Nossa Senhora do Rosário

7 de Outubro de 2016

 

Memória

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Rainha do Santíssimo Rosário, S. Marques, NRMS 86

cf. Lc 1, 28.42

Antífona de entrada: Avé, Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco, bendita sois Vós entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Celebramos hoje a festa de Nossa Senhora do Rosário, no mês que a Igreja dedica à principal devoção mariana. Demos sempre graças a Deus sempre, e em especial neste dia, pelos abundantíssimos dons que nos faz chegar por meio desta oração. Renovemos também hoje o propósito de rezar com mais fé e amor o Terço de cada dia implorando à Mãe da Misericórdia que nosso coração vibre com a Misericórdia do Pai.

 

Oração colecta: Infundi, Senhor, a vossa graça em nossas almas, para que nós, que, pela anunciação do Anjo, conhecemos a encarnação de Cristo, vosso Filho, pela sua paixão e morte na cruz e com a intercessão da bem-aventurada Virgem Maria, alcancemos a glória da ressurreição. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Os discípulos, depois da Ascensão do Senhor, de modo natural se reúnem com Maria, a Mãe de Jesus, para rezar. Com a mesma naturalidade nasceu o Rosário e é rezado, nos cinco continentes, pelo povo cristão.

 

Actos 1, 12-14

 

Depois de Jesus ter subido ao Céu, os Apóstolos voltaram para Jerusalém, descendo o monte chamado das Oliveiras, que fica perto de Jerusalém, à distância de uma caminhada de sábado. Quando chegaram à cidade, subiram para a sala de cima, onde se encontravam habitualmente. Estavam lá Pedro e João, Tiago e André, Filipe e Tomé, Bartolomeu e Mateus, Tiago, filho de Alfeu, Simão, o Zeloso, e Judas, irmão de Tiago. Todos estes perseveravam unidos em oração, em companhia de algumas mulheres, entre as quais Maria, Mãe de Jesus.

 

Quando deixa de ter visibilidade a pessoa de Jesus, a sua Mãe ocupa um lugar digno de nota, logo na oração da Igreja nascente. Com Ela os primeiros que seguiram a Cristo, esperam o Espírito Santo, perseverando, «unidos em oração». Note-se também a importância dada à lista dos Apóstolos e como, em todas as quatro listas que aparecem no N. T., Pedro é sempre o cabeça de lista, embora elas não tenham sempre todos os nomes na mesma ordem.

 

Salmo Responsorial            Lc 1, 46-47.48-49.50-51.52-53.54-55

 

Monição: Acompanhemos Nossa Senhora no seu cântico de louvor a Deus e rezemos com esse mesmo espírito a oração do Terço.

 

Refrão:    Bendita sejais, ó Virgem Maria,

                que trouxestes em vosso ventre o Filho do eterno Pai.

 

Ou:          Aleluia.

 

A minha alma glorifica o Senhor,

e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador.

 

Porque pôs os olhos na humildade da sua serva,

de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações.

O todo-poderoso fez em mim maravilhas:

Santo é o seu nome.

 

A sua misericórdia se estende de geração em geração

sobre aqueles que O temem.

Manifestou o poder do seu braço

e dispersou os soberbos.

 

Derrubou os poderosos de seus tronos

e exaltou os humildes.

Encheu de bens os famintos

e aos ricos despediu de mãos vazias.

 

Acolheu Israel, seu servo,

lembrado da sua misericórdia,

como tinha prometido a nossos pais,

a Abrão e à sua descendência para sempre.

 

 

Aclamação ao Evangelho   Lc 1, 28

 

Monição: As palavras que Deus dirige a Nossa Senhora por meio do Anjo, estão nos nossos lábios em cada Ave-Maria. Procuremos pronuncia-las com a veneração e piedade com que o terá feito S. Gabriel.

 

Aleluia

 

Cântico: M. Faria, NRMS10 (II)

 

Avé Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco

bendita sois Vós entre as mulheres.

 

 

Evangelho

 

São Lucas 1, 26-38

 

Naquele tempo, 26o Anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia chamada Nazaré, a uma Virgem desposada com um homem chamado José. 27O nome da Virgem era Maria. 28Tendo entrado onde ela estava, disse o Anjo: «Ave, cheia de graça, o Senhor está contigo». 29Ela ficou perturbada com estas palavras e pensava que saudação seria aquela. 30Disse-lhe o Anjo: «Não temas, Maria, porque encontraste graça diante de Deus. 31Conceberás e darás à luz um Filho, a quem porás o nome de Jesus. 32Ele será grande e chamar-Se-á Filho do Altíssimo. O Senhor Deus Lhe dará o trono de seu pai David 33reinará eternamente sobre a casa de Jacob e o seu reinado não terá fim». 34Maria disse ao Anjo: «Como será isto, se eu não conheço homem?». 35O Anjo respondeu-lhe: «O Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra. Por isso o Santo que vai nascer será chamado Filho de Deus. 36E a tua parenta Isabel concebeu também um filho na sua velhice e este é o sexto mês daquela a quem chamavam estéril 37porque a Deus nada é impossível». 38Maria disse então: «Eis a escrava do Senhor faça-se em mim segundo a tua palavra».

 

26 «O Anjo Gabriel». O mesmo que anunciou a Zacarias o nascimento de João. Já era conhecido o seu nome no A. T. (cf. Dan 8, 16-26; 9, 21-27). O seu nome significa «homem de Deus» ou também «força de Deus».

28 Coadunando-se com a transcendência da mensagem, a tripla saudação a Maria é absolutamente inaudita: «Ave»: Vulgarizou-se esta tradução, correspondente a uma saudação comum (como ao nosso «bom dia»; cf. Mt 26, 49), mas que não parece ser a mais exacta, pois Lucas, para a saudação comum usa o semítico «paz a ti» (cf. Lc 10, 5); a melhor tradução é «alegra-te» – a tradução literal do imperativo do grego khaire –, de acordo com o contexto lucano de alegria e com a interpretação patrística grega, não faltando mesmo autores modernos que vêm na saudação uma alusão aos convites proféticos à alegria da «Filha de Sião» (Sof 3, 14; Jl 2, 21-23; Zac 9, 9).

«Cheia de graça»: Esta designação tem muita força expressiva: está em vez do nome próprio, por isso define o que Maria é na realidade. A expressão portuguesa traduz um particípio perfeito passivo que não tem tradução literal possível na nossa língua: designa Aquela que está cumulada de graça, de modo permanente; mais ainda, a forma passiva parece corresponder ao chamado passivo divino, o que evidencia a acção gratuita, amorosa, criadora e transformante de Deus em Maria: «ó Tu a quem Deus cumulou dos seus favores». De facto, Maria é a criatura mais plenamente ornada de graça, em função do papel a que Deus A chama: Mãe do próprio Autor da Graça, Imaculada, concebida sem pecado original, doutro modo não seria, em toda a plenitude, a «cheia de graça», como o próprio texto original indica.

«O Senhor está contigo»: a expressão é muito mais rica do que parece à primeira vista; pelas ressonâncias bíblicas que encerra, Maria é posta à altura das grandes figuras do Antigo Testamento, como Jacob (Gn 28, 15), Moisés (Ex 3, 12) e Gedeão (Jz 6, 12), que não são apenas sujeitos passivos da protecção de Deus, mas recebem uma graça especial que os capacita para cumprirem a missão confiada por Ele. Chamamos a atenção para o facto de na última edição litúrgica ter sido suprimido o inciso «Bendita és tu entre as mulheres», pois este não aparece nos melhores manuscritos e pensa-se que veio aqui parar por arrasto do v. 42 (saudação de Isabel). A Neovulgata, ao corrigir a Vulgata, passou a omiti-lo.

29 «Perturbou-se», ferida na sua humildade e recato, mas sobretudo experimentando o natural temor de quem sente a proximidade de Deus que vem para tomar posse da sua vida (a vocação divina). Esta reacção psicológica é diferente da do medo de Zacarias (cf. Lc 1, 12), pois é expressa por outro verbo grego; Maria não se fecha no refúgio dos seus medos, pois n’Ela não há qualquer espécie de considerações egoístas, deixando-nos o exemplo de abertura generosa às exigências de Deus, perguntando ao mensageiro divino apenas o que precisa de saber, sem exigir mais sinais e garantias como Zacarias (cf. Lc 1, 18).

32-33 «Encontraste graça diante de Deus»: «encontrar graça» é um semitismo para indicar o bom acolhimento da parte dum superior (cf. 1 Sam 1, 18), mas a expressão «encontrar graça diante de Deus» só se diz no A. T. de grandes figuras, Noé (Gn 6, 8) e Moisés (Ex 33, 12.17). O que o Anjo anuncia é tão grandioso e expressivo que põe em evidência a maternidade messiânica e divina de Maria (cf. 2 Sam 7, 8-16; Salm 2, 7; 88, 27; Is 9, 6; Jer 23, 5; Miq 4, 7; Dan 7, 14).

34 «Como será isto, se Eu não conheço homem?» Segundo a interpretação tradicional desde Santo Agostinho até aos nossos dias, tem-se observado que a pergunta de Maria careceria de sentido, se Ela não tivesse antes decidido firmemente guardar a virgindade perpétua, uma vez que já era noiva, com os desposórios ou esponsais (erusim) já celebrados (v. 27). Alguns entendem a pergunta como um artifício literário e também «não conheço» no sentido de «não devo conhecer», como compete à Mãe do Messias (cf. Is 7, 14). Pensamos que a forma do verbo, no presente, «não conheço», indica uma vontade permanente que abrange tanto o presente como o futuro. Também a segurança com que Maria aparece a falar faz supor que José já teria aceitado, pela sua parte, um matrimónio virginal, dando-se mutuamente os direitos de esposos e renunciando a consumar a união; mas nem todos os estudiosos assim pensam, como também se vê no recente e interessante filme Figlia del suo Figlio.

35 «O Espírito Santo virá sobre ti…» Este versículo é o cume do relato e a chave do mistério: o Espírito, a fonte da vida, «virá sobre ti», com a sua força criadora (cf. Gn 1, 2; Salm 104, 30) e santificadora (cf. Act 2, 3-4); «e sobre ti a força do Altíssimo estenderá a sua sombra» (a tradução litúrgica «cobrirá» seria de evitar por equívoca e pobre; é melhor a da Nova Bíblia dos Capuchinhos): o verbo grego (ensombrar) é usado no A. T. para a nuvem que cobria a tenda da reunião, onde a glória de Deus estabelecia a sua morada (Ex 40, 34-36); aqui é a presença de Deus no ser que Maria vai gerar (pode ver-se nesta passagem o fundamento bíblico para o título de Maria, «Arca da Aliança»).

«O Santo que vai nascer…» O texto admite várias traduções legítimas; a litúrgica, afasta-se tanto da da Vulgata, como da da Neovulgata; uma tradução na linha da Vulgata parece-nos mais equilibrada e expressiva: «por isso também aquele que nascerá santo será chamado Filho de Deus». I. de la Potterie chega a ver aqui uma alusão ao parto virginal de Maria: «nascerá santo», isto é, não manchado de sangue. «Será chamado» (entenda-se, «por Deus» – passivum divinum) Filho de Deus», isto é, será realmente Filho de Deus, pois o que Deus chama tem realidade objectiva (cf. Salm 2, 7).

38            «Eis a escrava do Senhor…» A palavra escolhida na tradução, «escrava» talvez queira sublinhar a entrega total de Maria ao plano divino. Maria diz o seu sim a Deus, chamando-se «serva do Senhor»; é a primeira e única vez que na história bíblica se aplica a uma mulher este apelativo, como que evocando toda uma história maravilhosa de outros «servos» chamados por Deus que puseram a sua vida ao seu serviço: Abraão, Jacob, Moisés, David… É o terceiro nome com que Ela aparece neste relato: «Maria», o nome que lhe fora dado pelos homens, «cheia de graça», o nome dado por Deus, «serva do Senhor», o nome que se dá a si mesma.

«Faça-se…» O «sim» de Maria é expresso com o verbo grego no modo optativo (génoito, quando o normal seria o uso do modo imperativo génesthô), o que põe em evidência a sua opção radical e definitiva, o seu vivo desejo (matizado de alegria) de ver realizado o desígnio de Deus.

 

Sugestões para a homilia

 

O Rosário: louvor a Deus com Maria e por Maria

O Rosário: arma poderosa perante os perigos

O Rosário: chuva de graças para as almas

 

 

O Rosário: louvor a Deus com Maria e por Maria

 

Acabamos de ouvir, mais uma vez, as palavras com que o Anjo Gabriel se dirige a Nossa Senhora, e nunca nos cansamos das escutar: “Ave, cheia de graça, o Senhor está contigo. São um louvor dirigido a Maria, mas que acaba em Deus causa e fim de toda a perfeição da “Cheia de graça”. É um louvor que desde então se repete, como as ondas do mar que nunca acabam. Isabel, proclamará Maria como a Bendita entre as mulheres, por ser Bendito o fruto do seu ventre ( cf. Lc 1, 42). Anos mais tarde, quando uma mulher do povo quer louvar Jesus, serve-se da melhor fórmula possível: chamar Bendita à sua Mãe (cf. Lc 11, 27). E o próprio Espírito Santo proclama, por boca de Maria, que todas as gerações chamarão Bem-aventurada à Mãe do Senhor, porque a Misericórdia do Todo-poderoso realizou nela Maravilhas (cf. Lc 1, 47-50).

A Igreja de todos os tempos continua este modo de orar, que já encontramos na Primitiva Comunidade: orar com Maria, Mãe de Jesus (Primeira Leitura). Orar a Deus com Maria e louvando Maria, é o caminho que conduziu até essa forma privilegiada de oração mariana que é o Rosário. Na sua origem, teve importância decisiva S. Domingos de Gusmão, e a aparição de Nossa Senhora que, segundo a tradição, teve quando se encontrava em França. Não é por acaso que a Mãe de Deus encaminhou S. Domingos para compor este modo de rezar. Depois Ela própria apareceria de terço na mão em Lourdes e Fátima e nestas últimas aparições repetiu sempre a petição de rezar o terço diariamente. Os santos e os Papas amaram e difundiram o Rosário, e tiveram a experiência de que rezando com Maria e à Maria se introduziam na intimidade com Deus Pai, Filho e Espírito Santo. Assim o disse o Santo Padre Francisco quando foi rezar ao Santuário de Pompeia: "Virgem do Santo Rosário, Mãe do Redentor, mulher da nossa terra elevada acima dos céus. (…) Coroada com doze estrelas, tu nos levas ao mistério do Pai, tu brilhas com o Espírito Santo, tu nos dás o teu Filho divino, Jesus, nossa esperança, única salvação do mundo. Dando-nos o teu Rosário, tu nos convidas a fixar o seu rosto. Tu nos abres o seu coração, abismo de alegria e dor, de luz e glória, mistério do Filho de Deus feito homem para nós. Aos teus pés nas pegadas dos Santos, sentimo-nos família de Deus” (Papa Francisco, Oração no Santuário de Pompeia, 21 de Março de 2015).

 

 

O Rosário: arma poderosa perante os perigos

 

A maior parte das fontes sobre a oração de S. Domingos em Fangeaux, afirmam que Nossa Senhora lhe indicara uma devoção concreta, e referem que Nossa Senhora lhe terá dito que seria “arma poderosa”. De facto o Rosário foi, desde o seu início, o apoio espiritual mais firme para defender a Fé contra os ataques do inimigo. Quer quando se apresentava sob a forma de erros e falsidades, quer quando atacava com a força das armas. S. Domingos encontrou a França infestada de heresias de tipo maniqueu, especialmente a seita dos albigenses, com origem em Albí, na Provença francesa. O Santo, como diz o Papa Leão XIII, “empreendeu com ânimo forte a guerra contra os inimigos da Igreja Católica, não com a força nem com as armas, mas com a fé mais acendrada na devoção do Santo Rosário, que foi o primeiro a propagar, e que levou pessoalmente e por meio dos seus filhos aos quatro cantos do mundo” (Enc. Supremi apostolatus, 1-IX-1835).

Quanto ao socorro de Nossa Senhora nas batalhas, relata D. João de Castro no seu informe sobre a vitória portuguesa em Diu, que “os prisioneiros quando eram interrogados isoladamente, afirmavam todos que tinham visto sobre a igreja «huã molher muito resplandecente, que os cegava e não deixava ter o rosto direito aos cristãos»” (E. Sanceau D. João de Castro, pg. 313). Não seria de estranhar que os portugueses de Diu em 1546, rezassem o terço, como os cristãos que em 1571 lutaram em Lepanto, em 1683 às portas de Viena, ou em Temesbar (actual Roménia) em 1716

Os perigos foram afastados, e a paz desceu do Céu, perfumada pela mão da Mãe de Deus. Em 1917, foi Nossa Senhora que indicou o terço como poderosa arma para que acabasse a guerra e atrair a paz. A sua mensagem criou no mundo uma poderosa onda de oração mariana, que como um mar de Ave-Marias desabava continuamente sobre a chamada “cortina de aço”, até que inesperadamente esta ruiu como as muralhas de Jericó.

São muitas as ameaças e perigos que os cristãos devem enfrentar também hoje. Nunca podemos ter medo ou falta de esperança. Temos na mão a arma para vencer nas grandes e pequenas batalhas da nossa vida. Escutemos a experiência da História e a experiência dos santos como S. Josemaria: “Antes, só, não podias... - Agora, recorreste à Senhora, e, com Ela, que fácil” (Caminho, 513). Quantos milagres foram implorados passando as contas do terço, e quantos aconteceram de modo bem melhor do que aquele que imaginavam as pessoas. Queremos, por isso, pedir Nossa Senhora, neste dia, que se realize em nós a oração do Papa Francisco em Pompeia, feita com palavras do Beato Longo: “O Rosário bendito por Maria, doce cadeia que nos une a Deus, cadeia de amor que nos faz irmãos, nós jamais te deixaremos. Nas nossas mãos serás uma arma de paz e de perdão” (Papa Francisco, Oração no Santuário de Pompeia, 21 de Março de 2015).

 

 

O Rosário: chuva de graças para as almas

 

No Antigo testamento, no primeiro livro dos Reis, aparece o episódio da grande seca com que Deus castiga Israel. No capitulo 18, vemos o profeta Elias que intercede ante Deus para que regresse a chuva. O cenário é o cume do monte Carmelo, onde se encontra Elias a orar com o seu servo. O profeta manda sete vezes o servo ir espreitar o mar para ver se chegava a chuva. Na sétima vez o servo disse-lhe: “eis que sobe do mar uma pequena nuvem como a palma da mão”. Pouco depois a chuva começou a cair torrencialmente. A tradição da Igreja viu sempre naquela pequena nuvem que se levanta do mar uma imagem de Maria, cujo nome se assemelha à palavra mar. Mas sobre tudo Maria, a humilde donzela de Nazaré, é como a pequena nuvem, que traz dentro de si a grande chuva de graças da Redenção. Por meio de Maria chega ao mundo, ressequido pelo pecado e sem frutos de virtudes, a água benfazeja da graça que o converte num pomar e um jardim de vida sobrenatural. O que nos trouxe Nossa Senhora é Jesus Cristo. E o que continua a trazer às almas, também hoje, é Jesus Cristo.

São inúmeras as histórias relacionadas com o Rosário que confirmam esta verdade, mas vale a pena relatarmos pelo menos uma.

Conta uma senhora residente na cidade de S. Paul, Minesota, Estados Unidos a experiência, muito simples e normal, da sua própria vida: “Quando era menina, a nossa família morava numa pequena casa, onde a minha avozinha costumava vir visitar-nos. Costumava ficar duas ou três semanas, e nós disputávamos o privilégio de ficar na sua companhia. Como eu era a mais velha consegui dormir numa cama perto da dela.

Cada noite depois de apagar as luzes e ficar todo em silêncio, ouvia-a falar baixinho e suavemente: estava a rezar. Parecia que nunca mais ia a acabar, e desde o princípio tentei perceber o que dizia. Soube que rezava o terço, e dessa maneira aprendi o Pai-nosso, a Ave-Maria e outras orações que ela rezava.

A minha avozinha era irlandesa, católica. Nossa mãe abandonou a pratica religiosa quando casou com nosso pai. Sempre fomos a escolas laicas e em casa não havia religião; a não ser a da nossa avozinha quando nos visitava.

Eu casei, mas nunca mais fui à igreja. Mas nove anos mais tarde senti a necessidade de ter uma base espiritual. Fui a uma biblioteca e estudei varias religiões. Mas sempre à noite me lembrava das orações da avozinha. Li livros sobre a religião Católica e comprovei que dava respostas a todas as minhas dúvidas. Procurei um sacerdote, que me ajudou a preparar-me, e depois de receber a formação necessária recebi o Baptismo.

Eu rezava pelo meu marido e pelos meus pais. Um ano depois de ser católica meu esposo anunciou que ia preparar-se para ser baptizado. A nossa mãe reconciliou-se com a Igreja. Tivemos um filho e o baptizamos. Minha cunhada e o seu esposo ao ver como éramos felizes, também se tornaram católicos, e o meu marido e eu somos padrinhos dos seus três filhos. Tudo devido ao terço que rezava, em voz baixa, uma boa mulher!”. De facto o Rosário é uma chuva torrencial de graças.

 

 

Oração Universal

 

Irmãos, oremos a Deus Todo-poderoso, e imploremos a misericórdia

d’Aquele que é o Deus Todo-Poderoso que fez maravilhas em Maria, dizendo:

 

Ouvi-nos Senhor.

 

1. Pelos bispos, presbíteros e diáconos:

para que busquem apenas no Senhor a sua glória

e imitando assim a humildade de Maria,

oremos, irmãos.

 

2. Pelos chefes das nações:

para que respeitem a dignidade de toda a pessoa humana,

temendo o Deus que derruba os poderosos de seus tronos e exalta os humildes,

oremos, irmãos

 

3. Para que nunca percamos a esperança perante as dificuldades da vida,

e sejamos sempre conscientes de que o Amor de Deus é mais forte que a morte,

oremos, irmãos.

 

4. Para que em todas as famílias

haja diálogo, paz, amor e felicidade com a oração do Rosário,

oremos, irmãos

 

5. Para que todos nós vivamos nossa fé em Cristo ressuscitado

numa Comunidade que saiba repartir com os demais tudo o que é e o que tem,

oremos, irmãos.

 

Deus Eterno e Omnipotente, nós Vos agradecemos todas as graças que por intercessão de Maria

Santíssima e pela Vossa infinita misericórdia generosamente nos concedeis.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo …

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Tudo vos damos, M. Faria, NRMS 11-12

 

Oração sobre as oblatas: Tornai-nos dignos, Senhor, de Vos oferecer este santo sacrifício, de modo que, celebrando fervorosamente os mistérios do vosso Filho, mereçamos alcançar as suas promessas. Por Nosso Senhor.

 

Prefácio de Nossa Senhora I [na festividade], p. 486 (644-756] ou II, p. 487

 

Santo: M. Simões, NRMS 50-51

 

Monição da Comunhão

 

Na Ave-Maria aclamamos Nossa Senhora como Cheia de graça. Também ficaríamos nos “cheios de graça” se comungássemos com as devidas disposições. Peçamos a nossa Senhora que nos ajude a comungar com a alma dignamente preparada.

 

Cântico da Comunhão: O meu espírito exulta, C. Silva, NRMS 38

 

Antífona da Comunhão: O Anjo do Senhor disse a Maria: Conceberás e darás à luz um Filho e o seu nome será Jesus.

 

Cântico de acção de graças: Minha Senhora e minha Mãe, H. Faria, NRMS 33-34

 

Oração depois da Comunhão: Concedei, Senhor nosso Deus, que, ao anunciarmos neste sacramento a morte e a ressurreição do vosso Filho, O sigamos fielmente na sua paixão e mereçamos participar na alegria da sua glória. Por Nosso Senhor...

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Alimentados com a Palavra de Deus e o Pão que desce do Céu continuemos a caminhar na nossa vida quotidiana agarrados pela mão materna de Nossa Senhora. Manteremos essa mão firmemente agarrada se rezarmos o Terço todos os dias.

 

Cântico final: Caminhos de bênção, M. Faria, NRMS 10 (II)

 

 

Homilia FeriaL

 

Sábado, 8-X: Os louvores e petições a Nossa Senhora.

Gal 3, 22-29 / Lc 11, 27-28

Feliz daquela que te trouxe no seio e que te amamentou ao seu peito.

Pela recitação de cada Ave-Maria continuamos os louvores a Nossa Senhora: «As suas palavras exprimem a admiração do céu e da terra e deixam, de certo modo, transparecer o encanto do próprio Deus ao contemplar a sua obra prima: a Encarnação do Filho no ventre virginal de Maria» (S. João Paulo II).

Além disso, precisamos recorrer frequentemente à sua protecção para não cairmos em tentação: «A Escritura aclara que tudo está sujeito ao pecado» (Leit.), e Ela foi concebida sem mancha do pecado original e o demónio nada pode contra Ela.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Carlos Santamaria

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilia Ferial:                      Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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