2º Domingo da Páscoa

ou da divina misericórdia

23 de Abril de 2017

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Exultai de alegria, cantai hinos, F. Silva, NRMS 97

1 Pedro 2, 2

Antífona de entrada: Como crianças recém-nascidas, desejai o leite espiritual, que vos fará crescer e progredir no caminho da salvação. Aleluia.

 

Ou:

4 Es 2, 36-37

Exultai de alegria, cantai hinos de glória. Dai graças a Deus, que vos chamou ao reino eterno. Aleluia.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Para os homens da nossa época, convencidos de que não têm pecados, porque não admitem qualquer lei que os condicione e lhe mostre os limites da sua liberdade, não faz sentido falar de misericórdia de Deus.

Também não faz sentido apelar a que usem de misericórdia para os outros, aquele que perdeu o sentido do amor a Deus e aos irmãos. Ele falará só de justiça entendida ao seu modo, confundindo-a muitas vezes com crueldade.

E, no entanto, o Senhor acha que ela é tão necessária para os nossos dias, que inspirou à Igreja celebrar neste 2.º Domingo da Páscoa o Dia da Misericórdia.

 

Acto penitencial

 

Em que medida acolhemos a misericórdia de Deus, reconhecendo humildemente que somos pecadores?

Temos o costume de usar de misericórdia para com os outros, nos nossos juízos, palavras e actos, para alcançarmos também misericórdia?

 

(Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, elementos para o esquema C)

 

•   Senhor Jesus: o nosso orgulho esconde-nos os nossos pecados

    e convence-nos de que não precisamos de misericórdia de Deus.

    Senhor, tende piedade de nós!

 

    Senhor, tende piedade de nós!

 

•   Cristo: Somos insensíveis de coração e mesmo cruéis ao julgar,

    e não usamos de misericórdia para com os nossos irmãos na fé.

    Cristo, tende piedade de nós!

 

    Cristo, tende piedade de nós!

 

•   Senhor Jesus: Imploramos, muitas vezes, a Vossa misericórdia,

    porque nos afastamos do Vosso Amor, tal como o filho pródigo.

    Senhor, tende piedade de nós!

 

    Senhor, tende piedade de nós!

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração Colecta: Deus de eterna misericórdia, que reanimais a fé do vosso povo na celebração anual das festas pascais, aumentai em nós os dons da vossa graça, para compreendermos melhor as riquezas inesgotáveis do Baptismo com que fomos purificados, do Espírito em que fomos renovados e do Sangue com que fomos redimidos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: No texto do Livro dos Actos dos Apóstolos temos, na “fotografia” da comunidade cristã de Jerusalém, os traços da comunidade ideal: é uma comunidade fraterna, preocupada em conhecer Jesus e a sua mensagem de salvação, que se reúne para louvar o seu Senhor na oração e na Eucaristia, que vive na partilha, na doação e no serviço e que testemunha — com gestos concretos — a salvação que Jesus veio propor aos homens e ao mundo.

 

Actos 2, 42-47

42Os irmãos eram assíduos ao ensino dos Apóstolos, à comunhão fraterna, à fracção do pão e às orações. 43Perante os inumeráveis prodígios e milagres realizados pelos Apóstolos, toda a gente se enchia de temor. 44Todos os que haviam abraçado a fé viviam unidos e tinham tudo em comum. 45Vendiam propriedades e bens e distribuíam o dinheiro por todos, conforme as necessidades de cada um. 46Todos os dias frequentavam o templo, como se tivessem uma só alma, e partiam o pão em suas casas; tomavam o alimento com alegria e simplicidade de coração, 47louvando a Deus e gozando da simpatia de todo o povo. E o Senhor aumentava todos os dias o número dos que deviam salvar-se.

 

Esta é a primeira das três maiores «descrições sumárias» de Actos da primitiva comunidade cristã de Jerusalém. As outras duas mais desenvolvidas estão em Act 4, 32-35; e 5, 12-16. Nestas descrições focam-se três aspectos da vida dos primeiros cristãos de Jerusalém: a sua vida religiosa, o cuidado dos pobres e os prodígios realizados pelos Apóstolos, insistindo-se ora num, ora noutro aspecto; aqui insiste-se na vida religiosa. Os relatos sumários são breves resumos da vida da Igreja, que não se reduzem a estes três relatos maiores. Os críticos vêem nalguns deles uma descrição um tanto idealizada, pois é feito um juízo global a partir de casos concretos, como quando se diz que ninguém tinha nada seu (4, 42), ou que todos eram curados (5, 16), etc. A credibilidade do conteúdo destes sumários é no entanto confirmada pelo facto de que a clara visão idílica de alguns elementos não leva o autor a deformar a realidade, pois não esconde acontecimentos que podiam embaciar essa visão tão optimista (por ex., o caso de Ananias e de Safira, em Act 5, 1-11).

42 «O ensino dos Apóstolos». Os Apóstolos não se limitavam a pregar o primeiro anúncio (kérigma), em ordem à conversão inicial e ao Baptismo (cf. Act 2, 14-41); dedicavam-se também a uma instrução catequética dos que já tinham a fé.

«A comunhão fraterna», isto é, havia uma grande unidade de espíritos e de corações («um só coração e urna só alma» Act 4, 32); a tradução latina da Vulgata interpretou a expressão no sentido da comunhão eucarística («comunhão da fracção do pão»), uma vez que, de facto, este Sacramento é o fundamento da união de todos os cristãos entre si: 1 Cor 10, 17.

«Fracção do pão»: partir do pão era o nome primitivo dado à celebração da Eucaristia, um nome tirado do gesto de Jesus de partir o pão na Última Ceia. Com toda a probabilidade, temos aqui uma referência à celebração eucarística, designada desta maneira em 1 Cor 10, 16-17 e Act 20, 7.

44 «Tinham tudo em comum». Esta atitude extraordinariamente generosa ficou para sempre como um luminoso exemplo de como «compartilhar com os outros é uma atitude cristã fundamental… Os primeiros cristãos puseram em prática espontaneamente o princípio segundo o qual os bens deste mundo são destinados pelo Criador à satisfação das necessidades de todos sem excepção» (Paulo VI). Esta atitude cristã nada tem que ver com a colectivizarão de toda a propriedade privada imposta por um estado totalitário, pois aqui era respeitada a liberdade individual, podendo não se pôr tudo em comum, por isso em Actos se louva o gesto de Barnabé (Act 4, 36-37) e se censura a fraude de Ananias (Act 5, 4). Daqui se conclui que o «todos» do texto é uma generalização.

46 No princípio, os cristãos de Jerusalém continuavam a participar nos actos de culto judaico, acrescentando a essas práticas um novo rito que celebravam nas casas particulares: a Eucaristia, que, como é óbvio, não podiam celebrar no Templo. O original grego sugere mesmo que esta se celebrava, ora numa casa, ora noutra. Pode-se perguntar se a celebrariam diariamente. Não é certo, mas a sua celebração no «primeiro dia da semana» consta-nos de Act 20, 7.11; 1 Cor 16, 2; cf. Didaquê, 14, 1, dia que já na época apostólica se começa a chamar «dia do Senhor», isto é, Domingo (cf. Apoc 1, 10).

«Com alegria». S. Lucas sublinha frequentemente esta alegria dos primeiros cristãos: (Act 5, 41; 8, 8.39; 13, 48-52; 15, 3; 16, 34), bem como o tom de louvor que havia na sua vida de oração (v. 47; cf. 3, 8.9; 4, 21; 10, 46; 11, 18; 13, 48; 19, 17; 21, 20).

 

Salmo Responsorial        Sl 117 (118), 2-4.13-15.22-24 (R. 1)

 

Monição: Os israelitas costumavam cantar este salmo como acção de graças, depois de uma grande provação vencida.

Nós celebramos a grande prova da Paixão e Morte do Senhor, e vitória da Sua ressurreição.

 

Refrão:     Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom,

                porque é eterna a sua misericórdia.

 

Ou:           Aclamai o Senhor, porque Ele é bom:

                o seu amor é para sempre.

 

Ou:           Aleluia.

 

Diga a casa de Israel:

é eterna a sua misericórdia.

Diga a casa de Aarão:

é eterna a sua misericórdia.

Digam os que temem o Senhor:

é eterna a sua misericórdia.

 

Empurraram-me para cair,

mas o Senhor me amparou.

O Senhor é a minha fortaleza e a minha glória,

foi Ele o meu Salvador.

Gritos de júbilo e de vitória nas tendas dos justos:

a mão do Senhor fez prodígios.

 

A pedra que os construtores rejeitaram

tornou-se pedra angular.

Tudo isto veio do Senhor:

é admirável aos nossos olhos.

Este é o dia que o Senhor fez:

exultemos e cantemos de alegria.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. Pedro, na sua primeira carta à Igreja universal, recorda aos cristãos que a identificação de cada fiel com Jesus Cristo — nomeadamente com a sua entrega por amor ao Pai e aos homens — nos conduzirá à ressurreição.

É um chamamento a que procuremos viver com esperança (apesar das dificuldades, dos sofrimentos e da hostilidade do “mundo”), de olhos postos no Mestre que misericordiosamente nos conduz à salvação definitiva.

 

1 São Pedro 1, 3-9

3Bendito seja Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que, na sua grande misericórdia, nos fez renascer, pela ressurreição de Jesus Cristo de entre os mortos, 4para uma esperança viva, para uma herança que não se corrompe, nem se mancha, nem desaparece, reservada nos Céus para vós 5que pelo poder de Deus sois guardados, mediante a fé, para a salvação que se vai revelar nos últimos tempos. 6Isto vos enche de alegria, embora vos seja preciso ainda, por pouco tempo, passar por diversas provações, 7para que a prova a que é submetida a vossa fé – muito mais preciosa que o ouro perecível, que se prova pelo fogo – seja digna de louvor, glória e honra, quando Jesus Cristo Se manifestar. 8Sem O terdes visto, vós O amais; sem O ver ainda, acreditais n'Ele. E isto é para vós fonte de uma alegria inefável e gloriosa, 9porque conseguis o fim da vossa fé, a salvação das vossas almas.

 

Em todos os domingos pascais deste ano A vamos ter como 2ª leitura um trecho da 1ª Carta de Pedro. Estes vv. têm um certo aspecto de hino trinitário de sabor baptismal (v. 3): dão-se graças ao Pai (v. 3-5; cf. Ef 2, 4; Col 1, 12), pela obra salvadora do Filho (v. 6-9); a referência ao Espírito Santo é deixada fora da leitura de hoje (vv. 10-12).

3-4 «Nos fez renascer pela Ressurreição». A Ressurreição de Jesus, facto realmente sucedido «ao terceiro dia», tem uma dimensão existencial que nos afecta «hoje, agora»: pela união a Cristo ressuscitado, também nós ressuscitamos para uma vida nova (cf. Rom 6, 4-11), «renascemos para uma esperança viva» (cf. Jo 1, 13; 3, 5-7; Gal 6, 15; Tit 3, 5); é assim a esperança cristã, não uma mera utopia: o seu objecto material é a verdadeira vida, a vida eterna: «uma herança que não se corrompe... herança reservada nos Céus para vós» (vv. 3-4).

6 «Isto vos enche de alegria». A esperança na «herança» e «salvação» eternas é fonte de alegria no meio das «diversas provações» pelas que «é preciso passar». Isto não tem nada de alienante, uma vez que o objecto da esperança, o Céu, tem existência real e está ao nosso alcance: a certeza da esperança é firmíssima e não nos deixa confundidos, uma vez que Deus é «omnipotente, infinitamente misericordioso e fidelíssimo às suas promessas», havendo apenas a recear de nós próprios, que podemos vir a ser infiéis a Deus e a seu plano salvador. Esta esperança no Céu é algo que responsabiliza os cristãos mais fortemente do que os demais cidadãos, uma vez que eles sabem que não podem chegar ao Céu se não se preocupam pelo bem dos seus semelhantes, incluindo o que respeita ao bem-estar material (cf. Mt 25, 34-46).

«Sem O verdes ainda, acreditais n’Ele». É fácil descobrir nestas palavras uma alusão ao que, na Missa de hoje, Jesus diz a Tomé: «felizes os que acreditam sem terem visto».

A vida cristã, vida de ressuscitados com Cristo, é uma vida teologal, vida de fé, esperança e amor, a qual nos leva a estar «cheios de alegria inefável», já agora.

 

Aclamação ao Evangelho        Jo 20, 29

 

Monição: Na aparição aos Apóstolos no Cenáculo, Jesus Ressuscitado anima-nos a ter confiança nele e aceitarmos a mediação da Igreja na nossa fé.

Manifestemos a vontade de seguir estes ensinamentos, aclamando o Evangelho.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação – 4,F. Silva, NRMS 50-51

 

Disse o Senhor a Tomé:

«Porque Me viste, acreditaste;

felizes os que acreditam sem terem visto.

 

 

Evangelho

 

São João 20, 19-31

19Na tarde daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas da casa onde os discípulos se encontravam, com medo dos judeus, veio Jesus, colocou-Se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco». 20Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor. 21Jesus disse-lhes de novo: «A paz esteja convosco. Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós». 22Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo: 23àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes serão retidos». 24Tomé, um dos Doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando veio Jesus. 25Disseram-lhe os outros discípulos: «Vimos o Senhor». Mas ele respondeu-lhes: «Se não vir nas suas mãos o sinal dos cravos, se não meter o dedo no lugar dos cravos e a mão no seu lado, não acreditarei». 26Oito dias depois, estavam os discípulos outra vez em casa e Tomé com eles. Veio Jesus, estando as portas fechadas, apresentou-Se no meio deles e disse: «A paz esteja convosco». 27Depois disse a Tomé: «Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos; aproxima a tua mão e mete-a no meu lado; e não sejas incrédulo, mas crente». 28Tomé respondeu-Lhe: «Meu Senhor e meu Deus!» 29Disse-lhe Jesus: «Porque Me viste acreditaste: felizes os que acreditam sem terem visto». 30Muitos outros milagres fez Jesus na presença dos seus discípulos, que não estão escritos neste livro. 31Estes, porém, foram escritos para acreditardes que Jesus é o Messias, o Filho de Deus, e para que, acreditando, tenhais a vida em seu nome.

 

Neste breve relato pode ver-se como Jesus cumpriu a suas promessas que constam dos discursos de despedida: voltarei a vós (14, 18) – pôs-se no meio deles (v. 19); um pouco mais e ver-Me-eis (16, 16) – encheram-se de alegria por verem o Senhor (v. 20); Eu vos enviarei o Paráclito (16, 7) – recebei o Espírito Santo (v. 22); ver também Jo 14, 12 e 20, 17.

19 «A paz esteja convosco!» Não se trata de uma mera saudação, a mais corrente entre os Judeus, mesmo ainda hoje. A insistência joanina nestas palavras do Senhor ressuscitado (vv. 19.21.26) – que, embora habituais, nunca são registadas nos Evangelhos! – é grandemente expressiva. De facto, com a sua Morte e Ressurreição Jesus acabava de nos garantir a paz, a paz com Deus, origem e alicerce de toda a verdadeira paz (cf. Jo 14, 27; Rom 5, 1; Ef 2, 14; Col 1, 20).

20 O mostrar das mãos e do peito acentua a continuidade entre o Jesus crucificado e o Senhor glorioso (cf. Hebr 2, 18); a sua presença, que transcende a dimensão espácio-temporal (cf. vv. 19.26), é uma realidade que os enche de paz (vv. 19.21.26; cf. Jo 14, 27; 16, 33; Rom 5, 1; Col 1, 20) e de alegria (v. 20; cf. Jo 15, 11; 16, 20-24; 17, 13). «Ficaram cheios de alegria» é uma observação que confere ao relato uma grande credibilidade; com efeito, naqueles discípulos espavoridos (v. 19), desiludidos e estonteados, surge uma vivíssima reacção de alegria, ao verem o Senhor; ao contrário do que era de esperar, não se verifica aqui o esquema habitual das visões divinas, as teofanias do A. T., em que sempre há uma reacção de temor e de perturbação. A grande alegria dos Apóstolos procede da certeza da vitória de Jesus sobre a morte e também de verem como Jesus reatava com eles a intimidade anterior, sem recriminar a fraqueza da sua fé e a vergonha da sua deslealdade.

22 «Soprou sobre eles… Recebei o Espírito Santo». Este soprar de Jesus não é ainda «o vento impetuoso» do dia de Pentecostes; é um sinal visível do dom invisível do Espírito (em grego é a mesma palavra que também significa sopro). Esta efusão do Espírito Santo não aparece como a mesma que se dá 50 dias depois, na festa do Pentecostes. Aqui, tem por efeito conferir-lhes o poder de perdoar os pecados, poder dado só aos Apóstolos (e seus sucessores no sacerdócio da Nova Aliança), ao passo que no dia do Pentecostes é dado o Espírito Santo também a outros discípulos reunidos com Maria no Cenáculo, iluminando-os e fortalecendo-os com carismas extraordinários em ordem ao cumprimento da missão de que já estavam incumbidos.

23 «A quem perdoardes os pecados…»: não se trata de um mero preceito da pregação do perdão dos pecados que Deus concede a quem confia nesse perdão (interpretação protestante); é uma das poucas passagens da Escritura cujo sentido foi solenemente definido como verdade de fé: estas palavras «devem entender-se do poder de perdoar e reter os pecados no Sacramento da Penitência» (DzS 913); o mesmo Concílio de Trento também se baseia nestas palavras para falar da necessidade de confessar todos os pecados graves depois do Baptismo, uma doutrina que tem vindo a ser reafirmada pelo Magistério: «a doutrina do Concílio de Trento deve ser firmemente mantida e aplicada fielmente na prática»; por isso, os fiéis que, em perigo de morte ou em caso de grave necessidade, tenham recebido legitimamente a absolvição comunitária ou colectiva de pecados graves ficam com a grave obrigação de os confessar dentro de um ano (Normas Pastorais da Congregação para a Doutrina da Fé, 16-VI-1972); cf. Motu proprio de João Paulo II Misericordia Dei (7.4.2002) e Código D. C., nº 960.

«Ser-lhes-ão perdoados»: esta expressão é muito forte, pois temos aqui o chamado passivum divinum, isto é, o uso judaico da voz passiva para evitar pronunciar o nome inefável de Deus; sendo assim, a expressão corresponde a «Deus lhes perdoará», e «serão retidos» equivale a «serão retidos por Deus», isto é, Deus não perdoará.

24 «Tomé», nome aramaico Tomá significa «gémeo»; em grego, dídymos.

29 «Felizes os que acreditam sem terem visto». Para a generalidade dos fiéis, a fé (dom de Deus) não tem mais apoio humano verificável do que o testemunho grandemente crível da pregação apostólica e da Igreja através dos séculos (cf. Jo 17, 20). Para crer não precisamos de milagres, basta a graça, que Deus nunca nega a quem busca a verdade com humildade e sinceridade de coração. O facto de as coisas da fé não serem evidentes, nem uma mera descoberta da razão, só confere mérito à atitude do crente, que crê porque Deus, que revela, não se engana nem pode enganar-nos. Por isso, Jesus proclama-nos «felizes», ao submetermos o nosso pensamento e a nossa vontade a Deus na entrega que o acto de fé implica. Tanto Tomé, naquela ocasião, como nós, agora, temos garantias de credibilidade suficientes para aceitar a Boa Nova de Jesus: as nossas escusas para não crer são escusas culpáveis, escusas de mau pagador. Também as estrelas não deixam de existir pelo facto de os cegos não as verem.

30-31 Temos aqui a primeira conclusão do Evangelho de S. João que nos deixa ver o objectivo que o Evangelista se propôs. Este Evangelho foi escrito para crermos que «Jesus é o Messias, o Filho de Deus». Note-se que a fé não é uma mera disposição interior de busca ou caminhada sem uma base doutrinal, um conteúdo de ensino (cf. Rom 6, 17), pois exige que se aceitem «verdades» como esta, a saber, que Jesus é o Filho de Deus, e Filho, não num sentido genérico, humano ou messiânico, mas o «Filho Unigénito que está no seio do Pai» (Jo 1, 18), verdadeiro Deus, segundo a confissão de S. Tomé: «Meu Senhor e meu Deus» (v. 28; cf. Jo 1, 1; Rom 9, 5). Há quem veja o Evangelho segundo S. João contido dentro de uma grande inclusão, que põe em evidência a divindade de Cristo: Jo 1, 1 (O Verbo era Deus) e Jo 20, 28 (meu Senhor e meu Deus), tendo como centro e clímax a afirmação de Jesus: Eu e o Pai somos Um (10, 30).

 

Sugestões para a homilia

 

• Uma Igreja fiel ao Senhor

Na assiduidade à pregação

Na participação na Eucaristia

Na união fraterna e na oração

• Igreja que proclama a misericórdia

Pela verdadeira paz

Pelo perdão dos pecados

Pelo dom da fé

 

1. Uma Igreja fiel ao Senhor

 

A Liturgia desta Domingo convida-nos a recordar a Igreja primitiva e a fazermos uma verdadeira refontalização.

Na verdade, a Igreja vislumbrada nos Actos do Apóstolos é constituída pelos cristãos que ouviram a pregação de Jesus, testemunharam os Seus milagres e procuraram viver os Seus ensinamentos. Todas as manifestações desta Igreja proclamam a comunhão da mesma Igreja vivida por todos os cristãos.

 

a) Na assiduidade à pregação. «Os irmãos eram assíduos ao ensino dos Apóstolos

Não houve propriamente uma interrupção do que faziam no tempo da vida pública de Jesus. Do mesmo modo que acorriam a ouvir as pregações do Mestre, vinham agora acolher a Palavra de Deus que os Apóstolos lhes anunciavam.

O cristianismo não é uma ciência ou uma teoria que se aprende. A ser assim, passariam a cada cristão um diploma de frequência e aproveitamento, como se faz nas escolas dos homens. A Palavra de Deus é viva e eficaz, e traz de cada vez um fruto apropriado. A mesma Palavra que nos anima a caminhar, dá-nos força para o fazermos.

O ritmo da Palavra de Deus acolhida pelo nosso coração é o da semente lançada à terra: semear, germinar, crescer e ser colhida, dar frutos de boas obras. A abundância de fruto depende da terra que a acolhe, como nos ensina Jesus na Parábola do Semeador.

Pode um médico saber muito de medicina e malbaratar a saúde, sem deixar de ser um bom médico; mas não se pode ser bom cristão, quando não se procura viver o que se aprende ou se prega.

O Espírito Santo infundiu estas verdades na mente dos primeiros cristãos; por isso, eles compreenderam que não podiam deixar de comparecer aos ensinamentos dos Apóstolos.

A Palavra de Deus — o ensino da Igreja — desempenha, na vida sobrenatural o que é a luz ara a vida natural: mesmo que a planta esteja bem adubada, se não estiver bem exposta à luz, não se desenvolve.

De algum modo, a doutrina é como a roupa que vestimos. O lindo fato da Primeira Comunhão, sem deixar de ser lindo, não nos serve nesta idade que temos. As verdades que aprendemos na catequese não bastam agora para dar solução aos problemas de adultos que temos.

 

b) Na participação na Eucaristia. «à fracção do pão e às orações

Esta expressão significava, na Igreja primitiva, a celebração da Santíssima Eucaristia. Recordava o gesto de Jesus na Última Ceia: depois de ter tomado em Suas santas e veneráveis mãos o pão sem fermento que era servido nos Ázimos, partiu-o e deu-o aos Seus discípulos.

Desde os primeiros passos da Igreja, guardam duas lembranças principais do Mestre: a celebração da Eucaristia e a instituição do Domingo como Páscoa semanal.

A Eucaristia é a renovação do mistério pascal de Cristo. Ele antecipou misteriosamente o Sacrifício da Cruz, no Calvário, na tarde de Sexta Feira Santa, para a noite de Quinta feira, no Cenáculo, instituindo nessa ocasião a Santíssima Eucaristia e o Sacerdócio ministerial, para lhe dar continuidade.

Cristo foi imolado à mesma hora em que Templo se imolavam os cordeiros para a Ceia Pascal, porque Ele é o Cordeiro — a Vítima divina — do único Sacrifício da Nova Aliança aceite pelo Pai.

Os primeiros cristãos, iluminados pelo Espírito Santo, compreendiam que é toda a Igreja — militante, padecente e triunfante — que celebram cada Missa, desempenhando-se cada um do papel que lhe compete, porque estão unidos à Cabeça do Corpo Místico que é Jesus.

Em cada Missa, Jesus torna-Se presente na Palavra e na Santíssima Eucaristia e faz-Se visível pelo sacerdote ministerial.

Por isso, a Santa Missa é o acontecimento mais importante da vida do cristão. Está nesses momentos em comunhão — como nunca — com a Santíssima Trindade, Nossa Senhora, os Anjos e bem aventurados do Céu, as almas do purgatório e a Igreja que ainda milita na terra.

Para nela participar como deve ser, não basta estar presente. É indispensável acompanhar com a inteligência, a vontade e o coração o que se passa sobre o altar, à imitação de Nossa Senhora, de João Evangelista, das Santas Mulheres, Nicodemos e José de Arimateia que estavam no Calvário, na tarde de Sexta feira Santa.

O valor de um cristão mede-se pelo seu amor à Missa; e o amor, pelos sacrifícios que ele está disposto a fazer para nunca estar ausente dela.

 

c) Na união fraterna e na oração. «à comunhão fraterna, [...] e às orações

A amizade profunda com que viviam chamou poderosamente a atenção dos seus contemporâneos, que exclamavam, admirados: “Vede como eles se amam!”

Esta unidade da Igreja era sustentada e exprimia-se pela participação na mesma Eucaristia, pela oração em comum, rezando todos ao mesmo Senhor, e pela fé que alimentavam na sua filiação divina.

Deus quer que vivamos já na terra o que nos aguarda no Céu: uma comunhão eternamente feliz com a Santíssima Trindade, com Nossa Senhora, os Anjos e todos os bem-aventurados. Vivemos uma comunhão: na Verdade, pela fé, na mesma filiação divina, e no mesmo amor pela caridade.

O ódio, a ambição e as divisões são promovidos pelo demónio e transformam o mundo numa antecâmara do inferno.

A caridade é também o rosto da nossa misericórdia uns para com os outros.

Sabemos perfeitamente que não vivemos com santos, mas com pessoas cheias de limitações. Se não fizermos um esforço para superar tudo isto, pelo exercício da misericórdia, nuca seremos felizes na terra.

É preciso retirar do nosso caminho todas as faltas de amor e indiferença para com os outros:

• A soberba, que nos levar a julgarmo-nos superiores aos demais e a melindrar-nos quando eles não reconhecem esta falsa superioridade.

• As críticas e murmurações que magoam os outros e rompem a caridade, empurrando-nos para uma vida de tibieza.

• A indiferença cruel, que nos leva a proceder como se fôssemos desconhecidos.
Somos filhos de Deus e irmãos uns dos outros que vamos a caminho do Céu, não em competição — onde, se ganha um, o outro não pode ganhar — mas em cooperação fraterna.

 

2. Igreja que proclama a misericórdia

 

O Magistério da Igreja chama a nossa atenção para verdades da fé que têm uma especial actualidade num momento concreto da história.

Ao homem cruel, assustado com os seus crimes, consciente de que merece a rejeição de Deus, o Senhor recorda o Seu atributo proclamado por Jesus no Evangelho: a divina misericórdia.

 

a) Pela verdadeira paz. «Na tarde daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas da casa onde os discípulos se encontravam, com medo dos judeus, veio Jesus, colocou-Se no meio deles e disse lhes: “A paz esteja convosco”.»

Na Sua vida pública, Jesus ensinou-nos o que a misericórdia: nas três Parábolas de S, Lucas: a ovelha tresmalhada, a dracma perdida e o filho pródigo (Lc 15, 1 e s); proclamou bem aventurados os que usam de misericórdia, porque alcançarão misericórdia.

Usa de misericórdia para com os Onze, depois a Ressurreição: Pedro e Tomé; os dois de Emaús.

A misericórdia é o amor gratuito que nunca se cansa de amar; que não espera pela gratidão para continuar a amar, a quem nenhuma ofensa desarma no seu amor: o pastor que procura a ovelha tresmalhada e a recolhe com todo o carinho; o pai do filho pródigo que recebe o filho desgraçado de braços abertos.

A misericórdia tem como primeiro fruto a paz de quem a recebe. Os Apóstolos estão cheios de medo da vingança dos judeus, tristes por tudo o que se passou na sexta feira santa; tristes e envergonhados pelo modo como se portaram para com o Mestre. Não têm paz.

Jesus apressa-Se a dar-lhes a verdadeira paz. Não esperam que eles O procurem e Lhe peçam perdão, mas vai procurá-los e oferece-lhes a Sua amizade. Ao dizer-lhes “a paz esteja convosco”, é como se dissesse: “Não vos preocupeis! Eu perdoo-vos tudo e vamos recomeçar o caminho!”

Também o sacerdote, depois de dar a absolvição, despede o penitente com estas palavras: “Vai em paz!”. É como se dissesse: “Leva contigo a paz que acabas de receber, pelo perdão dos pecados!”

 

b) Pelo perdão dos pecados. «“Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós”. Dito isto, soprou sobre eles e disse lhes: “Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes serão retidos”.»

Nunca agradeceremos suficientemente ao Senhor o ter deixado o Sacramento da Reconciliação e Penitência. Instituiu-o no Cenáculo, ao fim da tarde do Domingo da Ressurreição. É verdadeiramente o Sacramento da misericórdia de Deus. Sem olhar ao número e gravidade dos pecados, às recaídas, perdoa-nos incondicionalmente.

Na justiça dos homens, a reincidência agrava a pena. Na de Deus, não. Quando disse a Pedro que é preciso perdoar setenta vezes sete, quer dizer sempre, porque é assim que Ele perdoa.

Uma vez perdoados os pecados, ficam destruídos totalmente. Não reaparecem, se houver uma nova infidelidade. Temos a certeza que nos dá a fé de que os nossos pecados, sejam quais forem, uma vez perdoados já não existem.

A transformação do mundo — de triste em alegre; de injusto e imoral em justo e santo, passa pelo sacramento da Confissão.

É preciso ensinar as pessoas a confessar-se e levá-las ao Sacramento da Confissão.

Naaman, no tempo do profeta Eliseu, contraiu a lera e veio da Síria a Israel, com cartas de recomendação do rei, para que o curasse. Eliseu deu-lhe uma receita simples: banhar-se sete vezes no Jordão. Depois de ter reagido com soberba contra esta indicação, acabou por ceder ao bom senso, fazendo como o profeta lhe mandara. Voltou a casa curado.

As graças que o Senhor nos quer dar por este Sacramento, não no-las dará por outro modo.

Sendo um dos sacramentos — alimento da vida sobrenatural — temos necessidade de o receber muitas vezes. O Papa dá o exemplo.

 

c) Pelo dom da fé. «Depois disse a Tomé: “[...] não sejas incrédulo, mas crente”. Tomé respondeu Lhe: “Meu Senhor e meu Deus!” Disse lhe Jesus: “Porque Me viste acreditaste: felizes os que acreditam sem terem visto”.»

Jesus dirige-Se misericordiosamente a Tomé, para o reconduzir à fé da mesma Igreja.

O que censura nele não é a prudência em averiguar cuidadosamente a verdade da Ressurreição, mas a recusa da mediação da Igreja, ali presente pelos restantes Apóstolos que lhe testemunham a ressurreição de Jesus.

Acautela-nos a todos contra a tentação de querer ver, compreender, tocar com as mãos o milagre, para acreditar. Quem vê ou compreende não precisa da fé. Acreditar é confiar, fiar-se de Deus.

Não digo, acredito porque vejo, mas porque Deus disse e eu confio na sua Suma Veracidade — não pode enganar-nos — e Sabedoria infinita — não Se pode enganar.

A grande tentação dos nossos dias é substituir fé pelo sentimento. As pessoas dizem: “Gostei!” “Disse-me muito” E também: “Não gostei!” “A Missa não me diz nada.”

Todos os Domingos temos um encontro com Jesus Ressuscitado. O Domingo é a Páscoa semanal e na Santa Missa alimenta-se a nossa fé.

Ele encontra-Se connosco, como com os Apóstolos e primeiros discípulos no cenáculo e Jerusalém. Fala-nos, confirmando-nos na fé que recebemos no Baptismo e celebra uma refeição connosco, pela Sagrada Comunhão, se estivermos preparados para participar nela.

Encontramos às vezes dois erros: o dos que pensam que, não podendo comungar, não vale a pena ir à Missa; e a dos que pensam que o estar presente na Missa dá o direito de comungar.

Devemos preparar convenientemente o nosso Domingo, com uma reconciliação, se acharmos conveniente, para podermos participar plenamente na nossa Missa.

Connosco está Nossa Senhora — a Mãe de Misericórdia — que nos anima a levarmos uma vida cheia de generosidade.

 

Fala o Santo Padre

 

«Aquelas chagas são o sinal permanente de que Deus é amor, misericórdia, fidelidade. »

No centro deste domingo, que encerra a Oitava de Páscoa e que São João Paulo II quis dedicar à Misericórdia Divina, encontramos as chagas gloriosas de Jesus ressuscitado.

Já as mostrara quando apareceu pela primeira vez aos Apóstolos, ao anoitecer do dia depois do sábado, o dia da Ressurreição. Mas, naquela noite – como ouvimos –, Tomé não estava; e quando os outros lhe disseram que tinham visto o Senhor, respondeu que, se não visse e tocasse aquelas feridas, não acreditaria. Oito dias depois, Jesus apareceu de novo no meio dos discípulos, no Cenáculo, encontrando-se presente também Tomé; dirigindo-Se a ele, convidou-o a tocar as suas chagas. E então aquele homem sincero, aquele homem habituado a verificar tudo pessoalmente, ajoelhou-se diante de Jesus e disse: «Meu Senhor e meu Deus!» (Jo 20, 28).

Se as chagas de Jesus podem ser de escândalo para a fé, são também a verificação da fé. Por isso, no corpo de Cristo ressuscitado, as chagas não desaparecem, continuam, porque aquelas chagas são o sinal permanente do amor de Deus por nós, sendo indispensáveis para crer em Deus: não para crer que Deus existe, mas sim que Deus é amor, misericórdia, fidelidade. Citando Isaías, São Pedro escreve aos cristãos: «pelas suas chagas, fostes curados» (1 Ped 2, 24; cf. Is 53, 5).

São João XXIII e São João Paulo II tiveram a coragem de contemplar as feridas de Jesus, tocar as suas mãos chagadas e o seu lado trespassado. Não tiveram vergonha da carne de Cristo, não se escandalizaram d’Ele, da sua cruz; não tiveram vergonha da carne do irmão (cf. Is 58, 7), porque em cada pessoa atribulada viam Jesus. Foram dois homens corajosos, cheios da parresia do Espírito Santo, e deram testemunho da bondade de Deus, da sua misericórdia, à Igreja e ao mundo. [...]

Papa Francisco, Homilia na Canonização dos Beatos João XXII e João Paulo II, Praça de São Pedro, 27 de Abril de 2014

 

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

Acolhamo-nos com toda a confiança

à misericórdia infinita do nosso Deus

e entreguemos-Lhe as necessidades

as preocupações e os bons desejos

de todas as pessoas de boa vontade.

Oremos (cantando):

 

Dai-nos, Senhor, a Vossa misericórdia!

 

1.Pelo Santo Padre, Bom Pastor de toda a Igreja,

para que nos ensine os caminhos da misericórdia,

oremos, irmãos.

 

Dai-nos, Senhor, a Vossa misericórdia!

 

2. Pelos Bispos, Presbíteros e Diáconos da Igreja,

para que anunciem a todos a misericórdia do Pai,

oremos, irmãos.

 

Dai-nos, Senhor, a Vossa misericórdia!

 

3. Por todos que sentem dificuldade em perdoar,

para que imitem o exemplo de Jesus no Calvário,

oremos, irmãos.

 

Dai-nos, Senhor, a Vossa misericórdia!

 

4. Para que o Senhor nos conceda a graça de ver

no irmão Jesus que deseja ser amado por nós,

oremos, irmãos.

 

Dai-nos, Senhor, a Vossa misericórdia!

 

5. Pelos que são obreiros da paz e reconciliação,

para que Deus os recompense deste apostolado,

oremos, irmãos.

 

Dai-nos, Senhor, a Vossa misericórdia!

 

6. Pelos nossos irmãos que estão a ser purificados,

para que pela misericórdia de Deus entrem no Céu,

oremos, irmãos.

 

Dai-nos, Senhor, a Vossa misericórdia!

 

Senhor, que sois compassivo e misericordioso

com os nossos pecados e fragilidades de cada dia:

lançai sobre nós a Vossa infinita misericórdia,

para que um dia sejamos recebidos por Vós no Céu.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

Na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

Movido pela Sua infinita misericórdia, o Senhor encheu-nos e luz com a Sua Palavra e vai preparar agora, pelo ministério do sacerdote, o manjar do Seu Corpo e Sangue para nosso alimento.

O pão e o vinho que levámos ao altar será transubstanciado no Seu Corpo e Sangue para ser recebido por todos aqueles que estão em condições de O poder comungar.

 

Cântico do ofertório: Bendita e louvada seja, M. Simões, NRMS 41

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai benignamente, Senhor, as ofertas do vosso povo [e dos vossos novos filhos], de modo que, renovados pela profissão da fé e pelo Baptismo, mereçamos alcançar a bem-aventurança eterna. Por Nosso Senhor.

 

Prefácio pascal I [mas com maior solenidade neste dia]: p. 469 [602-714]

 

No Cânone Romano dizem-se o Communicantes (Em comunhão com toda a Igreja) e o Hanc igitur (Aceitai benignamente, Senhor) próprios. Nas Orações Eucarísticas II e III fazem-se também as comemorações próprias.

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Saudação da Paz

 

Sem usarmos de misericórdia uns para com os outros, não é possível haver paz, porque todos possuímos arestas a limar.

Se queremos, pois, que Deus seja misericordioso para connosco, comecemos nós mesmos por usar de misericórdia para com os outros.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

Avivemos a nossa fé, antes de nos aproximarmos da Sagrada Comunhão, para recebermos o Senhor sacramentalmente.

É preciso o estado de graça, adquirido por uma boa confissão; acreditar firmemente que Jesus, verdadeiro Corpo, Sangue, Alma e Divindade está na Santíssima Eucaristia; e recebê-lo com profundo amor e reverência.

 

Cântico da Comunhão: Porque me vês, acreditas, Az. Oliveira, NRMS 97

cf. Jo 20, 27

Antífona da comunhão: Disse Jesus a Tomé: Com a tua mão reconhece o lugar dos cravos. Não sejas incrédulo, mas fiel. Aleluia.

 

Cântico de acção de graças: Cantai comigo, H. Faria, NRMS 2 (II)

 

Oração depois da comunhão: Concedei, Deus todo-poderoso, que a força do sacramento pascal que recebemos permaneça sempre em nossas almas. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Deus quer que usemos de misericórdia uns para com os outros, perdoando generosamente as ofensas e ajudando-nos como irmãos no caminho do Céu. Vivamos esta recomendação do Senhor ao longo da semana.

 

Cântico final: Cristo ressuscitou vencedor, M. Carneiro, NRMS 97

 

 

Homilias Feriais

 

TEMPO PASCAL

 

2ª SEMANA

 

2ª Feira, 24-IV: Novo nascimento, novas conversões.

Act 4, 23-31 / Jo 3, 1-8

Disse Jesus a Nicodemos: Não te admires de eu te ter dito: Vós tendes de nascer de novo.

Jesus fala de um novo nascimento: pela água e pelo Espírito Santo (Ev.). Com efeito, o baptizado recebe um nova vida -a vida sobrenatural-, é filho adoptivo de Deus, participa da sua natureza divina pela graça, passa a ser templo do Espírito Santo.

Esta vida nova, com o decorrer do tempo, exige pequenas conversões, que se podem levar a cabo com a oração: «depois de eles terem rezado todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a pregar com desassombro a palavra de Deus» (Leit.). A oração ajuda a ver os acontecimentos e as pessoas como as vê Deus, que nos concede as luzes convenientes.

 

3ª Feira, 25-IV: S. Marcos: Escutar e pôr em prática a Boa Nova.

1 Ped, 5, 5-14 / Mc 16, 15-20

Jesus apareceu aos Onze Apóstolos e disse-lhes: Ide a todo o mundo e proclamai a Boa Nova.

S. Marcos acompanhou S. Paulo na sua 1ª viagem apostólica e esteve junto dele em Roma. Foi também discípulo de S. Pedro (Leit.), e escreveu o seu Evangelho com base nos ensinamentos deste Apóstolo.

O Senhor confiou a S. Marcos, de um modo especial, a proclamação da Boa Nova (Ev.). Nós precisamos primeiro escutar a palavra de Deus, pois crer em Cristo é escutar a sua palavra e a pô-la em prática. E docilidade ao Espírito Santo, que nos lembra o que Jesus disse. E finalmente é preciso comunicá-la aos outros com toda a fidelidade.

 

4ª Feira, 26-IV: A Palavra da vida.

Act 5, 17-26 / Jo 3, 16-21

Deus amou de tal modo o mundo que entregou o seu Filho único, para que todo o homem que acredita nEle não se perca.

O Filho de Deus incarnou, entre outras coisas,  para que nos recordássemos do amor que Deus tem por cada um de nós (Ev.).

Por este motivo, Deus não permite que se perca um só dos seus ensinamentos. É preciso anunciar a todos as palavras de vida, ensinadas por Cristo, como disse o Anjo aos Apóstolos (Leit.). «Que a Bíblia Sagrada continue a ser um tesouro para a Igreja e para todo o cristão: no estudo cuidadoso da palavra encontraremos alimento e força para realizar quotidianamente a nossa missão» (João Paulo II).

 

5ª Feira, 27-IV: A secularização da cultura.

Act 5, 27-33 / Jo 3, 31-36

O sumo sacerdote: Já vos demos a ordem formal de não ensinar em nome de Jesus. E vós enchestes Jerusalém da nova doutrina.

Também nos nossos tempos a cultura secularizada pretende impor-nos o mesmo silêncio. Quer impor uma ordem temporal sem Deus, que é o seu fundamento. E, assim, cai nos maiores ataques à dignidade humana: o aborto, a eutanásia, o acasalamento de pessoas do mesmo sexo, etc.

A nossa reacção há-de ser como a dos Apóstolos: «Deve obedecer-se antes a Deus do que aos homens» (Leit.) . Não podemos prescindir da nossa fé em todas as circunstâncias: no mundo do trabalho, da família, da educação. Todas as actividades têm que ver com Deus.

 

6ª Feira, 28-IV: Alimentação saudável.

Act 5, 34-42 / Jo 6, 1-15

Então Jesus tomou os pães e distribui-os aos convivas. E fez o mesmo com os peixes.

Jesus ajuda os homens a matar a fome (Ev.), mas a sua missão fundamental  é a libertação do pecado e o fornecimento dos alimentos adequados para a alma. Quando rezamos o Pai-nosso pedimos «o pão nosso de cada dia nos dai hoje». E referimo-nos às necessidades materiais e também ao Pão eucarístico.

É bom que o nosso corpo esteja saudável, mas o melhor é que a alma esteja de boa saúde espiritual. Assim se compreende que os Apóstolos se tivessem alegrado por terem sido açoitados por causa do nome de Jesus (Leit.), pois cumpriam a vontade de Deus.

 

Sábado, 29-IV: Sta Catarina de Sena: A Europa precisa da luz de Cristo.

1 Jo 1, 5-2,2 / Mt 11, 25-30

Se dissermos que estamos em comunhão com Ele e andamos nas trevas, mentimos e não procedemos segundo a verdade.

Sta Catarina de Sena (século XVI), Doutora da Igreja, teve uma grande influência na unidade da Igreja e na paz e concórdia entre os países e cidades da Europa. É sua Padroeira.

Em muito aspectos, a cultura europeia anda nas trevas (Leit.), e precisa da luz de Cristo e de cada um dos cristãos, para que ilumine os seus caminhos. Santa Catarina, apesar da sua pouca instrução, escreveu abundantes cartas às autoridades civis e eclesiásticas para voltarem ao bom caminho. Nela se verificaram as palavras de Cristo: «porque escondeste estas verdades aos sábios e as revelaste aos pequeninos» (Ev.)

 

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Fernando Silva

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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