4º Domingo Comum

29 de Janeiro de 2017

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Salvai-nos, Senhor nosso Deus, Az. Oliveira, NRMS 67

Salmo 105, 47

Antífona de entrada: Salvai-nos, Senhor nosso Deus, e reuni-nos de todas as nações, para dar graças ao vosso santo nome e nos alegrarmos no vosso louvor.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Muitos são tentados a ver no abraçar do cristianismo uma perda de liberdade, pela aceitação dos Mandamentos. Mais uma vez, o Inimigo do homem trocou os sinais do caminho, para o reduzir à escravidão.

Na verdade, o que Jesus faz, com a Boa Nova, é proclamar a libertação de todos os cativeiros deste mundo.

A Liturgia da Palavra deste Domingo proclama a nossa libertação da tirania das coisas temporais.

 

Acto penitencial

 

Com muita facilidade nos deixamos escravizar pelos bens temporais que Deus pôs ao nosso serviço, para nos ajudarem a caminhar para o Céu.

Na prática, esquecemos com facilidade que Deus nos manda utilizá-los, mas de modo que não nos prostremos em adoração diante deles.

Concretizemos o nosso propósito de emenda em alguma atitude concreta de desprendimento.

 

(Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, elementos para o esquema C)

 

•   Senhor Jesus: Deixamo-nos escravizar com a maior das facilidades

    pelo dinheiro e outros bens materiais que estão ao nosso serviço.

    Senhor, tende piedade de nós!

 

    Senhor, tende piedade de nós!

 

•   Cristo: Somos atraídos desordenadamente pelo prazer dos sentidos

    e nem sempre somos capazes de os vencer, afastando-nos de Vós.

    Cristo, tende piedade de nós!

 

    Cristo, tende piedade de nós!

 

•   Senhor Jesus: Temos dificuldade em ver em cada bem-aventurança

    um caminho da verdadeira liberdade e da felicidade, paz e alegria.

    Senhor, tende piedade de nós!

 

    Senhor, tende piedade de nós!

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração colecta: Concedei, Senhor nosso Deus, que Vos adoremos de todo o coração e amemos todos os homens com sincera caridade. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O profeta Sofonias convida o Povo de Deus a converter-se à pobreza, entendendo como “pobres” os que se entregam nas mãos de Deus com humildade e confiança, que acolhem com amor as suas propostas e que são justos e solidários com os irmãos.

 

Sofonias 2, 3; 3, 12-13

3Procurai o Senhor, vós todos os humildes da terra, que obedeceis aos seus mandamentos. Procurai a justiça, procurai a humildade; talvez encontreis protecção no dia da ira do Senhor. 12Só deixarei ficar no meio de ti um povo pobre e humilde, que buscará refúgio no nome do Senhor. 13O resto de Israel não voltará a cometer injustiças, não tornará a dizer mentiras, nem mais se encontrará na sua boca uma língua enganadora. Por isso, terão pastagem e repouso, sem ninguém que os perturbe.

 

Estas palavras do profeta preparam o caminho das Bem-aventuranças que Jesus havia de proclamar solenemente como o código de felicidade do seu Reino (cf. Evangelho de hoje). No povo messiânico só haverá lugar para os humildes, os pobres em espírito, os que têm o coração desprendido de todos os recursos humanos e que põem toda a sua confiança no Senhor, que é o seu refúgio; estes são os chamados ‘anawim, os pobres de Yahwéh. Estes constituem o «resto de Israel» (v.13) que se salvará da ruína e que virá a ser o núcleo da restauração do povo.

12 «Humilde e pobre»: Os LXX traduziram por manso e humilde (praüs kai tapeínos), que passou a ser uma expressão estereotipada da pregação de Jesus, bem ao gosto de S. Mateus (cf. Mt 5, 3.5; 11, 29; 21, 5).

 

Salmo Responsorial            Salmo 145 (146), 7.8-9a.9bc-10 (R. Mt 5, 3 ou Aleluia)

 

Monição: O salmo que o Espírito Santo coloca em nossos lábios, como resposta à interpelação da primeira leitura, canta a misericórdia do Senhor que se compraz em defender os mais débeis.

Façamos dele a nossa oração, sobretudo quando a tentação nos sugerir que estamos abandonados de todos.

 

Refrão:    Bem-aventurados os pobres em espírito,

porque deles é o reino dos Céus.

 

Ou:          Aleluia.

 

O Senhor faz justiça aos oprimidos,

dá pão aos que têm fome

e a liberdade aos cativos.

 

O Senhor ilumina os olhos dos cegos,

o Senhor levanta os abatidos,

o Senhor ama os justos.

 

O Senhor protege os peregrinos,

ampara o órfão e a viúva

e entrava o caminho aos pecadores.

 

O Senhor reina eternamente.

O teu Deus, ó Sião,

é Rei por todas as gerações.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. Paulo alerta-nos para a atitude daqueles que colocam a sua esperança e a sua segurança em pessoas ou em recursos humanos e assumem, por isso, atitudes de orgulho e de auto-suficiência; e convida-nos a encontrar em Cristo crucificado a verdadeira sabedoria que conduz à salvação e à vida plena.

 

Coríntios 1, 26-31

Irmãos: 26Vede quem sois vós, os que Deus chamou: não há muitos sábios, naturalmente falando, nem muitos influentes, nem muitos bem-nascidos. 27Mas Deus escolheu o que é louco aos olhos do mundo para confundir os sábios; 28escolheu o que é vil e desprezível, o que nada vale aos olhos do mundo, para reduzir a nada aquilo que vale, 29a fim de que nenhuma criatura se possa gloriar diante de Deus. 30É por Ele que vós estais em Cristo Jesus, o qual Se tornou para nós sabedoria de Deus, justiça, santidade e redenção. 31Deste modo, conforme está escrito, «quem se gloria deve gloriar-se no Senhor».

 

S. Paulo ataca as divisões dentro da comunidade na sua raiz: o apego ao prestígio dos pregadores correspondia a uma procura orgulhosa da sabedoria humana. O que tem valor diante de Deus não é a ciência, a retórica, a eloquência. E a prova disso está em que Ele, em Corinto, chamou à fé não precisamente os mais sábios, os mais influentes e mais nobres, mas, na sua maior parte, a gente simples e modesta. Isto deixa ver como diante d’Ele o que vale não é a ciência, o poder, ou a estirpe, mas a graça e a escolha divina, que recai sobre os que Lhe agradam pela humildade. Assim, ninguém pode gloriar-se diante de Deus de ter sido chamado ao Reino de Deus (v. 29): «quem se gloria deve gloriar-se no Senhor» (segundo uma citação livre de Jr 9, 22-23), não nos seus dotes, porque tudo recebeu de Deus (v.31).

 

Aclamação ao Evangelho   Mt 5, 12a

 

Monição: A mensagem do Evangelho é um convite à alegria verdadeira dos filhos de Deus ainda presentes na terra.

Aclamemos o evangelho que nos anuncia a Boa Nova da Salvação e que, por isso, nos enche de alegria.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação – 1, F. da Silva, NRMS 50-51

 

Alegrai-vos e exultai,

porque é grande nos Céus a vossa recompensa.

 

 

Evangelho

 

São Mateus 5, 1-12a

1Naquele tempo, ao ver as multidões, Jesus subiu ao monte e sentou-Se. Rodearam-n’O os discípulos 2e Ele começou a ensiná-los, dizendo: 3«Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos Céus. 4Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados. 5Bem-aventurados os humildes, porque possuirão a terra. 6Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. 7Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. 8Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus. 9Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus. 10Bem-aventurados os que sofrem perseguição por amor da justiça, porque deles é o reino dos Céus. 11Bem-aventurados sereis, quando, por minha causa, vos insultarem, vos perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós. 12aAlegrai-vos e exultai, porque é grande nos Céus a vossa recompensa».

 

As oito bem-aventuranças, a que se junta uma nona (v. 11) a reforçar a oitava, constituem como o frontispício do Sermão da Montanha (Mt 5 – 7), «a expressão mais perfeita da mensagem evangélica, um dos mais altos cumes do pensamento humano, talvez o mais elevado» (G. Danieli); com razão disse Gandhi: «foi o discurso da montanha que me reconciliou com o cristianismo». As bem-aventuranças, expressas na terceira pessoa do plural, têm em Mateus um carácter solene e universal, dirigidas a todas as pessoas e a todos os tempos, não apenas aos ouvintes imediatos. Elas condensam a grande novidade do Evangelho, em contraste flagrante com o próprio pensamento religioso judaico então vigente, para já não falarmos do espírito mundano e hedonista do paganismo de então e do de agora. Elas não são a expressão de qualquer espécie de «ressentimento» dos pobres e desafortunados em face dos poderosos, dos ricos e satisfeitos, mas são antes um grito de protesto e de provocação lançado ao conceito de felicidade baseada na posse das riquezas, no gozo dos prazeres, na força, no poder e na fama. De modo nenhum elas são uma «ética para uso dos débeis», mas são um ideal de vida para almas fortes e generosas, uma ética que, quando vivida a sério, é capaz de renovar as pessoas e a sociedade; como o demonstra a vida dos santos. Chamamos a atenção para a motivação da felicidade em cada uma das bem-aventuranças: «porque…»: a felicidade não está na pobreza, na aflição, na perseguição, mas no seguimento de Jesus, pobre, aflito, manso, faminto e sedento, misericordioso, puro, pacificador, perseguido, o que dá direito ao gozo das promessas de Cristo.

3 «Bem-aventurados». Esta tradução (em vez de «felizes») vinca a ideia de que o Senhor promete a felicidade na bem-aventurança eterna e, ao mesmo tempo, já nesta vida, ao dizê-la do presente: «deles é» (não diz «deles será»). Mas não se trata de uma felicidade qualquer: é uma felicidade incomparável, interior e profunda, embora ainda não possuída de modo perfeito e completo na vida terrena. As bem-aventuranças têm uma dimensão escatológica e actual: correspondem a um futuro já iniciado.

«Os pobres em espírito». Como bom catequista, Mateus não deixa de especificar «em espírito», para que fique bem claro que não é o caso de uma mera situação económico-social, mas de uma atitude interior de humildade diante de Deus, de reconhecimento da própria carência de méritos e da absoluta necessidade da misericórdia de Deus para ser salvo. O desprendimento dos bens e a austeridade de vida são uma consequência desta atitude de espírito própria de quem se apoia não nos bens criados, mas só em Deus. Ao dizer «em espírito» (tô pneûmati), e não, como no v. 8, «de coração» (tê kardía: no seu íntimo, diante de Deus, em contraposição com o exterior), a expressão conota um sentido dinâmico, de acção, e portanto uma pobreza que corresponde a uma opção, isto é, uma «pobreza voluntária». É de notar que a expressão de Mateus é uma expressão religiosa coincidente com a dos textos de Qumrã (cf. 1QM, 14, 7: ‘anawê rûah).

4-5 A ordem destes versículos não é transmitida da mesma maneira em todos os manuscritos, por isso a fórmula que aparecia antes nos catecismos tem outra ordem que corresponde a uns poucos de manuscritos gregos e à Vulgata, diferente da que temos aqui; pensa-se que a ordem original teria sido alterada, a fim de facilitar a memorização e a compreensão, juntando frases semelhantes, dado o paralelismo entre os pobres e os humildes (os mansos) e entre os que choram (os aflitos) e os que têm fome e sede.

«Os que choram», isto é, os aflitos. A consolação dos que estão aflitos é um dos bens messiânicos (Is 61, 1-3; cf. Lc 4, 1ss) que Jesus garante aos seus discípulos (cf. Jo 16, 20-22). A consolação é uma forma emotivamente concreta de designar a salvação esperada e trazida por Cristo (cf. Lc 2, 25; Act 3, 20; 2 Tes 2, 16-17). O verbo na passiva «serão consolados» é uma forma reverente de se referir a Deus como agente, sem ter de o nomear (passivum divinum), equivalente a «Deus os consolará».

«Os mansos», tradução que consideramos preferível à adoptada e proposta por um com um bom número de exegetas. Com efeito, se bem que a tradução «os humildes» corresponda ao hebraico (‘anawîm: pobres) da passagem paralela do Salmo 37, 10-11 (mas traduzido pelos LXX por praeîs: mansos, e assim também pela Vulgata e Neovulgata: mansueti), a verdade é que a mansidão é uma noção que tem grande relevo em Mateus, pois o próprio Jesus se apresenta como «manso e humilde» (Mt 11, 29), na linha das profecias de Is 42, 1-4 citada em Mt 12, 18-21 e de Zac 9, 9 citada em Mt 21, 5. Por isso não nos parece que em Mateus a 1ª e a 3ª bem-aventuranças sejam simplesmente equivalentes; «mansos» são os humildes, mas com um matiz particular: são os que vencem o mal com o bem, não com a violência, mas com o perdão e com a bondade, como se insiste no mesmo sermão da montanha (Mt 5, 21-26.38-42.43-48; 6, 12.14-15). Estes são, não apenas os que são afáveis, ou simplesmente os não violentos, mas especificamente os que sofrem serenamente e sem ira, ódio ou abatimento, as perseguições injustas e as contrariedades. «Possuirão a terra» (prometida como herança), isto é, «a pátria celeste», figurada na terra prometida ao povo eleito (cf. Hebr 4, 2, 11; 11, 10.16; 12, 22; 13, 14).

6 «Fome e sede de justiça», isto é, uma fome mais espiritual do que material, pela especificação: de justiça. Estamos assim diante duma noção de natureza religiosa, central no discurso da montanha (cf. 5, 10.20; 6, 1.31.33): a submissão à vontade de Deus e aos seus desígnios de amor, uma vida justa, inocente, santa e perfeita (cf. 5, 48).

7 «Os misericordiosos»: o tema da misericórdia é central no Evangelho, pois dela o homem é extremamente necessitado e também está muito presente em Mateus; com efeito, Jesus é cheio de misericórdia (cf. 9, 36; 9, 9-13; 12, 1-7) para com os necessitados que a Ele clamam (cf. 9, 27; 15, 22; 17, 15; 20, 30.34); e esta tem de ser a atitude do discípulo para obter a misericórdia divina (cf. 6, 14-15; 18, 23-35); e é pelas obras de misericórdia que todos hão-de ser julgados sem apelo (cf. 25, 31-46).

8 «Os puros de coração», dado o contexto dos ensinamentos de Jesus, não se trata de uma simples pureza ritual que satisfaz uma série de requisitos externos para se estar em condições de realizar actos de culto (recordem-se as prescrições de Lv 11 – 16 relativos a alimentos, nascimento, actividade sexual, doença e morte), mas de uma pureza moral que não fica hipocritamente em exterioridades farisaicas (cf. Mt 23, 25-26), mas vai, na linha da pregação dos profetas (cf. Is 1, 15-16; 29, 13; Salm 24, 3-4; 51, 12; Prov 22, 11), até ao mais profundo do interior da pessoa, onde nascem os desejos e as intenções (cf. Mt 15, 1-20; 5, 28; 12, 34). A pureza do coração é fundamentalmente a rectidão total dos pensamentos, das palavras e das acções, não apenas as boas intenções, segundo o Salmo 24, 3-4, que parece estar na base desta bem-aventurança (cf. Tg 4, 8; 1 Tim 1, 5; 2 Tim 2, 22; Hebr 10, 22). Não se limita à castidade, mas pressupõe-na e exige-a de modo particular, para se entrar em comunhão com Deus – para «ver a Deus» (cf. Hebr 12, 14; Apoc 22, 3-4; 1 Jo 3, 3; Catecismo da Igreja Católica, nº 2517-2533).

9 «Os que promovem a paz». Alguns exegetas preferem a tradução pacíficos, indicando o espírito conciliador, sereno, tolerante, indulgente e paciente (cf. Tg 3, 3-18), mas a maioria pensa que se trata não só dos pacíficos, mas daqueles que se empenham em activamente promover a paz entre os homens (e também – podíamos acrescentar – a paz dos homens com Deus, fundamento sério de toda a paz no mundo); estes «serão chamados…», uma expressão semítica que corresponde a «serão de verdade filhos de Deus» (cf. Mt 5, 45).

10 «Os que sofrem perseguição por amor da justiça» (cf. 1 Pe 3, 14), isto é, ao fim e ao cabo, por causa de Jesus (cf. Mt 10, 24-28), por viver piamente (cf. 2 Tim 3, 12). Esta «justiça», como na 4ª bem-aventurança, não é a justiça dos homens, mas corresponde à plena adesão à vontade de Deus, numa vida recta e santa.

11-12 Depois das 8 bem-aventuranças anteriores, que formam um bloco (uma inclusão marcada pela fórmula «porque deles é o reino dos Céus»: vv. 3.10), há aqui uma ampliação e uma aplicação directa aos ouvintes da 8ª e última bem-aventurança.

Finalmente quero chamar a atenção para a observação de Bento XVI na sua recente obra, Jesus de Nazaré, ao introduzir o tema das bem-aventuranças: «As bem-aventuranças não raramente são apresentadas como a alternativa do Novo Testamento a respeito do Decálogo, por assim dizer a mais elevada ética dos cristãos ante os mandamentos do Antigo Testamento. Com tal concepção distorce-se totalmente o sentido das palavras de Jesus. Jesus sempre pressupôs como evidente a validade do Decálogo (ver, por exemplo, Mc 10, 19; Lc 16, 17); no Sermão da Montanha são assumidos e aprofundados os mandamentos da segunda tábua, mas não são abolidos (Mt 5, 21-48)…».

 

Sugestões para a homilia

 

• A verdadeira liberdade

Os sinais do caminho

Identidade do cristão

Fermentos de um mundo novo

• O caminho de libertação

Libertação dos bens materiais

Libertação de nós mesmos

Libertação dos falsos caminhos

 

1. A verdadeira liberdade

 

a) Os sinais do caminho. «Procurai o Senhor, vós todos os humildes da terra, que obedeceis aos seus mandamentos. Procurai a justiça, procurai a humildade; talvez encontreis protecção no dia da ira do Senhor

Para seguirmos da vida presente até ao Céu – à eternidade feliz – temos necessidade de seguir com perseverança um caminho.

Os sinais trocados. Imediatamente a seguir ao fim da Segunda Guerra Mundial, a União Soviética impôs o regime comunista a todas as nações que com ela faziam fronteira, formando, deste modo, um escudo protector.

Em 2 de Janeiro de 1968, Alexander Dubcek ascendeu ao poder e empreendeu uma série de reformas que ficaram conhecidas como a Primavera de Praga. Pretendia, gradualmente, restituir ao povo as liberdades que o comunismo lhe tinha roubado.

Mas a União Soviética não estava disposta a perder esta “colónia” e em 21 de Agosto invadiu a Checoslováquia com muitos milhares de soldados e tanques que escravizaram de novo a nação.

Num último esforço para retardar a chegada das tropas, o povo da infeliz nação virou as placas de sinalização para outros sentidos, de modo que as tropas, num primeiro momento, andaram às voltas, sem conseguirem chegar à cidade de Praga, a capital do país mártir.

O demónio usa frequentemente para connosco este engano, trocando os sinais que nos apontam o caminho do Céu.

Deste modo, consegue confundir-nos e enganar-nos, desviando-nos do caminho de Deus e fazendo-nos chegar a um destino errado.

•  O verdadeiro caminho. Deus gravou no coração de cada pessoa humana a Sua Lei, promulgou os Dez Mandamentos no Sinai e foi-nos lembrando o caminho verdadeiro de libertação, pelos Patriarcas, profetas e Apóstolos de todos os tempos.

Cada um dos Mandamentos é um caminho de conquista da verdadeira liberdade e do nosso equilíbrio humano e sobrenatural.

As bem-aventuranças são sinais dados por Jesus Cristo que nos guiam na procura da verdadeira liberdade.

 

b) Identidade do cristão. «Só deixarei ficar no meio de ti um povo pobre e humilde, que buscará refúgio no nome do Senhor

A sociedade em que vivemos enche-nos os bolsos de cartões: de identidade, de condução, de multibanco, de finanças, de diversas filiações politicas, desportivas e culturais. Vivemos na era dos cartões.

Podemos perguntar também: qual é o bilhete de identidade do verdadeiro cristão, do discípulo de Cristo?

A primeira vez que os seguidores de Jesus foram chamados cristãos, aconteceu na cidade de Antioquia (Atos dos Apóstolos 11,16).

Podemos identificá-los pelos ensinamentos da Sagrada Escritura e do Magistério da Igreja. O profeta Sofonias traça o perfil do “pequeno resto” que vai sobrevier na Igreja Católica:

Um povo pobre. Não põe a sua meta na riqueza, como aconteceu tantas vezes na história dos povos que se degladiavam para se apoderarem do alheio.

Contentar-se-á com o que basta para passar a vida sóbria e temperadamente, com uma vida digna e virtuosa.

Um povo humilde. Não deseja impor-se aos outros, obrigando-os a adoptar a sua ideologia e religião. Convive com serenidade, paz e alegria com todas as outras pessoas de boa vontade.

As suas armas são a luz da fé que ilumina os caminhos da vida e o Amor que se propõe propagar. Move-o a Esperança do reino dos Céus.

Refugiado no Senhor. Este povo de que nos fala o profeta Sofonias – prenúncio da Igreja que Jesus virá fundar – não lança mão das armas para impor a sua vontade.

Busca o seu refúgio e fortaleza no Senhor, no meio das adversidades e dificuldades da vida.

Não cede à tentação da violência e da guerra, da mentira e toda a espécie de engano, mas brande apenas a espada do Amor e da Alegria de filho de Deus.

 

c) Fermentos de um mundo novo. «O resto de Israel não voltará a cometer injustiças, não tornará a dizer mentiras, nem mais se encontrará na sua boca uma língua enganadora. Por isso, terão pastagem e repouso, sem ninguém que os perturbe

O profeta fala-nos de um pequeno grupo – um pequeno resto do Povo de Deus – que há-de fermentar todo o ambiente.

A justiça.  Experimentamos todos, enquanto estamos na terra, um grande desafio: a tentação de usar as mesmas armas dos que nos oprimem. O profeta anuncia claramente: «O resto de Israel não voltará a cometer injustiças».

Num escrito dos primeiros Carta a Diogneto define-se o seu perfil: (os cristãos) “Vivem na sua pátria, mas como forasteiros; participam de tudo como cristãos e suportam tudo como estrangeiros. Toda pátria estrangeira é pátria deles, a cada pátria é estrangeira. Casam-se como todos e geram filhos, mas não abandonam os recém-nascidos. Põe a mesa em comum, mas não o leito; estão na carne, mas não vivem segundo a carne; moram na terra, mas têm sua cidadania no céu; obedecem as leis estabelecidas, as com sua vida ultrapassam as leis; amam a todos e são perseguidos por todos; são desconhecidos e, apesar disso, condenados; são mortos e, deste modo, lhes é dada a vida; são pobres e enriquecem a muitos; carecem de tudo e tem abundância de tudo; são desprezados e, no desprezo, tornam-se glorificados; são amaldiçoados e, depois, proclamados justos; são injuriados, e bendizem; são maltratados, e honram; fazem o bem, e são punidos como malfeitores; são condenados, e se alegram como se recebessem a vida. Pelos judeus são combatidos como estrangeiros, pelos gregos são perseguidos, e aqueles que os odeiam não saberiam dizer o motivo do ódio.” (Carta a Diogneto, cap. V).

A verdade. Cultivam a verdade em tudo: na oração, no trabalho e no relacionamento com os seus irmãos e vizinhos, a tal ponto que, pela verdade, se deixam conduzir à morte. Uma pequena mentira – às vezes até sugerida, como na história de muitos mártires – poderia libertá-los da morte e cumulá-los de bens temporais, mas não conseguem dobrá-los.

A lealdade. A pessoa leal não esconde trunfos da manga, mas põe o jogo claro sobre a mesa. Não luta com armas ocultas e desleais. Diz no rosto da pessoa o que é necessário, abstendo-se de o fazer na sua ausência.

Jesus definiu o papel do Seu discípulo no mundo de hoje como um fermento que faz levedar toda a massa. O fermento exerce um contágio lento e silencioso, mas eficaz. Assim há-de ser o discípulo de Cristo, com a sua vida e com as suas palavras oportunas

 

2. O caminho de libertação

 

Quando visitamos um lugar desconhecido e que exige o enfrentar de um certo risco, é indispensável um bom guia.

Jesus é Este Guia Divino, o Enviado do Pai para nos redimir e guiar à salvação eterna.

Nas bem-aventuranças do Evangelho ensina-nos como havemos de encontrar o caminho seguro para alcançarmos a felicidade do Paraíso.

 

a) Libertação dos bens materiais. «Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos Céus. Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados. Bem-aventurados os humildes, porque possuirão a terra

 O Senhor deseja que sejamos livres, porque nos ama. Nas Bem-aventuranças ensina-nos como havemos de fazer para o conseguir.

Nas oito bem-aventuranças traça Jesus o perfil do Seu verdadeiro discípulo e convida-nos a realizá-lo.

A pobreza em espírito. Os bens materiais foram-nos dados para nos servir. Tudo está ao nosso uso, enquanto caminhamos na terra. Nenhum deles nos acompanhará à vida eterna, mas somente o merecimento de os termos usado bem, de acordo com a vontade de Deus.

Não se deve confundir a virtude da pobreza com a miséria e indigência. A virtude é fruto da graça de Deus, de mãos dadas com o esforço humano; a miséria – a falta do essencial para sobreviver – é fruto dos pecados dos homens.

Por causa do desequilíbrio que em nós causou o pecado original, estes bens facilmente se transformam de servos em senhores que nos escravizam.

Muitos correm atrás das riquezas materiais e sacrificam-lhes tudo, fazendo delas um deus que adoram. Deixam-se enganar pela proposta do demónio feita a Jesus no Monte da Quarentena: «Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares

Sacrificam a vida de família, a oração e os deveres mais elementares do cristianismo para adquirir riqueza. Levados por esta sede insaciável, estendem a mão para o que não lhes pretendem e escravizam os outros, espoliando-os dos seus direitos. Passam uma vida de angústia, inquietação e sofrimento que não lhes dá a felicidade prometida.

Jesus quer-nos livres de toda esta tirania que nos rouba a paz e convida-nos a usar das coisas como se não usássemos, e viver, perante os bens materiais, um desprendimento fruto do amor.

•  A mansidão e a humildade. Também a tentação da violência para fazer valer direitos ou mesmo injustiças é uma tentação.

Somos tentados a conquistar o mundo pela violência e a aparentar o que não somos.

Comecemos por aceitar a verdade fundamental de que todos somos iguais em dignidade, liberdade e responsabilidade. Vençamos a tentação de nos julgarmos superiores e de aparecer ridiculamente empolados diante dos outros, só porque vestimos melhor, temos uma casa mais confortável, usamos um carro de topo de marca ou ocupamos um cargo de um certo destaque.

Vistas as coisas com realismo, chegamos à conclusão de que vivemos para servir os outros. Na verdade, o mundo está organizado como uma grande máquina de serviço muto. Servimos e somos servidos.

 

b) Libertação de nós mesmos. «Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus

Uma visão deformada do que somos, do lugar que ocupamos no mundo, condiciona para mal todo o nosso comportamento.

Os famintos de Deus. Ao proclamar bem-aventurados – felizes, porque abençoados por Deus – os famintos, Jesus não se refere aos que passam fome. Esses devem ser objecto imediato da nossa misericórdia.

Proclama bem-aventurados os que têm fome de amar cada vez mais a Deus e de Lhe pertencerem. São os que colocam no centro das suas aspirações o crescimento no amor de Deus, caminhando na santidade pessoal.

Vivem insatisfeitos consigo mesmos, com a sua correspondência ao Amor de Deus e, por isso, são famintos.

Parecendo um contra-senso, esta “fome” torna-nos felizes, bem-aventurados.

A misericórdia. Ser misericordioso é debruçar-se sobre os outros, com esquecimento próprio. Jesus indica como caminho para alcançarmos a misericórdia de Deus e dos homens o procurarmos usar de misericórdia uns para com os outros, como uma verdadeira família.

Vale a pena percorrer as 14 obras de misericórdia enunciadas por Jesus no Sermão da Montanha e lembradas parcialmente no Evangelho de hoje, para estabelecermos um programa de vida em que as possamos praticar, traduzindo-as numa linguagem que se possa entender hoje.

A pureza de coração. O Mestre Divino quer-nos limpos de coração: nos afectos, nas intenções e em todo o agir.

Mas refere-se especialmente à virtude da castidade que mantém dentro da normalidade para que foram criados o instinto sexual e a afectividade humana. Ela é uma verdadeira libertação da tirania da carne e do coração.

Vivemos tempos em que é preciso recordar estas verdades, porque muitos se encontram desorientados neste campo.

 

c) Libertação dos falsos caminhos. «Bem-aventurados sereis, quando, por minha causa, vos insultarem, vos perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós. Alegrai-vos e exultai, porque é grande nos Céus a vossa recompensa

Num primeiro olhar, somos tentados a lamentar os que são perseguidos por causa da sua fidelidade a Jesus Cristo. Mas o discípulo, como Ele nos ensina, não é mais do que o Mestre.

Promotores da paz. Jesus é anunciado aos pastores de Belém, pelos Anjos, como o Príncipe da Paz.

A paz é a tranquilidade na ordem, não no medo, nem na desordem de qualquer espécie. Se queremos ser construtores de paz e merecer o nome de filhos de Deus, temos de começar por construir a ordem, o respeito pelos direitos dos outros.

É preciso restituir a Deus o ligar a que Ele tem direito: nas consciências e na sociedade. Este é um passo fundamental para implantar a verdadeira paz no mundo.

A promoção da paz deve começar, portanto, dentro de cada um de nós, pela vida em graça e pela fidelidade à vontade do Senhor a nosso respeito, de acordo com a vocação recebida.

Os mártires de todos os tempos. Estamos sempre à espera da compreensão e do aplauso dos nossos amigos.

Acontece, porém, que sentiremos o desconforto de sermos muitas vezes marginalizados por causa da nossa fidelidade ao Senhor.

Sofrem perseguição, até dos bons, os que aceitam generosamente uma família numerosa – na descriminação do emprego, nas piadas a meia vez que ferem mais do que os insultos em voz alta, do verem-se preteridos em muitas ocasiões –, os que permanecem fieis no meio de um ambiente de deslealdade e desonestidade, os que testemunham a sua fé, com todas as exigências, a pesar da incompreensão que encontram.

Se pertencemos a este número dos que sofrem perseguição por amor do reino dos Céus, por causa da fidelidade a Jesus Cristo, manifestada nas exigências da fé, alegremo-nos, porque o Senhor nos proclama bem-aventurados.

De olhos postos no Céu. Esta é a realidade maravilhosa que nunca devemos perder de vista. É o objecto da nossa esperança sobrenatural.

A Eucaristia que celebramos recorda-nos constantemente esta verdade fundamental. É tão importante a nossa salvação eterna que Jesus morreu por nós, para apagar a sentença da nossa condenação.

Maria oferece-nos os cuidados da sua maternidade universal para nos ajudar a alcançar esta vitória final.

 

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs em Cristo Jesus:

Num só coração e numa só alma,

peçamos ao Senhor os conceda

o espírito das bem-aventuranças

a todas as pessoas de boa vontade.

Oremos (cantando) com alegria:

 

    Concedei-nos, Senhor, a vossa graça.

 

1.             Para que o Santo Padre, o nosso Bispo, os Presbíteros e diáconos,

    vivam e preguem a mensagem libertadora das Bem-aventuranças,

    oremos, irmãos.

 

    Concedei-nos, Senhor, a vossa graça.

 

2.             Para que os nossos governantes e outros responsáveis públicos

    se inspirem no Evangelho, na escolha das medidas de governo,

    oremos, irmãos.

 

    Concedei-nos, Senhor, a vossa graça.

 

3.             Para que nós, que desejamos que todos sejam tratados por igual,

    estejamos prontos a lutar e sofrer para que ela exista, na realidade,

    oremos, irmãos.

 

    Concedei-nos, Senhor, a vossa graça.

 

4.             Para que todos nós aqui reunidos a celebrar esta Santa Missa

    nos esforcemos por viver e difundir as Bem Aventuranças,

    oremos, irmãos.

 

    Concedei-nos, Senhor, a vossa graça.

 

5.             Para que todas pessoas que vivem nesta nossa família paroquial

    tenham a coragem e viver de acordo com a doutrina evangélica,

    oremos, irmãos.

 

    Concedei-nos, Senhor, a vossa graça.

 

6.             Pelos irmãos que nos deixaram para irem ao encontro de Deus

    sejam acolhidos hoje pelo Senhor na felicidade que não tem fim,

    oremos, irmãos.

 

    Concedei-nos, Senhor, a vossa graça.

 

Senhor, nosso refúgio e fortaleza,

escutai as orações da Vossa Igreja

e fazei-nos viver as Bem Aventuranças

para alcançarmos as Vossas promessas.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

Deus chama-nos à felicidade na terra e no Céu, não como a entendemos, por vezes, mas como a conhece e vive o nosso Deus.

Ilumina o nosso caminho com a Sua Palavra que acabamos de acolher e fortalece-nos com a Eucaristia que vai agora preparar, transubstanciando, pelo ministério do sacerdote, o pão e o vinho que ofertámos.

 

Cântico do ofertório: Queremos ver transformados, Az. Oliveira, NRMS 17

 

Oração sobre as oblatas: Apresentamos, Senhor, ao vosso altar os dons do vosso povo santo; aceitai-os benignamente e fazei deles o sacramento da nossa redenção. Por Nosso Senhor...

 

Santo: Az. Oliveira, NRMS 50-51

 

Saudação da Paz

 

Bem-aventurados os que promovem a paz, – anunciou Jesus –porque serão chamados filhos de Deus.

Sejamos, na vida, verdadeiros construtores da paz entre todas as pessoas de boa vontade.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, – ouvimos no Evangelho deste domingo – porque serão saciados.

Nós temos fome e sede de justiça, de santidade e queremos ser saciados pela Santíssima Eucaristia. Por isso nos aproximamos com fé, reverência e amor, da Mesa Eucarística e pedimos ao Senhor que vamos receber que guarde a nossa alma para a Vida Eterna.

 

Cântico da Comunhão: Felizes os pobres, F. dos Santos, Cânticos de Entrada e Comunhão II, pág 24

Salmo 30, 17-18

Antífona da comunhão: Fazei brilhar sobre mim o vosso rosto, salvai-me, Senhor, pela vossa bondade e não serei confundido por Vos ter invocado.

 

Ou:  Mt 5, 3-4

Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos Céus. Bem-aventurados os humildes, porque possuirão a terra prometida.

 

Cântico de acção de graças: Cantarei ao Senhor por tudo, F. da Silva, NRMS 70

 

Oração depois da comunhão: Fortalecidos pelo sacramento da nossa redenção, nós Vos suplicamos, Senhor, que, por este auxílio de salvação eterna, cresça sempre no mundo a verdadeira fé. Por Nosso Senhor...

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Esforcemo-nos, ao longo da semana, para vivermos mais generosamente as Bem Aventuranças.

Elas são o verdadeiro caminho da felicidade pelo qual Deus nos quer conduzir nesta vida da terra.

 

Cântico final: Deus é Pai, Deus é Amor, F. da Silva, NRMS 90-91

 

 

Homilias Feriais

 

4ª SEMANA

 

2ª Feira, 30-I: Aproveitar o desagradável.

Heb 11, 32-40 / Mc 5, 1-20

Os que tinham visto narraram o que havia sucedido ao possesso e o que se passara com os porcos. Começaram então a pedir que se retirasse do seu território.

«O Antigo Testamento é rico em testemunhos desta fé. A Epístola aos Hebreus faz o elogio exemplar dos antigos que lhe valeu um bom testemunho (Leit.)» (CIC, 147). Pelo contrário, os gadarenos pediram a Jesus que se fosse embora porque, para salvar dois homens, tinham ficado sem dois mil porcos.

É muito frequente que a lógica de Deus não coincida com a lógica humana. Só a fé nos ajudará a descobrir a mão de Deus por detrás dos acontecimentos desagradáveis, como a dor, o sofrimento, a doença, as contrariedades.

 

3ª Feira, 31-I: A fé que salva.

Heb 12, 1-4 / Mc 5, 21-43

São tantos os antigos a atestar-nos as grandezas da fé, que se diriam uma nuvem a rodear-nos.

São muito valiosos os testemunhos dos antigos. «No entanto, para nós previa um destino melhor: a graça de crer no seu Filho Jesus, ´guia da nossa fé, que Ele leva à perfeição (Leit.) (CIC, 147).

Jesus realizou o milagre da cura da hemorroísa, que lhe tocou na veste, porque viu a fé desta mulher: «foi a tua fé que te salvou» (Ev.). Nós estamos a tocar em Jesus quando participamos da Eucaristia, quando fazemos oração, quando nos lembramos dEle nas nossas ocupações, quando o descobrimos nas pessoas, etc.

 

4ª Feira, 1-II: Fé e provações.

Heb 12, 4-7. 11-15 / Mc 6, 1-6

E não pode fazer ali nenhum milagre. Estava admirado pela falta de fé daquela gente.

Jesus entristece-se por cauda da falta de fé dos seus conterrâneos (Ev.) e da pouca fé dos seus discípulos.

Como aceitamos as provações habituais? Não esqueçamos o conselho: «É que o Senhor corrige aquele que ama e castiga a todo o filho que toma a seu cuidado. É para vossa correcção que tendes provações; é como filhos de Deus que vos trata» (Leit.). Nas contrariedades, dores e sofrimentos, que a nossa fé nos ajude a descobrir que são uma prova do amor de Deus para connosco, e Ele só quer o nosso bem.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Fernando Silva

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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