aCONTECIMENTOS eclesiais

DA SANTA SÉ

 

 

DOCUMENTO SOBRE

A VIDA CONTEMPLATIVA FEMININA

 

No passado dia 22 de Julho, celebração da Festa de Santa Maria Madalena, o Papa Francisco apresentou a toda a Igreja a nova Constituição Apostólica para a vida contemplativa feminina: Vultum Dei Quaerere (Buscar o Rosto de Deus).

 

Os motivos do documento, explica o Pontífice, são o caminho percorrido pela Igreja e o rápido avanço da história humana nos cinquenta anos decorridos após o Concílio Vaticano II.

Daí a necessidade de estabelecer um diálogo com a sociedade contemporânea, salvaguardando ao mesmo tempo “os valores fundamentais” da vida contemplativa, cujas características – o silêncio, a escuta, a estabilidade – “podem e devem constituir um desafio para a mentalidade de hoje”.

Introduzido por uma ampla reflexão sobre a importância das monjas e das contemplativas para a Igreja e para o mundo, o documento indica 12 temas de reflexão e discernimento para a vida consagrada em geral e conclui com 14 artigos dispositivos.

 

 

VIAGEM APOSTÓLICA À POLÓNIA

 

O Papa Francisco encerrou a sua Viagem Apostólica à Polónia, de 27 a 31 de Julho passado, depois de ter presidido à Jornada Mundial da Juventude (JMJ) em Cracóvia, numa visita que incluiu uma homenagem silenciosa às vítimas de Auschwitz. (Ver também Secção Documentação).

 

O Santo Padre deixou vários apelos em favor do acolhimento de refugiados, um tema politicamente delicado na Polónia, e recordou as vítimas da guerra em várias partes do mundo, particularmente na Síria.

Tendo como pano de fundo os recentes atentados terroristas na Europa, que levaram a um reforço da segurança durante a JMJ, o Papa apresentou a “fraternidade” como única resposta à violência e ao ódio, afirmando que não se vence o terror “com mais terror”.

Perante mais de 1,5 milhões de pessoas, nos eventos conclusivos da JMJ, Francisco desafiou os jovens católicos a rejeitar o comodismo, assumindo a sua fé na praça pública, incluindo a esfera política, sem ceder ao egoísmo.

No Ano Santo da Misericórdia que convocou para celebrar um Jubileu da Misericórdia, o Papa lembrou por várias vezes duas figuras polacas particularmente ligadas ao desenvolvimento da devoção à Divina Misericórdia: São João Paulo II, criador das JMJ, e Santa Faustina, canonizada por este mesmo Papa.

O Papa confessou alguns jovens e almoçou com uma delegação que representava os cinco continentes presentes na JMJ 2016, dando continuidade à tradição nestes eventos.

Fora do programa da JMJ, o Papa quis visitar os antigos campos de concentração nazis de Auschwitz e Birkenau, onde permaneceu em silêncio e em oração ao longo de cerca de 90 minutos, saudando sobreviventes do Holocausto e pessoas que ajudaram judeus a escapar à perseguição, incluindo uma religiosa católica.

O pontífice argentino recordou depois aos jovens que a “crueldade” continua a marcar a vida da humanidade, tendo visitado um hospital pediátrico para sublinhar a importância de acompanhar os mais frágeis.

O Santo Padre presidiu ainda a uma Missa perante dezenas de milhares de pessoas em visita ao Santuário de Czestochowa, onde evocou o 1050.º aniversário do Baptismo da Polónia e a história recente de sofrimento do país.

A delegação portuguesa, com cerca de 7 mil jovens, foi a 9ª mais numerosa entre os 185 países e territórios representados na JMJ de Cracóvia.

O Departamento Nacional da Pastoral Juvenil promoveu um encontro dos peregrinos portugueses, a LusoFesta, com uma actuação da fadista Cuca Roseta e uma mensagem do seleccionador nacional de futebol, Fernando Santos.

 

 

COMISSÃO PARA A QUESTÃO DO

DIACONADO DAS MULHERES

 

Como já havia anunciado, durante o encontro no passado dia 12 de Maio com as Superioras Gerais, o Papa Francisco instituiu oficialmente no passado dia 2 de Agosto uma Comissão encarregada de estudar a questão do Diaconado das mulheres, sobretudo em relação aos primeiros tempos da Igreja.

 

Como presidente, Francisco nomeou o arcebispo Luis Francisco Ladaria, Secretário da Congregação para a Doutrina da Fé. Os membros da Comissão são 12, seis mulheres e seis homens. Eis os seus nomes:

Rev.da Irmã Nuria CalduchBenages, M.H.S.F.N., Membro da Pontifícia Comissão Bíblica;

Prof.ra Francesca Cocchini, Docente na Universidade «La Sapienza» e no Instituto Patrístico «Augustinianum» de Roma;

Rev.do Mons. Piero Coda, Decano do Instituto Universitário "Sophia", Loppiano, e Membro da Comissão Teológica Internacional;

Rev.do P. Robert Dodaro, O.S.A., Decano do Instituto Patrístico «Augustinianum» de Roma, e Docente de Patrologia;

Rev.do P. Santiago Madrigal Terrazas, S.I., Docente de Eclesiologia na Universidade Pontifícia «Comillas» de Madrid;

Rev.da Irmã Mary Melone, S.F.A., Reitor  Magnífico da Pontifícia Universidade «Antonianum» de Roma;

Rev.do KarlHeinz Menke, Docente emérito de Teologia dogmática na Universidade de Bonn e Membro da Comissão Teológica Internacional;

Rev.do Aimable Musoni, S.D.B., Docente de Eclesiologia na Pontifícia Universidade Salesiana de Roma;

Rev.do P. Bernard Pottier, S.I., Docente no «Institut d'Etudes Théologiques», Bruxelles, e Membro da Comissão Teológica Internacional;

Prof.ra Marianne Schlosser, Docente de Teologia espiritual na Universidade de Viena e Membro da Comissão Teológica Internacional;

Prof.ra Michelina Tenace, Docente de Teologia fundamental na Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma;

Prof.ra Phyllis Zagano, Docente na «Hofstra University», Hempstead, em New York.

 

 

PAPA VISITA

PORCIÚNCULA DE ASSIS

 

No passado dia 4 de Agosto, o Papa Francisco fez uma breve visita à Porciúncula, em Assis, por ocasião dos 800 anos do “Perdão de Assis”.

 

Na sua catequese aos presentes, centrada no texto de Mt 18, 21-35, o Papa começou por recordar as palavras de São Francisco “quero mandar-vos todos para o paraíso”, palavras com as quais pedia o dom da salvação e da vida eterna para todos.

O paraíso – disse Francisco – é este mistério de amor que nos liga para sempre a Deus numa contemplação sem fim, uma fé que a Igreja professa desde sempre quando afirma que acredita na comunhão dos santos:

“Na vivência da fé, nunca estamos sozinhos; fazem-nos companhia os Santos, os Beatos e também os nossos queridos entes que viveram com simplicidade e alegria a fé e a testemunharam na sua vida. Há um vínculo invisível – mas nem por isso menos real – que, em virtude do único Baptismo recebido, faz de nós «um só corpo» animados por «um só Espírito»”

São Francisco, quando pediu ao Papa Honório III o dom da indulgência para os que viessem à Porciúncula, tinha em mente as palavras de Jesus aos discípulos: «Na casa de meu Pai há muitas moradas …», esclareceu o Papa, sublinhando que a via mestra para alcançar a tal morada no paraíso é o perdão. E porque deveremos perdoar a uma pessoa que nos fez mal? Porque antes fomos perdoados nós mesmos… e infinitamente mais. É isto mesmo que nos diz a parábola: tal como Deus nos perdoa a nós, assim também devemos perdoar a quem nos faz mal – disse Francisco.

Jesus ensina-nos a perdoar, e a fazê-lo sem limites: «Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete».

O Papa concluiu a sua catequese dizendo que neste Ano Santo da Misericórdia se torna ainda mais evidente que a estrada do perdão pode renovar a Igreja e o mundo.

“Oferecer o testemunho da misericórdia, no mundo actual, é uma tarefa a que nenhum de nós pode subtrair-se. O mundo tem necessidade de perdão; demasiadas pessoas vivem fechadas no rancor e incubam ódio, porque incapazes de perdão, arruinando a vida própria e a dos outros, em vez de encontrar a alegria da serenidade e da paz”, concluiu o Papa exortando a todos a pedir a intercessão de São Francisco para sejamos sempre sinais humildes de perdão e instrumentos de misericórdia.

 

 

SEXTA-FEIRA DA MISERICÓRDIA

 

No âmbito das chamadas “Sextas-feiras da Misericórdia”, o Papa deslocou-se nesta sexta-feira, 12 de Agosto, à “Comunidade Papa João XXIII”, em Roma, que acolhe mulheres libertadas da prostituição.

 

Fundada pelo P. Oreste Benzi, a Comunidade alberga actualmente 20 mulheres libertadas do tráfico humano para prostituição. Seis delas são da Roménia, 4 da Albânia, 7 da Nigéria, e três respectivamente da Tunísia, Itália e Ucrânia. A idade delas anda à volta duma média de 30 anos. Todas passaram por graves violências físicas e vivem protegidas.

Para acolherem o Papa, estava o responsável geral da Comunidade, Giovani Paolo Ramonda, o assistente espiritual P. Aldo, dois “operadores de rua” e a responsável do apartamento onde elas vivem no norte de Roma.

Esta visita do Papa é mais um chamamento às consciências a combater o tráfico de seres humanos, algo que o Pontífice já definiu em diversas ocasiões como “um delito contra a humanidade” e “uma chaga no corpo da humanidade contemporânea, uma chaga na carne de Cristo”.

O gesto de hoje junta-se às “sextas-feiras da Misericórdia” já vividas pelo Papa ao longo do Ano Santo que está em curso:

– em Janeiro, visitou uma casa de repouso para anciãos e uma para doentes em estado vegetativo em Tor Spaccata, a sul de Roma;

– em Fevereiro, uma comunidade para toxicodependentes em Gastelgandolfo;

– em Março (na Quinta-feira Santa), visitou o Centro de acolhimento para refugiados em Castelnuovo di Porto, na Grande periferia de Roma;

– em Abril, visitou os refugiados e migrantes na ilha grega de Lesbo;

– em Maio, a comunidade do “Chicco” para pessoas com graves problemas mentais, em Ciampino, sempre na cintura de Roma;

– em Junho, foi a duas comunidades romanas para sacerdotes anciãos e doentes.

– e a 29 de Julho, na Polónia, realizou a “Sexta-feira da Misericórdia” com uma oração silenciosa em Auschwitz-Birkenau, a visita às crianças doentes no Hospital Pediátrico de Cracóvia e a Via Sacra com os jovens da JMJ, em que participaram jovens do Iraque, da Síria e de outras partes do mundo em conflito e dificuldades.

 

 

NOMEADO PREFEITO PARA O NOVO DICASTÉRIO

DOS LEIGOS, FAMÍLIA E VIDA

 

No passado dia 17 de Agosto, o Papa Francisco nomeou como Prefeito do novo Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida, Mons. Kevin Joseph Farrell, até agora bispo de Dallas, nos Estados Unidos.

 

O novo Dicastério, afirma o Papa no Motu Próprio Sedula Mater (Mãe Misericórdia), assume a partir do dia 1 de Setembro as competências e funções até agora pertencentes ao Conselho Pontifício para os Leigos e ao Conselho Pontifício para a Família, que foram extintos.

Trata-se – escreve Francisco – de conformar os Dicastérios da Cúria Roma “às situações do nosso tempo”, adaptando-os “às necessidades da Igreja universal”. O Papa sublinha que se pretende, de modo particular, dar apoio e ajuda aos leigos, às famílias e à vida, “a fim de que sejam testemunhos activos do Evangelho no nosso tempo e expressão da bondade do Redentor”.

Mons. Kevin Joseph Farrel nasceu em 1947 em Dublim, na Irlanda. Entrou para a Congregação dos Legionários de Cristo em 1966, e foi ordenado sacerdote em 1978. Nomeado bispo auxiliar de Washington em Dezembro de 2001, foi ordenado em Fevereiro do ano seguinte. Desempenhou a função de vigário geral para a Administração e Moderador da Cúria (de 2001 até hoje). Em 2007 foi nomeado bispo de Dallas.

O Papa nomeou também Mons. Vincenzo Paglia – Presidente cessante do Conselho Pontifício para a Família – novo Presidente da Academia Pontifícia para a Vida e Cancheler Mor do Instituto Pontifício João Paulo II para Estudos sobre Matrimónio e Família.

Tanto a Academia Pontifícia para a Vida como o Instituto João Paulo II para estudos sobre Matrimónio e Família estarão ligados, no que toca às suas problemáticas e competências, ao novo Dicastério.

Num quirógrafo dirigido a Mons. Vincenzo Paglia, o Papa sublinha a grande experiência deste servidor da Igreja acumulada ao longo dos anos como Presidente do Conselho Pontifício para a Família, facto que o levou a nomeá-lo agora à cabeça desses dois organismos.

O Papa assinala também a Mons. Paglia a orientação geral a ter em conta nesta tarefa. Como é sabido – escreve –, do Concílio Vaticano II aos nossos dias, o Magistério da Igreja sobre esses temas desenvolveu-se de forma ampla e aprofundada. E recentemente o Sínodo sobre a Família, com a Exortação Apostólica Amoris Laetitia, aprofundou-as ulteriormente. O Papa quer, portanto, que os Institutos agora sob a orientação de Mons. Paglia “se empenhem de forma renovada no aprofundamento e na difusão do Magistério, confrontando com os desafios da cultura contemporânea. O âmbito da reflexão sejam as fronteiras; também no estudo teológico não seja transcurada a perspectiva pastoral e a atenção às feridas da humanidade”.

 

 

PERANTE O VIOLENTO

TERRAMTO DE AMATRICE

 

O terramoto de 6 graus na escala Richter que atingiu o centro da Itália também foi sentido em Roma. No entanto, o Santo Padre apareceu à habitual Audiência geral da quarta-feira, no passado dia 24 de Agosto.

 

Às 3h36 (hora local) o Instituto Nacional de Geofísica e Vulcanologia registou o epicentro do terramoto principal a 4 quilómetros de profundidade entre as províncias de Rieti e Ascoli Piceno, distantes cerca de 100 km da capital de Roma. Seguiram-se durante a madrugada outros tremores de 5.1 e 5.4 graus.

A cidade mais atingida foi Amatrice, na província de Rieti, para onde meios especiais da Defesa Civil foram deslocados logo após o terramoto.

O Papa Francisco iniciou a Audiência Geral às 10 horas, na Praça de São Pedro repleta de fiéis e peregrinos vindos das diversas partes do mundo.

“Tinha preparado a catequese de hoje, disse Francisco, como para todas as quartas-feiras deste Ano da misericórdia, sobre o tema da proximidade de Jesus. Mas perante a notícia do terramoto que atingiu o centro da Itália, devastando inteiras zonas e causando mortos e feridos, não posso deixar de exprimir a minha profunda dor e a minha proximidade a todas as pessoas presentes nos lugares do terramoto; a todas as pessoas que perderam os seus entes queridos e aquelas que ainda se sentem angustiadas pelo medo e pelo terror causado pelo sismo”.

Neste sentido, o Santo Padre assegurou a todas as pessoas de Amatrice e arredores e outras zonas atingidas da diocese de Rieti, de Ascoli Piceno e de todas as outras zonas do Lazio, da Umbria e das Marche, as suas orações, assegurando-lhes o carinho e o abraço de toda a Igreja. O Papa enviou a todos os que sofrem pelo terramoto o seu abraço e o dos presentes na Praça de São Pedro.

Pedindo aos presentes na Praça de São Pedro, para “se comoverem como Jesus” perante tal tragédia, Francisco adiou a sua catequese da Audiência Geral desta quarta-feira para a próxima semana; e convidou os fiéis e peregrinos a rezarem com ele uma parte do Rosário, os mistérios dolorosos, pelos irmãos e irmãs atingidos pelo sismo.

 

 

A RESPONSABILIDADE

DOS CARDIOLOGISTAS

 

Depois da Audiência Geral desta quarta-feira, o Papa Francisco deslocou-se ao Centro de Congressos de Roma, onde decorria o Congresso anual Mundial sobre as doenças do coração, promovido pela Sociedade Europeia de Cardiologia. Participavam nele cerca de 35 mil médicos provenientes de 140 países.

 

No discurso que lhes dirigiu, o Papa agradeceu-lhes pelo compromisso científico e pela dedicação a tantos enfermos. Depois, pôs em evidência toda a simbologia do coração, “centro pulsátil do corpo humano”. Daí a grande responsabilidade, disse-lhes o Papa, afirmando ter a certeza de que “perante este livro da vida, que ainda tem tantas páginas por preencher, agis com trepidação e sentido de temor”.

O Papa pôs depois em realce a importância que sempre a Igreja deu à investigação científica sobre a vida e a saúde das pessoas, continuando ainda hoje não só a acompanhar os que enveredam por esta árdua caminhada, como também a fazer-se propulsora deste trabalho para o bem das pessoas.

E recordou que “a Natureza em toda a sua complexidade, como também a mente humana, são criaturas de Deus. O estudioso pode e deve investigá-las, sabendo que o desenvolvimento das ciências filosóficas e experimentais e das competências práticas, que servem aos mais frágeis e doentes, é um serviço importante que se inscreve no projecto divino”.

A abertura à graça de Deus, feita pela fé – explicou o Papa – não fere a mente. Pelo contrário, a impele a um conhecimento mais amplo e útil da verdade, em prol da humanidade.

O Papa recomendou não descartar ninguém nos cuidados de saúde, e dar mais atenção aos pobres, desprezados e marginalizados.

“Com a vossa preciosa actividade – disse o Papa aos cardiologistas – podeis contribuir para sarar o corpo do doente e, ao mesmo tempo, ter a responsabilidade de verificar que há leis impressas na própria Natureza que ninguém pode violar, mas apenas «descobrir, usar e dispor», para que a vida possa corresponder cada vez mais às intenções do Criador.

 

 

NOVO DICASTÉRIO DA CÚRIA ROMANA

PARA LEVAR À PRÁTICA A DOUTRINA SOCIAL

 

No passado dia 31 de Agosto, foi publicado pelo jornal “L’Osservatore Romano” o motu proprio com o qual o Papa Francisco cria um novo “Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral”.

 

Para este novo Dicastério confluirão, a partir de 1 de Janeiro de 2017, quatro Conselhos Pontifícios: Justiça e Paz; “Cor Unum”, Pastoral dos Migrantes e Itinerantes, e Pastoral para os Operadores da Saúde.

Uma secção do novo Dicastério exprime, de forma especial, a solicitude do Papa Francisco pelos refugiados e migrantes. Com efeito, diz uma nota, não pode haver um serviço ao desenvolvimento humano integral sem uma particular atenção ao fenómeno migratório. Por isso essa secção ficará temporariamente sob a direcção directa do Papa.

O Papa nomeou como Prefeito do novo Dicastério, o Cardeal Peter Turkson, actual Presidente do Conselho Pontifício Justiça e Paz.

No motu proprio de instituição do novo Dicastério, o Papa Francisco escreve que a Igreja está chamada, sempre de forma nova e adequada, a promover o desenvolvimento integral do homem à luz do Evangelho. Isto tem lugar mediante o cuidado dos bens incomensuráveis da justiça, da paz e da protecção da criação.

Para implementar a solicitude da Santa Sé nesses âmbitos, bem como nos relacionados com a saúde e obras de caridade, instituiu-se este novo Dicastério que terá competências, de modo particular, nas áreas relacionadas com as migrações, com os necessitados, os enfermos e excluídos, os marginalizados e as vítimas dos conflitos armados e desastres naturais, os encarcerados, os desempregados e as vítimas de qualquer forma de escravidão e de tortura.

Por conseguinte, o novo Dicastério é chamado, segundo o seu Estatuto, a aprofundar a Doutrina Social da Igreja, fazendo com que “seja largamente difundida e posta em prática, e fazendo com que as relações sociais, económicas e políticas sejam cada vez mais permeadas pelo espírito do Evangelho”.

São, portanto, constituídas, junto do novo Dicastério diversas Comissões: a Comissão para a ecologia e a Comissão para os Operadores da Saúde, presididas pelo próprio Prefeito, cujas competências se estendem também à Cáritas Internationalis. O Dicastério assume também as competências da Santa Sé no que diz respeito à criação e vigilância de associações internacionais de caridade e dos fundos instituídos para o mesmo fim.

 

 

CANONIZAÇÃO DA

MADRE TERESA DE CALCUTÁ

 

No domingo passado dia 4 de Setembro, o Santo Padre canonizou Madre Teresa de Calcutá (1910-1997), apresentando-a como missionária das “periferias” e “modelo de santidade” para o mundo actual.

 

“A sua missão nas periferias das cidades e nas periferias existenciais permanece nos nossos dias como um testemunho eloquente da proximidade de Deus junto dos mais pobres entre os pobres”, declarou na homilia da Missa a que presidiu na Praça de São Pedro, completamente cheia.

Francisco falou da nova santa como “dispensadora generosa da misericórdia divina, disponível para todos, através do acolhimento e da defesa da vida humana, desde os nascituros aos abandonados e descartados”.

“Ela comprometeu-se na defesa da vida, proclamando incessantemente que «quem ainda não nasceu é o mais fraco, o menor, o mais miserável»”.

O Papa elogiou depois o seu trabalho em favor das “pessoas indefesas, deixadas moribundas à beira da estrada”, uma das imagens mais emblemáticas da primeira santa católica que foi distinguida com o Nobel da Paz (1979).

Francisco recordou que a religiosa defendeu sempre a dignidade que Deus deu a todas as pessoas, “sem distinção de língua, cultura, raça ou religião”, fazendo “ouvir a sua voz aos poderosos da terra, para que reconhecessem a sua culpa diante dos crimes da pobreza criada por eles mesmos”.

Segundo o Papa, “a misericórdia foi para ela o «sal» que dava sabor a todas as suas obras e a «luz» que iluminava a escuridão de todos aqueles que nem sequer tinham mais lágrimas para chorar, pela sua pobreza e sofrimento”.

Num aparte, o Papa comentou que talvez tenhamos dificuldade em chamá-la «Santa Teresa» e continuemos a chamá-la «Madre Teresa», pela proximidade que sentimos dela.

Centenas de milhares de pessoas marcaram presença na Praça de São Pedro e ruas adjacentes para o maior evento do Jubileu da Misericórdia, o Ano santo extraordinário convocado pelo Papa.

A cerimónia contou com a presença de milhares de voluntários e trabalhadores de organizações solidárias e Misericórdias de todo o mundo, entre eles pelo menos 400 portugueses.

 

 


Imprimir | Voltar atrás | Página Inicial