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O VERBO FEZ-SE CARNE

 

 

 

 

Hugo de Azevedo

 

 

 

«E o Verbo se fez carne!», exclama, arroubado, S. João, e continua exclamando toda a Igreja, sem cessar, ao longo de séculos e milénios. Não é possível sair do assombro: Deus faz-se Homem! O Criador faz-se criatura humana, corpo e alma! Deus infinito assume a nossa infinita limitação material e espiritual!

Mas quem será mais materialista do que o Criador e sustentador da matéria? Não é a matéria uma manifestação esplendorosa do seu poder e do seu amor?

Paradoxalmente, o homem, esta mescla unitária de corpo e alma, tende a ver a corporalidade como jaula do espírito, como a culpada da sua insignificância, dos seus sofrimentos,  do horror da morte e do malogro dos seus sonhos. Quando o nosso corpo é justamente o contrário: o organismo capaz de transmitir ao espírito todas as informações de que necessita e nosso meio de comunicação, de amor, de expressão pessoal a quantos nos rodeiam. Que loucura tentar renunciar ao espírito, tentando reduzir-nos a massas carnais, e procurando apenas satisfações instintivas – que nunca nos satisfazem!

Matéria e espírito: quantas vezes falamos de uma e outro como de substâncias contrapostas, quando não inimigas… Mas como separá-las, se o que vemos na matéria são precisamente efeitos do espírito: a sua ordem, a sua «racionalidade», a sua beleza? Ou seja, manifestações do poder, da inteligência e do amor de Deus?

O Verbo fez-se carne, por amor de nós, sem dúvida, mas também porque o mundo, a materialidade, a carnalidade, são bons. E se nos fez à Sua imagem, porque não seria digno dEle assumi-la? Se tanto nos quer, porque não havia de amar o mundo à nossa maneira, abrindo os olhos infantis à «descoberta» do mundo que Ele criou para Sua glória e nossa felicidade eterna?

O Verbo fez-se Carne, quer dizer, Corpo e Alma. «Alma de Cristo, santificai-nos!» Não esqueçamos que o corpo humano exige a alma, subsiste por ela e para ela existe. Nosso Senhor salva-nos com o seu Corpo, mas salva-nos pela sua alma: pela sua Vontade, pelo seu amor. É pela alma que o seu Corpo se oferece ao Pai em nosso favor, e se torna ele próprio salvífico.

O Verbo fez-se carne! Deus, que nos criou sem necessidade, quis precisar de nós! Pois, a partir da sua Incarnação, Jesus não poderia ser feliz sem nós. E como nos procura e se nos avizinha, e permanece ao nosso lado - Corpo, Alma e Divindade - no Sacrário! Vendo-nos, é certo, tanta vez distraídos, mas ao pé dEle, e sem de nós desanimar… Desculpando até as nossas dúvidas, cheio de paciência: - «Será mesmo Ele?»

Pelo seu amor infinito, o Verbo veio habitar entre nós: a Verdade, sujeitou-se humildemente ao nível raso da opinião!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


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