23º Domingo Comum

4 de Setembro de 2016

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Vinde, prostremo-nos em terra, Az. Oliveira, NRMS 48

Sl 118, 137.124

Antífona de entrada: Vós sois justo, Senhor, e são rectos os vossos julgamentos. Tratai o vosso servo segundo a vossa bondade.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Endurecem as exigências de Jesus, no seu discurso da «rentrée», no começo, deste novo ano escolar, laboral e pastoral. O Mestre não ilude o futuro, não promete facilidades. As exigências podem arredar do caminho mesmo os mais entusiastas. Mas Jesus só pede na medida daquilo que Ele nos dá primeiro: o dom da própria vida, num gesto de amor. Vamos celebrar a Eucaristia, como gesto de amor e «no sacrifício de Cristo» por nós, entregarmo-nos com Ele ao Pai num amor sem fronteiras.

 

Oração colecta: Senhor nosso Deus, que nos enviastes o Salvador e nos fizestes vossos filhos adoptivos, atendei com paternal bondade as nossas súplicas e concedei que, pela nossa fé em Cristo, alcancemos a verdadeira liberdade e a herança eterna. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Os pensamentos de Deus estão acima da nossa capacidade de compreensão. Eis algumas das reflexões da sabedoria de Israel.

 

Sabedoria 9, 13-19 (gr. 13-18b)

 

13Qual o homem que pode conhecer os desígnios de Deus? Quem pode sondar as intenções do Senhor? 14Os pensamentos dos mortais são mesquinhos e inseguras as nossas reflexões, 15porque o corpo corruptível deprime a alma e a morada terrestre oprime o espírito que pensa. 16Mal podemos compreender o que está sobre a terra e com dificuldade encontramos o que temos ao alcance da mão. Quem poderá então descobrir o que há nos céus? 17Quem poderá conhecer, Senhor, os vossos desígnios, se Vós não lhe dais a sabedoria e não lhe enviais o vosso espírito santo? 18Deste modo foi corrigido o procedimento dos que estão na terra, os homens aprenderam as coisas que Vos agradam e pela sabedoria foram salvos.

 

A leitura é o final da 2ª parte do livro da Sabedoria (cap. 6 – 9), em que se põe na boca de Salomão, protótipo do homem sábio, o elogio da sabedoria, terminando com uma longa oração (todo o cap. 9), de que lemos aqui os últimos versículos. A Vulgata latina dividiu o último versículo, o 18, em dois (18 e 19).

13-16 «Qual o homem que pode conhecer…?» O homem, entregue só às forças da sua própria razão, não pode descortinar os desígnios inescrutáveis de Deus, pois o seu espírito está prisioneiro da matéria, na linguagem da antropologia filosófica grega aqui adoptada; o corpo é concebido como a morada terrestre do espírito (v. 15).

17-18 «A sabedoria, o santo espírito» é um dom divino para se poder pensar e proceder segundo o pensamento e a vontade de Deus. A história da salvação documenta o bem que é ser guiado pela sabedoria divina, a par do mal que é viver privado dela (cf. capítulos finais do livro da Sabedoria: 10 – 19).

 

Salmo Responsorial    Sl 89 (90), 3-6.12-14.17 (R. 1)

 

Monição: O salmista lembra-nos que Deus tem sido o nosso refúgio e manifesta-nos em cada dia a sua bondade.

 

Refrão:     Senhor, tendes sido o nosso refúgio

                através das gerações.

 

Vós reduzis o homem ao pó da terra

e dizeis: «Voltai, filhos de Adão».

Mil anos a vossos olhos são como o dia de ontem que passou

e como uma vigília da noite.

 

Vós os arrebatais como um sonho,

como a erva que de manhã reverdece;

de manhã floresce e viceja,

à tarde ela murcha e seca.

 

Ensinai-nos a contar os nossos dias,

para chegarmos à sabedoria do coração.

Voltai, Senhor! Até quando...

Tende piedade dos vossos servos.

 

Saciai-nos desde a manhã com a vossa bondade,

para nos alegrarmos e exultarmos todos os dias.

Desça sobre nós a graça do Senhor nosso Deus.

Confirmai, Senhor, a obra das nossas mãos.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Uma bela lição de amizade, esta de Paulo, na carta ao seu amigo.

 

Filémon 9b-10.12-17

 

Caríssimo: 9bEu, Paulo, prisioneiro por amor de Cristo Jesus, 10rogo-te por este meu filho, Onésimo, que eu gerei na prisão. 12Mando-o de volta para ti, como se fosse o meu próprio coração. 13Quisera conservá-lo junto de mim, para que me servisse, em teu lugar, enquanto estou preso por causa do Evangelho. 14Mas, sem o teu consentimento, nada quis fazer, para que a tua boa acção não parecesse forçada, mas feita de livre vontade. 15Talvez ele se tenha afastado de ti durante algum tempo, a fim de o recuperares para sempre, 16não já como escravo, mas muito melhor do que escravo: como irmão muito querido. É isto que ele é para mim e muito mais para ti, não só pela natureza, mas também aos olhos do Senhor. 17Se me consideras teu amigo, recebe-o como a mim próprio.

 

Agora, provavelmente no seu primeiro cativeiro romano (60-62), S. Paulo escreve ao seu amigo a sua mais breve carta (25 versículos), uma peça de grande valor literário e que revela a sua fina sensibilidade. A leitura respiga apenas 8 versículos dispersos.

9 «Eu Paulo…» A tradução portuguesa suprimiu o adjectivo «velho», com que Paulo se classifica. Trata-se de uma velhice relativa, pois uns 25 anos antes, quando do martírio de Estêvão, é chamado «jovem» (Act 7, 58). No 1º cativeiro romano deveria ter entre 50 e 60 anos de idade. Bento XVI, ao proclamar o ano paulino, parte da suposição de que S. Paulo nasceu no ano 7 da era cristã, o que condiz com esta idade. Dada a esperança de vida de então, uma pessoa com mais de 50 anos já se poderia considerar um ancião.

10 Onésimo, um escravo fugitivo do cristão abastado de Colossas, Filémon, a quem S. Paulo baptizou em Roma durante o cativeiro em regime de «custódia líbera», isto é, à solta, mas sempre vigiado por um soldado que se revezava trazendo o seu braço direito atado ao braço esquerdo dele. É por isso que é chamado «este meu filho que gerei na prisão». Onésimo em grego significa proveitoso, útil; S. Paulo brinca com um trocadilho (no v. 11 que não aparece na leitura): «ele outrora foi inútil para ti (porque fugitivo), mas agora é útil para ti e para mim». Toda a carta está repassada da fina sensibilidade do coração de Paulo, e onde não falta até o bom humor.

17-17 «A fim de o recuperares para sempre, não já como escravo, mas... como irmão muito querido». S. Paulo envia a Filémon o escravo fugitivo, tornado agora um irmão, não só pela sua condição de homem - pela natureza - mas também pelo Baptismo - aos olhos do Senhor. Não é para ninguém estranhar que S. Paulo tenha transigido com a estrutura social da escravatura, remetendo um escravo fugitivo ao seu dono, embora com um cartão de recomendação. Abolir de chofre esta instituição social era impossível; por outro lado, o objectivo da missão apostólica não era a revolução social, mas pôr no coração de todos os homens a doutrina e o amor de Cristo, que, quando vividos, são o fermento de renovação da própria sociedade e das suas estruturas.

 

Aclamação ao Evangelho        Sl 118 (119), 135

 

Monição: O Evangelho traz-nos um programa de vida exigente, as condições claras para seguir Jesus.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação – 3,F. da Silva, NRMS 50-51

 

Fazei brilhar sobre mim, Senhor, a luz do vosso rosto

e ensinai-me os vossos mandamentos.

 

 

Evangelho

 

São Lucas 14, 25-33

 

Naquele tempo, 25seguia Jesus uma grande multidão. Jesus voltou-Se e disse-lhes: 26«Se alguém vem ter comigo, sem Me preferir ao pai, à mãe, à esposa, aos filhos, aos irmãos, às irmãs e até à própria vida, não pode ser meu discípulo. 27Quem não toma a sua cruz para Me seguir, não pode ser meu discípulo. 28Quem de vós, que, desejando construir uma torre, não se senta primeiro a calcular a despesa, para ver se tem com que terminá-la? 29Não suceda que, depois de assentar os alicerces, se mostre incapaz de a concluir e todos os que olharem comecem a fazer troça, dizendo: 30‘Esse homem começou a edificar, mas não foi capaz de concluir’. 31E qual é o rei que parte para a guerra contra outro rei e não se senta primeiro a considerar se é capaz de se opor, com dez mil soldados, àquele que vem contra ele com vinte mil? 32Aliás, enquanto o outro ainda está longe, manda-lhe uma delegação a pedir as condições de paz. 33Assim, quem de entre vós não renunciar a todos os seus bens, não pode ser meu discípulo».

 

S. Lucas apresenta «uma grande multidão» da Palestina a seguir Jesus, mas quer que, com as palavras de Jesus, fique bem claro para os seus leitores que há exigências para todos os que O hão-de seguir «até aos confins do mundo» (cf. Act 1, 8). É que não se trata apenas de se sentir atraído por uma doutrina superior, mas de seguir Jesus com todas as renúncias que isso implica: «Não pode ser meu discípulo…», insiste por três vezes (vv. 26.27.33). As exigências de Jesus são-nos aqui propostas sem rodeios e em toda a sua crueza e vigor. S. Lucas é o evangelista que mais acentua não só a bondade de Cristo, mas também as suas exigências.

26 «Sem me preferir ao pai...» Esta tradução pretende evitar o chocante idiotismo hebraico, «odiar o pai…», que, mais do que uma força da expressão, é uma forma expressiva, muito ao estilo de Jesus, para chamar a atenção para algo muito importante, de modo a que o ensino fique bem gravado para sempre na memória dos ouvintes. É que seguir a Jesus como seu discípulo não admite meias tintas, concessões ou contemporizações de qualquer espécie: Jesus exige um amor acima de tudo, que só Deus pode exigir, situando-se assim no mesmo plano de Deus, deixando ver a sua divindade. Sendo assim, «odiar…» poderia traduzir-se por «estar disposto a renunciar ao amor de…»; Jesus não revoga o 4º mandamento da Lei de Deus, mas situa-o na justa escala de valores, como se lê em Mt 10, 37: «quem ama o pai ou a mãe mais do que a Mim não é digno de Mim». Numa palavra, para seguir a Jesus é preciso estar disposto a sacrificar os afectos humanos mais nobres.

28-32 Estas duas parábolas – a do homem que constrói uma torre e a do rei que vai para a guerra – exclusivas de S. Lucas, demonstram graficamente que seguir a Jesus sem abraçar a sua cruz é afadigar-se a trabalhar para um saco roto: é deitar a perder tudo o que uma pessoa se propôs com o seguimento de Cristo.

33 «Renunciar a todos os seus bens». A radicalidade do seguimento de Cristo tem consequências também no que diz respeito aos bens deste mundo, exige o desprendimento deles, embora não necessariamente o prescindir deles; mas os bens não passam de simples meios para chegar a Deus. Seguir a Jesus é dizer não à mediocridade, a aurea mediocritas dos romanos, exaltada pelo poeta Horácio.

 

Sugestões para a homilia

 

1. Estás preparado?

2. Bagagem de viagem

3. Precisamos da Sabedoria.

 

1. Estás preparado?

 

Jesus não é demagogo. Não está interessado em que vá muita gente atrás d'Ele: só quer discípulos. E a estes manda-os pensar duas vezes antes de se porem a segui-Lo, para não virem a ficar a meio do caminho ou terem de voltar para trás.

“Qual o homem que conhece os desígnios de Deus? E quem pode imaginar o que o Senhor quer? Os pensamentos dos mortais são inseguros, e os nossos conceitos são frágeis”, diz o livro da Sabedoria (1ª leitura). E para sermos discípulos de Cristo, precisamos de conhecer o mais possível o projeto de Deus para a nossa vida, e de nos conhecermos a nós próprios a ver se temos capacidade de aderir a ele como Cristo. Por isso o Evangelho de hoje é um aviso sério aos que dizem cristãos só porque foram batizados, aos que se dizem católicos só porque frequentam a Igreja Católica; e um desafio aos que, num momento de maior entusiasmo e fervor, resolvem ser cristãos a sério e sair da vulgaridade. O aviso e o desafio é este: Conheces bem as tuas forças? Achas que estás preparado para esta empresa? Qual é a tua fé? E a tua formação religiosa? E a tua força de vontade? O emprego, a família, os colegas, os teus interesses, compromissos e vícios não te virão a criar dificuldades? Já cortaste com isso para te sentires mais livre e mais capaz de colaborar com a graça de Deus?

Para que isto não nos pareça uma coisa exorbitante, ou as exigências da religião diferentes das de outros sectores da nossa vida, Cristo serve-se de dois termos de comparação muito correntes: um homem, que pretende construir uma casa, primeiro senta-se e faz as contas para ver se tem com que terminá-la; um general, que pretende declarar guerra, antes faz os planos e mede as forças do seu exército para ver se tem possibilidades de derrotar o seu inimigo. E aqui podemos descer de novo ao nosso caso concreto: quantos de nós temos bagagem suficiente para iniciar e levar até ao fim esta empresa de sermos cristãos a sério e darmos um espírito e um ritmo cristão à sociedade e ao Mundo em que vivemos?

 

 

2. Bagagem de viagem

 

Vejamos, antes de mais, a bagagem que é necessária, para cada um fazer um exame a si próprio.

a) Na base, precisamos de ter feito uma opção por Cristo como nosso modelo, e por Ele estarmos dispostos a trocar tudo: pai, mãe, esposa, filhos, irmãos, irmãs, a própria vida. Talvez a maioria de nós ainda não tenha feito esta escolha radical, absoluta de Cristo. Enquanto as nossas relações com Ele não forem de amor e apenas de amizade, não serão suficientes para nos mantermos fiéis ao nosso Batismo nem para dar a própria vida.

b) Precisamos de aceitar o Evangelho como critério prático de vida: façamos o que fizermos, estejamos onde estivermos, mesmo adotando o ideário dum partido político concreto. E muitos de nós, talvez nem a letra do Evangelho conheçamos, quanto mais o seu espírito e as implicações práticas que ele supõe em cada momento.

c) Depois, precisamos de iluminar com o Evangelho os problemas que vão surgindo. Para isso, é preciso conhecer a doutrina da Igreja e especialmente os documentos sociais, onde nos aparecem critérios de atuação cristã na vida da sociedade a que pertencemos.

d) Finalmente, é preciso ter uma capacidade de sacrifício e de cruz. “Quem não carrega com a própria cruz para Me seguir, não pode ser Meu discípulo” (Evangelho). Cruz que em muitos casos pode ser a perseguição, a prisão, as torturas, o exílio e a morte. Cruz como a de S. Paulo que, após ter sofrido toda a espécie de perseguições e de torturas, aparece hoje como “prisioneiro por amor de Cristo Jesus” mas a interceder por um escravo (2ª leitura) e mais tarde será martirizado por se manter fiel a Cristo e à causa do Evangelho.

 

 

3. Precisamos da Sabedoria

 

Para este exame e levantamento interior da nossa vida cristã, precisamos do Espírito de Deus. Isso mesmo sentiu Salomão, quando resolveu empreender a construção do Templo de Jerusalém: “Quem conheceu, Senhor, os Vossos desígnios sem que Vós lhe tivésseis dado a Sabedoria, sem que, do alto, lhe tivésseis enviado o Vosso Santo Espírito! Assim se endireitaram os caminhos dos habitantes da terra, e os homens foram instruídos no que é do Vosso agrado” (1ª leitura). Com a luz do Espírito Santo veremos os nossos caminhos; com a Sua graça, fá-los-emos coincidir com o caminho dos discípulos de Cristo, que é o próprio Cristo. E, ao fazê-lo, entenderemos melhor a exigência deste Evangelho, que a princípio nos parece de uma extrema dureza. É que a opção por Jesus Cristo de tal modo enche e realiza uma vida, que qualquer outro valor nos parecerá supérfluo ou impeditivo. Neste aspeto, o Evangelho de hoje é paralelo ao do Domingo passado: ali, Cristo não nos impedia de convidar os amigos, irmãos, parentes ou vizinhos ricos, mas propunha-nos encarar todas as pessoas como da nossa família; hoje não nos diz que o amor dos pais, da esposa, dos filhos, dos irmãos ou da própria vida não seja um bem estimável, mas diz-nos que ser Seu discípulo é um bem maior ao qual os outros devem ser subordinados e sacrificados, quando necessário. Estamos dispostos a isso?

 

Fala o Santo Padre

 

«O cristão desapega-se de tudo e encontra tudo na lógica do Evangelho, a lógica do amor e do serviço.»

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

No evangelho de hoje Jesus insiste sobre as condições para ser seus discípulos: nada antepor ao amor por Ele, carregar a própria cruz e segui-lo. De facto, muitas pessoas aproximam-se de Jesus, queriam fazer parte dos seus seguidores; e isto acontecia sobretudo depois de alguns sinais prodigiosos, que o acreditavam como o Messias, o Rei de Israel. Mas Jesus não quer iludir ninguém. Ele bem sabe o que o espera em Jerusalém, qual é o caminho que o Pai lhe pede que percorra: é o caminho da cruz, do sacrifício de si mesmo pelo perdão dos nossos pecados. Seguir Jesus não significa participar num cortejo triunfal! Significa partilhar o seu amor misericordioso, entrar na sua grande obra de misericórdia para cada homem e para todos os homens. A obra de Jesus é precisamente uma obra de misericórdia, de perdão, de amor! Como Jesus é misericordioso! E este perdão universal, esta misericórdia, passa através da cruz. Mas Jesus não quer cumprir esta obra sozinho: quer envolver também a nós na missão que o Pai lhe confiou. Depois da ressurreição dirá aos seus discípulos: «Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós... Àqueles que perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados» (Jo 20, 21.22). O discípulo de Jesus renuncia a todos os bens porque encontrou n’Ele o Bem maior, no qual qualquer outro bem recebe o seu pleno valor e significado: os vínculos familiares, as outras relações, o trabalho, os bens culturais e económicos e assim por diante... O cristão desapega-se de tudo e encontra tudo na lógica do Evangelho, a lógica do amor e do serviço.

Para explicar esta exigência, Jesus usa duas parábolas: a da torre para construir e a do rei que vai para a guerra. Esta segunda parábola diz assim: «Qual é o rei que parte para a guerra contra outro rei, e não se senta primeiro examinando se lhe é possível com dez mil homens opor-se àquele que vem contra ele com vinte mil? Se não pode, estando o outro ainda longe, manda-lhe embaixadores a pedir a paz» (Lc 14, 31-32). Aqui Jesus não quer enfrentar o tema da guerra, é só uma parábola. Mas, neste momento no qual estamos a rezar insistentemente pela paz, esta Palavra do Senhor diz-nos respeito, e na realidade diz-nos: há uma guerra mais profunda que devemos combater, todos! É a decisão forte e corajosa de renunciar ao mal e às suas seduções e de escolher o bem, prontos a pagar em primeira pessoa: eis o seguir Cristo, o carregar a própria cruz! Esta guerra profunda contra o mal! Para que serve fazer guerras, tantas guerras, se não se é capaz de fazer esta guerra profunda contra o mal? De nada serve! Não pode ser... Isto comporta, aliás, esta guerra contra o mal comporta dizer não ao ódio fratricida e às mentiras de que se serve; dizer não à violência em todas as suas formas; dizer não à proliferação das armas e ao seu comércio ilegal. Há tanto! Há tanto! E permanece sempre a dúvida: esta guerra, e a outra – porque há guerras em toda a parte – é deveras uma guerra devido a problemas ou é uma guerra comercial para vender estas armas no comércio ilegal? São estes os inimigos que devem ser combatidos, unidos e com coerência, sem seguir outros interesses a não ser os da paz e do bem comum. […]

  Papa Francisco, Angelus, Praça de São Pedro, 8 de Setembro de 2013

 

Oração Universal

 

Ao Senhor, nosso Deus e nosso refúgio, confiemos as preces do seu Povo reunido em oração

 

R. Ouvi-nos, Pai de misericórdia!

 

1. Pela Igreja: para que o Senhor abra o coração de cada um dos seus membros à escuta e à vivência dos apelos do Evangelho. Oremos, irmãos.

 

2. Pelos que governam as nações: para que, cheios da sabedoria do coração, estejam atentos às reais necessidades do seu povo e encontrem para elas resposta justa e adequada. Oremos, irmãos.

 

3. Pelos injustiçados e marginais: para que sejam amparados por uma amizade que dignifica e encontrem em nós rostos de acolhimento e de ternura. Oremos, irmãos.

 

4. Por todas as escolas: para que, através dos seus educadores, saibam acolher, com hospitalidade, os seus alunos, de modo a que estes aí encontrem o seu próprio lugar de crescimento integral. Oremos, irmãos.

 

5. Pela nossa comunidade paroquial: para que nela se intensifique a celebração permanente da presença de Cristo e a irradiação constante do Evangelho, renovando-se pelo apelo e a prática da evangelização. Oremos, irmãos.

 

P- Saciai-nos depressa com a vossa misericórdia, Senhor,

e desça sobre nós a vossa bondade

para que seja abençoado o trabalho das nossas mãos.

Por Cristo, nosso Senhor.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: O pão e o vinho que vos trazemos, B. Salgado, NRMS 12 (I)

 

Oração sobre as oblatas: Senhor nosso Deus, fonte da verdadeira devoção e da paz, fazei que esta oblação Vos glorifique dignamente e que a nossa participação nos sagrados mistérios reforce os laços da nossa unidade. Por Nosso Senhor...

 

Santo: F. dos Santos, NCT 201

 

Monição da Comunhão

 

O amor é o valor fundamental, para todos os que aceitam a dinâmica do “Reino” e querem ser discípulos de Jesus. Participando na comunhão, em verdade e em graça, tornamo-nos já participantes desse Reino de paz, justiça e alegria.

 

Cântico da Comunhão: Se vos amardes uns aos outros, F. da Silva, NRMS 22

Sl 41, 2-3

Antífona da comunhão: Como suspira o veado pela corrente das águas, assim minha alma suspira por Vós, Senhor. A minha alma tem sede do Deus vivo.

Ou:    Jo 8, 12

Eu sou a luz do mundo, diz o Senhor; quem Me segue não anda nas trevas, mas terá a luz da vida.

 

Cântico de acção de graças: Quanta alegria é para mim, H. Faria, NRMS 18

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que nos alimentais e fortaleceis à mesa da palavra e do pão da vida, fazei que recebamos de tal modo estes dons do Vosso Filho que mereçamos participar da sua vida imortal. Por Nosso Senhor...

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Para não cair num erro de cálculo, em que, regra geral, subtraímos Deus às nossas contas, medidas e planos, invoquemos, neste início de ano pastoral, escolar e laboral, a Sabedoria, que é dom do Espírito Santo. Ela afinará os nossos critérios pelos desígnios de Deus, de modo que sejamos instruídos no que realmente é do agrado do Senhor (cf. Sab 9, 19).

 

Cântico final: Queremos ser construtores, Az. Oliveira, NRMS 35

 

 

Homilias Feriais

 

23ª SEMANA

 

2ª Feira, 5-IX: Um novo esforço.

1 Cor 5, 1-8 / Lc 6, 6-11

Então, olhou-os a todos em redor e disse ao homem: Estende a mão. Ele assim fez, e a mão ficou-lhe curada.

Quando temos dificuldades em eliminar os nossos defeitos, quando nos aparecem obstáculos difíceis de ultrapassar, o Senhor pede-nos igualmente que façamos o esforço de 'estender a mão' (Ev.), isto é, que nos esforcemos um pouco mais e que tenhamos muita confiança nEle, pois para Deus nada é impossível.

A fé cristã conduzirá a uma reforma da própria vida, a um novo modo de ser e actuar: «Celebremos a festa, não com fermento velho, nem com o fermento da malícia e perversidade, mas com os pães ázimos da pureza e da verdade.

 

3ª Feira, 6-IX: As transformações espirituais.

1 Cor 6, 1-11 / Lc 6, 12-19

Mas fostes purificados, fostes santificados, fostes justificados pelo nome do Senhor Jesus Cristo e pelo Espírito do nosso Deus.

Muitos cristãos de Corinto tinham uma vida moralmente má, mas que se foi transformando graças à acção do Espírito Santo (Leit.). «Curando as nossas feridas do pecado, o Espírito Santo renova-nos interiormente por uma transformação espiritual, ilumina-nos e fortalece-nos para vivermos como filhos da luz, em toda a espécie de bondade, justiça e verdade» (CIC, 1695).

Também Jesus escolhe doze do grupo dos discípulos para o seguirem, curando todos os que lhe foram apresentados (Ev.), e levando a cabo muitas transformações espirituais.

 

4ª Feira, 7-IX: Felicidade fugaz e felicidade eterna.

1 Cor 7, 25-31 / Lc 6, 20-26

Felizes de vós, os pobres; os que estais agora cheios de fome; os que agora chorais.

Ao falar das bem-aventuranças (Ev.), Jesus ensina-nos que uma pessoa pode viver no meio da pobreza, da dor, do abandono e, ao mesmo tempo, ser feliz já aqui na terra e, depois, na vida eterna.

S. Paulo recorda-nos que o «cenário deste mundo é passageiro» (Leit.), isto é, a felicidade aqui na terra é sempre fugaz, não dura sempre. O importante é conseguir a felicidade eterna, através dos acontecimentos aqui da terra, aprendendo a ser felizes com as coisas que denominamos 'más'. Por exemplo, a paixão de Cristo salvou-nos a todos.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Nuno Westwood

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


Imprimir | Voltar atrás | Página Inicial