5º Domingo da Páscoa

14 de Maio de 2017

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Cantemos, Cantemos, M. Faria, NRMS 68

Salmo 97, 1-2

Antífona de entrada: Cantai ao Senhor um cântico novo, porque o Senhor fez maravilhas: aos olhos das nações revelou a sua justiça. Aleluia.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Na sociedade civil, os cargos são avaliados com base no poder, no prestígio social que conferem, no dinheiro com que são remunerados. No nosso caminho cristão, o lugar que Jesus nos prepara, ao contrário, é avaliado na base de um critério diferente: o do serviço. O melhor lugar é aquele em que se pode servir mais e melhor.

É o único caminho que conduz ao Pai e que se concretiza no serviço que prestamos aos irmãos.

Há muitas maneiras de o realizarmos, como poderemos compreender pela escuta da Palavra de Deus, que nos é proposta neste quinto domingo da Páscoa.

Escutemo-la com toda a atenção e rezemo-la no interior do nosso coração.

 

Oração colecta: Senhor nosso Deus, que nos enviastes o Salvador e nos fizestes vossos filhos adoptivos, atendei com paternal bondade as nossas súplicas e concedei que, pela nossa fé em Cristo, alcancemos a verdadeira liberdade e a herança eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Na Igreja primitiva, perante alguns problemas de organização, os Apóstolos convocaram a comunidade, a fim de escolher pessoas capazes de corresponder às actividades assistenciais. Foram escolhidos sete homens, os primeiros diáconos, a quem os Apóstolos, invocando o Espírito Santo, impuseram as mãos, tornando-os seus colaboradores na assistência e na evangelização.

 

Actos 6, 1-7

Naqueles dias, 1aumentando o número dos discípulos, os helenistas começaram a murmurar contra os hebreus, porque no serviço diário não se fazia caso das suas viúvas. 2Então os Doze convocaram a assembleia dos discípulos e disseram: «Não convém que deixemos de pregar a palavra de Deus, para servirmos às mesas. 3Escolhei entre vós, irmãos, sete homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, para lhes confiarmos esse cargo. 4Quanto a nós, vamos dedicar-nos totalmente à oração e ao ministério da palavra». 5A proposta agradou a toda a assembleia; e escolheram Estêvão, homem cheio de fé e do Espírito Santo, Filipe, Prócoro, Nicanor, Timão, Parmenas e Nicolau, prosélito de Antioquia. 6Apresentaram-nos aos Apóstolos e estes oraram e impuseram as mãos sobre eles. 7A palavra de Deus ia-se divulgando cada vez mais; o número dos discípulos aumentava consideravelmente em Jerusalém e submetia-se à fé também grande número de sacerdotes.

 

Este é o texto que refere a instituição dos diáconos, como colaboradores dos Apóstolos e participantes de uma parte da sua missão.

1 «aumentando o número dos discípulos». A cada passo S. Lucas insiste no aumento dos cristãos. Outras insistências: Act 2, 41; 5, 14; 6, 7; 9, 31; 11, 21.24; 12, 24; 14, 1; etc.). Estes «helenistas» eram cristãos convertidos de entre os judeus emigrantes, que na diáspora falavam a língua grega e se encontravam agora na situação de retornados à Terra Santa. Pelos nomes gregos que têm, os primeiros 7 diáconos pertenceriam na generalidade a este grupo.

2-4 «Vamos dedicar-nos totalmente à oração…». Como a missão dos Apóstolos era ingente, impunha-se que estes não se dispersassem por actividades que outros podiam desempenhar. Foi a circunstância providencial para a primeira ordenação dos diáconos, que não eram meros agentes sociais, pois tinham também uma função sagrada, como a distribuição da Eucaristia, a pregação do Evangelho e a administração do Baptismo (cf. Act 8, 5.7.16); constituíam um verdadeiro grau da hierarquia, distinto do presbiterado (cf. 1 Tim 3, 8). A oração, a que se dedicavam intensamente os Apóstolos, não era apenas a oração oficial das reuniões comunitárias, mas a oração pessoal, a sós com Deus, segundo se deduz de Act 10, 9. Na oração intensa residia o segredo da sua eficácia apostólica e da transformação do mundo que operaram, um segredo cheio de actualidade.

 

Salmo Responsorial    Sl 32 (33), 1-2.4-5.18-19 (R. 22)

 

Monição: O Salmo responsorial que iremos proclamar, convida-nos a aclamar o Senhor, a dar graças e a cantar, porque Ele é digno de todo o louvor.

 

Refrão:     Esperamos, Senhor, na vossa misericórdia.

 

Ou:           Venha sobre nós a vossa bondade,

                porque em Vós esperamos, Senhor.

 

Justos, aclamai o Senhor,

os corações rectos devem louvá-l'O.

Louvai o Senhor com a cítara,

cantai-Lhe salmos ao som da harpa.

 

A palavra do Senhor é recta,

da fidelidade nascem as suas obras.

Ele ama a justiça e a rectidão:

a terra está cheia da bondade do Senhor.

 

Os olhos do Senhor estão voltados para os que O temem,

para os que esperam na sua bondade,

para libertar da morte as suas almas

e os alimentar no tempo da fome.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Neste trecho da Carta de S. Pedro, o Apóstolo aponta o papel dos baptizados: somos pedras vivas do edifício espiritual de que Cristo é a Cabeça e pedra angular.

 

1 São Pedro 2, 4-9

Caríssimos: 4Aproximai-vos do Senhor, que é a pedra viva, rejeitada pelos homens, mas escolhida e preciosa aos olhos de Deus. 5E vós mesmos, como pedras vivas, entrai na construção deste templo espiritual, para constituirdes um sacerdócio santo, destinado a oferecer sacrifícios espirituais, agradáveis a Deus por Jesus Cristo. 6Por isso se lê na Escritura: «Vou pôr em Sião uma pedra angular, escolhida e preciosa; e quem nela puser a sua confiança não será confundido». 7Honra, portanto, a vós que acreditais. Para os incrédulos, porém, «a pedra que os construtores rejeitaram tornou-se pedra angular», 8«pedra de tropeço e pedra de escândalo». Tropeçaram por não acreditarem na palavra, à qual foram destinados. 9Vós, porém, sois «geração eleita, sacerdócio real, nação santa, povo adquirido por Deus, para anunciar os louvores» d'Aquele que vos chamou das trevas para a sua luz admirável.

 

Temos aqui um texto de excepcional riqueza eclesiológica, em que os privilégios do antigo Povo de Deus são transpostos para o novo Povo de Deus, a Igreja, por meio dum método hermenêutico de actualização (deraxe) de textos do A. T., nomeadamente de Is 8, 14; Ex 19, 5-6; Os 1, 6.9; 2, 3.25. Esses privilégios são basicamente a eleição, a consagração e a missão de «anunciar os louvores d’Aquele que vos chamou…». Este texto é o ponto de partida para um dos ensinamentos nucleares do Vaticano II, sobre o sacerdócio comum dos fiéis e a dignidade e missão dos leigos: todas as realidades mundanas diárias transformadas em oferta – «sacrifícios espirituais» (v. 5) – a Deus (LG 34).

4 «Cristo, a Pedra viva…». O termo grego, lithos, designa uma pedra trabalhada, preparada; Jesus é a pedra escolhida por Deus, mas rejeitada pelos homens, o alicerce e a pedra angular sobre a qual repousa todo o edifício da Igreja (cf. Mt 16, 18; 21, 42-46; cf. Salm 117 (118), 22; Is 8, 14; Act 4, 11).

5 «Vós mesmos, como pedras vivas, entrai…». Aqui temos uma das muitas imagens com que é representada a Igreja, «edifício de Deus» (cf. 1 Cor 3, 9.11), um edifício que cresce sempre, edificado por Deus, tendo Cristo como pedra angular e os Apóstolos como alicerce (cf. Ef 2, 19-22).

9 «Sacerdócio real…». Ex 19, 6 diz «reino de sacerdotes», que os LXX traduziram por «sacerdócio régio» (basileion hieráteuma); por sua vez, Apoc 1, 5 diz: «reis e sacerdotes»; 1 Pe 2, 9 segue a Septuaginta.

 

Aclamação ao Evangelho        Jo 14, 6

 

Monição: Na confusão da nossa vida quotidiana procuramos um caminho seguro para o sentido da nossa vida cristã. Só há um único, que é Cristo, caminho, verdade e vida.

 

Aleluia

 

Cântico: J. Duque, NRMS 21

 

Eu sou o caminho, a verdade e a vida, diz o Senhor;

ninguém vai ao Pai senão por mim.

 

 

Evangelho

 

São João 14, 1-12

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 1«Não se perturbe o vosso coração. Se acreditais em Deus, acreditai também em Mim. 2Em casa de meu Pai há muitas moradas; se assim não fosse, Eu vo-lo teria dito. 3Vou preparar-vos um lugar e virei novamente para vos levar comigo, para que, onde Eu estou, estejais vós também. 4Para onde Eu vou, conheceis o caminho». 5Disse-Lhe Tomé: «Senhor, não sabemos para onde vais: como podemos conhecer o caminho?» 6Respondeu-lhe Jesus: «Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai senão por Mim. 7Se Me conhecêsseis, conheceríeis também o meu Pai. Mas desde agora já O conheceis e já O vistes». 8Disse-Lhe Filipe: «Senhor, mostra-nos o Pai e isto nos basta». 9Respondeu-lhe Jesus: «Há tanto tempo que estou convosco e não Me conheces, Filipe? Quem Me vê, vê o Pai. Como podes tu dizer: 'Mostra-nos o Pai'? 10Não acreditas que Eu estou no Pai e o Pai está em Mim? As palavras que Eu vos digo, não as digo por Mim próprio; mas é o Pai, permanecendo em Mim, que faz as obras. 11Acreditai-Me: Eu estou no Pai e o Pai está em Mim; acreditai ao menos pelas minhas obras. 12Em verdade, em verdade vos digo: quem acredita em Mim fará também as obras que Eu faço e fará ainda maiores que estas, porque Eu vou para o Pai».

 

Temos na leitura uma pequena parte do chamado discurso do adeus, o início do capítulo 14 de S. João. As palavras de Jesus, «não se perturbe o vosso coração» aparecem com grande relevo, pois se repetem no v. 27.

2-3 Nestes versículos, que admitem diversas traduções, Jesus esclarece os seus discípulos de que a sua partida é para lhes abrir caminho para a casa do Pai, o Céu, a meta final para todos os fiéis, por isso diz que ali há «muitas moradas», isto é, lugar para todos (cf. Lc 16, 9; Jo 13, 36; 12, 26.32; 17, 24). A casa de Deus era o templo (2, 16-17) que se tornou o símbolo da comunhão com Deus na bem-aventurança eterna; neste sentido esta é a única vez que a expressão «moradas» aparece em todo o N. T., além da alusão em Heb 6, 19-20 (ver Henoc etiópico, 39, 4; 41, 2).

6-9 Jesus é o «caminho» não apenas pelos seus ensinamentos e exemplos, mas porque Ele mesmo se identifica com a «verdade» (é o Verbo, a expressão adequada do Pai – Jo 1, 1.14.18) e a «vida» (Jo 1, 4.14.16; 3, 16; 6, 47; 10, 9-10; 11, 25-26): Ele está no Pai e o Pai está n’Ele (vv. 10-11; 10, 38; 17, 21), fazendo Um com Ele (10, 30; 17, 11.21-22), por isso afirma que «quem Me vê, vê o Pai» (v. 9). Aqui radica o facto de Jesus ser não apenas caminho, mas o único caminho para o Pai, talvez por isso o cristianismo era designado inicialmente como o caminho (Act 9.2; 18, 25; 24, 22). Neste versículo a revelação de Jesus aos seus atinge o clímax e é uma das mais expressivas sínteses de todo o Evangelho.

12 A garantia das «obras maiores» dos discípulos (entendam-se as obras relativas à expansão da obra salvadora de Jesus) é a ida de Jesus para o Pai, que põe em acto o poder da sua mediação e o envio do Espírito Santo.

 

Sugestões para a homilia

 

O caminho que procuramos

O fundamento da nova construção

Concretizada numa colaboração imprescindível na comunidade

 

O caminho que procuramos

 

Quando nos deslocamos para um determinado lugar, principalmente quando o fazemos de automóvel no centro de uma grande cidade que queremos visitar, pode surgir-nos a dúvida sobre a direcção a seguir, por causa das inúmeras placas de indicação que nos confundem. O nervosismo e a apreensão começam a apoderar-se de nós. Procuramos, então, perguntar ao primeiro transeunte que encontrarmos, qual a direcção por que devemos optar, para podermos encontrar o nosso caminho. Felizmente que agora existe o GPS que nos encaminha e facilita a vida...

Ora, no Evangelho de hoje deparámo-nos com uma situação mais ou menos semelhante, experienciada por Tomé e os discípulos, quando Jesus lhes afirma: «Não estejais perturbados... tende confiança. Eu vou para o Pai... vou preparar-vos um lugar... Para onde Eu vou, conheceis o caminho».

Tomé confuso, diz a Jesus: «Senhor, não sabemos para onde vais: como poderemos conhecer o caminho?» E Jesus responde-lhe: «Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai senão por Mim».

Jesus é o «caminho» e afirma, antes de mais, que Ele há-de percorrer esse «caminho» difícil, acrescentando que os seus discípulos deveriam conhecer muito bem esse «caminho», porque já tinha falado dele muitas vezes e que, depois de cumprida a Sua missão, voltará e levará consigo os seus discípulos e lhes dará coragem de seguir os seus passos.

 Trata-se do caminho para a Páscoa, caminho difícil, porque exige o sacrifício da própria vida pelos irmãos. Jesus falou muitas vezes deste «caminho» aos seus discípulos. Eles tiveram sempre muita dificuldade em entender, sobretudo quando lhes acenava com o «dom da vida», mas eles preferiam distrair-se, pensando noutras coisas...

Quando alguém aceita seguir o «caminho» indicado e percorrido por Jesus encontra-se de repente na casa do Pai. Essa casa não é o paraíso, mas a comunidade cristã. É aí que há muitos lugares, isto é, muitos serviços a fazer, muitas funções a desempenhar. Os muitos lugares outra coisa não são que os diversos ministérios, situações e disposições vocacionais em que cada um tem a possibilidade de colocar ao serviço dos irmãos as próprias capacidades opcionais que tomou. Sejam elas afectivas, profissionais, ou ministeriais.

O lugar que Jesus prepara é diferente dos cargos da sociedade civil que são avaliados com base no poder, no prestígio ou na remuneração monetária. Esse melhor lugar é avaliado com base num novo critério: o maior e melhor serviço que se pode prestar ao irmão na comunidade, a fim de que ela consiga ser fundamento da nova construção, comparável ao edifício espiritual, de que fala S. Pedro na segunda leitura.

 

O fundamento da nova construção

 

O construtor desse edifício espiritual é Deus e o material dessa construção não é constituído por tijolos de barro, mas por pedras vivas que são os homens. A pedra angular dessa construção é Cristo. Sobre esta pedra angular, Deus foi colocando outras pedras vivas: aqueles que acreditam n’Ele, todos os baptizados, que unidos a Jesus formam um novo e imenso templo.

Pedro na noite de Páscoa, ao dirigir-se aos recém-baptizados, recordava-lhes que no Antigo Testamento já tinha sido anunciado que um dia Deus apanharia uma pedra lançada fora pelos homens colocando-a na base dum novo edifício. Essa pedra é Jesus, rejeitado pelos chefes religiosos e políticos do seu povo e que Deus, no dia de Páscoa, O foi buscar colocando-O como fundamento da nova construção.

Juntamente com Cristo, fundamento e centro dessa construção, todos nós cristãos, colaboramos ao oferecermos sacrifícios espirituais que agradam a Deus: uma vida santificada, coerente com a nossa fé e repleta de amor para com os demais. Por estes sacrifícios todo o cristão se torna, pelo Baptismo, sacerdote imprescindível na colaboração à comunidade.

 

Concretizada numa colaboração imprescindível na comunidade

 

Ao recordar a primeira leitura de hoje, com a descrição do modo como a primitiva comunidade de Jerusalém resolveu os problema logísticos que nela haviam surgido, compreendemos a necessidade dessa colaboração imprescindível.

A diversidade de língua, de origem e de mentalidade, que esteve na origem das tensões existentes nessa comunidade, levaram os apóstolos a reunirem-se e a proporem a escolha de pessoas que gozassem da estima e da confiança de todos. A eles se confiaria a tarefa de distribuir os bens aos mais pobres. Depois de invocarem, mediante a oração, a luz do Espírito Santo, esta escolha recaiu sobre sete homens a quem impuseram as mãos e se tornaram os primeiros diáconos, colaboradores dos apóstolos na administração dos bens materiais e mais tarde na evangelização.

Ao reflectirmos neste episódio surgem-nos duas interpelações úteis para as nossas comunidades de hoje.

A primeira é que a Igreja é formada por homens e não por anjos. Sempre teve de se preocupar com problemas internos de invejas, ciúmes e incompreensões entre pessoas de mentalidades e culturas diferentes. Não sendo uma atitude louvável, não deixa de ser um facto que ainda hoje infelizmente acontece. Não nos devemos impressionar nem deixar desanimar perante situações deste tipo. Nós somos pecadores e temos de nos converter a Cristo. Ao nos aproximarmos mais d’Ele criaremos uma maior unidade e compreensão entre nós.

A segunda constatação é que, diante das necessidades da comunidade, os apóstolos não reservaram para si toda a autoridade e todo o trabalho, a fim de serem os únicos responsáveis, para evitarem o risco de não cumprirem bem nenhum dos seus trabalhos.

Assim, todos nós também nos devemos comprometer numa actividade (um serviço) em favor da comunidade, segundo aquilo que melhor podemos e sabemos fazer, conscientes de que o único título de honra é ser «servo» dos mais pobres. Cada cristão deve ser activo, deve ter um dever a cumprir na comunidade. Os serviços a serem prestados são muitos e só quem não foi ainda agitado pela novidade da vida, comunicada pela fé no Ressuscitado, pode permanecer inactivo.

Perguntemo-nos: quem são os membros activos da minha comunidade? Quais os compromissos que ninguém quer assumir? Há competição para assumir a responsabilidade de alguns cargos mais visíveis? Que serviço assumo eu na minha comunidade, a fim de que ela consiga ser fundamento da nova construção, comparável ao edifício espiritual, de que fala S. Pedro na segunda leitura?

Pensemos nisto...

 

Fala o Santo Padre

 

«Confrontando-nos, discutindo e rezando, assim se resolvem os conflitos na Igreja.

Compreendestes bem? Nenhum mexerico, nem invejas, nem ciúmes!»

Amados irmãos e irmãs, bom dia!

Hoje a leitura dos Actos dos Apóstolos faz-nos ver que também na Igreja das origens emergem as primeiras tensões e divergências. Na vida existem conflitos, o problema é como enfrentá-los. Até àquele momento a unidade da comunidade cristã tinha sido favorecida pela pertença a uma única etnia, a uma só cultura, a judaica. Mas quando o cristianismo, que por vontade de Jesus se destina a todos os povos, se abre ao âmbito cultural grego, vem a faltar esta homogeneidade e surgem as primeiras dificuldades. Naquele momento insinuam-se o descontentamento, há lamentações, correm vozes de favoritismos e desigualdades de tratamento. Isto acontece também nas nossas paróquias! A ajuda da comunidade às pessoas em dificuldade — viúvas, órfãos e pobres em geral — parece privilegiar os cristãos de extracção judaica em relação aos demais.

Então, diante deste conflito, os Apóstolos dominam a situação: convocam uma reunião alargada também aos discípulos, discutem juntos a questão. Todos. Com efeito, os problemas não se resolvem fazendo de conta que não existem! E é bom este confronto espontâneo entre os pastores e os outros. Por conseguinte, chega-se a uma distribuição das tarefas. Os Apóstolos fazem uma proposta que é aceite por todos: eles dedicar-se-ão à oração e ao ministério da Palavra, e sete homens, os diáconos, ocupar-se-ão do serviço nos refeitórios para os pobres. Estes sete não são escolhidos por serem peritos em negócios, mas por serem homens honestos e de boa reputação, cheios de Espírito Santo e de sabedoria; e são constituídos no seu serviço mediante a imposição das mãos por parte dos Apóstolos. E assim daquele descontentamento, daquelas lamentações, daquelas vozes de favoritismos e desigualdades de tratamento, chega-se a uma solução. Confrontando-nos, discutindo e rezando, assim se resolvem os conflitos na Igreja. Confrontando-nos, discutindo e rezando. Com a certeza de que os falatórios, as invejas e os ciúmes nunca nos poderão levar à concórdia, à harmonia e à paz. Também ali foi o Espírito Santo quem coroou este entendimento e isto faz-nos compreender que quando deixamos que o Espírito Santo nos guie, Ele conduz-nos à harmonia, à unidade e ao respeito dos diversos dons e talentos. Compreendestes bem? Nenhum mexerico, nem invejas, nem ciúmes! Claro?

A Virgem Maria nos ajude a ser dóceis ao Espírito Santo, para que saibamos estimar-nos reciprocamente e convergir cada vez mais profundamente na fé e na caridade, mantendo o coração aberto às necessidades dos irmãos.

Papa Francisco, Regina Coeli, Praça de São Pedro, 18 de Maio de 2014

 

Oração Universal

 

A Deus Pai,

que nos tornou pedras vivas

da construção do seu Reino,

apresentamos as nossas preces,

dizendo com alegria:

 

Cristo Ressuscitado, ouvi-nos!

 

1.     Que o Santo Padre, o Papa, os Bispos,

Presbíteros e Diáconos acolham e fomentem

o amor a Cristo caminho, verdade e vida,

oremos, irmãos.

 

 

2.     Que todos nós saibamos abrir o coração,

para percorrer o caminho cristão na disponibilidade

e no serviço para com os mais pobres,

oremos, irmãos.

 

3.     Que os nossos governantes saibam encontrar

o melhor caminho, segundo os critérios evangélicos,

para as decisões mais difíceis que têm de tomar,

oremos, irmãos.

 

4.     Que perante problemas internos de invejas,

ciúmes, ou incompreensões,

porventura surgidas na comunidade,

não nos deixemos impressionar, nem desanimar,

oremos, irmãos.

 

5.     Que nós, ao termos de tomar opções difíceis na nossa vida,

sejamos iluminados pela luz do Espírito Santo,

oremos, irmãos.

 

6.     Que não nos consideremos acima de ninguém

e saibamos colaborar na nossa comunidade,

sem julgar, condenar ou excluir os demais,

oremos, irmãos.

 

Senhor, nosso Deus,

que em vosso Filho nos mostrais

o verdadeiro caminho para Vós,

ajudai-nos a construir verdadeira comunidade cristã,

em Cristo, e com a inspiração do Divino Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Que bom, Senhor, estar ao pé de Ti, M. Carneiro, NRMS 36

 

Oração sobre as oblatas: Senhor nosso Deus, que, pela admirável permuta de dons neste sacrifício, nos fazeis participar na comunhão convosco, único e sumo bem, concedei-nos que, conhecendo a vossa verdade, dêmos testemunho dela na prática das boas obras. Por Nosso Senhor.

 

Prefácio pascal: p. 469 [602-714] ou 470-473

 

Santo: “Da Missa de festa, Az. Oliveira, NRMS 50-51

 

Monição da Comunhão

 

O Senhor, que vamos comungar, nos ajude a escolher o caminho que nos conduza a louvar e agradecer a Deus, por todas as graças com que Ele diariamente nos cumula.

 

Cântico da Comunhão: Fomos resgatados pelo Sangue, Az. Oliveira, NRMS 109

Jo 15, 1.5

Antífona da comunhão: Eu sou a videira e vós sois os ramos, diz o Senhor. Se alguém permanece em Mim e Eu nele, dá fruto abundante. Aleluia.

 

Cântico de acção de graças: Louvai ao Senhor com tudo, M . Simões, NRMS 2 (I)

 

Oração depois da comunhão: Protegei, Senhor, o vosso povo que saciastes nestes divinos mistérios e fazei-nos passar da antiga condição do pecado à vida nova da graça. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Depois de termos escutado a Palavra do Senhor e participado do banquete eucarístico, aproveitemos este momento privilegiado, para agradecer a Deus todos os favores recebidos na nossa vida. Partamos daqui, dispostos a nos comprometermos com a nossa comunidade, através das qualidades que o Senhor nos concedeu, num serviço que se pode prestar a cada irmão nosso.

 

Cântico final: Queremos ser construtores, Az. Oliveira, NRMS 35

 

 

Homilias Feriais

 

5ª SEMANA

 

2ª Feira, 15-V: Uma morada digna de Deus.

Act 14, 5-18 / Jo 14, 21-26

Quem me ama guardará as minhas palavras e meu Pai o amará; nós viremos a ele e faremos nele a nossa morada.

O fim da nossa vida é a união perfeita com a Santíssima Trindade no Céu. Mas Jesus revela-nos até onde pode chegar a 'loucura do amor de Deus por nós': aqui na terra a Santíssima Trindade vem habitar dentro de nós (Ev.), prenúncio da união definitiva.

S. Paulo e S. Barnabé pediram que abandonassem os ídolos, e se voltassem para o Deus vivo (Leit.). Para sermos boa morada de Deus teremos que abandonar os 'ídolos' que há na nossa vida, que ocupam o lugar de Deus. Em Nª Senhora encontramos aquela que Deus preparou par ser uma digna morada do seu Filho. Procuremos imitá-la.

 

3ª Feira, 16-V: A entrada no reino de Deus.

Act 14, 19-28 / Jo 14, 27-31

Através de muitas tribulações é que temos de entrar no reino de Deus.

S. Paulo tinha acabado de ser apedrejado e deram-no como morto. Por isso nos diz que é preciso sofrer muito para se entrar no reino dos Céus (Leit.). O 'príncipe deste mundo', o demónio, aproveita-se destes sofrimentos para nos fazer desistir.

Para ultrapassarmos os obstáculos, temos que recorrer a Jesus:«A vitória sobre o 'príncipe deste mundo', foi alcançada de uma vez para sempre na 'hora' em que Jesus livremente se entregou à morte par nos dar a vida» (CIC, 2853). Recorramos à 'cheia de graça', contra a qual o demónio nada pode.

 

4ª Feira, 17-V: Comunhão de vida e de doutrina.

Act 15, 1-6 / Jo 15, 1-8

Se alguém permanece em mim e Eu nele, esse dá muito fruto, porque sem mim nada podeis fazer.

Jesus revele-nos mais uma realidade misteriosa: «Jesus fala de uma comunhão ainda mais íntima entre Ele e os que o seguem. 'Permanecei em mim como Eu em vós' (Ev.)» (CIC, 787). E é principalmente na Eucaristia que entramos em união com Ele.

Esta comunhão com ele também se deve estender ao campo doutrinal. Os Apóstolos para decidirem o problema da circuncisão «reuniram-se par examinar o assunto» (Leit.). É muito importante conhecermos bem os ensinamentos do Senhor e dos Sumos Pontífices. Nª Senhora obedeceu e deu-nos o bendito fruto do seu ventre, Jesus.

 

5ª Feira, 18-V: A permanência no amor de Deus.

Act 15, 7-21 / Jo 15, 9-11

Assim como o Pai me amou, também Eu voa amei. Permanecei no meu amor.

Para permanecermos no amor de Deus, Jesus deu-nos um conselho: imitar o seu amor: «Amando os seus até ao fim, manifesta o amor do Pai, que Ele próprio recebe. E os discípulos, amando-se uns aos outros, imitam o amor de Jesus, amor de Deus que Ele recebeu também em si» (CIC, 1823).

Além disso, devemos guardar também os seus mandamentos: «Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor» (Ev.). Assim fizeram o Apóstolos, pedindo a todos os cristãos que seguissem as decisões por eles tomadas (Leit.).

 

6ª Feira, 19-V: A verdadeira amizade.

Act 15, 22-31 / Jo 15, 12-17

Não há maior amor do que dar a vida pelos outros.

Jesus deixa-nos um belo exemplo do que é a a verdadeira amizade. Em primeiro lugar, ser capaz de viver uma entrega ao amigo (Ev.), com o nosso apoio e dedicação; em segundo lugar, dar a conhecer aos outros o que sabemos de Deus: «porque tudo o que ouvi de meu Pai vo-lo dei a conhecer» (Ev.), e mandámos Judas e Silas, que vão transmitir-vos as nossas decisões; em terceiro lugar, se fizermos tudo o que Cristo nos indica (Ev.).

Este amor há-de levar-nos a dar aos outros o melhor que temos (EG, 101). A Mãe do bom Conselho diz-nos: Fazei tudo o que Ele vos disser.

 

Sábado, 20-V: A partilha do sofrimento de Cristo.

Act 16, 1-10 / Jo 15, 18-21

O servo não é maior do que o seu Senhor. Se me perseguiram a mim, também vos hão-de perseguir a vós.

Durante o seu ministério público, Jesus foi muitas vezes perseguido e diz-nos que o mesmo nos acontecerá a nós (Ev.). No entanto, as perseguições actuais são de tipo diferente, mas igualmente aborrecidas. Vivemos num ambiente secularizado, que procura ridicularizar os valores cristãos, que despreza a lei de Deus e os seus ensinamentos.

Para combater este ambiente, o melhor é levarmos a Boa Nova a todos os lugares onde se desenrola a nossa vida, como fizeram os Apóstolos: «partiram convencidos de que Deus os chamava a anunciar-lhes a Boa Nova» (Leit.).

 

 

 

 

 

 

Celebração, Homilia:           António E. Portela

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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