NATIVIDADE DA VIRGEM SANTA MARIA

8 de Setembro de 2016

 

Festividade

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Nasceu a Virgem Maria, F. da Silva, NCT 630

 

Antífona de entrada: Exultemos de alegria no Senhor, ao celebrar o nascimento da Virgem Santa Maria, da qual nasceu o sol da justiça, Cristo nosso Deus.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Hoje, celebramos a festa litúrgica da Natividade da Virgem Santa Maria, cuja origem remonta aos primeiros séculos do cristianismo. O nascimento de Maria é um prenúncio do nascimento de Jesus, o nosso Salvador. “Convinha que a surpreendente vinda de Deus aos homens fosse precedida por uma alegria especial que nos preparasse para o dom grandioso e admirável da salvação. Este é o significado da festa que hoje celebramos: hoje nasce a Virgem Maria: será amamentada e crescerá, preparando-se para ser a Mãe de Jesus, Rei imortal dos séculos.”

(Santo André de Creta, Ofício de Leitura)

 

Oração colecta: Dai, Senhor, aos vossos servos o dom da graça celeste e fazei que a festa do nascimento da bem-aventurada Virgem Maria, cuja maternidade divina foi o princípio da nossa salvação, aumente em nós a unidade e a paz. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Podemos escolher uma das duas leituras propostas para a festa que hoje celebramos.

A palavra da Escritura tirada do profeta Miqueias, convida-nos à alegria pelo dom da maternidade “daquela que há-de ser a mãe do chefe que há-de reinar sobre Israel. Ele será a Paz. ” Nessa “mãe” de que fala o profeta, a Igreja vê a futura Mãe de Jesus, o Príncipe da Paz.

 

Miqueias 5, 1-4a

Eis o que diz o Senhor: 1«De ti, Belém-Efratá, pequena entre as cidades de Judá, de ti sairá aquele que há-de reinar sobre Israel. As suas origens remontam aos tempos de outrora, aos dias mais antigos. 2Por isso Deus os abandonará até à altura em que der à luz aquela que há-de ser mãe. Então voltará para os filhos de Israel o resto dos seus irmãos. 3Ele se levantará para apascentar o seu rebanho pelo poder do Senhor, pelo nome glorioso do Senhor, seu Deus. Viver-se-á em segurança, porque ele será exaltado até aos confins da terra. 4aEle será a paz».

 

Em face da situação grave que pesava sobre o povo com as invasões assírias, no século VIII a. C., o Profeta tem palavras de esperança: após a ruína virá a restauração, que se fará por meio de um descendente de David. A profecia projecta-nos para um futuro de segurança e de paz, para os tempos messiânicos.

1 «De ti sairá aquele…» Tanto a tradição judaica como a cristã (cf. Rut 4, 11; 1 Sam 16, 1-13; 17, 12; Mt 2, 4-6; Jo 7, 42) entenderam esta profecia como referida ao lugar do nascimento de Cristo em Belém. «Beth-léhem» significa «casa do pão»; «Efratá» (fecunda) distingue-a duma outra Belém, na Galileia.

«Pequena entre as cidades…», à letra: «pequena para as que estão entre as milhares (ou famílias) de Judá». S. Mateus (Mt 2, 6) cita este texto fazendo dele uma leitura actualizada para mostrar que em Jesus se cumpre a profecia. Para isso serviu-se de dois recursos próprios da hermenêutica judaica. Por um lado, transforma a afirmação de Miqueias numa interrogação – «porventura és pequena…? –, o que lhe permite dizer que de modo nenhum é a mais pequena; por outro lado, com a técnica deráxica chamada al-tiqrey («não leias»), lê a palavra hebraica alfey («milhares») com outras vogais, a saber, al-lufey («as principais [príncipes] de»), tendo em conta que em hebraico não se escreviam as vogais, mas só as consoantes. É assim que Mateus pode dizer, não falseando o texto, mas interpretando-o: «não és de modo nenhum a menor entre as principais (cidades) de Judá».

«As suas origens remontam...» A expressão hebraica presta-se a designar uma origem anterior ao tempo, portanto, eterna e divina. Assim pensam muitos exegetas católicos, recorrendo à analogia com Is 9, 5.

2 «Aquela que há de ser mãe». Esta maneira de falar faz pensar a alguns comentadores numa alusão à célebre profecia da virgem que concebe de Isaías 7, 14, conhecida dos destinatários do oráculo, coisa aliás compreensível, uma vez que já teriam passado uns anos. Na leitura cristã deste texto é fácil de ver uma alusão à Mãe de Jesus, a razão da escolha deste texto para a Liturgia de hoje.

4 «Ele será a Paz». Em Ef 2, 14 parece haver uma citação desta passagem messiânica.

 

Em vez da leitura precedente, pode utilizar-se a seguinte:

 

Monição: S. Paulo escreveu aos cristãos de Roma: “Nós sabemos que Deus concorre em tudo para o bem daqueles que O amam, daqueles que são chamados, de acordo com o seu desígnio.” Entre aqueles que Deus Pai predestinou está a Mãe de Jesus, “o Filho do Altíssimo”, “o Primogénito de muitos irmãos.”

 

Romanos 8, 28-30

Irmãos: 28Nós sabemos que Deus concorre em tudo para o bem daqueles que O amam, dos que são chamados, segundo o seu desígnio. 29Porque os que Ele de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que Ele seja o Primogénito de muitos irmãos. 30E àqueles que predestinou, também os chamou àqueles que chamou, também os justificou e àqueles que justificou, também os glorificou.

 

Estas breves e incisivas palavras são das mais belas sínteses paulinas e estão na linha dos ensinamentos centrais de Romanos: a confiança mais absoluta em Deus, que há-de levar a cabo a obra já começada de salvar os seus fiéis. É certo que S. Paulo admite noutras passagens a possibilidade de que estes não se venham a salvar; mas, se isso vier a suceder, não pode ser por uma falha de Deus, mas apenas por uma atitude plenamente deliberada do homem resgatado. A nossa esperança é firmíssima (cf. Rom 5, 5.10), porque temos dentro de nós o próprio Espírito que vem em ajuda da nossa fraqueza, intercedendo por nós com gemidos inefáveis (cf. Rom 8, 26), e Deus Pai ouve esta intercessão, porque está plenamente conforme com Ele mesmo (v. 27). Além disso, por uma Providência amorosíssima, «Deus concorre, em tudo para o bem daqueles que O amam» (v. 28).

29-30 O desígnio salvador de Deus é aqui explicitado em cinco etapas (já explicitadas noutras passagens): Deus «conheceu-nos de antemão» (olhou-nos com amor); «predestinou-nos para sermos conformes à imagem do seu Filho» (a sermos um só com Cristo); «chamou-nos»; «justificou-nos»; «glorificou-nos». É certo que a glória ainda não nos foi dada (cf. vv. 17-18), mas já a podemos considerar adquirida (daí o emprego do aoristo proléptico), dada a nossa intima união a Cristo já glorificado.

 

Salmo Responsorial    Sl 12 (13), 6ab.6cd (R. Is 61,10)

 

Monição: No Magnificat, Nossa Senhora reconhece que tudo é graça de Deus: “O Todo-Poderoso fez em Mim maravilhas.” Nós também fomos escolhidos. Nós também somos agradecidos e cantamos:

Exulto de alegria no Senhor.

 

Refrão:     Exulto de alegria no Senhor.

 

Eu confiei na vossa bondade,

o meu coração alegra-se com a vossa salvação.

 

E cantarei ao Senhor

pelo bem que me fez.

 

 

Aclamação ao Evangelho

 

Monição: “Genealogia de Jesus Cristo, filho de David, filho de Abraão.”

As festas em honra da Virgem Maria trazem-nos sempre muita alegria.

A Virgem Santa Maria é digníssima de todos os louvores porque dela nasceu Jesus Cristo, nosso Deus.

 

Aleluia

 

Cântico: S. Marques, NRMS 73-74

 

Sois ditosa, ó Virgem Santa Maria, sois digníssima de todos os louvores,

porque de Vós nasceu o sol da justiça, Cristo, nosso Deus.

 

 

Evangelho

 

Forma longa: São Mateus 1, 1-16.18-23;            forma breve: São Mateus 1, 18-23

 [1Genealogia de Jesus Cristo, Filho de David, Filho de Abraão: 2Abraão gerou Isaac. Isaac gerou Jacob, Jacob gerou Judá e seus irmãos. 3Judá gerou, de Tamar, Farés e Zara, Farés gerou Esrom Esrom gerou 4Arão, Arão gerou Aminadab, Aminadab gerou Naasson Naasson gerou Salmon. 5Salmon gerou, de Raab, Booz Booz gerou, de Rute, Obed, Obed gerou Jessé 6Jessé gerou o rei David. David, da mulher de Urias, gerou Salomão, 7Salomão gerou Roboão, Roboão gerou Abias, Abias gerou Asa, 8Asa gerou Josafat, Josafat gerou Jorão, Jorão gerou Ozias, 9Ozias gerou Joatão, Joatão gerou Acaz, Acaz gerou Ezequias, 10Ezequias gerou Manasses, Manassés gerou Amon, Amon gerou Josias, 11Josias gerou Jeconias e seus irmãos, ao tempo do desterro de Babilónia. 12Depois do desterro de Babilónia, Jeconias gerou Salatiel, Salatiel gerou Zorobabel, 13Zorobabel gerou Abiud, Abiud gerou Eliacim, Eliacim gerou Azor, 14Azor gerou Sadoc, Sadoc gerou Aquim, Aquim gerou Eliud, 15Eliud gerou Eleazar, Eleazar gerou Matã, Matã gerou Jacob. 16Jacob gerou José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, chamado Cristo.]

18O nascimento de Jesus deu-se do seguinte modo: Maria, sua Mãe, noiva de José, antes de terem vivido em comum, encontrara-se grávida por virtude do Espírito Santo. 19Mas José, seu esposo, que era justo e não queria difamá-la, resolveu repudiá-la em segredo. 20Tinha ele assim pensado, quando lhe apareceu num sonho o Anjo do Senhor, que lhe disse: «José, filho de David, não temas receber Maria, tua esposa, pois o que nela se gerou é fruto do Espírito Santo. 21Ela dará à luz um filho e tu pôr-Lhe-ás o nome de Jesus, porque Ele salvará o povo dos seus pecados». 22Tudo isto aconteceu para se cumprir o que o Senhor anunciara por meio do profeta, que diz: 23«A Virgem conceberá e dará à luz um Filho, que será chamado ‘Emanuel’, que quer dizer ‘Deus connosco’».

 

«Genealogia de Jesus Cristo, Filho de David»: É este o cabeçalho da genealogia humana de Jesus com que se inicia o Evangelho de Mateus. Este título é para apresentar Jesus como o descendente por excelência de David, o Messias, segundo as promessas de Deus. São três grupos de 14 gerações, a partir de Abraão, o pai do povo eleito, com nomes tomados fundamentalmente de Crónicas ou Paralipómenos, até Zorobabel, ignorando-se quais as fontes para os restantes nomes, nomes que não coincidem com os de Crónicas, nem com os da tábua genealógica de Lucas. A genealogia obedece claramente a uma intencionalidade teológica. O número 14, três vezes repetido, uma cifra que não correspon­de a todos os elos que ligam Jesus a Abraão, parece querer insinuar que não estamos perante uma casualidade, à maneira duma capicua, mas perante algo preestabelecido por Deus, um desígnio misterioso de Deus, que envia o seu Filho à terra «quando chegou a plenitude dos tempos» (Gal 4, 4); de facto, o número 14 é um símbolo de plenitude, pois equivale ao número perfeito, 7, multiplicado por dois.

16 «Gerou... Foi gerado.» Esta lista tripartida evidencia que S. José não é pai de Jesus segundo a carne, pois de cada uma daquelas pessoas da lista genealógica se diz «gerou» (egénesen), mas não se diz o mesmo de José relativamente a Jesus: «Jacob gerou José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus». Este verbo, «nasceu», no original grego é uma forma passiva impessoal, «foi gerado» (egenêthe), correspondendo este passivo (passivum divinum) a uma forma corrente de se referir a Deus como sujeito duma acção, sem ter de pronunciar o seu nome inefável, dado o respeito que se Lhe deve. Sendo assim, a expressão «da qual foi gerado Jesus» é equivalente a esta: «da qual Deus gerou Jesus».

Mas pode perguntar-se: então porque se põe José na ascendência de Jesus, não sendo pai no sentido biológico (cf. v. 18)? É que é pai de Jesus «por constituição de Deus» (A. Diez Macho): «trata-se duma paternidade que afecta o nascimento, mas não a geração»; é Deus que introduz José na família de Jesus levando-o a vencer o temor reverencial de receber Maria como esposa (v. 21) e encarrega-o de pôr o nome ao Menino, o que era uma função do pai (v. 24). Estamos assim perante uma verdadeira paternidade, superior à carnal, pois é estabelecida ou constituída por Deus. S. Mateus pretende demonstrar que Jesus é o Messias e, portanto, Filho de David, embora sem documentar que descenda biologicamente dele. Isto é realçado pelo emprego duma técnica deráxica (actualização de textos bíblicos anteriores), chamada «gematriá» (jogo de números a partir das letras correspondentes): nesta lista genealógica, aparece o número 14 repetido 3 vezes, um número sublinhado no v. 17; e tanto o número 14 como o nome David se escrevem com as mesmas consoantes hebraicas (DVD = 4+6+4).

18 «Antes de terem vivido em comum»: Maria e José já tinham celebrado os esponsais (erusim), que tinham valor jurídico de um matrimónio, mas ainda não tinham feito as bodas solenes (nissuim ou liqquhim), em que o noivo trazia festivamente a noiva para sua casa, o que costumava ser cerca de um ano depois.

«Encontrava-se grávida por virtude do Espírito Santo»: isto conta-se em pormenor no Evangelho de S. Lucas (1, 26-38), lido na festa da Imaculada Conceição (ver comentário então feito). Ao dizer-se «por virtude do Espírito Santo», não se quer dizer que o Espírito Santo desempenhou o papel de pai, pois Ele é puro espírito. Também isto nada tem que ver com os relatos mitológicos dos semideuses, filhos dum deus e duma mulher. Além do mais, é evidente o carácter semítico e o substrato judaico e vétero-testamentário das narrativas da infância de Jesus em Mateus e Lucas; ora, nas línguas semíticas a palavra «espírito» (rúah) não é masculina, mas sim feminina. Isto chegava para fazer afastar toda a suspeita de dependência do relato relativamente aos mitos pagãos. Por outro lado, na Sagrada Escritura, Deus nunca intervém na geração à maneira humana, pois é espiritual e transcendente: Deus não gera, Deus cria. As narrativas de Mateus e Lucas têm tal originalidade que excluem qualquer dependência dos mitos.

19 «Mas José, seu esposo…» Partindo do facto real e indiscutível da concepção virginal de Jesus, aqui apresentamos uma das muitas explicações dadas para o que se passou, uma vez que não dispomos da crónica dos factos, pois a intenção do Evangelista era primordialmente teológica, embora sem inventar histórias; em face dos dados das suas fontes nem sequer disso precisava. Do texto parece depreender-se que Maria nada tinha revelado a José do mistério que nela se passava. José vem a saber da gravidez de Maria por si mesmo ou pelas felicitações do paraninfo (o «amigo do esposo»); e assim o que devia ser para José uma grande alegria tornou-se o mais cruel tormento. Em circunstâncias idênticas, qualquer outro homem teria actuado drasticamente, denunciando a noiva ao tribunal como adúltera. Mas José era um santo, «justo», por isso, não condenava ninguém sem ter as provas da culpa. E aqui não as tinha. A sua serenidade e rectidão levam-no a não se precipitar. Ele conhece a virtude extraordinária de Maria e sabe que ela não podia ter falhado, não admitindo sequer a mais leve suspeita acerca dela. O que José pensaria é que estava perante algo sobrenatural, divino; ouvira talvez contar em família o que se passou na visita de Maria a Isabel, se é que ele não esteve mesmo ali; poderia mesmo ter tido uma iluminação acerca da profecia de Isaías que falava duma virgem que havia de dar à luz e ela mesma impor o nome ao seu filho, onde, portanto, não parecia haver lugar para homem algum. É então que José pensa deixar Maria, para não se intrometer num mistério em que não lhe competia ter parte alguma. É assim que «resolveu repudiá-la em segredo», evitando cuidadosamente «difamá-la» (colocá-la numa situação infamante) ou simplesmente «tornar público» («deigmatísai») o mistério messiânico.

20 «Não temas receber Maria, tua esposa». O Anjo sabe que José não admite qualquer dúvida acerca da virtude de Maria, por isso, não diz: «não desconfies», mas: «não temas». José devia andar amedrontado com algo de divino e misterioso que pressentia: julga-se indigno de Maria e decide não se imiscuir num mistério que o transcende. Como explica S. Bernardo, S. José «foi tomado dum assombro sagrado perante a novidade de tão grande milagre, perante a proximidade de tão grande mistério, que a quis deixar ocultamente... José tinha-se, por indigno...».

23 «Será chamado Emanuel». No original hebraico temos o verbo no singular (forma aramaica para a 3ª pessoa do singular feminino: weqara’t referido a virgem, que é a que põe o nome = «e ela chamará»). Mateus, porém usa o plural (kai kalésousin: «e chamarão»), um plural de generalização, a fim de que o texto possa ser aplicado a S. José, para pôr em evidência a missão de S. José, como pai «legal» de Jesus (a própria profecia de Isaías 7, 14, ao dizer que seria a virgem a pôr o nome ao seu filho até se prestava a significar que este não nasceria de germe paterno!). Mateus, em face do papel providencial desempenhado por S. José, não receia adaptar o texto à realidade maravilhosa muito mais rica do que o simples anúncio profético. Contudo, esta técnica do Evangelista para «actualizar» um texto antigo (o chamado deraxe), não é arbitrária, pois baseia-se na regra hermenêutica rabínica chamada al-tiqrey (quer dizer, «não leias»), que consiste em não ler um texto consonântico com umas vogais, mas com outras (o hebraico escrevia-se sem vogais). Neste caso, trata-se de «não ler» as consoantes do verbo (wqrt) com as vogais que correspondem à forma feminina (tanto da 3ª pessoa do singular na forma aramaica, como da 2ª pessoa do singular como os LXX traduziram: weqara’t «e tu chamarás»), mas trata-se de ler com as vogais que correspondem à 2ª pessoa do singular masculino (weqara’ta «e tu chamarás» – lembrar que em hebraico há diferentes formas masculina e feminina para as 2ª e 3ª pessoas dos verbos). Como pensa Alexandre Díez Macho, «com este deraxe oculto, mas real, Mateus confirma as palavras do anjo do Senhor no v. 21: 'e (tu, José) o chamarás'».

 

Sugestões para a homilia

 

Deus cumpriu a promessa

 

“O Senhor Deus disse à serpente: Estabelecerei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a descendência dela; esta te esmagará a cabeça.” (Gen 3:14-15)

Deus prometera aos nossos primeiros pais um descendente, que havia de curar a humanidade ferida pela desobediência de Adão e Eva. Muitos séculos foram passando, mas a esperança do povo de Israel era alimentada pelos profetas que anunciavam a vinda do Messias. Todos os israelitas piedosos suspiravam pelo Desejado das nações. São Lucas recorda-nos o velho Simeão, dizendo que “o Espírito Santo lhe tinha revelado que não morreria sem que os seus olhos vissem o Messias do Senhor.” São Lucas fala também da profetiza Ana, “uma viúva de idade avançada, que suplicava com jejuns e orações a redenção de Jerusalém”. Os dois sentiram a alegria de ver e tomar nos seus braços o Deus Menino: “Os meus olhos viram a salvação que oferecestes a todos os povos!” (Luc 2, 25-38).

“Ao chegar a plenitude dos tempos, Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher! (Gl 4, 4)

Através dos profetas, Deus foi revelando o Mistério da Encarnação e preparando o povo bíblico para a chegada do Salvador: “Eis que uma virgem conceberá e dará à luz um filho chamado Emanuel.” “O chefe do povo de Israel havia de nascer em Belém de Judá”. São Mateus, citando o Antigo Testamento dá-nos esta certeza: “Tudo isto aconteceu para se cumprir o que o Senhor tinha dito pelo profeta: “Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho; e hão-de chamá-lo Emanuel, que quer dizer: Deus connosco.” Deus cumpriu a promessa! Jesus nasceu em Belém de Judá. Jesus era descendente de David. Escutámos no Evangelho: “Genealogia de Jesus Cristo, filho de David.” “Da descendência de David, como prometera, Deus fez nascer Jesus, o Salvador e Israel.” (Actos 13, 22-23) Pelo mistério da Encarnação Jesus entrou no mundo, teve uma família descendente dos antigos patriarca. Sua Mãe chama-se Maria: “Jacob gerou José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus.” Deus escolheu pessoas concretas para fazerem parte do seu projecto de salvação. No final da genealogia de Jesus, o evangelista São Mateus coloca José, esposo de Maria «da qual nasceu Jesus, chamado Cristo.»

A Virgem Maria nasceu. Olhemos para esta “Criança recém-nascida” à luz das palavras do Papa Francisco: “Escolhida para ser a Mãe do Filho de Deus, Maria foi preparada desde sempre, pelo amor do Pai, para ser Arca da Aliança entre Deus e os homens. O pensamento volta-se agora para a Mãe da Misericórdia. A doçura do seu olhar nos acompanhe neste Ano Santo, para podermos todos nós redescobrir a alegria da ternura de Deus. Guardou, no seu coração, a misericórdia divina em perfeita sintonia com o seu Filho Jesus. O seu cântico de louvor, no limiar da casa de Isabel, foi dedicado à misericórdia que se estende « de geração em geração » (Lc 1, 50).

 A Igreja canta na Oração de Laudes: “Hoje é o nascimento da gloriosa Virgem Maria descendente de Abraão da tribo de Judá da nobre família de David. Pelo teu nascimento veio a alegria a todo o mundo”. A festa da Natividade de Maria, aurora da nossa salvação, oferece-nos a oportunidade para meditarmos sobre este acontecimento à luz da fé em Deus, Pai de misericórdia, que quer salvar toda a humanidade. A importância do nascimento da Virgem Maria também se deduz pela verificação da sua presença entre aqueles que “foram chamados, predestinados, justificados e glorificados por Deu.” (Rom 8, 28-30) A Igreja canta com júbilo, celebrando o nascimento da Virgem Maria: “O vosso nascimento, ó Virgem Mãe de Deus, anunciou a alegria ao mundo inteiro: de Vós nasceu o Sol da justiça, Jesus Cristo, nosso Deus.” (Antífona do Benedictus).

 

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs, na festa do Nascimento Nossa Senhora,

façamos os nossos pedidos a Deus nosso Pai celeste,

lembrando a Santa Igreja dispersa por toda a terra.

 Rezemos: Santa Maria, rogai por nós

 

1. Para que a Igreja tenha um só coração e uma só alma

e persevere em oração com Maria, Mãe de Jesus, oremos.

 

2. Para que as mães fomentem nos seus lares

o amor e a santidade da Família de Nazaré, oremos.

 

3. Para que Deus robusteça a esperança

dos que sofrem, como a Virgem Maria, junto à cruz, oremos.

 

4. Para que todos aqueles que estão em perigo

sintam a protecção da Mãe de misericórdia, oremos.

 

5. Para que todos os discípulos de Cristo

se alegrem por ter Maria como Mãe, oremos.

 

6. Para que as religiosas e as virgens consagradas ao Senhor

exultem por terem escolhido a melhor parte, oremos.

 

7. Para que os nossos defuntos possam contemplar

Aquela que Deus coroou como Rainha do Céu, oremos.

 

 

Concedei, Senhor, ao vosso povo,

que se alegra com o nascimento

da Virgem Santa Maria,

as graças que humildemente Vos pede.

Por Jesus Cristo nosso Senhor.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Desde toda a eternidade, M. Carneiro, NRMS 18

 

Oração sobre as oblatas: Venha, Senhor, em nosso auxílio o vosso Filho feito homem: Ele, que ao nascer da Virgem Maria, não diminuiu, antes consagrou a integridade de sua Mãe, nos purifique das nossas culpas e Vos torne agradável a nossa oblação. Por Nosso Senhor.

 

Prefácio de Nossa Senhora I [na natividade]: p. 486 [644-756] ou II, p. 487

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Monição da Comunhão

 

A festa de hoje desperta em nós um grande amor à Virgem Maria e um grande desejo de vivermos mais intimamente unidos a Jesus. Saudemos Nossa Senhora: Ave Maria, filha predilecta de Deus Pai. Ave Maria, Mãe imaculada de Deus Filho. Ave Maria, Mulher escolhida desde toda a eternidade para ser a Mãe do Redentor. Rezemos com a Liturgia: «Bendita e venerável sois, ó Virgem Maria, Santa Mãe de Deus.» (Ant. 3 das Vésperas).

 

Cântico da Comunhão: Minha alma exulta de alegria, F. da Silva, NRMS 32

Is 7, 14; Mt 1, 21

Antífona da comunhão: A Virgem dará à luz um Filho, que salvará o povo dos seus pecados.

 

Cântico de acção de graças: Minha Senhora e minha Mãe, H. Faria, NRMS 33-34

 

Oração depois da comunhão: Exulte a vossa Igreja, Senhor, alimentada por estes santos mistérios, na festa do nascimento da Virgem Santa Maria, que foi para o mundo inteiro esperança e aurora da salvação. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Jesus nasceu em Belém. Onde terá nascido sua Mãe? Talvez em Jerusalém, cidade onde se encontraram as ruínas de uma basílica bizantina, edificada sobre a chamada casa de Santa Ana. Assim compreendemos melhor a liturgia que aplica à Virgem Maria esta passagem bíblica: “Estabeleci-me em Sião. Na cidade amada Ele me fez repousar e em Jerusalém está o meu poder.” (Sir 24, 10-11)

 “Cantem e exultem todas as criaturas e participem condignamente na alegria deste dia. Juntem-se nesta celebração festiva os céus e a terra, tudo o que há no mundo e acima do mundo. Porque hoje é o dia em que o Criador do universo edificou o seu templo; hoje é o dia em que a criatura prepara uma nova e digna morada para o seu Criador. (Santo André de Creta, Ofício de Leitura)

 

Cântico final: A nossa padroeira, F. da Silva, NRMS 33-34

 

 

Homilia Ferial

 

6ª Feira, 9-IX: A cura da cegueira espiritual.

1 Cor 9, 16-19 / Lc 6, 39-42

Hipócrita, tira primeiro a trave da tua vista e então verás bem para tirares o argueiro que o teu irmão tem no dele.

Esta 'cegueira espiritual' tende a descobrir demasiados defeitos nos outros e muito poucos em nós. «Procuremos sempre descobrir as virtudes e coisas boas nos outros e a ocultar os seus defeitos com os nossos grandes pecados» (Sta Teresa de Jesus).

Para 'vermos melhor' procuremos seguir o conselho do Senhor: «Tira a trave da tua vista». Isto é, preocupa-te mais em eliminar os teus defeitos e já não verás os dos outros. Ou o conselho de S. Paulo: «Fiz-me tudo para todos para ganhar alguns por todos os meios» (Leit.). Com a virtude da humildade ficamos mais preparados para perdoar, compreender e ajudar.

 

Sábado, 10-XI: Os fundamentos da vida cristã.

1 Cor 10, 14-22 / Lc 6, 43-49

Vou mostrar-vos a quem se assemelha todo aquele que vem ter comigo, ouve as minhas palavras e as põe em prática.

Se queremos construir a nossa vida sobre um fundamento sólido devemos ouvir a palavra de Deus e a pô-la em prática (Ev.). Mas isso exige que devemos estar sempre dispostos a cumprir a sua vontade: no cumprimento dos deveres de cada dia, na aceitação das contrariedades, etc.

De modo semelhante a casa edificada sobre rocha é a vida apoiada na Eucaristia. A Igreja consolida-se, apoiada na Eucaristia. É o que aponta S. Paulo: «O pão que partimos não é a comunhão do corpo de Cristo?» (Leit.).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         José Roque

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilia Ferial:                      Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


Imprimir | Voltar atrás | Página Inicial