aCONTECIMENTOS eclesiais

DO MUNDO

 

 

CUBA

 

FALECEU FIDEL DE CASTRO

 

Na noite de 25 de Novembro do ano passado, faleceu Fidel Castro, que governou o país durante décadas e se encontrou com São João Paulo II, o Papa emérito Bento XVI e o Papa Francisco.

 

Fidel Castro tinha 90 anos e abandonou o poder há 10 anos, por problemas de saúde, depois de ter estado 47 anos à frente do regime socialista.

Fidel Castro encontrou-se com o Papa Francisco em 2015, com o Papa emérito Bento XVI em 2012 e em 1998 com São João Paulo II.

Em 2015, durante a visita do Papa Francisco a Cuba, os dois líderes encontraram-se de forma privada, num encontro "muito familiar, muito informal, de mais ou menos meia hora, 40 minutos”, assinalou na altura, o director da sala de imprensa da Santa Sé, acrescentando que Francisco foi recebido pela esposa de Fidel Castro, juntamente com filhos e netos.

Nesse ano celebrou-se o 80.º aniversário do estabelecimento das relações diplomáticas entre a República de Cuba e a Santa Sé, que nunca foram interrompidas, reforçadas pelas viagens ao país de São João Paulo II (1998) e Bento XVI (2012).

O Papa emérito Bento XVI encontrou-se com Fidel Castro à porta fechada, a 28 de Março de 2012 na Nunciatura Apostólica em Havana, durante cerca de meia hora.

Em conferência de imprensa, o porta-voz do Vaticano referiu na ocasião que a reunião foi “muito cordial” e abordou questões da actualidade mundial, temas de ciência, cultura e ecologia.

São João Paulo II esteve com Fidel Castro no dia 22 de Janeiro de 1998, no Palácio de La Revolución, durante a visita pastoral que fez à ilha caribenha entre 21 e 26 desse mês, marcada pelo apelo “que Cuba se abra ao mundo e o mundo se abra a Cuba”.

 

 

LAOS

 

PRIMEIRAS BEATIFICAÇÕES

 

Momento histórico para a Igreja no Laos. No domingo, 11 de Dezembro passado, foram beatificados 17 mártires, em solene celebração realizada na Catedral da capital.

 

Trata-se de um grupo formado por missionários estrangeiros e catequistas locais, assassinados entre 1954 e 1970, por guerrilheiros comunistas Pathet Lao, que tomaram o poder na pequena nação no sudeste asiático.

Cinco dos novos Beatos pertencem à Congregação das Missões Exteriores de Paris (MEP), os primeiros missionários que em 1885 levaram o Evangelho ao Laos; seis são Oblatos de Maria Imaculada, entre os quais o jovem missionário italiano Mario Borgaza, desaparecido em 1960, aos 27 anos, junto ao catequista local Paolo Thoj Xyooj.

Entre os laosianos proclamados Beatos figura também o Padre  Joseph Thao Tien, o primeiro sacerdote laosiano, assassinado em 1954, e outros quatro catequistas indígenas.

Os novos mártires foram reconhecidos pela Santa Sé em 2015, em duas distintas causas de beatificação: a primeira é a do missionário italiano Mario Borgaza e de Paolo Thoj Xyool. A segunda diz respeito a Thao Tien e 14 companheiros.

O Papa recordou os novos Beatos no Angelus desse domingo, 11 de Dezembro, fazendo votos de que “a sua heróica fidelidade a Cristo possa ser de encorajamento e de exemplo aos missionários e especialmente aos catequistas, que nas terras de missão realizam uma preciosa e insubstituível obra apostólica, pela qual toda a Igreja lhes é agradecida”.

No novo clima de disponibilidade e de abertura demonstrado pelo governo do Laos, o Núncio Apostólico em Bangkok e Delegado Apostólico em Myanmar e Laos, no final da Missa exprimiu os seus agradecimentos, fazendo votos de que num futuro próximo o Laos possa estabelecer relações diplomáticas com a Santa Sé.

A comunidade católica no Laos conta com cerca de 60 mil baptizados (1% da população de mais de 6 milhões de habitantes), espalhados em quatro Vicariatos Apostólicos e acompanhados no serviço pastoral por cerca de vinte sacerdotes no total.

 

 

ROMA

 

FALECIMENTO DO

PRELADO DO OPUS DEI

 

No passado dia 12 de Dezembro, festa de Nossa Senhora de Guadalupe, faleceu D. Javier Echevarría, bispo e segundo sucessor de S. Josemaria Escrivá, fundador do Opus Dei.

 

D. Javier fora internado no passado dia 5 de Dezembro na clínica do Campus Bio-Médico de Roma por causa de uma infecção pulmonar ligeira. Estava a ser submetido a um tratamento com antibiótico para combater a infecção. O quadro clínico complicou-se nas últimas horas provocando uma insuficiência respiratória, que veio a causar o falecimento.

O prelado do Opus Dei tinha 84 anos de idade. Nasceu em Madrid em 1932, e foi nessa cidade que conheceu S. Josemaria, de quem foi secretário de 1953 a 1975, data do falecimento do fundador. Com a eleição do sucessor, Mons. Álvaro del Portillo, D. Javier passou a ser Secretário geral do Opus Dei. Com a morte de D. Álvaro, em 1994, foi eleito e nomeado prelado do Opus Dei. Recebeu das mãos de S. João Paulo II a ordenação episcopal no dia 6 de Janeiro de 1995 na Basílica de S. Pedro.

 

Pesar do Santo Padre

 

O Papa Francisco manifestou o seu pesar pela morte de D. Javier Echevarría, enviando um telegrama ao Vigário Auxiliar da Prelatura, Mons. Fernando Ocáriz:

“Acabada de receber a triste notícia do inesperado falecimento de Dom Javier Echevarría Rodríguez, Bispo prelado do Opus Dei, desejo fazer chegar, a si e a todos os membros dessa Prelatura, os mais sentidos pêsames, ao mesmo tempo que me uno à vossa acção de graças a Deus pelo seu paterno e generoso testemunho de vida sacerdotal e episcopal, seguindo o exemplo de S. Josemaria Escrivá e do Beato Álvaro del Portillo, a quem sucedeu à frente de toda essa família, tendo entregue a sua vida num constante serviço de amor à Igreja e às almas.

“Elevo ao Senhor um fervente sufrágio por este seu fiel servidor para que o receba na sua alegria eterna, e confio-o com afecto à protecção da nossa Mãe, a Virgem de Guadalupe, em cuja festa entregou a sua alma a Deus.

“Com estes sentimentos, e como sinal de fé e de esperança em Cristo Ressuscitado, a todos concedo a confortadora bênção apostólica.

Vaticano, 13 de Dezembro de 2016

Francisco

 

As exéquias realizaram-se no dia 15 seguinte, na Basílica de Santo Eugénio em Roma. Em Portugal, celebrou-se uma Missa de sufrágio no dia 17, na igreja dos Jerónimos, em Lisboa.

O Opus Dei é uma prelatura pessoal da Igreja Católica que “sensibiliza” os cristãos para a importância religiosa da “vida corrente do dia-a-dia, na família e no trabalho”, e oferece uma proposta formativa, teológica, espiritual e apostólica, que passa por retiros, aulas de formação, círculos sobre temas de vida cristã, e acompanhamento espiritual pessoal.

 

 

LETÓNIA

 

TAIZÉ APELA À

MUNDIALIZAÇÃO DA FRATERNIDADE

 

O encontro internacional de Natal e Ano Novo da Comunidade Ecuménica de Taizé, em Riga, capital da Letónia, começou com apelos a uma “mundialização da fraternidade”, que permita resolver os conflitos actuais.

 

Na sua primeira mensagem aos participantes, cerca de 10 mil jovens vindos de todos os continentes, o irmão Alois, prior da Comunidade de Taizé, salientou que “perante a instabilidade do mundo de hoje” é urgente uma “grande fraternidade que ultrapasse fronteiras”.

Um contexto novo, que torne evidente a “interdependência” que deve marcar a convivência das nações, condição essencial para a paz.

Em Riga estivderam jovens vindos de Portugal, de outros países da Europa e de outros continentes, com destaque para a Rússia, a Polónia e a Ucrânia, a Coreia do Sul e Hong Kong.

Esta é a primeira vez que o encontro internacional de Taizé decorreu num país da antiga União Soviética, e o irmão Alois salientou o significado de o evento decorrer num território que tem muito a dizer, em termos da busca da justiça e da paz.

“No passado, souberam sofrer e souberam amar. Os mais idosos de entre vós podem disso dar testemunho. A vossa história, frequentemente dolorosa, prepara-vos para serem uma terra de reconciliação, uma ponte entre diferentes partes da Europa. Apoiamos a coragem com a qual respondeis a esta vocação”, frisou.

Subordinado ao tema “Juntos, abrir caminhos de esperança”, o encontro internacional de Taizé pretendia prosseguir com o objectivo de “escutar jovens de diversas regiões do mundo e apoiá-los” no sentido de contribuírem para o “futuro dos seus países”.

 

 

VENEZUELA

 

CRISE SOCIAL NO PAÍS

 

Numa mensagem lida nas missas de domingo, 1 de Janeiro de 2017, 50.º Dia Mundial da Paz, o Arcebispo de Caracas, Card. Jorge Urosa, com seus Auxiliares, expressou o sentimento da Igreja católica ante a situação actual no país.

 

“Não reconhecer as faculdades da Assembleia Nacional gerou uma situação de verdadeira ditadura, ignorando a vontade popular expressa em Dezembro de 2015”, constva na mensagem.

“O sofrimento de milhões de venezuelanos requer que o governo resolva a gravíssima crise alimentar e de medicamentos, causada pela aplicação de um sistema económico errado, o totalitarismo socialista que concede ao Estado o controle total da economia. Jamais como hoje tantos venezuelanos tiveram que procurar comida no lixo!”.

Apesar das fortes palavras da mensagem dirigida pelo Arcebispo à Arquidiocese de Caracas, o texto reflecte a situação de todo o país. No final, ao lado do pedido para que se evite a violência social, que pesa sobretudo sobre os mais pobres, constava um apelo a construir juntos a paz com o diálogo:

“Este 2016 foi um ano difícil, cheio de angústias e dificuldades para todos. O diálogo entre governo e oposição, que foi uma fonte de esperança para amplos sectores do país, está seriamente em discussão. Independentemente do futuro deste diálogo, que deveria fornecer soluções para a grave crise actual, devemos recordar que o povo pede paz, segurança pessoal e social, e condições para que possam trabalhar e viver em paz. Isto pode acontecer apenas com o apoio de todos”.

 

 

PANAMÁ

 

JORNADA MUNDIAL DA JUVENTUDE

EM JANEIRO DE 2019

 

As próximas Jornadas Mundiais da Juventude vão decorrer no Panamá entre 22 e 27 de Janeiro de 2019, anunciou no passado dia 20 de Janeiro o presidente da Conferência Episcopal daquele país, D. José Domingo Ulloa, pois se decorresse em Agosto seria em pleno inverno naquele país.

 

D. José Ulloa salientou que “o Panamá aguarda de coração aberto a vinda dos jovens” e agradeceu a confiança que o Papa Francisco mostrou ao “escolher o Panamá como sede da Jornada Mundial da Juventude em 2019”.

“Mostraremos ao mundo o rosto jovem de uma Igreja em saída, disposta a fazer barulho para anunciar a alegria do Evangelho aos afastados, aos excluídos, aos que se encontram nas periferias existenciais e geográficas”, afirmou.

A JMJ 2019 vai ter como tema “Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra”.

 

 

ESTADOS UNIDOS

 

MARCHA PELA VIDA

EM WASHINGTON

 

O Papa Francisco deu o seu caloroso apoio à “Marcha pela vida” realizada no passado dia 21 de Janeiro em Washington, na qual participaram milhares de pessoas. O evento é organizado no aniversário da sentença da Corte Suprema dos EUA que em 1973 legalizou o aborto.

 

Numa mensagem assinada pelo secretário de Estado vaticano, Cardeal Pietro Parolin, e enviada ao núncio apostólico nos EUA, o Santo Padre afirmava:

“O valor de uma vida humana é tão grande e é tão inalienável o direito à vida da criança inocente que cresce no seio de sua mãe, que de modo algum é possível apresentar como um direito sobre o próprio corpo a possibilidade de tomar decisões em relação a tal vida, que é um fim em si mesma e que jamais pode ser objecto de domínio por parte de outro ser humano”.

O Pontífice esperava “que este evento, em que muitos cidadãos estadunidenses se manifestam em favor dos mais indefesos de nossos irmãos e irmãs, possa contribuir para uma mobilização das consciências em defesa do direito à vida e para medidas eficazes a fim de garantir a sua adequada protecção jurídica”.

 

Discurso histórico do Vice-presidente Mike Pence

 

Pela primeira vez na História, um Vice-presidente dos Estados Unidos da América esteve presente na 44.ª March for Life. O discurso de Mike Pence foi muito forte, pela positiva, e poderá representar um momento-chave na luta contra o aborto naquele país e no mundo (naturalmente, tinha uma referência política).

“Há mais de 240 anos, os pais fundadores da nossa nação escreveram palavras que ecoaram através dos tempos. Eles declararam como verdades auto-evidentes o facto de todos nós sermos dotados pelo nosso Criador de certos direitos inalienáveis, como a vida, a liberdade e a procura da felicidade. 

“Há 44 anos [1973] o nosso Supremo Tribunal afastou-se do primeiro de todos estes ideais intemporais. Hoje, três gerações desde então, graças a todos vós e a muitos outros milhares, que estão connosco em marchas como esta em todo o país, a vida está a ganhar, de novo, na América. Isto é evidente ao olharmos para a eleição de maiorias pró-vida e para o Congresso dos Estados Unidos da América. Mas nada é tão evidente como a eleição histórica de um presidente que (…) defende o direito à vida: o Presidente Donald Trump”.

 

 

ROMA

 

NOVO PRELADO DO OPUS DEI,

MONS. FERNANDO OCÁRIZ

 

No final da tarde do passado dia 23 de Janeiro, o Papa Francisco confirmou a eleição realizada nesse mesmo dia no Congresso electivo da Prelatura e nomeou Mons. Fernando Ocáriz prelado do Opus Dei, o qual sucede a D. Javier Echevarría, falecido no dia 12 de Dezembro passado.

 

Com esta nomeação, Mons. Fernando Ocáriz, que até agora era o Vigário auxiliar do Opus Dei, torna-se o terceiro sucessor do Fundador, S. Josemaria Escrivá, depois do Beato Álvaro del Portillo e de D, Javier Echevarría.

Mons. Fernando Ocáriz nasceu em Paris a 27 de Outubro de 1944, filho de uma família espanhola exilada em França pela Guerra Civil (1936-1939). É o mais novo de oito irmãos.

Licenciado em Ciências Físicas pela Universidade de Barcelona (1966) e em Teologia pela Pontifícia Universidade Lateranense (1969), obteve o doutoramento em Teologia em 1971 pela Universidade de Navarra. Nesse mesmo ano foi ordenado sacerdote. Nos seus primeiros anos como presbítero dedicou-se especialmente à pastoral juvenil e universitária.

Na década de oitenta foi um dos professores que iniciou a Universidade Pontifícia da Santa Cruz (Roma), onde era professor ordinário de Teologia Fundamental. Em 1989 ingressou na Academia Pontifícia de Teologia.

Com a eleição e nomeação de Mons. Javier Echevarría como Prelado do Opus Dei, em 20 de Abril de 1994, foi nomeado Vigário Geral da Prelatura, acompanhando o Prelado nas suas visitas pastorais a mais de 70 países. Em Dezembro de 2014, o Prelado sentiu a necessidade de lhe passar o governo ordinário da Prelatura, nomeando-o Vigário Auxiliar.

É consultor da Congregação para a Doutrina da Fé (desde 1986) e de outros dois organismos da Cúria romana: Congregação para o Clero (desde 2003) e Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização (desde 2011).

 

 

ESTADOS UNIDOS

 

BISPOS QUESTIONAM

POLÍTICA DE TRUMP SOBRE IMIGRAÇÃO

 

O presidente da conferência episcopal dos EUA (USCCB), cardeal Daniel DiNardo, contestou em comunicado no passado dia 30 de Janeiro a nova política do presidente Donald Trump para os refugiados, apelando ao respeito de princípios de “humanidade básica”.

 

O texto é também assinado pelo vice-presidente do organismo do episcopado católico, Mons. José H. Gomez.

“As acções do nosso governo devem lembrar às pessoas a humanidade básica. Onde quer que os nossos irmãos e irmãs sofram rejeição e abandono, iremos levantar a nossa voz em sua defesa”, lê-se no comunicado.

O presidente Donald Trump decidiu suspender a entrada de refugiados nos EUA durante 120 dias, proibindo indeterminadamente a admissão de refugiados sírios e, durante 90 dias, de cidadãos de sete países maioritariamente muçulmanos.

“O laço entre cristãos e muçulmanos funda-se na força inquebrável da caridade e da justiça”, sustentam os bispos católicos norte-americanos, citando o Concílio Vaticano II.

A USCCB assume a defesa dos “irmãos e irmãs de todos os credos” que sofram às mãos de “perseguidores implacáveis”.

“Os refugiados que fogem do ‘Estado Islâmico’ e de outros extremistas estão a sacrificar tudo o que têm em nome da paz e da liberdade”, refere o comunicado da presidência do organismo.

Os responsáveis católicos admitem que é necessária vigilância sobre possíveis “infiltrados” com intenção de atacar os EUA, mas pede a mesma vigilância para “receber bem os amigos”.

L’Osservatore Romano apresenta na sua edição de 31/I, em 1ª página, as reacções à ordem executiva do presidente norte-americano, numa peça intitulada “Trump escolhe a linha dura”.

 


Imprimir | Voltar atrás | Página Inicial