Solenidade do Pentecostes

Missa da Vigília

3 de Junho de 2017

 

Esta Missa diz-se na tarde do sábado, antes ou depois das Vésperas I do Pentecostes.

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: O Espírito de Deus enche o universo, M. Simões, NRMS 58

Rom 5, 5; 8, 11

Antífona de entrada: O amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que habita em nós. Aleluia.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

O Mestre recomendou aos Onze e aos discípulos que não saíssem de Jerusalém para evangelizar o mundo, sem terem recebido o Prometido do Pai, do qual lhes falara, principalmente depois da Última Ceia.

Obedecendo a este mandato de Jesus, reuniram-se no Cenáculo cerca de 120 pessoas, com Maria, Mãe de Jesus, que iriam dar início, dentro de pouco tempo, A Igreja nascente.

De facto, dez dias depois da Ascensão, passados num retiro em que ouviam a Palavra de Deus e oravam, o Espírito Santo desceu solenemente sobre eles.  

Celebramos a vigília desse grande dia que transformou o mundo, porque significou para nós a invasão do mundo pelo Amor misericordioso de Deus.

 

Acto penitencial

 

(Está sugerido para o tempo Pascal que amanhã termina a substituição do Acto penitencial pelo rito de aspersão da Assembleia com a água lustral).

 

Muitas vezes vivemos alheios a estas maravilhas da nossa fé e comportamo-nos como se elas não tivessem acontecido e não continuassem a acontecer.

Arrependamo-nos, peçamos perdão e, com a ajuda do Espírito Santo, prometamos emenda de vida.

(Tempo de silêncio. Segue-se o esquema A, com a confissão e Senhor, tende piedade de nós)

 

Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, que na festa de Pentecostes completais os cinquenta dias do mistério pascal, fazei que, pela acção do vosso Espírito, os povos dispersos se reunam de novo e todas as línguas proclamem numa só fé a glória do vosso nome. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Ou:

 

Brilhe sobre nós, Deus omnipotente, o esplendor da vossa glória, e a luz da vossa luz confirme, com os dons do Espírito Santo, o coração daqueles que por vossa graça renasceram. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O Senhor conduz o profeta Ezequiel a um campo onde só reina a morte e a desolação: um campo cheio de ossos humanos, mas promete reconduzi-los à plenitude de vida.

Esta visão é uma visão do estado do mundo antes da vinda do Espírito Santo, depois da Ascensão de Jesus.

 

Ezequiel 37, 1-14

Naqueles dias, 1a mão do Senhor pairou sobre mim e o Senhor levou-me pelo seu espírito e colocou-me no meio de um vale que estava coberto de ossos. 2Fez-me andar à volta deles em todos os sentidos: os ossos eram em grande número, na superfície do vale, e estavam completamente ressequidos. 3Disse-me o Senhor: «Filho do homem, poderão reviver estes ossos?» Eu respondi: «Senhor Deus, Vós o sabeis». 4Disse-me então: «Profetiza acerca destes ossos e diz-lhes: Ossos ressequidos, escutai a palavra do Senhor. 5Eis o que diz o Senhor Deus a estes ossos: Vou introduzir em vós o espírito e revivereis. Hei-de cobrir-vos de nervos, encher-vos de carne e revestir-vos de pele. 6Infundirei em vós o espírito e revivereis. Então sabereis que Eu sou o Senhor».7Eu profetizei, segundo a ordem recebida. Quando eu estava a profetizar, ouvi um rumor e vi um movimento entre os ossos que se aproximavam uns dos outros. 8Vi que se tinham coberto de nervos, que a carne crescera e a pele os revestia; mas não havia espírito neles. 9Disse-me o Senhor: «Profetiza ao espírito, profetiza, filho do homem, e diz ao espírito: Eis o que diz o Senhor Deus: Vem dos quatro ventos, ó espírito, e sopra sobre estes mortos, para que tornem a viver». 10Eu profetizei, como o Senhor me ordenara, e o espírito entrou naqueles mortos; eles voltaram à vida e puseram-se de pé: era um exército muito numeroso. 11Então o Senhor disse-me: «Filho do homem, estes ossos são toda a casa de Israel. Eles afirmaram: ‘Os nossos ossos estão ressequidos, desvaneceu-se a nossa esperança, estamos perdidos’. 12Por isso, profetiza e diz-lhes: Assim fala o Senhor Deus: Abrirei os vossos túmulos e deles vos farei ressuscitar, meu povo, para vos reconduzir à terra de Israel. 13Haveis de reconhecer que Eu sou o Senhor, quando Eu abrir os vossos túmulos e deles vos fizer ressuscitar, meu povo. 14Infundirei em vós o meu espírito e revivereis. Hei-de fixar-vos na vossa terra e reconhecereis que Eu, o Senhor, digo e faço».

 

A leitura é tirada da última parte da obra de Ezequiel, que, a partir do cap. 33, reúne oráculos de esperança e de renovação do povo (36, 16 – 39, 29) e de restauração templo e do culto (40 – 48).

12 «Vos farei ressuscitar». Não se trata aqui da ressurreição final, mas do ressurgimento moral do povo de Deus, que, esmagado pelas duras provas do cativeiro, se ergue de novo e é reconduzido à terra de Israel, segundo a célebre visão dos ossos relatada nos primeiros versículos deste mesmo capítulo.

14 «Infundirei em vós o meu espírito» (cf. Ez 36, 27). Vê-se aqui um anúncio profético da acção do Espírito Santo nas almas com a obra salvadora de Cristo: «dar-vos-ei um coração novo e porei em vós um espírito novo; arrancarei o coração de pedra das vossas carnes e dar-vos-ei um coração de carne» (Ez 36, 26). S. Paulo, como faz na 2.ª leitura de hoje, há-de insistir nesta ideia da acção do Espírito Santo nas almas dos cristãos (Rom 8).

 

Salmo Responsorial    Sl 103 (104),1-2a.24.35c.27-28.29bc-30

 

Monição: Consciente de como é maravilhosa a acção do Espírito Santo no mundo e na Igreja, o salmista implora a Sua vinda.

 Unamo-nos a esta oração bíblica, pedindo ao Senhor que venha quanto antes, para renovar a face da terra, tão deformada pelos pecados dos homens.

 

Refrão:     Enviai, Senhor, o vosso Espírito

                e renovai a face da terra.

 

Ou:           Mandai, Senhor, o vosso Espírito

                e renovai a terra.

 

Ou:           Aleluia.

 

Bendiz, ó minha alma, o Senhor.

Senhor, meu Deus, como sois grande!

Revestido de esplendor e majestade,

envolvido em luz como num manto.

 

Como são grandes, Senhor, as vossas obras!

Tudo fizestes com sabedoria:

a terra está cheia das vossas criaturas!

Bendiz, ó minha alma, o Senhor.

 

Todos de Vós esperam

que lhes deis de comer a seu tempo.

Dais-lhes o alimento e eles o recolhem,

abris a mão e enchem-se de bens.

 

Se lhes tirais o alento, morrem

e voltam ao pó donde vieram.

Se mandais o vosso espírito, retomam a vida

e renovais a face da terra.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Toda a humanidade suspirou, ao longo dos séculos, pela vinda do Espírito Santo, para que renove a terra.

Também nós suspiramos, mas «o Espírito Santo vem em auxílio da nossa fraqueza, porque não sabemos o que pedir nas nossas orações; mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inefáveis

 

Romanos 8, 22-27

Irmãos: 22Nós sabemos que toda a criatura geme ainda agora e sofre as dores da maternidade. 23E não só ela, mas também nós, que possuímos as primícias do Espírito, gememos interiormente, esperando a adopção filial e a libertação do nosso corpo. 24É em esperança que estamos salvos, pois ver o que se espera não é esperança: quem espera o que já vê? 25Mas esperar o que não vemos é esperá-lo com perseverança. 26Também o Espírito Santo vem em auxílio da nossa fraqueza, porque não sabemos o que pedir nas nossas orações; mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inefáveis. 27E Aquele que vê no íntimo dos corações conhece as aspirações do Espírito, sabe que Ele intercede pelos santos, em conformidade com Deus.

 

Neste texto deixa-se ver como «Paulo entende que a libertação do cosmos é consequência da libertação do homem. Embora não vejamos ainda com clareza os seus efeitos, aguardamos que se cumpram, assistidos pelo Espírito que vem em ajuda da nossa fraqueza» (Bíblia de Navarra, t. 5, p. 927).

22 «Toda a criatura geme». S. Paulo usa uma belíssima prosopopeia, propondo-nos a criação irracional a suspirar também pela restauração da ordem do mundo transtornado pelo pecado. Na medida em que os filhos de Deus santificam o mundo, todas as actividades terrenas, também estas participam da glória dos filhos de Deus. De qualquer modo, o texto é de difícil interpretação, sobre a qual não há acordo entre os estudiosos.

23 «Possuímos as primícias do Espírito», isto é, já possuímos o Espírito Santo, «mas sem que tenhamos ainda tudo o que esta posse desde já nos garante» (Pirot-Clamer). Embora já sejamos filhos adoptivos de Deus (vv. 14-15), vivemos «esperando a adopção filial» em plenitude, o que acontecerá só quando se vier a verificar «a libertação do nosso corpo», isto é, de tudo o que em nós é carnal, sujeito à corrupção e à morte (cf. 2 Cor 5, 1-5).

26 «Gemidos inefáveis». As íntimas moções da graça, as inspirações do Espírito Santo na alma, não se podem definir, nem sequer descrever.

 

Aclamação ao Evangelho       

 

Monição: O Evangelho proclama para nós o convite que Jesus fez aos ouvintes, na festa a procissão da água â fonte de Siloé.

Acolhamos com alegria este convite e manifestemos os nossos sentimentos, aclamando O Evangelho que no-lo transmite.

 

Aleluia

 

Cântico: S. Marques, NRMS 73-74

 

Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e

acendei neles o fogo do vosso amor.

 

 

Evangelho

 

São João 7, 37-39

37No último dia, o mais solene da festa, Jesus estava de pé e exclamou: «Se alguém tem sede, venha a Mim e beba: 38do coração daquele que acredita em Mim correrão rios de água viva». 39Referia-se ao Espírito que haviam de receber os que acreditassem n’Ele. O Espírito ainda não viera, porque Jesus ainda não tinha sido glorificado.

 

Em cada um dos oito dias da festa dos Tabernáculos, em solene procissão, o sumo sacerdote trazia, numa jarra de oiro, água da fonte de Siloé, para aspergir o altar do Templo, a fim de recordar a prodigiosa água do Êxodo e pedir chuva abundante (cf. Ex 17, 1-7). Pertenciam ao rito o canto de Is 12, 3 e a leitura de Ez 47. Não podia haver melhor enquadramento para as palavras de Jesus à multidão, que então se aglomerava: «se alguém tem sede, venha a Mim!». As palavras de Jesus parecem aludir a Ez 36, 25ss, onde se anuncia para os tempos messiânicos que o povo será purificado com uma água pura, recebendo um Espírito novo, que lhe transformará o coração de pedra em coração de carne. Essa água é o Espírito Santo, que brotando simbolicamente do peito do Senhor aberto pela lança (cf. Jo 19, 34), se derrama no Pentecostes (Act 2, 1-36) e se recebe nos Sacramentos da iniciação cristã. Nas palavras de Jesus também se pode ver uma evocação do convite da sabedoria divina em Sir, 24, 19 e Prov 9, 4-5.

Notar que gramaticalmente são possíveis duas pontuações diferentes dos vv. 37-38: a da Nova Vulgata (a que corresponde a tradução litúrgica), a saber, «Se alguém tem sede, venha a Mim; e quem crê em Mim que sacie a sua sede! Como diz a Escritura…», e a que corresponde à da Vulgata, «Se alguém tem sede, venha ter comigo e beba. Aquele que crê em Mim, como diz a Escritura, correrão das suas entranhas rios de água viva». Segundo a primeira interpretação, trata-se do seio do Messias: do peito de Cristo, atravessado pela lança, vem-nos o Espírito Santo, como fruto maravilhoso da árvore da Cruz. Na segunda interpretação, trata-se do seio do crente, a alma do homem santificado por Cristo.

 

Sugestões para a homilia

 

• O Espírito Santo, Senhor que dá a Vida

Um olhar sobre o mundo

Creio no Espírito Santo

O Espírito Santo transforma o mundo

• Jesus promete-nos o Espírito Santo

As sedes dos homens

O dom do Espírito Santo

Ora em nós ao Pai

 

1. O Espírito Santo, Senhor que dá a Vida

 

a) Um olhar sobre o mundo. «o Senhor levou-me pelo seu espírito e colocou-me no meio de um vale que estava coberto de ossos. Fez-me andar à volta deles em todos os sentidos: os ossos eram em grande número, na superfície do vale, e estavam completamente ressequidos

Quando olhamos para a realidade que o mundo nos mostra ficamos abatidos, porque nos parece que estamos cada vez mais afastados do caminho do Evangelho.

Há quem possua demais e quem não tenha o indispensável para viver; quem, para defender a vida, se enfrenta com barreiras quase intransponíveis; acabou oficialmente a escravidão, mas ela campeia por aí: escravatura branca, do álcool e da droga.

Muitas vezes, a sociedade parece uma grande mata armadilhada, onde o perigo nos espreita em cada canto.

À primeira vista, a Igreja sente-se incapaz de enfrentar forças ocultas que destroem os valores humanos e eclesiais. 

Quem olha as realidades dos nossos dias sem a luz da fé, acaba por ser vítima do pessimismo e consequente desânimo.

Na verdade, as forças do mal, fiéis a Satanás, parecem que não encontram qualquer resistência na conquista do mundo.

O Senhor faz-nos contemplar com realismo a situação do mundo, como ao profeta Ezequiel o campo cheio de ossos ressequidos, não para nos mergulhar no pessimismo e no desânimo, mas para que tomemos consciência da nossa incapacidade para resolver os problemas sem Ele, nos animar a confiar na acção do Espírito Santo. 

 

b) Creio no Espírito Santo. «Eis o que diz o Senhor Deus a estes ossos: Vou introduzir em vós o espírito e revivereis. Hei-de cobrir-vos de nervos, encher-vos de carne e revestir-vos de pele. Infundirei em vós o espírito e revivereis. Então sabereis que Eu sou o Senhor

O nosso pessimismo nasce da nossa falta de fé. Na realidade, só contamos com as nossas forças e não com o Espírito Santo.

Parecemo-nos com os Apóstolos, quando jesus, perante uma multidão de 5.000 pessoas, lhes ordenou: «Dai-lhes vós mesmos de comer!»; ou como os serventes das Bodas de Caná a quem o Mestre ordenou que enchessem as talhas de água, quando o que faltava era o vinho.

O Espírito Santo é a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, verdadeiro Deus como o Pai e o Filho, Omnipotente, Bondade infinita, empenhado na nossa salvação temporal e eterna.

• Contemplamos na criação o esplendor da obra do Pai. Quando tentamos imaginar as dimensões do universo, sentimo-nos perdidos; ficamos comovidos ao contemplar a variedade e beleza das bolhas e flores; o corpo humano é uma maravilha do poder de Deus que os mais sábios nem sequer conseguem conhecer em profundidade, pois estão sempre a enfrentar-se com novas surpresas.

• A obra a Redenção do Filho deixa-nos comovidos ao contemplar o Seu Amor e Generosidade, a Sua compaixão e disponibilidade para com os mais carenciados; assombra-nos o mar de dores da Sua Paixão, Morte e Ressurreição, que Ele poderia ter evitado, mas não o fez para nos ajudar a compreender um pouco do mar imenso do Seu Amor por nós.

• Temos receio que o Espírito Santo descure a obra da nossa santificação que Lhe está apropriada, ou tenha desanimado de a levar por diante?

Sem a Sua acção divina, a Igreja não teria subsistido até aos nossos dias; os mártires não teriam oferecido a sua vida no meio do sofrimento; e não encontraríamos à nossa volta tanto heroísmo oculto dos pais; dos que se entregam ao serviço dos outros sem esperarem qualquer recompensa ou mesmo reconhecimento da sua abnegação.

O Amor de Deus está presente e operante no mundo, pelo Espírito Santo, em cada alma fiel.

 

c) O Espírito Santo transforma o mundo. «Assim fala o Senhor Deus: Abrirei os vossos túmulos e deles vos farei ressuscitar, meu povo, para vos reconduzir à terra de Israel. Haveis de reconhecer que Eu sou o Senhor [...]. Infundirei em vós o meu espírito e revivereis

Há muitas maravilhas da graça, operadas pelo Espírito Santo, que escapam ao nosso olhar.

O importante é que nos deixemos ajudar pelo Espírito Santo, Alma da Igreja e Deus silencioso que vive em nós.

Na profecia de Ezequiel, o Senhor faz-nos promessas:

Abre os nossos túmulos. Quais são os túmulos nos quais nos encontramos retidos?

A falta de fé. Vivemos como se tudo o que a Igreja nos diz cerca da vida eterna e do sentido da nossa vida na terra fosse uma lenda.

A preguiça e falta de generosidade para com Deus. O amor esponsal verdadeiro só existe quando entregamos todo o coração. O amor humano não admite limites de tempo ou de qualquer outra condição. Dizer “amo-te por dois meses” ou “amo-te até que encontre outra pessoa melhor ou mais bela do que tu”, ou ainda “amo-te até que me canse”, não faz sentido. Nós regateamos frequentemente com Deus o nosso amor e generosidade, procurando dar-lhe o mínimo, de modo que não rompamos a nossa amizade com Ele.

Ressuscita-nos, libertando-nos deles. Deus quer que vivamos na Sua Graça, longe do pecado. Sem isto, não faz sentido ser cristão. A via que o Espírito Santo nos deu no Baptismo deve conservar-se e desenvolver-se até à entrada no Céu. Será com esta mesma vida que participaremos eternamente na felicidade do Céu.

Infunde em nós o espírito de Deus. Pede que vivamos segundo o espírito de Deus, do Evangelho, e não segundo o que vemos na Televisão.

O Espírito Santo foi-nos dado, como Dom do Pai, para operar tudo isto em nós, se nos deixarmos ajudar.

 

2. Jesus promete-nos Espírito Santo

 

a) As sedes dos homens. «No último dia, o mais solene da festa, Jesus estava de pé e exclamou: “Se alguém tem sede, venha a Mim e beba.”»

Jesus estava em Jerusalém quando se realizava a procissão anual da fonte de Siloé para o Templo, implorando a graça de água abundante, um bem que na Terra Santa escasseava.

Partindo desta realidade natural da sede e da necessidade da água, Jesus fala-nos de uma água mais preciosa: o Espírito Santo.

Há muitas pessoas enganadas por falsas sedes, que criaram necessidades imaginárias e vivem iludidas se distraídas a olhar para elas, esquecendo-se do principal.

Todas as preocupações das pessoas, iludidas pela Comunicação Social, estão voltadas para a sede de bens materiais, para a crise económica. Acontece como no ilusionismo, em que arte está em distrair o olhar das pessoas para manipular o que se quiser.

Ao mesmo tempo, a sociedade de consumo faz-nos sentir falsas carências, centrando tudo no conforto e no prazer dos sentidos.

Embotados os sentidos, as pessoas não se dão conta de que têm outra sede mais urgente. E, no entanto, outras sedes atormentam as pessoas em cada momento.

Paz. Muitas pessoas vivem num desassossego interior. Têm medo ao silêncio e à solidão e só se aguentam no meio da agitação de do ruído. Quando este para, entram em depressão ou tornam-se intratáveis.

Alegria. Algumas pessoas saem à rua em verdadeira representação teatral. Parece que vendem alegria à mesa do café, nos encontros sociais. Mas, se repararmos bem, quando pensam que ninguém as observa, deixam cair a máscara e mostram uma cara de tristeza e de preocupação.

Amor verdadeiro. A palavra amor é a mais falsamente pronunciada nos nossos meios. Começa-se por chamar amor à sensualidade de momento. Proclama-se um amor humano que não existe, porque é a máscara do egoísmo.

Sede da graça de Deus. Tudo isto é causado pela falta da graça de Deus na alma, da generosidade e fidelidade aos Mandamentos, na falta de vivência da vocação cristã.

 

b) O dom do Espírito Santo. «do coração daquele que acredita em Mim – como diz a Escritura – correrão rios de água viva para a vida eterna». Referia-se ao Espírito que haviam de receber os que acreditassem n’Ele

Jesus conhece bem esta realidade e quer ajudar-nos. Por isso nos convida a ir ao Seu encontro, para nos dessedentarmos n’Ele que é o Caminho, a Verdade e a Vida. Só Ele nos pode ensinar o que é o verdadeiro Amor e dá-nos a paz e a alegria. Oferece-nos o Espírito Santo.

Quando o Bispo ou o Presbítero administram o sacramento da Confirmação diz: “Recebe por este sinal o Espírito Santo, Dom de Deus.”

O Espírito Santo é a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, verdadeiro Deus, omnipotente, bondade e sabedoria infinita, como o Pai e o Filho.

O Pai é incriado; o Filho é gerado desde toda a eternidade pelo Pai; o Espírito Santo procede do Amor mútuo do Pai e do Filho. Em nós o Amor é um sentimento. Em Deus é uma Pessoa divina, a terceira Pessoa da Santíssima Trindade.

Vida sobrenatural. Deu-nos, pelo Baptismo, um verdadeiro organismo sobrenatural: uma vida divina — a Graça santificante. “A participação na natureza divina, que os homens recebem mediante a graça de Cristo, apresenta uma certa analogia com o nascimento, o desenvolvimento e a alimentação da vida natural.” (Paulo VI, Ritual da Confirmação).

Dons. Impulsos sobrenaturais que nos movem a pensar e a actuar como se Jesus Cristo ou a Santíssima Virgem estivessem no nosso lugar.

Virtudes. Fomos também enriquecidos com faculdades sobrenaturais: a fé, que nos torna participantes na ciência de Deus; a Esperança que nos une aos Seus projectos de desejos; e a caridade que nos leva a amar com o coração de Jesus Cristo.

Frutos. Como uma árvore de fruto, a vida daquele que recebe o Espírito Santo deve dar frutos de boas obras. S. Paulo enuncia quais são estes frutos: Caridade, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, longanimidade, mansidão, fé, modéstia, continência, castidade

 

c) Ora em nós ao Pai. «o Espírito Santo vem em auxílio da nossa fraqueza, porque não sabemos o que pedir nas nossas orações; mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inefáveis. E Aquele que vê no íntimo dos corações conhece as aspirações do Espírito [...].»

Somos como uma criança de poucos anos que sente carências, mas nem sabe bem do que precisa. Pedimos muitas coisas ao Senhor, mas raras vezes pedimos o que nos é mais necessário. Fixamos as nossas esperanças nas coisas deste mundo: saúde, riqueza, um bom emprego, um bom resultado de um exame ou trabalho, uma glorificação ou louvor dos outros.

Jesus ensina-nos o que havemos de desejar e pedir: «Procurai primeiro o reino de Deus — a graça santificante e a santidade pessoal para nós e para os outros — e tudo o mais vos será dado por acréscimo.

O Paráclito ajuda-nos: vem em auxílio da nossa fraqueza, porque não sabemos o que pedir nas nossas orações; mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inefáveis.

O Senhor quer impregnar do espírito de Jesus Cristo os corações de todas as pessoas e fá-lo por meio de nós.

Pelo Baptismo, o Espírito Santo torna-nos membros do Corpo Místico de Jesus Cristo, filhos de Deus e herdeiros do Céu.

Pela Confirmação, somos constituídos por Ele, testemunhas do Mestre, ajudando as pessoas a segui-l’O e a imitá-l’O.

Pela Ordem, aqueles que são chamados ao sacerdócio ministerial dão a Cristo uma presença visível na Igreja no Seu actuar. Possibilitam-Lhe umas mãos, um rosto, os gestos, etc. Pelo sacerdote, Jesus consagra o pão e o vinho e perdoa-nos os pecados.

Toda a nossa caminhada para Céu é guiada pelo Espírito Santo. Ele ajuda-nos a realizar na via os projectos de Deus a nosso respeito.

É especialmente na Santa Missa que “tocamos” a acção do Espírito Santo. Ele inspirou a Sagrada Escritura que é proclamada na celebração, ensina-nos a orar ao Pai e dá ao sacerdote a capacidade para transubstanciar o pão e o vinho no Copo e Sangue do Senhor. Entreguemo-nos à acção do Espírito Santo à imitação de Maria, nossa Mãe, em toda a sua vida.

 

Fala o Santo Padre

 

«Os discípulos estão revestidos de poder do alto— poucos minutos antes todos eram cobardes,

mas agora falam com coragem e franqueza, com a liberdade do Espírito Santo.»

Amados irmãos e irmãs, bom dia!

A festa de Pentecostes comemora a efusão do Espírito Santo sobre os Apóstolos reunidos no Cenáculo. E a Páscoa, é um acontecimento que teve lugar durante a preexistente festa judaica, e que traz um cumprimento surpreendente. O livro dos Actos dos Apóstolos descreve os sinais e os frutos daquela extraordinária efusão: o vento forte e as chamas de fogo; o medo desaparece e deixa o lugar à coragem; as línguas soltam-se e todos compreendem o anúncio. Onde chega o Espírito de Deus, tudo renasce e se transfigura. O evento do Pentecostes marca o nascimento da Igreja e a sua manifestação pública; e chamam a nossa atenção duas características: é uma Igreja que surpreende e perturba.

Um elemento fundamental do Pentecostes é a surpresa. O nosso Deus é o Deus das surpresas, sabemo-lo. Ninguém esperava mais nada dos discípulos: depois da morte de Jesus eram um pequeno grupo insignificante, órfãos do seu Mestre, derrotados. Ao contrário, verifica-se um acontecimento inesperado que suscita admiração; o povo permanece perturbado porque cada um ouvia os discípulos falar a própria língua, contando as grandes obras de Deus (cf. Act 2, 6-7.11). A Igreja que nasce no Pentecostes é uma comunidade que suscita admiração porque, com a força que lhe vem de Deus, anuncia uma mensagem nova — a Ressurreição de Cristo — com uma linguagem nova — a universal, do amor. Um anúncio novo: Cristo está vivo, ressuscitou; uma linguagem nova: a linguagem do amor. Os discípulos estão revestidos de poder do alto e falam com coragem — poucos minutos antes todos eram cobardes, mas agora falam com coragem e franqueza, com a liberdade do Espírito Santo.

Assim a Igreja está chamada a ser sempre: capaz de surpreender anunciando a todos que Jesus Cristo venceu a morte, que os braços de Deus estão sempre abertos, que a sua paciência está sempre ali à nossa espera para nos curar, e para nos perdoar. Jesus ressuscitou e doou o seu Espírito à Igreja precisamente para esta missão.

Atenção: se a Igreja está viva, deve surpreender sempre. É característico da Igreja viva surpreender. Uma Igreja que não tenha a capacidade de surpreender é uma Igreja frágil, doente, moribunda e deve ser internada na unidade de terapia intensiva, quanto antes!

Em Jerusalém, havia quem preferisse que os discípulos de Jesus, impedidos pelo medo, permanecessem fechados em casa para não criar confusão. Também hoje muitos querem isto dos cristãos. Ao contrário, o Senhor ressuscitado estimula-os a ir pelo mundo: «Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós» (Jo 20, 21). A Igreja do Pentecostes é uma Igreja que não se resigna a ser inócua, demasiado «destilada». Não, não se resigna a isto! Não quer ser um elemento decorativo. É uma Igreja que não hesita em sair, em ir ao encontro das pessoas, para anunciar a mensagem que lhe foi confiada, mesmo se aquela mensagem perturba ou desassossega as consciências, mesmo se aquela mensagem talvez traga problemas e também, por vezes, nos leve ao martírio. Ela nasce una e universal, com uma identidade determinada, mas aberta, uma Igreja que abraça o mundo mas não o captura; deixa-o livre, mas abraça-o como a colunata desta praça: dois braços que se abrem para acolher, mas não se fecham para reter. Nós, cristãos, somos livres, e a Igreja quer-nos livres!

Dirijamo-nos à Virgem Maria, que naquela manhã de Pentecostes estava no Cenáculo, e a Mãe estava com os filhos. Nela a força do Espírito Santo fez deveras «coisas grandiosas» (Lc 1, 49). Ela mesma o tinha dito. Ela, Mãe do Redentor e Mãe da Igreja, obtenha pela sua intercessão uma renovada efusão do Espírito de Deus sobre a Igreja e sobre o mundo.

Papa Francisco, Regina Coeli na Solenidade do Pentecostes, Praça de São Pedro, 8 de Junho de 2014

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

Jesus Cristo lança-nos um solene convite:

«Se alguém tem sede, venha a Mim e beba».

Aproximemo-nos d’Ele com toda a alegria

e falemos-Lhe das sedes de todas as pessoas.

Oremos (cantando):

 

    Enviai, Senhor, o vosso Espírito!

 

1. Mandai, Senhor o Vosso Espírito Santo

    sobre as Igrejas que procuram a unidade.

 

    Enviai, Senhor, o vosso Espírito!

 

2. Enviai-O sobre o papa, os Bispos fieis

    e sobre os religiosos da Vossa Igreja.

 

    Enviai, Senhor, o vosso Espírito!

 

3. Enviai-O sobre os esposos que se amam

    e sobre aqueles que deixaram de se amar.

 

    Enviai, Senhor, o vosso Espírito!

 

4. Mandai o Vosso Espírito sobre aqueles

    que trabalham hoje em terras de missão.

 

    Enviai, Senhor, o vosso Espírito!

 

5. Fazei que desça sobre todos os jovens

    que estão agora inquietos pelo futuro.

 

    Enviai, Senhor, o vosso Espírito!

 

6. Dai o Vosso Espírito a todos os doentes,

    e aos que choram e sobre os moribundos

 

    Enviai, Senhor, o vosso Espírito!

 

Senhor, que nos enviais os Espírito Santo,

para fazer e nós testemunhas do Vosso Amor:

Enchei-nos de alegria pascal e de zelo

para ajudarmos os irmãos no caminho do Céu.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

Na Unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

Foi pelo Espírito Santo que o sacerdote nos anunciou a Boa Nova da Salvação, na Liturgia da Palavra.

É pela força do Espírito Santo que ele vai, dentro de momentos, transubstanciar pão e o vinho o Corpo e Sangue do Senhor.

 

Cântico do ofertório: Tomai, Senhor, e recebei, J. Santos, NRMS 70

 

Oração sobre as oblatas: Derramai, Senhor, a bênção do Espírito Santo sobre os dons que apresentamos ao vosso altar, a fim de que a Igreja, pela participação neste sacramento, se inflame de tal modo no vosso amor que manifeste a todo o mundo o mistério da salvação. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio de Pentecostes, como na Missa seguinte: p. 390 [606-718]

 

No Cânone Romano diz-se o Communicantes (Em comunhão com toda a Igreja) e o Hanc igitur (Aceitai benignamente, Senhor) próprios. Nas Orações Eucarísticas II e III fazem-se também as comemorações próprias.

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Saudação da Paz

 

Peçamos para nós e para todas as pessoas de boa vontade a mesma paz que Jesus Cristo levou ao Apóstolos no Cenáculo.

Procuremos exprimir este desejo ao trocarmos entre nós o gesto litúrgico.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

O Senhor abre para nós o Seu Coração Divino e convida-nos a entrar nele, saboreando o Seu Corpo e Sangue como nosso divino Alimento.

Procuremos fazê-lo com fé, amor e devoção, como o fazia Nossa Senhora, antes de ser levada ao Céu em Corpo glorificado.

 

Cântico da Comunhão: Voltai-vos para o Senhor, S. Marques, NRMS 58

Jo 7,37

Antífona da comunhão: No último dia da festa, Jesus exclamava em alta voz: Se alguém tem sede, venha a Mim e beba. Aleluia.

 

Cântico de acção de graças: Bendito sejas, sei que Tu pensas em mim, H. Faria, NRMS 2 (II)

 

Oração depois da comunhão: Este sacramento que recebemos, Senhor, nos comunique o fervor do Espírito Santo que admiravelmente derramastes sobre os Apóstolos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Não nos deixemos atormentar pela sede do Espírito. Jesus convida-nos a saciar no Seu Coração divino a sede que tantas vezes nos atormenta.

 

Cântico final: Vamos proclamar pelo mundo inteiro, F. da Silva, 82-83

 

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Fernando Silva

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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