aCONTECIMENTOS eclesiais

DA SANTA SÉ

 

 

ACERCA DO

TERCEIRO SEGREDO DE FÁTIMA

 

A propósito de alguns artigos relativos ao “Terceiro segredo de Fátima”, a Sala de Imprensa da Santa Sé publicou o seguinte comunicado em 21-V-2016:

 

“Alguns artigos publicados recentemente atribuem ao professor Ingo Dollinger declarações segundo as quais o cardeal Joseph Ratzinger, depois da publicação do terceiro segredo de Fátima, lhe teria confiado que a publicação não era completa.

“A este propósito, o Papa emérito Bento XVI comunica que “não falou nunca com o professor Dollinger acerca de Fátima” e afirma claramente que as frases atribuídas ao professor Dollinger sobre este tema são “pura invenção, absolutamente não verdadeiras” e confirma decididamente: “A publicação do Terceiro segredo de Fátima está completa”.

 

 

ENCONTRO COM

O GRANDE IMÃ DO EGIPTO

 

No passado dia 23 de Maio o Papa Francisco recebeu em audiência no Vaticano o Grande Imã de Al Azhar do Egipto, o Prof. Ahmad Muhammad Al-Tayyib.

 

O colóquio, muito cordial, durou cerca de 30 minutos. Os dois insignes interlocutores salientaram o grande significado deste novo encontro no quadro do diálogo entre a Igreja católica e o Islão. Depois conversaram principalmente sobre o tema do empenho comum das autoridades e dos fiéis das grandes religiões pela paz no mundo, a recusa da violência e do terrorismo, a situação dos cristãos no contexto dos conflitos no Médio Oriente e a sua protecção.

Francisco presenteou o Grande Imã com uma medalha da oliveira da paz e uma cópia da sua Encíclica Laudato si.

 

 

JUBILEU DOS SACERDOTES

COM O PAPA

 

Na Missa do dia 3 de Junho, Solenidade do Sacratíssimo Coração de Jesus, com a qual terminava o Jubileu da Misericórdia dos sacerdotes, concelebrada por milhares de sacerdotes na Praça de São Pedro, o Papa Francisco salientou que à semelhança de Cristo, o Bom Pastor, o coração do sacerdote “só pode ter dois tesouros: Deus e as pessoas”.

 

Para ajudar o coração dos sacerdotes a inflamar-se na caridade de Jesus Bom Pastor, Francisco propôs três acções sugeridas pelas leituras do dia: procurar, incluir e alegrar-se.

Procurar: segundo o Santo Padre, “o coração que procura é um coração que não privatiza os tempos e os espaços, não é cioso da sua legítima tranquilidade, e nunca pretende que não o perturbem”. É um coração que arrisca e vai à procura, saindo de si mesmo.

Para a acção de incluir, o Papa afirmou que “Cristo ama e conhece as suas ovelhas” e assim deve ser o sacerdote de Cristo, que está “perto do povo concreto que Deus, através da Igreja, lhe confiou. Ninguém fica excluído do seu coração, da sua oração e do seu sorriso”. Escuta os problemas e acompanha as pessoas e “não ralha a quem deixa ou perde a estrada, mas está sempre pronto a reintegrar e a recompor”.

Alegrar-se é a terceira acção que Francisco propõe aos sacerdotes: uma alegria que “nasce do perdão, da vida que ressurge, do filho que respira novamente o ar de casa”. E descobre que “a alegria de Jesus Bom Pastor não é uma alegria para si, mas uma alegria para os outros e com os outros, a alegria verdadeira do amor”.

No final da sua homilia o Papa Francisco agradeceu o “sim” dos sacerdotes e sublinhou que na celebração eucarística reencontram a sua identidade de pastores.

 

No dia anterior, 2 de Junho, os sacerdotes estiveram em ritmo de retiro com uma pregação do Santo Padre nas três basílicas papais: às 10h na Basílica de S. João de Latrão, às 12h na Basílica de Santa Maria Maior e às 16h na Basílica de S. Paulo Fora de Muros.

O tema da misericórdia foi o ponto central da primeira meditação do Papa aos sacerdotes na Basílica de S. João de Latrão com o tema genérico: “Do Distanciamento à Festa”.

Francisco afirmou que a misericórdia de Deus faz passar imediatamente da distância à festa, da vergonha pelas próprias misérias à dignidade a que nos eleva o perdão de Deus, como faz o pai da parábola com o filho pródigo. A partir desta página do Evangelho, o Santo Padre explicou as dinâmicas mais profundas da misericórdia.

“O melhor confessor costuma ser o que melhor se confessa”: este foi o conceito inicial expresso pelo Pontífice na sua segunda meditação aos sacerdotes participantes do Jubileu dos Sacerdotes.

O encontro realizou-se na Basílica de Santa Maria Maior. Antes de iniciar a sua meditação, o Papa deteve-se em oração diante do ícone de Maria, Salus Populi Romani, que habitualmente venera antes e depois de suas viagens apostólicas.

O tema da reflexão de Francisco foi “O recipiente da misericórdia”, que é o nosso coração ferido e cicatrizado com a misericórdia e o perdão de Deus.

“Deus não Se cansa de perdoar, mesmo quando vê que a sua graça não consegue criar raízes fortes no terreno do nosso coração, que é caminho duro, agreste e pedregoso. Ele volta a semear a sua misericórdia e o seu perdão, renova assim o odre em que recebemos o seu perdão; o nosso coração torna-se ‘misericordiado’ e misericordioso”, disse o Papa.

O Jubileu dos sacerdotes começara no dia 1 de Junho, com catequeses sobre a Misericórdia, a celebração do sacramento da Reconciliação e da Santa Missa e a adoração eucarística.

 

 

PAPA FRANCISCO DÁ ÂNIMO

A PADRE COM CÂNCRO

 

No passado dia 4 de Junho, o Papa Francisco telefonou a um padre chileno de Santiago, actualmente doente de sarcoma pulmonar, para lhe transmitir ânimo num momento difícil da sua vida.

 

O Padre Francisco Rencoret tem 35 anos e estava a estudar Direito Canónico em Roma, na Universidade Gregoriana. Este ano voltou a Santiago para iniciar os tratamentos relativos à sua enfermidade.

“O Papa quis saber da minha saúde, dizer-me que reza por mim e dar-me o apoio, o ânimo e o carinho da Igreja”, confidenciou o jovem padre.

Formado em Direito em 2005, o padre Francisco entrou nesse mesmo ano no Seminário Pontifício de Santiago do Chile e foi ordenado a 13 de Abril de 2013, um mês depois do início do pontificado do Papa Francisco.

Recorde-se que o Papa argentino teve de retirar parte de um pulmão na sua juventude, devido a uma grave doença respiratória.

 

 

NOVAS ORIENTAÇÕES

PARA EVITAR ABUSOS SEXUAIS

 

Com data de 4 de Junho passado, o Papa Francisco publicou com o Motu Proprio “Como uma mãe amorosa” orientações legislativas que prevêem a remoção do cargo de bispos que sejam considerados gravemente negligentes na actuação de casos de abusos sexuais de menores e adultos vulneráveis.

 

Os responsáveis por dioceses católicas dos vários ritos podem ser legitimamente removidos do seu cargo, caso se comprove que tenham “por negligência, realizado ou omitido actos que tenham provocado dano grave a outros”, tanto a pessoas como à comunidade.

O Motu Proprio “Como uma mãe amorosa” sublinha que "a missão de protecção e de cuidado" diz respeito a toda Igreja, mas envolve em particular os bispos.

“O bispo diocesano ou o eparca pode ser removido apenas quando tenha objectivamente falhado de maneira grave à diligência que lhe é pedida pelo seu ofício pastoral, ainda que sem grave culpa moral da sua parte”, precisa.

No caso de abusos de menores ou adultos vulneráveis “é suficiente que a falta de diligência seja grave”.

“O dano pode ser no equilíbrio físico, moral ou espiritual”, especifica o documento.

Francisco indica também que, quando os indícios são sérios, a autoridade competente da Cúria Romana pode começar uma investigação e informar a pessoa que tem a oportunidade de defesa com os meios previstos pela lei, através de depoimentos e documentos.

Após essa apresentação, o organismo da Santa Sé pode decidir fazer “uma investigação suplementar” mais aprofundada.

Antes de decidir, a Congregação romana competente deve reunir-se, se necessário, com outros bispos da Conferência Episcopal da qual o investigado faz parte.

Francisco indica que, se o organismo Cúria Romana considerar que o bispo em causa deve ser afastad, há duas possibilidades: através de “decreto de destituição, no menor tempo possível” ou fraternalmente convidar o prelado a “apresentar a renúncia num período de 15 dias”.

A decisão final deve ser apresentada “à aprovação específica” do Papa, assistido por um “colégio de juristas”.

Francisco recorda que o Direito Canónico já prevê “a possibilidade da remoção do ofício eclesiástico por ‘causas graves’”; com o Motu Proprio “Como uma mãe amorosa” quer precisar que nessas causas está incluída “a negligência dos bispos” relativas “aos casos de abusos sexuais contra menores e adultos vulneráveis”, como já era previsto pelo Motu Proprio do Papa São João Paulo II Sacramentorum Sanctitatis Tutela, que foi actualizado por Bento XVI.

 

 

NOVO DICASTÉRIO

PARA LEIGOS, FAMÍLIA E VIDA

 

No passado dia 4 de Junho, o Papa Francisco aprovou ad experimentum os estatutos do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida, que a partir de 1 de Setembro substitui os Conselhos Pontifícios para os Leigos e para a Família e a Academia para a Vida.

 

“O Dicastério é competente nos assuntos que são pertinentes à Sé Apostólica para a promoção da vida e do apostolado dos leigos, para a pastoral da família e da sua missão, de acordo com o plano de Deus e para a protecção e apoio da vida humana”, afirma o artigo 1.º dos Estatutos.

O novo Dicastério da Cúria Romana que congrega “Leigos, Família e Vida” vai ser presidido por um Prefeito, coadjuvado por um Secretário, que pode ser leigo, e por três subsecretários leigos.

O novo Dicastério tinha sido anunciado pelo Papa Francisco na intervenção inaugural da reunião geral do Sínodo dos Bispos, a 22 de Outubro de 2015, na sequência da proposta recebida do Conselho de Cardeais.

 

 

DOIS NOVOS SANTOS

 

No domingo passado dia 5 de Junho, o Papa Francisco procedeu à canonização na Praça de São Pedro do religioso polaco Estanislau Papczysnki (1631-1701), fundador da Congregação dos Marianos da Imaculada Conceição da Beatíssima Virgem Maria, e a religiosa sueca Maria Isabel Hesselblad (1870-1957), que se converteu ao catolicismo e se destacou pelo serviço aos mais pobres, fundando a Ordem do Santíssimo Salvador de Santa Brígida.

 

Santo Estanislau foi um profícuo escritor de livros de espiritualidade para promover a confiança na misericórdia de Deus e a santidade dos religiosos e dos leigos.

Santa Maria Isabel foi uma enfermeira, emigrante nos EUA, onde trabalhou no Hospital Roosevelt (Nova Iorque), em contacto com populações vulneráveis; em 1902 converteu-se do luteranismo ao catolicismo e no ano seguinte mudou-se para Roma, onde em 1911 fundou a Ordem do Santíssimo Salvador de Santa Brígida, inspirando-se na primeira religiosa sueca a ser canonizada.

A acção de Santa Isabel Hasselblad em Roma foi particularmente destacada durante a II Guerra Mundial, quando deu refúgio a vários judeus perseguidos e fez da casa das suas religiosas, na Praça Farnese, um centro de ajuda, com distribuição de alimentos e roupas aos mais necessitados.

Por esta sua acção, recebeu o título de Justa entre as Nações do Estado de Israel.

Santa Isabel Hasselblad é a primeira sueca a ser canonizada em mais de 600 anos, após a canonização de Santa Brígida em 1391, pelo Papa Bonifácio IX.

 

 

CONSELHO DOS CARDEAIS

APRESENTA PROPOSTAS AO PAPA

 

No passado dia 8 de Junho, o Conselho de Cardeais, organismo consultivo criado pelo Papa Francisco, entregou-lhe a proposta de criação de uma nova Congregação na Cúria Romana que englobe os sectores da “caridade, justiça e paz”.

 

O novo dicastério deve englobar as atuais competências dos Conselhos Pontifícios Justiça e Paz, Cor Unum, Pastoral da Saúde e Pastoral dos Migrantes.

O Conselho de Cardeais dos cinco continentes considera concluída também “a instrução sobre a revisão de diversas Congregações” – Doutrina da Fé, Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos, Causas dos Santos, Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica.

O padre Lombardi explicou também alguns critérios tidos presentes durante as reflexões: “simplificação, harmonização das tarefas dos diversos organismos, possíveis formas de descentralização em relação às Conferências Episcopais”.

O coordenador do Conselho para a Economia, cardeal Marx, e o prefeito da Secretaria para a Economia, cardeal Pell, apresentaram comunicações de actualização sobre os assuntos da sua competência.

O prefeito da Secretaria para a Comunicação, Mons. Dario Edoardo Viganò, ilustrou o andamento da reforma do sistema de comunicações da Santa Sé.

As próximas reuniões do Conselho de Cardeais estão marcadas para 12 a 14 de Setembro e 12 a 14 de Dezembro de 2016.

 

 

JUBILEU DE

DOENTES E DEFICIENTES

 

No passado domingo 12 de Junho, o Papa Francisco denunciou as tentativas de isolar as pessoas com deficiência em “reservas” feitas de um “compassivo assistencialismo” e disse que o mundo não se tornaria melhor se contasse apenas com pessoas aparentemente “perfeitas”.

 

Na homilia da Missa que assinalou o Jubileu dos Doentes e Pessoas com Deficiência, o Papa disse que, na actualidade, o “cuidado do corpo tornou-se um mito generalizado e consequentemente um negócio”, onde o que é imperfeito “deve ser ocultado, porque atenta contra a felicidade e a serenidade dos privilegiados e põe em crise o modelo dominante”.

“É melhor manter tais pessoas segregadas em qualquer ‘recinto’ – eventualmente dourado – ou em ‘reservas’ criadas por um compassivo assistencialismo, para não estorvar o ritmo dum bem-estar falso”, acusou Francisco, denunciando quem sustenta que “é melhor desembaraçar-se o mais rapidamente possível de tais pessoas, porque se tornam um encargo financeiro insuportável em tempos de crise”.

“Como é grande a ilusão em que vive o homem de hoje, quando fecha os olhos à enfermidade e à deficiência!”, sustentou o Papa.

Para Francisco, quem não aceita o sofrimento e a limitação “não compreende o verdadeiro sentido da vida”

“O mundo não se torna melhor quando se compõe apenas de pessoas aparentemente ‘perfeitas’ (para não dizer ‘maquilhadas’), mas quando crescem a solidariedade, a mútua aceitação e o respeito entre os seres humanos”, sustentou.

“Quando sou débil, então sou forte” foi o lema do Jubileu dos Doentes e Pessoas com Deficiência, celebrado na Praça de São Pedro, em Roma, com a  participação de milhares de mulheres e homens marcados pela fragilidade física, que partilharam histórias de vida, comunicadas em diferentes linguagens, músicas e encenações, a que se seguiu a Missa presidida pelo Papa.

Na homilia da Missa, Francisco lembrou que “não existe apenas o sofrimento físico”, mas também o “sofrimento que envolve a alma tornando-a triste, porque carente de amor”, que denominou como a “patologia da tristeza”.

Francisco propôs na ocasião “a terapia do sorriso” e disse que “a felicidade que deseja cada um pode exprimir-se de muitos modos, mas só é possível alcançá-la se se for capaz de amar”.

O Jubileu dos Doentes e Pessoas com Deficiência insere-se nas celebrações jubilares do Ano Santo Extraordinário da Misericórdia, convocado pelo Papa Francisco para toda a Igreja e que teve início no dia 8 de Dezembro de 2015 e vai terminar no dia 20 de Novembro de 2016.

 

 

REFLEXÃO SOBRE

OS MOVIMENTOS ECLESIAIS

 

No dia 14 de Junho passado foi apresentada em conferência de imprensa a nova carta da Congregação para a Doutrina da Fé Iuvenescit Ecclesia (Rejuvenesce a Igreja) sobre os vários movimentos de vida cristã que surgiram na Igreja Católica.

 

Durante o evento, o Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, cardeal Gerhard Ludwig Müller salientou que o principal objectivo do documento é reflectir sobre o modo como “as novas agregações cristãs podem tomar parte na vida e no esforço missionário de toda a Igreja”.

Na sua intervenção, o cardeal alemão realçou que “qualquer instituição que quer permanecer na História” deve saber “renovar-se” sem contudo “perder a sua identidade”.

Nesse sentido, o responsável católico destacou “a capacidade do Espirito Santo em rejuvenescer a Igreja, e o contributo que pode ser dado por todos quantos o acolhem” em seu coração.

A propósito disto, recordou a importância dada aos novos movimentos e agregações eclesiais a seguir ao Concílio Vaticano II, “sobretudo junto das comunidades que necessitavam de uma nova evangelização”.

O Card. Gerhard Müller frisou ainda a importância de uma relação entre “a hierarquia” católica e os vários “carismas” que contribua para “um renovado impulso missionário” e para “uma conversão pastoral” da Igreja que “continuamente” tem sido defendida pelo Papa Francisco.

“Não é lícito contrapor a uma ‘Igreja do Espírito’ uma ‘Igreja institucional’, porque os dons hierárquicos e carismáticos estão sempre implicados um no outro”, concluiu o cardeal alemão. 

A apresentação da carta Iuvenescit Ecclesia contou também com a participação do Prefeito para a Congregação dos Bispos, cardeal Marc Ouellet.

O prelado canadiano sustentou que “apesar das tensões inerentes” à integração dos vários movimentos e carismas na Igreja, “as vantagens têm-se revelado muito maiores do que as dificuldades”.

E “se alguém ainda duvidava da relevância da dimensão carismática na Igreja”, basta “atentar no facto de, 50 anos depois do Concílio Vaticano II, o Espirito Santo e os cardeais terem escolhido um Papa vindo do âmbito carismático”, acrescentou D. Marc Ouellet, recordando a ligação de Francisco à Companhia de Jesus.

 

 

VATICANO ACOLHE

MAIS REFUGIADOS

 

O Papa Francisco acolheu no Vaticano mais nove refugiados sírios, incluindo dois cristãos, provenientes do campo de refugiados de Kara Tepe, na ilha grega de Lesbos.

 

São seis adultos e três crianças, que fizeram viagem acompanhados de membros das forças de segurança da Santa Sé, do Ministro do Interior grego, do Serviço de Asilo da Grécia e da Comunidade de Santo Egídio.

Será esta última organização que providenciará o alojamento de todos os refugiados.

Numa visita à ilha de Lesbos, a 16 de Abril, o Papa Francisco já tinha levado 12 refugiados sírios para o Vaticano.

Com este gesto mais recente, ele quer continuar a dar o exemplo e a incentivar a comunidade internacional e todos os países a serem também portos de abrigo e de solidariedade para milhões de refugiados e deslocados.

 

 

VIAGEM APOSTÓLICA À ARMÉNIA

 

De 24 a 26 de Junho passado, o Papa Francisco realizou uma Viagem Apostólica à Arménia, que terminou com um gesto de paz junto à fronteira turca, onde lançou duas pombas brancas, na companhia do patriarca dos Arménios, Karekin II.

 

A última cerimónia religiosa da visita decorreu no Mosteiro de Khor Virap, um dos lugares sagrados da Igreja Arménia, no sopé do Monte Ararat, hoje território da Turquia, que a Bíblia identifica como o local de paragem da Arca de Noé, após o dilúvio relatado pelo livro do Génesis.

Francisco classificou como um “genocídio” a morte de centenas de milhares de cristãos arménios durante a I Guerra Mundial, às mãos do Império Otomano, uma acusação que é rejeitada pelos actuais responsáveis turcos. O Papa evocou as vítimas do “extermínio” e visitou no sábado o Memorial que lhes é dedicado, tendo ali depositado uma coroa de flores e rezado em silêncio.

A Arménia, como recordou o Papa, é considerada “o primeiro país cristão”, dado que o rei Tiridates III proclamou o Cristianismo como religião de Estado em 301, ainda antes do Império Romano, sob o impulso de São Gregório, o Iluminador. O país recebeu um Papa pela primeira vez com a visita de João Paulo II, em 2001.

Ainda em 2016, Francisco regressa ao Cáucaso para visitar a Geórgia e o Azerbaijão, entre os dias 30 de Setembro e 2 de Outubro.

 

 

PAPA EMÉRITO CELEBROU

65 ANOS DE SACERDÓCIO

 

O Papa emérito Bento XVI fez 65 anos de ordenação sacerdotal no passado dia 28 de Junho, tendo sido recebido pelo Papa Francisco na Sala Clementina numa pequena celebração.

 

Disse Francisco a Bento XVI: “Precisamente vivendo e testemunhando hoje em modo tão intenso e luminoso esta única coisa realmente decisiva – tendo o olhar e o coração voltado a Deus – o senhor, Santidade, continua a servir a Igreja, não deixa de contribuir realmente com o vigor e a sabedoria para o crescimento dela”, e acrescentou:

“E fá-lo daquele pequeno Mosteiro Mater Ecclesiae no Vaticano, que se revela desta forma ser bem outra coisa do que um desses cantinhos esquecidos nos quais a cultura do descarte de hoje tende a relegar as pessoas quando, com a idade, as suas forças começam a faltar. É bem ao contrário; e isto permite que o diga com força o seu Sucessor que escolheu chamar-se Francisco!

"Porque São Francisco iniciou o seu caminho espiritual em São Damião, mas o verdadeiro lugar amado, o coração pulsante da Ordem, lá onde a fundou e onde no fim rendeu a sua vida a Deus foi a Porciúncula, a «pequena porção», o cantinho junto à Mãe da Igreja; junto a Maria que, pela sua fé tão firme e pelo seu viver tão inteiramente do amor e no amor com o Senhor, todas as gerações chamarão bem-aventurada. Assim, a Providência quis que o senhor, caro irmão, chegasse a um lugar por assim dizer propriamente «franciscano» do qual emana uma tranquilidade, uma paz, uma força, uma confiança, uma maturidade, uma fé, uma dedicação e uma fidelidade que me fazem tão bem e dão força para mim e para toda a Igreja".

A seguir, o Papa emérito recebeu uma edição, em várias línguas, do livro que reúne várias reflexões suas sobre o sacerdócio, com prefácio de Francisco.

Depois, o Papa emérito Bento XVI, num breve discurso improvisado, agradeceu a todos e em particular ao Papa Francisco:

“65 anos atrás, um sacerdote ordenado comigo convenceu-me a escrever no santinho da Primeira Missa somente – além do nome e das datas – uma palavra, em grego: Eucharistomen [damos graças], convencido de que com esta palavra, nas suas múltiplas dimensões, já está dito tudo o que se pode dizer neste momento: um agradecimento humano, obrigado a todos. Obrigado especialmente ao senhor, Santo Padre! A sua bondade, desde o primeiro momento da eleição, em cada momento da minha vida aqui, toca-me, realmente, interiormente. Mais do que nos jardins do Vaticano, com a sua beleza, a Sua bondade é o lugar onde eu moro: sinto-me protegido. Obrigado também pela sua palavra de agradecimento, por tudo. E esperamos que o senhor possa seguir em frente com todos nós neste caminho da Divina Misericórdia, mostrando o caminho de Jesus, para Deus”.

 

 

VIAGEM DO PAPA FRANCISCO

À ARMÉNIA

 

Na quinta-feira dia 30 de Junho, durante uma audiência jubilar na Praça de São Pedro, o Papa Francisco recordou a sua primeira viagem à Arménia, que decorreu entre os dias 24 e 26 desse mês, e deixou um apelo pela paz e reconciliação na região do Cáucaso:

 

“Nos dias passados, o Senhor concedeu-me visitar a Arménia, a primeira nação que abraçou o cristianismo, no início do século IV. Um povo que, durante a sua longa história, testemunhou a fé cristã mediante o martírio. Dou graças a Deus por esta viagem e estou profundamente grato ao Presidente da República Arménia, ao Catholicos Karekin II, ao Patriarca e aos Bispos católicos, bem como a todo o povo arménio, por me terem recebido como peregrino de fraternidade e de paz.

“Daqui a três meses, se Deus quiser, realizarei mais uma viagem, irei à Geórgia e ao Azerbaijão, outros dois países da região caucásica. Aceitei o convite para visitar aqueles países, por dois motivos: por um lado, para valorizar as antigas raízes cristãs presentes naquelas terras – sempre em espírito de diálogo com as demais religiões e culturas – e, por outro, para encorajar esperanças e caminhos de paz. A história ensina-nos que a vereda da paz exige uma grande tenacidade e passos contínuos, a começar pelos pequenos, levando-os a aumentar gradualmente, indo uns ao encontro dos outros. Precisamente por esta razão, formulo votos a fim de que todos e cada um ofereçam a própria contribuição para a paz e a reconciliação.

“Como cristãos, somos chamados a fortalecer a comunhão fraterna entre nós, para dar testemunho do Evangelho de Cristo e para ser fermento de uma sociedade mais justa e solidária. Por isso, a visita inteira foi compartilhada com o Supremo Patriarca da Igreja Apostólica da Arménia, que fraternalmente me hospedou durante três dias na sua casa”.

 

 

SENTENÇA DO PROCESSO VATILEAKS 2

 

O presidente do Tribunal do Estado da Cidade do Vaticano, Giuseppe Dalla Torre, leu na tarde do passado dia 7 de Julho a sentença do processo iniciado no final de Novembro de 2015 por furto e divulgação ilícita de documentos reservados, o chamado Vatileaks 2.

 

Os dois jornalistas Gianluigi Nuzii e Emiliano Fittipaldi foram absolvidos, por o Tribunal não ter jurisdição, uma vez que os factos contestados ocorreram fora do território do Vaticano, e nenhum dos dois exerce ofícios no Vaticano; por outro lado, na ordem jurídica vaticana vigora a liberdade de manifestação do pensamento e a liberdade de imprensa.

Os jornalistas tinham publicado no ano passado, baseando-se em documentos reservados da Santa Sé, livros a denunciar a existência de corrupção no Vaticano e que a vontade do Papa Francisco de implementar reformas enfrentava resistência por parte de alguns sectores da Santa Sé.

Em relação aos delitos ligados com o furto e difusão de documentos reservados da Santa Sé, o sacerdote espanhol Mons. Lucio Vallejo Balda foi condenado a 18 meses de reclusão e a encarregada de relações públicas Francesca Chaouqui a 10 meses de reclusão; mas no caso dela, que tinha um bebé de três semanas, a pena foi suspensa por um período de cinco anos.

Mons. Vallejo Balda foi secretário da Comissão para a reforma financeira do Vaticano, da qual também fazia parte a leiga Francesca Chaouqui.

Ambos os imputados Mons. Vallejo Balda e Francesca Chaouqui foram absolvidos do delito de associação criminosa, facto que não se provou.

Também foi totalmente absolvido Nicola Maio, ex-colaborador de Mons. Vallejo Balda.

Mons. Vallejo Balda permanece em situação de semiliberdade: não pode sair do Vaticano, mas pode comunicar. Isto, à espera de querer ou não apresentar apelação da sentença.

 

 

NOVO PORTA-VOZ DA SANTA SÉ

 

No passado dia 11 de Julho, o Papa Francisco aceitou a renúncia ao cargo de director da Sala de Imprensa da Santa Sé apresentada pelo padre Federico Lombardi, nomeando para esse cargo o até agora vice-director, o jornalista americano Greg Burke.

 

Greg Burke, de 56 anos, é natural dos Estados Unidos, foi correspondente em Roma da Fox News desde 2001 e, em 2012, foi chamado ao Vaticano para responder às questões da comunicação no trabalho da Secretaria de Estado e supervisionar a relação deste organismo com as instituições de comunicação da Santa Sé.

Anteriormente, tinha trabalhado na United Press International, de Chicago, na Reuters e no semanário Metropolitan, sendo depois enviado a Roma como correspondente do National Catholic Register; a partir de 1990, inicia uma colaboração semanal na Time.

Como vice-directora da Sala de Imprensa foi nomeada a jornalista espanhola Paloma García, de 41 anos, que nasceu em Madrid, trabalhou na Cadena Cope a partir de 1998 e, desde Setembro de 2012, é correspondente para a Itália e o Vaticano da rádio da Conferência Episcopal Espanhola, colaborando também com estações de televisão e jornais.

Director da Sala de Imprensa desde 2006, por nomeação de Bento XVI, o jesuíta Pe. Federico Lombardi completa 74 anos em Agosto e trabalhou em diferentes sectores da comunicação na Companhia de Jesus, onde foi vice-director da revista Civiltà Cattolica até 1984.

No Vaticano, foi director de programas da Rádio Vaticano entre 1991 e 2005, passando a director da mesma desde 2005, acumulando a função de director do Centro Televisivo do Vaticano entre 2001 e 2013.

 

 

PRÓXIMO CONGRESSO INTERNACIONAL

MARIOLÓGICO E MARIANO

 

O Papa Francisco nomeou o Cardeal português Saraiva Martins, Prefeito emérito da Congregação para as Causas dos Santos, como seu enviado especial às celebrações do XXIV Congresso Mariológico Mariano Internacional, que se realizará em Fátima, de 6 a 11 de Setembro próximo.

 

Promovido pela Pontifícia Academia Mariana, em colaboração com os responsáveis do Santuário de Fátima, o Congresso terá como tema: “O acontecimento de Fátima, cem anos depois: história, mensagem e actualidade’”.

Desta forma, a Cova da Iria voltará a ser a sede do mais importante momento internacional de reflexão na área de Mariologia. Com efeito, no cinquentenário das aparições de Fátima, em 1967, teve lugar em Lisboa e em Fátima a V edição deste Congresso Mariológico Mariano Internacional.

Subordinado ao tema “A Mensagem de Fátima entre o carisma e a profecia”, o fórum internacional visa aprofundar a reflexão sobre a Mensagem de Fátima, conhecer as diferentes Congregações religiosas e movimentos ligados a Fátima e proporcionar encontros entre os amigos e devotos de Nossa Senhora de Fátima.

 

 


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