25º Domingo Comum

18 de Setembro de 2016

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Povo por Deus reunido, H. Faria, NRMS 103-104

 

Antífona de entrada: Eu sou a salvação do meu povo, diz o Senhor. Quando chamar por Mim nas suas tribulações, Eu o atenderei e serei o seu Deus para sempre.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

À medida que o tempo vai passando, as flores desabrocham, abrem as suas pétalas para oferecerem a quem passa a beleza das suas pétalas e o perfume característico de cada uma delas. Por vezes, de tão pequeninas que são, nem as vemos, mas sentimos o seu odor e identificamo-las por ele.

A nossa vocação pessoal é semelhante à das flores: abrimo-nos aos outros, num serviço de alegria e de caridade, e edificamo-los com as nossas virtudes que são – no dizer de S. Paulo – «o bom odor de Cristo

 

Acto penitencial

 

Mas os cristãos são também atacados frequentemente por uma doença que dá pelo nome de egoísmo, nas suas diversas formas: ambição desmedida, obsessão dos bens da terra ou da própria honra e glória, e insensibilidade perante as dores e problemas dos semelhantes.

Reconheçamos humildemente o nosso mal, peçamos perdão e prometamos emendar-nos, com a ajuda do Senhor.

 

(Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, elementos para o esquema C)

 

•   Senhor: Muitas vezes faltamos aos deveres da justiça mais elementar,

    porque nos deixamos dominar pela obsessão do ter os bens materiais.

    Senhor, misericórdia!

 

    Senhor, misericórdia!

 

•   Cristo: Somos muitas vezes insensíveis de coração perante os irmãos

    que se encontram em necessidade, sem o indispensável para viverem.

    Cristo, misericórdia!

 

    Cristo, misericórdia!

 

•   Senhor: Portamo-nos com negligência nos deveres do nosso trabalho,

    e faltamos, por vezes, à justiça para com aqueles que em nós confiam.

    Senhor, misericórdia!

 

    Senhor, misericórdia!

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração colecta: Senhor, que fizestes consistir a plenitude da lei no vosso amor e no amor do próximo, dai-nos a graça de cumprirmos este duplo mandamento, para alcançarmos a vida eterna. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O profeta Amós clama contra as injustiças do seu tempo que levam à opressão dos mais pobres da sociedade.

A actualidade da mensagem que ele nos transmite não se perdeu, nestes dias em que a ambição do ter faz perder a muitos a cabeça.

 

Amós 8, 4-7

 

4Escutai bem, vós que espezinhais o pobre e quereis eliminar os humildes da terra. 5Vós dizeis: «Quando passará a lua nova, para podermos vender o nosso grão? Quando chegará o fim de sábado, para podermos abrir os celeiros de trigo? Faremos a medida mais pequena, aumentaremos o preço, arranjaremos balanças falsas. 6Compraremos os necessitados por dinheiro e os indigentes por um par de sandálias. Venderemos até as cascas do nosso trigo». 7Mas o Senhor jurou pela glória de Jacob: «Nunca esquecerei nenhuma das suas obras».

 

O profeta Amós pregava no Reino do Norte nos tempos de Jerobão II, no séc. VIII a. C. Não cessava de fustigar todos os vícios dum povo esquecido de Deus, dado às vaidades e à exploração dos mais fracos, muitas vezes através da fraude e do abuso do poder.

5 «Quando passará a lua nova?». No calendário, a lua nova marcava o primeiro dia do mês que era dia de festa, um dia de descanso em que não se podiam, portanto, fazer negócios, como em dia de sábado. A avareza e a exploração do pobre está bem escalpelizada e continua a ter grande actualidade.

 

Salmo Responsorial    Sl 112 (113), 1-2.4-6.7-8 (R. cf. 1a.7b ou Aleluia)

 

Monição: Quando nos vemos desamparados dos homens, conforta-nos a certeza de que O Senhor está sempre ao nosso lado e protege, preferentemente, os mais humildes.

São estes os sentimentos que desejamos exteriorizar pelo canto do salmo responsorial. Deus está sempre ao nosso lado.

 

Refrão:     Louvai o Senhor, que levanta os fracos.

 

Ou:           Louvai o Senhor, que exalta os humildes.

 

Ou:           Aleluia.

 

Louvai, servos do Senhor,

louvai o nome do Senhor.

Bendito seja o nome do Senhor,

agora e para sempre.

 

O Senhor domina sobre todos os povos,

a sua glória está acima dos céus.

Quem se compara ao Senhor nosso Deus, que tem o seu trono nas alturas

e Se inclina lá do alto a olhar o céu e a terra.

 

Levanta do pó o indigente

e tira o pobre da miséria,

para o fazer sentar com os grandes,

com os grandes do seu povo.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Também na nossa oração não havemos de ficar encerrados nos nossos interesses, mas havemos de nos abrir aos problemas e necessidades de todos os nossos irmãos.

É esta a recomendação que S. Paulo faz na sua primeira carta ao discípulo Timóteo e que é também válida para os nossos dias.

 

1 Timóteo 2, 1-8

 

Caríssimo: 1Recomendo, antes de tudo, que se façam preces, orações, súplicas e acções de graças por todos os homens, pelos reis 2e por todas as autoridades, para que possamos levar uma vida tranquila e pacífica, com toda a piedade e dignidade. 3Isto é bom e agradável aos olhos de Deus, nosso Salvador; 4Ele quer que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade. 5Há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens, o homem Jesus Cristo, 6que Se entregou à morte pela redenção de todos. 7Tal é o testemunho que foi dado a seu tempo e do qual fui constituído arauto e apóstolo – digo a verdade, não minto – mestre dos gentios na fé e na verdade.8Quero, portanto, que os homens rezem em toda a parte, erguendo para o Céu as mãos santas, sem ira nem contenda.

 

Continuamos com a 1ª Carta a Timóteo; depois das advertências iniciais sobre a verdadeira doutrina (cap. 1º), detém-se a dar orientações sobre a oração, no capítulo 2º, de que hoje lemos o início.

1 «Que se façam preces». É uma verdade de fé que Deus «quer que todos os homens se salvem», mas, apesar de tudo, não se salvarão sem oração. Podemos ajudar os outros a salvarem-se com a nossa oração, com a qual já Deus conta nos planos da sua Providência. A oração obtém graças que ajudam a nossa liberdade a corresponder livremente aos desígnios divinos, pois ainda que Deus nos queira salvar a todos, não nos quer salvar sem a nossa livre colaboração. A oração de súplica não é para converter Deus, mas para nos convertermos a Ele (Santo Agostinho), para nos dispormos a receber os dons que tem para nos dar.

5 «Um só Mediador...» Deus, sendo único, é Deus para todos e não apenas para uma nação (como os falsos deuses). Ele salva-nos pela mediação de Jesus Cristo, o qual, por ser Deus e Homem, é Mediador apto e eficaz, podendo unir com Deus os homens inimigos pelo pecado, oferecendo a sua vida como redenção. Esta mediação exerce-se através da sua Humanidade. Esta mediação é única, embora participem misteriosamente dela, de modo subordinado, os Santos e especialmente a Virgem Maria.

 

Aclamação ao Evangelho        2 Cor 8, 9

 

Monição: O Evangelho convida-nos a imitar o desprendimento de Jesus o Qual, sendo o Senhor do universo, Se desprendeu de tudo por nosso amor e para nos dar o exemplo.

Manifestemos o desejo de O imitar, cantando a aclamação do Evangelho que vai ser proclamado.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação-2, F. da Silva, NRMS 50-51

 

Jesus Cristo, sendo rico, fez-Se pobre,

para nos enriquecer na sua pobreza.

 

 

Evangelho

 

Forma longa: São Lucas 16, 1-13;         forma breve: São Lucas 16, 10-13

 

Naquele tempo, 1disse Jesus aos seus discípulos:

[«Um homem rico tinha um administrador que foi denunciado por andar a desperdiçar os seus bens. 2Mandou chamá-lo e disse-lhe: ‘Que é isto que ouço dizer de ti? Presta contas da tua administração, porque já não podes continuar a administrar’. 3O administrador disse consigo: ‘Que hei-de fazer, agora que o meu senhor me vai tirar a administração? Para cavar não tenho força, de mendigar tenho vergonha. 4Já sei o que hei-de fazer, para que, ao ser despedido da administração, alguém me receba em sua casa’. 5Mandou chamar um por um os devedores do seu senhor e disse ao primeiro: ‘Quanto deves ao meu senhor?’. 6Ele respondeu: ‘Cem talhas de azeite’. O administrador disse-lhe: ‘Toma a tua conta: senta-te depressa e escreve cinquenta’. 7A seguir disse a outro: ‘E tu quanto deves?’ Ele respondeu: ‘Cem medidas de trigo’. Disse-lhe o administrador: ‘Toma a tua conta e escreve oitenta’. 8E o senhor elogiou o administrador desonesto, por ter procedido com esperteza. De facto, os filhos deste mundo são mais espertos do que os filhos da luz, no trato com os seus semelhantes. Ora 9Eu digo-vos: Arranjai amigos com o vil dinheiro, para que, quando este vier a faltar, eles vos recebam nas moradas eternas.»]

10«Quem é fiel nas coisas pequenas também é fiel nas grandes; e quem é injusto nas coisas pequenas, também é injusto nas grandes. 11Se não fostes fiéis no que se refere ao vil dinheiro, quem vos confiará o verdadeiro bem? 12E se não fostes fiéis no bem alheio, quem vos entregará o que é vosso? 13Nenhum servo pode servir a dois senhores, porque, ou não gosta de um deles e estima o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e ao dinheiro».

 

Esta é mais uma parábola que, para a nossa maneira de pensar, é desconcertante. Temos de ter em conta que se trata do género literário de parábola, em que os diversos elementos que nela entram não têm qualquer valor alegórico, mas são meros elementos de encenação dum ensinamento central, que se quer veicular. Está fora de dúvida que Jesus dá por sabido que a atitude do administrador é profundamente imoral, mas quer simplesmente que nos fixemos na habilidade e engenho que devemos pôr em chegar ao Reino dos Céus. O mesmo problema põe-se relativamente à parábola do próximo domingo, a do rico e do pobre Lázaro.

6 «Cem talhas». A medida de capacidade aqui referida é o bat, correspondente a 36,4 litros.

7 «Cem medidas». Trata-se da medida chamada Kor que equivalia a 10 bat.

8 «O senhor elogiou o administrador», não pela sua desonestidade, mas pela sua esperteza. A Nova Vulgata considera que aqui o senhor é o proprietário, (como o nosso texto, pois utilizam minúscula), mas há autores que pensam que é Jesus, um pormenor que em nada altera o ensinamento. Jesus quer que no que diz respeito ao Reino de Deus recorramos a todos os meios humanos honestos, mas não aprova os desonestos, pois um fim bom nunca justifica o recurso a meios maus, segundo o princípio da Ética: «o fim não justifica os meios» (cf. Rom 2, 8); a Ética cristã não é a pragmática. 

«Os filhos deste mundo», um hebraísmo (o genitivo de qualidade) com que se designam os mundanos; os filhos da luz, isto é, os iluminados pela luz que vem de Deus, por Jesus Cristo (cf. Jo 1, 9), isto é, os cristãos.

9 «Arranjai amigos... eles vos recebam nas moradas eternas». Usando bem as riquezas, concretamente para ajudar o próximo, conseguir-se-ão amigos que nos ajudarão a ser recebidos no Céu – «nas moradas eternas». «Amigos» também podia ser uma forma de designar a Deus, evitando pronunciar o seu nome inefável. «Com o vil dinheiro», à letra «com a mamona da injustiça»; mamona é um termo aramaico, que o Evangelista não traduziu para grego, e que significa: dinheiro, lucro, riquezas. As riquezas dizem-se injustas – «vil dinheiro» –, porque muitas vezes são adquiridas injustamente, degradando o homem.

10-12 Há um certo paralelismo nestas sentenças do Senhor, o que deixa ver que aqui «coisas pequenas» (v. 10) são as riquezas, o «vil dinheiro» (v. 11), o bem alheio (v. 12), que, por maiores que sejam, são perecíveis e quase nada, em comparação com os bens espirituais e eternos, que são «o verdadeiro bem» (v. 11) e «o que é vosso» (v. 12), isto é, o que autenticamente é nosso porque está de acordo com o nosso ser espiritual e nos acompanhará eternamente.

13 «Nenhum servo pode servir dois senhores». Um escravo ou criado não tinha horário de trabalho e tinha de estar totalmente dedicado a servir o seu senhor, sem lhe restar a mínima possibilidade de atender outro patrão. Deus também exige de nós que todos os nossos pensamentos, palavras e acções sejam todos e sempre orientados para O amarmos e servirmos. Não temos uma vida para servir a Deus e outra para cuidar das coisas materiais; de tudo havemos de fazer um serviço a Deus e ao próximo, por amor a Deus. Os bens e os cuidados deste mundo tendem a converter-se num fim último, em ídolos, escravizantes sucedâneos de Deus.

 

Sugestões para a homilia

 

• Viver com generosidade

A tirania dos bens

O reino da injustiça

Actuar na presença de Deus

• Bons administradores

Como quem presta contas

Arranjar amigos com a administração

Fidelidade nas coisas pequenas

 

1.Viver com generosidade

 

Amós, o “profeta da justiça social”, exerceu o seu ministério profético no reino do Norte (Israel) em meados do séc. VIII a. C., durante o reinado de Jeroboão II. É uma época de prosperidade económica e de tranquilidade política. A entrada de tributos dos povos vencidos; o comércio e a indústria (mineira e têxtil) desenvolveram-se significativamente… As construções da burguesia urbana atingiram um luxo e magnificência até então desconhecidos.

A prosperidade e bem-estar das classes favorecidas contrastava, porém, com a miséria das classes baixas. O sistema de distribuição estava nas mãos de comerciantes sem escrúpulos que, aproveitando o bem-estar económico, especulavam com os preços.

 

a) A tirania dos bens. «Escutai bem, vós que espezinhais o pobre e quereis eliminar os humildes da terra. Vós dizeis: “Quando passará a lua nova, para podermos vender o nosso grão? Quando chegará o fim de sábado, para podermos abrir os celeiros de trigo?”»

É contra esta situação injusta que o profeta Amós, natural de Técua e cultivador de sicómoros, levanta a sua voz.

As pessoas de quem fala o homem de Deus não conseguem pensar em mais nada senão em enriquecer sem escrúpulos.

Só depois da lua nova se podem vender os produtos da terra, e o Sábado dedicado ao descanso absoluto.

Por isso, estes ambiciosos suspiram pela passagem rápida a lua nova e pelo fim do descanso sabático, para se encherem de riqueza nos negócios.

Com esta preocupação, estes não conseguem celebrar verdadeiramente as festas, nem utilizar o descanso que lhe é concedido.

É evidente que as pessoas têm necessidade de se dedicarem aos negócios e ao trabalho, e não há mal algum nisso. O problema começa quando esta preocupação absorve todas as outras.

Há duas classes de pessoas que têm muita dificuldade em elevar os olhos para o Céu: são os muito ricos que fizeram do dinheiro o seu deus, porque pensam que não precisam de olhar para o alto; e os que não têm o mínimo para viver, porque falta-lhes, muitas vezes, disposição e tempo para o fazer.

O Senhor pede-nos uma vida equilibrada. Há tempo e lugar para cada coisa: a vida de família deve estar no centro; trabalho, oração e descanso, sem esquecer as relações de amizade. Quando um aspecto atrofia o outro, há desequilíbrio na vida. O difícil é atender a todos estes aspectos, sem descurar nenhum.

 

b) O reino da injustiça. «Faremos a medida mais pequena, aumentaremos o preço, arranjaremos balanças falsas. Compraremos os necessitados por dinheiro e os indigentes por um par de sandálias. Venderemos até as cascas do nosso trigo

O que o profeta expõe acerca dos seus contemporâneos é uma preocupação obter dinheiro, de enriquecer a qualquer preço, sem olhar à justiça: diminuir a medida, aumentar o preço dos cereais, usar balanças falsas, vender as cascas dos cereais que para nada servem.

A mentalidade de luta de classes – tão divulgada no nosso meio pelo marxismo – dá origem a um sem número de injustiças, porque admite como princípio que tem razão aquele que é mais forte.

Mas uma coisa é a força física ou intelectual e a razão objectiva Admitida esta aberração, a criança e os mais débeis física e até intelectualmente ficariam despojados de todos os direitos.

O Senhor, pela voz do profeta, convida-nos a fazer um exame de consciência sobre a seriedade que pomos nos contratos com os outros.

É verdade que, possivelmente não negociamos em cereais, nem em qualquer outra mercadoria. Mas temos contratos que obrigam em justiça.

O trabalho profissional. Seja qual for o nosso trabalho, ele assenta num contrato d prestação de serviços com uma remuneração proporcionada. Com que perfeição e cuidado o fazemos? Não basta entrar para dentro da empresa para começar a contar dinheiro de remuneração. Pode acontecer que vendemos “cascas de cereais”, em vez de produto verdadeiro e útil.

Vivência da própria vocação. Como realizamos as tarefas que o Senhor nos confiou por meio da nossa vocação pessoal? Neste capítulo abarcamos a educação dos filhos e as demais exigências da própria vocação.

Estamos continuamente a ser sensibilizados para os nossos direitos. Mas cada direito tem um dever correlativo, e os dois são inseparáveis. O meu dever acaba onde começa o direito do meu irmão.

 

c) Actuar na presença de Deus. «Mas o Senhor jurou pela glória de Jacob: “Nunca esquecerei nenhuma das suas obras”.»

Quem nos há-de julgar de tudo o que fazemos de bem ou de mal, sem esquecer as omissões, é Deus. Estamos continuamente afagados pelo olhar do nosso Pai do Céu, que nos contempla com Amor.

Em geral, preocupamo-nos muito com o que as pessoas vêem – também no arranjo da casa – e pouco ou nada com o que é oculto. Se não tivermos cuidado, a nossa vida pode parecer-se com certos monumentos de estilo barroco: muitos dourados do lado que as pessoas vêem, e tábuas carcomidas e cobertas de teias de aranha do lado que os olhos não podem ver.

O modo mais prático de agir sempre com rectidão é fazer tudo na presença de Deus: pensamentos, palavras, obras e omissões.

Pensemos em Deus que nos vê, não como um fiscal rigoroso e sem coração, mas como o melhor dos pais que nos contempla embevecido, como qualquer pai o seu filho pequenino. Ele conhece a nossa fragilidade e está sempre disponível para nos ajudar, seja qual for a situação em que nos encontramos.

Deus está continuamente junto de nós como o pai mais amoroso dos pais, para nos ajudar.

 

2. Administrar bem

 

a) Como quem presta contas. «Um homem rico tinha um administrador que foi denunciado por andar a desperdiçar os seus bens. Mandou chamá-lo e disse-lhe: ‘[...] Presta contas da tua administração, porque já não podes continuar a administrar’.»

Administrar é gerir os bens segundo a mentalidade e o desejo do dono, e não segundo os nossos gostos.

Ao chamar-nos á vida na terra, o Senhor confiou-nos a administração de muitos bens. Todos recebemos dons em abundância para administrar. Não podemos viver de qualquer modo.

• Julgamo-nos facilmente donos de tudo: da vida, do tempo, do dinheiro, etc. Mas somos apenas administradores de tudo isto. O Senhor concedeu-nos a administração da vida, da saúde, do tempo, das qualidades pessoais e carismas e das condições de vida para que, fazendo-o segundo a vontade de Deus, alcancemos uma glória eterna no Céu.

Ministério sacerdotal. O sacerdote é administrador dos dons de Deus recebidos na ordenação sacerdotal, em favor das pessoas: a faculdade de consagrar o pão e o vinho, transubstanciando-os no Corpo e Sangue do Senhor; a faculdade de absolver dos pecados e de administrar os outros sacramentos; e de anunciar a Palavra de Deus.

Além disso, a Igreja faz em cada sacerdote um investimento colossal de formação, para que ele possa render ao serviço das almas.

Vida matrimonial. Os pais não são donos dos filhos, mas administram-lhes a educação, procurando que neles se realize os planos de Deus. Sendo tão importante este trabalho com o qual preparam uma eternidade feliz ou infeliz para eles, Deus há-de pedir-lhes contas do modo como cumpriram este dever de administração.

Carismas pessoais. Cada pessoa recebeu carismas – qualidades e capacidades – que não se destinam à própria honra e glória, mas devem ser administrados para glória de Deus.

A paróquia é o lugar mais comum para o desenvolvimento e para a administração destes carismas: a capacidade de cantar, de ler, de ensinar a doutrina, o jeito para administrar, para servir nas mais humildes tarefas, para ajudar na edificação da comunidade dos filhos de Deus.

Quando nos pedem um serviço, uma ajuda ou colaboração, o mais fácil é dizer que não podemos, não sabemos, não temos jeito ou disponibilidade. No entanto, a resposta não deve ser dada às pessoas da terra, mas ao próprio Deus, porque somos Seus administradores dos dons recebidos.

Se vivermos como bons filhos de Deus, não prestaremos contas, mas “apresentaremos contas”, como um trabalhador ao fim do trabalho encomendado.

 

b) Arranjar amigos com a administração. «Ora Eu digo-vos: Arranjai amigos com o vil dinheiro, para que, quando este vier a faltar, eles vos recebam nas moradas eternas

Jesus não elogia nem aprova a desonestidade deste administrador que procurou assegurar o futuro prejudicando o senhor dos bens. Escrevendo uma quantia inferior à da dívida, prejudicava os interesses de quem lhe confiou a administração.

Mas louva a sagacidade dele, ao procurar acautelar o futuro, arranjando amigos no exercício da sua administração.

Todos os dons que recebemos de Deus para administrar hão-de ser um meio para conquistarmos muitos e bons amigos.

Amizade com Deus. Temos de administrar a vida, o tempo e todos os outros Deus para fomentar uma amizade crescente com Deus. Temos por vocação começar na terra uma intimidade com a Santíssima Trindade – com o Pai, com o Filho e com o Espírito Santo – para a continuar eternamente no Céu.

Devoção filial a Nossa Senhora. Maria Santíssima é Mãe de Deus e de todos nós. Temos de viver uma piedade filial com Nossa Senhora, para que Ela interceda por nós junto de Deus e nos receba no momento derradeiro desta vida terrena.

A devoção aos santos. Eles não são alternativas ao amor de Deus, mas degraus para chegar até lá, à semelhança do que acontece com as coisas da terra: quando nos parece que a pessoa a quem desejamos chegar está demasiado alta, procuramos intermediários.

As nossas amizades. Criar amizades com outras pessoas acontece de modo natural: simpatizamos com elas e, à força de contactos, vamo-nos sentindo afeiçoados a elas.

A amizade, quando é boa, torna-nos mais seguros na vida. Um bom amigo é um tesouro.

Vista numa perspectiva apostólica, a amizade pessoal é uma arma para aproximarmos as pessoas de Deus, ensinando-lhes o caminho da verdadeira felicidade.

Quantas pessoas ficam a dever a sua conversão a uma boa amizade!

 

c) Fidelidade nas coisas pequenas. «Quem é fiel nas coisas pequenas, também é fiel nas grandes. Se não fostes fiéis no que se refere ao vil dinheiro, quem vos confiará o verdadeiro bem? E se não fostes fiéis no bem alheio, quem vos entregará o que é vosso

Ao falar da administração dos bens, Jesus chama a nossa atenção para o facto de que não havemos de estar à espera de ocasiões extraordinárias, heróicas, para nos portarmos como bons administradores de Deus.

Ele espera-nos nas coisas insignificantes de cada dia, que passam despercebidas ao olhar dos homens, para lhe provarmos a nossa fidelidade: no arranjo pessoal, nos pequenos pormenores de delicadeza para com os outros, no cuidado em rezar bem, com atenção...

Os grandes edifícios são construídos com pequenas pedras, pequenos tijolos e grãos de cimento; uma obra de arte e constituída por pequenos traços de tinta, cada qual no lugar exacto que lhe pertence.

O Senhor faz depender as grandes maravilhas de coisas insignificantes: a multiplicação dos pães de uma pequena generosidade do jovem que se desprendeu do que tinha e acabou por receber mais; das diligências obedientes dos servos de Cana, enchendo as talhas de água, para se deliciarem com bom vinho.

O que o Senhor nos pede para a transformação do mundo não são coisas grandiosas, mas o cumprimento do pequeno dever de cada dia por amor.

Se estivéssemos à espera de provar o nosso amor a Deus com coisas espectaculares, talvez nunca se nos oferecesse esta ocasião.

Foi assim que se fizeram os santos: fidelidade nos pequenos deveres de cada dia, por Amor.

Vem de fonte autorizada este conselho oportuno: «Fazei tudo por Amor. – Assim não há coisas pequenas: tudo é grande. – A perseverança nas pequenas coisas, por Amor, é heroísmo.» (S. Josemaria, Caminho, 833).

O Divino Mestre diz aos bem aventurados: «Muito bem, servo bom e fiel, foste fiel em coisas de pouca monta, muito te confiarei.» (Mt 25, 23).

Aprendemos esta lição de Maria Santíssima a acolher a todos com igual solicitude, porque isto é também fidelidade às pequenas cosas de cada dia.

 

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

O nosso Deus acolhe-nos com generosa solicitude

todas as vezes que a Ele recorremos com confiança.

Com esta certeza que nos dá a nossa fé baptismal,

apresentemos-lhe as necessidades de toda as pessoas.

Oremos (cantando):

 

    Acolhei, Senhor, as nossas súplicas!

 

1. Pelo Santo Padre e demais Pastores da Santa Igreja,

    para que nos ensinem a confiar sempre no Senhor,

    oremos, irmãos.

 

    Acolhei, Senhor, as nossas súplicas!

 

2. Pelos que sofrem injustiças e opressões dos outros,

    para que o nosso Deus os liberte destas injustiças,

    oremos, irmãos.

 

    Acolhei, Senhor, as nossas súplicas!

 

3. Pelas autoridades civis que escolhemos para nós,

    para que procurem servir as pessoas e não servir-se,

    oremos, irmãos.

 

    Acolhei, Senhor, as nossas súplicas!

 

4. Pelos que dominam o poder económico na terra,

    para que nunca se aproveitem dele para oprimir,

    oremos, irmãos.

 

    Acolhei, Senhor, as nossas súplicas!

 

5. Por todos nós que celebramos esta Santa Missa,

    para que vivamos a justiça para com os irmãos,

    oremos, irmãos.

 

    Acolhei, Senhor, as nossas súplicas!

 

6. Pelos que o Senhor chamou desta à vida eterna,

    para que lhes abra hoje mesmo as portas do Céu,

    oremos, irmãos.

 

Acolhei, Senhor, as nossas súplicas!

 

Acolhei, Senhor, com solicitude paternal,

a oração que Vos dirigimos com fé e amor,

para que, vivendo com fidelidade na terra,

mereçamos contemplar-Vos para sempre,

na felicidade dos bem-aventurados no Céu.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

Na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

Trazemos com alegria os dons ao altar do Senhor, com a certeza de que Ele vai transubstanciar, pelo ministério do sacerdote, o pão e o vinho que trazemos ao altar.

Ele será, depois, o nosso Alimento divino que nos fortalece nesta caminhada para o Céu.

 

Cântico do ofertório: Em redor do teu altar, M. Carneiro, NRMS 42

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai benignamente, Senhor, os dons da vossa Igreja, para que receba nestes santos mistérios os bens em que pela fé acredita. Por Nosso Senhor...

 

Santo: F. dos Santos, NCT 201

 

Saudação da Paz

 

Não pode haver paz sem um cuidado generoso no respeito pela justiça, porque em cada irmão está misteriosamente presente Jesus Cristo.

Com um desejo sincero de viver esta virtude, manifestemos entre nós o sinal litúrgico da paz.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

Bendito seja o Senhor que Se oferece como Alimento divino a todas as pessoas sem distinção de classe social, raça ou cor.

Reconheçamos a nossa indignidade para acolher este Dom e recebamos o mesmo Senhor com toda a fé, humildade e devoção.

 

Cântico da Comunhão: A minha carne é verdadeira comida, F. da Silva, NRMS 102

Sl 118, 4-5

Antífona da comunhão: Promulgastes, Senhor, os vossos preceitos para se cumprirem fielmente. Fazei que meus passos sejam firmes na observância dos vossos mandamentos.

Ou.    Jo 10, 14

Eu sou o Bom Pastor, diz o Senhor; conheço as minhas ovelhas e as minhas ovelhas conhecem-Me.

 

Cântico de acção de graças: É bom louvar- Te Senhor, M. Carneiro, NRMS 84

 

Oração depois da comunhão: Sustentai, Senhor, com o auxílio da vossa graça aqueles que alimentais nos sagrados mistérios, para que os frutos de salvação que recebemos neste sacramento se manifestem em toda a nossa vida. Por Nosso Senhor...

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Assim como o Senhor não tem acepção de pessoas, também nós não as podemos ter com ninguém.

Procuremos tratar a todos com extrema delicadeza e respeito, vendo neles Jesus Cristo que nos procura,

 

Cântico final: Deus é Pai, Deus é Amor, F. da Silva, NRMS 90-91

 

 

Homilias Feriais

 

25 ª SEMANA

 

2ª Feira, 19-IX: A actuação da graça de Deus.

Prov 3, 27-34 / Lc 8, 16-18

Pois àquele que tiver, dar-se-á, mas àquele que não tiver, até o que julga ter lhe será tirado.

Assim actua a graça de Deus nas nossas almas. Quando correspondemos à graça, recebemos novas graças; mas, quando não nos empenhamos, ficamos mais pobres. A vida espiritual exige sempre um novo empenho, uma nova correspondência. Pelo contrário, quem não avança retrocede: «Se disseres basta, estás perdido» (Sto Agostinho).

Deus concede novos favores quando encontra boas disposições: «Ele abençoa a residência dos justos; aos humildes concede o seu favor; os sábios hão-de alcançar a glória» (Leit.).

 

3ª Feira, 20-IX: Características da família de Jesus.

Prov 21, 1-6. 10-13 / Lc 8, 19-21

Mas Jesus respondeu-lhes: minha mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática.

Quem pertence à família de Jesus? «O germe do Reino é o pequeno rebanho daqueles que Jesus veio congregar ao seu redor e dos quais Ele próprio é o pastor. Eles constituem a verdadeira família de Jesus (Ev.)» (CIC, 764).

Esta família é caracterizada pelo cumprimento da vontade de Deus: quem fizer a vontade de meu Pai que está nos Céus, tem uma nova maneira de agir; e uma oração própria, o Pai nosso (CIC, 764). Precisamos, no entanto, ter cuidado, pois «aos olhos do homem todos os caminhos parecem rectos, mas o Senhor é que pesa os corações» (Leit.).

 

4ª Feira, 21-IX: S. Mateus: Conhecer Jesus.

Ef 4, 1-7. 11-13 / Mt 9, 9-13

Jesus ia a passar, quando viu um homem chamado Mateus, sentado no posto de cobrança, e disse-lhe: Segue-me.

Logo que foi chamado pelo Senhor, S. Mateus deixou imediatamente tudo para se dedicar ao serviço do Senhor (Ev.). A partir de então pode acompanhá-lo, ser testemunha da sua vida e ensinamentos, dos milagres, da Última Ceia, etc. Deixou-nos um precioso documento: o seu Evangelho.

A todos nos é pedido este maior conhecimento do Senhor: «No fim chegaremos todos à unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, ao estado do homem adulto, à medida da estatura de Cristo na sua plenitude» (Leit.).

 

5ª Feira, 22-IX: A verdade sobre o homem e as várias coisas.

Co 1, 2-11 / Lc 9, 7-9

Mas, quem é este homem, de quem oiço dizer tais coisas? E procurava maneira de ver Jesus.

O desejo de ver o rosto de Cristo é de grande importância para a nossa vida, pois «nEle Deus nos abençoa fazendo resplandecer sobre nós a luz do seu rosto. Sendo ao mesmo tempo Deus e homem, Ele revela-nos também o rosto autêntico do homem, revela o homem a si mesmo» (João Paulo II).

O resto das coisas, se não são vistas como Deus as vê, acaba por ser uma verdadeira desilusão: «Todas as coisas produzem cansaço, ninguém o pode explicar; o que se deu acontecerá outra vez: nada de novo debaixo do Sol» (Leit.).

 

6ª Feira, 23-IX: O momento oportuno para cada coisa.

Co 3, 1-11 / Lc 9, 18-22

Para tudo há um momento oportuno, para cada coisa há um tempo debaixo do Céu.

O momento mais oportuno para cada coisa é, em princípio, aquele em que devemos cumprir a vontade de Deus para cada um de nós. O Senhor quer que vivamos e santifiquemos o momento presente, cumprindo com fidelidade o dever correspondente a esse momento.

Jesus ensina-nos, no Evangelho de hoje, que há-de haver um momento para a oração: «Estava Jesus a orar sozinho»; outro momento para o sacrifício: «o Filho do homem tem de sofrer muito... tem de ser morto e ressuscitar ao terceiro dia».

 

Sábado, 24-IX: Um meio indispensável de salvação.

Co 11, 9-12, 8 / Lc 9, 43-45

O Filho do homem vai ser entregue nas mãos dos homens. Mas eles não entendiam aquela linguagem.

A pregação sobre a Cruz, a mortificação, o sacrifício, como um bem, é sempre difícil de entender (Ev.), quando se encara apenas com olhos humanos. À primeira vista é mais uma desilusão: «Desilusões e mais desilusões... Tudo é desilusão» (Leit.).

A fé ajuda-nos, no entanto, a ver que, sem sacrifício, não há verdadeiro amor, não há alegria autêntica, não há purificação dos pecados, não há encontro com Deus. Falta um meio indispensável de salvação. O caminho da santificação pessoal passa necessariamente pela cruz.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Fernando Silva

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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