DOCUMENTAÇÃO

PAPA FRANCISCO

 

 

VIAGEM APOSTÓLICA À ARMÉNIA

Conferência de imprensa no voo de regresso

 

 

No passado domingo 26 de Junho, durante o voo de regresso da Viagem Apostólica à Arménia, o Papa Francisco teve a habitual conferência de imprensa com os jornalistas que viajavam no mesmo avião, durante a qual se tratou de assuntos de grande importância actual.

Damos a conhecer grande parte dessa conversa. Mesmo que não seja um documento do magistério pontifício, as respostas espontâneas do Papa podem ajudar muito para a abordagem desses problemas delicados.

 

 

O genocídio arménio

 

Jean-Louis de la Vaissière (France Presse): Em primeiro lugar, Santo Padre, gostaria de lhe agradecer em nome meu e de Sébastien Maillard, de «La Croix». Vamo-nos embora de Roma e queríamos, do fundo do coração, agradecer esta brisa de primavera que sopra na Igreja. Depois, tinha uma pergunta: Porque decidiu acrescentar explicitamente a palavra «genocídio» no discurso feito no palácio presidencial? Sobre um tema tão doloroso como este, pensa que era útil para a paz nesta região complicada?

 

Papa Francisco: Obrigado. Na Argentina, quando se falava do extermínio arménio, usava-se sempre a palavra «genocídio». Eu não conhecia outra. E na catedral de Buenos Aires, no terceiro altar à esquerda, pusemos uma cruz de pedra em recordação do «genocídio arménio». Veio o Arcebispo, os dois Arcebispos arménios – o católico e o apostólico – e inauguraram-na. Além disso, o Arcebispo apostólico na igreja católica de São Bartolomeu – outra [igreja] – fez um altar em memória de São Bartolomeu [evangelizador da Arménia]. Sempre foi assim... eu não conhecia outra palavra. Eu vinha com esta palavra.

Quando chego a Roma, ouço a outra palavra: «o Grande Mal» ou «a tragédia terrível», em língua arménia Metz Yeghern, que não sei pronunciar. Dizem-me que a palavra «genocídio» é ofensiva, devendo-se dizer esta. Eu sempre falei dos três genocídios do século passado, sempre três. O primeiro, o arménio; depois, o de Hitler; e, por último, o de Estaline. Os três. Há outros menores. Houve um em África [Ruanda]. Mas, na órbita das duas Grandes Guerras, são estes três. E eu perguntei porquê. Alguém disse-me: «Alguns pensam que não é verdade, que não foi um genocídio». Dizia-me outro (um advogado disse-me isto, de grande interesse para mim): «A palavra genocídio é um termo técnico, é uma palavra de natureza técnica, que não é sinónimo de extermínio. Pode-se dizer extermínio, mas declarar um genocídio envolve acções de compensação e coisas do género». Isto foi-me dito por um advogado.

No ano passado, quando preparava o discurso [para a celebração de 12 de Abril de 2015, em Roma], vi que São João Paulo II usou a palavra, usou as duas: «o Grande Mal» e «genocídio». E eu citei esta entre aspas. Não caiu bem: houve uma declaração do Governo turco; passados poucos dias a Turquia chamou a Ancara o Embaixador: um homem de categoria, a Turquia enviara-nos um embaixador «de luxo»! Voltou há dois ou três meses... Foi um «jejum diplomático»... Fê-lo no seu direito: todos temos o direito de protestar.

Quanto a este discurso [na Arménia], é verdade que inicialmente não estava a palavra. E respondo agora dizendo o motivo pelo qual a acrescentei. Depois de ter ouvido o tom do discurso do Presidente e também com o meu passado sobre esta palavra, depois de ter dito esta palavra no ano passado em São Pedro, publicamente, soaria muito estranho não dizer, pelo menos, o mesmo. Mas, naquele ponto, eu queria sublinhar outra coisa, tendo dito – se não me engano –: «Neste genocídio, como nos outros dois, as grandes potências internacionais viravam a cara para o outro lado». E esta foi a acusação. Na II Guerra Mundial, algumas potências tinham as fotografias dos caminhos-de-ferro que levavam a Auschwitz: teriam tido a possibilidade de bombardear, e não o fizeram. É um exemplo. No contexto da I Guerra, onde houve o problema dos arménios e, no contexto da II Guerra, onde houve o problema de Hitler e Estaline, e depois de Ialta, os lágheres e… de tudo isto ninguém fala?! Deve-se sublinhar isto e pôr a questão histórica: Porque não fizestes isto, vós potências? Não acuso, apenas faço a pergunta. É interessante! Olhava-se, sim, à guerra, a tantas coisas, mas… àquele povo. Não sei se é verdade – mas gostaria de ver se é verdade – que, quando Hitler estava no auge da perseguição aos judeus, uma das coisas que teria dito foi esta: «Quem se lembra hoje dos arménios? Façamos o mesmo com os judeus!» Não sei se é verdade, talvez seja apenas um boato, mas ouvi dizer isto. Os historiadores procurem e vejam se é verdade. Penso que respondi. Mas aquela palavra, nunca a disse com intenção ofensiva, mas sim objectivamente.

 

Há dois Papas?

 

Elisabetta Piqué (La Nación): Parabéns, antes de mais nada, pela viagem. Gostaria de lhe perguntar: sabemos que o senhor é o Papa, mas há também o Papa Bento, o Papa emérito. Ultimamente tem havido rumores, uma declaração do Prefeito da Casa Pontifícia, Mons. Georg Gänswein, que teria dito que haveria um ministério petrino partilhado – se não me engano – com um Papa activo e outro contemplativo. Há dois Papas?

 

Papa Francisco: Houve um tempo na Igreja em que existiram três [papas]! Num determinado período, havia três na Igreja! Eu não li aquela declaração, porque não tive tempo. Bento é Papa emérito. Ele disse claramente, naquele 11 de Fevereiro, que dava a sua demissão a partir de 28 de Fevereiro, que se retiraria para ajudar a Igreja com a oração. E Bento está no mosteiro, e reza. Fui visitá-lo muitas vezes, ou falamos pelo telefone... No outro dia, escreveu-me um bilhetinho – ainda assina com aquela assinatura toda sua – fazendo-me os seus votos para esta viagem. E uma vez – não uma, mas várias vezes – eu disse que é uma graça ter em casa o «avô» sábio. Disse-o mesmo na sua presença, e ele sorriu. Mas, para mim, é o Papa emérito, é o «avô» sábio, é o homem que me guarda os ombros e as costas com a sua oração. Nunca esqueço o discurso que nos fez, aos Cardeais, em 28 de Fevereiro: «Um de vós certamente será o meu sucessor. Prometo obediência». E fê-lo. Mais tarde ouvi dizer – não sei se isto é verdade; sublinho a palavra ouvi; talvez sejam boatos, mas condiz com o seu carácter – que alguns foram lá lamentar-se porque «este novo Papa...», e ele pô-los fora! Com o melhor estilo bávaro: educado, mas expulsou-os. E, se não é verdade, assenta-lhe bem, porque este homem é assim: um homem de palavra, um homem recto, recto, recto! O Papa emérito.

Além disso, não sei se a senhora se lembra, agradeci publicamente (não sei quando, mas acho que foi durante um voo) a Bento por ter aberto a porta aos Papas eméritos. Há 70 anos, não havia os bispos eméritos; hoje existem. Mas, com este alongamento da vida, será possível a uma certa idade, com os achaques, dirigir uma Igreja ou não? E ele, com coragem – com coragem! – e com oração e também com ciência, com teologia, decidiu abrir esta porta. E creio que isto seja bom para a Igreja. Mas há apenas um Papa. O outro ou… outros – como sucede com os bispos eméritos; não digo muitos, mas talvez possam ser dois ou três – serão eméritos. Foram [Papas], [agora] são eméritos. Depois de amanhã, celebram-se os 65 anos da sua ordenação sacerdotal. Estará presente o seu irmão George, pois foram ordenados juntos. E haverá um pequeno Acto, com os responsáveis do Dicastério e poucas pessoas mais, porque ele prefere assim... Aceitou, mas muito modestamente; e também eu lá estarei. E direi qualquer coisa a este grande homem de oração, de coragem, que é o Papa emérito – não o segundo Papa –, que é fiel à sua palavra e que é um homem de Deus. É muito inteligente e, para mim, é o avô sábio em casa.

 

O Concílio pan-ortodoxo

 

Alexej Bukalov (Itar-Tass, russa): Sempre lhe estamos gratos... Obrigado, Santidade! Obrigado por esta viagem, que é a primeira viagem no território ex-soviético. Para mim, era muito importante acompanhá-lo... A minha pergunta desvia-se um pouco deste argumento: Eu sei que o Santo Padre encorajou muito este Concílio Pan-Ortodoxo, chegando mesmo a almejá-lo no encontro com o Patriarca Kirill em Cuba. Agora, Santo Padre, que juízo tem sobre este – digamos – fórum? Obrigado.

 

Papa Francisco: Um juízo positivo! Foi dado um passo em frente: não cem por cento, mas um passo em frente. Os motivos que justificaram, entre aspas, [as ausências] são sinceros para eles; são coisas que, com o tempo, se podem resolver. Queriam – os quatro que não foram – fazê-lo um pouco mais tarde. Mas creio que o primeiro passo se dá como se pode. Como as crianças, quando dão o primeiro passo, fazem-no como podem: primeiro, fazem-no como os gatos e, depois, dão os primeiros passos. Estou contente. Falaram sobre muitas coisas. Creio que o resultado é positivo. O simples facto de estas Igrejas autocéfalas estarem reunidas em nome da Ortodoxia, para se olharem nos olhos, para rezarem juntos e falarem e talvez dizerem alguma graça, mas isto é positivíssimo. Dou graças ao Senhor. No próximo, estarão mais. Bendito seja o Senhor!

 

A crise da União Europeia

 

Edward Pentin (National Catholic RegisterI: O Santo Padre, como João Paulo II, parece ser um apoiante da União Europeia: elogiou o projecto europeu quando recebeu recentemente o Prémio Carlos Magno. Está preocupado com o facto de o Brexit poder levar à desintegração da Europa e, eventualmente, à guerra?

 

Papa Francisco: A guerra já está na Europa. De facto, há um ar de divisão, e não só na Europa, mas dentro dos próprios países. Recorde-se a Catalunha e, no ano passado, a Escócia... Estas divisões, não digo que sejam perigosas, mas devemos estudá-las bem e, antes de começar a avançar para uma divisão, devemos falar seriamente entre nós e procurar soluções viáveis.

Verdadeiramente, não sei, não estudei os motivos pelos quais o Reino Unido quis tomar esta decisão. Mas há decisões – acho que já o disse uma vez; não sei onde, mas já o disse – de independência, que se fazem por motivo de emancipação. Por exemplo, todos os nossos países latino-americanos, também os países da África, emanciparam-se das coroas de Madrid, de Lisboa; também na África: de Paris, Londres; de Amsterdão, sobretudo a Indonésia... A emancipação é mais compreensível, visto que por detrás há uma cultura, um modo de pensar.

Pelo contrário, a secessão dum país – ainda não estou a falar do Brexit –, pensemos na Escócia, é um fenómeno que tomou o nome – digo-o sem querer ofender, empregando a palavra que usam os políticos – de «balcanização», sem com isto falar mal dos Balcãs! É mais uma secessão, não é emancipação; por detrás há histórias, culturas, mal-entendidos; também há muito boa vontade em outros. É preciso ter claro isto: para mim, a unidade é sempre superior ao conflito, sempre! Mas há diferentes formas de unidade; e também a fraternidade – e com isto chego à União Europeia – é melhor do que a inimizade ou do que as distâncias. Em relação às distâncias – digamos –, a fraternidade é melhor. E as pontes são melhores do que os muros. Tudo isto nos deve fazer reflectir.

É verdade que um país [diz]: «Eu estou na União Europeia, mas quero ter certas coisas que são minhas, da minha cultura...». E o passo que deve dar a União Europeia – e aqui chego ao Prémio Carlos Magno – para reencontrar a força que teve nas suas raízes, é um passo de criatividade e mesmo de «sã desunião»: isto é, dar mais independência, dar mais liberdade aos países da União. Pensar noutra forma de união, ser criativos: criativos quanto a empregos, quanto à economia. Hoje, na Europa, há uma economia «líquida» que faz com que – na Itália, por exemplo – 40 por cento da juventude dos 25 anos para baixo não tenha trabalho! Há algo de errado naquele bloco da União... Mas não deitemos pela janela fora o bebé com a água suja do banho! Procuremos resgatar as coisas e recriar... É que a recriação das coisas humanas – também da nossa personalidade – é um percurso, que nunca está terminado. Um adolescente não é o mesmo que uma pessoa adulta ou que uma pessoa anciã: é a mesma e não é a mesma, recria-se continuamente. E isto dá-lhe vida e vontade de viver, dá fecundidade. E sublinho isto: hoje as duas palavras-chave para a União Europeia são criatividade e fecundidade. É o desafio. Não sei, eu penso assim.

 

A Reforma de Lutero

 

Tilmann Kleinjung (ADR, Rádio nacional alemã): É verdade, eu também estou de saída para a Baviera. Obrigado por lhe poder colocar esta pergunta. O senhor falou hoje dos dons compartilhados pelas Igrejas, em conjunto. Uma vez que irá – dentro de quatro meses – a Lund para comemorar o 500.º aniversário da Reforma, penso que este seja talvez o momento certo para não recordar só as feridas de ambos os lados, mas também para reconhecer os dons da Reforma, e talvez também – e isto é um pedido herético – para cancelar ou retirar a excomunhão de Martinho Lutero, ou para qualquer outra reabilitação. Obrigado.

 

Papa Francisco: Creio que as intenções de Martinho Lutero não eram erradas: era um reformador. Talvez alguns métodos não fossem justos, mas naquele tempo, se lermos por exemplo a história de Pastor – um luterano alemão que, ao ver a realidade daquele tempo, se converteu e se fez católico –, vemos que a Igreja não era propriamente um modelo a imitar: havia corrupção na Igreja, havia mundanidade, havia apego ao dinheiro e ao poder. E por isso ele protestou. Como era inteligente, deu um passo em frente justificando por que fazia isso. E hoje luteranos e católicos, com todos os protestantes, estamos de acordo acerca da doutrina da justificação: sobre este ponto tão importante, ele não tinha errado. Ele preparou um «remédio» para a Igreja, depois este remédio consolidou-se num estado de coisas, numa disciplina, num modo de crer, num modo de fazer, num modo litúrgico. Mas não era só ele: havia Zwinglio, havia Calvino… E, por detrás deles, quem estava? Os príncipes, «cuius regio eius religio». Devemos mergulhar na história daquele tempo. É uma história não fácil de entender, não é fácil. Depois as coisas foram avançando. Hoje o diálogo é muito bom, e creio que aquele documento sobre a justificação é um dos documentos ecuménicos mais ricos, mais ricos e mais profundos. Concorda? Há divisões, mas dependem também das Igrejas. Em Buenos Aires, havia duas igrejas luteranas: uma pensava duma maneira, a outra doutra. Mesmo na própria Igreja luterana, não há unidade. Respeitam-se, amam-se... Talvez tenha sido a diversidade que fez tanto mal a todos nós, e hoje procuramos retomar a estrada para nos encontrarmos depois de 500 anos. Penso que devemos rezar juntos, rezar. Por isso, a oração é importante. Segundo: trabalhar pelos pobres, os perseguidos, as inúmeras pessoas que sofrem, os refugiados... Trabalhar juntos e rezar juntos. E que os teólogos estudem juntos, procurando... Mas esta é uma estrada longa, muito longa. Certa vez, gracejando, disse: «Eu sei quando será o dia da unidade plena» – «Qual será?» – «O dia depois da vinda do Filho do Homem!» Porque não se sabe... O Espírito Santo realizará esta graça. Entretanto, porém, é preciso rezar, amar-nos e trabalhar juntos, sobretudo pelos pobres, pelas pessoas que sofrem, pela paz e muitas outras coisas, contra a exploração das pessoas... Muitas são as coisas pelas quais se está a trabalhar em conjunto.

 

A questão das diaconisas

 

Cécile Chambraud (Le Monde): Há algumas semanas, o Santo Padre falou duma Comissão para reflectir sobre o tema das mulheres diaconisas. Gostaria de saber se já existe esta Comissão e quais serão as questões que ela reflectirá para serem resolvidas E, enfim, como por vezes uma Comissão serve para fazer esquecer os problemas, gostaria de saber se é este o caso.

 

Papa Francisco: Houve um presidente argentino que dizia e aconselhava aos presidentes de outros países: quando quiseres que uma coisa não se resolva, cria uma comissão! O primeiro a ficar surpreendido com esta notícia fui eu, porque, no diálogo com as religiosas – que foi gravado e depois publicado no jornal «L'Osservatore Romano» –, tratava-se doutra coisa, nesta linha: «Ouvimos dizer que, nos primeiros séculos, havia diaconisas. Pode-se estudar isto? Criar uma Comissão?» Nada mais. Fizeram uma pergunta; foram educadas, e não só educadas mas também amantes da Igreja, mulheres consagradas.

Eu contei que conhecia um sírio, um teólogo sírio que morreu, aquele que fizera a edição crítica de Santo Efrém em italiano. Quando eu vinha a Roma, hospedava-me na Via della Scrofa e ele vivia lá. Uma vez, ao pequeno-almoço, falando das diaconisas disse-me ele: «Sim, mas não se sabe bem o que eram, se teriam a ordenação...» Certamente havia estas mulheres que ajudavam o bispo; e ajudavam-no em três coisas: a primeira, no Baptismo das mulheres por imersão; a segunda, nas unções pré e pós-baptismal das mulheres; e a terceira – esta dá para rir –, quando a esposa ia queixar-se ao bispo porque o marido lhe batia, o bispo chamava uma destas diaconisas para examinar o corpo da mulher e ver se havia contusões que provassem estas coisas. Eu contei isto.

«E pode-se estudar?» – «Sim, direi à [Congregação para a] Doutrina da Fé que se faça esta Comissão». No dia seguinte [nos jornais]: «A Igreja abre a porta às diaconisas». Verdadeiramente, fiquei um pouco zangado com os media, porque isto é não dizer a verdade das coisas às pessoas. Falei com o Prefeito da [Congregação para a] Doutrina da Fé, que me disse: «Olhe que há um estudo feito pela Comissão Teológica Internacional na década de oitenta». Depois falei com a presidente [das Superioras Gerais] e disse-lhe: «Por favor, prepare-me uma lista de pessoas que a Irmã julgue que se possam convidar para fazer esta Comissão». E enviou-me a lista. Também o Prefeito me enviou a lista, e agora estão lá, sobre a minha mesa, para se fazer esta Comissão. Julgo que o tema foi muito estudado na década de oitenta, e não será difícil esclarecer o assunto.

Mas há outra coisa. Há um ano e meio, fiz uma comissão de mulheres teólogas que trabalharam com o Cardeal Ryłko [Presidente do Pontifício Conselho para os Leigos] e fizeram um bom trabalho, porque é muito importante o pensamento da mulher. Para mim, a função da mulher não é tão importante como o pensamento da mulher: a mulher pensa de outro modo diferente de nós, homens. E não se pode tomar uma boa decisão, boa e justa, sem ouvir as mulheres. Às vezes, em Buenos Aires, consultava os meus conselheiros, ouvia-os sobre um tema; depois chamava algumas mulheres e elas viam as coisas sob outra luz, e isto enriquecia muito, muito; e, por fim, a decisão era muito, muito fecunda, muito bela. Tenho de encontrar estas mulheres teólogas, que fizeram um bom trabalho, mas que parou. Porquê? Porque agora muda o Dicastério para os Leigos, reestrutura-se. E eu aguardo um pouco que isto aconteça para dar seguimento a este segundo trabalho, o das diaconisas.

Outra coisa sobre as mulheres teólogas que gostaria de sublinhar aqui: é mais importante o modo de as mulheres entenderem, pensarem, verem as coisas do que a funcionalidade da mulher. E repito aqui o que digo sempre: a Igreja é uma mulher, é «a» Igreja. E não é uma «solteirona», é uma mulher casada com o Filho de Deus; o seu Esposo é Jesus Cristo. Pense nisto e, depois, diga-me o que pensa…

 

 


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