33º Domingo Comum

13 de Novembro de 2016

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Deus fala de paz, F. dos Santos, NCT 216

Jer 29, 11.12.14

Antífona de entrada: Os meus pensamentos são de paz e não de desgraça, diz o Senhor. Invocar-Me-eis e atenderei o vosso clamor, e farei regressar os vossos cativos de todos os lugares da terra.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Este domingo a liturgia recorda-nos que a certeza da vitória final de Cristo não nos faz desanimar e baixar os braços, mas, pelo contrário, anima-nos a trabalhar sem descansar na construção do Reino de Deus. Cada cristão é chamado a ser anúncio do «dia do Senhor», para que todos possam conhecer Cristo, verdadeiro «Sol da justiça, que traz nos seus raios a salvação». Desde o início da celebração, tenhamos presente o Dia dos Seminários. Na vida quotidiana dos nossos Seminários, no silêncio da oração e do estudo, se prepara este novo amanhecer. Num mundo dilacerado por tantas contradições, a vida dos que aceitam o chamamento do Senhor para uma entrega radical de serviço à Igreja, é proclamação luminosa e profética dum mundo novo e duma vida nova. Com esta certeza, como gente ressuscitada, entoamos um cântico novo.

 

 

Kyrie

 

“Tereis ocasião de dar testemunho”, recordar-nos-á o Evangelho. Deixemo-nos, pois, interpelar pela Palavra de Deus, que é fonte de alegria e de perseverança na fé e reconheçamos os nossos pecados.

 

Senhor, Rei do Universo, em cujas mãos está o destino do mundo,

tende piedade de nós!

 

Cristo, Sol da Justiça, em cuja Palavra está o juízo último da História,

tende piedade de nós!

 

Senhor, Templo de Deus vivo no coração do homem, do mundo e da História,

tende piedade de nós!

 

Oração colecta: Senhor nosso Deus, concedei-nos a graça de encontrar sempre a alegria no vosso serviço, porque é uma felicidade duradoira e profunda ser fiel ao autor de todos os bens. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Para vós nascerá o Sol da Justiça, eis a promessa da profecia que vamos escutar.

 

Malaquias 3, 19-20a (Vulgata 4, 1-2a)

19Há-de vir o dia do Senhor, ardente como uma fornalha; e serão como a palha todos os soberbos e malfeitores. O dia que há-de vir os abrasará – diz o Senhor do Universo – e não lhes deixará raiz nem ramos. 20aMas para vós que temeis o meu nome, nascerá o sol de justiça, trazendo nos seus raios a salvação.

 

A leitura é tirada do final do profeta Malaquias: são os dois primeiros versículos do capítulo 4 da Vulgata; na bíblia Hebraica e na Neovulgata, o capítulo 3 tem mais 7 versículos (Mal 3, 19-34) que correspondem a Mal 4, 1-7. O profeta da época persa volta a insistir na doutrina dos profetas pré-exílicos acerca do dia de Yahwé, como dia de juízo, de castigo e terror para os maus, e de salvação para os que temem a Deus. Para estes «nascerá o sol de justiça – o Messias – trazendo a salvação nos seus raios, (à letra: nas suas asas; as asas do Sol são uma bela metáfora para designar os seus raios).

 

Salmo Responsorial            Sl 97 (98), 5-9 (R. cf. 9)

 

Monição: Voltemo-nos confiantes para o Senhor, o Único que nos pode saciar e salvar.

 

Refrão:    O Senhor virá governar com justiça.

 

Ou:          O Senhor julgará o mundo com justiça.

 

Cantai ao Senhor ao som da cítara,

ao som da cítara e da lira;

ao som da tuba e da trombeta,

aclamai o Senhor, nosso Rei.

 

Ressoe o mar e tudo o que ele encerra,

a terra inteira e tudo o que nela habita;

aplaudam os rios

e as montanhas exultem de alegria.

 

Diante do Senhor que vem,

que vem para julgar a terra;

julgará o mundo com justiça

e os povos com equidade.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Nada de pensar que o fim aí está e por isso esquecer o compromisso do presente. Lúcidas as palavras de Paulo.

 

2 Tessalonicenses 3, 7-12

Irmãos: 7Vós sabeis como deveis imitar-nos, pois não vivemos entre vós desordenadamente, 8nem comemos de graça o pão de ninguém. Trabalhámos dia e noite, com esforço e fadiga, para não sermos pesados a nenhum de vós. 9Não é que não tivéssemos esse direito, mas quisemos ser para vós exemplo a imitar. 10Quando ainda estávamos convosco, já vos dávamos esta ordem: quem não quer trabalhar, também não deve comer. 11Ouvimos dizer que alguns de vós vivem na ociosidade, sem fazerem trabalho algum, mas ocupados em futilidades. 12A esses ordenamos e recomendamos, em nome do Senhor Jesus Cristo, que trabalhem tranquilamente, para ganharem o pão que comem.

 

S. Paulo, em face da falsa ideia da iminência da parusia, ou segunda vinda de Cristo, que circulava em Tessalónica e que levava alguns à ociosidade e ao desinteresse pelo trabalho (cf. 2 Tes 2, 2), vê-se forçado a falar com energia acerca da necessidade de trabalhar. Recorre mesmo à ironia: «quem não quer trabalhar, também não deve comer!» (v. 10). Como se vê, a fé pregada pelos Apóstolos nada tinha de alienante, mas tudo ao contrário.

10 «Quando ainda estávamos convosco…». Daqui se deduz que a doutrina sobre o trabalho tinha grande importância na pregação de S. Paulo, pois já a tinha pregado durante a rápida evangelização da cidade de Tessalónica.

 

Aclamação ao Evangelho   Apoc 2, 10c

 

Monição: Acolhamos atentos o apelo incisivo do Evangelho ao testemunho perseverante da nossa fé.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação – 3, F. da Silva, NRMS 50-51

 

Erguei-vos e levantai a cabeça,

porque a vossa libertação está próxima.

 

 

Evangelho

 

Lucas 21, 5-19

Naquele tempo, 5comentavam alguns que o templo estava ornado com belas pedras e piedosas ofertas. Jesus disse-lhes: 6«Dias virão em que, de tudo o que estais a ver, não ficará pedra sobre pedra: tudo será destruído». 7Eles perguntaram-Lhe: «Mestre, quando sucederá isto? Que sinal haverá de que está para acontecer?» 8Jesus respondeu: «Tende cuidado; não vos deixeis enganar, pois muitos virão em meu nome e dirão: ‘Sou eu’; e ainda: ‘O tempo está próximo’. Não os sigais. 9Quando ouvirdes falar de guerras e revoltas, não vos alarmeis: é preciso que estas coisas aconteçam primeiro, mas não será logo o fim». 10Disse-lhes ainda: «Há-de erguer-se povo contra povo e reino contra reino. 11Haverá grandes terramotos e, em diversos lugares, fomes e epidemias. Haverá fenómenos espantosos e grandes sinais no céu. 12Mas antes de tudo isto, deitar-vos-ão as mãos e hão-de perseguir-vos, entregando-vos às sinagogas e às prisões, conduzindo-vos à presença de reis e governadores, por causa do meu nome. 13Assim tereis ocasião de dar testemunho. 14Tende presente em vossos corações que não deveis preparar a vossa defesa. 15Eu vos darei língua e sabedoria a que nenhum dos vossos adversários poderá resistir ou contradizer. 16Sereis entregues até pelos vossos pais, irmãos, parentes e amigos. Causarão a morte a alguns de vós 17e todos vos odiarão por causa do meu nome; 18mas nenhum cabelo da vossa cabeça se perderá. 19Pela vossa perseverança salvareis as vossas almas.

 

Para compreendermos melhor o «discurso escatológico» do Senhor nos três Sinópticos temos de ter em conta, por um lado, o estilo apocalíptico já usado nos Profetas e muito em voga na época, em que se recorria sistematicamente a imagens arrojadas, como convulsões cósmicas – fenómenos espantosos e grandes sinais no céu (v. 11) –, a anunciar a chegada do supremo Juiz. Por outro lado, na mentalidade judaica, que era a dos discípulos, a destruição do Templo era inseparável do fim do mundo e do juízo final (2ª vinda de Cristo). Jesus não pretende esclarecer definitivamente esta questão teorética e curiosa, nem o autor inspirado que, apesar do seu estofo de historiador, não devia estar em condições de fazer uma destrinça perfeita do que se refere ao fim de Jerusalém e ao fim do mundo. Com efeito, ainda que S. Lucas seja mais minucioso nos pormenores relativos ao fim do Templo, não é certo que tenha escrito o seu Evangelho após estes acontecimentos do ano 70 e, em qualquer dos casos, é de uma grande fidelidade às fontes.

Nos Evangelhos os dois acontecimentos não se confundem, mas também não se destrinçam perfeitamente, o que até pode ser intencional, se considerarmos que a destruição do Templo e da cidade de Jerusalém são como que uma figura, um símbolo e um sinal da catástrofe do fim do mundo. Também, dado o género apocalíptico, não podemos concluir que o fim do mundo será mesmo uma catástrofe, como por vezes se pensa. O fim de Jerusalém não foi catástrofe para os cristãos que, avisados por este discurso, tinham abandonado a cidade a tempo e se viram mais livres da fúria dos judeus. O fim do mundo só pode ser temível para os inimigos de Deus, que põem toda a sua única esperança num mundo que inexoravelmente se lhe escapará; para os que amam a Deus, «todas as coisas concorrerão para o bem» (Rom 8, 28) e nenhum cabelo… se perderá (v. 18).

7 «Quando será tudo isto?» Jesus não é um adivinho que está à disposição dos seus para lhes satisfazer a natural curiosidade acerca do futuro. Jesus é o Mestre que sente necessidade de acautelar os seus discípulos das graves dificuldades que hão-de surgir, a fim de que estes, já prevenidos, não venham a desanimar: «Não vos deixeis enganar» (v. 8); «não vos alarmeis» (v. 9).

9 «É preciso que estas coisas aconteçam primeiro, mas não será logo o fim». Jesus não quer que consideremos as catástrofes e perseguições de que fala como sinais dum fim do mundo imediato! O Evangelho há-de estender-se a toda a gente e a todos os lugares, não num mar de rosas e num condicionalismo ideal e privilegiado, mas precisamente no meio de todas as dificuldades, mesmo as proverbialmente tidas como as maiores – guerras, grandes terramotos, fomes e epidemias (vv. 10-11) – e no meio das perseguições. Jesus só exige dos seus uma fé grande: «Não os sigais» (v. 8), «não vos alarmeis» (v. 9), e «perseverança» (v. 19).

No texto cruzam-se três planos: a destruição de Jerusalém, o tempo intermédio e o fim dos tempos. Jesus quer que nos centremos no tempo que nos toca viver, o tempo intermédio, que exige uma série de atitudes: «não vos deixeis enganar» (v. 8), «não vos alarmeis» (v. 9), «tereis ocasião de dar testemunho» (v. 12-13), «perseverança» (v. 19).

 

Sugestões para a homilia

 

1. «Quem não trabalhar, também não deve comer»

2. «Pela vossa perseverança salvareis as vossas almas»

3. Encerramento do Jubileu da Misericórdia

 

 

1. «Quem não trabalhar, também não deve comer»

 

O que ressalta de imediato da Liturgia da Palavra, acabada de proclamar, é o tema escatológico, ou seja, o tema do fim das coisas. É o modo disposto pela Igreja para liturgicamente nos indicar (também) que estamos a chegar ao fim de mais um ano. E, de facto, o ano litúrgico encerra com a festa de Cristo Rei, que se celebrará no próximo domingo!

 Sabemos, pela experiência e pela fé, que tudo o que é humano tem um fim. No início da era cristã, os cristãos acreditavam que a Parusia estava iminente: alguns cristãos afirmavam que este mundo estava a chegar ao fim e que Jesus estava para voltar e dar início a um mundo novo e a uma humanidade nova. Alguns estavam convencidos disto que sentiam que não valia a pena continuar a trabalhar. Perdiam tempo em coscuvilhices e viviam à custa dos outros, lançando no descrédito e no ridículo todos os crentes.

A situação tomava-se cada vez mais preocupante e escandalosa. E Paulo foi obrigado a intervir.

Na última parte da sua segunda Carta, avisa decididamente os Tessalonicenses. Recorda-lhes, em primeiro lugar, o exemplo da sua vida: “eu nunca fui um preguiçoso; nunca fui um peso para ninguém; anunciei o Evangelho gratuitamente e não aceitei esmolas. «Vós sabeis... que trabalhámos dia e noite, com esforço e fadiga, para não sermos pesados a nenhum de vós».

Depois de ter apresentado o exemplo da própria vida, Paulo cita aos Tessalonicenses um provérbio popular: «Quem não trabalhar, também não deve comer» e, mais uma vez, lembra aos cristãos “que trabalhem tranquilamente para ganharem o pão que comem”.

É, pois, na medida em que os cristãos assumem e se empenham nas realidades deste mundo, na medida em que realizam com qualidade o seu trabalho e cumprem na perfeição os seus deveres neste mundo, é que podemos edificar o “mundo novo” que Jesus veio inaugurar.

Por isso, quem não trabalha, quem não põe à disposição dos irmãos todas as suas capacidades, não colabora na construção do reino de Deus.

 

 

2. «Pela vossa perseverança salvareis as vossas almas»

 

É claro que este empenho pelas causas dos homens e mulheres do nosso mundo e do nosso tempo é, por vezes, uma tarefa ingrata. O próprio Jesus lembra-nos no Evangelho: «deitar-vos-ão as mãos e hão de perseguir-vos, entregando-vos às prisões. Causarão a morte a alguns e todos vos odiarão por causa do meu nome...»

É, sem dúvida, uma caminhada de dificuldades, de lutas, onde o bem e o mal se confrontarão sem cessar; mas é um percurso onde o mundo novo irá surgindo e onde a semente do “Reino” irá germinando.

Aos crentes pede-se que reconheçam os “sinais” do “Reino”, que se alegrem porque o “Reino” está presente e que se esforcem, todos os dias, por tornar possível essa nova realidade. A nossa vida não pode ser um ficar de braços cruzados a olhar para o céu, mas um compromisso sério e empenhado, de forma a que floresça o mundo novo da justiça, do amor e da paz.

Mas para isso, o Evangelho recorda-nos que é muito importante a perseverança na fé: «Assim tereis ocasião de dar testemunho»; «pela vossa perseverança salvareis as vossas almas».

Para Cristo o que importa não é o fim do mundo nem de como este ocorrerá. Importa, isso sim, que até ao fim possamos trabalhar e lutar pela nossa salvação e a salvação dos irmãos, testemunhando alegria da fé e perseverando na esperança de que o que importa mesmo é Deus. É que tudo acaba, tudo passa... só Deus permanece!

 

 

3. Encerramento do Jubileu da Misericórdia

 

E agora que estamos a poucos dias de encerrar o Jubileu Extraordinário da Misericórdia, e já que a liturgia hoje fala-nos do fim das coisas, lembremo-nos que no final da vida, no tribunal divino, seremos julgados pelo amor, como nos recorda o Papa Francisco na Bula Misericordiae Vultus: «Não podemos escapar às palavras do Senhor, com base nas quais seremos julgados: se demos de comer a quem tem fome e de beber a quem tem sede; se acolhemos o estrangeiro e vestimos quem está nu; se reservamos tempo para visitar quem está doente e preso (cf. Mt 25, 31-45). De igual modo ser-nos-á perguntado se ajudamos a tirar da dúvida, que faz cair no medo e muitas vezes é fonte de solidão; se fomos capazes de vencer a ignorância em que vivem milhões de pessoas, sobretudo as crianças desprovidas da ajuda necessária para se resgatarem da pobreza; se nos detivemos junto de quem está sozinho e aflito; se perdoamos a quem nos ofende e rejeitamos todas as formas de ressentimento e ódio que levam à violência; se tivemos paciência, a exemplo de Deus que é tão paciente connosco; enfim se, na oração, confiamos ao Senhor os nossos irmãos e irmãs. Em cada um destes “mais pequeninos”, está presente o próprio Cristo. A sua carne torna-se de novo visível como corpo martirizado, chagado, flagelado, desnutrido, em fuga... a fim de ser reconhecido, tocado e assistido cuidadosamente por nós. Não esqueçamos as palavras de São João da Cruz: “Ao entardecer desta vida, examinar-nos-ão no amor”».

Aprendemos pois a ser “misericordiosos como o Pai” e será usada a misericórdia para connosco ao chegarmos à eternidade!

 

Fala o Santo Padre

 

«As adversidades que encontramos devido à nossa fé e à nossa adesão ao Evangelho constituem ocasiões de testemunho.»

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

O Evangelho deste domingo (cf. Lc 21, 5-19) consiste na primeira parte de um discurso de Jesus: sobre os últimos tempos. Jesus pronuncia-o em Jerusalém, nos arredores do templo; e a oportunidade é-lhe proporcionada pelas pessoas que falavam do templo e da sua beleza, porque aquele templo era bonito! Então, Jesus disse: «Dias virão em que destas coisas que vedes não ficará pedra sobre pedra» (Lc 21, 6). Naturalmente, perguntam-lhe: quando acontecerá isto? Quais serão os sinais? Mas Jesus desvia a atenção destes aspectos secundários — quando será? como será? — desvia para as questões verdadeiras. E são duas. Primeira: não se deixar enganar pelos falsos messias e não se deixar paralisar pelo medo. Segunda: viver o tempo da expectativa como tempo do testemunho e da perseverança. E nós vivemos neste tempo da expectativa, da espera da vinda do Senhor.

Este discurso de Jesus é sempre actual, também para nós que vivemos no século XXI. Ele repete-nos: «Prestai atenção para não serdes enganados. Muitos virão em meu nome» (v. 8). Trata-se de um convite ao discernimento, aquela virtude cristã de compreender onde se encontra o espírito do Senhor e onde está o espírito maligno. Com efeito, também hoje existem «salvadores» falsos, que procuram substituir-se a Jesus: líderes deste mundo, santões e até feiticeiros, personagens que desejam atrair a si as mentes e os corações, especialmente dos jovens. Jesus alerta-vos: «Não os sigais! Não os sigais!».

E o Senhor ajuda-nos também a não ter medo: perante as guerras e as revoluções, mas inclusive diante das calamidades naturais e das epidemias, é Jesus quem nos liberta do fatalismo e das falsas visões apocalípticas.

O segundo aspecto interpela-nos precisamente como cristãos e como Igreja: Jesus prenuncia provações dolorosas e perseguições que os seus discípulos deverão padecer por causa d’Ele. No entanto, assegura: «Não se perderá um só cabelo da vossa cabeça» (v. 18). Ele recorda-nos que estamos totalmente nas mãos de Deus! As adversidades que encontramos devido à nossa fé e à nossa adesão ao Evangelho constituem ocasiões de testemunho; elas não devem afastar-nos do Senhor, mas impelir-nos a abandonar-nos ainda mais a Ele, à força do seu Espírito e da sua Graça.

Neste momento penso, todos nós pensemos, [..] nos numerosos irmãos e irmãs cristãos, que sofrem perseguições por causa da sua fé. Existem tantos! Talvez muito mais do que nos primeiros séculos. Jesus está com eles. Também nós estamos unidos a eles mediante a nossa oração e o nosso afecto; nutrimos admiração pela sua intrepidez e pelo seu testemunho. São os nossos irmãos e irmãs, que em numerosas partes do mundo sofrem porque permanecem fiéis a Jesus Cristo. Saudemo-los de coração e com carinho.

No final, Jesus fez uma promessa que é garantia de vitória: «É pela vossa constância que alcançareis a salvação» (v. 19). Quanta esperança há nestas palavras! Elas são um hino à esperança e à paciência, ao saber esperar os frutos seguros da salvação, confiando no sentido profundo da vida e da história: as provações e as dificuldades fazem parte de um desígnio maior; o Senhor, Dono da história, leva tudo ao seu cumprimento. Não obstante as desordens e desventuras que angustiam o mundo, o desígnio de bondade e de misericórdia de Deus há-de realizar-se! E esta é a nossa esperança: ir em frente assim, por este caminho, no desígnio de Deus que se realizará. Esta é a nossa esperança!

[…]

Papa Francisco, Angelus, Praça de São Pedro, 17 de novembro de 2013

 

Oração Universal

 

Na conclusão da Semana dos Seminários,

suplicando a Deus pelo futuro da Igreja e do mundo,

apresentemos a nossa oração dizendo:

 

R. Senhor, condutor da Igreja e da História, ouvi-nos.

 

1. Pela Igreja, Sacramento do Reino de Deus no meio dos homens,

para que se renove na resposta criativa e fiel aos desafios dos novos tempos,

oremos irmãos.

 

2. Pelo Papa, pelo nosso Bispo e por todo o clero,

para que sejam construtores do novo mundo anunciado pela ressurreição de Cristo,

oremos irmãos.

 

3. Pelos nossos Seminários,

em especial pelos jovens que ali são preparados para o sacerdócio,

para que se deixem renovar pela palavra de Jesus

e se entreguem à Igreja cheios de confiança,

oremos irmãos.

 

4. Pelos formadores e professores dos nossos Seminários,

para que sejam um sinal de fidelidade à missão da Igreja

e aos desafios permanentes do Espírito Santo,

oremos irmãos.

 

5. Pelos jovens que Deus está a chamar

e a preparar para o futuro dos nossos seminários,

para que sejam ousados na confiança em Deus,

oremos irmãos.

 

6. Pela nossa comunidade,

para que alimentando o amor ao sacerdócio,

crie o terreno propício para novas vocações sacerdotais,

oremos irmãos.

 

Atendei, Senhor, as nossas súplicas

e tornai-nos construtores confiantes do futuro da Igreja e do mundo,

que iniciastes na ressurreição de Jesus Cristo, nosso Senhor,

que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Cantai ao Senhor nosso Deus, M. Simões, NRMS 38

 

Oração sobre as oblatas: Concedei-nos, Senhor, que os dons oferecidos para glória do vosso nome nos obtenham a graça de Vos servirmos fielmente e nos alcancem a posse da felicidade eterna. Por Nosso Senhor...

 

Santo: S. Marques, NRMS 99-100

 

Monição da Comunhão

 

Permaneçamos de pé, tanto quanto a saúde no-lo permitir. É um sinal de ressurreição, de respeito e de veneração, enquanto cada um dos fiéis, se aproxima em procissão para comungar.

 

Cântico da Comunhão: Eu estou, à porta e chamo, F. da Silva, NRMS 22

Salmo 72, 28

Antífona da comunhão: A minha alegria é estar junto de Deus, buscar no Senhor o meu refúgio.

Ou:    Mc 11, 23.24

Tudo o que pedirdes na oração ser-vos-á concedido, diz o Senhor.

 

Cântico de acção de graças: Ó meu Senhor, eu Te dou graças, NRMS 103-104

 

Oração depois da comunhão: Depois de recebermos estes dons sagrados, humildemente Vos pedimos, Senhor: o sacramento que o vosso Filho nos mandou celebrar em sua memória aumente sempre a nossa caridade. Por Nosso Senhor...

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Pela vossa perseverança salvareis as vossas vidas! Ide em paz...

 

Cântico final: Vamos partir, F. da Silva, NRMS 1 (II)

 

 

Homilias Feriais

 

33ª SEMANA

 

2ª Feira,14-XI: Procurar fazer as coisas por amor.

Ap 1, 1-4; 2, 1-5 / Lc 18, 35-43

Mas tenho contra ti que deixaste perder a tua caridade primitiva. Lembra-te, pois, de onde caíste, arrepende-te e pratica as obras anteriores.

O Apóstolo dirige-se às sete igrejas e queixa-se da tibieza em que tinham caído: «deixaste perder a caridade primitiva» (Leit.). Como está o nosso empenho nas coisas de Deus? E no trabalho e na vida familiar? Não deixemos esmorecer esses amores.

Para recuperarmos esse amor precisamos pedir ao Senhor que nos ajude a ver melhor o que foi piorando. Ao passar Jesus perto de Jericó, um cego pede-lhe a sua cura. O Senhor louva a fé do cego (Ev.): «Os sinais realizados por Jesus convidam a crer nEle. Aos que se lhe dirigem com fé, concede-lhes o que pedem (Ev.)» (CIC, 548).

 

3ª Feira, 15-XI: Arrependimento, reparação e generosidade.

Ap 3, 1-6. 14-22 / Lc 19, 1-10

Olha que eu estou à porta e bato. Se alguém ouvir a minha voz e me abrir a porta, entrarei para junto dele.

Estas palavras do Senhor (Leit.) podem aplicar-se ao episódio narrado no Evangelho. À passagem por Jericó, Jesus 'bateu à porta' de Zaqueu, manifestando-lhe o desejo de se hospedar em casa dele. Jesus conseguiu ler no íntimo de Zaqueu o desejo que alimentava de conhecê-lo. A conversão deste pecador foi muito rápida e acompanhada de uma nova forma de vida. Zaqueu deixou-nos um exemplo de arrependimento, de reparação e de generosidade. Os encontros com Cristo ajudar-nos-ão a sermos igualmente mais generosos com os demais.

 

4ª Feira, 16-XI: A transformação do mundo

Ap 4, 1-11 / Lc 19, 11-28

A tua mina rendeu dez minas. Ele respondeu-lhe: Muito bem, excelente servidor! Por que foste fiel em muito pouco, receberás o governo de 10 cidades.

À entrada para a vida eterna prestaremos contas a Deus dos talentos recebidos (Ev.). Um deles será o esforço que fizemos para transformar a vida do mundo: «Anunciar a morte do Senhor até que Ele venha, inclui, para os que participam da Eucaristia, o compromisso de transformarem a vida, de tal modo que esta se torne, de certo modo, toda eucarística. É precisamente este fruto da transformação da existência e o empenho de transformar o mundo segundo o Evangelho, que fazem brilhar a tensão escatológica da celebração eucarística e de toda a vida cristã» (S. João Paulo II).

 

5ª Feira, 17-XI: Melhor correspondência às graças recebidas.

Ap 5, 1-10 / Lc 19, 41-44

Jesus aproximou-se de Jerusalém, chorou à vista dela: Mas não! Foram escondidos aos teus olhos.

A 1ª Leitura recorda o cântico dirigido ao Cordeiro, em que se manifesta a entrega de Cristo: «porque tu foste degolado e resgataste para Deus, com o teu Sangue, homens de toda a nação» (Leit.).

Apesar desta entrega de Cristo e da Nova Aliança, verifica-se uma falta de correspondência da nossa parte, como aconteceu com os habitantes de Jerusalém, que faz derramar lágrimas a Jesus (Ev.). Na Missa temos uma boa oportunidade de nos confrontarmos com o sofrimento e as lágrimas de Jesus, para pensarmos nalguma pequena conversão.

 

6ª Feira, 18-XI: Dedicação das Basílicas de S. Pedro e S. Paulo.

 Act 28, 11-16. 30-31 / Mt 14, 22-33

O barco já se afastara da terra por muitos estádios e era açoitado pelas ondas, por o vento ser contrário.

Esta festa é uma boa oportunidade para meditarmos sobre a Igreja, apoiada nos principais Apóstolos do Senhor.

«A Igreja só na glória celeste alcançará a sua realidade acabada, aquando do regresso glorioso de Cristo. Até esse dia, a Igreja avança na sua peregrinação por entre as perseguições do mundo e as consolações de Deus» (CIC, 769). Foi o que aconteceu com o barco, que representa a Igreja, onde seguiam Pedro e os outros discípulos. Peçamos, através dos dois Apóstolos, que a doutrina de Cristo e dos seus sucessores chegue a todos os recantos da terra.

 

Sábado, 19-XI: O 'segredo da ressurreição' dos mortos.

Ap 11, 4-12 / Lc 20, 27-40

E não se trata de um Deus de mortos, mas de vivos, porque, para Ele, todos vivem.

Os saduceus negavam a ressurreição dos mortos e, para apoiar o seu ponto de vista, puseram um caso ao Senhor. Jesus resolve o problema, reafirmando a ressurreição e as propriedades dos corpos ressuscitados (Ev.)

A Eucaristia manifesta o 'segredo da ressurreição': «Na Eucaristia recebemos a garantia também da ressurreição do corpo no fim do mundo: 'Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna e eu ressuscitá-lo-ei no último dia'. Pela Eucaristia, assinala-se, por assim dizer, o 'segredo da ressurreição'» (S. João Paulo II).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Nuno Westwood

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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