acontecimentos eclesiais

DO PAÍS

 

 

BRAGA

 

QUESTÕES CANDENTES

 

O Arcebispo de Braga, D. Jorge Ortiga, questionado por cibernautas em Guimarães, em Março passado, não se furtou a nenhuma questão, mesmo às mais delicadas, entre as quais constaram o uso do preservativo, o celibato ou casamento dos padres e o aborto.

 

D. Jorge Ortiga era o convidado da rubrica Vip’s on-line, regularmente promovida pelo Cybercentro de Guimarães.

- Qual a sua opinião acerca da religião católica ser contra o uso do preservativo, apesar das inúmeras doenças que se podem contrair, se este não for usado?

R. O fundamental é uma educação justa para a sexualidade. Não é com um mal que se resolvem outros males.

- A Igreja tem sido um dos principais opositores em questões do aborto. Qual é a sua opinião?

R. A Igreja sempre defendeu a vida, porque é o primeiro direito de todo o ser humano.

- Qual a sua opinião acerca do casamento dos padres?

R. O casamento dos sacerdotes já existiu na história da Igreja. Hoje, reconhece-se que há maior vantagem no testemunho de vida idêntica a Cristo para melhor servir os homens.

- Não acha que a vida religiosa seria mais apelativa aos jovens, se a Igreja deixasse os padres constituírem uma família?

R. Creio que não, o importante é que os jovens se apaixonem por Cristo e que não tenham medo de o seguirem.

Confrontado com uma verdadeira bateria de questões ao longo de algumas horas, D. Jorge Ortiga acabou por satisfazer também diversas curiosidades dos cibernautas, desde o seu percurso clerical até ao papel da Igreja nos dias de hoje, pergunta à qual o Arcebispo de Braga respondeu com a convicta missão de serviço, sobretudo em favor dos mais necessitados.

 

 

FÁTIMA

 

ANTE O REFERENDO

SOBRE O ABORTO

 

Na sessão de abertura dos trabalhos da Assembleia Plenária da Conferência Episcopal Portuguesa, em 4 de Abril passado, o Cardeal Patriarca D. José Policarpo referiu-se à firmeza na defesa moral da vida nascente, num momento em que se perspectiva novo referendo sobre a legalização do aborto.

 

«Parece estar no horizonte a realização de uma nova consulta aos portugueses, sob a forma de referendo, sobre a alteração da Lei do aborto. É uma matéria em que a doutrina católica é claramente conhecida de todos, quer nos seus conteúdos, quer no seu carácter perene e imutável. Creio poder afirmar que, tanto pessoalmente, como o conjunto do Episcopado, já demos provas suficientes de abertura dialogante em muitas questões da nossa sociedade. A nossa firmeza nesta matéria é apenas motivada pela nossa convicção de que na procriação humana existe uma vida humana desde o primeiro momento e que interrompê-la violentamente é a expressão mais grave contra o respeito que a vida humana merece e exige de nós.»

«Esta não é uma questão explicitamente religiosa, pois é da ordem do direito natural, na medida em que o respeito pela vida é o principal fundamento da ética. No debate que antecederá o referendo é importante que todos os que defendem o carácter inviolável da vida procurem esclarecer os outros. Não se trata de uma luta política, mas de um debate cultural e moral, a travar por todos com serenidade e dignidade. Não desconhecemos o drama do aborto clandestino, embora gostássemos de o ver tipificado através do estudo já anunciado, nem ignoramos que a defesa da vida, em todas as circunstâncias, exige convicção, generosidade e coragem, compreensão e apoio da sociedade. Mas, na perspectiva da Igreja, não é questão que possa resolver-se pela cedência e pela tolerância, mas sim pela coragem partilhada.»

«Qualquer lei que permita o aborto cria uma separação entre a legalidade e a moralidade, pois o aborto voluntariamente procurado, mesmo que legal, continua a ferir a moralidade natural e as exigências da consciência».

 

 

FÁTIMA

 

PROCESSO DE BEATIFICAÇÃO

DO CÓN. MANUEL FORMIGÃO

 

O processo diocesano da beatificação do «Apóstolo de Fátima», Cón. Manuel Nunes Formigão, foi encerrado no passado dia 16 de Abril e será enviado para Roma, disse a Irmã Gertrudes Ferreira, Vice-Postuladora da causa.

 

O Servo de Deus foi um dos primeiros sacerdotes a contactar com os pastorinhos de Fátima. A 13 de Outubro de 1917 assistiu ao Milagre do Sol e tornou-se um dos grandes divulgadores da Mensagem de Fátima – referiu a Irmã Gertrudes. Para divulgar este sinal do Céu, o Cón. Manuel Formigão fundou o jornal «Voz da Fátima». Durante 34 anos escrevia para ele crónicas sobre os acontecimentos de Fátima; colaborações que se estenderam a outros jornais: «A Guarda» e a «Defesa».

Com a sua pena escreveu também alguns livros sobre as aparições de Fátima. «Os acontecimentos de Fátima», «Os episódios maravilhosos de Fátima», «Fé e Pátria» e «Pérola de Portugal» – são algumas obras escritas pelo Cón. Manuel Formigão, que foi membro da Comissão Canónica para a Investigação dos Factos de Fátima e relator do processo canónico diocesano que autorizou o culto oficial de Nossa Senhora de Fátima.

Falecido em 1958, com 75 anos, o Cón. Manuel Formigão fundou em 1926 a Congregação das Religiosas Reparadoras de Nossa Senhora das Dores de Fátima, instituição que conta actualmente com cerca de 90 religiosas a trabalhar nas dioceses de Braga, Bragança-Miranda, Porto, Leiria-Fátima, Guarda e Trier (Alemanha).

Segundo a Vice-Postuladora, o Cón. Manuel Formigão viveu unicamente para Deus e para a Igreja. Em Santarém fundou a Associação Nuno Álvares, destinada a apoiar os jovens.

Data para a beatificação ainda não existe, vai demorar algum tempo, mas «merece ser considerado e proposto como modelo para os sacerdotes» – disse a Irmã Gertrudes Ferreira. Canonizar os pastorinhos e beatificar o Cón. Manuel Formigão no mesmo dia seria excelente porque ele está muito ligado aos pastorinhos de Fátima.

 

 

ENTREVISTA

 

O PAPA PARA A IGREJA E O MUNDO DE HOJE

 

Em entrevista para a Agência Ecclesia, de 23 de Abril passado, o Cardeal José Saraiva Martins que posteriormente continuaria como Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos , expõe os traços do novo Papa Bento XVI.

 

ECCLESIA – Conhecemos o Cardeal Ratzinger. Bento XVI é diferente?

CARDEAL SARAIVA MARTINS – O mundo católico, por agora, apenas conhece o Cardeal Ratzinger, ainda não é possível conhecer o Papa Bento XVI, que vai iniciar o seu ministério Petrino apenas amanhã.

O Cardeal Ratzinger é muito conhecido porque é uma grande personalidade, um grande pensador, um homem que conhece muito bem os problemas da Igreja e do mundo actual. Como pessoa é muito amável, simples e cordial. Um interlocutor magnífico com quem se pode falar amavelmente.

É o Papa que o mundo de hoje e a Igreja estavam a pedir.

 

– Como avaliar os primeiros contactos com o Papa Bento XVI?

– Ele deu provas de ter também a arte de comunicar com as gentes, não é uma pessoa distante. Ele foi à sua casa e vimos as multidões que estiveram à porta para o cumprimentar.

Bento XVI vai ser um Papa muito próximo das gentes, estou certo disso.

 

– A figura do Papa João Paulo II permanecerá na sombra do pontificado de Bento XVI?

– Certamente que haverá uma continuidade perfeita, porque a óptica deste pontificado, como o de João Paulo II, é a do Concilio, trata-se de aplicar à Igreja o Concilio Vaticano II. Foi o que fez João Paulo II e será o que fará Bento XVI.

Na primeira homilia que fez aos Cardeais traçou o programa do seu pontificado. Nele estão todos os pontos do pontificado do Papa João Paulo II.

 

– Temas como a justiça e a paz, o diálogo Norte-Sul não estão ausentes dos discursos que já ouvimos de Bento XVI?

– O discurso que nos fez ontem falou também do tema da paz. Bento XVI será certamente um grande apóstolo da paz.

O próprio nome, Bento, faz lembrar o seu predecessor, Bento XV, que deu um grande contributo para a causa da paz durante a I Guerra Mundial.

Para Bento XVI, como para João Paulo II, trata-se de trabalhar pela paz autêntica, baseada na verdade, na justiça, na liberdade, no amor, na reconciliação e no perdão.

 

– A reevangelização da Europa conhecerá novos passos neste pontificado?

– O Papa actual vai seguir, também neste ponto, as pegadas do seu imediato predecessor. Bento XVI lutará pela ideia que estava tão no coração de João Paulo II: uma Europa que precisa de ser reevangelizada, que não esqueça as suas raízes. Isso é fundamental para a Igreja universal, não só da Europa.

Na Constituição da Europa não quiseram introduzir aquelas palavras: «raízes cristãs da Europa». Tratava-se de admitir apenas um dado histórico, que não se pode negar. Não havia nada de ideológico, era unicamente um facto histórico. E a Europa não pode esquecer a sua origem.

Estou convencido de que Bento XVI vai empenhar-se fortemente para que, se ainda for possível, seja introduzida a expressão «raízes cristas da Europa». Isso fará parte do programa de pontificado.

 

– O facto de ser alemão ajuda nesse debate?

– Não por ser alemão, mas por ser Papa. É a consciência da Igreja que se reflecte no Pastor Universal da Igreja.

 

– Por onde deverá passar a reforma da Cúria Romana?

– Como qualquer outra instituição, também esta, que se chama Cúria Romana, precisa de uma certa reforma. Eventualmente simplificando muitas coisas, reduzindo alguns Dicastérios da Cúria.

Acho que há vários pontos em que seria bom que o novo Papa tomasse a peito esta reforma da Cúria.

 

– Simplificando?

– Um bocadinho. Adaptando aos tempos de hoje.

 

– Bento XVI continuará a contar com o Cardeal Saraiva Martins, nesta ou noutra Congregação?

– Na Cúria Romana certamente ficarei. O resto depende do Papa.

 

– Bento XVI referiu que quer continuar a contar consigo?

– Disse que vamos continuar a trabalhar juntos...

 

– Foi no encontro pessoal de ontem?

– Não. Ontem eu disse-lhe: Santo Padre, vou pedir todos os dias a Nossa Senhora de Fátima para que o ajude e o proteja sempre.

 

– Fátima também está no coração deste Papa?

– Tenho a certeza disso. Não nos devemos esquecer de que, em 1996, Ratzinger presidiu à peregrinação de 13 de Outubro.

Não devemos esquecer também que foi o Cardeal Ratzinger, como Prefeito da Congregação da Doutrina da Fé, que estudou a III parte do segredo de Fátima, antes de ser publicado no dia 13 de Maio do ano 2000.

O Papa está, por isso, muito ligado a Fátima. E quem sabe se ele, um dia, irá a Fátima, se for convidado...

 

– Bastará só o convite?

– Será necessário ter em conta também o programa do Papa...

 

– Portugal também se ligará afectuosamente a Bento XVI como aconteceu com João Paulo II?

– Não tenho nenhuma dúvida. É uma pessoa muito amável e, como Papa, também já vimos, nestes dias, essa amabilidade extraordinária.

 


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