7º Domingo da Páscoa

28 de Maio de 2017

 

Esta Celebração destina-se aos locais onde a solenidade da Ascensão se celebra na quinta-feira da Semana VI do Tempo Pascal.

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Resplandeça sobre nós, S. Marques, NRMS 102

Sl 26, 7-9

Antífona de entrada: Ouvi, Senhor, a voz da minha súplica. Diz-me o coração: «Procurai a sua face». A vossa face, Senhor, eu procuro; não escondais de mim o vosso rosto. Aleluia.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Ao chegarmos à reta final do tempo pascal, a liturgia deste domingo lembra-nos que a fé permite “ver” já o que é invisível e caminhar com segurança ao encontro do Ressuscitado, próximo de nós pela sua oração. E é na sua oração que Jesus pede pela unidade dos seus discípulos para que o seu testemunho seja prenúncio da realidade do Reino de Deus.

 

Oração colecta: Ouvi, Senhor, a oração do vosso povo e fazei que, assim como acreditamos que o Salvador do género humano está convosco na glória, assim também sintamos que, segundo a sua promessa, está connosco até ao fim dos tempos. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Em profundo recolhimento, os Apóstolos, as santas mulheres e outros discípulos do Senhor, ajudados pela Mãe de Jesus, recolhem-se no Cenáculo preparando-se para a vinda do Espírito Santo.

Havemos de seguir o seu exemplo, com a ajuda de Nossa Senhora, preparando-nos também para a solenidade do Pentecostes.

 

 

Actos dos Apóstolos 1, 12-14

Depois de Jesus ter subido ao Céu, os Apóstolos voltaram para Jerusalém, descendo o monte chamado das Oliveiras, que fica perto de Jerusalém, à distância de uma caminhada de sábado. Quando chegaram à cidade, subiram para a sala de cima, onde se encontravam habitualmente. Estavam lá Pedro e João, Tiago e André, Filipe e Tomé, Bartolomeu e Mateus, Tiago, filho de Alfeu, Simão, o Zeloso, e Judas, irmão de Tiago. Todos estes perseveravam unidos em oração, em companhia de algumas mulheres, entre as quais Maria, Mãe de Jesus.

 

Certamente que foi escolhido este texto para nos ajudar a preparar a festa do Pentecostes, como os primeiros que seguiram a Cristo, também com «Maria, Mãe de Jesus», perseverando, «unidos em oração». Note-se, por um lado, a importância dada à lista dos Apóstolos e, por outro, o facto significativo de, como em todas as quatro que aparecem no N. T., Pedro aparecer sempre na cabeça dessas listas, a par de elas não contenham os nomes dos restantes Apóstolos na mesma ordem. 

 

Salmo Responsorial    Sl 26 (27), 1.4.7-8a (R. 13)

 

Monição: Jesus subiu ao Céu, para junto do pai e foi preparar-nos um lugar de felicidade eternal.

O Espírito Santo, ao colocar em nossos lábios este salmo, convida-nos a fundamentar n’Ele a nossa esperança de O contemplarmos eternamente na glória do Céu.

 

 

Refrão:     Espero contemplar a bondade do Senhor

            na terra dos vivos.

 

Ou:           Aleluia.

 

O Senhor é minha luz e salvação:

a quem hei-de temer?

O Senhor é protector da minha vida:

de quem hei-de ter medo?

 

Uma coisa peço ao Senhor, por ela anseio:

habitar na casa do Senhor todos os dias da minha vida,

para gozar da bondade do Senhor

e visitar o seu santuário.

 

Ouvi, Senhor, a voz da minha súplica,

tende compaixão de mim e atendei-me.

Diz-me o coração: «Procurai a sua face».

A vossa face, Senhor, eu procuro.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Participamos na Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo pelas pequenas ou grandes cruzes de cada dia.

S. Pedro, na Primeira sua Carta, Convida-nos a faze-lo com alegria, pensando no prémio que nos está prometido no Céu.

 

1 São Pedro 4, 13-16

Alegrai-vos, na medida em que participais nos sofrimentos de Cristo, a fim de que possais também alegrar-vos e exultar no dia em que se manifestar a sua glória. Felizes de vós, se sois ultrajados pelo nome de Cristo, porque o Espírito de glória, o Espírito de Deus, repousa sobre vós. Nenhum de vós tenha de sofrer por ser ladrão ou assassino ou malfeitor ou difamador. Se, porém, sofre por ser cristão, não se envergonhe, mas antes dê glória a Deus por ter esse nome.

 

Os destinatários desta carta, cristãos da Ásia Menor, estariam a passar momentos difíceis de contradições e perseguição. A finalidade da carta é a de exortar os fiéis a permanecerem firmes na fé, no meio dum ambiente hostil, embora não pareça tratar-se ainda de uma perseguição generalizada. Mas a carta não é um simples apelo à perseverança nas adversidades, é também um convite à alegria – «Alegrai-vos…» (v. 13) -, pois daquela maneira os cristãos podem participar nos sofrimentos redentores de Cristo, seguindo o seu exemplo (cf. 1 Pe 2, 21). Alguns pensam que a Carta poderia ter sido ao chegarem a Roma notícias das graves dificuldades para a perseverança dos cristãos daquelas regiões, enquanto S. Paulo, a quem estavam ligadas estas comunidades, andava pela Hispânia.

 

Aclamação ao Evangelho        cf. Jo 14, 18

 

Monição: Ao partir para o Pai, Jesus não pede por si, mas pelos seus discípulos para que sejam um só. É desta unidade entre os cristãos que brotará a credibilidade do seu anúncio.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação – 4, F. da Silva, NRMS 50-51

 

Não vos deixarei órfãos, diz o Senhor:

vou partir, mas virei de novo

e alegrar-se-á o vosso coração.

 

 

Evangelho

 

São João 17, 1-11

Naquele tempo, Jesus ergueu os olhos ao Céu e disse: «Pai, chegou a hora. Glorifica o teu Filho, para que o teu Filho Te glorifique, e, pelo poder que Lhe deste sobre toda a criatura Ele dê a vida eterna a todos os que Lhe confiaste. É esta a vida eterna: que Te conheçam a Ti, único Deus verdadeiro, e Aquele que enviaste, Jesus Cristo. Eu glorifiquei-Te sobre a terra, consumando a obra que Me encarregaste de realizar. E agora, Pai, glorifica-Me junto de Ti mesmo com aquela glória que tinha em Ti, antes que houvesse mundo. Manifestei o teu nome aos homens que do mundo Me deste. Eram teus e Tu mos deste; agora guardam a tua palavra. Agora sabem que tudo quanto Me deste vem de Ti, porque lhes comuniquei as palavras que Me confiaste e eles receberam-nas: reconheceram verdadeiramente que saí de Ti e acreditaram que Me enviaste. É por eles que Eu rogo; não pelo mundo, mas por aqueles que Me deste, porque são teus. Tudo o que é meu é teu e tudo o que é teu é meu; e neles sou glorificado. Eu já não estou no mundo, mas eles estão no mundo, enquanto Eu vou para junto de Ti».

 

Este trecho é o início do capítulo 17 de S. João, chamado a «oração sacerdotal de Jesus», por ser uma oração de intercessão de Cristo-mediador, e também por conter o oferecimento supremo da sua vida em sacrifício, mas é sobretudo uma oração sem paralelo com a de qualquer criatura. Reflectindo uma forte tensão psicológica, ela corresponde aos sentimentos mais profundos do coração de Cristo, quando chegou a sua hora (v. 1), e tem origem na própria oração do Senhor, ao mesmo tempo que é a síntese mais completa e elevada da cristologia joanina, profundamente sentida e meditada. Nesta longa oração sente-se, juntamente com o pulsar do coração do Senhor, o vivo pulsar do coração da Igreja que confessa a fé em Jesus como Cristo enviado do Pai (v. 3). É uma prece solene pela manifestação da sua glória (vv. 1-5), pelos discípulos presentes (vv. 6-19) e pelos futuros fiéis (vv. 20-26); no centro da sua estrutura circular está a súplica pela santificação dos discípulos em ordem ao seu envio ao mundo (vv. 17-19), entre as preces pela unidade (vv. 11b-16 e 20-23) e os temas da revelação (vv. 6-11a e 25-26) e da glória (vv. 1-5 e 24).

1-5 «Glorifica-Me... com a glória que Eu tinha em Ti, antes de que houvesse mundo». Jesus pede ao Pai a glória, isto é, o esplendor próprio de Deus, para a sua natureza humana. Mas não se pense que se trata duma súplica egoísta, pois Jesus pede uma glorificação que Lhe advirá da eficácia redentora da Paixão, Morte e Ressurreição a favor da Humanidade. A glória que o Verbo tinha como Deus desde toda a eternidade, antes que houvesse mundo, é uma glória que se havia de comunicar em plenitude à Humanidade assumida, em ordem a fazer participar dela os fiéis. Esta glória, que já tinha refulgido ocasionalmente durante a sua vida mortal (Jo 2, 11; 11, 4.40; cf. Mt 17, 2-5), havia de brilhar com a Ressurreição e na parusia (cf. Mt 24, 30; 25, 31).

9 «Não rogo pelo mundo». No entanto, Jesus veio para salvar o mundo (Jo 3, 16-17; 17, 28.21). Mas aqui o mundo é tomado no sentido negativo de potência hostil a Deus; são os próprios homens que recusam a graça e, na sua auto-suficiência, se fecham a Deus e à sua salvação (cf. Jo 6, 37.44.65). Esta oração sacerdotal é muito em particular pelos seus discípulos e por aqueles que hão-de vir a crer (v. 20).

 

Sugestões para a homilia

 

O sonho da unidade

1. Antes: na Ceia com os amigos.

2. Durante: na Ceia com o Pai.

3. Após. Na Cruz!

 

O sonho da unidade

 

Acabámos de ouvir o capítulo 17 de João que é um dos capítulos mais sublimes do quarto Evangelho e apresenta-nos o discurso da despedida de Jesus e a sua oração sacerdotal. Gostaria de vos convidar a olhar para esta oração, que é o sonho da unidade, e refletirmos em três pontos: o antes, o durante e, claro, o depois.

 

1. Antes: na Ceia com os amigos.

 

Comecemos por ver o contexto em que acontece esta oração. Tal como nos grandes momentos da sua vida e missão pública, também agora, chegada a sua hora, Jesus quer viver este momento na companhia dos que ama: os seus amigos mais próximos e o Pai.

Começa por convidar os discípulos para uma ceia, para a festa e para a alegria. Ali promete a vinda do Espírito Santo, ali entrega aos discípulos o seu grande legado, o seu testamento vital: “Amai-vos uns aos outros assim como Eu vos amei” (Jo 13, 34). E porque o amor não é um mero sentimento, mas ação que leva a servir e a cuidar do outro, Jesus não fica pelas palavras, mas dá provas com as suas atitudes. É que Jesus diz o que faz e faz o que diz. Por isso, como prova desse amor que serve, Jesus lava os pés aos apóstolos.

E é precisamente depois desta partilha íntima, que Jesus traz o Pai àquela ceia, e com Ele conversa, a Ele faz a sua oração. É tão interessante notar que todos as etapas mais marcantes da vida de Cristo são feitas de oração. Foi assim desde o início da sua missão até ao fim. Foi assim, após o batismo, quando se refugiou 40 dias no deserto. Foi assim na escolha dos apóstolos, será assim na cruz, como também é assim nesta ceia tão especial.

 

2. Durante: na Ceia com o Pai.

 

Entramos aqui no segundo ponto. Nesta Ceia, Jesus fala com o Pai. É engraçado notar que esta oração de Cristo recorda os cânticos finais de Moisés (cf. Dt 32-33) e aparece associada à Carta aos Hebreus onde Jesus é apresentado como sumo-sacerdote e mediador que intercede pelos homens e os santifica. Seria interessante ver cada um dos pontos desta conversa amorosa entre o Pai e o Filho e ficarmos horas a saborear tal colóquio divino. Mas, como o tempo é breve, vejamos apenas duas ou três notas sobre esta conversa:

Em primeiro lugar, esta oração revela-nos a profunda intimidade que Jesus demonstra com Deus a quem chama continuamente de “Pai”, o “Abba”. Ele e o Pai são um só (cf. v. 11). Há uma enorme comunhão de amor entre ambos. Estão profundamente unidos. E, por isso, para Jesus orar, estar com o Pai, é uma necessidade vital. Os primeiros cristãos aprenderam isso muito bem. A Igreja primitiva começou o caminho da evangelização entrando primeiro na oração comunitária e não por uma atividade febril sem contacto com Cristo. O exemplo de Jesus e dos Apóstolos é uma lição evidente. Na oração, que é comunhão com Deus, está a identidade e a força da comunidade e de cada cristão.

Em segundo lugar, a oração de Cristo mostra-nos também a ternura de Deus para connosco, a sua preocupação constante por nós, pelo nosso bem e pela nossa alegria. Alguma vez pensaste que, poucas horas antes de Jesus morrer, Ele esteve em oração por ti? E sobretudo Ele pediu por ti ao Pai para que a tua alegria fosse completa? Jesus ora ao Pai pedindo-lhe para que eu seja feliz, para que tu sejas feliz, para que essa alegria que d’Ele nos vem seja total.

É impressionante que Jesus, na hora da despedida, na hora em que vai dar a vida, na hora em que vai padecer até à morte e morte de cruz (cf. Flp 2, 8), Ele pensa e ora pelos amigos, Ele pensa e ora por nós, Ele esquece-se de Si para pedir pelos seus.

E ao pedir por eles, Jesus não ora para que a sua vida seja boa, tenham dinheiro, muitos bens e nada lhes falte. Não! Jesus ora para que todos sejam um só: “como Nós somos um” (v. 11). Ora pela nossa unidade, pela unidade do seu povo, da sua Igreja. Ele sabe bem que o espírito do mundo, o espírito do pai da divisão, é um espírito de guerra, inveja, e ciúmes, que pode estar até na própria Igreja. Por isso, pede ao Pai que os guarde (v. 12), que os livre do mal (v. 15), que sejam um (v. 11).

E é só partir dessa comunhão de um só coração e uma só alma (At 4, 32), que Jesus consagra os discípulos na verdade e os envia: «Assim como Tu me enviaste ao mundo, também Eu os enviei ao mundo» (v. 18).

 

 

3. Após. Na Cruz!

 

Um terceiro e último apontamento. Depois do momento de tanta de intimidade com os Seus amigos e com o Pai, Jesus sai em direção ao Jardim das Oliveiras, onde vai ser preso, e em poucas horas, será condenado e crucificado, dará a Sua vida e derramará o Seu sangue por nós para que n’Ele tenhamos a vida eterna (cf. Jo 3, 16).

Percebemos assim que a oração de Jesus está associada à cruz; que quando Jesus ora pela sua Igreja, quando ora pela unidade dos seus discípulos, é preciso ir até ao fim, assumir todas as consequências. O preço da comunhão é a cruz. Mas esta cruz não é escândalo nem loucura, não é motivo de vergonha, mas fonte de vida nova e de unidade. É em Cristo, e só em Cristo morto e ressuscitado, que podemos dar passos concretos para tornar possível o pedido de Jesus na sua oração: “que eles sejam um como Nós” (v. 11).

Este sonho da unidade não é uma invenção nossa, não é um capricho repentino. É o pedido de Jesus na hora mais derradeira. Este pedido é tão importante para Cristo que Ele repete-o quatro vezes em seis versículos. Ouviram bem? Por 4 vezes Jesus pede para que os seus discípulos vivam unidos. Não, não é capricho nosso. É um desejo profundo de Jesus!

E se nos assumimos como seguidores de Jesus, como seus discípulos, também hoje deveríamos assumir como nosso este desejo de Jesus, custe o que custar, até à cruz. Apetece, por isso, dizer como Paulo aos Filipenses: se sois cristãos, então “tende entre vós os mesmos sentimentos que há em Cristo Jesus” (Flp 2, 5).

Também aqui, não se trata de falar dos nossos sentimentos, mas dos sentimentos de Cristo; trata-se de assumir em nós a vida do próprio Jesus. E ao falarmos dos “sentimentos que estão em Cristo”, não estamos a pensar apenas nos sentimentos de Jesus no passado, mas sim no dinamismo da sua presença como Ressuscitado. É que Ele está vivo! Jesus está aqui! Ele continua a desejar a nossa comunhão.

É, pois, em nome do Ressuscitado que vos peço: “Se tem algum valor uma exortação em nome de Cristo, então fazei com que seja completa a nossa alegria: tende os mesmos sentimentos, assumi o mesmo amor, vivei unidos numa só alma” (cf. Flp 2,1-2).

 

Fala o Santo Padre

 

«Sem a presença do Senhor e sem a força do seu Espírito

o nosso trabalho (apostólico), mesmo se bem organizado, resulta ineficaz.»

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Celebra-se hoje, na Itália e noutros países, a Ascensão de Jesus ao céu, que aconteceu quarenta dias depois da Páscoa. Os Actos dos Apóstolos narram este episódio, a separação final do Senhor Jesus dos seus discípulos e deste mundo (cf. Act 1, 2.9). O Evangelho de Mateus, ao contrário, descreve o mandato de Jesus aos discípulos: o convite a ir, a partir para anunciar a todos os povos a sua mensagem de salvação (cf. Mt 28, 16-20). «Ir», ou melhor, «partir» torna-se a palavra-chave da festa de hoje: Jesus parte para o Pai e dá aos discípulos o mandato de partir pelo mundo.

Jesus parte, sobe ao Céu, isto é, volta para o Pai pelo qual tinha sido enviado ao mundo. Cumpriu o seu trabalho, e depois voltou para o Pai. Mas não se trata de uma separação, porque Ele permanece para sempre connosco, de uma forma nova. Com a sua Ascensão, o Senhor ressuscitado atrai o olhar dos Apóstolos — e também o nosso — às alturas do Céu para nos mostrar que a meta do nosso caminho é o Pai. Ele mesmo tinha dito que se teria ido embora para nos preparar um lugar no Céu. Contudo, Jesus permanece presente e activo nas vicissitudes da história humana com o poder e com os dons do seu Espírito; está ao lado de cada um de nós: mesmo se não o vemos com os olhos, Ele está connosco! Acompanha-nos, guia-nos, pega-nos pela mão e ergue-nos quando caímos. Jesus ressuscitado está próximo dos cristãos perseguidos e discriminados; está próximo de cada homem e mulher que sofre. Está próximo de todos nós, também hoje está aqui connosco na praça; o Senhor está connosco! Vós acreditais nisto? Então digamo-lo juntos: o Senhor está connosco!

Jesus, quando volta para o Céu leva ao Pai uma prenda. Que prenda é? As suas chagas. O seu corpo lindíssimo, sem manchas, sem as feridas da flagelação, mas conserva as chagas. Quando volta para o Pai mostra-lhe as chagas e diz-lhe: «Repara Pai, este é o preço do perdão que Tu dás». Quando o Pai vê as chagas de Jesus perdoa-nos sempre, não porque nós somos bons, mas porque Jesus pagou por nós. Olhando para as chagas de Jesus, o Pai torna-se mais misericordioso. Este é o grande trabalho de Jesus hoje no Céu: mostrar ao Pai o preço do perdão, as suas chagas. Esta é uma coisa agradável que nos estimula a não ter medo de pedir perdão; o Pai perdoa sempre, porque vê as chagas de Jesus, vê o nosso pecado e perdoa-o.

Mas Jesus está presente também mediante a Igreja, que Ele enviou para prolongar a sua missão. A última palavra de Jesus aos discípulos é o mandato de partir: «Ide, pois, e fazei discípulos de todas as Nações» (Mt 28, 19). É um mandamento claro, não facultativo! A comunidade cristã é uma comunidade «de saída», «de partida». E ainda: a Igreja nasceu «de saída». E vós dir-me-eis: e as comunidades de clausura? Sim, também elas, porque estão sempre «de saída» com a oração, com o coração aberto ao mundo, aos horizontes de Deus. E os idosos, os doentes? Também eles, com a oração e a união nas chagas de Jesus.

Aos seus discípulos missionários Jesus diz: «Eu estarei sempre convosco, todos os dias, até ao fim do mundo» (v. 20). Sozinhos, sem Jesus, nada podemos fazer! Na obra apostólica só as nossas forças, os nossos recursos, as nossas estruturas não são suficientes, embora sejam necessárias. Sem a presença do Senhor e sem a força do seu Espírito o nosso trabalho, mesmo se bem organizado, resulta ineficaz. E assim vamos dizer ao povo quem é Jesus. E juntamente com Jesus acompanha-nos Maria, nossa Mãe. Ela já está na casa do Pai, é Rainha do Céu e assim a invocamos neste tempo; como Jesus ela está connosco, caminha connosco, é a Mãe da nossa esperança.

Papa Francisco, Regina Coeli, Praça de São Pedro, 1 de Junho de 2014

 

Oração Universal

 

Oremos a Deus Pai, por Jesus Cristo Seu Filho

em benefício de todos os homens.

 

R. Escutai, Senhor, a nossa prece.

 

1. Pelos mensageiros do Evangelho,

para que o levem, com alegria, a toda a parte

e dêem sempre bom testemunho de Cristo

e ajudem a tornar realidade o sonho da unidade de todos os cristãos,

oremos ao Senhor.

 

2. Pelos fiéis perseguidos e prisioneiros,

para que os dons do Espírito Santo os fortaleçam

e os tornem firmes na confissão da sua fé,

oremos ao Senhor.

 

3. Pelos que buscam a Deus olhando o Céu,

para que O reconheçam também sobre a terra

nos mais pobres, nos que choram ou estão sós,

oremos ao Senhor.

 

4. Pelos jovens e por aqueles que os acompanham,

para que todos cresçam cada vez mais

no conhecimento e no amor ao Evangelho,

oremos ao Senhor.

 

5. Pelos fiéis desta assembleia dominical,

para que Deus Pai Se lhes revele aqui na terra

e os leve um dia a contemplar Cristo na glória,

oremos ao Senhor.

 

Deus Todo Poderoso e amigo dos homens,

atendei os pedidos que vos dirigimos.

Por Nosso Senhor...

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Cantai a Cristo Senhor, Az. Oliveira, NRMS 97

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, as orações e as ofertas dos vossos fiéis e fazei que esta celebração sagrada nos encaminhe para a glória do Céu. Por Nosso Senhor.

 

Prefácio pascal: p. 469 [602-714] ou 470-473; ou da Ascensão: p. 474 [604-716]

 

Santo: J. Santos, NRMS 6 (II)

 

Monição da Comunhão

 

Jesus orou ao Pai pelos seus discípulos. Existe uma relação muito íntima entre esta unidade eclesial e a ‘comunhão’ eucarística: «Cristo não cessa de promover a unidade através da sua presença eucarística. Com efeito, é precisamente o único Pão eucarístico que nos torna um só corpo... No mistério eucarístico, Jesus edifica a Igreja como comunhão, seguindo o modelo supremo evocado na oração sacerdotal: ‘...como tu, ó Pai, estás em mim e eu em ti’» (MN, 20).

 

Cântico da Comunhão: O Hino da alegria, M. Faria, NRMS 21

cf. Jo 17, 22

Antífona da comunhão: Eu Vos peço, ó Pai: assim como Nós somos um, também eles sejam consumados na unidade. Aleluia.

 

Oração depois da comunhão: Ouvi-nos, Deus nosso salvador, e, por estes sagrados mistérios, confirmai a nossa esperança de que todo o Corpo da Igreja alcançará um dia o mistério de glória inaugurado em Cristo, sua Cabeça. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Agora que terminamos a celebração, sabemos que, na vida cristã, não se trata de falar dos nossos sentimentos, mas dos sentimentos de Cristo; trata-se de assumir em nós a vida do próprio Jesus. E ao falarmos dos “sentimentos que estão em Cristo”, não estamos a pensar apenas nos sentimentos de Jesus no passado, mas sim no dinamismo da sua presença como Ressuscitado. É que Ele está vivo! Jesus está aqui! Ele continua a desejar e a pedir a nossa unidade. Colaboremos da nossa parte para que o sonho de Cristo se torne realidade.

Ide em paz...

 

Cântico final: Cantai ao Senhor um cântico novo, J. Santos, NRMS 36

 

 

Homilias Feriais

 

7ª SEMANA

 

2ª Feira, 29-V: O conhecimento do Espírito Santo.

Act 19, 1-8 / Jo 16, 29-33

Eles responderam-lhe: Mas nem sequer ouvimos dizer que existe um Espírito Santo.

Ao longo desta semana vamos procurar conhecer melhor o Espírito Santo: «Curando as feridas do pecado, o Espírito Santo renova-nos interiormente por uma transformação espiritual, ilumina-nos e fortalece-nos para vivermos como filhos da luz» (CIC, 1695).

Disse o Senhor: «no mundo haveis de sofrer tribulações» (Ev.). Quando tivermos de enfrentar dificuldades vamos pedir ao Espírito Santo que nos fortaleça para termos a firmeza e a constância para alcançarmos o bem. Foi igualmente com esta força que S. Paulo falou corajosamente na sinagoga durante três meses (Leit.).

 

3ª Feira, 30-V: A 'hora de Jesus' e o Espírito Santo.

Act 20, 17-27 / Jo 17, 1-11

Jesus ergueu os olhos ao Céu e disse: Pai, chegou a hora.

«Chegou, por fim, a hora de Jesus (Ev.). Jesus entrega o seu espírito nas mãos do Pai, no momento em que, pela sua morte, vence a morte, de tal modo que, ressuscitado dos mortos pela glória do Pai, logo dá o Espírito Santo, soprando sobre os discípulos. A partir dessa hora, a missão de Cristo e do Espírito Santo torna-se a missão da Igreja» (CIC, 730).

S. Paulo reconhece também que chegou a sua 'hora': «Eu sei que não tornareis a ver o meu rosto» (Leit.). O mais importante era cumprir a missão que lhe fora confiada. Façamos nós também o mesmo no cumprimento dos nossos deveres.

 

 

Celebração e Homilia:           Nuno Westwood

Nota Exegética:                                             Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                 Duarte Nuno Rocha

 


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