30º Domingo Comum

23 de Outubro de 2016

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Escutai Senhor a prece, M. Carneiro, NRMS 90-91

Salmo 104, 3-4

Antífona de entrada: Alegre-se o coração dos que procuram o Senhor. Buscai o Senhor e o seu poder, procurai sempre a sua face.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

A Eucaristia que estamos a celebrar exige de nós transparência, simplicidade e humildade.

Não são tanto as nossas palavras, templos, cânticos e paramentos que agradam e comovem o Senhor, mas sim um coração humilde e grato. Um coração que pela sua verdadeira docilidade e humildade estabelece as relações mais belas e autênticas com Deus e com os irmãos.

A missão é feita por corações novos e renovados. Não se pode anunciar o reino sem a coerência de vida de um coração humilde. Não se pode ser evangelho sem a sabedoria da humildade para partilhar o tesouro que nos foi legado. O evangelho exige servidores humildes porque não é um projeto pessoal  por mais bonito e forte que pareça. Não se pode sobrevier na fé sem a autenticidade da relação com Deus e com os irmãos. 

 

Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, aumentai em nós a fé, a esperança e a caridade; e para merecermos alcançar o que prometeis, fazei-nos amar o que mandais. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: A oração do humilde atravessa as nuvens. Na realidade a beleza da nossa relação com Deus exige de nós despojamento e desapego do eu disforme e deturpado pela soberba.

 

Ben-Sirá 35, 15b-17.20-22a (grego: 12-14.16-18)

 

15bO Senhor é um juiz que não faz acepção de pessoas. 16Não favorece ninguém em prejuízo do pobre e atende a prece do oprimido. 17Não despreza a súplica do órfão nem os gemidos da viúva. 20Quem adora a Deus será bem acolhido e a sua prece sobe até às nuvens. 21A oração do humilde atravessa as nuvens e não descansa enquanto não chega ao seu destino. 22aNão desiste, até que o Altíssimo o atenda, para estabelecer o direito dos justos e fazer justiça.

 

A leitura é tirada do corpo do livro de Ben Sira (2 – 43), uma longa amálgama de conselhos morais e sábias sentenças. Neste trecho, ao mesmo tempo que se fala das boas disposições de Deus para quem o invoca, também põe em evidência as condições de uma boa oração: confiança, perseverança e humildade: «A oração do humilde atravessa as nuvens» (v. 21).

 

Salmo Responsorial            Sl 33 (34), 2-3.17-18.19.23 (R. 7a)

 

Monição: O humilde é o pobre que sabe louvar, agradecer. Reconhece que tudo brota da misericórdia de Deus.

 

Refrão:    O pobre clamou e o Senhor ouviu a sua voz.

 

Ou:          O Senhor ouviu o clamor do pobre.

 

A toda a hora bendirei o Senhor,

o seu louvor estará sempre na minha boca.

A minha alma gloria-se no Senhor,

escutem e alegrem-se os humildes.

 

A face do Senhor volta-se contra os que fazem o mal,

para apagar da terra a sua memória.

Os justos clamaram e o Senhor os ouviu,

livrou-os de todas as angústias.

 

O Senhor está perto dos que têm o coração atribulado

e salva os de ânimo abatido.

O Senhor defende a vida dos seus servos,

não serão castigados os que n’Ele confiam.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Paulo encoraja-nos no nosso labor de entrega. Deus esta sempre ao nosso lado. Por isso a nossa vida deve ser uma expressão da glória de Deus.

 

2 Timóteo 4, 6-8.16-18

Caríssimo: 6Eu já estou oferecido em libação e o tempo da minha partida está iminente. 7Combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a fé. 8E agora já me está preparada a coroa da justiça, que o Senhor, justo juiz, me há-de dar naquele dia; e não só a mim, mas a todos aqueles que tiverem esperado com amor a sua vinda. 16Na minha primeira defesa, ninguém esteve a meu lado: todos me abandonaram. Queira Deus que esta falta não lhes seja imputada. 17O Senhor esteve a meu lado e deu-me força, para que, por meu intermédio, a mensagem do Evangelho fosse plenamente proclamada e todas as nações a ouvissem; e eu fui libertado da boca do leão. 18O Senhor me livrará de todo o mal e me dará a salvação no seu reino celeste. Glória a Ele pelos séculos dos séculos. Amen.

 

Temos hoje a parte final da 2ª Carta enviada a Timóteo desde um calabouço em Roma, onde aguardava o seu iminente martírio, no termo do seu 2º cativeiro romano.

6 «Eu já estou oferecido em libação», isto é, «estou a chegar ao momento de derramar o meu sangue em sacrifício». A expressão deve entender-se à luz do costume pagão de fazer libações (sacrifícios que consistiam no derramamento ritual de líquidos em honra da divindade), por ocasião da morte de alguém. Com esta maneira de falar, S. Paulo quer dizer que já chegou a hora da sua morte. Pode significar também que a sua morte violenta – com derramamento de sangue por Cristo e em união com Ele – tem um certo carácter sacrificial, por se tratar de uma imolação em honra de Deus.

«O tempo da minha partida (à letra: o desprender das amarras, isto é, a morte) está iminente». Estamos seguramente no ano 67, ano do martírio do Apóstolo.

7-8 «Combate… carreira… coroa…»: mais uma vez aparece a bela maneira paulina de apresentar a vida cristã como um desporto sobrenatural, através das imagens duma luta, duma corrida e da coroa a ser atribuída por um árbitro; este é Deus, que contempla a competição e atribui o prémio. Era costume honrar os vencedores dos certames com coroas tecidas de agulhas de pinheiros, ou de folhas de louro ou oliveira; a coroa também podia, como hoje, pertencer às honras fúnebres. Esta imagem da coroa já designava então a vida eterna na bem-aventurança do Céu, como prémio de uma vida santa; é dita uma «coroa de justiça», por ser atribuída a quem praticou a justiça, ou obras justas, isto é, de acordo com a vontade de Deus. Mas a ideia de retribuição devida aos méritos também fica patente no texto, pois o prémio é dado por aquele que é o «justo juiz»: Deus remunerador, perante quem todos teremos de prestar contas, «naquele dia», o da «sua vinda», à letra, o da a sua manifestação (epifáneia); «com efeito, todos havemos de comparecer perante o tribunal de Cristo, a fim de que cada um receba conforme aquilo que fez de bem ou de mal, enquanto estava no corpo» (2 Cor 5, 10).

17 «E todas as nações a ouvissem». Esta tradução não é a seguida habitualmente pelos comentadores, pois não parece que haja aqui uma referência à pregação da «mensagem do Evangelho» (o texto original fala simplesmente de pregação, sem mais: kérygma); parece referir-se antes a um testemunho dado provavelmente no julgamento público, ouvido «por todos os gentios» (e não por «todas as nações», como diz a actual tradução bíblica revista). Tratar-se-ia de um testemunho de tal modo convincente, que levou ao adiamento da sentença: e eu fui libertado da boca do leão, isto é, da morte (cf. Salm 21 (22), 22).

 

Aclamação ao Evangelho   2 Cor 5, 19

 

Monição: A sabedoria proposta pelo evangelho seja acolhida em nosso coração humilde e sábio.

 

Aleluia

 

Cântico: Az. Oliveira, NRMS 36

 

Deus estava em Cristo reconciliando o mundo consigo

e confiou-nos a palavra da reconciliação.

 

 

Evangelho

 

Lucas 18, 9-14

9Naquele tempo, Jesus disse a seguinte parábola para alguns que se consideravam justos e desprezavam os outros: 10«Dois homens subiram ao templo para orar; um era fariseu e o outro publicano. 11O fariseu, de pé, orava assim: ‘Meu Deus, dou-Vos graças por não ser como os outros homens, que são ladrões, injustos e adúlteros, nem como este publicano. 12Jejuo duas vezes por semana e pago o dízimo de todos os meus rendimentos’. 13O publicano ficou a distância e nem sequer se atrevia a erguer os olhos ao Céu; mas batia no peito e dizia: ‘Meu Deus, tende compaixão de mim, que sou pecador’. 14Eu vos digo que este desceu justificado para sua casa e o outro não. Porque todo aquele que se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado».

 

A parábola do fariseu e do publicano, exclusiva de Lucas, é uma forma de Jesus ensinar a humildade, a atitude fundamental com que o homem tem de se apresentar diante de Deus para ser atendido.

11 «Meu Deus, dou-Vos graças». Temos um exemplo da «oração dos hipócritas» (Mt 6, 5). O que o fariseu faz não é propriamente rezar, mas gabar-se; não dialoga com Deus, fala consigo. Ele também tem pecados, mas a sua soberba não o deixa ter a hombridade de os reconhecer. Para ele, os maus são os outros, com quem se compara – «não sou como este publicano» –; sente-se com autoridade para julgar, e condena os outros. Apoia-se nas suas pretensas boas obras e, ao não se apoiar na misericórdia de Deus, sai do templo em pecado. Justifica-se a si mesmo e sai por justificar, pois só Deus pode tornar o homem justo. Ele agradece a Deus, mas, no fundo, o que ele pensa é que Deus é quem lhe deve estar agradecido!

14 Pelo contrário, a oração humilde do pecador, que reconhece sinceramente as suas culpas e se arrepende, comove o coração de Deus: «Eu vos digo que este desceu justificado para sua casa». A doutrina que S. Paulo havia de desenvolver sobre a justificação pela fé e não pelas obras vai na linha do ensino desta parábola.

 

Sugestões para a homilia

 

1- Ao estilo do Evangelho.

2- Cuidar do Coração.

3- Parábola para o quotidiano.

 

Homilia:

1- Ao estilo do Evangelho.

A palavra de Deus lança a proposta de cuidarmos de um estilo de vida que agrade a Deus. Esta é a condição indispensável para realizar a Missão que nos é confiada.

Um estilo que se destaca pela riqueza da relação com Deus e com os irmãos. Cuidar para que essas relações sejam verdadeiras, autênticas, transparentes e humildes. E sobretudo cheias de caridade e de serviço.

Há sempre a tentação de sermos a referência de todas as coisas. E de construirmos na certeza da nossa excelência. Daí que muitas vezes se evite a Cruz. Tal tentação invade inclusive os campos mais sagrados e mais belos que tocam a santidade de Deus e a sua grande beleza, e o mistério da pessoa de cada irmão, onde só Deus penetra.

Sempre a tentação de mostramos o nosso curriculum, as nossas capacidades, o nosso ego cheio de coisas e de méritos, as nossas seguranças. É a negação do dom e a desvalorização da graça. É a tentação da hipocrisia, forjadora de falsidade, e tragicamente perigosa, no conhecimento pessoal, assim como do conhecimento de Deus e dos outros.

 

2- Cuidar do Coração.

 

Uma proposta a cuidar do coração. Possuir um coração saudável. Um coração sábio que constrói a vida na simplicidade e na humildade fruto da proximidade do maravilhoso mistério de Deus.

Conhecer bem a Deus e aproximar-se do Deus Santo significa penetrar a sua humildade patente em tantos sinais! Humildade de Deus no seu dar-se contínuo e permanente despojando-se a si mesmo. E em Cristo contemplar o despojamento total para amar e servir. A Encarnação, Morte e Ressurreição de Cristo é o mistério da sua humildade. E na Eucaristia, em cada sacrário, aí está a afirmação do Deus humilde, disponível e amoroso.

Um coração que se conhece a si mesmo na sabedoria da verdade e na capacidade de saber estar na relação com Deus e na relação com os irmãos. Um coração sem segredos para Deus. Um coração sem artimanhas e manhas que elabora uma imagem desfigurada de tudo e de todos.

Um coração que se esforça, na verdade, sabendo que Deus não se assusta das nossas faltas e limitações, quando somos verdadeiros e sinceros. Um coração que não ousa acusar os outros para se considerar melhor. E muito menos um coração que na aparente limitação e fracasso dos outros se torna soberbo de orgulho pensando ser melhor e mais importante.

Um coração humilde é um coração que serve. Ama sempre. Combate sempre. Crê sempre. Ora sempre. Compreende sempre. Perdoa sempre. Dá glória a Deus sempre.

É com corações segundo o Evangelho que se realiza a missão e que se celebra a misericórdia. As atitudes do homem de coração cheio de humildade levam ao acolhimento, à cura, ao perdão, ao recomeçar, à esperança e à vida real do quotidiano.

 

3- Parábola para o quotidiano.

A palavra de Deus ajuda-nos a construir o quotidiano na verdade, na humildade e na caridade no bom estilo da boa nova.

A nossa relação com Deus é forjada na verdade da nossa comunhão com o mistério de toda a beleza, santidade e vida. Diante deste mistério que nos ilumina vemos como somos amados e necessitados de perdão, de misericórdia, de compaixão. E não levantamos o olhar para criticar, humilhar e condenar. Mas para amar, compreender, servir.

É a verdade do ser pobre, pequeno e pecador, mas grande pelo amor que nos torna próximos, íntimos e úteis. A nossa vida tem um centro, mas esse centro é o próprio Deus. Por isso, mesmo a partir da nossa fraqueza, há sabedoria da relação. Sabemos estar em comunhão com Deus e estar em comunhão com os irmãos.

Tal humildade sábia forja corações transparentes, leais e sinceros; constrói a igreja e a sociedade pelas perspectivas da verdadeira dignidade, renovação, progresso e santidade.

Se no quotidiano não encontrássemos corações, como Jesus pede e deseja, tudo seria um desastre. Seria impossível construir e realizar família, seria impossível realizar e ser Igreja.

O Espírito do Senhor conhece o que de mais íntimo há em nós. Procurar ser sensíveis à sua presença e dinamismo forjador de corações humildes, sinceros e verdadeiros.

 

Fala o Santo Padre

 

«Conservamos a fé para nós mesmos, como uma conta no banco,

ou sabemos partilhá-la com o testemunho, com o acolhimento, com a abertura aos demais?»

As leituras deste domingo convidam-nos a meditar sobre algumas características fundamentais da família cristã.

1. A primeira: a família reza. A passagem do Evangelho destaca dois modos de rezar: um falso – o do fariseu – e outro autêntico – o do publicano. O fariseu encarna uma postura que não expressa tanto agradecimento a Deus pelos seus benefícios e pela sua misericórdia, como, sobretudo, autossatisfação. O fariseu se sente justo, se sente com a consciência tranquila, se vangloria disto e julga os demais do alto do seu pedestal. O publicano, ao contrário, não multiplica as palavras. A sua oração é humilde, sóbria, permeada pela consciência da própria indignidade, das próprias misérias: este homem verdadeiramente se reconhece necessitado do perdão de Deus, da misericórdia de Deus.

A oração do publicano é a oração do pobre, é a oração agradável a Deus que, como fala a primeira leitura, subirá até as nuvens (cf. Eclo 35, 20), enquanto a oração do fariseu está sobrecarregada pelo peso da vaidade.

À luz desta Palavra, queria vos perguntar, queridas famílias: Rezais algumas vezes em família? Alguns, eu sei que sim. Mas, muitos me perguntam: Mas, como se faz? Faz-se como o publicano, está claro: com humildade, diante de Deus. Cada um com humildade se deixa olhar pelo Senhor e pede a sua bondade, que venha até nós. Mas, na família, como se faz? Porque parece que a oração seja uma coisa pessoal; além disso, nunca se encontra um momento oportuno, tranquilo, em família... Sim, isso é verdade, mas é também questão de humildade, de reconhecer que precisamos de Deus, como o publicano! E todas as famílias, todos nós precisamos de Deus: todos, todos! Há necessidade da sua ajuda, da sua força, da sua bênção, da sua misericórdia, do seu perdão. E é preciso simplicidade: para rezar em família, é necessária simplicidade! Rezar juntos o “Pai Nosso”, ao redor da mesa, não é algo extraordinário: é fácil. E rezar juntos o Terço, em família, é muito belo; dá tanta força! E também rezar um pelo outro: o marido pela esposa; a esposa pelo marido; os dois pelos filhos; os filhos pelos pais, pelos avós... Rezar um pelo outro. Isto é rezar em família, e isto fortalece a família: a oração.

2. A segunda Leitura nos sugere outro ponto: a família guarda a fé. O apóstolo Paulo, no ocaso da sua vida, faz um balanço fundamental, e diz: «guardei a fé» (2Tm 4,7). Mas, como a guardou? Não em um cofre! Nem a escondeu debaixo da terra, como o servo um pouco preguiçoso dos talentos. São Paulo compara a sua vida com uma batalha e com uma corrida. Guardou a fé, porque não se limitou a defendê-la, mas a anunciou, irradiou-a, levou-a longe. Opôs-se de modo decidido àqueles que queriam conservar, “embalsamar” a mensagem de Cristo nos limites da Palestina. Por isso, tomou decisões corajosas, penetrou em territórios hostis, deixou-se atrair pelos que estavam longe, por culturas diferentes, falou francamente, sem medo. São Paulo guardou a fé, porque, como a tinha recebido, assim a entregou, dirigindo-se às periferias, sem se fincar em posições defensivas.

Aqui também, podemos perguntar: De que modo nós, em família, guardamos a nossa fé? Conservamo-la para nós mesmos, na nossa família, como um bem privado, como uma conta no banco, ou sabemos partilhá-la com o testemunho, com o acolhimento, com a abertura aos demais? Todos sabemos que as famílias, sobretudo as jovens famílias, estão frequentemente “correndo”, muito atarefadas; mas já pensastes alguma vez que esta “corrida” pode ser também a corrida da fé? As famílias cristãs são famílias missionárias. […] Guardai a fé em família e colocai o sal e o fermento da fé nas coisas de todos os dias.

3. E há um último aspecto que tiramos da Palavra de Deus: a família vive a alegria. No Salmo Responsorial, encontramos esta expressão: «ouçam os humildes e se alegrem» (33,4). Todo este Salmo é um hino ao Senhor, fonte de alegria e de paz. Qual é o motivo desta alegria? É este: o Senhor está perto, escuta o grito dos humildes e os liberta do mal. Como escrevia São Paulo: «Alegrai-vos sempre... O Senhor está próximo!» (Fl 4,4-5). Pois bem... gostaria de fazer uma pergunta hoje. Mas, cada um leva esta pergunta no seu coração, para a sua casa, certo? É como um dever de casa. E responde-se sozinho. Como se vive a alegria, na tua casa? Como se vive a alegria na tua família? Bem, dai vós mesmos a resposta.

Queridas famílias, como bem sabeis, a verdadeira alegria que se experimenta na família não é algo superficial, não vem das coisas, das circunstâncias favoráveis... A alegria verdadeira vem da harmonia profunda entre as pessoas, que todos sentem no coração, e que nos faz sentir a beleza de estarmos juntos, de nos apoiarmos uns aos outros no caminho da vida. Mas, na base deste sentimento de alegria profunda está a presença de Deus, a presença de Deus na família, está o seu amor acolhedor, misericordioso, cheio de respeito por todos. E, acima de tudo, um amor paciente: a paciência é uma virtude de Deus e nos ensina, na família, a ter este amor paciente, um com o outro. Ter paciência entre nós. Amor paciente. Só Deus sabe criar a harmonia a partir das diferenças. Se falta o amor de Deus, a família também perde a harmonia, prevalecem os individualismos, se apaga a alegria. Pelo contrário, a família que vive a alegria da fé, comunica-a espontaneamente, é sal da terra e luz do mundo, é fermento para toda a sociedade.

Queridas famílias, vivei sempre com fé e simplicidade, como a Sagrada Família de Nazaré. A alegria e a paz do Senhor estejam sempre convosco!

Papa Francisco, Homilia, Praça de São Pedro, 27 de outubro de 2013

 

Oração Universal

 

Caríssimos cristãos:

Peçamos ao Senhor que nos dê um coração

capaz de fazer subir até Ele

súplicas e orações por todos os homens,

dizendo (ou:  cantando), com humildade:

 

R.   Ouvi-nos Senhor.

Ou: Senhor, tende compaixão de nós.

Ou: lembrai-Vos, Senhor, do vosso povo.

 

1-Pelo Papa Francisco, pelos bispos, presbíteros e diáconos,

chamados a ter um coração simples e humilde,

para que saibam acolher os pecadores

com bondade e sem discriminação.

Oremos, irmãos.

 

2- Pelos cristãos, chamados a realizar a Missão,

para que tenham Cristo no centro das suas vidas, atividades e opções;

sejam acolhedores, serviçais e vivam em comunhão eclesial,

oremos, irmãos.

 

3- Pelos governos de todo o mundo e por todos

os que se dedicam à investigação científica,

para que sejam humildes e nunca usem de arrogância,

de prepotência e de soberba,

oremos, irmãos.

 

4-Pelos povos de toda a terra,

para que aprendam a cuidar do seu coração,

e tenham gestos de humildade, amor e serviço,

oremos, irmãos.

 

5- Por todos os doentes do corpo ou do espírito,

pelos que são escravos da soberba e da vaidade,

por todos os idosos, os marginais e rejeitados,

para que encontrem a sabedoria de Deus,

e encontrem amigos que os escutem e ajudem,

oremos, irmãos.

 

6- Por todos os nossos defuntos,

para que o nosso coração continue grato para com eles,

e sempre os tenhamos na nossa oração fraterna,

oremos, irmãos.

 

 

Senhor, que inspirais as nossas súplicas,

atendei às orações dos vossos fiéis,

que Vos pedem, com sincera humildade,

por todos os homens e mulheres que quereis salvar,

e tende compaixão de todos eles.

Por Cristo, nosso Senhor.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: A minha alma tem sede, M. Carneiro, NRMS 40

 

Oração sobre as oblatas: Olhai, Senhor, para os dons que Vos apresentamos e fazei que a celebração destes mistérios dê glória ao vosso nome. Por Nosso Senhor...

 

Santo: A. Cartageno, 99-100

 

Monição da Comunhão

 

Senhor, a tua maravilhosa presença seja acolhida com um coração sincero e puro. Coração puro que estabelece as verdadeiras relações de amor e serviço para contigo e para com os irmãos.

 

Cântico da Comunhão: Eu vim para que tenham vida, F. da Silva, NRMS 70

cf. Salmo 19, 6

Antífona da comunhão: Celebramos, Senhor, a vossa salvação e glorificamos o vosso santo nome.

Ou:    Ef 5, 2

Cristo amou-nos e deu a vida por nós, oferecendo-Se em sacrifício agradável a Deus.

 

Cântico de acção de graças: Cantai Comigo, H. Faria, NRMS 2 (II)

 

Oração depois da comunhão: Fazei, Senhor, que os vossos sacramentos realizem em nós o que significam, para alcançarmos um dia em plenitude o que celebramos nestes santos mistérios. Por Nosso Senhor...

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Vamos para a vida com alegria e com a coragem. Coragem que significa agir com o coração. Viver com um coração sincero que constrói as relações autênticas com Deus e com os irmãos.

 

Cântico final: Exultai de alegria no Senhor, F. da Silva, NRMS 87

 

 

Homilias Feriais

 

30ª SEMANA

 

2ª Feira, 24-X: Olhar para o Céu

Ef 4, 32- 5, 8 / Lc 13-10-17

Apareceu então uma mulher com um espírito que a tornava enferma havia dezoito anos e andava curvada.

Esta mulher, que andava curvada (Ev.), é o símbolo daqueles que não conseguem levantar os olhos do chão e olhar para cima, para poderem contemplar a Deus.

Cristo quer ajudar-nos a levantar: «entregou-se a si mesmo por nós, oferecendo-se como vítima agradável» (Leit.). Deste modo, libertou-nos das escravidões e tornou-nos filhos de Deus. É altura de nos comportarmos como verdadeiros filhos de Deus: «agora sois luz pela união com o Senhor. Comportai-vos como filhos da luz» (Leit.). Agradeçamos a Nª Senhora o seu 'fiat', que nos obteve a graça da filiação divina.

 

3ª Feira, 25-X: O fermento na vida familiar.

Ef 5, 21-33 / Lc 13, 18-21

O reino de Deus é semelhante ao fermento que uma mulher tomou e meteu em três medidas de farinha.

Nós somos enviados pelo Senhor para sermos o fermento (Ev.), que faz crescer o amor de Deus nos ambientes que nos rodeiam. Para que o fermento mantenha a sua força é necessário que esteja unido a Cristo.

De um modo particular, poderíamos ver como ser melhor fermento na vida familiar (Leit.). O modelo que nos é apresentado é o amor com que Cristo amou a Igreja: «Ele entregou-se à morte por ela, a fim de a santificar» (Leit.). Cada dia há oportunidade de os esposos se entregarem mais: na ajuda mútua, no carinho, na amabilidade, etc.

 

4ª Feira, 26-X: A porta estreita e a porta do Céu.

Ef 6, 1-9 / Lc 13, 22-30

Senhor, são poucos os que se salvam? Jesus disse aos presentes: Esforçai-vos por entrar pela porta estreita.

A vontade de Deus é que todos se salvem. Mas pede-nos que entremos pela porta estreita. Esta afirmação é um apelo urgente à conversão pessoal (CIC, 1036). Mas é também dirigida às famílias: os pais e os filhos têm uma série de deveres a cumprir (Leit.).

O nosso caminho de salvação passa pela porta do Céu. Este título atribui-se a Nª Senhora, dada a sua união íntima com o Filho e pela sua participação na plenitude e misericórdia de Cristo. De igual modo, através da sua poderosa intercessão, obtém-nos os auxílios necessários para chegarmos ao Céu.

 

5ª Feira, 27-X: Armas para vencer na luta

Ef 6, 10-20 / Lc 13, 31-35

Alguns fariseus disseram a Jesus: 'Sai, vai-te embora daqui, porque Herodes quer mandar-te matar.

Jesus tomou a firme resolução de dirigir-se a Jerusalém (Ev.). Essa era a vontade do Pai, pois não poupou o seu próprio Filho, que entregou por todos nós.

Para cumprirmos a vontade de Deus, encontraremos muitos obstáculos no caminho. O Apóstolo (Leit.) sugere-nos as armas que devemos levar para o combate: a 'armadura de Deus', para podermos resistir nos dias maus; o 'escudo da fé', para apagar as setas incendiárias do Maligno; o 'capacete da salvação' e a 'espada do espírito', que é a palavra de Deus; a oração em todo o tempo em união com o Espírito Santo.

 

6ª Feira, 28-X: S. Simão e S. Judas: Participação na construção da Igreja.

Ef 2, 19-22 / Lc 6, 12-19

Fostes edificados sobre o alicerce dos Apóstolos e dos profetas, que tem Cristo Jesus como pedra angular.

A Igreja continua a ser edificada sobre os mesmos fundamentos: os Apóstolos, testemunhas escolhidas e enviadas em missão pelo próprio Cristo (CIC, 857). S. Simão e S. Judas andaram, segundo a Tradição, pelo Egipto, Mesopotâmia e Pérsia, onde sofreram o martírio.

Todos participamos na construção da Igreja: «Todos os membros da Igreja, embora em diversos modos, participam deste envio» (CIC, 863). Nossa Senhora também participou, como templo de Deus, e nos inícios da Igreja, pedindo a vinda do Espírito Santo.

 

Sábado, 29-X: A morte é um lucro?

Fil 1, 18-26 / Lc 14, 1. 7-11

É que para mim, viver é Cristo e morrer um lucro.

A morte de Cristo é também um lucro para nós: «Este sacrifício é tão decisivo para a salvação do género humano que Jesus Cristo o realizou e só voltou para o Pai, depois de nos ter deixado o meio para dele participarmos» (S. João Paulo II).

Se temos fé, a nossa própria morte é um lucro, porque ela é a chave que nos abre a porta do reino dos Céus. Sigamos o conselho do Senhor: «pois todo aquele que se eleva será humilhado, e o que se humilha será elevado» (Ev.). Ao participarmos na Missa procuremos ter as mesmas disposições de Nª Senhora no Calvário (Sto. Cura de Ars).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Armando R. Dias

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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