22º Domingo Comum

28 de Agosto de 2016

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Aproximai- vos do Senhor, F. da Silva, NCT 375

Sl 85, 3.5

Antífona de entrada: Tende compaixão de mim, Senhor, que a Vós clamo o dia inteiro. Vós, Senhor, sois bom e indulgente, cheio de misericórdia para aqueles que Vos invocam.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Quando visitamos uma terra com história, deparamos com edifícios que resistiram ao passar dos anos e nos deliciam com as suas formas artísticas.

Esta realidade contrasta com tantos edifícios que não resistem à erosão das chuvas e dos ventos e caem por terra, em derrocada.

No segredo da história destes edifícios está, entre outros elementos, a qualidade de um bom ou mau alicerce.

Quando pretendemos construir, de mãos dadas com Deus, uma vida cheia de santidade, de alegria e de graça, temos de cuidar bem os alicerces em que ela se fundamenta.

Para uma vida na terra agradável a Deus, de santidade, o bom alicerce indispensável é a virtude da humildade.

Dela nos fala a Liturgia da Palavra deste 22.º Domingo do tempo Comum.

 

Acto penitencial

 

Descobrimos no dia a dia muitos pensamentos, palavras e obras que nascem da soberba e do orgulho que trazemos dentro de nós.

Reconheçamo-lo com verdade e humildade e peçamos ao Senhor perdão de todas as ofensas, enquanto Lhe prometemos emenda de vida, contando com a Sua ajuda indispensável.

 

(Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, elementos para o esquema C)

 

•   Senhor Jesus: Andamos tristes e sofremos com o que dizem de nós,

    porque nos preocupamos demasiado com o que as pessoas dizem.

    Senhor, tende piedade de nós!

 

    Senhor, tende piedade de nós!

 

•   Cristo: Perdemos, às vezes, a liberdade interior de pensar e de agir,

    quando nos deixamos impressionar pelo que dirão de nós os outros.

    Cristo, tende piedade de nós!

 

    Cristo, tende piedade de nós!

 

•   Senhor Jesus: Os nossos amuos, silêncios e sofrimentos interiores

    nascem de que não nos dão a importância que julgamos merecer.

    Senhor, tende piedade de nós!

 

    Senhor, tende piedade de nós!

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração colecta: Deus do universo, de quem procede todo o dom perfeito, infundi em nossos corações o amor do vosso nome e, estreitando a nossa união conVosco, dai vida ao que em nós é bom e protegei com solicitude esta vida nova. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Ben Sirac, divinamente inspirado – um sábio do século II antes de Cristo – aconselha-nos a humildade como caminho para ser agradável a Deus e aos homens, para ter êxito e ser feliz.

É a repetição da mensagem fundamental que a Palavra de Deus hoje nos apresenta e convida a seguir.

 

Ben-Sirá  3, 19-21.30-31 (gr.17-18.20.28-29)

 

19Filho, em todas as tuas obras procede com humildade e serás mais estimado do que o homem generoso. 20Quanto mais importante fores, mais deves humilhar-te e encontrarás graça diante do Senhor. 21Porque é grande o poder do Senhor e os humildes cantam a sua glória. 30A desgraça do soberbo não tem cura, porque a árvore da maldade criou nele raízes. 31O coração do sábio compreende as máximas do sábio e o ouvido atento alegra-se com a sabedoria.

 

A leitura contém versículos respigados do capítulo 3 do Sirácida, ou Eclesiástico (na designação cristã), que são uma apologia da virtude da humildade. O texto litúrgico passa à frente aquelas passagens que poderiam ser hoje mal entendidos, como o desejo de querer sempre saber mais, que é apresentado isto como um «perigo», e mesmo aquele célebre adágio: «quem amam o perigo nele perecerá» (v. 25).

 

Salmo Responsorial    Sl 67 (68), 4-7ab.10-11 (R. cf. 11b)

 

Monição: A humildade e simplicidade do coração é uma virtude humana e sobrenatural e também uma bem-aventurança que nos torna agradáveis aos homens e a Deus e nos prepara para entrar no Reino dos Céus.

 Cantemos a bondade do Senhor, que nos chama, pelos caminhos da humildade e da simplicidade, a conquistar uma felicidade eternal no Paraíso.

 

Refrão:     Na vossa bondade, Senhor,

                preparastes uma casa para o pobre.

 

Os justos alegram-se na presença de Deus,

exultam e transbordam de alegria.

Cantai a Deus, entoai um cântico ao seu nome;

o seu nome é Senhor: exultai na sua presença.

 

Pai dos órfãos e defensor das viúvas,

é Deus na sua morada santa.

Aos abandonados Deus prepara uma casa,

conduz os cativos à liberdade.

 

Derramastes, ó Deus, uma chuva de bênçãos,

restaurastes a vossa herança enfraquecida.

A vossa grei estabeleceu-se numa terra

que a vossa bondade, ó Deus, preparara ao oprimido.

 

Segunda Leitura

 

Monição: O autor da Carta aos hebreus convida os crentes instalados numa fé cómoda e sem grandes exigências, a redescobrir a novidade e a exigência do cristianismo. O encontro com Deus é uma experiência de comunhão, de proximidade, de amor, de intimidade, que dá sentido à caminhada do cristão.

A humildade, a gratuidade, o amor desinteressado – através do tema da exigência: a vida cristã – essa vida que brota do encontro com o amor de Deus – é uma vida que exige de nós determinados valores e atitudes, entre os quais avultam a humildade, a simplicidade, o amor que se faz dom.

 

Hebreus 12, 18-19.22-24a

 

Irmãos: 18Vós não vos aproximastes de uma realidade sensível, como os israelitas no monte Sinai: o fogo ardente, a nuvem escura, as trevas densas ou a tempestade, 19o som da trombeta e aquela voz tão retumbante que os ouvintes suplicaram que não lhes falasse mais. 22Vós aproximastes-vos do monte Sião, da cidade do Deus vivo, a Jerusalém celeste, de muitos milhares de Anjos em reunião festiva, 23de uma assembleia de primogénitos inscritos no Céu, de Deus, juiz do universo, dos espíritos dos justos que atingiram a perfeição 24ae de Jesus, mediador da nova aliança.

 

Nesta impressionante passagem da epístola, o hagiógrafo põe em vivo contraste a Antiga e a Nova Aliança, simbolizada nos dois montes em que foram seladas: «o Monte Sinai» e o «Monte Sião»; este era o monte onde assentava o templo de Jerusalém, monte que se tornou o símbolo do novo e definitivo lugar de encontro com Deus, ao mesmo tempo firme e glorioso: a «Jerusalém celeste», que é a Igreja (cf. Gal 4, 25-26; Apoc 21, 2), a qual aqui engloba tanto os que já triunfam no Céu, como os que ainda militam na terra, considerados como um todo, por assim dizer. A Antiga Aliança é marcada pelo temor e pela majestade esmagadora de Deus (vv. 18-19); a Nova Aliança pela proximidade de Deus e intimidade com Ele, com os «Anjos» (v. 22), com os Santos do Céu («os justos que atingiram a perfeição» - v. 23) e sobretudo com o próprio «Jesus, mediador da Nova Aliança», juntamente com os restantes cristãos que ainda militam na terra, provavelmente aqui designados por «uma assembleia de primogénitos inscritos no Céu» (v. 23). Assim poderia traduzir-se à letra, «uma Igreja - ekklesía - de primogénitos»; a designação de «primogénitos» correspondia à situação privilegiada dos cristãos, pois então os primogénitos gozavam de direitos especiais, sobretudo relativamente à herança.

 

Aclamação ao Evangelho        Mt 11, 29ab

 

Monição: Jesus fala-nos do “banquete do Reino”. A todos os que quiserem participar desse “banquete”, Ele recomenda a humildade; ao mesmo tempo, denuncia a atitude daqueles que conduzem as suas vidas numa lógica de ambição, de luta pelo poder e pelo reconhecimento, de superioridade em relação aos outros...

Todos somos convidados para este Banquete. Alegremo-nos e aclamemos O Evangelho que nos anuncia esta felicidade.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação – 4,F. Silva, NRMS 50-51

 

Tomai o meu jugo sobre vós, diz o Senhor,

e aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração.

 

 

Evangelho

 

São Lucas 14, 1.7-14

 

Naquele tempo, 1Jesus entrou, a um sábado, em casa de um dos principais fariseus para tomar uma refeição. 7Todos O observavam. Ao notar como os convidados escolhiam os primeiros lugares, Jesus disse-lhes esta parábola: 8«Quando fores convidado para um banquete nupcial, não tomes o primeiro lugar. Pode acontecer que tenha sido convidado alguém mais importante do que tu; 9então, aquele que vos convidou a ambos, terá que te dizer: ‘Dá o lugar a este’; e ficarás depois envergonhado, se tiveres de ocupar o último lugar. 10Por isso, quando fores convidado, vai sentar-te no último lugar; e quando vier aquele que te convidou, dirá: ‘Amigo, sobe mais para cima’; ficarás então honrado aos olhos dos outros convidados. 11Quem se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado». 12Jesus disse ainda a quem O tinha convidado: «Quando ofereceres um almoço ou um jantar, não convides os teus amigos nem os teus irmãos, nem os teus parentes nem os teus vizinhos ricos, não seja que eles por sua vez te convidem e assim serás retribuído. 13Mas quando ofereceres um banquete, convida os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos; 14e serás feliz por eles não terem com que retribuir-te: ser-te-á retribuído na ressurreição dos justos.

 

Com esta parábola, contada por ocasião duma refeição, Jesus não se limita a encarecer simplesmente uma atitude a ter no momento de escolher o lugar à mesa de um banquete, mas, acima de tudo, o que pretende com este exemplo é dar uma lição de humildade, válida para sempre, pois «quem se humilha será exaltado» (v. 11), entenda-se, por Deus, de acordo com o costume judaico seguido por Jesus, que evitava deliberadamente pronunciar o nome de Deus, recorrendo a uma forma passiva impessoal, que os gramáticos chamam o passivum divinum.

10 «Aquele que te convidou dirá». Tradução muito livre do original, com o fim de tornar menos chocante a leitura: «para que te diga». De facto, se o convidado escolhesse o último lugar com a secreta intenção de vir a ser «honrado aos olhos dos outros convidados», não estaria a viver a humildade, mas sim um refinado orgulho. Ora sucede que aqui a intenção expressa no texto não é a do convidado, mas sim a de Jesus que dá o conselho. Sendo assim, a tradução litúrgica facilita uma correcta interpretação. Um belo comentário a este ensinamento de Jesus podem ser as palavras da Imitação de Cristo: «Deseja que não te conheçam e te reputem por nada... Não perdes nada, se te consideras inferior a todos, mas prejudicas-te muito se te considerares superior a um só que seja» (I, 2.7).

12-14 Jesus não quer dizer que se podem convidar só aqueles que não nos possam retribuir. Esta maneira taxativa de falar, tão característica de Jesus, à maneira semítica, visa produzir impacto e chamar a atenção; o Senhor quer ensinar-nos que não devemos andar atrás de compensações humanas, mas daquilo que merece a aprovação e recompensa de Deus no Céu, aqui designado por «ressurreição dos justos» (que os maus também ressuscitam consta doutras passagens, como Jo 5, 29; Act 24, 15…).

 

Sugestões para a homilia

 

• O tesouro da humildade

A verdadeira humildade

Todos somos iguais

A soberba, mãe da desgraça

• Jesus, Mestre da humildade

O olhar humilde de Jesus

Escolher o último lugar

Actuar com o olhar em Deus

 

 

1. O tesouro da humildade

 

a) A verdadeira humildade. «Filho, em todas as tuas obras procede com humildade e serás mais estimado do que o homem generoso

Não gostamos de ouvir falar de humildade, porque temos dentro de nós uma falsa imagem desta virtude.

Para uma pessoa do século XXI, falar de humildade parece fora de moda, quando se louvam aquelas que são interventivas, ciosas dos seus direitos – não tanto dos seus deveres – e gostam de se apresentar com dignidade.

Imaginamos uma pessoa humilde como acanhada, encolhida, triste, apoucada, à margem da vida, inconsciente dos seus direitos que nunca defende nem reivindica e sem iniciativa em favor dos outros. Para alguns, a pessoa humilde é quase um débil mental.

Mas a imagem da humildade que muitas vezes têm as pessoas não é a humildade de que nos fala o Evangelho.

A humildade é a verdade: acerca de Deus, dos nossos irmãos e de nós mesmos e a aceitação desta verdade. O demónio sabe que é uma criatura de Deus, mas não aceitou esta verdade e tentou ocupar o lugar do Criador. Ele é o “pai da mentira”, a soberba personificada.

S. Paulo considera-se “como um ser abortivo” diante de Deus, mas defende-se contra as mentiras com que o difamam e faz valer, várias vezes, os seus direitos de cidadão romano.

Maria proclama-se “a escrava do Senhor”, mas tem perfeita consciência de que o Senhor fez n’Ela grandes coisas.

A humildade é uma virtude difícil, árdua, e que nunca está conseguida enquanto não terminar a prova desta vida na terra.

Em geral, temos uma imagem de nós mesmos exagerada. Alguém escreveu que o melhor negócio do mundo seria comprar as pessoas pelo que valem na realidade; e vendê-las pelo que julgam valer. É claro que não nos referimos ao valor que Deus nos atribui. Valemos todo o Sangue de Cristo.

 

b) Todos somos iguais. «Quanto mais importante fores, mais deves humilhar-te e encontrarás graça diante do Senhor. Porque é grande o poder do Senhor e os humildes cantam a sua glória

O texto sagrado refere-se à importância que nos pode dar aos olhos dos outros o cargo que ocupamos, a fortuna de que dispomos, ou a inteligência e conhecimentos que nos foram dados.

Participamos da mesma vida divina que nos torna filhos de Deus e herdeiros do Céu; da mesma luz da fé; vamos a caminho da mesma felicidade eterna no Paraíso. Para quê julgarmo-nos superiores? A única coisa que podemos fazer, é pedir perdão de administrarmos tão mal os talentos recebidos.

Não há, no mundo, pessoas superiores às outras. Somos todos fundamentalmente iguais: com os mesmos direitos e deveres, a mesma liberdade e responsabilidade.

No desempenho da nossa missão neste mundo parecemo-nos com os que representam uma peça teatral. Uns aparecem vestidos de reis, outros de soldados, donas de casa, empregados, e com outras funções. Mas quando acaba a representação teatral e despem das vestes, aparecem todos vestidos de cidadão vulgar aos olhos das pessoas.

O livro “O triunfo dos porcos”, eles, depois de terem “democratizado” a quinta, começam a afixar cartazes que pretendem instaurar a nova ordem. Num deles escrevem: “Todos os animais são iguais”. Mas um anónimo escreveu por baixo: “Mas alguns são mais iguais do que os outros.”

Não há na terra super-homens. O dinheiro e os cargos não aumentam o nosso valor diante de Deus: Somos administradores, e um dia prestaremos contas da nossa administração.

No entanto, temos falsos complexos de superioridade. Somos tentados a julgarmo-nos superiores aos outros em algum aspecto – no dinheiro, no vestir, no saber, no carro de alta gama – , e pensamos sempre que poderíamos fazer melhor do que eles fazem.

A contradizer esta igualdade fundamental, somos exigentes para os outros e condescendentes para connosco.

Exigimos trato e atenções especiais e melindramo-nos com a maior facilidade. Aos nossos ouvidos soa a palavra da Sagrada Escritura: “Que tens tu que não hajas recebido?”

Tratemo-nos como iguais que somos, respeitemo-nos e ajudemo-nos mutuamente nesta aventura da terra ao Céu.

 

c) A soberba, mãe da desgraça. «A desgraça do soberbo não tem cura, porque a árvore da maldade criou nele raízes

A soberba é um inimigo silencioso até nos roubar a alegria de viver e contra o qual é preciso estar atento.

O pecado dos anjos foi uma rebelião de soberba. Soberba foi também o pecado dos nossos primeiros pais. A sugestão do demónio a Adão e Eva não deixa lugar para dúvidas: “Sereis como deuses!”

É a soberba que torna as pessoas desgraçadas, infelizes, e esteriliza as suas vidas.

• Opõe-se à comunhão a que somos chamados uns com os outros e todos com Deus, porque fomenta a divisão entre as pessoas. Cada uma delas convence-se de que é um deus e de que os outros atentam contras as honras e veneração que lhe são devidas.

• A soberba fecha as pessoas na solidão da sua pobreza e faz com que vivam tristes, sem horizontes. Queixam-se de tudo e de todos, mas a verdadeira causa da tristeza que sofrem são elas próprias.

• A soberba leva as pessoas a afastarem-se de Deus, para se dobrarem sobre si próprias e torna-as egoístas, à procura de uma felicidade que não existe.

A linguagem de Jesus, quando se trata de pessoas aprisionadas por este mal, é forte, tentando despertá-las e reconduzi-las à liberdade: “Ai de vós...!

 

2. Jesus, Mestre da humildade

 

a) O olhar humilde de Jesus. «Naquele tempo, Jesus entrou, a um sábado, em casa de um dos principais fariseus para tomar uma refeição. Todos O observavam

Quando Jesus entrou em casa de um dos principais dos fariseus, para tomar uma refeição para a qual tinha sido convidado, todos estavam a observá-los. Encontramos aqui diversas espécies de olhares, como podem ser os nossos:

• O olhar de Jesus é cheio de bondade e de amor, e exprime um desejo divino de ajudar a todos os presentes. Assim era quando olhava os doentes e aflitos que Lhe apareciam nos caminhos da Terra Santa.

Aproveita o momento para dar a todos uma lição prática de humildade muito apropriada ao momento que estão a viver.

• O olhar de alguns presentes era cheio de orgulho e de importância, com um falso complexo de superioridade, como se não houvesse no mundo honras e homenagens capazes de os deixar contentes.

Não é difícil, infelizmente, encontrar pessoas que pensam que ninguém as merece e tratam os outros com altivez, como se fossem inferiores.

• Alguns eram simples curiosos. Tinham ouvido contar muitas maravilhas acerca de Jesus e estavam na esperança de poderem testemunhar alguma delas.

• Finalmente, outros olhavam Jesus com uma atitude inquisitorial, à procura de O surpreenderem em alguma coisa que servisse de pretexto para o condenar.

Jesus convida-nos a imitá-l’O, não na realização de milagres, mas na humildade: «Vinde a Mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o Meu jugo, e aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração, e achareis alívio para as vossas almas, pois o meu jugo é suave e o Meu fardo é leve.» (Mt 11, 29-30).

Que espécie de olhar é o nosso para as pessoas que vivem connosco ou com elas nos encontramos em qualquer circunstância? De curiosidade? Olhar crítico, à procura de motivos para nos escandalizarmos e as podermos condenar? Ou é um olhar cheio de humildade que nos faz aprender sempre com o que vemos e movidos por um desejo sincero de ajudar as pessoas?

As pessoas humildes encontram sempre motivos para se edificarem com os outros e alimentam um desejo grande de as ajudar.

 

b) Escolher o último lugar. «Quando fores convidado para um banquete nupcial, não tomes o primeiro lugar. [...] Por isso, quando fores convidado, vai sentar-te no último lugar; [...]. Quem se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado

Poucas ocasiões se nos oferecem de escolher um lugar num banquete. Em muitas festas, o sistema usado é o de servir as pessoas em pé, enquanto convivem umas com as outras, Há apenas uma mesa para os que presidem à festa.

No entanto, há muitas outras ocasiões em que podemos escolher o último lugar.

• Saber passar despercebido, fazer o bem e desaparecer, sem esperar que nos agradeçam o que fizemos ou se mostrem agradecidos e contentes. É o que faz o sal e o açúcar: cumprem a sua missão e diluem-se.

• Também nas conversas podemos escolher o último lugar. Quando não se trata de matéria de fé e costumes, não é preciso que defendamos com calor uma afirmação que fizemos.

Custa, mas é muito meritório, não teimar, deixar que os outros contem a última novidade, a última anedota.

Muitas vezes, sem darmos por isso, somos pequenos ditadores com as nossas opiniões discutíveis, querendo impor o que pensamos.

• Que lugar ocupa cada um de nós nas conversas do dia a dia? O primeiro ou o último. Por vezes, um modo de chamar a atenção é falar obsessivamente sobre as nossas contradições, as doenças, os medicamentos que já tomamos em toda a vida ou estamos a tomar, das ofensas recebidas ou esperamos receber, etc. É mais uma tentativa de colocar o nosso eu sempre no primeiro lugar, no maior destaque possível.

Saibamos passar despercebidos. Um santo tinha por lema “ocultar-se e desaparecer.” E, de facto, viveu este ideal com heroicidade.

Quando vivermos com humildade, estaremos a praticar uma outra virtude de que não se fala muitas vezes: a naturalidade.

 

c) Actuar com o olhar em Deus. «Mas quando ofereceres um banquete, convida os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos; e serás feliz por eles não terem com que retribuir-te: ser-te-á retribuído na ressurreição dos justos

A presença de certas pessoas junto de nós leva-nos a modificar muitas coisas: evitamos falar delas e procuramos ser amáveis e simpáticos.

Lembremo-nos de que vivemos continuamente na presença de Deus. Se nos lembrarmos desta verdade, como seremos diferentes em muitas ocasiões, nas palavras e nas atitudes!

Sobretudo, lembremo-nos de que Ele nos contempla com amor infinito em cada instante e deseja ajudar-nos. Nunca estamos sós, nunca estamos sem Alguém que se interesse por nós sinceramente.

Desta lembrança de que estamos sempre na presença de Deus, há-de nascer muitos e bons frutos de humildade:

Recta intenção. Procuremos ter rectidão em tudo, porque Deus vê-nos onde quer que estejamos. Conhece as nossas intenções, os nossos desejos, a verdade das nossas afirmações, e há-de julgar-nos por isso.

Alegria interior. Muitas vezes, as nossas tristezas e amuos têm origem na nossa soberba, no nosso orgulho ferido. Por isso, o Senhor convida-nos, como o melhor dos amigos, para nos ajudar: «Vinde a Mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei.»

Desprendimento. Não perderemos tempo atrás dos louvores humanos, nem ficaremos tristes quando eles não vierem. Basta-nos que o Senhor esteja contente connosco, que nos sorria: D’Ele nos vem a verdadeira recompensa.

Santa Missa. Encontremo-nos com o Senhor na Santa Missa de cada domingo. Aí aprenderemos verdadeiramente o que é a humildade. Deus que se faz comida banal para Alimento da nossa vida interior; Deus que nos ama, até ao ponto de querer estar connosco para nos ouvir, nos falar e nos encher de consolação.

Que Nossa Senhora, mestra da humildade, nos ensine a viver esta virtude fundamental para a nossa vida com Deus.

 

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

Jesus convida cada um de nós a trabalhar na vida

para tomar parte no Banquete da Salvação eterna.

Peçamos-Lhe a graça de todos sabermos trabalhar,

de modo que alcancemos as divinas promessas.

Oremos (cantando):

 

    Ensinai-nos, Senhor, os Vossos caminhos!

 

1. Pelo Santo Padre que nos manda evangelizar as periferias,

    para que a humildade nos ajude a cumprir o seu mandato,

    oremos, irmãos.

 

    Ensinai-nos, Senhor, os Vossos caminhos!

 

2. Pelos que vivem tristes e atribulados, por falta de amizade,

    para que o Senhor os torne mansos e humildes de coração,

    oremos, irmãos.

 

    Ensinai-nos, Senhor, os Vossos caminhos!

 

3. Pelas pessoas que são chamadas a servir na vida da Igreja,

    para que não tornem os cargos meios de sua ostentação,

    oremos, irmãos.

 

    Ensinai-nos, Senhor, os Vossos caminhos!

 

4. Pelos que se afastaram da sua família e da Igreja por orgulho,

    para que o Senhor os reconduza à unidade, à alegria e à paz,

    oremos, irmãos.

 

    Ensinai-nos, Senhor, os Vossos caminhos!

 

5. Por todos nós, congregados aqui a celebrar esta Eucaristia,

    para que o façamos com amor humilde, alegre e simples,

    oremos, irmãos.

 

    Ensinai-nos, Senhor, os Vossos caminhos!

 

6. Pelos que sofrem no Purgatório a purificação das suas faltas,

    para que Deus os acolha hoje na Bem-Aventurança do Céu,

    oremos, irmãos.

 

    Ensinai-nos, Senhor, os Vossos caminhos!

 

Senhor, que nos chamais pelos caminhos da humildade

a conquistar, pela vida, a felicidade sem fim do Paraíso:

tornai-nos dóceis e generosos aos Vossos ensinamentos,

 para merecermos estar convosco para sempre no Céu.

Vós, que sois Deus, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

Hoje somos convidados para o Banquete da Eucaristia, depois de termos participado no Banquete da Palavra.

Saibamos escolher o último lugar, pela humildade e simplicidade, e avivemos a nossa fé e amor, ao participarmos nestes sagrados mistérios.

 

Cântico do ofertório: Sois, Jesus, o meu Deus, M. Borda, NRMS 107

 

Oração sobre as oblatas: Santificai, Senhor, a oferta que Vos apresentamos e realizai em nós, com o poder da vossa graça, a redenção que celebramos nestes mistérios. Por Nosso Senhor...

 

Santo: A. Cartageno, Suplemento CT

 

Saudação da Paz

 

A humildade é condição indispensável para gozarmos da verdadeira paz com Deus, com os irmãos e connosco.

Aproximemo-nos com este sentimento das pessoas a quem temos ofendido, para nos reconciliarmos com elas. Só assim poderá ser verdadeiro o sinal litúrgico da paz que trocamos entre nós.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

A Igreja convida-nos a repetir, neste momento, as palavras ditas pelo centurião, quando Jesus manifestou a Sua disponibilidade para ir a sua casa curar o servo que ele muito estimava: “Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha morada, mas dizei uma só palavra e serei salvo.

Digamo-las com profunda sinceridade e lembremo-nos que a humildade é a melhor disposição para recebermos condignamente o Senhor da Eucaristia.

 

Cântico da Comunhão: Se morremos com Cristo, J. Santos, NRMS 551

Sl 30, 20

Antífona da comunhão: Como é grande, Senhor, a vossa bondade para aqueles que Vos servem!

Ou:    Mt 5, 9- 1 0

Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus. Bem-aventurados os perseguidos por amor da justiça, porque deles é o reino dos céus.

 

Cântico de acção de graças: Cantarei ao Senhor, F. da Silva, NRMS 70

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que nos alimentastes com o pão da mesa celeste, fazei que esta fonte de caridade fortaleça os nossos corações e nos leve a servir-Vos nos nossos irmãos. Por Nosso Senhor...

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Procuremos, ao longo da semana, ter o cuidado de escolher sempre o último lugar, para nos tornarmos dignos das graças do Senhor.

 

Cântico final: Eu quero viver na tua alegria, H. Faria, NRMS 11-12

 

 

Homilias Feriais

 

22ª SEMANA

 

2ª Feira, 29-VIII: Martírio de S. João Baptista.

Jer 1, 17-19 / Mc 6, 17-29

Ela voltou logo a toda a pressa para junto do rei. Quero que me dês, sem demoras, num prato, a cabeça de João Baptista.

«João Baptista, precedendo Jesus, dá testemunho dEle pela sua pregação, pelo seu baptismo de conversão e, finalmente, pelo seu martírio (Ev.)» (CIC, 523).

Na sua pregação nunca temeu ninguém, nem o poderoso Herodes. Assim o preparou Deus: «Não tremas diante daquele a quem te enviar» (Leit.). Orientou a sua pregação para a conversão, tal como Jesus na sua 1ª mensagem pública: «Convertei-vos e acreditai no Evangelho». E esta continua a ser muito actual. Recordando o seu martírio, aceitemos com fortaleza os nossos 'martírios diários' para nos santificarmos.

 

3ª Feira, 30-VIII: O homem natural e o homem espiritual.

1 Cor 2, 10-16 / Lc 4, 31-37

Encontrava-se então na sinagoga um homem que tinha o espírito de um demónio impuro.

Este homem, que tinha o espírito de um demónio (Ev.) representa o pecador que se quer converter a Deus e tem que se libertar do pecado. No Pai-nosso pedimos a Deus que nos liberte de todos os males presentes, passados e futuros (CIC, 2853).

O homem natural (Leit.) não aceita o que vem de Deus, porque não consegue entendê-lo. E o homem espiritual (Leit.) é aquele que fala com as «palavras que o espírito de Deus nos ensina» (Leit.), que tem o pensamento de Cristo (Leit.) e, com essa luz, julga todos os acontecimentos e pessoas.

 

4ª Feira, 31-VIII: Superação da visão puramente humana.

1 Cor 3, 1-9 / Lc 4, 38-44

Se entre vós, na verdade, há ciúme e discórdia, não é certo que sois puramente naturais e procedeis de maneira simplesmente humana?

S. Paulo queixa-se da falta de dimensão sobrenatural nos Coríntios, pois têm uma visão demasiado humana (Leit.).

A atitude de Jesus indica-nos o modo de adquirirmos essa dimensão sobrenatural. Em primeiro lugar, a oração: «ao romper do dia dirigiu-se a um sítio ermo (Ev.). E, depois, pelo conhecimento da Boa Nova: «Tenho que ir às outras cidades anunciar a Boa Nova do reino de Deus» (Ev.), É por estes meios que aprendemos a ver as coisas, as pessoas e os acontecimentos, como Deus as vê.

 

5ª Feira, 1-IX: Indispensável contar sempre com Deus.

1 Cor 3, 18-23 / Lc 5, 1-11

Mestre, andámos na faina toda a noite e não apanhámos nada. Mas, já que o dizes, largarei as redes.

Diz S. Paulo que a «sabedoria deste mundo é loucura diante de Deus» (Leit.) Assim acontece com os pescadores do Lago de Genesaré: uma noite inteira sem apanhar nada (e eles eram os profissionais da pesca). Mas, com a sabedoria de Deus, apanharam uma grande quantidade de peixes.

Na nossa vida cristã de pouco serve o esforço, o emprego exclusivo dos meios humanos, ainda que sejam necessários. Precisamos da ajuda do Senhor, da sua sabedoria e do seu exemplo. Meditemos pois nos ensinamentos e nas acções de Jesus.

 

6ª Feira, 2-IX:Fidelidade à graça de Deus.

1 Cor 4, 1-5 / Lc 5, 33-39

Ninguém recorta um remendo de um vestido novo, para o deitar em vestido velho.

Jesus recorda-nos, com estas comparações, que devemos estar bem preparados para recebermos as graças de Deus. Os pecados veniais, as faltas de correspondência às inspirações do Espírito Santo, o pouco empenho na vida espiritual, ajudam a 'envelhecer' a alma.

«Nós somos administradores dos negócios de Deus... O que se requer nos administradores é que cada um deles se mostre fiel» (Leit.). Esta fidelidade pode consistir em uma boa preparação para o receber na Comunhão; ler e ouvir com mais atenção a sua palavra; rezar mais actos de contrição...

 

Sábado, 3-IX: Aprender a perdoar.

Cor 4, 6-1 / Lc 6, 1-5

Insultados, perdoamos; perseguidos, aguentamos; difamados, dizemos palavras de concórdia.

Recorda S. Paulo o modo com os primeiros cristãos viviam a caridade, quando suportavam calúnias, insultos e difamações (Leit.). Deste modo, imitavam Jesus, que a todos perdoava.

Temos que amar, em Deus e com Deus, as pessoas que não nos agradam. E, olhá-las, como as olhava Jesus: «Eu vejo com os olhos de Cristo e posso dar ao outro o olhar de amor de que ele precisa» (Bento XVI). Procuremos viver o mandato do Senhor -amai-vos uns aos outros- na vida familiar, profissional, nos momentos de convívio, etc.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:   José Roque

Nota Exegética:            Geraldo Morujão

Homilias Feriais:           Nuno Romão

Sugestão Musical:        Duarte Nuno Rocha

 


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