4º Domingo da Páscoa

DIa MUndial De oração pelas vocações

7 de Maio de 2017

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Ressuscitou o Bom Pastor, J. Santos, NRMS 57

 

Antífona de entrada: A bondade do Senhor encheu a terra, a palavra do Senhor criou os céus. Aleluia.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

O mistério pascal é determinante na realidade vivencial do homem. O confronto com Cristo, Crucificado e Ressuscitado, é o ponto de partida para que a vida de cada um de nós não permaneça inalterada, mas assuma convictamente uma nova forma de estar, de olhar e, sobretudo, de viver. Somos chamados a viver em Cristo e à Sua imitação.

 

Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, conduzi-nos à posse das alegrias celestes, para que o pequenino rebanho dos vossos fiéis chegue um dia à glória do reino onde já Se encontra o seu poderoso Pastor, Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Diante da pregação de S. Pedro, o povo questiona os Apóstolos de qual o procedimento e atitude a ter para corresponder ao Senhor. A resposta passa pela conversão, assumindo a vida em Cristo pelo baptismo, e participando da Sua Salvação.

 

Actos 2, 14a.36-41

No dia de Pentecostes, 14aPedro, de pé, com os onze Apóstolos, ergueu a voz e falou ao povo: 36«Saiba com absoluta certeza toda a casa de Israel que Deus fez Senhor e Messias esse Jesus que vós crucificastes». 37Ouvindo isto, sentiram todos o coração trespassado e perguntaram a Pedro e aos outros Apóstolos: «Que havemos de fazer, irmãos?» 38Pedro respondeu-lhes: «Convertei-vos e peça cada um de vós o Baptismo em nome de Jesus Cristo, para vos serem perdoados os pecados. Recebereis então o dom do Espírito Santo, 39porque a promessa desse dom é para vós, para os vossos filhos e para quantos, de longe, ouvirem o apelo do Senhor nosso Deus». 40E com muitas outras palavras os persuadia e exortava, dizendo: «Salvai-vos desta geração perversa». 41Os que aceitaram as palavras de Pedro receberam o Baptismo, e naquele dia juntaram-se aos discípulos cerca de três mil pessoas.

 

Temos hoje a continuação da leitura do discurso de S. Pedro no dia do Pentecostes. E continuaremos em todos os domingos pascais a ter trechos dos Actos dos Apóstolos como 1ª leitura.

36 «Deus fez Senhor e Messias esse Jesus». É evidente que Jesus não é feito Senhor, isto é, Deus e Messias, só após a prova a que foi sujeito (a Sua Paixão e Morte), mediante a Sua Ressurreição e glorificação. No plano divino, era a Ressurreição de Jesus que devia manifestar plenamente a sua condição e poder divinos e fazê-Lo entrar no gozo perfeito da glória que Lhe competia como Pessoa divina e Messias (cf. Lc 24, 26). O verbo grego «epóiêsen» (fez) parece ser a tradução do verbo hebraico «xamó»: «colocou-O como».

38 «O Baptismo em nome de Jesus Cristo». É chamado assim, «em nome de Jesus», para o distinguir de outros baptismos correntes na época, como o de João e o dos prosélitos. Chama-se «de Jesus», não só por ter sido instituído por Jesus, mas também porque nos faz pertencer a Cristo, incorporando-nos n’Ele (cf. Rom 6, 3; Gal 3, 27). Esta expressão nada nos diz da fórmula ritual usada na administração do Sacramento, que seria a trinitária, como que consta de Mt 28, 19, exigida para a validade.

«Recebereis o dom do Espírito Santo». Não se designam aqui os chamados «sete dons do Espírito Santo», mas sim o dom (que é) o Espírito Santo (trata-se de um «genitivo epexegético, ou de aposição», como lhe chamam os gramáticos). Não é fácil de saber se o texto se refere à recepção do Espírito Santo mediante o Baptismo, ou mediante a imposição das mãos no Sacramento da Confirmação (cf. Act 8, 17; 19, 6).

39 «Quantos de longe». É uma referência aos gentios (cf. Act 22, 21; Ef 2, 13).

 

Salmo Responsorial    Sl 22 (23), 1-3a.3b-4.5.6

 

Monição: A relação de Deus com o Seu povo é, em muitos relatos bíblicos, relatada a partir da realidade do pastor e das ovelhas. Deus é o pastor que cura, nutre e cuida com o máximo carinho cada uma das suas ovelhas, derramando sempre a Sua bondade e Sua Graça sobre aqueles que ama.

 

Refrão:     O Senhor é meu pastor: nada me faltará.

 

Ou:           Aleluia.

 

O Senhor é meu pastor: nada me falta.

Leva-me a descansar em verdes prados,

conduz-me às águas refrescantes

e reconforta a minha alma.

 

Ele me guia por sendas direitas por amor do seu nome.

Ainda que tenha de andar por vales tenebrosos,

não temerei nenhum mal, porque Vós estais comigo:

o vosso cajado e o vosso báculo me enchem de confiança.

 

Para mim preparais a mesa

à vista dos meus adversários;

com óleo me perfumais a cabeça

e o meu cálice transborda.

 

A bondade e a graça hão-de acompanhar-me

todos os dias da minha vida,

e habitarei na casa do Senhor

para todo o sempre.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Os acontecimentos da Paixão e da Morte de Jesus não têm apenas implicações históricas, mas dão pleno sentido ao que significa todo o Mistério Pascal. Somos salvos em Cristo Ressuscitado, mas com a consciência que, no Ressuscitado, permanecem as chagas e os sinais da Sua Paixão e Morte. Só a partir da Paixão e Morte de Jesus conseguimos alcançar toda a redenção que tem a sua plenitude na Ressurreição.

 

1 São Pedro 2, 20b-25

Caríssimos: 20bSe vós, fazendo o bem, suportais o sofrimento com paciência, isto é uma graça aos olhos de Deus. 21Para isto é que fostes chamados, porque Cristo sofreu também por vós, deixando-vos o exemplo, para que sigais os seus passos. 22Ele não cometeu pecado algum e na sua boca não se encontrou mentira. 23Insultado, não pagava com injúrias; maltratado, não respondia com ameaças; mas entregava-Se Àquele que julga com justiça. 24Ele suportou os nossos pecados no seu Corpo, no madeiro da cruz, a fim de que, mortos para o pecado, vivamos para a justiça: pelas suas chagas fomos curados. 25Vós éreis como ovelhas desgarradas, mas agora voltastes para o pastor e guarda das vossas almas.

 

Os vv. 21b-25 formam um hino a Cristo, muito belo, com uma alusão final ao cumprimento da profecia do Servo de Yahwéh (4º canto: Is 52, 13 – 53, 12) e ao Bom Pastor (cf. Jo 10, 11-16; 21, 15-19); também se pode ver uma alusão a Ez 34, 11-16, onde é o próprio Deus que vem apascentar as suas ovelhas dispersas (alusão em que se pode ver um deraxe cristológico, isto é, a aplicação a Jesus do que no A. T. se diz de Yahwéh).

Os conselhos que aqui temos são dirigidos particularmente aos escravos (cf. v. 18). Não sendo possível então acabar com uma ordem social injusta, como era a escravatura, Pedro não desiste de ajudar os escravos a santificarem-se na condição a que estão sujeitos, imitando a Cristo – seguindo os seus passos – sofredor e obediente até à morte: sendo inocente «sofreu por vós» (v. 21), suportou os nossos pecados… pelas suas chagas fomos curados» (v. 24). Portanto, se os que são escravos forem tratados de modo injusto, que se deixem de lamentações inúteis, mas suportem tudo como Jesus, que «Se entregava Àquele que julga com justiça», que «não pagava com injúrias» e «não respondia com ameaças» (v. 23). Esta exortação mantém actualidade para nós, hoje, já que é frequente ter de «suportar sofrimentos por fazer o bem» (v. 30). E «isto é uma graça aos olhos de Deus» (v. 20b).

 

Aclamação ao Evangelho        Jo 10, 14

 

Monição: O Evangelho vai ser proclamado. Pela fé, sabemos que a Palavra é o próprio Cristo, que nos fala, que entra no mais profundo de nós mesmo, que nos transforma. É este Bom Pastor a quem reconhecemos a Voz e a quem seguimos. Deixemos ecoar a sua voz no mais profundo do nosso coração.

 

Aleluia

 

Cântico: M. Faria, NRMS 16

 

Eu sou o bom pastor, diz o Senhor:

conheço as minhas ovelhas e elas conhecem-Me.

 

 

Evangelho

 

São João 10, 1-10

Naquele tempo, disse Jesus: 1«Em verdade, em verdade vos digo: Aquele que não entra no aprisco das ovelhas pela porta, mas entra por outro lado, é ladrão e salteador. 2Mas aquele que entra pela porta é o pastor das ovelhas. 3O porteiro abre-lhe a porta e as ovelhas conhecem a sua voz. Ele chama cada uma delas pelo seu nome e leva-as para fora. 4Depois de ter feito sair todas as que lhe pertencem, caminha à sua frente e as ovelhas seguem-no, porque conhecem a sua voz. 5Se for um estranho, não o seguem, mas fogem dele, porque não conhecem a voz dos estranhos». 6Jesus apresentou-lhes esta comparação, mas eles não compreenderam o que queria dizer. 7Jesus continuou: «Em verdade, em verdade vos digo: Eu sou a porta das ovelhas. 8Aqueles que vieram antes de Mim são ladrões e salteadores, mas as ovelhas não os escutaram. 9Eu sou a porta. Quem entrar por Mim será salvo: é como a ovelha que entra e sai do aprisco e encontra pastagem. 10O ladrão não vem senão para roubar, matar e destruir. Eu vim para que as minhas ovelhas tenham vida e a tenham em abundância».

 

No capítulo 10 de S. João podem ver-se duas parábolas, as únicas do IV Evangelho: a parábola do pastor e o ladrão (1-6) e a do pastor e o mercenário (11-13), ambas explicadas por Jesus. Neste ano, temos a primeira.

1-5 Para uma recta compreensão da parábola devem-se ter presentes os costumes pastoris da Palestina. Durante o dia, os rebanhos dispersavam-se pelas poucas pastagens daquelas zonas pobres. À noite, especialmente a partir da Primavera, eram recolhidos em recintos descobertos, rodeados de uma sebe ou pequeno muro. Nesta cerca, que faz de «aprisco», era frequente reunirem-se vários rebanhos, que ficavam a ser vigiados de noite por algum guarda pago, um «mercenário», ao passo que os pastores se albergavam em cabanas armadas nas proximidades. De manhã, cada pastor vinha à porta do recinto chamar as suas próprias ovelhas, que já lhe conheciam o grito habitual e que vão atrás dele para as pastagens. Quem não entrar pela porta, mas saltar o muro, é «ladrão e salteador», e «não vem senão para roubar, matar e destruir» (v. 10); não vem para apascentar o rebanho.

7-10 O sentido da parábola é claro e fica explicado pelo Senhor. Parte do dado de que o Povo de Deus é o rebanho de Yahwéh (Ez 34). Aqueles que, sem mandato divino, vieram antes de Jesus são «ladrões e salteadores» (v. 8), que cuidam só dos interesses próprios, inimigos e rivais de Jesus, causando destruição no rebanho (v. 10), ao passo que Jesus, e só Ele, que veio para dar a vida em abundância (v. 10), é o autêntico Pastor. Jesus apresenta-se como a «Porta» do redil, a porta por onde as ovelhas têm de passar para chegar à salvação e ter a vida eterna, «a vida em abundância» (v. 10). No v. 7, de acordo com os vv. 1-2, Jesus aparece como a porta que dá acesso ao aprisco, a sua Igreja; assim Jesus indica que só são legítimos pastores, os que passam por Cristo, recebendo d’Ele o mandato; os demais pastores só trazem ruína ao rebanho.

 

Sugestões para a homilia

 

“A PROMESSA DESSE DOM É PARA VÓS”

Quando nos acomodamos na fé, facilmente deixamos de o necessário sentido crítico para alcançar tudo o que nos é reservado pelo Baptismo. Por sua vez, o Baptismo não é um acontecimento circunscrito a uma data, mas uma nova vida pela qual temos de lutar, sempre na lógica da identificação com Cristo, no qual participamos pelo Baptismo. Assim sendo, o dom baptismal e o dom do Espírito não pode ser derramado em vão, daí o Apóstolo exortar à Conversão. Diante da vocação baptismal é necessária uma contínua vigilância, algumas das vezes auto-crítica, onde deveremos alcançar a profundidade da santidade a que somos chamados. A graça que pelos sacramentos recebemos não são dados adquiridos, mas uma contínua e zelosa correspondência de amor ao Amor que foi derramado nos nossos corações. O dom que nos fala o Apóstolo não é só para os outros, mas temos de o reconhecer primeiramente como nosso e para nós, levando-nos a tomar a iniciativa humana à iniciativa de Deus.

 

“PELAS SUAS CHAGAS FOMOS CURADOS”

Durante toda a Quaresma, e de modo mais explícito na Semana Santa, somos confrontados com a profundidade do Amor de Deus, manifestado no mistério da vida de Cristo. Toda a vida de Jesus é acontecimento salvífico, embora alguns sinais sejam mais expressivos do alcance do seu amor. As chagas de Cristo Crucificado são um dos sinais mais evidentes da radicalidade e da intensidade do amor de Jesus. O Senhor, para redimir o pecado do homem, em nada se poupou, levando o Seu Amor ao extremo. As chagas, mais do que sinais de dor e suplício, são sobretudo sinais de amor, um amor sem limites que, por si, é redentor porque cura. As chagas do Senhor são, enquanto sinal expressivo do Seu Amor, um verdadeiro bálsamo e curativo, com a firme consciência que é o amor que salva e que cura. Diante das doenças humanas e do pecado do homem, a cura que verdadeiramente poderá dignificar o Homem é a cura do Amor, de que as chagas são sinal evidente e claro.

 

“AQUELE QUE ENTRA PELA PORTA”

O amor de Jesus está muito bem representado na imagem que Ele apresenta de si mesmo: o Bom Pastor. A imagem de Pastor é a que melhor pode indicar a complexidade dos cuidados prestados por Jesus. O Senhor usa de compaixão para com o Seu rebanho, coloca-se no meio dele, vive com o rebanho e dá a Sua vida pelo rebanho. Diante desta atitude do Pastor, as ovelhas em nada desconfiam e vêem no pastor a razão do seu existir e o motivo pelo qual existem. Daí a verdade que o Evangelho fala: Jesus entra pela porta e as ovelhas reconhecem a Sua voz, ao passo que o ladrão e o salteador jamais terão a credibilidade das ovelhas, pois procuram-nas para as explorar, cativar e matar. A realidade da vida humana está predominantemente infestada de ladrões e salteadores, que roubam a cada homem e mulher a possibilidade de sonhar, de se realizar, de viver em dignidade, sob a opressão de estruturas de exploração, dependências, corrupção, cumplicidades e, em última instância, de morte. Só o Senhor entra como cuidador, só o Senhor age com amor incondicional, só o Senhor fala com palavras de Vida Eterna para que possamos reconhecer a profundidade da Sua voz.

 

Fala o Santo Padre

 

MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO

PARA O 54º DIA MUNDIAL DE ORAÇÃO PELAS VOCAÇÕES

 

Tema: «Impelidos pelo Espírito para a missão»

7 de maio de 2017

 

Amados irmãos e irmãs!

Nos anos passados, tivemos ocasião de refletir sobre dois aspetos que dizem respeito à vocação cristã: o convite a «sair de si mesmo» para pôr-se à escuta da voz do Senhor e a importância da comunidade eclesial como lugar privilegiado onde nasce, alimenta e se exprime a chamada de Deus.

Agora, no 54º Dia Mundial de Oração pelas Vocações, gostaria de me deter na dimensão missionária da vocação cristã. Quem se deixou atrair pela voz de Deus e começou a seguir Jesus, rapidamente descobre dentro de si mesmo o desejo irreprimível de levar a Boa Nova aos irmãos, através da evangelização e do serviço na caridade. Todos os cristãos são constituídos missionários do Evangelho. Com efeito, o discípulo não recebe o dom do amor de Deus para sua consolação privada; não é chamado a ocupar-se de si mesmo nem a cuidar dos interesses duma empresa; simplesmente é tocado e transformado pela alegria de se sentir amado por Deus e não pode guardar esta experiência apenas para si mesmo: «a alegria do Evangelho, que enche a vida da comunidade dos discípulos, é uma alegria missionária» (Francisco, Exort. ap. Evangelii gaudium, 21).

Por isso, o compromisso missionário não é algo que vem acrescentar-se à vida cristã como se fosse um ornamento, mas, pelo contrário, situa-se no âmago da própria fé: a relação com o Senhor implica ser enviados ao mundo como profetas da sua palavra e testemunhas do seu amor.

Se experimentamos em nós muita fragilidade e às vezes podemos sentir-nos desanimados, devemos levantar a cabeça para Deus, sem nos fazermos esmagar pelo sentimento de inaptidão nem cedermos ao pessimismo, que nos torna espetadores passivos duma vida cansada e rotineira. Não há lugar para o temor: o próprio Deus vem purificar os nossos «lábios impuros», tornando-nos aptos para a missão. «“Foi afastada a tua culpa e apagado o teu pecado!” Então, ouvi a voz do Senhor que dizia: “Quem enviarei? Quem será o nosso mensageiro?” Então eu disse: “Eis-me aqui, envia-me”» (Is 6, 7-8).

Cada discípulo missionário sente, no seu coração, esta voz divina que o convida a «andar de lugar em lugar» no meio do povo, como Jesus, «fazendo o bem e curando» a todos (cf. At 10, 38). Com efeito, já tive ocasião de lembrar que, em virtude do Batismo, cada cristão é um «cristóforo» ou seja, «um que leva Cristo» aos irmãos (cf. Francisco, Catequese, 30 de janeiro de 2016). Isto vale de forma particular para as pessoas que são chamadas a uma vida de especial consagração e também para os sacerdotes, que generosamente responderam «eis-me aqui, envia-me». Com renovado entusiasmo missionário, são chamados a sair dos recintos sagrados do templo, para consentir à ternura de Deus de transbordar a favor dos homens (cf. Francisco, Homilia na Missa Crismal, 24 de março de 2016). A Igreja precisa de sacerdotes assim: confiantes e serenos porque descobriram o verdadeiro tesouro, ansiosos por irem fazê-lo conhecer jubilosamente a todos (cf. Mt 13,44).

Com certeza não faltam as interrogações ao falarmos da missão cristã: Que significa ser missionário do Evangelho? Quem nos dá a força e a coragem do anúncio? Qual é a lógica evangélica em que se inspira a missão? Podemos dar resposta a estas questões, contemplando três cenas evangélicas: o início da missão de Jesus na sinagoga de Nazaré (cf. Lc 4, 16-30); o caminho que Ele, Ressuscitado, fez com os discípulos de Emaús (cf. Lc 24, 13-35); e, por último, a parábola da semente (cf. Mc 4, 26-27).

Jesus é ungido pelo Espírito e enviado. Ser discípulo missionário significa participar ativamente na missão de Cristo, que Ele próprio descreve na sinagoga de Nazaré: «O Espírito do Senhor está sobre Mim, porque Me ungiu para anunciar a Boa-Nova aos pobres; enviou-Me a proclamar a libertação aos cativos e, aos cegos, a recuperação da vista; a mandar em liberdade os oprimidos, a proclamar um ano favorável da parte do Senhor» (Lc 4, 18-19). Esta é também a nossa missão: ser ungidos pelo Espírito e ir ter com os irmãos para lhes anunciar a Palavra, tornando-nos um instrumento de salvação para eles.

Jesus vem colocar-Se ao nosso lado no caminho. Perante as interrogações que surgem do coração humano e os desafios que se levantam da realidade, podemos sentir-nos perdidos e notar um défice de energia e esperança. Há o risco de que a missão cristã apareça como uma mera utopia irrealizável ou, em todo o caso, uma realidade que supera as nossas forças. Mas, se contemplarmos Jesus Ressuscitado, que caminha ao lado dos discípulos de Emaús (cf. Lc 24, 13-15), é possível reavivar a nossa confiança; nesta cena evangélica, temos uma autêntica e real «liturgia da estrada», que precede a da Palavra e da fração do Pão e nos faz saber que, em cada passo nosso, Jesus está junto de nós. Os dois discípulos, feridos pelo escândalo da cruz, estão de regresso a casa percorrendo o caminho da derrota: levam no coração uma esperança despedaçada e um sonho que não se realizou. Neles, a tristeza tomou o lugar da alegria do Evangelho. Que faz Jesus? Não os julga, percorre a própria estrada deles e, em vez de erguer um muro, abre uma nova brecha. Pouco a pouco transforma o seu desânimo, inflama o seu coração e abre os seus olhos, anunciando a Palavra e partindo o Pão. Da mesma forma, o cristão não carrega sozinho o encargo da missão, mas experimenta – mesmo nas fadigas e incompreensões – que «Jesus caminha com ele, fala com ele, respira com ele, trabalha com ele. Sente Jesus vivo com ele, no meio da tarefa missionária» (Francisco, Exort. ap. Evangelii gaudium, 266).

Jesus faz germinar a semente. Por fim, é importante aprender do Evangelho o estilo de anúncio. Na verdade, acontece não raro, mesmo com a melhor das intenções, deixar-se levar por um certo frenesim de poder, pelo proselitismo ou o fanatismo intolerante. O Evangelho, pelo contrário, convida-nos a rejeitar a idolatria do sucesso e do poder, a preocupação excessiva pelas estruturas e uma certa ânsia que obedece mais a um espírito de conquista que de serviço. A semente do Reino, embora pequena, invisível e às vezes insignificante, cresce silenciosamente graças à ação incessante de Deus: «O Reino de Deus é como um homem que lançou a semente à terra. Quer esteja a dormir, quer se levante, de noite e de dia, a semente germina e cresce, sem ele saber como» (Mc 4, 26-27). A nossa confiança primeira está aqui: Deus supera as nossas expetativas e surpreende-nos com a sua generosidade, fazendo germinar os frutos do nosso trabalho para além dos cálculos da eficiência humana.

Com esta confiança evangélica abrimo-nos à ação silenciosa do Espírito, que é o fundamento da missão. Não poderá jamais haver pastoral vocacional nem missão cristã, sem a oração assídua e contemplativa. Neste sentido, é preciso alimentar a vida cristã com a escuta da Palavra de Deus e sobretudo cuidar da relação pessoal com o Senhor na adoração eucarística, «lugar» privilegiado do encontro com Deus.

É esta amizade íntima com o Senhor que desejo vivamente encorajar, sobretudo para implorar do Alto novas vocações ao sacerdócio e à vida consagrada. O povo de Deus precisa de ser guiado por pastores que gastam a sua vida ao serviço do Evangelho. Por isso, peço às comunidades paroquiais, às associações e aos numerosos grupos de oração presentes na Igreja: sem ceder à tentação do desânimo, continuai a pedir ao Senhor que mande operários para a sua messe e nos dê sacerdotes enamorados do Evangelho, capazes de se aproximar dos irmãos, tornando-se assim sinal vivo do amor misericordioso de Deus.

Amados irmãos e irmãs, é possível ainda hoje voltar a encontrar o ardor do anúncio e propor, sobretudo aos jovens, o seguimento de Cristo. Face à generalizada sensação duma fé cansada ou reduzida a meros «deveres a cumprir», os nossos jovens têm o desejo de descobrir o fascínio sempre atual da figura de Jesus, de deixar-se interpelar e provocar pelas suas palavras e gestos e, enfim, sonhar – graças a Ele – com uma vida plenamente humana, feliz de gastar-se no amor.

Maria Santíssima, Mãe do nosso Salvador, teve a coragem de abraçar este sonho de Deus, pondo a sua juventude e o seu entusiasmo nas mãos d’Ele. Que a sua intercessão nos obtenha a mesma abertura de coração, a prontidão em dizer o nosso «Eis-me aqui» à chamada do Senhor e a alegria de nos pormos a caminho, como Ela (cf. Lc 1, 39), para O anunciar ao mundo inteiro.

Papa Francisco, Cidade do Vaticano, no I Domingo do Advento, 27 de Novembro de 2016

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

Jesus Cristo, Bom Pastor do rebanho que somos nós,

está disponível para nos ajudar no caminho do Céu.

Peçamos-Lhe humildemente por todas as necessidades

que afligem a Igreja e todas as pessoas de boa vontade.

Oremos (cantando):

 

    Senhor, dai-nos muitos e santos sacerdotes!

 

1. Pelo Santo Padre e Bispos e Presbíteros em comunhão com ele,

    para que Jesus os encha de alegria na missão de Bons Pastores,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor, dai-nos muitos e santos sacerdotes!

 

2. Pelos pais e mães de família desta nossa comunidade paroquial,

    para que o Senhor Se digne chamar algum filho ao sacerdócio,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor, dai-nos muitos e santos sacerdotes!

 

3. Pelos catequistas e demais educadores da fé dos nossos jovens,

    para que os animem a seguir generosamente Deus que os chama,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor, dai-nos muitos e santos sacerdotes!

 

4. Pelos jovens que se preparam, pelo namoro, para fundar um lar,

    para que vivam com fidelidade a Jesus Cristo este tempo de amor,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor, dai-nos muitos e santos sacerdotes!

 

5. Pelos seminários e pelos jovens que ali procuram seguir o Mestre,

    para que encontrem  muita alegria neste caminho de entrega a Deus,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor, dai-nos muitos e santos sacerdotes!

 

6. Pelos bons pastores falecidos e que se encontram em purificação,

    para que o Senhor abrevie as suas penas e os acolham hoje no Céu,

    oremos, irmãos.

 

     Senhor, dai-nos muitos e santos sacerdotes!

 

Senhor que instituístes o sacerdócio ministerial na Vossa Igreja,

para que homens como nós Vos ajudem no cuidado do rebanho:

enchei-os de zelo, paz e alegria contagiosa no seu trabalho,

e conduzi-os, felizes ao Vosso encontro na felicidade do Paraíso.

Vós, que sois Deus, com o Pai,

na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Senhor, quebrastes os laços da morte, M. Simões, NRMS 65

 

Oração sobre as oblatas: Concedei, Senhor, que em todo o tempo possamos alegrar-nos com estes mistérios pascais, de modo que o acto sempre renovado da nossa redenção seja para nós causa de alegria eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio pascal: p. 469[602-714] ou 470-473

 

Santo: A. Cartageno, Suplemento ao CT

 

Monição da Comunhão

 

Acabámos de proclamar “Senhor, não sou digno de que entres em minha casa…”. A verdade é que, paradoxalmente, Àquele que é a Porta da Salvação, continuamente o convidamos a entrar em nós e fazer de nós morada. Sendo a Porta da Salvação, Jesus faz-nos também ser porta, abrindo-nos a Ele e recebendo-O em nós pela Sagrada Comunhão.

 

Cântico da Comunhão: Senhor, nada somos sem Ti, F. da Silva, NRMS 84

 

Antífona da comunhão: Ressuscitou o Bom Pastor, que deu a vida pelas suas ovelhas e Se entregou à morte pelo seu rebanho. Aleluia.

 

Cântico de acção de graças: Quanta alegria é para mim, H. Faria, NRMS 18

 

Oração depois da comunhão: Deus, nosso Bom Pastor, olhai benignamente para o vosso rebanho e conduzi às pastagens eternas as ovelhas que remistes com o precioso Sangue do vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

No Evangelho, o Senhor dizia-nos que Ele veio para que tenhamos vida e a tenhamos em abundância. Ao sair da Santa Missa, não podemos permitir um olhar igual e um comportamento inalterável. O Senhor dá-nos essa vida que brota d’Ele, para que vivamos em abundância e transmitindo essa abundância do Amor de Deus no meio em que nos encontrarmos.

 

Cântico final: Aleluia! Glória a Deus, F. da Silva, NRMS 92

 

 

Homilias Feriais

 

4ª SEMANA

 

2ª Feira, 8-V: A missão do bom Pastor.

Act 11, 1-18 / Jo 10, 11-18

Disse Jesus: Eu sou o bom Pastor. O bom Pastor dá a vida pelas ovelhas.

Jesus é o bom Pastor que, por amor do Pai, dá a vida pelas ovelhas: «O sacrifício de Jesus pelos pecados do mundo inteiro é a expressão da sua comunhão amorosa como Pai: 'O Pai ama-me, porque eu dou a minha vida'  (Ev.)» (CIC, 606).

E Jesus pede  a Pedro que prossiga a sua  missão (Leit.). «Jesus, o bom Pastor confirmou este cargo depois da sua Ressurreição: 'Apascenta as minhas ovelhas'. Pedro foi o único a quem confiou explicitamente as chaves do reino» (CIC, 553). Peçamos a Nª Senhora, Mãe da Igreja, que confie abundantes graças a todos os Bons Pastores.

 

3ª Feira, 9-V: A recuperação da dignidade da sociedade.

Act 11, 19-26 / Jo 10, 22-30

A mão do Senhor estava com eles e foi grande o número dos que abraçaram a fé e se converteram ao Senhor.

Depois de Jerusalém passaram a Antioquia, onde os discípulos se começaram a chamar cristãos (Leit.), No tempo dos primeiros cristãos deu-se uma rápida expansão da Igreja e assim há-de continuar. Contamos sempre com a ajuda do Senhor: «Dou-lhes a vida eterna; jamais hão-de perecer, e ninguém os há-de arrebatar da minha mão» (Ev.).

Temos que continuar a levar a cruz de Cristo a todas as pessoas e ambientes, como fizeram os primeiros cristãos. Temos o dever de despertar os que estão acomodados, de aproximá-los da luz de Cristo, para que a sociedade recupere a dignidade humana.

 

4ª Feira, 10-V: Os pilares da actuação da Igreja.

Act 12, 24-13, 5 / Jo 12, 44-50

Então, depois de terem jejuado e orado, impuseram-lhes as mãos e deixaram-nos partir.

A Igreja sempre se apoiou sobre estes dois pilares: a oração e a penitência (Leit.), imprescindíveis para o seu crescimento. O Espírito Santo, prometido por Jesus Cristo, ilumina os caminhos que se hão-de percorrer.

Cada um de nós faz parte da Igreja. E é na oração que descobriremos a presença do Senhor; que receberemos a luz para que desapareçam as trevas da nossa vida e possamos compreender os acontecimentos (Ev.); que escutaremos o Espírito, para que nos oriente sobre o que devemos dizer ao anunciar a palavra de Deus aos outros (Leit.).

 

5ª Feira, 11-V: Urgência de evangelização.

Act 13, 13-25 / Jo 13, 16-20o

Quem receber aquele que eu enviar é a mim que recebe; e quem me receber, recebe aquele que me enviou.

Jesus é enviado pelo Pai e, a seguir, escolhe os Apóstolos: «A partir de então, eles são os seus enviados (da palavra grega apostoloi). Neles, Jesus continua a sua própria missão (Ev.)» (CIC, 858). Assim fizeram S. Paulo e os seus companheiros, ao falar ao povo na sinagoga, resumindo a história da salvação (Leit.).

O encontro com Cristo na Eucaristia há-de suscitar em cada cristão a urgência de testemunhar e evangelizar: «A despedida no final da Missa constitui um mandato, que impele o cristão para o dever de propagação do Evangelho» (João Paulo II).

 

6ª Feira, 12-V: Voltar à casa do Pai.

Act 13, 26-33 / Jo 14, 1-6

Em casa de meu Pai há muitas moradas; se assim não fosse, eu vos teria dito que vou preparar-vos um lugar?

A Boa Nova apresenta uma extraordinária novidade: há uma morada no Céu para os filhos de Deus (Ev.). S. Paulo refere que esta mensagem de salvação está apoiada na morte e ressurreição de Cristo (Leit.).

Só com as nossas forças não conseguiríamos chegar à casa do Pai, isto é, à vida eterna. Mas Cristo é para nós um sinal de esperança: «Ninguém vai ao Pai senão por mim» (Ev.). E conduz-nos até ao Pai, porque Ele é «Caminho, Verdade e Vida» (Ev.): diz-nos por onde andar, quais os caminhos verdadeiros e dá-nos vida para que o façamos.

 

 

 

 

Celebração:                           Ricardo Cardoso

, Homilia e:Nota Exegética:                        Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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