Nosso Senhor Jesus Cristo Rei

20 de Novembro de 2016

 

Solenidade

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: O Cordeiro que foi imolado, J. Santos, NRMS 92

Ap 5, 12; 1, 6

Antífona de entrada: O Cordeiro que foi imolado é digno de receber o poder e a riqueza, a sabedoria, a honra e o louvor. Glória ao Senhor pelos séculos dos séculos.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Fizemos um longo percurso, durante este Ano Litúrgico. Participamos da longa espera pela vinda do Messias anunciado, nas quatro semanas do Advento; celebrámos o Seu nascimento em Belém; acompanhamo-l’O no caminho da Paixão e na alegria da Sua Ressurreição gloriosa; estivemos presentes no Cenáculo, na manhã do Pentecostes; e caminhamos durante o tempo Comum da terra para o Céu.

Celebramos agora a solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo, vivendo em espírito a vinda do Senhor sobre as nuvens do Céu, para julgar os vivos e os mortos.

Jesus Cristo ensina-nos que é o nosso Bom Pastor. Do bom trabalho daquele que pastoreia um rebanho — escolher os melhores pastos, afugentar as feras e os ladrões e curar as ovelhas feridas e as doentes — depende a vida, a segurança, a paz e a felicidade do rebanho.

Nós, ovelhas do Seu rebanho, reconhecemos n’Ele o nosso Deus e Senhor, o nosso Amigo e Companheiro nesta caminhada da terra ao Céu, aquele a Quem se dirige a nossa esperança e o nosso amor.

 

Acto penitencial

 

Há tantas ocasiões na vida em que não nos comportamos como bons filhos de Deus, cidadãos do reino de Jesus Cristo!

Acolhamo-nos à misericórdia do Senhor, como fez o bom ladrão arrependido na cruz, para alcançarmos o perdão dos nossos pecados.

 

(Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, elementos para o esquema C)

 

•   Para a nossa indiferença e preguiça na vida espiritual

    que nos levam a rezar pouco, mal e com falta de amor,

    Senhor, misericórdia!

 

    Senhor, misericórdia!

 

•   Para o descuido egoísta em ajudar os nossos irmãos

    que vão connosco a caminho da eterna felicidade,

    Cristo, misericórdia!

 

    Cristo, misericórdia!

 

•   Para a frieza calculista nas nossas relações com Deus

    que nos mantêm longe de qualquer compromisso sério,

    Senhor, misericórdia!

 

Senhor, misericórdia!

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, que no vosso amado Filho, Rei do universo, quisestes instaurar todas as coisas, concedei, propício que todas as criaturas, libertas da escravidão, sirvam a vossa majestade e Vos glorifiquem eternamente. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O Segundo Livro de Samuel fala-nos do momento em que David se tornou rei de todo o Israel. Com este reinado, iniciou-se um tempo de felicidade, de abundância, de paz, que ficou na memória de todo o Povo de Deus. Nos séculos seguintes, o Povo sonhava com o regresso a essa era de felicidade e com a restauração do reino de David; e os profetas prometeram a chegada de um descendente de David que iria realizar esse sonho.

A solenidade de Cristo Rei lembra-nos que esse reino chegou e nós temos a felicidade de fazer parte dele.

 

2 Samuel 5, 1-3

1Naqueles dias, todas as tribos de Israel foram ter com David a Hebron e disseram-lhe: «Nós somos dos teus ossos e da tua carne. 2Já antes, quando Saúl era o nosso rei, eras tu quem dirigia as entradas e saídas de Israel. E o Senhor disse-te: ‘Tu apascentarás o meu povo de Israel, tu serás rei de Israel’». 3Todos os anciãos de Israel foram à presença do rei, a Hebron. O rei David concluiu com eles uma aliança diante do Senhor e eles ungiram David como rei de Israel.

 

Aqui David é ungido em Hebron como rei de Israel. Se bem que já tinha sido ungido perante os seus irmãos por Samuel (1 Sam 16), só a partir deste momento é que David é reconhecido como rei por todas as tribos; ele é a figura de Cristo, Rei de todos os homens.

2 «Entradas e saídas» é uma expressão muito corrente nas Escrituras e que é uma rica metáfora para indicar toda a vida duma pessoa, o seu dia a dia, a vida corrente. De facto, por um lado, a vida do homem sobre a terra está enquadrada por dois momentos decisivos: uma entrada ao nascer e uma saída ao morrer; por outro lado, como as casas não eram para se viver nelas, toda a vida se desenrolava entre um sair de casa para trabalhar e um entrar para descansar.

 

Salmo Responsorial            Sl 121 (122), 1-2.4-5 (R. cf. 1)

 

Monição: Jerusalém, o lugar onde se encontra o Templo, é a cidade do rei David. Aí acode o povo de Deus, para visitar o Senhor no Templo e reclamar justiça perante o tribunal do rei.

A nova Jerusalém é a Igreja e o seu Rei é Jesus Cristo, descendente de David. Ele deseja criar um Reino de Verdade e de Vida, Reino de Santidade e de Graça, Reino de Justiça, de Amor e de Paz.

Por isso, a liturgia propõe-nos cantar este salmo no qual celebramos a ida ao Seu encontro cheios de alegria.

 

Refrão:    Vamos com alegria para a casa do Senhor.

 

Alegrei-me quando me disseram:

«Vamos para a casa do Senhor».

Detiveram-se os nossos passos

às tuas portas, Jerusalém.

 

Jerusalém, cidade bem edificada,

que forma tão belo conjunto!

Para lá sobem as tribos,

as tribos do Senhor.

 

Para celebrar o nome do Senhor,

segundo o costume de Israel;

ali estão os tribunais da justiça,

os tribunais da casa de David.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. Paulo contempla, na sua Carta aos fieis da igreja de Colossos, dois mundos opostos entre si: aquele que ainda não foi redimido por Jesus Cristo e aquele que já obteve essa graça — o mundo dos redimidos —, o reino das trevas e o da luz.

Em Cristo se hão-de reconciliar todos os povos, para que tenham, já nesta vida, uma verdadeira paz.

 

Colossenses 1, 12-20

 

Irmãos: 12Damos graças a Deus Pai, que nos fez dignos de tomar parte na herança dos santos, na luz divina. 13Ele nos libertou do poder das trevas e nos transferiu para o reino do seu Filho muito amado, 14no qual temos a redenção, o perdão dos pecados. 15Cristo é a imagem de Deus invisível, o Primogénito de toda a criatura; 16porque n’Ele foram criadas todas as coisas no céu e na terra, visíveis e invisíveis, Tronos e Dominações, Principados e Potestades: por Ele e para Ele tudo foi criado. 17Ele é anterior a todas as coisas e n’Ele tudo subsiste. 18Ele é a cabeça da Igreja, que é o seu corpo. Ele é o Princípio, o Primogénito de entre os mortos; em tudo Ele tem o primeiro lugar. 19Aprouve a Deus que n’Ele residisse toda a plenitude 20e por Ele fossem reconciliadas consigo todas as coisas, estabelecendo a paz, pelo sangue da sua cruz, com todas as criaturas na terra e nos céus.

 

O texto da nossa leitura, com um certo sabor de um hino a Cristo, condensa o ensino central desta carta do cativeiro, e é uma das belas e ricas sínteses da cristologia paulina. Em face da chamada «crise de Colossas», em que alguns põem em causa a primazia absoluta de Cristo, colocando-O ao nível de outros seres superiores e intermédios, quer da cultura pagã, quer da cultura judaica, S. Paulo ensina peremptoriamente a mais completa supremacia de Cristo na ordem da Criação – vv. 15-17 – e na ordem da Redenção – vv. 18-20, em virtude da sua acção redentora, que reconcilia todas as coisas com Deus na paz.

15-16 «Cristo é a imagem de Deus invisível». Imagem, para um semita, não é simplesmente a figuração duma realidade, de natureza distinta, mas é, antes de mais, a exteriorização sensível da própria realidade oculta e da sua mesma essência. Assim, é afirmada a divindade de Cristo, o qual nos torna visível e tangível o próprio Deus invisível e transcendente (cf. Jo 1, 18; 14, 9-11; 2 Cor 4, 4; Hbr 1, 3). Cristo também é «o Primogénito de toda a criatura», no sentido da sua preeminência única sobre todas as criaturas, não só por Ele existir antes de todas, não, porém, no sentido ariano de primeira criatura, mas enquanto todas foram criadas «n’Ele», «por Ele» e «para Ele» (v.16). Não se diz no texto que Cristo seja uma criatura primogénita, mas o que se diz é que Ele é primogénito porque está acima de todas as criaturas, e porque «em tudo Ele tem o primeiro lugar» (v. 18); também Jacob era primogénito, embora não tivesse nascido primeiro que Isaú.

18-20 Na ordem da Graça e da Redenção, também «em tudo Ele tem o primeiro lugar» (v. 18), pois Ele é a «cabeça da Igreja, que é o seu corpo», é o «Princípio, o Primogénito (o primeiro a ressuscitar) entre os mortos». Enfim, «aprouve a Deus que residisse n’Ele a plenitude», isto é, a totalidade de todos os tesouros da graça que Deus comunica aos homens depois do pecado, em ordem à reconciliação que Ele realiza «pelo sangue da sua Cruz» (v. 20). Em Col 2, 9 diz-se que em Cristo «habita corporalmente toda a plenitude da natureza divina».

Em suma, como se exprime, em rica síntese, a Bíblia de Pirot, Cristo tem a supremacia absoluta em todos os aspectos: na ordem natural, pela criação (vv. 16.17); na ordem da graça, como Redentor (v. 20); na ordem moral e mística, como Cabeça do Corpo Místico (v. 18a); e na ordem escatológica, pela sua Ressurreição (v. 18b).

 

Aclamação ao Evangelho  

 

Monição: Aclamemos o nosso Rei, Jesus Cristo, e disponhamo-nos para ouvir a Sua Palavra e a fazer dela a lei da nossa vida.

Manifestemos esta nossa generosa disponibilidade, cantando o aleluia.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação-2, F. da Silva, NRMS 50-51

 

Bendito O que vem em nome do Senhor!

Bendito o reino do nosso pai David!

 

 

Evangelho

 

Lucas 23, 35-43

35Naquele tempo, os chefes dos judeus zombavam de Jesus, dizendo: «Salvou os outros: salve-Se a Si mesmo, se é o Messias de Deus, o Eleito». 36Também os soldados troçavam d’Ele; aproximando-se para Lhe oferecerem vinagre, diziam: 37«Se és o Rei dos judeus, salva-Te a Ti mesmo». Por cima d’Ele havia um letreiro: «Este é o Rei dos judeus». 38Entretanto, um dos malfeitores que tinham sido crucificados insultava-O, dizendo: «Não és Tu o Messias? Salva-Te a Ti mesmo e a nós também». 40Mas o outro, tomando a palavra, repreendeu-o: «Não temes a Deus, tu que sofres o mesmo suplício? 41Quanto a nós, fez-se justiça, pois recebemos o castigo das nossas más acções. Mas Ele nada praticou de condenável». 42E acrescentou: «Jesus, lembra-Te de Mim, quando vieres com a tua realeza». 43Jesus respondeu-lhe: «Em verdade te digo: Hoje estarás comigo no Paraíso».

 

O paradoxo de um rei crucificado, sujeito ao sarcasmo mais aviltante (vv. 35-39), é o que há de mais impensável, para Jesus poder ser anunciado como o Messias Rei, não só para os judeus, mas para toda a Humanidade. Só se pode apresentar deste modo a Jesus, se Ele é mesmo Rei de verdade, embora seja um escândalo para os judeus e uma loucura para os gentios (cf. 1 Cor 1, 23); para nós, é a salvação mais comovedora que Deus nos pode oferecer, é o Rei que nos conquista pela máxima prova de amor.

Jesus, que, diante de Pilatos, já tinha declarado o que não é a sua realeza (cf. Jo 18, 36), não explicando mais, porque o prefeito romano não se interessa pela verdade (cf. Jo 18, 38), abre agora o seu coração a um criminoso, que, do meio do seu suplício, implora arrependido a misericórdia divina. Jesus revela-lhe que realeza é a sua e onde está o seu Reino: no «Paraíso», o Céu, onde vai entrar «hoje» mesmo (v. 43), sem ser preciso esperar por uma consumação escatológica geral do final dos tempos, segundo a expressão, «quando vieres com a tua realeza» (v. 42), própria do Messias, ao dar-se a ressurreição final.

Na cena do ladrão arrependido fica patente a natureza do Reino de Cristo: é um reinado de perdão e misericórdia para conduzir os pecadores à salvação eterna.

 

Sugestões para a homilia

 

• Jesus Cristo, Rei de Paz

Reino de liberdade

Reino dos filhos de Deus

Numa Aliança de Amor

• Reinado de Amor

Amor infinito

Amor incompreendido

Amor misericordioso

 

 

1. Jesus Cristo, Rei de Paz

 

a) Reino de liberdade. «Naqueles dias, todas as tribos de Israel foram ter com David a Hebron e disseram-lhe: “Nós somos dos teus ossos e da tua carne.”»

Quando sobe ao trono, David tem de se encarar com muitos adeptos da família de Saul que não o quiseram aceitar como seu rei.

David não pegou em armas para os obrigar a aceitar a sua autoridade, mas esperou que eles o fizessem passados alguns anos, como liberdade plena.

Deus não força ninguém a pertencer à Sua Igreja e a ir para o Céu. Aposta na nossa liberdade porque, sem ela, não há merecimento. Que prémio poderíamos merecer por uma acção que nos obrigaram a fazer contra a nossa vontade?

Mas a verdadeira liberdade só a possuímos quando nos libertamos de todas as amarras exteriores e interiores para amar a Deus sobre todas as coisas. Não há ninguém mais livre do que o santo e o mártir.

O pecado é a pior das escravidões, porque nos torna prisioneiros do demónio, que é o maior tirano de todos os tempos e nos odeia, não apenas do corpo — como no caso de possessão — mas também da alma.

Quando não defendemos a nossa liberdade, cumprindo os dez Mandamentos, caímos na escravidão das nossas paixões: da sensualidade, da barriga, do dinheiro e da soberba que nos leva a prestar culto ao nosso eu.

Viver no Reino de Cristo é ser livre e feliz.

A liberdade é a capacidade de escolher entre várias coisas. Como seres inteligentes, entre várias opções, devemos escolher a melhor, para agora e para o futuro, para o tempo e para a eternidade. Digamos ao Senhor que Lhe queremos pertencer inteiramente, com plena liberdade.

À medida que nos entregamos à vontade de Deus, a nossa liberdade interior vai aumentando cada vez mais.

O martírio em qualquer das suas formas, a perseguição por amor do reino de Cristo é a maior afirmação de liberdade.

Renovemos hoje com plena liberdade a nossa Aliança Baptismal que nos fez entrar no Reino de Jesus Cristo.

 

b) Reino dos filhos de Deus. «E o Senhor disse-te: “Tu apascentarás o meu povo de Israel, tu serás rei de Israel”». Todos os anciãos de Israel foram à presença do rei, a Hebron

Os anciãos de Israel reconheceram que David era da sua raça e família e, por isso, aceitaram-no como Rei.

Também nós podemos dizer a Jesus Cristo: “Tu és da nossa família humana.”

Na verdade, para pagar por nós, a dívida contraída por Adão e Eva no pecado original e por nós com os pecados que cometemos, Ele assumiu a nossa condição humana, em tudo menos nas inclinações pecaminosas que todos sentimos.

«Ele nos libertou do poder das trevas e nos transferiu para o reino do seu Filho muito amado, no qual temos a redenção, o perdão dos pecados.» (2.ª Leitura).

Mas, ao mesmo tempo que desceu até à nossa pequenez, elevou-nos às alturas de filhos de Deus.

Jesus Cristo fez-Se irmão de todos nós, pelo mistério da Incarnação, para nos elevar à Sua altura e saldar a dívida contraída por Adão e Eva com o pecado original e pelos nossos pecados pessoais.

Não somos filhos naturais de Deus, deuses, mas também não somos apenas filhos adoptivos.

A filiação adoptiva é uma grande expressão de amor para quem a faz e a colhe, mas não passa de uma ficção de direito, um “faz-de-conta”.

Os pais adoptivos não podem fazer correr nas veias dos filhos adoptados o próprio sangue. Mas nós, pela graça santificante, temos em nós a vida divina. Fomos elevados por Deus a uma altura infinita de filhos de Deus.

S. Pedro diz que, pela graça santificante, somos «participantes da natureza divina

Esta filiação dá-nos audácia para tratarmos a Deus por nosso Pai e sonharmos com a felicidade eterna que nos espera no Céu, a nossa casa para sempre.

 

c) Numa Aliança de Amor. «O rei David concluiu com eles uma aliança diante do Senhor e eles ungiram David como rei de Israel

O Pai fez uma Aliança de Amor connosco em Seu Filho Jesus Cristo, pelo Sacrifício do Calvário.

Esta Aliança consuma-se em cada um de nós pelo Baptismo em qualquer uma das suas formas. Deus compromete-se a acolher-nos como Seus filhos e a rodear-nos de todos os cuidados: alimenta-nos, ilumina-nos e defende-nos de todos os perigos. Nós comprometemo-nos a tratá-l’O como Pai, fazendo a Sua vontade que se nos manifesta nos Mandamentos.

Deste Amor ao Pai faz parte o nosso compromisso para a construção do Seu Reino, porque não há verdadeiro amor, sem a união das vontades no mesmo querer, e Jesus morreu para que todos se salvem.

• A construção do Reino começa no coração de cada um de nós, procurando que Ele reine cada vez melhor na nossa vida.

Não sonhemos com triunfalismos vistosos, mas com o crescimento do reino em nosso coração. Este crescimento passa pela luta diária em pontos concretos da nossa vida.

• Contentemo-nos em fazer o que está ao nosso alcance, e não fiquemos impacientes porque pouco podemos fazer. Muitas vezes temos que nos limitar à acção simbólica, a fazer o que podemos, como os israelitas que deram sete votas às muralhas de Jericó, até que o Senhor entregou a cidade nas suas mãos; como os serventes de Cana da Galileia se limitaram a encher as talhas de água, deixando, depois, que Jesus as transformasse em vinho capitoso; como o jovem se limitou a entregar todos os pães e peixes que tinha em seu poder, para que Jesus alimentasse uma multidão de cinco mil pessoas.

• A arma invencível que Jesus Cristo Rei coloca em nossas mãos para a implantação do Seu Reino é o amor sincero com expressões humanas. Nós não amamos apenas a alma das pessoas, mas a pessoa toda, com as suas necessidades e preocupações.

Esta amizade humana profunda é a linguagem nova para a Nova Evangelização; os novos púlpitos são todas as realidades humanas onde as pessoas se encontram; os novos arautos são todos os cristãos; e os novos sinais são a caridade solidária e desinteressada dos fieis.

Este foi o caminho que percorreu Jesus Cristo e nos convida a seguir. «Cristo é a imagem de Deus invisível, o Primogénito de toda a criatura; [...] Aprouve a Deus que n’Ele residisse toda a plenitude e por Ele fossem reconciliadas consigo todas as coisas, estabelecendo a paz, pelo sangue da sua cruz, com todas as criaturas na terra e nos céus

 

2. Reinado de Amor

 

a) Amor infinito. «Naquele tempo, os chefes dos judeus zombavam de Jesus, dizendo: “Salvou os outros: salve-Se a Si mesmo, se é o Messias de Deus, o Eleito”.»

Na Paixão de Jesus, Maria, João Evangelista, Nicodemos e José de Arimateia, com as santas mulheres, choravam em silêncio por causa dos sofrimentos de Jesus e pela injustiça clamorosa da Sua condenação. Eram as únicas vozes discordantes, mas nada podiam fazer para O libertar.

Todas as outras pessoas que ali se encontram, umas por inveja e odeiam o Divino Mestre, outras, por cobardia, escarnecem de Jesus e insultam-n’O.

No entanto, Ele está ali coberto de chagas e de sangue, com as mãos e os pés trespassados, porque nos amou e resolveu dar a vida para nos salvar.

Dar dinheiro, prestar algum serviço, mesmo sacrificado, ainda acontece. Dar a vida, ser crucificado por Amor, só Jesus Cristo é capaz de o fazer.

Ele podia, e facto, salvar-Se a Si mesmo, porque tem o poder infinito de Deus, mas ofereceu-Se por nós, porque nos ama com Amor infinito.

O Reinado de Jesus Cristo é de Amor infinito com que Ele nos ama e espera pacientemente que Lhe correspondamos com o nosso.

Também nós podemos dizer que a nossa vocação é o amor, na medida em que a santidade consiste apenas nisto: fazer tudo por amor.

Podemos alcançar este ideal se procurarmos fazer sempre e em tudo a vontade do Pai. Para mais, isto não nos impede de sermos já felizes na terra, porque os Mandamentos da Lei de Deus são o caminho da felicidade.

Tudo na vida nos fala este amor divino, embora o não vejamos. Aqui se pode dizer com toda a propriedade: «Amor é fogo que arde sem se ver.» (Camões).

• Ele criou-nos arrebatando-nos do nada e sustenta-nos na vida, porque nos ama. Com este amor nos cuida em cada momento da nossa existência.

• O amor de Deus está presente no amor de todos os pais aos seus filhos; na dedicação de tantas religiosas aos doentes e idosos; na generosidade dos sacerdotes em seu ministério; no heroísmo de todos os missionários do mundo.

Queremos ajudar a construir este reinado de amor entre as pessoas e delas com Deus.

 

b) Amor incompreendido. «Também os soldados troçavam d’Ele; aproximando-se para Lhe oferecerem vinagre, diziam: “Se és o Rei dos judeus, salva-Te a Ti mesmo”. Por cima d’Ele havia um letreiro: “Este é o Rei dos judeus”.»

Os que estavam junto à Cruz — se exceptuarmos o pequeno grupo de Nossa Senhora, das santas mulheres e de um pequeno grupo de amigos — não compreenderam o amor infinito de Jesus Cristo por nós. Por isso, escarneciam-n’O, aumentando-Lhe o sofrimento.

Nós também não compreendemos o amor de Deus por nós. Interpretamos mal os sinais de amor que Deus nos envia e desconfiamos sempre, vivendo de pé atrás com Ele. O mais pequeno desagrado na vida é razão suficiente para que pensemos que Ele não nos ama.

• Proclama para nós o Mandamentos — caminho da felicidade verdadeira, nesta vida e na futura — e logo pensamos que nos impede de sermos felizes.

• Qualquer acontecimento da nossa vida — uma doença, uma contradição, um contratempo — é suficiente para pensarmos que não nos ama e quer vingar-Se de nós.

Conta-se que o beato Bartolomeu dos Mártires, uma visita pastoral teve de pernoitar em certa terra. A única habitação condigna era uma casa bem mobilada a que chamavam Torre. As outras casas eram cobertas de colmo onde a chuva e o vento entravam à vontade. Negou-se o santo a aceitar uma instalação melhor do que os seus acompanhantes, e não houve modos de o fazer mudar de opinião, pelo que se recolheu numa destas casas pobres. Altas horas da noite, ouviu-se um estrondo. De manhã puderam todos verificar que da casa boa não tinha ficado pedra sobre pedra.

Deus livrara o santo Bispo de morte certa, talvez inspirando-lhe a repugnância que ele sentia em dormir numa casa tão confortável.

De quantos perigos e desgraças nos livra o Senhor na vida, sem que cheguemos a dar-nos conta. Na verdade, não compreendemos o amor de Deus por cada um de nós.

• Não compreendemos as exigências do amor de Deus na nossa vida em relação aos outros, porque o egoísmo leva-nos a pensar só em nós.

E porque não compreendemos, não agradecemos, ou só raramente nos lembramos de o fazer.

 

c) Amor misericordioso. «“Quanto a nós, fez-se justiça [...]. Mas Ele nada praticou de condenável”. E acrescentou: “Jesus, lembra-Te de Mim, quando vieres com a tua realeza”. Jesus respondeu-lhe: “Em verdade te digo: Hoje estarás comigo no Paraíso”.»

Jesus está crucificado no Calvário, com um ladrão de cada lado. Um deles, o da esquerda, enraivecido com as dores, insulta-O, desafiando-O a mostrar que é o Messias salvando-Se e salvando-os a eles.

O outro recebeu a graça de penetrar naquele mistério de sofrimento. Repreendeu o colega de condenação, e dirigiu uma súplica à misericórdia do Senhor.

Imediatamente os seus pecados e crimes foram perdoados e escancaram-se para ele as portas do Paraíso.

Hoje chamamos bom a este ladrão, porque se converteu. Mas é possível que tivesse tantos crimes como o seu colega de vida marginal. Bastou uma súplica humilde para a misericórdia do Senhor o lavasse de todas as culpas.

Havemos de construir o reinado de Jesus Cristo, não com as armas de guerra, mas com as mesmas armas que Ele usou: o amor misericordioso para com todos.

Em cada Missa celebramos este Amor misericordioso de Jesus Cristo que se ofereceu por nós na Cruz e Se nos dá em Alimento na Santíssima Eucaristia.

Encontramos o Senhor Crucificado e Ressuscitado com a mesma disponibilidade magnânima no Sacramento da Reconciliação e Penitência onde todos os pecados encontram perdão desde que estejamos arrependidos.

Como o ladrão arrependido, queremos também suplicar muitas vezes ao dia: «Lembrai-Vos de mim, Senhor, quando entrardes no Vosso Reino!»

Queremos implorar para a nossa vida a misericórdia do Senhor por intercessão de Maria Santíssima, a quem invocamos filialmente como a Mãe da Misericórdia.

 

Fala o Santo Padre

 

«O Senhor dá sempre mais do que se Lhe pede:

pedes-Lhe que Se lembre de ti, e Ele leva-te para o seu Reino.»

[…] As Leituras bíblicas que foram proclamadas têm como fio condutor a centralidade de Cristo: Cristo está no centro, Cristo é o centro. Cristo, centro da criação, do povo e da história.

1. O Apóstolo Paulo, na segunda Leitura tirada da Carta aos Colossenses, dá-nos uma visão muito profunda da centralidade de Jesus. Apresenta-O como o Primogénito de toda a criação: n’Ele, por Ele e para Ele foram criadas todas as coisas. Ele é o centro de todas as coisas, é o princípio: Jesus Cristo, o Senhor. Deus deu-Lhe a plenitude, a totalidade, para que n’Ele fossem reconciliadas todas as coisas (cf. 1, 12-20). Senhor da criação, Senhor da reconciliação.

Esta imagem faz-nos compreender que Jesus é o centro da criação; e, portanto, a atitude que se requer do crente – se o quer ser de verdade - é reconhecer e aceitar na vida esta centralidade de Jesus Cristo, nos pensamentos, nas palavras e nas obras. E, assim, os nossos pensamentos serão pensamentos cristãos, pensamentos de Cristo. As nossas obras serão obras cristãs, obras de Cristo, as nossas palavras serão palavras cristãs, palavras de Cristo. Diversamente, quando se perde este centro, substituindo-o por outra coisa qualquer, disso só derivam danos para o meio ambiente que nos rodeia e para o próprio homem.

2. Além de ser centro da criação e centro da reconciliação, Cristo é centro do povo de Deus. E hoje mesmo Ele está aqui, no centro da nossa assembleia. Está aqui agora na Palavra e estará aqui no altar, vivo, presente, no meio de nós, seu povo. Assim no-lo mostra a primeira Leitura, que narra o dia em que as tribos de Israel vieram procurar David e ungiram-no rei sobre Israel diante do Senhor (cf. 2 Sam 5, 1-3). Na busca da figura ideal do rei, aqueles homens procuravam o próprio Deus: um Deus que Se tornasse vizinho, que aceitasse caminhar com o homem, que Se fizesse seu irmão.

Cristo, descendente do rei David, é precisamente o «irmão» ao redor do qual se constitui o povo, que cuida do seu povo, de todos nós, a preço da sua vida. N’Ele, nós somos um só; um só povo unido a Ele, partilhamos um só caminho, um único destino. Somente n’Ele, n’Ele por centro, temos a identidade como povo.

3. E, por último, Cristo é o centro da história da humanidade e também o centro da história de cada homem. A Ele podemos referir as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias de que está tecida a nossa vida. Quando Jesus está no centro, até os momentos mais sombrios da nossa existência se iluminam: Ele dá-nos esperança, como fez com o bom ladrão no Evangelho de hoje.

Enquanto todos os outros se dirigem a Jesus com desprezo – «Se és o Cristo, o Rei Messias, salva-Te a Ti mesmo, descendo do patíbulo!» –, aquele homem, que errou na vida, no fim agarra-se arrependido a Jesus crucificado suplicando: «Lembra-Te de mim, quando entrares no teu Reino» (Lc 23, 42). E Jesus promete-lhe: «Hoje mesmo estarás comigo no Paraíso» (23, 43): o seu Reino. Jesus pronuncia apenas a palavra do perdão, não a da condenação; e quando o homem encontra a coragem de pedir este perdão, o Senhor nunca deixa sem resposta um tal pedido. Hoje todos nós podemos pensar na nossa história, no nosso caminho. Cada um de nós tem a sua história; cada um de nós tem também os seus erros, os seus pecados, os seus momentos felizes e os seus momentos sombrios. Neste dia, far-nos-á bem pensar na nossa história, olhar para Jesus e, do fundo do coração, repetir-lhe muitas vezes – mas com o coração, em silêncio – cada um de nós: «Lembra-Te de mim, Senhor, agora que estás no teu Reino! Jesus, lembra-Te de mim, porque eu tenho vontade de me tornar bom, mas não tenho força, não posso: sou pecador, sou pecadora. Mas lembra-Te de mim, Jesus! Tu podes lembrar-Te de mim, porque Tu estás no centro, Tu estás precisamente no teu Reino!». Que bom! Façamo-lo hoje todos, cada um no seu coração, muitas vezes: «Lembra-Te de mim, Senhor, Tu que estás no centro, Tu que estás no teu Reino!»

A promessa de Jesus ao bom ladrão dá-nos uma grande esperança: diz-nos que a graça de Deus é sempre mais abundante de quanto pedira a oração. O Senhor dá sempre mais – Ele é tão generoso! –, dá sempre mais do que se Lhe pede: pedes-Lhe que Se lembre de ti, e Ele leva-te para o seu Reino! Jesus é precisamente o centro dos nossos desejos de alegria e de salvação. Caminhemos todos juntos por esta estrada!

Papa Francisco, Homilia, Praça de São Pedro, 24 de novembro de 2013

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

Neste dia em que celebramos a realeza de Jesus Cristo,

imploremos a ajuda misericordiosa do nosso Deus,

para nós e para todas as pessoas de boa vontade

que peregrinam todos os dias da terra até ao Paraíso.

Oremos (cantando):

 

    Senhor, venha a nós o Vosso Reino!

 

1.             Pelo Santo Padre; Bispos e demais Pastores da Igreja,

    para que nos guiem na construção do Reino de Cristo,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor, venha a nós o Vosso Reino!

 

2.             Pelos pais e mães de família desta nossa comunidade

    para que saibam fazer do seu lar uma igreja doméstica,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor, venha a nós o Vosso Reino!

 

3.             Pelos jovens que se preparam para fundar uma família,

    para que o Senhor reine em seus corações, no namoro,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor, venha a nós o Vosso Reino!

 

4.             Pelos militantes das obras de apostolado da santa Igreja,

    para que tenham sempre intenção recta na sua actuação,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor, venha a nós o Vosso Reino!

 

6.             Pelos que vivem afastados de Jesus Cristo, pelo pecado,

    para que a misericórdia do Senhor os mova à conversão,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor, venha a nós o Vosso Reino!

 

6.             Pelos que foram chamados à via eterna e são purificados,

    para que Jesus Cristo Rei os acolha hoje na Sua glória,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor, venha a nós o Vosso Reino!

 

Senhor, que fundastes a Vossa Igreja como Reino de paz

e nos chamastes a fazer parte dela na terra e no Paraíso:

alcançarmos a graça de vivermos fieis ao Vosso Amor,

para Vos aclamarmos eternamente na glória do Céu.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

Na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

 Jesus Cristo é o Rei dos reis, o Senhor dos senhores, que cuida generosamente dos seus vassalos que somos todos nós. Iluminou os nossos caminhos com a Sua doutrina e vai agora preparar a mesa Eucarística na qual seremos confortados pelo Alimento divino que é Ele próprio.

 

Cântico do ofertório: Todas as nações recebeu em herança, M. Faria, NRMS 3(II)

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, este sacrifício da reconciliação humana e, pelos méritos de Cristo vosso Filho, concedei a todos os povos o dom da unidade e da paz. Por Nosso Senhor...

 

Prefácio

 

Cristo, Sacerdote e Rei do universo

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai Santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte:

Com o óleo da alegria consagrastes Sacerdote eterno e Rei do universo o vosso Filho, Jesus Cristo, Nosso Senhor, para que, oferecendo-Se no altar da cruz, como vítima de reconciliação, consumasse o mistério da redenção humana e, submetendo ao seu poder todas as criaturas, oferecesse à vossa infinita majestade um reino eterno e universal: reino de verdade e de vida, reino de santidade e de graça, reino de justiça, de amor e de paz.

Por isso, com os Anjos e os Arcanjos e todos os coros celestes, proclamamos a vossa glória, cantando numa só voz:

 

Santo, Santo, Santo.

 

Santo: Santo I, H. Faria, NRMS 103-104

 

Saudação da Paz

 

Jesus Cristo veio fundar um Reino de Paz e de Amor. Estes tesouros, porém, não se impõem pelas armas dos homens, mas devem ser acolhidos no coração de cada um de nós.

Estamos em paz com Deus, connosco e com os nossos irmãos, ou há dissensões entre nós?

Perdoemos as ofensas recebidas com um coração magnânimo e aceitemos também ser perdoados das ofensas que fizemos.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

Recebamos hoje com muita fé e devoção a Sagrada Eucaristia. É o Senhor o Universo que vamos acolher em nós.

Digamos-Lhe como o bom ladrão no Calvário: «Lembrai-vos de mim, Senhor, quando entrardes no Vosso Reino

E Ele nos dirá: «Hoje mesmo estarás comigo no Paraíso!», porque a Sagrada Comunhão bem feita é penhor da vida eterna.

 

Cântico da Comunhão: Se escutais a Jesus Cristo, M. Carneiro, NRMS 92

Salmo 28, 10-11

Antífona da comunhão: O Senhor está sentado como Rei eterno; O Senhor abençoará o seu povo na paz.

 

Cântico de acção de graças: Povos, batei palmas, C. Silva, NRMS 48

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que nos alimentastes com o pão da imortalidade, fazei que, obedecendo com santa alegria aos mandamentos de Cristo, Rei do universo, mereçamos viver para sempre com Ele no reino celeste. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Empenhemo-nos — por uma piedade não fingida, um trabalho bem feito e uma amizade sincera para com todos, sem qualquer acepção de pessoas —, na construção do Reinado de Jesus Cristo.

Aqueçamos este mundo com o Amor de Jesus Cristo presente no coração de cada um de nós.

 

Cântico final: Aleluia! Glória a Deus, F. da Silva, NRMS 92

 

 

Homilias Feriais

 

34ª SEMANA

 

2ª Feira, 21-XI: Apresentação de Nª Senhora.

Zac 2, 14-17 / Mt 12, 46-50

Exulta e alegra-te, filha de Sião, porque eu venho habitar no meio de ti.

Celebramos a dedicação, a entrega plena de Nª Senhora a Deus. É um bom dia para a louvarmos e nos alegrarmos com Ela: «Ela foi, por pura graça, concebida sem pecado, como a mais humilde criatura, a mais capaz de acolher o dom inefável do Omnipotente. É a justo título que o Anjo Gabriel a saúda como 'filha de Sião': Avé (=Alegra-te) (Leit.)» (CIC, 722).

Queremos igualmente fazer parte da família do Senhor: «Tornar-se discípulo de Jesus é aceitar o convite para pertencer à família de Deus, em conformidade com a sua maneira de viver: 'Todo aquele que fizer a vontade de meu Pai...' (Ev.)» (CIC, 2233).

 

3ª Feira, 22-XI: A vitória de Cristo já está alcançada.

Ap 14, 14-19 / Lc 21, 5-11

Mestre, por que será tudo isto? Que sinal haverá de que está para acabar?

Jesus profetiza a destruição do templo de Jerusalém, orgulho dos judeus (Ev.). Mas também se pode aplicar ao fim dos tempos. Quando acontecerá? «Mete a tua foice, pois chegou a hora de ceifar; a seara da terra está madura» (Leit.). Só Deus sabe quando Ele considera que estará madura.

Depois da Ascensão do senhor aos Céus, o desígnio de Deus entrou na sua consumação: «Já chegou a plenitude dos tempos, a renovação do mundo já está irrevogavelmente adquirida e, de certo modo, encontra-se já realmente antecipada neste tempo» (CIC, 670).

 

4ª Feira, 23-XI: Firmeza nas dificuldades.

Ap 15, 1-4 / Lc 21, 12-19

Deitar-vos-ão as mãos e hão-de perseguir-vos, para vos entregarem às sinagogas e prisões.

«Antes da vinda de Cristo, a Igreja deverá passar por uma prova final, que abalará a fé de numerosos crentes. A perseguição, que acompanha a sua peregrinação na terra (Ev.), porá a descoberto o mistério da iniquidade» (CIC, 675).

No meio dos obstáculos e dificuldades havemos de nos esforçar por nos mantermos firmes. Esta fidelidade é possível porque nos apoiamos em Deus. Pela nossa parte, procuremos viver a fidelidade nas pequenas coisas de cada dia; recomeçar quando nos desviamos no caminho; retirar os obstáculos que impedem o caminhar para Deus.

 

5ª Feira, 24-XI: O juízo final e a conversão.

Ap 18, 1-2. 21-23; 19, 1-3. 9 / Lc 21, 20-28

Nessa altura verão o Filho do Homem vir numa nuvem com grande poder e gloria.

A consumação do reino far-se-á por uma vitória de Deus sobre a última manifestação do mal (Leit.). O triunfo de Deus sobre a revolta do mal tomará a forma de juízo final, após o último abalo cósmico deste mundo passageiro.

Quando se der esta vinda gloriosa de Cristo (Ev.) terá lugar o juízo final: «A mensagem do juízo final é um apelo à conversão, enquanto Deus dá ainda aos homens o tempo favorável, o tempo de salvação» (CIC, 1041). Procuremos corresponder a esta mensagem através de pequenas conversões diárias.

 

6ª Feira, 25-XI: Os novos céus e a nova terra.

Ap 20, 1-4. 1-21. 2 / Lc 21, 29-33

Vi então um novo céu e uma nova terra. Vi depois a cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do céu.

«A esta misteriosa renovação, que há-de transformar a humanidade e o mundo, a Sagrada Escritura chama 'os novos céus' e a 'nova terra' (Leit.)» (CIC, 1043).

O significado da 'cidade santa' é o seguinte: «Os que estiverem unidos a Cristo formarão a comunidade dos resgatados, a 'cidade santa de Deus' (Leit.). Esta não mais será atingida pelo pecado, pelas manchas, pelo amor próprio, que destroem e ferem a comunidade terrena dos homens. A visão beatífica será a fonte inexaurível da felicidade, da paz e da mútua comunhão» (CIC, 1045).

 

Sábado, 26-XI: Viver para sempre com Cristo.

Ap 22, 1-7 / Lc 21, 34-36

O trono de Deus e do Cordeiro estará na cidade e os seus servos irão prestar-lhe culto: hão-de vê-lo frente a frente.

S. João refere-se à visão do Céu (Leit.). «Os que morrem na graça e na amizade de Deus e estiverem perfeitamente purificados viverão para sempre com Cristo. São, para sempre semelhantes a Deus, porque o verão tal como Ele é, face a face (Leit.)» (CIC, 1023).

Para estarmos nestas condições temos que lutar mais nesta vida, estar vigilantes. Esta vigilância estende-se ao campo da oração: «Velai e orai em todo o tempo» (Ev.); ao campo da mortificação, lutando contra «a intemperança, embriaguez e as preocupações da vida» (Leit.).

 

 

 

 

 

 

Homilia:                                 Fernando Silva

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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