28º Domingo Comum

9 de Outubro de 2016

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Escutai a minha prece, M. Carneiro, NRMS 102

Salmo 129, 3-4

Antífona de entrada: Se tiverdes em conta as nossas faltas, Senhor, quem poderá salvar-se? Mas em Vós está o perdão, Senhor Deus de Israel.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

A liturgia da Palavra deste domingo recorda-nos a lepra, terrível doença, que noutros tempos era marcada por determinadas proibições de ordem social.

O nosso mundo, nos dias de hoje, está transformado numa “lepra” gerada pelo espírito economicista e tecnológico. Tudo se compra, tudo se paga.

Perante este panorama real, muitos perderam a noção e o valor da gratidão e da gratuidade, virtudes que desde crianças nos ensinaram: agradecer os favores recebidos e servir sem esperar recompensa. Estas virtudes enobrecem a pessoa humana, pois são atitudes que brotam do coração daqueles que se sentem amados por Deus.

 

Acto penitencial

 

Conscientes desta realidade, sentimo-nos pecadores.

Para celebrarmos dignamente os santos mistérios, sentimos a necessidade de pedir perdão a Deus pelas vezes que nos esquecemos da prática destas virtudes.

 

Senhor,

“Obrigado” é uma palavra simples mas por nós esquecida na relação conVosco, para Vos darmos graças pelas maravilhas que operais quotidianamente na nossa vida. Por isso rezamos, pedindo:

Senhor, tende misericórdia de nós.

 

Cristo,

Raramente nos lembramos de agradecer a tantas pessoas que intervieram na nossa vida, para a tornar mais feliz: os nossos pais, os nossos professores, o padre, o médico, os nossos colegas de estudo ou de trabalho, os nossos amigos. Por isso rezamos, pedindo:

Cristo, tende misericórdia de nós.

 

Senhor,

Perdemos a serenidade e a alegria perante as adversidades no desempenho das nossas actividades ao sermos injustamente criticados, caluniados e condenados por aqueles irmãos que favorecemos. Por isso rezamos, pedindo:

Senhor, tende misericórdia de nós.

 

Oração colecta: Nós Vos pedimos, Senhor, que a vossa graça preceda e acompanhe sempre as nossas acções e nos torne cada vez mais atentos à prática das boas obras. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Esta leitura, tirada do 2º Livro dos Reis, apresenta-nos a cura extraordinária do general sírio, Naamã. Ele mostra a sua gratidão ao profeta Eliseu pelo papel desempenhado. Eliseu prova a gratuidade do seu conselho reportando-o a Deus, seu autor.

 

2 Reis 5, 14-17

 

Naqueles dias, 14o general sírio Naamã desceu ao Jordão e aí mergulhou sete vezes, como lhe mandara Eliseu, o homem de Deus. A sua carne tornou-se tenra como a de uma criança e ficou purificado da lepra. 15Naamã foi ter novamente com o homem de Deus, acompanhado de toda a sua comitiva. Ao chegar diante dele, exclamou: «Agora reconheço que em toda a terra não há outro Deus senão o de Israel. Peço-te que aceites um presente deste teu servo». 16Eliseu respondeu-lhe: «Pela vida do Senhor que eu sirvo, nada aceitarei». E apesar das insistências, ele recusou. 17Disse então Naamã: «Se não aceitas, permite ao menos que se dê a este teu servo uma porção de terra para um altar, tanto quanto possa carregar uma parelha de mulas, porque o teu servo nunca mais há-de oferecer holocausto ou sacrifício a quaisquer outros deuses, mas apenas ao Senhor, Deus de Israel».

 

O episódio cheio de beleza e vivacidade é tirado do chamado ciclo de Eiseu (2 Re 2, 13 – 13, 30), tem um paralelo semelhante nos Evangelhos, não tanto nas curas dos leprosos dos Evangelhos, como se lê no Evangelho de hoje, mas antes na cura do cego de Jo 9, que se banha na piscina de Siloé.

17 Uma porção de terra, isto é, de terra santa, terra que pertence ao verdadeiro e único Deus, Yahwéh, o único capaz de fazer milagres. Esta terra levada como relíquia vai continuar no futuro costume da piedade cristã de os peregrinos da Terra Santa trazerem consigo um punhado de terra.

 

Salmo Responsorial            Sl 97 (98), 1-4 (R. cf. 2b)

 

Monição: Ao proclamarmos o salmo de meditação, aclamamos e exultamos de alegria e gratidão em louvor a Deus, pois reconhecemos a salvação, a justiça e as maravilhas que Deus oferece a todos os seus filhos.

 

Refrão:    O Senhor manifestou a salvação a todos os povos.

 

Ou:          Diante dos povos

                manifestou Deus a salvação.

 

Cantai ao Senhor um cântico novo

pelas maravilhas que Ele operou.

A sua mão e o seu santo braço

Lhe deram a vitória.

 

O Senhor deu a conhecer a salvação,

revelou aos olhos das nações a sua justiça.

Recordou-Se da sua bondade e fidelidade

em favor da casa de Israel.

 

Os confins da terra puderam ver

a salvação do nosso Deus.

Aclamai o Senhor, terra inteira,

exultai de alegria e cantai.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Este trecho tirado da 2ª carta a Timóteo, proclama a fé entusiasta de S. Paulo em Cristo ressuscitado e exorta o discípulo Timóteo a não desfalecer perante as adversidades.

 

2 Timóteo 2, 8-13

 

Caríssimo: 8Lembra-te de que Jesus Cristo, descendente de David, ressuscitou dos mortos, segundo o meu Evangelho, 9pelo qual eu sofro, até ao ponto de estar preso a estas cadeias como um malfeitor. Mas a palavra de Deus não está encadeada. 10Por isso, tudo suporto por causa dos eleitos, para que obtenham a salvação que está em Cristo Jesus, com a glória eterna. 11É digna de fé esta palavra: Se morremos com Cristo, também com Ele viveremos; 12se sofremos com Cristo, também com Ele reinaremos; 13se O negarmos, também Ele nos negará; se Lhe formos infiéis, Ele permanece fiel, porque não pode negar-Se a Si mesmo.

 

Este belo trecho da leitura é uma boa lição de optimismo, baseado na fé, para as horas de provação e de perseguição, bem como um magnífico hino de apelo à fidelidade a toda a prova (vv. 11-13).

8 «Segundo o meu Evangelho». Não parece que se trata do Evangelho de Lucas, discípulo de Paulo, mas do Evangelho que Paulo prega, a boa nova da salvação em Cristo, exposto com os acentos próprios do Apóstolo das Gentes. No Novo Testamento o termo Evangelho não se refere ao Evangelho escrito.

9 «Cadeias como um malfeitor». Segundo a opinião corrente, S. Paulo está no 2.º cativeiro romano, pelo ano 67, no fim da sua vida, em plena perseguição de Nero contra os cristãos, considerado pelo historiador pagão, Suetónio (Vida dos 12 imperadores, Nero, 16), como pertencentes a uma «superstição nova e maléfica».

 

Aclamação ao Evangelho   cf.1 Tes 5, 18

 

Monição: Em Cristo Jesus aprendemos a gratidão para com Deus, pelas imensas maravilhas que opera em nosso favor, em todo o tempo e lugar.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação ao Evangelho-1, F. Silva, NRMS 50-51

 

Em todo o tempo e lugar dai graças a Deus,

porque esta é a sua vontade a vosso respeito em Cristo Jesus.

 

 

Evangelho

 

Lucas 17, 11-19

 

Naquele tempo, 11indo Jesus a caminho de Jerusalém, passava entre a Samaria e a Galileia. 12Ao entrar numa povoação, vieram ao seu encontro dez leprosos. 13Conservando-se a distância, disseram em alta voz: «Jesus, Mestre, tem compaixão de nós». 14Ao vê-los, Jesus disse-lhes: «Ide mostrar-vos aos sacerdotes». E sucedeu que no caminho ficaram limpos da lepra. 15Um deles, ao ver-se curado, voltou atrás, glorificando a Deus em alta voz, 16e prostrou-se de rosto por terra aos pés de Jesus para Lhe agradecer. Era um samaritano. 17Jesus, tomando a palavra, disse: «Não foram dez que ficaram curados? Onde estão os outros nove? 18Não se encontrou quem voltasse para dar glória a Deus senão este estrangeiro?» 19E disse ao homem: «Levanta-te e segue o teu caminho; a tua fé te salvou».

 

Os Sinópticos referem a cura de leprosos, mas só Lucas relata o episódio da cura dos dez leprosos, que condiz bem com a sua visão universalista da salvação, ao registar que o curado agradecido era um samaritano.

12 «Conservando-se a distância». A própria Lei prescrevia, a fim de evitar o contágio, o isolamento do doente (cf. Lv 13, 45-46) e também um certificado de cura passado pelos sacerdotes (cf. Lv 14, 2 ss), a fim de poder vir a ser reintegrado no convívio social.

17 «Onde estão os outros nove?» O relato deixa ver que Jesus não os curou logo e manda-os ir pedir o certificado da cura ainda antes de curados. Assim é posto em evidência o seu exemplo de fé, mas a verdade é que só um – e o mais desprezível, pois era samaritano – é quem deu exemplo de gratidão. Lucas, ao pôr em relevo a gratidão dum estrangeiro, também deixa ver a finíssima sensibilidade do Coração de Cristo, que fica contente com o agradecimento deste, e dorido com a ingratidão dos outros nove, que não estiveram para ter a maçada de voltar atrás para agradecer a cura.

 

Sugestões para a homilia

 

O valor da gratuitidade e da gratidão

A vida humana e as nossas fragilidades

Os leprosos de hoje

 

O valor da gratuidade e da gratidão

 

Ao escutarmos as leituras propostas para este 28º Domingo do Tempo Comum reparamos na importância dada à cura do leproso Naamã, bem como à cura dos dez leprosos que pediram a intercessão de Jesus.

A Palavra de Deus que hoje nos é dirigida, pretende chamar a nossa atenção para duas virtudes humanas esquecidas por muitos de nós: a gratuidade e a gratidão.

O general sírio Naamã, cujo relato ouvimos na primeira leitura, ao lavar-se sete vezes no rio Jordão e sentindo-se curado, volta atrás para agradecer a Eliseu com um presente, mas este recusa-se a aceitá-lo. Não deseja que Naamã pense que o milagre é obra sua, mas pura gratuidade de Deus. Eliseu é um modelo para todos nós, não somente pela sua compreensão, mas também pela sua rectidão. Não pretende que lhe agradeçam a ele, mas a Deus.

Também os leprosos, de que nos fala o Evangelho, foram limpos de modo extraordinário pela acção de Deus, através da intermediação de Seu Filho, Jesus.

É conveniente recordar que no tempo de Jesus havia quatro categorias de pessoas que eram igualadas ao morto: o pobre, o cego, o leproso e aquele que não tinha filhos. Os leprosos, inclusivamente, não podiam chegar perto das povoações e os lugares onde viviam eram considerados impuros. As doenças eram consideradas pelos judeus como um castigo dos pecados, mas a lepra era a própria figura material do pecado.

Perante esta mentalidade compreendemos por que razão os dez leprosos se mantiveram à distância e, de longe, tenham gritado, não pedindo a Jesus que os curasse, mas que tivesse compaixão deles. Jesus, ao vê-los, mandou-os mostrar-se aos sacerdotes, pois a Lei determinava que, quem ficasse curado da lepra, deveria cumprir essa prescrição, para ser examinado, considerado são, e oportunamente poder ser integrado na comunidade.

Eles seguiram, então, o seu caminho. Enquanto caminhavam sentem-se curados. A cura não se dera imediatamente, mas enquanto eles se põem a caminho.

Um deles, sentindo-se curado, volta para trás ao encontro de Jesus, lança-se aos seus pés para Lhe agradecer. É um samaritano, um estrangeiro.

Pensemos nos pormenores significativos da narrativa do milagre operado em favor dos 10 leprosos, a fim de nele podermos reconhecer a chamada de atenção para outra das virtudes acima referidas, a gratidão.

Assim, um pormenor importante do texto é o número dos leprosos: são dez. Na Bíblia, o número dez significa simbolicamente a totalidade. Logo, estes dez representam a totalidade de todo o povo, de toda a humanidade. Todos estamos sujeitos à lepra do pecado.

Outro pormenor: Esta doença une entre si judeus e samaritanos, isto é, associa pessoas que, quando saudáveis, se consideram inimigos obstinados. Daí que os dez não se tenham procurado salvar cada um por si mesmo.

São curados ao longo do caminho. Ora, o único que reconheceu imediatamente o bem e a salvação que recebera, foi o samaritano. Por isso voltou atrás para agradecer e dar glória a Deus. Jesus fica admirado por ter sido um estrangeiro que teve necessidade de se prostrar, mostrando a sua gratidão. Levanta-o e ordena-lhe que prossiga o seu caminho, pois que a sua fé o tinha salvo. O samaritano ao ir ter com Jesus, reconhece a razão por que tinha sido mandado aos sacerdotes. Agora, está em condições de testemunhar a Boa Nova: Deus enviara ao seu povo Aquele que os profetas tinham anunciado como o salvador, o Messias. Deus não se afastara dos homens! Embora ressuscitado e ascendendo ao céu, Jesus está connosco para nos atender e salvar.

Na nossa vida somos, por vezes, tentados a desejar o reconhecimento dos demais perante aquilo que fazemos, mas que no fundo não é obra nossa, mas gratuidade de Deus, em que participamos como simples intermediários. São fragilidades nossas de que temos de nos corrigir.

 

A nossa vida e as nossas fragilidades

 

A narração deste episódio quer chamar-nos a atenção para as nossas fragilidades: ninguém é justo, ninguém está sem lepra; todos procuramos a salvação do Senhor. A lepra simboliza a condição de pecado, da miséria humana, da situação de afastamento de Deus e dos irmãos.

Quando nos sentimos justos, perfeitos, começamos a erguer muros que nos separam: pomos os bons do nosso lado e os que julgamos não serem, do outro; exigimos que aqueles que consideramos pecadores fiquem longe de nós, a fim de não sermos atingidos.

Quando deixarmos de pensar que nos salvamos por nós próprios, mas com a ajuda da oração comunitária, como fizeram os dez leprosos, apelamos para a piedade do Mestre. É assim que fazemos? Sentimo-nos ou não solidários com todos ou continuamos a pensar apenas na «nossa salvação»?

Saibamos, como o samaritano, reconhecer os bens recebidos de Deus, a fim de comunicarmos aos homens os Seus dons, proclamando o nosso reconhecimento e a sua descoberta. Saibamos dar a mão, ajudar os leprosos de hoje, nos quais também estamos de certo modo incluídos.

 

Os leprosos de hoje

 

Os leprosos de hoje, são todos aqueles que marginalizados e discriminados pela comunidade, continuam ainda a sofrer na própria pele as consequências das feridas da lepra do pecado.

Se pensarmos honestamente na nossa condição de leprosos, de pecadores diante de Deus, já não nos consideraremos acima de ninguém, conseguiremos deixar de julgar, condenar e excluir. Compreenderemos que somos irmãos de todos os homens, de que fazemos o mesmo caminho ao lado uns dos outros e que nos apoiamos mutuamente no rumo que conduz Àquele que é o único que pode curar.

A nossa vida cristã é esse caminho, esse itinerário que nós sabemos ser longo e penoso. Ponhamo-nos, pois, ao lado dos demais, caminhemos juntamente com eles e um dia, com alegria, compreenderemos que ao percorrermos juntos tanta estrada, acabamos por ser curados por Jesus da lepra das nossas próprias imperfeições.

 

Fala o Santo Padre

 

Quantas vezes dizemos obrigado a quem nos ajuda, vive perto de nós e nos acompanha na vida? 

[…] À luz das Leituras que acabámos de escutar, queria reflectir convosco sobre três realidades: a primeira, Deus surpreende-nos; a segunda, Deus pede-nos fidelidade; a terceira, Deus é a nossa força.

1. A primeira: Deus surpreende-nos. O caso de Naamã, comandante do exército do rei da Síria, é notável: para se curar da lepra, vai ter com o profeta de Deus, Eliseu, que não realiza ritos mágicos, nem lhe pede nada de extraordinário. Pede-lhe apenas para confiar em Deus e mergulhar na água do rio; e não dos grandes rios de Damasco, mas de um rio pequeno como o Jordão. É uma exigência que deixa Naamã perplexo e também surpreendido: Que Deus poderá ser este que pede uma coisa tão simples? A vontade primeira dele é retornar ao País, mas depois decide-se a fazê-lo, mergulha no Jordão e imediatamente fica curado (cf.2Re 5,1-14). Vedes!? Deus surpreende-nos; é precisamente na pobreza, na fraqueza, na humildade que Ele Se manifesta e nos dá o seu amor que nos salva, cura, dá força. Pede somente que sigamos a sua palavra e tenhamos confiança n’Ele. […]

Hoje perguntemo-nos, todos, se temos medo daquilo que Deus me poderá pedir ou está pedindo. Deixo-me surpreender por Deus […], ou fecho-me nas minhas seguranças, seguranças materiais, seguranças intelectuais, seguranças ideológicas, seguranças dos meus projectos? Deixo verdadeiramente Deus entrar na minha vida? Como Lhe respondo?

2. Na passagem lida de São Paulo, ouvimos o Apóstolo dizer ao seu discípulo Timóteo: Lembra-te de Jesus Cristo; se perseverarmos com Ele, também com Ele reinaremos (cf. 2Tm 2,8-13). Aqui está o segundo ponto: lembrar-se sempre de Cristo, a memória de Jesus Cristo, e isto significa perseverar na fé. Deus surpreende-nos com o seu amor, mas pede fidelidade em segui-Lo. Podemos nos tornar “não fiéis”, mas Ele não pode; Ele é “o fiel” e pede-nos a mesma fidelidade. Pensemos quantas vezes já nos entusiasmámos por qualquer coisa, por uma iniciativa, por um compromisso, mas depois, ao surgirem os primeiros problemas, abandonámos. E, infelizmente, isto acontece também com as opções fundamentais, como a do matrimónio. É a dificuldade de ser constantes, de ser fiéis às decisões tomadas, aos compromissos assumidos. Muitas vezes é fácil dizer «sim», mas depois não se consegue repetir este «sim» todos os dias. Não se consegue ser fiéis. […]

E eu me pergunto: sou um cristão “soluçante”, ou sou cristão sempre? Infelizmente, a cultura do provisório, do relativo penetra também na vivência da fé. Deus pede-nos para Lhe sermos fiéis, todos os dias, nas acções quotidianas; e acrescenta: mesmo se às vezes não Lhe somos fiéis, Ele é sempre fiel e, com a sua misericórdia, não se cansa de nos estender a mão para nos erguer e encorajar a retomar o caminho, a voltar para Ele e confessar-Lhe a nossa fraqueza a fim de que nos dê a sua força. […]

3. O último ponto: Deus é a nossa força. Penso nos dez leprosos do Evangelho curados por Jesus: vão ao seu encontro, param à distância e gritam: «Jesus, Mestre, tem compaixão de nós» (Lc 17, 13). Estão doentes, necessitados de serem amados, de terem força e procuram alguém que os cure. E Jesus responde, libertando-os a todos da sua doença. Causa estranheza, porém, o facto de ver que só regressa um para Lhe agradecer, louvando a Deus em alta voz. O próprio Jesus o sublinha: eram dez que gritaram para obter a cura, mas só um voltou para gritar em voz alta o seu obrigado a Deus e reconhecer que Ele é a nossa força. É preciso saber agradecer, saber louvar o Senhor pelo que faz por nós.

[…] Se conseguimos entender que tudo é dom de Deus, então quanta felicidade teremos no nosso coração! Tudo é dom d’Ele. Ele é a nossa força! Dizer obrigado parece tão fácil, e todavia é tão difícil! Quantas vezes dizemos obrigado em família? Esta é uma das palavras-chaves da convivência. “Com licença”, “perdão”, “obrigado”: se numa família se dizem estas três palavras, a família segue adiante. Quantas vezes dizemos “obrigado” junto da família? Quantas vezes dizemos obrigado a quem nos ajuda, vive perto de nós e nos acompanha na vida? Muitas vezes damos tudo isso como suposto! E o mesmo acontece com Deus. É fácil ir até ao Senhor para pedir alguma coisa, mas ir agradece-Lo… “Ah, isso é difícil”.

Invocamos a intercessão de Maria, para que nos ajude a deixarmo-nos surpreender por Deus sem resistências, a sermos-Lhe fiéis todos os dias, a louvá-Lo e agradecer-Lhe porque Ele é a nossa força. Amen.

Papa Francisco, Homilia, Praça de São Pedro, 13 de outubro de 2013

 

Oração Universal

 

Oremos, irmãos, a Deus

Pai de misericórdia que a todos quer salvar,

apesar da nossa ingratidão

e supliquemos com humildade, dizendo:

 

Ouvi-nos, Senhor, e vinde em nosso auxílio.

 

1.    Que o Santo Padre, o Papa, os Bispos,

Presbíteros e Diáconos acolham e fomentem

a união fraterna de modo que todos os homens, como irmãos,

possam louvar a Deus Pai.

Oremos, irmãos.

 

 

2.    Que todos nós saibamos abrir o coração

e percorrer o nosso caminho cristão em aceitação e disponibilidade

para com todos os marginalizados e discriminados pela sociedade.

Oremos, irmãos.

 

3.    Que Jesus nos ajude a saber anunciar a Boa Nova

embora conscientes de que estamos sujeitos,

pela nossa condição humana,

ao pecado e à situação de afastamento de Deus.

Oremos, irmãos.

 

4.    Que os problemas, as dificuldades e os dissabores

não nos perturbem, nem asfixiem em nós

a gratidão que devemos ao Senhor, nosso Deus,

a fim de encontrarmos a verdadeira alegria e a paz.

Oremos, irmãos.

 

5.    Que também saibamos ser gratos

para com todos aqueles que nos ajudaram na vida:

os nossos pais, os nossos professores, o padre, o catequista, o médico, os enfermeiros,

os colegas de estudo ou de trabalho e todos os nossos amigos.

Oremos, irmãos.

 

6.    Que não nos consideraremos acima de ninguém,

e deixemos de julgar, condenar e excluir,

pois somos irmãos de todos os homens

e sujeitos às mesmas fraquezas.

Oremos, irmãos.

 

Senhor, nosso Deus,

que enviastes o vosso Filho para nos curar de todo o mal,

dai-nos um coração repleto de gratidão que saiba dar-Vos glória e louvor

por todas as graças com que continuamente nos enriqueceis.

Por nosso Senhor...

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Feliz o povo que sabe aclamar-vos, A. Cartageno, NRMS 87

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, as orações e as ofertas dos vossos fiéis e fazei que esta celebração sagrada nos encaminhe para a glória do Céu. Por Nosso Senhor...

 

Santo: «Da Missa de Festa», Az. Oliveira, NRMS 50-51

 

Monição da Comunhão

 

O Corpo do Senhor, que vamos comungar, nos ajude a acolher e compreender todos aqueles que nos rodeiam e a louvar e agradecer a Deus todas as graças com que Ele diariamente nos cumula.

 

Cântico da Comunhão: Em Vós, Senhor, está a fonte da vida, Az. Oliveira, NRMS 67

Salmo 33, 11

Antífona da comunhão: Os ricos empobrecem e passam fome; mas nada falta aos que procuram o Senhor.

Ou:    cf. 1 Jo 3,2

Quando o Senhor se manifestar, seremos semelhantes a Ele, porque O veremos na sua glória.

 

Cântico de acção de graças: Cantai alegremente, M. Luís, NRMS 38

 

Oração depois da comunhão: Deus de infinita bondade, que nos alimentais com o Corpo e o Sangue do vosso Filho, tornai-nos também participantes da sua natureza divina. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Depois de termos escutado a Palavra do Senhor e participado do banquete eucarístico, aproveitemos este momento privilegiado para agradecer a Deus todos os favores recebidos na nossa vida, e partamos daqui dispostos a reconhecer, também agradecidos, os favores recebidos de todos os nossos irmãos, pela gratuitidade dos seus gestos.

 

Cântico final: Vamos levar aos homens, M. Carneiro, NRMS 107

 

 

Homilias Feriais

 

28ª SEMANA

 

2ª Feira, 10-X: Para entender os sinais de Deus.

Gal 4, 22-24. 26-27. 31-5, 1/ Lc 11, 29-32

Esta geração é uma geração perversa: pretende um sinal, mas nenhum sinal lhe será dado, senão o de Jonas

Jesus não fez nenhum milagre, nem apresentou nenhum sinal nesta ocasião (Ev.). Para quem não tem boas disposições, até os maiores prodígios podem ser mal interpretados, como aconteceu com o anúncio da Eucaristia em Cafarnaúm.

Cada um de nós recebeu um grande prodígio: sermos elevados à categoria de filhos de Deus: «Se Cristo nos libertou, foi para sermos realmente livres. Permanecei, pois, firmes e não torneis a sujeitar-vos ao jugo da servidão» (Leit.). Para entendermos melhor o significado de todos os acontecimentos façamos como Nª Senhora, que meditava todas as coisas no coração.

 

3ª Feira, 11-X: Eucaristia e limpeza da alma.

Gal 5, 1-6 / Lc 11, 37-41

Limpais o exterior do copo e do prato, mas o vosso interior está cheio de rapina e malvadez.

Procuremos que o nosso interior esteja sempre bem limpo. E, de um modo especial, para recebermos o Senhor na Eucaristia. Esta, ao tornar presente o sacrifício da Cruz, exige um esforço de contínua conversão. Por isso, se temos consciência de um pecado grave, procuremos confessar-nos antes da Comunhão.

Peçamos ao Espírito Santo que limpe as impurezas do nosso interior: «Quanto a nós, é pelo Espírito Santo, que nos vem pela fé, que alimentamos a esperança de ser justificados pela fé» (Leit.). Imitemos Nª Senhora, concebida sem mancha do pecado, para receber bem Jesus.

 

4ª feira, 12-X: Os frutos do Espírito Santo.

Gal 5, 18-25 / Lc 11, 42-46

O fruto do Espírito Santo consiste em caridade, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e continência.

«Os frutos do Espírito Santo são perfeições que o Espírito Santo forma em nós, como primícias da glória eterna. A tradição da Igreja enumera doze: caridade, alegria, paz etc.» (Leit.) (CIC, 1832).

É graças ao Espírito Santo que podemos dar bons frutos, porque Ele nos enxerta na verdadeira vide (CIC, 736). A sua intervenção na vida de Nª Senhora produziu como fruto a Encarnação de Cristo: bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus. Se dissermos a Deus que sim, cumprindo a sua vontade, daremos igualmente frutos abundantes.

 

5ª Feira, 13-X: Exigência eterna de santidade.

Ef 1, 1-10 / Lc11, 47-54

Foi assim que nEle nos escolheu antes da criação do mundo, para sermos, na caridade, santos e irrepreensíveis na sua presença.

Esta afirmação pode ser aplicada a Nª Senhora. É o que lhe repetimos na Ave-Maria. «Maria é cheia de graça porque o Senhor está com Ela... Maria, em quem o próprio Senhor veio habitar... é a morada de Deus com os homens. Cheia de graça, Ela dá-se toda Àquele que nela vem habitar e que Ela vai dar ao mundo» (CIC, 2676).

A todos nós o Senhor nos faz esta exigência de santidade e devemos procurar cada dia corresponder melhor, empregando os meios que Ele nos deixou: É para se pedirem contas aos homens desta geração» (Leit.).

 

6ª Feira, 14-X: Cuidar das coisas de Deus.

Ef 1, 11-14 / Lc 12, 1-7

Não se vendem cinco passarinhos por duas moedas? E nem um deles está esquecido diante de Deus.

«Deus ama e cuida de todas as suas criaturas e cuida de cada uma, até dos passarinhos. No entanto, Jesus diz: 'valeis mais do que muitos passarinhos' (Ev.)» (CIC, 342). Jesus ensina-nos a ter um abandono filial na Providência divina, que cuida das mais pequenas necessidades dos seus filhos, que orienta todas as coisas que nos acontecem para nosso bem.

Se Deus assim cuida de nós, também devemos cuidar de tudo o que se refere a Deus, concretamente à sua Palavra, como fez Nª Senhora, que a levou à prática. «Vós também ouvistes a Palavra da Verdade, a Boa Nova da vossa salvação» (Leit.).

 

Sábado, 15-X: O pecado e a misericórdia divina.

Ef 1, 15-23 / Lc 12, 8-12

E a todo aquele que disser uma palavra contra o Filho do homem, perdoar-se-á, mas a quem tiver dito uma blasfémia contra o Espírito Santo, não se perdoará.

«O pecado consiste na rebelião contra Deus ou, ao menos, no esquecimento ou indiferença para com Ele e para com o seu amor» (S. João Paulo II). É um desejo insensato viver afastado, muito ou pouco, de Deus. A lembrança da misericórdia divina ajudará a viver a contrição, para nos aproximarmos outra vez: «Deus tudo submeteu aos pés de Cristo e pô-lo acima de todas as coisas como Cabeça da Igreja» (Leit.). A blasfémia contra o Espírito Santo consiste em fechar a alma à graça de Deus, excluindo a própria fonte do perdão.

Rezemos com muita confiança a Salve Rainha apoiando-nos na Mãe de Misericórdia.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         A. Elísio Portela

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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