3º Domingo da Quaresma

19 de Março de 2017

 

 

Onde se fizerem os escrutínios preparatórios para o Baptismo dos adultos, neste domingo, podem utilizar-se as orações rituais e as intercessões próprias: p. 1063 do Missal Romano.

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Escutai, Senhor, e respondei-me, F. da Silva, NRMS 94

Salmo 24, 15-16

Antífona de entrada: Os meus olhos estão voltados para o Senhor, porque Ele livra os meus pés da armadilha. Olhai para mim, Senhor, e tende compaixão porque estou só e desamparado.

 

ou

Ez 36, 23-26

Quando Eu manifestar em vós a minha santidade, hei-de reunir-vos de todos os povos, derramarei sobre vós água pura e ficareis limpos de toda a iniquidade. Eu vos darei um espírito novo, diz o Senhor.

 

Não se diz o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

A sede é um tormento que não se pode aguentar nem iludir por muito tempo. A desidratação causa um mal-estar progressivo e pode conduzir à morte rapidamente.

Por isso, este elemento da natureza é essencial ao organismo humano, de tal forma que 70% do nosso corpo é água que vai pondo em movimento saudável todo o organismo humano.

Para todo o universo, pode dizer-se que onde há água, aí podemos encontrar a vida; onde não a há, com certeza não há seres viventes.

Jesus recorre à imagem da água para nos falar de um bem sobrenatural importantíssimo: a graça santificante, a participação da vida divina na criatura racional.

Ao ver este mundo em convulsão, sempre descontente e a reclamar, de tal modo que parece que nada o pode contentar, podemos diagnosticar que a crise que sofre é de sede, de falta desta vida divina.

A Liturgia Quaresmal convida-nos neste 3.º Domingo a meditar sobre a água sobrenatural, a vida da graça em nós.

 

Acto penitencial

 

Também nós temos muitas preocupações e dificuldades — muitas sedes — mas nem sempre temos recorrido ao Coração Divino para no-las saciar.

Procuramos as fontes envenenadas do pecado que nos afastam de Deus e nos fazem sofrer ainda mais.

É o momento de entrarmos dentro de nós para reconhecermos os nossos pecados e nos voltarmos para o Senhor, implorando humildemente o perdão.

 

(Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, elementos para o esquema C)

 

•   Senhor Jesus: Procuramos matar a sede de felicidade que nos atormenta

    nas fontes envenenadas do pecado, em vez de procuramos a santidade.

    Senhor, misericórdia!

 

    Senhor, misericórdia!

 

•   Cristo: Iludimo-nos, adiando sempre o momento da conversão pessoal,

    sem saber se amanhã ainda estaremos nesta vida para nos convertermos.

    Cristo, misericórdia!

 

    Cristo, misericórdia!

 

•   Senhor Jesus: Esquecemos por vezes de que sois a fonte da água viva

    sempre disponível para nós na Palavra e nos Sacramentos da Igreja.

    Senhor, misericórdia!

 

    Senhor, misericórdia!

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração colecta: Deus, Pai de misericórdia e fonte de toda a bondade, que nos fizestes encontrar no jejum, na oração e no amor fraterno os remédios do pecado, olhai benigno para a confissão da nossa humildade, de modo que, abatidos pela consciência da culpa, sejamos confortados pela vossa misericórdia. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Em pleno deserto, na caminhada para a terra da Promissão, o Povo de Deus é provado pela sede e revolta-se contra Moisés, manifestando saudades da escravidão do Egipto. Ele pede ao Senhor a Sua ajuda e Deus manifesta o Seu poder, benignidade e paciência, fazendo brotar a água do rochedo.

Só Deus pode saciar a sede de paz, de alegria e de graça que, por vezes, nos atormenta e só n’Ele devemos confiar.

 

Êxodo 17, 3-7

 

3Naqueles dias, o povo israelita, atormentado pela sede, começou a altercar com Moisés, dizendo: «Porque nos tiraste do Egipto? Para nos deixares morrer à sede, a nós, aos nossos filhos e aos nossos rebanhos?» 4Então Moisés clamou ao Senhor, dizendo: «Que hei-de fazer a este povo? Pouco falta para me apedrejarem». 5O Senhor respondeu a Moisés: «Passa para a frente do povo e leva contigo alguns anciãos de Israel. Toma na mão a vara com que fustigaste o Rio e põe-te a caminho. 6Eu estarei diante de ti, sobre o rochedo, no monte Horeb. Baterás no rochedo e dele sairá água; então o povo poderá beber». Moisés assim fez à vista dos anciãos de Israel. 7E chamou àquele lugar Massa e Meriba, por causa da altercação dos filhos de Israel e por terem tentado o Senhor, ao dizerem: «O Senhor está ou não no meio de nós?»

 

O relato é situado em Refidim (v. 1), um oásis na península do Sinai a cerca de uma dúzia de quilómetros do monte que se considera ser o da grande teofania do Sinai, o Djébel Músa.

O episódio que constituiu uma prova e fonte de litígio, enquadra-se bem na vida no deserto do Sinai, onde abunda a fome e a sede e escasseiam os oásis; a narrativa é apresentada a dar lugar ao nome de dois sítios: «Meribá», que, segundo uma etimologia popular, designa a disputa ou litígio (do povo com Moisés) e «Massá», nome correspondente a prova ou tentação. Este pecado de falta de fé do povo na Providência divina é muitas vezes posto em relevo na Sagrada Escritura: Dt 6, 16; 9, 22-24; 33, 8; Salm 95, 8-9. Também aparece sublinhada a falta de fé do próprio chefe, Moisés, cuja dúvida o levou a bater duas vezes na rocha (cf. Nm 20, 1-13; Dt 32, 51; Salm 106, 32).

 

Salmo Responsorial    Sl 94 (95), 1-2.6-7.8-9 (R. cf. 8)

 

Monição: Como aos israelitas em pleno deserto o Senhor refrescou com águas abundantes miraculosamente saídas do rochedo, também a cada um de nós, na Igreja, nos dessedenta, em Cristo, com as águas da salvação.

Devemos manifestar-Lhe a nossa gratidão conservando abertos os nossos corações à Sua voz.

 

Refrão:        Se hoje ouvirdes a voz do Senhor,

                     não fecheis os vossos corações.

 

Vinde, exultemos de alegria no Senhor,

aclamemos a Deus, nosso salvador.

Vamos à sua presença e dêmos graças,

ao som de cânticos aclamemos o Senhor.

 

Vinde, prostremo-nos em terra,

adoremos o Senhor que nos criou.

Pois Ele é o nosso Deus

e nós o seu povo, as ovelhas do seu rebanho.

 

Quem dera ouvísseis hoje a sua voz:

«Não endureçais os vossos corações,

como em Meriba, como no dia de Massa no deserto,

onde vossos pais Me tentaram e provocaram,

apesar de terem visto as minhas obras.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. Paulo, na Carta aos féis de Roma repete e actualiza os ensinamentos do Livro do êxodo hoje proclamado.

Em Jesus Cristo, rochedo de onde mana a água da graça, o Pai sacia a nossa sede de santidade e alegria.

 

Romanos 5, 1-2.5-8

 

Irmãos: 1Tendo sido justificados pela fé, estamos em paz com Deus, por Nosso Senhor Jesus Cristo, 2pelo qual temos acesso, na fé, a esta graça em que permanecemos e nos gloriamos, apoiados na esperança da glória de Deus. 5Ora, a esperança não engana, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado. 6Cristo morreu por nós, quando éramos ainda pecadores. 7Dificilmente alguém morre por um justo; por um homem bom, talvez alguém tivesse a coragem de morrer. 8Deus prova assim o seu amor para connosco: Cristo morreu por nós, quando éramos ainda pecadores.

 

Dentro do tema central da epístola, a obra da nossa justificação realizada por Cristo, S. Paulo aponta aqui os efeitos desta sua obra salvadora: a «paz» (v. 1), o «acesso à graça», um orgulho santo, e a esperança (v. 2), uma «esperança que não engana», porque tem como fundamento o «amor de Deus». «Esta graça em que permanecemos» é a graça santificante, a graça da justificação, que nos torna santos, justos, amigos de Deus e em paz com Ele.

5 «A esperança não engana», não nos deixa confundidos, um tema desenvolvido a fundo na encíclica Spe salvi. A teologia católica insiste numa qualidade da virtude teologal da esperança: a certeza, que procede da virtude da fé e que se baseia na fidelidade de Deus às suas promessas, na sua misericórdia e omnipotência. Esta firmeza da esperança não obsta a uma certa desconfiança de si próprio, pelo mau uso que se possa vir a fazer da liberdade: daqui a recomendação de S. Paulo: «trabalhai com temor e tremor na vossa salvação» (Filp 2, 12). «O amor de Deus foi derramado em nossos corações»; aqui está a garantia de que a nossa esperança não é ilusória, mas firme. Este amor não é apenas algo que se situa fora de nós próprios, uma mera atitude de benevolência divina extrínseca, mas é um dom que se encontra derramado em nossos corações «pelo Espírito Santo que nos foi dado». Fala-se neste texto dum dom e dum doador; daqui que a Teologia explicite que esse dom é a virtude infusa da caridade, inseparável da graça santificante (cf. DzS 800-821), isto é, um «hábito» permanente, bem expresso pelo particípio perfeito passivo do original grego («que permanece derramado»); o doador é o Espírito Santo que, por sua vez, também «nos foi dado»; Ele é a graça incriada: por isso se pode falar da inabitação da Santíssima Trindade na alma do justo.

6-8 Este amor de Deus não é uma teoria, pois ele se revela na morte de Jesus pelos pecadores.

 

Aclamação ao Evangelho        Jo 4, 42.15

 

Monição: É cheio de beleza de salutares ensinamentos o diálogo entre Jesus Cristo e a samaritana. Aclamemos o Evangelho em que ele é proclamado para nós com um cântico de aclamação.

 

Cântico: J. Santos, NRMS 40

 

Senhor, Vós sois o Salvador do mundo:

dai-nos a água viva, para não termos sede.

 

 

Evangelho

 

Forma longa: São João 4, 5-42;                          forma breve: São João 4, 5-15.19b-26.39a40-42

 

5Naquele tempo, chegou Jesus a uma cidade da Samaria, chamada Sicar, junto da propriedade que Jacob tinha dado a seu filho José, 6onde estava a fonte de Jacob. Jesus, cansado da caminhada, sentou-Se à beira do poço. Era por volta do meio-dia. 7Veio uma mulher da Samaria para tirar água. Disse-lhe Jesus: «Dá-Me de beber». 8Os discípulos tinham ido à cidade comprar alimentos. 9Respondeu-Lhe a samaritana: «Como é que Tu, sendo judeu, me pedes de beber, sendo eu samaritana?» De facto, os judeus não se dão com os samaritanos. 10Disse-lhe Jesus: «Se conhecesses o dom de Deus e quem é Aquele que te diz: ‘Dá-Me de beber’, tu é que Lhe pedirias e Ele te daria água viva». 11Respondeu-Lhe a mulher: «Senhor, Tu nem sequer tens um balde, e o poço é fundo: donde Te vem a água viva? 12Serás Tu maior do que o nosso pai Jacob, que nos deu este poço, do qual ele mesmo bebeu, com os seus filhos e os seus rebanhos?» 13Disse-Lhe Jesus: «Todo aquele que bebe desta água voltará a ter sede. 14Mas aquele que beber da água que Eu lhe der nunca mais terá sede: a água que Eu lhe der tornar-se-á nele uma nascente que jorra para a vida eterna». 15«Senhor, – suplicou a mulher – dá-me dessa água, para que eu não sinta mais sede e não tenha de vir aqui buscá-la». [16Disse-lhe Jesus: «Vai chamar o teu marido e volta aqui». 17Respondeu-lhe a mulher: «Não tenho marido». Jesus replicou: «Disseste bem que não tens marido, 18pois tiveste cinco e aquele que tens agora não é teu marido. Neste ponto falaste verdade». 19Disse-lhe a mulher: «Senhor,] vejo que és profeta. 20Os nossos antepassados adoraram neste monte, e vós dizeis que é em Jerusalém que se deve adorar». 21Disse-lhe Jesus: «Mulher, podes acreditar em Mim: Vai chegar a hora em que nem neste monte nem em Jerusalém adorareis o Pai. 22Vós adorais o que não conheceis; nós adoramos o que conhecemos, porque a salvação vem dos judeus. 23Mas vai chegar a hora – e já chegou – em que os verdadeiros adoradores hão-de adorar o Pai em espírito e verdade, pois são esses os adoradores que o Pai deseja. 24Deus é espírito e os seus adoradores devem adorá-l’O em espírito e verdade». 25Disse-Lhe a mulher: «Eu sei que há-de vir o Messias, isto é, Aquele que chamam Cristo. Quando vier, há-de anunciar-nos todas as coisas». 26Respondeu-lhe Jesus: «Sou Eu, que estou a falar contigo». [27Nisto, chegaram os discípulos e ficaram admirados por Ele estar a falar com aquela mulher, mas nenhum deles Lhe perguntou: «Que pretendes?» ou então: «Porque falas com ela?» 28A mulher deixou a bilha, correu à cidade e falou a todos: 29«Vinde ver um homem que me disse tudo o que eu fiz. Não será Ele o Messias?» 30Eles saíram da cidade e vieram ter com Jesus. 31Entretanto, os discípulos insistiam com Ele, dizendo: «Mestre, come». 32Mas Ele respondeu-lhes: «Eu tenho um alimento para comer que vós não conheceis». 33Os discípulos perguntavam uns aos outros: «Porventura alguém Lhe trouxe de comer?» 34Disse-lhes Jesus: «O meu alimento é fazer a vontade d’Aquele que Me enviou e realizar a sua obra. 35Não dizeis vós que dentro de quatro meses chegará o tempo da colheita? Pois bem, Eu digo-vos: Erguei os olhos e vede os campos, que já estão loiros para a ceifa. 36Já o ceifeiro recebe o salário e recolhe o fruto para a vida eterna e, deste modo, se alegra o semeador juntamente com o ceifeiro. 37Nisto se verifica o ditado: ‘Um é o que semeia e outro o que ceifa’. 38Eu mandei-vos ceifar o que não trabalhastes. Outros trabalharam e vós aproveitais-vos do seu trabalho».] 39Muitos samaritanos daquela cidade acreditaram em Jesus, por causa da palavra da mulher, [que testemunhava: «Ele disse-me tudo o que eu fiz». 40Por isso] os samaritanos, quando vieram ao encontro de Jesus, pediram-Lhe que ficasse com eles. E ficou lá dois dias. 41Ao ouvi-l’O, muitos acreditaram 42e diziam à mulher: «Já não é por causa das tuas palavras que acreditamos. Nós próprios ouvimos e sabemos que Ele é realmente o Salvador do mundo».

 

A leitura contém uma das mais encantadoras cenas de todo o Evangelho. Um belíssimo diálogo pedagógico inicial conduz a uma proposta misteriosa de Jesus (v.10), que suscita o vivo interesse da mulher, a qual passa da incompreensão (vv. 11-12) ao acolhimento da auto-revelação de Jesus e a tornar-se por fim numa apóstola de Cristo. O diálogo atinge o clímax, o ponto culminante, no v. 26: «(o Messias) sou Eu, que estou a falar contigo!»

5-6 «Sicar», que muitos querem identificar com a Siquém dos tempos dos Patriarcas, destruída em grande parte por João Hircano em 128 a. C., costuma identificar-se com a actual Askar, no sopé do monte Ebal, perto da antiga Siquém e da actual Nablus, a maior cidade dos palestinos (cf. Gn 33, 19; 48, 22; Jos 24, 32. O «poço», com 32 metros, conserva-se na cripta duma igreja feita pelos cruzados sobre as ruínas de templos sucessivamente destruídos, primeiro pelos samaritanos, depois pelos maometanos por duas vezes; em 1863 uma comunidade grega ortodoxa reconstruiu essa cripta, onde o peregrino continua a poder beber água tirada com um balde preso a uma corda.

6 «Jesus, cansado da caminhada, sentou-Se à beira do poço». João, que pretende demonstrar a divindade de Jesus no seu Evangelho (cf. Jo 20, 31), não descuida deixar ver bem clara a humanidade do Senhor. Eis o belíssimo comentário de Santo Agostinho: «Não é em vão que se fatiga o poder de Deus. Não é em vão que se fatiga Aquele cuja ausência nos causa fadiga e cuja presença nos conforta. (...) Jesus fatigou-Se com o caminho por nosso amor. Encontramos ali Jesus que é força e encontramo-Lo fatigado. Jesus é forte e é fraco. (...) A força de Cristo deu-nos a vida e a fraqueza de Cristo deu-nos a nova vida. A força de Cristo fez que existisse o que não existia; a fraqueza de Cristo fez que não perecesse o que existia. Cristo criou-nos pela sua força e salvou-nos pela sua fraqueza» (In Ioh. Tractus XV, 6).

9 «Sendo eu samaritana». Os samaritanos eram um povo misto, resultado do cruzamento dos judeus não desterrados por Sargão II na destruição do reino do Norte em 721, com os colonos assírios que para ali foram mandados. As rivalidades, que vinham dos inícios da monarquia, com a divisão em dois reinos (cf. 1 Re 12; 17, 24-34), acirraram-se com a reforma de Esdras e Neemias no regresso do exílio, até que se consumou o cisma religioso. Eles consideravam-se autênticos israelitas e seguiam os cinco livros de Moisés (o Peutateuco Samaritano). Mas os judeus consideravam-nos semi-pagãos e cismáticos, pois sobre o monte Garizim tinham chegado a construir um templo, rival do de Jerusalém. O ódio e desprezo dos judeus pelos samaritanos era tão grande que, quando querem insultar a Jesus chamam-no «samaritano» (Jo 8, 48), o que equivalia a chamar-Lhe um renegado, talvez pelos contactos de Jesus com as gentes da Samaria, quando um judeu praticante devia abster-se de todo o contacto com os samaritanos.

10-15 «Se conhecesses…»: conhecer, na linguagem bíblica, não se reduz a estar informado, mas implica uma vivência, como se Jesus dissesse: «Se tu tivesses a experiência da vida que Deus tem para te dar...». «Água viva»: dá-se aqui um mal-entendido, pois a samaritana pensa em água corrente, por oposição à água estagnada do poço, quando Jesus lhe fala assim, recorrendo a um símbolo bíblico tradicional (cf. Is 12, 3; 44, 3; Jr 2, 13; 17, 13; Salm 36, 10; ver Apoc 21, 6; 22, 17) para falar dum dom divino que no IV Evangelho se exprime em diversas categorias sobrenaturais paralelas e que se iluminam mutuamente: vida eterna, salvação, o próprio Jesus, o Espírito Santo, como se explicita em 7, 38-39. A imagem da água viva tem mais força se temos em conta o que diz o Targum acerca dum poço de Jacob que transbordou jorrando água durante 20 anos. 

17 «Tiveste cinco maridos»: O contexto deixa ver que a mulher tinha levado uma vida escandalosa (ver v. 29); embora alguns queiram ver que temos aqui um símbolo do antigo politeísmo dos samaritanos (2 Re 17, 29-41) que adoraram 5 ídolos (na realidade o texto fala de 7) e agora tinham um culto ilegítimo; mas esta hipotética alusão não anularia o valor do acontecimento relatado.

19-24 Ao ver que Jesus penetra nos segredos da sua vida irregular, reconhece que está diante dum profeta, por isso lhe põe a grande questão que opunha os samaritanos aos judeus, a saber, o lugar do culto (cf. Dt 12, 5), que eles celebravam no monte Garizim, mesmo depois de destruído o seu templo cismático por João Hircano. Jesus declara que com Ele tinha chegado a hora em que já não tem sentido essa questão acerca do «lugar», pois o culto antigo ficava ultrapassado e abolido, sendo Ele próprio o novo templo (cf. Jo 2, 19.21). Começava um novo culto «em espírito e verdade»; mas isto não significa um culto mais interior e menos ritualista, como pregaram os profetas, nem que se devam suprimir todos os ritos externos. Trata-se de que Deus é espírito (cf. v. 24), isto é, que infunde uma nova vida, a sua vida divina; por isso o culto tem de corresponder a essa novidade de vida (Rom 6, 19), digamos, um culto que nos envolva na própria vida trinitária: adorar o Pai no Espírito Santo (sob o seu impulso) e na Verdade (através de Jesus que é a Verdade: 1, 14; 14, 6).

35-38 É fácil de descobrir o sentido da alegoria do semeador e dos ceifeiros: nos campos de trigo há um espaço de tempo entre a sementeira e a ceifa, mas no campo de Deus o fruto pode ser imediato, como aconteceu ali; no entanto, o habitual será que se confirme o ditado (v. 37; ver Miq 6, 15; Act 8, 4-25). Os discípulos aparecem como os ceifeiros enviados a colher o que «outros» – os profetas e Jesus principalmente – semearam.

42 «Salvador do mundo»: cf. 3, 17; 12, 47; 1 Jo 4, 14; Is 19, 20; 43, 3; Lc 1, 47; 1 Tm 4, 10; Filp 3, 20; Mt 1, 21; Act 5, 31; 13, 23.

 

Sugestões para a homilia

 

• A água, bem essencial

Uma dificuldade real

Não há solução humana possível

Deus socorre o Seu Povo

• Jesus, Fonte da água viva

A água que Deus nos dá.

Dom precioso de Deus.

A água que jorra para a vida eterna.

 

1. A água, bem essencial

 

a) Uma dificuldade real. «Naqueles dias, o povo israelita, atormentado pela sede, começou a altercar com Moisés, dizendo: “Porque nos tiraste do Egipto? Para nos deixares morrer à sede, a nós, aos nossos filhos e aos nossos rebanhos?”»

 Moisés, condutor do Povo de Deus desde a saída do Egipto até às portas da Terra da Promissão, enfrenta uma revolta desta multidão por causa da falta de água.

São 600.000 pessoas descontentes, além de que, nestas ocasiões, surgem os manipuladores das multidões, pois bem sabem que à medida que aumenta a emoção, diminui o raciocínio, de tal modo que as pessoas não pensam, mas deixam-se conduzir cegamente pela agitador.

Temos problemas que nos parecem humanamente sem solução. O pecado toma conta das pessoas e anestesia-lhes a consciência. Cava-se um fosse entre elas. Um grupo cada vez mais rico contrapõe-se a um outro cada vez mais pobre, criando uma situação explosiva.

Os homens não conseguem, sem Deus, criar o paraíso na terra que tinham prometido, um paraíso de conforto, de prazer, de harmonia perfeita.

Foi o sonho do Marxismo, prometendo libertar o homem das três alienações: económica, política e religiosa; e resultou desta tentativa uma nação de escravos.

Foi o sonho do Nazismo e de todos os outros regimes totalitários para os quais a pessoa humana não passava de uma peça da máquina do Estado.

Foi e é o sonho do Materialismo prático da vida. As preocupações de muitas pessoas — também de muitos cristãos das nossas comunidades — é comer bem, experimentar todos os prazeres dos sentidos que a vida pode oferecer e um comodismo que nos impede de trabalhar a sério para um mundo novo.

Tudo isto foi possível porque as pessoas deixaram-se afastar cada vez mais de Deus na vida. Vive-se abertamente em pecado num ambiente que se torna cada vez mais pagão.

Nós permitimos que o nosso mundo, cristianizado com o sangue dos mártires, voltasse rapidamente ao paganismo.

Não admira, pois, que haja tanta inquietação nas pessoas e tanta tristeza estampada nos rostos. Sem um esforço para viver em graça, cumprindo os Mandamentos, rezando e lutando, não é possível ser feliz. Todos os prazeres dos sentidos, toda a fortuna, acabam sempre por nos deixar insatisfeitos. Escreveu há muitos séculos Santo Agostinho: “Fizestes-nos para Vós, Senhor, e o nosso coração anda inquieto até que em Vós repouse.

Toda a inquietação em que se vive tem como causa a sede e Jesus Cristo, a falta da graça de Deus.

 

b) Não há solução humana possível. «Então Moisés clamou ao Senhor, dizendo: “Que hei de fazer a este povo? Pouco falta para me apedrejarem”.»

O Povo de Deus perguntava, inquieto: Onde encontraremos água suficiente para matar a sede às pessoas e às manadas de gado e rebanhos? Na verdade, estão em pleno deserto e não há solução humana possível para este angustioso e inadiável problema.

Cegos pela dificuldade, perdem o raciocínio e a memória, esquecendo tantas provas que o Senhor lhes dera de que estava com eles, e amotinam-se contra Moisés e contra Deus.

Querem voltar para a terra da escravidão, contrariando os planos de Deus a seu respeito.

Nesta situação difícil, Moisés recorre, aflito, ao Senhor. Deus pôs à prova a confiança n’Ele deste povo, e ele não foi capaz de resistir à tentação.

O mesmo Senhor permite as nossas provações e dificuldades, não para nos dizer que nos abandona, mas para provar a nossa confiança. Não custa confiar e estar contente, quando tudo corre ao nosso gosto.

Há problemas na nossa vida que não têm solução humana possível: uma doença terminal; quando todas as portas se cerram aos que procuram trabalho; e tantas outras situações sem uma solução à vista. Algumas medidas indispensáveis:

• Uma confiança inabalável no Senhor. Nunca temos razão, quando nos parece que Ele nos desamparou no meio das dificuldades.

• Querer o que Deus quer, e não exigir de Deus que siga os nossos gostos e critérios. Que sentido teria o Pai Nosso em que Lhe pedimos “seja feita a Vossa vontade”? Muitas vezes as pessoas entram em crise de fé, porque se negam a aceitar a vontade de Deus.

• Fazer o que é humanamente possível para solucionar o problema e esperar que Deus faça o que falta, se é da sua vontade.

• Peçamos luz para compreender o que Ele quer de nós com esta provação. Como cego de Jericó, peçamos: «Senhor, que eu veja

 

c) Deus socorre o Seu Povo. «O Senhor respondeu a Moisés: “[...]. Toma na mão a vara com que fustigaste o rioe põe-te a caminho. [...]. Baterás no rochedo e dele sairá água; então o povo poderá beber”. Moisés assim fez à vista dos anciãos de Israel

Yavhé solucionou o problema com uma pequena ajuda humana: mandou a Moisés que se aproximasse de um grane rochedo que havia ali e batesse nele com a vara de que Deus se servira para realizar tantos prodígios no Egipto; mudar em sangue a água do Nilo, desencadear as dez pragas do Egipto e abrir caminho a pé enxuto através do mar. Logo jorrou uma manancial de água no qual mataram a sede as pessoas e o gado e rebanhos que os acompanhavam.

Quando o Senhor vir que é oportuno, se tivermos confiança n’Ele, terá sempre à mão a solução do problema.

A água a jorrar em abundância, restituindo a esperança e a alegria a todo o povo, é sinal e figura de um dom mais precioso para todos nós: a graça santificante, a vida divina que recebemos no Baptismo e devemos conservar e aumentar até à Via Eterna.

A nossa vida natural, a vida do corpo, acabará com a morte, a qual porá termo à nossa caminhada na terra.

A participação na vida de Deus pela graça santificante vai continuar por toda a eternidade no Céu.

Os mártires de todos os tempos ensinam-nos que vale a pena sacrificar a vida natural, se for preciso, para conservar a vida da graça.

Esta vida recupera-se pelo Sacramento da Reconciliação e Penitência, se a perdermos, alimenta-se com os Sacramentos e fortalece-se com a oração.

Assim como a vida natural é ameaçada por muitos perigos, também a vida da graça o é pelas tentações.

 

2. Jesus, Fonte da água viva

 

Deus caminha pela Terra Santa à procura de pessoas que é preciso conduzir ao caminho da salvação.

Desta vez luta contra dois obstáculos: vai à “periferia” duplamente, porque se dirige à Samaria que estava desde o cativeiro de Babilónia de relações cortadas com os judeus, para salvar uma mulher pecadora; e enfrenta um calor sufocante. Diz o Evangelho que estava cansado do caminho. Sofre também uma sede devoradora.

 

a) A água que Deus nos dá. «Veio uma mulher da Samaria para tirar água. Disse-lhe Jesus: “Dá-Me de beber”.[...]. Respondeu-Lhe a samaritana: “Como é que Tu, sendo judeu, me pedes de beber, sendo eu samaritana?”»

Como sempre fazia na vida pública, Jesus parte de uma realidade natural para nos abris os olhos da fé ao sobrenatural. Explica o mistério da graça santificante, da vida divina, pela água de que nos servimos todos os dias.

Começou por pedir ajuda. Pedir é um acto de humildade que abre as portas do coração do outro. Se Ele tivesse começado por oferecer — por exemplo, a tirar a água do poço — o orgulho desta mulher teria fechado ainda mais o seu coração.

Quando quisermos aproximarmo-nos das pessoas, em vez de oferecer orgulhosamente, comecemos por pedir ajuda. «Disse-lhe Jesus: “Dá-Me de beber”».

Vencer as barreiras que separam as pessoas. É preciso ser corajoso, audaz, para se aproximar das pessoas e vencer a sua repugnância ao diálogo. A mulher é conquistada pela audácia de Jesus que lhe dirige a palavra, ao contrário de todos os outros judeus que, por um falso zelo, os desprezavam, negando-lhes a saudação normal.

Embora tenha respondido com uma certa desconfiança e ironia, a mulher mostrou-se sensível a este gesto humano de Jesus.

Os Apóstolos, quando chegaram ao lugar onde Jesus ficara, admiraram-se de Ele falar com uma samaritana.

«Respondeu Lhe a samaritana: “Como é que Tu, sendo judeu, me pedes de beber, sendo eu samaritana?” De facto, os judeus não se dão com os samaritanos

 

b) Dom precioso de Deus. «Disse lhe Jesus: “Se conhecesses o dom de Deuse quem é Aquele que te diz: ‘Dá-Me de beber’, tu é que Lhe pedirias e Ele te daria água viva”.»

Jesus impede, com divina habilidade, que o dialogo com a samaritana termine ali mesmo. Não seria outra a intenção desta mulher. Para isso, espicaça a sua curiosidade feminina. Se ela soubesse quem lhe estava a dirigir a palavra, seria a primeira a pedir-Lhe água.

Mais uma vez Jesus tem de suportar a irreverência desta pecadora que tenta ridicularizá-l’O. «Respondeu-Lhe a mulher: “Senhor, Tu nem sequer tens um balde, e o poço é fundo: donde Te vem a água viva? Serás Tu maior do que o nosso pai Jacob, que nos deu este poço, do qual ele mesmo bebeu, com os seus filhos a os seus rebanhos?”»

Na verdade, todas as pessoas que se dirigiam ao poço levavam um balde e uma corda. Provavelmente transportavam no mesmo balde a água para casa.

A água vida da graça. Recebemo-la no Baptismo, pelos merecimentos de Jesus. Ela é água viva, vida que começa na fonte baptismal, deve desenvolver-se como a vida humana, até à sua plenitude no paraíso.

Participação da vida de Deus. A graça santificante é a participação da natureza vivia em nós e nos anjos. Somos “deificados”, tornados membros vivos do Corpo Místico de Jesus Cristo. S. Paulo fala-nos de uma nova criatura, quando se refere às pessoas que vivem na graça de Deus.

Torna-nos filhos de Deus e, como tais, herdeiros do Céu. O Paraíso é a Casa do nosso Pai onde habitaremos para sempre, se nesta vida nos portarmos como bons filhos.

O Espírito Santo, por esta vida em graça, torna-nos membros solidários de um mesmo Corpo, de uma mesma Família.

Deus salva as pessoas uma a uma, mas dentro de uma família solidária. Tal como acontece no corpo humano, cada um dos membros recebe e dá ajuda às outras pessoas. Começamos assim ainda nesta vida uma comunhão de amor que via durar para sempre no Céu.

Jesus Cristo é o rochedo de onde manam para nós torrentes de graças. Não há salvação em mais nenhum outro.

 

c) A água que jorra para a vida eterna. «Disse Lhe Jesus: “Todo aquele que bebe desta água voltará a ter sede. Mas aquele que beber da água que Eu lhe dernunca mais terá sede: a água que Eu lhe der tornar se á nele uma nascenteque jorra para a vida eterna”.»

Jesus fala agora abertamente com esta mulher pecadora, ajudando-a a compreender a sua situação e a desejar uma mudança de vida.

Ela não entende ainda, mas já captou uma réstia de luz. Quando o Mestre lhe diz que esta água apaga a sede de uma vez para sempre, ela pensa na canseira de vir muitas vezes ao dia encher o balde no poço, e imagina o que será a sua vida sem esta canseira.

Onde encontrar a água da graça? A mulher pede a Jesus que lhe dê dessa água. «Senhor, suplicou a mulher dá-me dessa água, para que eu não sinta mais sedee não tenha de vir aqui buscá-la.» Cada um de nós, no íntimo do coração, repete este mesmo pedido.

O Baptismo. O Senhor começou por nos dar esta água da graça santificante no momento do Baptismo. A água que foi derramada sobre a cabeça significava a produzia essa vida sobrenatural.

Confissão Sacramental. Recuperamos esta vida, quando a perdemos, pelo pecado mortal, no Sacramento da Reconciliação e Penitência. Para a recebermos é preciso sinceridade na acusação dos pecados, arrependimento e propósito (desejo) de nunca mais voltar a pecar, pelo menos gravemente.

O primeiro passo que dá esta mulher é confessar que vive irregularmente e arrepender-se. «Disse-lhe Jesus: “Vai chamar o teu marido e volta aqui”. Respondeu-lhe a mulher: “Não tenho marido”. Jesus replicou: “Disseste bem que não tens marido, pois tiveste cinco, e aquele que tens agora não é teu marido. Neste ponto falaste verdade”.»

Viver habitualmente em pecado mortal é desconhecer a finalidade para que estamos na terra. Vendemos muitas vezes este tesouro por um prato de lentilhas, como Isaú.

Não faz sentido, portanto, andar da confissão para o pecado e do pecado para a confissão, sem propósito de emenda nem arrependimento.

Alimenta-se pelos Sacramentos. Os Sacramentos são para esta vida o que o alimento é para o corpo. A oração é a respiração da vida sobrenatural.

Acontece, porém, que temos apenas dois Sacramentos que podemos receber frequentemente: a Confissão e a Sagrada Comunhão.

Preocupada em que nos alimentemos, a Igreja convida-nos a comungarmos, pelo menos, uma vez por semana, na Missa dominical. Mas só o podemos fazer se estivermos na graça de Deus.

Que Maria, Mãe da divina Graça, nos ensine e ajude a cuidar desta vida de Deus em nós.

 

Fala o Santo Padre

 

Nas comunidades cristãs as diferenças não podem contradizer o facto de que todos,

pelo Baptismo, temos a mesma dignidade: em Jesus Cristo somos filhos de Deus!

Na segunda Carta deste domingo, são Paulo afirma: «Ninguém, pois, se glorie nos homens, pois tudo é vosso: quer Paulo, quer Apolo, quer Cefas, quer o mundo, quer a vida, quer a morte, quer o presente quer o futuro, tudo é vosso; mas vós sois de Cristo, e Cristo é de Deus» (1 Cor 3, 21-23). Por que diz isto o Apóstolo? Porque o problema que tem à sua frente é o das divisões na comunidade de Corinto, onde se tinham formado grupos que se referiam aos vários pregadores considerando-os seus chefes; diziam: «Eu sou de Paulo, eu sou de Apolo, eu sou de Cefas...» (1, 12). São Paulo explica que este modo de pensar é errado, porque a comunidade não pertence aos apóstolos, mas são eles — os apóstolos — que pertencem à comunidade; mas a comunidade, na sua totalidade, pertence a Cristo!

Desta pertença deriva que nas comunidades cristãs — dioceses, paróquias, associações, movimentos — as diferenças não podem contradizer o facto de que todos, pelo Baptismo, temos a mesma dignidade: todos, em Jesus Cristo, somos filhos de Deus. E esta é a nossa dignidade: em Jesus Cristo somos filhos de Deus! Todos os que receberam um ministério de guia, de pregação, de administração dos Sacramentos, não devem considerar-se proprietários de poderes especiais, donos, mas devem pôr-se ao serviço da comunidade, ajudando-a a percorrer com alegria o caminho da santidade.

Hoje a Igreja confia o testemunho deste estilo de vida pastoral aos novos Cardeais, com os quais celebrei esta manhã a santa Missa. […] Que o Senhor nos conceda a graça de trabalhar pela unidade da Igreja, de construir esta unidade, porque a unidade é mais importante que os conflitos! A unidade da Igreja é de Cristo, os conflitos são problemas que nem sempre são de Cristo.

[…] Convido-vos também a apoiar estes Pastores e a assisti-los com a oração, para que guiem sempre com zelo o povo que lhes foi confiado, mostrando a todos a ternura e o amor do Senhor. Mas quanto precisa de oração um Bispo, um Cardeal, um Papa, para que possa ajudar o Povo de Deus a ir em frente! Digo «ajudar», isto é, servir o Povo de Deus, porque a vocação do Bispo, do Cardeal e do Papa é precisamente esta: ser servo, servir em nome de Cristo. Rezai por nós, para que sejamos bons servos: bons servos, não bons donos! […] Nossa Senhora nos acompanhe e nos proteja neste caminho.

 Papa Francisco, Angelus, Praça de São Pedro, 23 de Março de 2014

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

Também nós somos atormentados todos os dias

por muitas espécies de sede que nos mortifica.

Temos, principalmente, sede desta vida divina

que nos torna felizes na terra e na eternidade.

Peçamo-la ao Senhor com toda a confiança,

Para nós e para todas as pessoas de boa vontade.

Oremos (cantando):

 

    Renovai-nos, Senhor, com a vossa graça.

 

1. Pela santa Igreja de Cristo e pela nossa Diocese,

    para que leve as pessoas a matar a sede de Deus,

    oremos, irmãos.

 

    Renovai-nos, Senhor, com a vossa graça.

 

2. Pelos responsáveis e governantes deste mundo,

    para que o Senhor faça deles homens de paz,

    oremos, irmãos.

 

    Renovai-nos, Senhor, com a vossa graça.

 

3. Pelos órfãos, as viúvas e todos os que sofrem,

    para que o Senhor os proteja  e os conforte,

    oremos, irmãos.

 

    Renovai-nos, Senhor, com a vossa graça.

 

4. Pelos jovens que se prepararam para a vida,

    para que saboreiem a alegria da água viva,

    oremos, irmãos.

 

    Renovai-nos, Senhor, com a vossa graça.

 

5. Por nós aqui reunidos participar na Eucaristia

    para que Deus e não deixe fechar os corações,

    oremos, irmãos.

 

    Renovai-nos, Senhor, com a vossa graça.

 

6. Pelos irmãos que partiram para a Vida Eterna,

    para que o Pai lhes abra as portas do Paraíso,

    oremos, irmãos.

 

    Renovai-nos, Senhor, com a vossa graça.

 

Senhor, nosso Deus e nosso Pai amorosíssimo,

fazei-nos encontrar em Cristo, nosso Salvador,

a fonte da água viva, onde a nossa sede de justiça,

de amor e de santidade se pode saciar em plenitude.

Ele que é Deus convosco

na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

O Senhor saciou a nossa sede de Verdade, na Mesa da Palavra que acaba de ser proclamada para nós.

Quer agora saciar a nossa sede de graça divina e de Amor preparando para nós, na mesa da Eucaristia, o Seu Corpo e Sangue para nosso Alimento.

 

Cântico do ofertório: Quem beber da água, Az. Oliveira, NRMS 61

 

Oração sobre as oblatas: Concedei, Senhor, por este sacrifício, que, ao pedirmos o perdão dos nossos pecados, perdoemos também aos nossos irmãos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio

 

A samaritana

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte, por Cristo nosso Senhor.

Quando Ele pediu à samaritana água para beber, já lhe tinha concedido o dom da fé e da sua fé teve uma sede tão viva que acendeu nela o fogo do amor divino.

Por isso, com os Anjos e os Santos do Céu, proclamamos na terra a vossa glória, cantando numa só voz:

 

Santo: A. Cartageno, Suplemento ao CT

 

Saudação da Paz

 

Escreveu um santo dos nossos dias: “Estas crises mundiais são crises de santos!” Falta-nos a paz, porque nos falta Deus no coração.

Ao trocarmos entre nós a saudação litúrgica da paz, peçamos ao pai, por Jesus, que nos dê a verdadeira paz.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

Disse Jesus à samaritana: «aquele que beber da água que Eu lhe der nunca mais terá sede: a água que Eu lhe der tornar-se-á nele uma nascente que jorra para a vida eterna

Hoje, na Santíssima Eucaristia oferece-nos essa água divina que é Ele próprio, fonte de toda a graça.

Aproximemo-nos com fé, reverência e Amor a receber este Sacramento que contem em si todas as delícias.

 

Cântico da Comunhão: Senhor quanta alegria, C. Silva, NRMS 55

Jo 4, 13-14

Antífona da comunhão: Quem beber da água que Eu lhe der, diz o Senhor, terá em seu coração a fonte da vida eterna.

 

Cântico de acção de graças: Deixai-me saborear, F. da Silva, NRMS 17

 

Oração depois da comunhão: Recebemos o penhor da glória eterna e, vivendo ainda na terra, fomos saciados com o pão do Céu. Nós Vos pedimos, Senhor, a graça de manifestarmos na vida o que celebramos neste sacramento. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Vivamos com normalidade a nossa vida de cada dia, participando nas alegrias e tristezas de todas as outras pessoas.

Mas não nos esqueçamos de saciar a nossa sede no amor de Deus, fonte de toda a consolação e alegria.

 

Cântico final: Vós me salvastes, Senhor, M. Simões, NRMS 16

 

 

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Fernando Silva

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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