1º Domingo do Advento

27 de Novembro de 2016

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Oh, que alegria, M. Faria, NRMS 67

Salmo 24, 1-3

Antífona de entrada: Para Vós, Senhor, elevo a minha alma. Meu Deus, em Vós confio. Não seja confundido nem de mim escarneçam os inimigos. Não serão confundidos os que esperam em Vós.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Advento significa manter-se à espera de alguém que está para chegar. É o espaço litúrgico das quatro semanas que precedem, como preparação, a solenidade do Natal. Durante muito tempo acreditou-se que a humanidade esperou durante quatro mil anos a vinda do redentor, tantos como os que mediaram entre o pecado de Adão e a vinda de Jesus Cristo na nossa carne.

A Liturgia faz dele um tempo de preparação para o grande acontecimento do Natal.

Os estabelecimentos comerciais preparam cuidadosamente o Natal do consumismo, como grande oportunidade para vender mais.

Os que perderam o sentido do Natal cristão preparam festas profanas as quais não sabem para que servem.

Os cristãos conscientes preparam cuidadosamente o seu interior para acolher com alegria o Messias que vem para nos salvar.

Preparamos a vinda do Senhor para nos salvar. Podemos falar de três vindas:

Vinda histórica: aconteceu em Belém, há 2016 anos. Será celebrada no Natal, como todos os anos.

Vinda escatológica: acontecerá no fim dos tempos, quando Jesus Cristo vier sobre as nuvens do Céu para julgar os vivos e os mortos;

Vinda espiritual ou mística: acontece todas as vezes que alguém dá um passo em frente no caminho da santidade.

Que Natal desejamos ver realizado? Tal Advento, tal celebração do Natal.

Toda a Liturgia da Palavra deste 1.º Domingo nos exorta à vigilância, porque o Senhor virá.

 

Acto penitencial

 

Reconhecemos na presença do Senhor que nos deixamos envolver facilmente por esta mentalidade consumista, e só pensamos em prendas do Natal e numa boa Ceia.

Quando muito, no último momento procuramos uma reconciliação rotineira, pela confissão sacramental, passando ao lado de todo o sentido desta solenidade.

Peçamos humildemente perdão por esta atitude de falta de amor, e prometamos, com ajuda do Senhor, uma séria emenda de vida.

 

(Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, elementos para o esquema C)

 

•   Senhor Jesus: Andamos distraídos pelas preocupações materiais da vida

    e não pensámos ainda numa preparação séria do Natal de Jesus Cristo.

    Senhor, misericórdia!

 

    Senhor, misericórdia!

 

•   Cristo: Portamo-nos com indiferença perante os que se afastaram de Deus

    como se nada tivéssemos a ver com a salvação dos nossos irmãos na fé.

    Cristo, misericórdia!

 

    Cristo, misericórdia!

 

•   Senhor Jesus: Imaginamos longe o nosso encontro definitivo com Cristo

    e não pensamos que Ele nos espera hoje por uma séria mudança de vida.

    Senhor, misericórdia!

 

    Senhor, misericórdia!

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração colecta: Despertai, Senhor, nos vossos fiéis a vontade firme de se prepararem, pela prática das boas obras, para ir ao encontro de Cristo, de modo que, chamados um dia à sua direita, mereçam alcançar o reino dos Céus. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O monte Sião é uma colina que domina toda a cidade de Jerusalém e onde Salomão construiu o Templo, para nele se manifestar a presença do Senhor.

Isaías imagina essa colina elevada acima de todos os montes e uma multidão de todas as nações que vão ao seu encontro, porque dela nos virá o Salvador.

 

Isaías 2, 1-5

1Visão de Isaías, filho de Amós, acerca de Judá e de Jerusalém: 2Sucederá, nos dias que hão-de vir, que o monte do templo do Senhor se há-de erguer no cimo das montanhas e se elevará no alto das colinas. 3Ali afluirão todas as nações e muitos povos acorrerão, dizendo: «Vinde, subamos ao monte do Senhor, ao templo do Deus de Jacob. Ele nos ensinará os seus caminhos e nós andaremos pelas suas veredas. De Sião há-de vir a lei e de Jerusalém a palavra do Senhor». 4Ele será juiz no meio das nações e árbitro de povos sem número. Converterão as espadas em relhas de arado e as lanças em foices. Não levantará a espada nação contra nação, nem mais se hão-de preparar para a guerra. 5Vinde, ó casa de Jacob, caminhemos à luz do Senhor.

 

Esta pequena leitura é um dos mais belos textos poéticos de todo o Antigo Testamento, um cântico de exaltação da Jerusalém ideal e da paz messiânica. É um texto paralelo a Miq 4, 1-3.

1 «Isaías, filho de Amós», não o profeta do séc. VIII que pregou no reino do Norte, pois em hebraico o nome tem outra grafia.

2-3 Numa visão puramente humana, podia pensar-se que estamos diante dum texto sionista. A verdade é que o texto transcende o campo político e move-se num clima escatológico e messiânico: «Jerusalém», ou «Sião», é imagem da Igreja, «a nova Jerusalém» (cf. Gal 4, 26; Apoc 21, 2-4.10-27), para onde «afluirão todas as nações e muitos povos acorrerão» (v. 3). Isaías anuncia a conversão dos povos (gentios) ao único Deus, o de Israel, uma conversão que é dom de Deus, mas que também implica esforço humano – «subamos…» e docilidade – «Ele nos ensinará... e nós andaremos...». Os povos sentir-se-ão atraídos pela sublimidade de uma lei e de uma doutrina, que é a própria «palavra do Senhor». O texto pressupõe um pregador desta palavra, um profeta; e Jesus é o Profeta messiânico por excelência (cf. Act 3, 22; Jo 1, 21; 6, 14; Lc 7, 16). De qualquer modo, a Liturgia do Advento, nesta «palavra do Senhor que sairá de Jerusalém», leva-nos a vislumbrar o Verbo de Deus que se há-de manifestar no mistério da sua Incarnação a celebrar no Natal que se aproxima.

4 A paz messiânica, aqui imaginosamente descrita, não se pode considerar como algo meramente ideal, utópico e irreal; com efeito, com a fundação da Igreja, Cristo lançou no mundo um eficacíssimo fermento de paz e de unidade de todo o género humano; e quando todos os homens aderirem sinceramente a Cristo e à sua Igreja teremos a plena realização desta imagem tão bela como arrojada: as espadas convertidas em relhas de arado e as lanças em foices. É de notar que o Deus da Revelação jamais poderá ser invocado por ninguém como «um factor de guerra»; seria uma forma retorcida e refinada de «invocar o santo nome de Deus em vão», contrariando um absoluto moral bem claro, que é o segundo preceito do Decálogo (cf. Ex 20, 7; Dt 5, 11).

 

Salmo Responsorial    Salmo 121 (122), 1-2.4-5.6-7.8-9 (R. cf. 1)

 

Monição: Quando se aproximavam da cidade santa, ao vislumbrar a colina do Templo, os judeus cantavam o salmo que a Liturgia escolheu para este Domingo. Ela era a síntese de todas as promessas de Salvação.

Qual não há-de ser a nossa alegria, agora que se aproxima a nossa libertação da tirania do pecado?

 

Refrão:     Vamos com alegria para a casa do Senhor.

 

Alegrei-me quando me disseram:

«Vamos para a casa do Senhor».

Detiveram-se os nossos passos

às tuas portas, Jerusalém.

 

Para lá sobem as tribos, as tribos do Senhor,

segundo o costume de Israel,

para celebrar o nome do Senhor;

ali estão os tribunais da justiça,

os tribunais da casa de David.

 

Pedi a paz para Jerusalém:

«Vivam seguros quantos te amam.

Haja paz dentro dos teus muros,

tranquilidade em teus palácios».

 

Por amor de meus irmãos e amigos,

pedirei a paz para ti.

Por amor da casa do Senhor,

pedirei para ti todos os bens.

 

Segunda Leitura

 

Monição: As palavras de S. Paulo na Carta aos fiéis de Roma soam como uma trombeta no silêncio cada madrugada, convocando todos os que dormem a recomeçar a vida, porque se aproxima o nascer do sol.

É uma bela imagem do Apóstolos dos Gentios que nos ajuda a compreender melhor o sentido do Advento que estamos a iniciar.

 

Romanos 13, 11-14

11Irmãos: Vós sabeis em que tempo estamos: chegou a hora de nos levantarmos do sono, porque a salvação está agora mais perto de nós do que quando abraçámos a fé. 12A noite vai adiantada e o dia está próximo. Abandonemos as obras das trevas e revistamo-nos das armas da luz. 13Andemos dignamente, como em pleno dia, evitando comezainas e excessos de bebida, as devassidões e libertinagens, as discórdias e os ciúmes; 14não vos preocupeis com a natureza carnal, para satisfazer os seus apetites, mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo.

 

A leitura, tirada da parte moral e exortatória da epístola (Rom 12, 1 – 15, 13), está em consonância com o Evangelho de hoje, constituindo uma forte exortação à vigilância, a atitude de que quem espera a vinda de Jesus, pois «o dia está próximo» (v. 12). A Santa Igreja, com estas leituras no começo do Advento, tempo de preparação para o Natal, pretende ajudar os seus filhos a que, ao celebrarem a primeira vinda de Jesus, se preparem também para a sua vinda definitiva.

Há quem pense, com base em Ef 5, 14 que esta passagem do texto da leitura corresponda a um hino baptismal da Igreja primitiva (H. Schlier). Podemos também perguntar-nos se Paulo não estaria a pensar numa proximidade cronológica do fim dos tempos e da segunda vinda de Cristo, tendo em conta o que diz em 1 Tes 4, 15.17 e 1 Cor 15, 51-52; a verdade é que não temos aqui qualquer espécie de especulação apocalíptica, mas antes a especificação do que é a existência cristã, a saber, uma vida aberta ao futuro, em atitude de fé e de esperança, abraçando as exigências de vigilância e de renúncia às obras das trevas e à satisfação dos apetites carnais, uma vida nova, que é revestir-se do Senhor Jesus Cristo (v. 14).

11 «Chegou a hora de nos levantarmos do sono» (uma boa esporada para começar o ano litúrgico). O sono é próprio da noite; e a noite é imagem da morte e do pecado, «as obras das trevas», (v. 12); por outro lado, há uma afinidade ontológica entre o cristão e o dia – a luz –, uma exigência do ser cristão, uma vez que Cristo é a luz do mundo: «vós sois a luz do mundo» (Mt 5, 14) e «Eu sou a luz do mundo» (Jo 8, 12); o cristão é aquele que deixou iluminar a sua alma, a sua vida, os seus pensamentos, por Cristo, «a luz que brilha nas trevas» (Jo 1, 5), por isso, «a noite vai adiantada» (v. 12), e, embora ainda não seja pleno dia, já temos a luz suficiente para seguir a Cristo e não ao pecado. Com razão os cristãos são designados com o genitivo hebraico de qualidade, «filhos da luz»: Lc 16, 8; Jo 12, 36; Ef 5, 8; 1 Tes 5, 5 (aqui também chamados «filhos do dia»)

12 «Obras das trevas»: o mesmo que obras tenebrosas ou pecaminosas, muitas das quais, como as que aponta o v. 13, se costumam praticar na clandestinidade da escuridão e da noite.

«Armas da luz», são as virtudes, em especial as teologais (cf. 1 Tes 5, 8; Ef 6, 13-17). Notar que esta expressão paulina, armas, uma vez mais põe em evidência que a vida cristã é uma luta diária.

14 «Revesti-vos do Senhor Jesus Cristo». Revestir-se, na linguagem bíblica, não significa apenas vestir uma farda (nas festas pagãs, os iniciados vestiam-se à maneira da divindade celebrada), mas trata-se duma identificação na linha do ser: assim, no A. T., revestir-se de justiça, de força, etc., corresponde a tornar-se justo, forte, etc. Revestir-se de Cristo é, pois, identificar-se com Cristo, «ter os mesmos sentimentos de Cristo» (Filp 2, 5). O fiel revestido de Cristo, a partir do Baptismo (cf. Gal 3, 27), tem ainda que se deixar impregnar cada vez mais intensamente por Ele nos novos sectores para os quais se vai abrindo a sua vida, ao desenvolver-se. Ser de Cristo é crucificar a sua carne com todo o cortejo dos seus vícios e apetites desordenados (cf. Gal 5, 24).

 

Aclamação ao Evangelho        Salmo 84, 8

 

Monição: Estamos ansiosos por contemplar a face do nosso deus que Se revestiu de carne humana para nos salvar.

O Evangelho que vai ser proclamado anima-nos, porque nos anuncia que a Salvação está a chegar.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação – 4,F. Silva, NRMS 50-51

 

Mostrai-nos, Senhor, a vossa misericórdia

e dai-nos a vossa salvação.

 

 

Evangelho

 

São Mateus 24, 37-44

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 37«Como aconteceu nos dias de Noé, assim sucederá na vinda do Filho do homem. 38Nos dias que precederam o dilúvio, comiam e bebiam, casavam e davam em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca; 39e não deram por nada, até que veio o dilúvio, que a todos levou. Assim será também na vinda do Filho do homem. 40Então, de dois que estiverem no campo, um será tomado e outro deixado; 41de duas mulheres que estiverem a moer com a mó, uma será tomada e outra deixada. 42Portanto, vigiai, porque não sabeis em que dia virá o vosso Senhor. 43Compreendei isto: se o dono da casa soubesse a que horas da noite viria o ladrão, estaria vigilante e não deixaria arrombar a sua casa. 44Por isso, estai vós também preparados, porque na hora em que menos pensais, virá o Filho do homem».

 

O Evangelho de hoje recolhe apenas 8 vv. do que se pode chamar o núcleo ético do discurso escatológico de Jesus em Mateus (Mt 24, 1 – 25, 46), a saber, a exortação moral à vigilância (Mt 24, 37 – 25, 30). Neste pequeno trecho podemos considerar três partes: vv. 37-39; 40-41; 42-44.

37-39 «Como aconteceu nos dias de Noé…» Jesus, segundo os ensinamentos morais rabínicos, apela para a lição do dilúvio: as pessoas preocupadas com a satisfação das necessidades imediatas, comer, beber, casar, esquecem o mais importante e são apanhadas de surpresa, sem estarem preparadas para dar contas a Deus da sua vida na hora duma morte inesperada (cf. Sab 10, 4; Hebr 11, 7; 1 Pe 3, 20; 2 Pe 2, 5).

40-41 O carácter imprevisível da vinda de Jesus é ilustrado com dois casos tirados da vida corrente em que uma pessoa se salva e a outra perece, para daqui tirar a lição moral (o nimxal rabínico): «portanto, vigiai, porque não sabeis em que dia virá…».

42-44 A parábola do ladrão vem reforçar a lição moral anterior sobre a vigilância, repetida no v. 44, com outras palavras: «Estai vós também preparados!» Esta incerteza é para nós um bem, um estímulo. Se soubéssemos o dia do juízo, corríamos grande risco de nos desleixarmos em fazer o bem e de nos deixarmos arrastar pelo mal, sendo então muito mais fácil que nos viéssemos a condenar. Devemos estar vigilantes e preparados, como se cada dia fosse o último da nossa vida. O Senhor virá como um ladrão, mas apenas no que se refere ao imprevisto da hora, pois, sendo Ele o melhor dos pais, escolherá a melhor hora para os seus filhos, mas respeitando a liberdade de cada um.

 

Sugestões para a homilia

 

• O Senhor virá

Vem para nos salvar

Salvação para todos

Trará a verdadeira paz e alegria

• A Salvação está próxima

Combater o sono

Atenção aos sinais

Estejamos preparados

 

1. O Senhor virá

 

a) Vem para nos salvar. «Sucederá, nos dias que hão-de vir, que o monte do templo do Senhor se há-de erguer no cimo das montanhas e se elevará no alto das Colinas

O profeta Isaías anuncia um movimento universal de conversão, figurado na multidão que vai ao encontro da colina sagrada de Jerusalém onde se encontrava o Templo. Jerusalém é a figura da Igreja onde encontramos Jesus Cristo, o verdadeiro Templo vivo do Pai. Ele mesmo dirá, poucos dias antes da Paixão, referindo-Se ao Seu Corpo: «Destruí este templo e Eu o reedificarei em três dias.» S. João tem o cuidado de nos dizer que Ele Se referia ao Templo do Seu Corpo.

Durante milhares de anos, a humanidade esperou pela vinda do Redentor. Sem a luz de Deus, a vida foi-se degradando, de tal forma que nasceram as diversas formas de escravatura.

Logo depois da queda dos primeiros pais, Deus fez raiar a esperança, prometendo uma luta sem tréguas entre a Mulher — Maria Imaculada — e a serpente, a descendência desta e a da Mulher, que seria o Redentor e os que O seguem.

Foi a situação desesperada dos homens, figurada na escravidão do Egipto e no Cativeiro de Babilónia, que levou os Patriarcas e Profetas e todos os justos do Antigo Testamento a suspirar pela vinda do Messias. Precisávamos urgentemente da Sua vinda para nos recuperar a graça santificante perdida, e a luz da doutrina da Salvação.

Este princípio do Advento formula para nós algumas perguntas:

Sentimos a falta de Jesus Cristo na nossa vida e procuramo-l’O, à semelhança dos nossos antepassados na fé que suspiravam pela Sua vinda? Como está a vida espiritual de cada um de nós, na relação com Ele? Podem acontecer diversas hipóteses:

• Vida em pecado mortal habitual, sem a graça santificante, verdadeira negação do Baptismo.

Tibieza. É o estado de coma na vida espiritual: parece-nos que o doente está bem, porque não se queixa, mas encontra-se em perigo de vida.

Mediocridade calculista. Há quem viva assim a sua relação com Deus, pesando cuidadosamente o que há-de entregar a Deus e mantendo-se cautelosamente à distancia, não vá Ele abusar da confiança.

Esta atitude é uma negação radical da aliança. Ela é uma doação incondicional, À semelhança do que acontece na aliança do matrimónio.

 

b) Salvação para todos. «Ali afluirão todas as nações e muitos povos ocorrerão, dizendo: «Vinde, subamos ao monte do Senhor, ao templo do Deus de Jacob. Ele nos ensinará os seus caminhos e nós andaremos pelas suas veredas

O profeta Isaías não fala de uma caminhada individual, isolada, mas de uma multidão que vai ao encontro do monte Sião, onde se encontra o Templo. Nesta caminhada, a solidariedade de uns para com os outros é fundamental. É o contrario de uma competição em que cada um — porque só um recebe o prémio — se alegra em que os outros fiquem para trás.

O Baptismo tem como efeito tornar-nos membros de uma família; a dos filhos de Deus.

Uma das notas essenciais do perfil de uma família é a solidariedade, a preocupação de uns pelos outros, a comunhão de alegrias e tristezas, a corresponsabilidade nas tarefas para que todos estejam bem.

Daí que não há verdadeiro cristianismo sem que nos preocupemos com os outros, indo ao encontro deles.

Mais uma vez, o profeta Isaías formula-nos perguntas: Que lugar ocupam os outros na minha acção e na ajuda que lhes presto? Sou sensível ao descaminho em que se encontram tantas pessoas?

«Um segredo. — Um segredo em voz alta: estas crises mundiais são crises de santos. —  Deus quer um punhado de homens «seus» em cada actividade humana. — Depois... «Pax Christi in regno Christi» — a paz de Cristo no reino de Cristo.» (S. Josemaria, Caminho, n.º 301).

Neste Advento que agora começa — o último para muitas pessoas — quem me proponho aproximar de Deus, por uma confissão bem feita que leve à mudança de vida?

Todas as vezes que falece uma pessoa de família, os outros são assaltados por este pensamento: ”Se eu soubesse... teria tratado esta pessoa com maior atenção, carinho e amizade!” Então façamo-lo já.

•  Na família. O primeiro testemunho é o de uma amizade profunda e espírito de serviço humilde e desprendido.

•  No emprego. Esperam e nós um bom trabalho profissional em todos os momentos e uma camaradagem leal com todos.

•  Na roda de amigos. Uma amizade nunca desmentida leva a uma grande sinceridade nas relações humanas.

 

c) Trará a verdadeira paz e alegria. «Converterão as espadas em relhas de arado e as lanças em foices. Não levantará a espada nação contra nação, nem mais se hão-de preparar para a guerra

Quem lê a Bíblia e os historiadores (por exemplo, Flávio Josefo) verifica que Terra Santa foi sempre um lugar muito conturbado ao longo dos séculos.

Por isso, a grande aspiração do Povo de Deus era alcançar uma paz estável. Em geral, a guerra que o incomodava estava relacionada com as suas infidelidades ao Senhor.

A paz é a tranquilidade na ordem, na harmonia, no amor. Não tem nada a ver com o silêncio e aparente tranquilidade impostos pelas armas, pelo medo, ou qualquer outro modo de opressão.

Se considerarmos que a violação dos direitos da pessoa é uma forma de guerra, podemos dizer que neste mundo nunca gozamos de uma paz perfeita. Mas a paz tem a raiz no coração de cada um de nós. Ela alimenta-se da nossa fidelidade aos planos de Deus.

Por isso, podemos falar de paz com Deus, connosco mesmos e com os outros, resumindo tudo na paz de consciência.

Quem não está com a consciência em paz, semeia constantemente o desassossego à sua volta. Hoje estamos em guerra declarada, nas suas várias manifestações, porque tudo o que se opõe aos planos de Deus é uma declaração de guerra.

Nossa Senhora disse em Fátima: “Se se converterem terão paz.”.

Aborto. É uma forma de guerra brutal que ceifa vidas quando as pessoas ainda não se podem defender. Durante a campanha pró-aborto no nosso país, a Irmã Lúcia dizia no Carmelo: “Se a lei do aborto não for aprovada, é cada um que comete este crime que pagará diante de Deus; mas se for o pais como tal a aprová-lo, o pais todo pagará.” A verdade, é que desde a aprovação do aborto — mesmo sem terem ganho o referendo — a nossa vida vai-se complicando cada vez mais.

Na família. A paz na família há-de ser construída pelo empenho dos esposos em colocar Deus no centro do seu lar, pela fidelidade mútua e fidelidade para com Deus, na generosidade em aceitar os filhos e em educá-los.

Paz na consciência. Procuremos a paz vivendo na graça de Deus, e vivendo generosamente a nossa vocação.

Também existe a falsa paz daqueles que deixaram adormecer a sua consciência no pecado e perderam toda a sensibilidade. Essa não a queremos.

O Advento é uma chamada de Deus para construirmos a verdadeira paz no meio em que vivemos. Deixemos que o Senhor entre na nossa vida a sério.

 

2. A Salvação está próxima

 

a) Combater o sono. «Chegou a hora de nos levantarmos do sono, porque a salvação está agora mais perto de nós do que quando abraçámos a fé. A noite vai adiantada e o dia está próximo

As palavras de S. Paulo da Carta aos Romanos, proclamadas na segunda leitura, soam como uma trombeta militar chamando os soldados para o combate.

«O grande risco do mundo actual, com sua múltipla e avassaladora oferta de consumo, é uma tristeza individualista que brota do coração comodista e mesquinho, da busca desordenada de prazeres superficiais, da consciência isolada.

Quando a vida interior se fecha nos próprios interesses, deixa de haver espaço para os outros, já não entram os pobres, já não se ouve a voz de Deus, já não se goza da doce alegria do seu amor, nem fervilha o entusiasmo de fazer o bem. Este é um risco, certo e permanente, que correm também os crentes.

Muitos caem nele, transformando-se em pessoas ressentidas, queixosas, sem vida. Esta não é a escolha duma vida digna e plena, este não é o desígnio que Deus tem para nós, esta não é a vida no Espírito que jorra do coração de Cristo ressuscitado.» (Francisco, EA Evangeli Guadium, n.º 2).

O sono na vida espiritual tem um nome: tibieza. Este lamentável estado da alma parece-se com o estado de coma na vida corporal: a pessoa parece que não tem nada de especial, porque está serena, mas encontra-se em grave perigo de vida. Possivelmente, enquanto está assim inconsciente de tudo o que a rodeia, sonha com um mundo de felicidade, mas este sonho não corresponde à liberdade.

S. João, no Livro do Apocalipse foi encarregado pelo Senhor de escrever aos sete Bispos — Anjos — das Igrejas da Ásia Menor. A um deles, o Bispo de Laodiceia, vítima desta doença espiritual, S. João escreve palavras que nos ajudam a compreender melhor o que é a tibieza.

«Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente; quem dera foras frio ou quente!

Assim, porque és morno, e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca.

Como dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta; e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu; Aconselho-te que de mim compres ouro provado no fogo, para que te enriqueças; e roupas brancas, para que te vistas, e não apareça a vergonha da tua nudez; e que unjas os teus olhos com colírio, para que vejas. Eu repreendo e castigo a todos quantos amo; sê pois zeloso, e arrepende-te. Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo.» (Apocalipse 3:15-20).

• S. João, por ordem de Deus, não se dirige a um pecador escandaloso, mas a um bispo.

Na verdade, a tibieza é uma doença das almas com alguma preocupação de espiritualidade; querem viver em graça, fugir do pecado mortal, mas não se importam de cometer pecados veniais e limitam cuidadosamente a sua generosidade para com Deus. O demónio anestesia as almas pela recusa sistemática em fazer a vontade de Deus.

• «porque és morno, e não és frio nem quente». Um autor espiritual ajuda-nos a diagnosticar esta doença. «Luta contra essa frouxidão que te faz preguiçoso e desleixado na tua vida espiritual. - Olha que pode ser o princípio da tibieza..., e, na frase da Escritura, os tíbios, Deus os vomitará.» (S. Josemaria, Caminho, 325).

«És tíbio se fazes preguiçosamente e de má vontade as coisas que se referem ao Senhor; se procuras com cálculo ou "manha" o modo de diminuir os teus deveres; se não pensas senão em ti e na tua comodidade; se as tuas conversas são ociosas e vãs; se não aborreces o pecado venial; se ages por motivos humanos.» (S. Josemaria, Caminho, 331).

Almas que vivem iludidas. «Como dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta; e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu.»

 

b) Atenção aos sinais. «Portanto, vigiai, porque não sabeis em que dia virá o vosso Senhor. Compreendei isto: se o dono da casa soubesse a que horas da noite viria o ladrão, estaria vigilante e não deixaria arrombar a sua casa

Há nas palavras de Jesus uma chamada de atenção para os sinais que o Senhor nos envia e um convite ao esforço para os decifrar.

A chave da leitura. Somos filhos de Deus e Ele ama-nos com loucura. Tudo quanto nos acontece nesta vida nunca é sinal de castigo, mas de amor. As pessoas são propensas a interpretar como castigo tudo aquilo que não está de acordo com aquilo que gostam: uma doença, um contratempo económico, a morte de um familiar...

Tudo deve ser examinado, partindo do princípio de que tudo quanto acontece tem sinal do amor de Deus.

Os sinais que Deus nos envia. Precisamos de implorar a ajuda do Espírito Santo, com os Seus sete dons, para decifrarmos correctamente estes sinais que o Senhor nos envia. São mensagens de enamorado, de um Pai que nos ama com loucura.

A nossa atitude perante estes sinais. Devemos manifestar ao Senhor o nosso profundo agradecimento e pensar na Sua presença como poderemos corresponder a tanto amor, o que é que Ele nos pede concretamente, por meio daquele sinal que nos envia.

Elegância no trato com Deus. Por efeito de uma cultura que vem de longe, do negativo, do pessimismo, quando nos falam de alguma coisa desagradável que aconteceu a alguém, instintivamente pensamos nos seus defeitos e pecados, para logo a seguir carimbar esse acontecimento como um castigo pelo modo de ser da pessoa ou pelos seus pecados.

Vale a pena lembrar o que aconteceu a Santa Teresa de Jesus, a reformadora dos Carmelos. Vivia a santa carregada de dívidas, com saúde muito precária, difamada por toda a Espanha como se andasse a levar raparigas de um lado ao outro para a prostituição, ameaçada pela Inquisição que desconfiava da autobiografia que ela escrevera em obediência ao confessor, acertou de ela se deslocar a Burgos, para fundar um novo Carmelo. Ia doente, cansada e com sofrimento interior por tudo o que se disse. O rio Alazón transbordava e foi com duras penas que conseguiram passá-lo, não sem que Teresa caísse à água gelada e apanhasse um banho completo. Ao mesmo tempo, uma voz soou aos seus ouvidos: “Teresa, é assim que eu trato os Meus amigos!” E logo ela, com a sua habitual espontaneidade: “Por isso Tendes tão poucos, Senhor!”

 

c) Estejamos preparados. «Por isso, estai vós também preparados, porque na hora em que menos pensais, virá o Filho do homem

A vigilância é uma virtude muito recomendada por Jesus no Evangelho. Recorre aos costumes da época em que viveu a Sua vida mortal entre nós, para nos explicar em que consiste: estar com os rins cingidos — as pessoas atavam um cinto para levantar a túnica, de modo que não impeça de caminhar —, de cajado na mão — e lâmpadas já acesas, à espera do menor sinal para empreender a caminhada.

A vigilância cristã não é um estar temeroso e receoso do que pode acontecer quando se der o nosso encontro com o Senhor.

É antes aquela expectativa de duas pessoas enamoradas que aguardam com alegria e quase impaciência o encontro com quem se ama. Esta atitude interior traduz-se em normas de piedade:

Exame de consciência. Para que estejamos sempre prontos para acolher o Senhor que nos procura, precisamos de examinar todas as noites a nossa vida, para ver como vai a nossa vida, tal como o comerciante, antes de encerrar o dia, Vê como está a contabilidade, se teve prejuízo ou lucro.

Todas as noites, antes de nos entregarmos ao sono, façamos a nós mesmos três perguntas: Que fiz hoje de bem? Que fiz de mal? Que poderia ter feito melhor? O texto não é de um santo, mas de um escritor pagão: Séneca, preceptor do imperador Nero.

Oração. Intensifiquemos continuamente a nossa intimidade com o Senhor, por meio da oração. O texto do cântico Rorate, próprio do Advento, ajuda-nos a fazê-lo: “Ó céus, rociai do alto e as nuvens chovam o Salvador.” Pedimos depois ao Senhor que não se irrite ao ver a nossa indigência. A nossa alma devia ser um jardim de flores, de virtudes. Mas é um deserto.

A missa dominical. É o grande encontro com o Senhor que vem ao nosso encontro em cada Domingo para nos encher de coragem, com a Palavra e com o Seu Corpo e Sangue.

Imitemos Nossa Senhora que, em profundo recolhimento, sem descurar os seus deveres de esposa e dona de casa, aguardou com alegria o nascimento do menino que trazia no seu seio virginal.

 

Fala o Santo Padre

 

«Jesus é o guia e ao mesmo tempo a meta da nossa peregrinação enquanto Povo de Deus.»

Começamos hoje, primeiro Domingo do Advento, um novo ano litúrgico, ou seja, um novo caminho do Povo de Deus com Jesus Cristo, nosso Pastor, que nos guia na história rumo ao cumprimento do Reino de Deus. Por isso este dia tem um fascínio especial, faz-nos ter um sentimento profundo do significado da história. Redescobrimos a beleza de estar todos a caminho: a Igreja, com a sua vocação e missão, e a humanidade inteira, os povos, a civilização, as culturas, todos a caminho através das veredas do tempo.

Mas a caminho para onde? Há um destino comum? E qual é este destino? O Senhor responde-nos através do profeta Isaías, e diz assim: «No fim dos tempos acontecerá que o Monte do Templo do Senhor terá os seus fundamentos no cume das montanhas, e dominará as colinas. Acorrerão a ele todas as gentes, virão muitos povos e dirão: “Vinde, subamos à montanha do Senhor, à Casa do Deus de Jacob: ele nos ensinará os seus caminhos”» (2, 2-3). Eis o que diz Isaías sobre a meta para onde vamos. É uma peregrinação universal rumo a uma meta comum, que no Antigo Testamento é Jerusalém, onde surge o templo do Senhor, porque dali, de Jerusalém, veio a revelação do rosto de Deus e da sua lei. A revelação encontrou em Jesus Cristo o seu cumprimento, e Ele mesmo se tornou o «templo do Senhor», o Verbo feito carne: é Ele o guia e ao mesmo tempo a meta da nossa peregrinação, da peregrinação de todo o Povo de Deus; e à sua luz também os outros povos podem caminhar rumo ao Reino da justiça, rumo ao Reino da paz. Diz ainda o Profeta: «Das suas espadas forjarão relhas de arados, e das suas lanças, foices. Uma nação não levantará a espada contra a outra nação, e não se adestrarão mais para a guerra» (2, 4). Permito-me repetir o que diz o Profeta, ouvi bem: «Das suas espadas forjarão relhas de arados, e das suas lanças, foices. Uma nação não levantará a espada contra a outra nação, e não se adestrarão mais para a guerra». Mas quando acontecerá isto? Será um lindo dia, no qual as armas forem desmontadas, para serem transformadas em instrumentos de trabalho! Que lindo dia será esse! E isto é possível! Isto é possível! Apostemos na esperança, na esperança da paz, e será possível!

Este caminho nunca está concluído. Como na vida de cada um de nós há sempre necessidade de voltar a partir, de se erguer, de reencontrar o sentido da meta da próxima existência, assim para a grande família humana é necessário renovar sempre o horizonte comum para o qual estamos encaminhados. O horizonte da esperança! Este é o horizonte para percorrer um bom caminho. O tempo do Advento, que hoje começamos de novo, restitui-nos o horizonte da esperança, uma esperança que não desilude porque está fundada na Palavra de Deus. Uma esperança que não decepciona, simplesmente porque o Senhor nunca desilude! Ele é fiel! Ele não desilude! Pensemos e sintamos esta beleza. [...]

Papa Francisco, Angelus, Praça de São Pedro, 1 de Dezembro de 2013

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

Alegres na esperança deste Advento,

que nos prepara para a vinda do Salvador,

peçamos o auxílio misericordioso de Deus,

para que o vivamos com fiel generosidade.

Oremos (cantando):

 

    Vinde Jesus, para nos salvar!

 

1. Pelo Santo Padre, guia corajoso da nossa fé,

    para que nos ajude a preparar bem este Natal,

    oremos, irmãos.

 

    Vinde Jesus, para nos salvar!

 

2. Pelos que perderam a esperança sobrenatural,

    para que o Senhor os ilumine neste Advento,

    oremos, irmãos.

 

    Vinde Jesus, para nos salvar!

 

3. Pelos que não têm trabalho nem o pão diário,

    para que possam contar com a nossa ajuda,

    oremos, irmãos.

 

    Vinde Jesus, para nos salvar!

 

4. Pelos jovens da nossa comunidade paroquial,

    para que não se deixem levar por falsos amigos,

    oremos, irmãos.

 

    Vinde Jesus, para nos salvar!

 

5. Pelos que celebram agora o último Advento,

    para que vivam com generosidade esta graça,

    oremos, irmãos.

 

    Vinde Jesus, para nos salvar!

 

6. Pelos que, depois da vida na terra, são limpos,

    para que a misericórdia do Senhor os socorra,

    oremos, irmãos.

 

    Vinde Jesus, para nos salvar!

 

Senhor, que nos chamais, neste Advento,

a preparar um feliz encontro convosco:

abri o nosso coração à Vossa misericórdia,

para que alcancemos o que nos prometeis.

Vós que sois Deus, com o Pai,

na Unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

Nesta caminhada do Advento rumo ao Natal, há duas ajudas que não podem faltar: a luz para ver o caminho e o alimento para aguentar a caminhada.

O Senhor acaba de iluminar os nossos na Mesa da Palavra; prepara agora o Alimento do Seu Corpo e Sangue que nos dará forças para caminhar.

 

Cântico do ofertório: Senhor, que tanto amais o vosso povo, J. Santos, NRMS 95-96

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, estes dons que recebemos da vossa bondade e fazei que os sagrados mistérios que celebramos no tempo presente sejam para nós penhor de salvação eterna. Por Nosso Senhor.

 

Prefácio do Advento I: p. 453 (586-698)

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Saudação da Paz

 

A paz é fruto de um esforço generoso de cada um de nós para construir um mundo novo pelo Amor.

Este Advento desafia-nos a construir a paz, começando pelo nosso coração. Sondemo-lo para verificar se é suficientemente humilde para pedir perdão e generoso para perdoar.

Com estes salutares propósitos,

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

Hoje, em vez de corrermos ao encontro da colina do templo de Jerusalém, somos convidados a caminhar para a colina do Sacrário, onde Se nos oferece Jesus Cristo como verdadeiro Alimento. Ele é o Pão vivo que desceu do Céu.

Recebamo-lo com fé, humildade e gratidão e peçamos-Lhe que fortaleça a nossa caminhada até à Jerusalém celeste.

 

Cântico da Comunhão: Vem, Senhor Jesus, F. da Silva, NRMS 62

Salmo 84, 13

Antífona da comunhão: O Senhor nos dará todos os bens e a nossa terra produzirá o seu fruto.

 

Oração depois da comunhão: Fazei frutificar em nós, Senhor, os mistérios que celebramos, pelos quais, durante a nossa vida na terra, nos ensinais a amar os bens do Céu e a viver para os valores eternos. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Façamos um generoso programa para viver neste Advento da Salvação e comecemos hoje mesmo a cumpri-lo.

É indispensável que os nossos irmãos estejam presentes neste mesmo programa, pois Jesus Cristo perguntar-nos-á por eles.

 

Cântico final: Levanta-te Jerusalém, F. da Silva, NRMS 39

 

 

Homilias Feriais

 

TEMPO DO ADVENTO

 

2ª Feira, 28-XI: Um bom acolhimento para a vinda do Senhor

Is 4, 2-6 / Mt 8, 5-11

O centurião: Senhor, eu não mereço que entres debaixo do meu tecto.

Queremos preparar-nos muito bem para a celebração do Nascimento de Jesus. As Leituras de hoje aconselham-nos algumas virtudes importantes: a purificação através de uma boa Confissão: «O Senhor virá lavar a impureza da filha de Sião» (Leit.); a alegria, manifestada a através do nosso sorriso: «Iremos com alegria para a casa do Senhor» (S. Resp.); a humildade e a fé ardente do centurião.

Recordemos que a Igreja escolheu estas palavras do centurião para o momento que antecede a Comunhão sacramental. Preparemo-nos, rezando algumas comunhões espirituais.

 

3ª Feira, 29-XI: A restauração da paz e da harmonia.

Is 11, 1-10 / Lc 10, 21-24

O lobo viverá com o cordeiro... O bezerro e o leãozinho andarão juntos, e um menino os poderá conduzir.

A vinda do Messias virá restaurar a harmonia do princípio da criação, de acordo com esta profecia (Leit.). Para isso, o Pai infundiu o Espírito Santo no Filho (Ev.).

Esta plenitude do Espírito Santo há-de ser comunicada a todo o povo de Deus para que se obtenham frutos abundantes: a paz e a alegria messiânicas no nosso ambiente familiar e no trabalho profissional. Precisamos pois desta paz na nossa alma, fruto da actuação do Espírito Santo, da recepção do Sacramento da misericórdia, de procurarmos evitar o pecado, que semeia a discórdia, de seguirmos os conselhos do Senhor.

 

4ª Feira, 30-XI: Santo André: falar do Messias aos amigos.

Rom 10, 9-18 / Mt 4, 18-22

Jesus viu dois irmãos, Simão, que é chamado Pedro, e seu irmão André, os quais lançavam ao mar uma rede, pois eram pescadores.

André foi um dos primeiros discípulos de João Baptista. Tendo ouvido falar do Messias, apresentou-lhe o seu irmão Simão. Segundo a tradição pregou o Evangelho na Grécia e morreu crucificado numa cruz. Pregou o Evangelho, como todos os Apóstolos: «Ai de mim se não pregar o Evangelho» (Leit.).

Como S. André, não deixemos de levar aos amigos e conhecidos a notícia da chegada do Messias, para que se preparem para o acolherem bem: «A voz deles propagou-se por toda a terra e, as suas palavras, até aos confins do mundo» (S. Resp.).

 

5ª Feira, 1-XII: Uma vida apoiada na palavra do Senhor.

Is 26, 1-6 / Mt 7, 21-27

Todo aquele que ouve as minhas palavras, e as põe em prática, será semelhante a um homem prudente, que fez a sua casa sobre rocha.

O Messias é apresentado como uma rocha e, além disso, como «rocha eterna» (Leit.). E vem convidar-nos a edificar a nossa vida, apoiados nEle, fundamento sólido, e não sobre a areia, que é símbolo da falta de consistência, do apoio em si próprio.

Edificamos a nossa vida sobre Cristo, quando ouvimos as suas palavras: as leituras do Novo Testamento, as inspirações que recebemos na oração, que nos orientam para vivermos melhor a nossa vida. Mas temos que nos esforçar para as levar à prática (Ev.): cada dia um pouco mais de empenho por viver o dia de acordo com a vontade do Pai, como Jesus.

 

6ª Feira, 2-XII:Abrir os olhos à Luz divina.

Is 29, 17-24 / Mt 9, 27-31

Nesse dia, os surdos ouvirão a palavra do livro divino; libertos da escravidão e das trevas, os olhos dos cegos hão-de ver.

O profeta anuncia a realização de grandes prodígios, com a vinda do Messias (Leit.). Entre esses prodígios está a cura de dois cegos, que reconhecem nEle o filho de David (Ev.).

Pedimos igualmente ao Senhor que nos abra os olhos para a luz divina, que se desprende de Jesus, para podermos vê-lo nas pessoas que nos rodeiam, nos acontecimentos de cada dia; para vermos as pessoas com sentimentos de misericórdia; para vermos as coisas como Deus as vê: a dor, o trabalho, a vida familiar, etc.

 

Sábado, 3 -XII: Frutos abundantes do Messias.

Is 30, 19-21. 23-30 / Mt 9, 35- 10.1. 6-8

O Senhor dará a chuva para a semente que tiveres lançado à terra, e o pão que a terra produzir será farto e nutritivo.

O Messias quer que, na terra e na vida de cada um de nós, haja frutos abundantes (Leit.). Para isso, dar-nos-á as indicações necessárias, porque Ele é o Caminho: «É este o caminho, tratai de o seguir» (Leit.).

Ele pede aos seus discípulos, e a cada um de nós, que continuemos a sua missão. Procuremos ensinar os outros a abandonarem a sua vida cómoda, mostremos o caminho da felicidade aos que andam desorientados, como ovelhas sem pastor (Ev.). E acompanhemos esta evangelização com a oração: «pedi ao senhor da seara que mande trabalhadores» (Ev.).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:   Fernando Silva

Nota Exegética:            Geraldo Morujão

Homilias Feriais:           Nuno Romão

Sugestão Musical:        Duarte Nuno Rocha

 


Imprimir | Voltar atrás | Página Inicial