3º Domingo da Páscoa

30 de Abril de 2017

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Aclamai o Senhor, terra inteira, M. Borda, NRMS 37

Salmo 65, 1-2

Antífona de entrada: Aclamai a Deus, terra inteira, cantai a glória do seu nome, celebrai os seus louvores. Aleluia.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Não estamos sós nos caminhos da vida. Jesus, nosso grande Amigo está connosco. Como os discípulos de Emaús, importa termos consciência da Sua presença amorosa. Importa encontrá-lO na Santíssima Eucaristia, na Sagrada Escritura e nos irmãos que nos rodeiam. Uma vez encontrado, digamos também “Fica connosco, Senhor, porque sem Ti se faz noite na nossa vida!”

 

Ato penitencial

 

Foram dias muito mal vividos aqueles que, por falta de fé, nos sentimos sós nos caminhos da vida. Por todos esses momentos, peçamos perdão ao Senhor.

 

    (Tempo de silêncio. Eis uma sugestão, como alternativa)

 

- Senhor Jesus, por todas as vezes que Te esquecemos nesta nossa caminhada da vida Te pedimos perdão e misericórdia.

 

Senhor, misericórdia!

 

- Cristo, que por nosso Amor estais presente em todos os Sacrários da Terra e tão facilmente esquecemos a Vossa Presença amorosa, Te pedimos perdão para nós e para os que não adoram, não esperam e não vos amam e tende misericórdia.

 

Cristo, misericórdia!

 

- Senhor Jesus, que estais também presente na Sagrada Escritura e em todos quantos nos rodeiam nos caminhos da vida, com os quais nem sempre temos tido este olhar que a fé nos diz dever existir, Senhor, misericórdia.

 

Senhor, misericórdia!

 

Oração colecta: Exulte sempre o vosso povo, Senhor, com a renovada juventude da alma, de modo que, alegrando-se agora por se ver restituído à glória da adopção divina, aguarde o dia da ressurreição na esperança da felicidade eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: A primeira Leitura, dos Actos dos Apóstolos dá-nos mais um dos mais credíveis testemunhos da Ressurreição de Jesus. Ele ressuscitado, está connosco!

 

Actos, 2, 14.22-33

No dia de Pentecostes, 14Pedro, de pé, com os onze Apóstolos, ergueu a voz e falou ao povo: 22«Homens de Israel, ouvi estas palavras: Jesus de Nazaré, foi um homem acreditado por Deus junto de vós com milagres, prodígios e sinais, que Deus realizou no meio de vós, por seu intermédio, como sabeis. 23Depois de entregue, segundo o desígnio imutável e a previsão de Deus, vós deste-Lhe a morte, cravando-O na cruz pela mão de gente perversa. 24Mas Deus ressuscitou-O, livrando-O dos laços da morte, porque não era possível que Ele ficasse sob o seu domínio. 25Diz David a seu respeito: «O Senhor está sempre na minha presença, com Ele a meu lado não vacilarei. 26Por isso o meu coração se alegra e a minha alma exulta e até o meu corpo descansa tranquilo. 27Vós não abandonareis a minha alma na mansão dos mortos, nem deixareis o vosso Santo sofrer a corrupção. 28Destes-me a conhecer os caminhos da vida, a alegria plena em vossa presença». 29Irmãos, seja-me permitido falar-vos com toda a liberdade: o patriarca David morreu e foi sepultado e o seu túmulo encontra-se ainda hoje entre nós. 30Mas, como era profeta e sabia que Deus lhe prometera sob juramento que um descendente do seu sangue havia de sentar-se no seu trono, 31viu e proclamou antecipadamente a ressurreição de Cristo, dizendo que Ele não O abandonou na mansão dos mortos, nem a sua carne conheceu a corrupção. 32Foi este Jesus que Deus ressuscitou e disso todos nós somos testemunhas. 33Tendo sido exaltado pelo poder de Deus, recebeu do Pai a promessa do Espírito Santo, que Ele derramou, como vedes e ouvis».

 

A leitura corresponde a uma selecção de versículos do discurso de S. Pedro no dia do Pentecostes. «Pedro» aparece aqui, como noutras vezes, na sua função de Chefe dos Apóstolos, falando em nome de todos e à frente de todos (cf. Act 2, 37-38; 5, 2-3.29; 1, 15).

22 «Jesus de Nazaré» Pedro, para anunciar Jesus como o Messias, parte da Sua humanidade, no aspecto mais humilde, um homem de Nazaré, terra desprezada (Jo 1 48); nos vv. seguintes estabelece a sua perfeita identidade com o Cristo da fé, o Senhor ressuscitado.

23 «Segundo o desígnio imutável e previsão de Deus». A morte na cruz, o grande «escândalo para os Judeus», não era mais do que o cumprimento do desígnio salvador de Deus, anunciado pelos Profetas.

24 «Deus ressuscitou-O. O grande sinal de que aquele homem de Nazaré já antes credenciado com «milagres, prodígios e sinais» (v. 22), era o Messias, Deus vindo à terra, é sem dúvida a Ressurreição. Esta apresenta-se como anunciada no Salmo 15 (16).

27 «Nem deixareis o vosso Santo sofrer a corrupção». Citação do Salmo 15 (16), segundo a tradução dos LXX, que alguns chegam a considerar inspirada. O texto hebraico massorético não é tão expressivo, pois diz: «conhecer a cova», isto é, a morte; Pedro e depois Paulo (cf. Act 13, 35) dão-nos o sentido mais profundo, o cristológico do Salmo, ao explicitar que designa a ressurreição do Messias, sentido este que, em geral, os exegetas classificam de sentido plenário (intentado só por Deus), ou sentido típico (o salmista como tipo do Messias).

 

Salmo Responsorial    Sl 15 (16), 1-2a.5.7-8.9-10.11

 

Monição: Cristo Ressuscitado é o caminho. Que O senhor seja sempre a nossa luz e assim nos mostre sempre o Seu caminho.

 

Refrão:     Mostrai-me, Senhor, o caminho da vida.

 

Ou:           Aleluia.

 

Defendei-me, Senhor; Vós sois o meu refúgio.

Digo ao Senhor: Vós sois o meu Deus.

Senhor, porção da minha herança e do meu cálice,

está nas vossas mãos o meu destino.

 

Bendigo o Senhor por me ter aconselhado,

até de noite me inspira interiormente.

O Senhor está sempre na minha presença,

com Ele a meu lado não vacilarei.

 

Por isso o meu coração se alegra e a minha alma exulta

e até o meu corpo descansa tranquilo.

Vós não abandonareis a minha alma na mansão dos mortos,

nem deixareis o vosso fiel conhecer a corrupção.

 

Dar-me-eis a conhecer os caminhos da vida,

alegria plena em vossa presença,

delícias eternas à vossa direita.

 

Segunda Leitura

 

Monição: “Fomos resgatados pelo Sangue precioso de Cristo” derramado por todos, oferecendo-nos uma salvação universal. A nossa fé e a nossa esperança estão em Deus e não nas alegrias passageiras deste mundo.

 

1 São Pedro 1, 17-21

Caríssimos: 17Se invocais como Pai Aquele que, sem acepção de pessoas, julga cada um segundo as suas obras, vivei com temor, durante o tempo de exílio neste mundo. 18Lembrai-vos que não foi por coisas corruptíveis, como prata e oiro, que fostes resgatados da vã maneira de viver, herdada dos vossos pais, 19mas pelo sangue precioso de Cristo, Cordeiro sem defeito e sem mancha, 20predestinado antes da criação do mundo e manifestado nos últimos tempos por vossa causa. 21Por Ele acreditais em Deus, que O ressuscitou dos mortos e Lhe deu a glória, para que a vossa fé e a vossa esperança estejam em Deus.

 

Esta leitura adapta-se maravilhosamente ao tempo pascal, falando-nos da nossa libertação através do Sangue do novo Cordeiro Pascal e da Ressurreição de Jesus. Há mesmo exegetas que vêem nesta carta um fundo de homilia pascal ou baptismal. O trecho de hoje é tirado de uma secção inicial da Carta (1, 13 – 2, 10), uma série de exortações que têm como pano de fundo a libertação dos hebreus a caminho da terra prometida, símbolo do Baptismo e da vida cristã, o que faz pensar que formariam parte duma catequese ou homilia pascal-baptismal. Vejamos: «de ânimo preparado para servir» (v. 13; cf. Lc 12, 35) é dito no original com uma imagem («cingida a cintura da vossa mente»), que evoca a forma de celebrar a Páscoa (cf. Ex 12, 11, símbolo do Baptismo (cf. 1 Cor 10, 1-2.6); «sede santos» (v. 14-16) é uma exigência da aliança (cf. Lv 11, 44; 19, 2; 20, 7) e do Baptismo (cf. Rom 6, 4.11.19; 12, 2; Gal 3, 27); o santo temor de Deus (cf. 2 Cor 2, 11; Rom 2, 11) «no tempo da peregrinação» (cf. 1, 1.17; 2, 11; 4, 2, é a alusão à peregrinação pelo deserto no Êxodo) está na sequência de invocar a Deus como Pai (referência ao Pai-nosso, Mt 6, 9, recitado no rito do Baptismo e certamente matéria da instrução preparatória); o resgate pelo sangue de Cristo é mais do que uma referência ao custo da nossa redenção (1 Cor 6, 20; 7, 23; cf. Ef 1, 7; Hebr 9, 14; Apoc 1, 5), pois alude a Jesus como cordeiro pascal (Ex 12, 3-14; cf. Jo 1, 29.36; 19, 36; 1 Cor 5, 7; Act 8, 32-35); o amor fraterno (v. 22-25) é proposto como consequência de se ter purificado (cf. Ex 19, 10-11) e ter nascido de novo e por meio da palavra de Deus (cf. Tg 1, 18; 1 Jo 3, 9; Is 40, 8); esta mesma palavra é o «leite puro» (cf. Ex 3, 8; 1 Cor 3, 2) que os baptizados têm de desejar avidamente (2, 1-2; cf. Salm 34, 9); assim todos entram activamente na construção do edifício que é o novo Povo de Deus, figurado no antigo (2, 4-10).

17 «Pai... que... julga». Pode-se ver aqui uma alusão à recitação do Pai Nosso. Deus, que é o melhor dos pais, também é um Juiz imparcial; o sentido correcto da nossa filiação divina traz consigo o santo temor de Deus, o temor de desagradar a um Pai que nos julga e que calibra perfeitamente o valor de todos os nossos actos.

«Exílio neste mundo». Cf. 1 Pe 1, 1; 2, 11; 4, 2; Hebr 11, 13. Nestes textos inspirados fica patente a nossa condição não apenas de peregrinos da Pátria celeste, mas também a ideia de pena que envolve a nossa situação de «degredados filhos de Eva» neste «desterro» (cf. Salve Rainha).

18-19 «Libertados... com o Sangue precioso de Cristo». A obra salvadora de Jesus não consistiu numa mera libertação, como, por exemplo, a libertação do Egipto, pois foi um verdadeiro resgate, pagando Jesus o preço dessa libertação com o Seu Sangue, daí que esta obra libertadora se chama mais propriamente Redenção (cf. Ef 1, 7; Apoc 1, 5).

«Cordeiro sem defeito e sem mancha». Cf. Ex 12, 5; 1 Cor 5, 7; Jo 1, 29.36; 19, 36. Cf. também: Is 53, 7; Act 8, 32-35. Os primeiros textos falam de Jesus, Cordeiro imolado na nova Páscoa; os segundos, de Jesus manso «Cordeiro de Deus».

 

Aclamação ao Evangelho        Lc 24, 32

 

Monição: O Evangelho apresenta Jesus Cristo ressuscitado a caminhar ao lado de dois discípulos de Emaús, a explicar-lhes as Escrituras, a encher-lhes o coração de esperança e a sentar-se com eles à mesa para “partir o pão”. É aí que os discípulos O reconhecem.

 

Aleluia

 

Cântico: M. Simões, NRMS 9(II)

 

Senhor Jesus, abri-nos as Escrituras,

falai-nos e inflamai o nosso coração.

 

 

Evangelho

 

São Lucas 24, 13-35

13Dois dos discípulos de Jesus iam a caminho duma povoação chamada Emaús, que ficava a duas léguas de Jerusalém. 14Conversavam entre si sobre tudo o que tinha sucedido. 15Enquanto falavam e discutiam, Jesus aproximou-Se deles e pôs-Se com eles a caminho. 16Mas os seus olhos estavam impedidos de O reconhecerem. 17Ele perguntou-lhes: «Que palavras são essas que trocais entre vós pelo caminho?» Pararam, com ar muito triste, 18e um deles, chamado Cléofas, respondeu: «Tu és o único habitante de Jerusalém a ignorar o que lá se passou nestes dias». 19E Ele perguntou: «Que foi?» Responderam-Lhe: «O que se refere a Jesus de Nazaré, profeta poderoso em obras e palavras diante de Deus e de todo o povo; 20e como os príncipes dos sacerdotes e os nossos chefes O entregaram para ser condenado à morte e crucificado. 21Nós esperávamos que fosse Ele quem havia de libertar Israel. Mas, afinal, é já o terceiro dia depois que isto aconteceu. 22É verdade que algumas mulheres do nosso grupo nos sobressaltaram: foram de madrugada ao sepulcro, 23não encontraram o corpo de Jesus e vieram dizer que lhes tinham aparecido uns Anjos a anunciar que Ele estava vivo. 24Alguns dos nossos foram ao sepulcro e encontraram tudo como as mulheres tinham dito. Mas a Ele não O viram». Então Jesus disse-lhes: 25«Homens sem inteligência e lentos de espírito para acreditar em tudo o que os profetas anunciaram! 26Não tinha o Messias de sofrer tudo isso para entrar na sua glória?» 27Depois, começando por Moisés e passando pelos Profetas, explicou-lhes em todas as Escrituras o que Lhe dizia respeito. 28Ao chegarem perto da povoação para onde iam, Jesus fez menção de seguir para diante. 29Mas eles convenceram-n’O a ficar, dizendo: «Ficai connosco, porque o dia está a terminar e vem caindo a noite». Jesus entrou e ficou com eles. 30E quando Se pôs à mesa, tomou o pão, recitou a bênção, partiu-o e entregou-lho. 31Nesse momento abriram-se-lhes os olhos e reconheceram-n’O. Mas Ele desapareceu da sua presença. 32Disseram então um para o outro: «Não ardia cá dentro o nosso coração, quando Ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?» 33Partiram imediatamente de regresso a Jerusalém e encontraram reunidos os Onze e os que estavam com eles, 34que diziam: «Na verdade, o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão». 35E eles contaram o que tinha acontecido no caminho e como O tinham reconhecido ao partir o pão.

 

Temos aqui uma das mais belas páginas do Evangelho: um relato cheio de vivacidade, de finura e de psicologia, em que acompanhamos o erguer daquelas almas desde a mais amarga frustração até às alturas da fé e da descoberta de Jesus ressuscitado. A crítica bíblica procura distinguir neste relato os elementos de tradição e os elementos redaccionais; podem identificar-se muitos elementos de tradição neste relato, mas não dispomos de meios para classificar como meramente redaccionais todos os restantes, pois não são do nosso conhecimento todas as fontes de que Lucas dispôs; a própria crítica admite «fontes especiais» para a redacção de Lucas. Um facto indiscutível é que Lucas é um teólogo e um catequista, não é um jornalista e não se limita a contar a seco umas aparições, mas não temos elementos suficientes para definir em que medida reelaborou as suas fontes.

13 «Emaús»: uma povoação a 60 estádios, traduzidos por duas léguas, que se traduzem nuns 11 quilómetros e meio de Jerusalém. Há duas leituras variantes nos manuscritos gregos do Evangelho de Lucas: a imensa maioria deles regista 60 estádios. Alguns poucos têm 160 (o que equivale a uns 30 Km). Também não existe completo acordo sobre a sua localização, sendo indicados vários locais na tradição cristã; El-Qubeibe é o de maior aceitação, a uns 12 Km a Noroeste da Cidade Santa (Abugoxe corresponde aos 160 estádios).

16 «Mas os seus olhos estavam impedidos de O reconhecerem». Não é que não vissem a Jesus, ou que Jesus se quisesse ocultar, mas eles é que estavam obcecados pelo seu extremo desalento. E fica-nos a lição: para que se possa reconhecer a Jesus ressuscitado é indispensável o olhar da fé.

18 «Cléofas» parece ser diferente do marido de Maria, mãe de Tiago e José (Jo 19, 25); embora alguns o identifiquem, a grafia é diferente: Kleopâs.

22-24 «É verdade que algumas mulheres… Alguns dos nossos…»: aqui se resume o que foi relatado antes com mais pormenor (Lc 23, 56b – 24, 9) e correspondente à tradição sinóptica e joanina. Certamente que os nossos são Pedro e João (cf. v. 12 e Jo 20, 1-10). «Mas a Ele não O viram»: se não se trata de um pormenor meramente redaccional, temos que admitir que ainda não lhes constava da aparição de Jesus a Pedro referida adiante, no v. 34 (cf. 1 Cor 15, 5).

28-30 «Jesus fez menção de seguir para diante». Lucas volta a aludir ao «caminho de Jesus» (no v. 15 já tinha usado o mesmo verbo grego que significa caminhar). R. J. Dillon (From eye-witnesses to ministers of the word) pensa que este pormenor lucano insinua que a presença de Jesus no meio dos seus através da Eucaristia (a fracção do pão do v. 30) constitui o momento cume do seu caminhar pelo caminho da salvação. Enternece o leitor ver como Jesus ressuscitado se torna o companheiro de caminho (recorde-se como Lucas gosta de focar a vida cristã como um caminho e um seguimento de Jesus): depois de se fazer encontrado, agora faz-se rogado. Isto sucede-nos muitas vezes na vida cristã: Ele vem ao nosso encontro sem O procurarmos e, outras vezes, quer dar-nos o ensejo de O convidarmos a ficar connosco e de praticarmos a caridade com os outros, que são Ele (cf. Mt 25, 40). Mas aqui o convite feito a Jesus não é um simples acto de caridade e de cortesia; com efeito, parece que a narrativa nos leva a pensar que quem faz este pedido é toda a comunidade cristã, que se reúne para celebrar a Eucaristia e anseia estabelecer uma comunhão íntima com Jesus ressuscitado (ibid.). Todos estão de acordo em ver a estreita relação da refeição descrita com a multiplicação dos pães e a instituição da Eucaristia.

31 «Abriram-se-lhes os olhos e reconheceram-no, mas Ele desapareceu da sua presença»: É na Eucaristia que se abrem os olhos para a fé, para captar o que é invisível, mas real. Impressiona muito o relato ao unir o aparecimento com o desaparecimento, sem se dizer para onde é que Jesus se retirou. Desta maneira fica sugerida uma nova presença, a de Jesus glorioso e ressuscitado: uma ausência que é presença. Comenta João Paulo II: «É significativo que os dois discípulos de Emaús, devidamente preparados pelas palavras do Senhor, O tenham reconhecido, quando estavam à mesa, através do gesto simples da 'fracção do pão'. Uma vez iluminadas as inteligências e rescaldados os corações, os sinais 'falam'. A Eucaristia desenrola-se inteiramente no contexto dinâmico de sinais que encerram uma densa e luminosa mensagem; é através deles que o mistério, de certo modo, se desvenda aos olhos do crente. Como sublinhei na encíclica Ecclesia de Eucharistia, é importante que nenhuma dimensão deste Sacramento fique transcurada. Com efeito, subsiste sempre no homem a tentação de reduzir às suas próprias dimensões a Eucaristia, quando na realidade é ele que se deve abrir às dimensões do Mistério. 'A Eucaristia é um dom demasiado grande para suportar ambiguidades e reduções'» (Carta Mane nobiscum Domine, 14).

32 «Não ardia cá dentro o nosso coração?». Quando lemos a Escritura guiados por Jesus, presente na Igreja, inflama-se o nosso coração e sentimo-nos urgidos a mostrar aos que nos rodeiam, com as nossas vidas, pela palavra e pelo exemplo, que Cristo vive, que a Ressurreição é uma realidade. O episódio constitui um apelo a fazermos o mesmo papel do Ressuscitado junto dos desiludidos da vida e sem esperança e a comunicar-lhes a nossa experiência de fé. No relato põe-se em evidência a união do pão e da palavra na vida da Igreja.

33 «Partiram imediatamente». «Os dois discípulos de Emaús, depois de terem reconhecido o Senhor, «partiram imediatamente» para comunicar o que tinham visto e ouvido. Quando se faz uma verdadeira experiência do Ressuscitado, alimentando-se do seu Corpo e do seu Sangue, não se pode reservar para si mesmo a alegria sentida. O encontro com Cristo, continuamente aprofundado na intimidade eucarística, suscita na Igreja e em cada cristão a urgência de testemunhar e evangelizar» (João Paulo II, Mane nobiscum Domine, 24).

 

Sugestões para a homilia

 

1.     Mostrai-nos Senhor, o caminho da vida.

2.     A certeza e grande alegria da ressurreição.

3.     Aparição de Jesus ressuscitado.

 

1. Mostrai-nos Senhor, o caminho da vida.

 

Mostrai-nos Senhor, o caminho da vida, pedimos há momentos. E o caminho da verdadeira vida é Jesus “Eu sou o caminho, a verdade e a vida”. Como pois é importante encontra-LO!

 

Vimos no Evangelho que os discípulos de Emaús seguiam tristes. Sentiam-se como que órfãos. Mas afinal não estavam sós. Ele próprio, o Senhor ressuscitado os acompanhava. Reconheceram-nO depois da explicação da Sagrada Escritura, feita por Ele mesmo e ao partir do Pão. Que alegria, segurança e paz então sentiram!

Sentimentos de alegrias semelhantes podemos e devemos experimentar nós também, nesta nossa caminhada da vida. Ele vai connosco. “Eu estou convosco até ao fim dos tempos”, nos garante o próprio Jesus.

Para O encontrarmos e sentirmos Sua presença amorosa, precisamos ouvir a Sagrada Escritura, visitá-lO e estar com Ele, realmente presente em todos os Sacrários da terra, como um Anjo nos veio, mais uma vez, lembrar, em Fátima. A Bíblia que nos dá acesso a tão consoladoras realidades é a carta que Deus Pai nos escreveu, revelando-nos o Seu Amor eterno e infinito. Com que carinho e mesmo santo entusiasmo a devemos ler e meditar!

 

2. A certeza e a grande alegria da ressurreição.

 

A Sagrada Escritura deste domingo, além de nos chamar a atenção para a importância da mesma Escritura, diz-nos por S. Pedro, na primeira Leitura, e ele di-lo com convicção, que Jesus foi morto, cravado na cruz, mas ressuscitou. Ele O viu, O tocou e chegou mesmo a comer com Ele depois de ter ressuscitado. Por esta Verdade deu a a própria vida, afirmando ainda que não podiam negar aquilo que viram com seus olhos e tocaram com as suas mãos. Ele, ressuscitado, vive para sempre. Agora é nosso companheiro de viagem. Que Ele aumente a nossa fé para O sentirmos sempre ao nosso lado.

Na segunda Leitura, o mesmo S. Pedro, diz-nos que fomos resgatados pelo Sangue preciosíssimo de Jesus, que ressuscitou dos mortos.

 

3. Aparição de Jesus ressuscitado.

 

Finalmente o Evangelho descreve-nos essa cena cheia de ternura da aparição de Jesus ressuscitado aos discípulos de Emaús, que seguiam tão tristes para suas casas.

Aqui é o próprio Jesus que lhes explica as Escrituras, fazendo-lhes ver que tudo aconteceu como estava previsto pelos Profetas.

Só O reconheceram ao partir do Pão. O mesmo deverá acontecer com cada um de nós. Ouvir, refletir a Sagrada Escritura para termos capacidade de O “ver” ao partir do Pão, isto é, na Santíssima Eucaristia.

Temos os testemunhos dos Apóstolos que deram a vida confirmando o que viram e anunciaram e tantos milagres eucarísticos, cientificamente confirmados que O mostram presente na Santíssima Eucaristia.

Que a nossa fé em Jesus ressuscitado cresça para nunca nos sentirmos sós, órfãos, nos caminhos da vida. Só assim teremos a possibilidade de vivermos a verdadeira vida no tempo que passa, vencermos todas as dificuldades e tentações, e termos a garantia de, na Sua  infinita misericórdia, podermos estar  com Ele no Céu, por toda a eternidade.

 

Fala o Santo Padre

 

«Palavra de Deus, Eucaristia. Recordai: ler todos os dias um trecho do Evangelho,

e aos domingos receber a Comunhão, receber Jesus.»

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

O Evangelho deste domingo, que é o terceiro de Páscoa, é o dos discípulos de Emaús (cf. Lc 24, 13-35). Eram dois discípulos de Jesus, os quais, depois da sua morte e passado o sábado, deixam Jerusalém e voltam, tristes e abatidos, para a aldeia chamada Emaús. Ao longo da estrada Jesus ressuscitado pôs-se ao seu lado, mas eles não o reconheceram. Vendo-os tão tristes, Ele inicialmente ajudou-os a compreender que a paixão e a morte do Messias estavam previstas no desígnio de Deus e prenunciadas nas Sagradas Escrituras; e assim reacendeu uma chama de esperança nos seus corações.

Então, os dois discípulos sentiram uma extraordinária atracção por aquele homem misterioso, e convidaram-no a permanecer com eles. Jesus aceitou e entrou na sua casa. E quando, à mesa, abençoou o pão e o partiu, eles reconheceram-no, mas Ele desapareceu diante dos seus olhos, deixando-os cheios de admiração. Depois de terem sido iluminados pela Palavra, reconheceram Jesus ressuscitado na fracção do pão, novo sinal da sua presença. E imediatamente sentiram a necessidade de voltar para Jerusalém, para referir aos outros discípulos a sua experiência, que se tinham encontrado com Jesus vivo e o tinham reconhecido naquele gesto da fracção do pão.

A estrada de Emaús tornou-se símbolo do nosso caminho de fé: as Escrituras e a Eucaristia são os elementos indispensáveis para o encontro com o Senhor. Também nós com frequência chegamos à Missa dominical com as nossas preocupações, dificuldades e desilusões... A vida às vezes fere-nos e voltamos tristes para a nossa «Emaús», voltando as costas ao desígnio de Deus. Afastamo-nos de Deus. Mas a Liturgia da Palavra acolhe-nos: Jesus explica-nos as Escrituras e reacende nos nossos corações o calor da fé e da esperança, e na Comunhão, dá-nos a força. Palavra de Deus, Eucaristia. Ler um trecho do Evangelho todos os dias. Recordai: ler todos os dias um trecho do Evangelho, e aos domingos receber a Comunhão, receber Jesus. Aconteceu assim com os discípulos de Emaús: acolheram a Palavra; partilharam a fracção do pão e de tristes e derrotados que se sentiam, tornaram-se alegres. Queridos irmãos e irmãs, a Palavra de Deus e a Eucaristia enchem-nos de alegria sempre. Recordai! Quando vos sentis tristes, tomai a Palavra de Deus. Quando vos sentis desanimados, tomai a Palavra de Deus e ide à Missa do domingo e comungai, participai do mistério de Jesus. Palavra de Deus, Eucaristia: enchem-nos de alegria.

Pela intercessão de Maria Santíssima, rezemos a fim de que cada cristão, revivendo a experiência dos discípulos de Emaús, especialmente na Missa dominical, redescubra a graça do encontro transformador com o Senhor, com o Senhor ressuscitado, que está sempre connosco. Há sempre uma Palavra de Deus que nos orienta depois das nossas debandadas; e apesar dos nossos cansaços e desilusões há sempre um Pão repartido que nos faz continuar o caminho.

Papa Francisco, Regina Coeli, Praça de São Pedro, 4 de Maio de 2014

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs,

oremos a Jesus ressuscitado

que caminha connosco nos caminhos da vida

 e peçamos que nos ilumine,

dizendo com alegria Cristo ressuscitado, ouvi-nos!

 

    R. Cristo ressuscitado, ouvi-nos!

 

 

1.     Para que os ministros e fieis da Santa Igreja

testemunhem sem desânimos que Jesus está vivo,

no meio de nós. oremos irmãos.

 

    R. Cristo ressuscitado, ouvi-nos!

 

2.     Para que Deus conceda a paz ao mundo inteiro,

sacie os que têm fome e sede de justiça

e se revele aos que ainda não O conhecem,

oremos, irmãos.

 

R. Cristo ressuscitado, ouvi-nos!

 

3.     Pelos jovens que fazem de Jesus o grande Amigo

e pelas crianças da Primeira Comunhão,

oremos, irmãos.

 

R. Cristo ressuscitado, ouvi-nos!

 

4.     Para que Deus enxugue as lágrimas dos que sofrem

dos doentes, dos moribundos e dos aflitos,

oremos, irmãos.

 

R. Cristo ressuscitado, ouvi-nos!

 

5.     Por todos nós reunidos nesta assembleia

para que convidemos sempre Jesus a ficar connosco,

oremos irmãos.

 

R. Cristo ressuscitado, ouvi-nos!

 

 

Senhor Jesus ressuscitado,

que nos resgatastes, não com ouro ou prata,

mas com o vosso próprio Sangue,

aquecei o nosso coração com a Vossa Palavra

e convidai-nos a comer à vossa mesa.

Vós que sois Deus com o Pai na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Cantai ao Senhor nosso Deus, M. Simões, NRMS 38

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, os dons da vossa Igreja em festa. Vós que lhe destes tão grande felicidade, fazei-a tomar parte na alegria eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio pascal: p. 469 [602-714] ou 470-473

 

Santo: A. Cartageno, NRMS 99-100

 

Monição da Paz

 

Jesus, Príncipe da Paz, quanta paz comunicou aos discípulos de Emaús! Ele quer que nós Seus filhos vivamos sempre em paz, que por isso nos perdoemos mutuamente. Com esse desejo, que Ele tanto aprecia, Saudai-vos na paz de Cristo.

 

Monição da Comunhão

 

Jesus, que pessoalmente, tanta alegria comunicou aos discípulos de Emaús, quer entrar em cada um de nós pela Sagrada Comunhão. Vamos recebê-LO com muita fé, amor e profunda gratidão.

 

Cântico da Comunhão: Os discípulos exultaram de alegria, J. Santos, NRMS 97

Lc 24, 35

Antífona da comunhão: Os discípulos reconheceram o Senhor Jesus ao partir o pão. Aleluia.

 

Cântico de acção de graças: Cantarei ao Senhor pelo bem, F. da Silva, NRMS 98

 

Oração depois da comunhão: Olhai com bondade, Senhor, para o vosso povo e fazei chegar à gloriosa ressurreição da carne aqueles que renovastes com os sacramentos de vida eterna. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Como os discípulos de Emaús, vamos anunciar com a nossa vida a alegria que sentimos com a certeza da presença de Jesus ressuscitado. Que todos O conheçam e vivam coerentes com esta fé. Com os desejos desta vivência e tão feliz anúncio, ide em paz e o Senhor vos acompanhe.

 

Cântico final: Rainha dos Céus alegrai-Vos, F. da Silva, NRMS 17

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Celebração, Homilia:           Alves Moreno

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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