é preciso defender a dignidade da pessoa humana: fomos feitos à imagem e semelhança de Deus: «O César procura a sua imagem, dai-lha. Deus procura a sua, devolvei-lha» (Santo Agostinho). Além disso, Cristo derramou o seu sangue pela salvação de todos os homens, afirmando assim o valor de casa pessoa individualmente (SC, 89). Também faz parte do desígnio divino a transformação da sociedade.

 

4ª Feira, 7-VI: Creio na ressurreição da carne.

Tob 3, 1-11, 16-17 / Mc 12, 28-27

Ele não é um Deus de mortos, mas de vivos.

Sara (Leit.) e a mulher referida pelos saduceus (Ev.), já tinham ficado viúvas sete vezes. Jesus fala claramente da sua Ressurreição e da nossa: «E aos saduceus, que a negavam, responde: «Não andareis vos enganados, ignorando as Escrituras e o poder de Deus? (Ev.). A fé na Ressurreição assenta na fé em Deus, que 'não é um Deus de mortos, mas de vivos'» (CIC, 993).

O Evangelho é um meio de que Jesus se serve para fazer falar da imortalidade. E também a Eucaristia: »Quem comer a minha carne tem a vida eterna e Eu o ressuscitarei no último dia».

 

5ª Feira, 8-VI: O amor a Deus e as idolatrias actuais.

Tob, 6, 10-11; 7, 1, 9-17; 8, 4-9 / Mc 12, 28-34

Jesus: O Senhor, nosso Deus, é o único Senhor.

Jesus confirma que Deus é o único Senhor. E o povo eleito também o sabia, como refere Tobias: «Bendito  sejais vós, Deus dos nossos antepassados! Bendito o vosso nome por todas as gerações e para sempre» (Leit.)

Modernamente há um nova 'idolatria' que, sob a capa de progresso, promete o bem estar material, esquecendo o ser espiritual do homem e a sua salvação, e também o tesouro da fé e das riquezas do amor de Deus. Tobias não se esqueceu de Deus, quando casou: «Vamos pedir ao Senhor que nos conceda misericórdia» (Leit.).

 

6ª Feira, 9-VI: Agradecer a Deus sempre e em toda a parte.

Tob  11, 5-17 / Mc 12, 35-37

Tobit: Bendito seja Deus, bendito o seu grande nome. Benditos sejam todos o seus Santos e Anjos.

Tobit, ao recuperar o filho e ficar curado da vista, eleva a Deus este cântico de acção de graças (Leit.).

A Missa é a mais perfeita acção de graças que se pode oferecer a Deus. No Prefácio reconhecemos que é nosso dever, é nossa salvação, dar graças a Deus sempre e em toda a parte. Devemos dar graças sempre, em todas as circunstâncias da nossa vida, mesmo que não entendamos algum acontecimento ou contrariedade. E, em toda a parte, nas circunstâncias da nossa vida quotidiana: na família, no trabalho, nas relações sociais, etc.

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Fernando Silva

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


Imprimir | Voltar atrás | Página Inicial