Assunção da Virgem Santa Maria

Missa do Dia

15 de Agosto de 2016

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Glória da humanidade, A. Cartageno, NRMS 101

Ap 12, 1

Antífona de entrada: Um sinal grandioso apareceu no céu: uma mulher revestida de sol, com a lua debaixo dos pés e uma coroa de estrelas na cabeça.

Ou

 

Exultemos de alegria no Senhor, ao celebrar este dia de festa em honra da Virgem Maria. Na sua Assunção alegram-se os Anjos e cantam louvores ao Filho de Deus.

 

Diz-se o Glória

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Celebramos hoje o mistério da Assunção de Maria em Corpo e Alma glorificados ao Céu.

Pio XII propôs a toda a Igreja como doutrina irreformável de fé esta verdade acerca de Nossa Senhora, com as seguintes palavras:

«Pelo que, depois de termos dirigido a Deus repetidas súplicas, e de termos invocado a paz do Espírito de verdade, para glória de Deus omnipotente que à Virgem Maria concedeu a sua especial benevolência, para honra do Seu Filho, Rei imortal dos séculos e triunfador do pecado e da morte, para aumento da glória da sua augusta mãe, e para gozo e júbilo de toda a Igreja, com a autoridade de nosso Senhor Jesus Cristo, dos bem-aventurados apóstolos S. Pedro e S. Paulo e com a nossa, pronunciamos, declaramos e definimos ser dogma divinamente revelado que: a Imaculada Mãe de Deus, a sempre Virgem Maria, terminado o curso da vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celestial». (Pio XII, Bula Munificentíssimus Deus, n.º 44, 1 de Novembro de 1950).

Elevemos o nosso pensamento e coração ao Céu, para tomarmos parte na glorificação de Maria, Mãe de Jesus e nossa Mãe, que os Anjos e os santos lhe prestam, na presença da Santíssima Trindade.

 

Acto penitencial

 

Peçamos perdão ao Senhor, porque vivemos tantas vezes exclusivamente voltados para a terra, como se, depois da vida na terra, não esperássemos mais nada.

Façamos o propósito de procurar viver em graça, frequentar os sacramentos e fazer mais oração.

 

(Tempo de silêncio. Sugerimos o esquema A, com a Confissão e Senhor tende piedade de nós.).

 

Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, que elevastes à glória do Céu em corpo e alma a Imaculada Virgem Maria, Mãe do Vosso Filho, concedei-nos a graça de aspirarmos sempre às coisas do alto, para merecermos participar da sua glória. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: S. João, no Livro do Apocalipse, apresenta-nos uma visão deslumbrante do Paraíso, um sinal grandioso de uma Mulher revestida de glória.

A Liturgia aplica este sinal grandioso à Virgem Santa Maria, elevada ao Céu em corpo e alma.

 

Apocalipse 11, 19a 12, 1-6a.10ab

19aO templo de Deus abriu-se no Céu e a arca da aliança foi vista no seu templo. 12, 1Apareceu no Céu um sinal grandioso: uma mulher revestida de sol, com a lua debaixo dos pés e uma coroa de doze estrelas na cabeça. Estava para ser mãe e gritava com as dores e ânsias da maternidade. 3E apareceu no Céu outro sinal: um enorme dragão cor de fogo, com sete cabeças e dez chifres e nas cabeças sete diademas. 4A cauda arrastava um terço das estrelas do céu e lançou-as sobre a terra. O dragão colocou-se diante da mulher que estava para ser mãe, para lhe devorar o filho, logo que nascesse. 5Ela teve um filho varão, que há-de reger todas as nações com ceptro de ferro. O filho foi levado para junto de Deus e do seu trono 6ae a mulher fugiu para o deserto, onde Deus lhe tinha preparado um lugar. 10abE ouvi uma voz poderosa que clamava no Céu: «Agora chegou a salvação, o poder e a realeza do nosso Deus e o domínio do seu Ungido».

 

Sob a imagem da Arca (v. 19) e da mulher (vv. 1-17) é-nos apresentada, na intenção da Liturgia, a Virgem Maria. Entretanto os exegetas continuam a discutir, sem chegar a acordo, se estas imagens se referem à Igreja ou a Maria. Sem nos metermos numa questão tão discutida, podemos pensar com alguns estudiosos que a Mulher simboliza, num primeiro plano, a Igreja, mas, tendo em conta as relações tão estreitas entre a Igreja e Maria - «membro eminente e único da Igreja, seu tipo e exemplar perfeitíssimo na fé e na caridade... sua Mãe amorosíssima» (Vaticano II, LG 53) – podemos englobar a Virgem Maria nesta imagem da mulher do Apocalipse. Tendo isto em conta, citamos o comentário de Santo Agostinho ao Apocalipse (Homilia IX):

4-5 «O Dragão colocou-se diante da mulher...»: «A Igreja dá à luz sempre no meio de sofrimentos, e o Dragão está sempre de vigia a ver se devora Cristo, quando nascem os seus membros. Disse-se que deu à luz um filho varão, vencedor do diabo».

6 «E a mulher fugiu para o deserto»: «O mundo é um deserto, onde Cristo governa e alimenta a Igreja até ao fim, e nele a Igreja calca e esmaga, com o auxílio de Cristo, os soberbos e os ímpios, como escorpiões e víboras, e todo o poder de Satanás».

 

Salmo Responsorial    Sl 44 (45), 10.11.12.16 (R. cf. 10b)

 

Monição: O Salmo que a Liturgia nos propõe canta os louvores do Ungido e da sua esposa no dia das núpcias.

Façamos dele a nossa oração de louvor, como resposta à interpelação que nos fez o Espírito Santo, pela Primeira Leitura.

 

Refrão:     À vossa direita, Senhor, a Rainha do Céu,

                ornada do ouro mais fino.

 

Ou:           À vossa direita, Senhor, está a Rainha do Céu.

 

Ao vosso encontro vêm filhas de reis,

à vossa direita está a rainha, ornada com ouro de Ofir.

 

Ouve, minha filha, vê e presta atenção,

esquece o teu povo e a casa de teu pai.

 

Da tua beleza se enamora o Rei

Ele é o teu Senhor, presta-Lhe homenagem.

 

Cheias de entusiasmo e alegria,

entram no palácio do Rei.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. Paulo, na Primeira Carta aos fiéis da Igreja de Corinto, ensina-nos que Jesus Cristo foi o primeiro a ressuscitar glorioso.

Com Ele, todos ressuscitaremos, porque somos membros do Seu Corpo. Maria foi a primeira criatura que recebeu esta glorificação.

 

1 Coríntios 15, 20-27

Irmãos: 20Cristo ressuscitou dos mortos, como primícias dos que morreram. 21Uma vez que a morte veio por um homem, também por um homem veio a ressurreição dos mortos 22porque, do mesmo modo que em Adão todos morreram, assim também em Cristo serão todos restituídos à vida. 23Cada qual, porém, na sua ordem: primeiro, Cristo, como primícias a seguir, os que pertencem a Cristo, por ocasião da sua vinda. 24Depois será o fim, quando Cristo entregar o reino a Deus seu Pai depois de ter aniquilado toda a soberania, autoridade e poder. 25É necessário que Ele reine, até que tenha posto todos os inimigos debaixo dos seus pés. 26E o último inimigo a ser aniquilado é a morte, porque Deus tudo colocou debaixo dos seus pés. 27Mas quando se diz que tudo Lhe está submetido é claro que se exceptua Aquele que Lhe submeteu todas as coisas.

 

É a partir deste texto e do de Romanos 5 que os Padres da Igreja estabelecem a tipologia baseada num paralelismo antiético, entre Eva e Maria: Eva, associada a Adão no pecado e na morte; Maria, associada a Cristo na obra de reparação do pecado e na ressurreição.

20-23 S. Paulo, começando por se apoiar no facto real da Ressurreição de Cristo, procura demonstrar a verdade da ressurreição dos já falecidos (vv. 1-19). Nestes versículos, diz que «Cristo ressuscitou dos mortos, como primícias dos que morreram» (v. 20). As primícias eram os primeiros frutos do campo que se deviam oferecer a Deus e só depois se podia comer deles (cf. Ex 28; Lv 23, 10-14; Nm 15, 20-21). De igual modo, Cristo nos precede na ressurreição. Nós (exceptuando pelo menos a Virgem Maria) havemos de ressuscitar «por ocasião da sua vinda» (v. 23). Não se pode confundir esta ressurreição sobrenatural e misteriosa de que aqui se fala com a imortalidade da alma. O Credo do Povo de Deus de Paulo VI, no nº 28, diz: «Cremos que as almas de todos aqueles que morrem na graça de Cristo - tanto as que ainda devem ser purificadas com o fogo do Purgatório, como as que são recebidas por Jesus no Paraíso logo que se separem do corpo, como o Bom Ladrão - constituem o Povo de Deus depois da morte, a qual será destruída por completo no dia da Ressurreição, em que as almas se unirão com os seus corpos». Por seu turno, a S. Congregação para a Doutrina da Fé, na carta de 17-5-79, declara: «A Igreja, ao expor a sua doutrina sobre a sorte do homem depois da morte, exclui qualquer explicação com que se tirasse o seu sentido à Assunção de Nossa Senhora, naquilo que esta tem de único, ou seja, o facto de ser a glorificação que está destinada a todos os outros eleitos».

 

Aclamação ao Evangelho       

 

Monição: A Assunção gloriosa de Maria em corpo e alma ao Céu enche-nos de esperança, porque nos diz o que – salvas as distâncias, – vai acontecer com cada um de nós.

Aclamemos o Evangelho que nos anuncia esta consoladora esperança.              

 

Aleluia

 

Cântico: J. Duque, NRMS 21

 

Maria foi elevada ao Céu:

alegra-se a multidão dos Anjos.

 

 

Evangelho

 

São Lucas 1, 39-56

39Naqueles dias, Maria pôs-se a caminho e dirigiu-se apressadamente para a montanha, em direcção a uma cidade de Judá. 40Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. 41Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino exultou-lhe no seio. Isabel ficou cheia do Espírito Santo 42e exclamou em alta voz: «Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. 43Donde me é dado que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor? 44Na verdade, logo que chegou aos meus ouvidos a voz da tua saudação, o menino exultou de alegria no meu seio. 45Bem-aventurada aquela que acreditou no cumprimento de tudo quanto lhe foi dito da parte do Senhor». 46Maria disse então: «A minha alma glorifica o Senhor 47e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, 48porque pôs os olhos na humildade da sua serva: de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações. 49O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas: Santo é o seu nome. 50A sua misericórdia se estende de geração em geração sobre aqueles que O temem. 51Manifestou o poder do seu braço e dispersou os soberbos. 52Derrubou os poderosos de seus tronos e exaltou os humildes. 53Aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias. 54Acolheu a Israel, seu servo, lembrado da sua misericórdia, 55como tinha prometido a nossos pais, a Abraão e à sua descendência para sempre». 56Maria ficou junto de Isabel cerca de três meses e depois regressou a sua casa.

 

Os estudiosos descobrem neste relato uma série de ressonâncias vetero-testementárias, o que corresponde não apenas ao estilo do hagiógrafo, mas sobretudo à sua intenção teológica de mostrar como na Mãe de Jesus se cumprem as figuras do A.T.: Maria é a verdadeira e nova Arca da Aliança (comparar Lc 1, 43 com 2 Sam 6, 9 e Lc 1, 56 com 2 Sam 6, 11) e a verdadeira salvadora do povo, qual nova Judite (comparar Lc 1, 42 com Jdt 13, 18-19) e qual nova Ester (Lc 1, 52 e Est 1 – 2).

39 «Uma cidade de Judá». A tradição documentada a partir do séc. IV diz que é Ain Karem (fonte da vinha), uma povoação a uns 6 Km a Oeste da cidade nova de Jerusalém. De qualquer modo, ficaria a uns quatro ou cinco dias de caminho em caravana desde Nazaré (130 Km). Maria empreende a viagem movida pela caridade e espírito de serviço. A «Mãe do meu Senhor» (v. 43) não fica em casa à espera de que os Anjos e os homens venham servir a sua rainha; e Ela mesma, que se chama «escrava do Senhor» (v. 38), «a sua humilde serva» (v. 48), apressa-se em se fazer a criada da sua prima e de acudir em sua ajuda. Ali permanece, provavelmente, até depois do nascimento de João, uma vez que S. Lucas nos diz que «ficou junto de Isabel cerca de três meses».

42 «Bendita és Tu entre as mulheres». Superlativo hebraico: a mais bendita de todas as mulheres.

43-44 «A Mãe do meu Senhor». As palavras de Isabel são proféticas: o mexer-se do menino no seu seio (v. 41) não era casual, mas «exultou de alegria» para também ele saudar o Messias e sua Mãe.

46-55 O cântico de Nossa Senhora, o Magnificat, é um poema de extraordinária beleza poética e elevação religiosa. Dificilmente poderiam ficar melhor expressos os sentimentos do coração da Virgem Maria – «a mais humilde e a mais sublime das criaturas» (Dante, Paraíso, 33, 2) –, em resposta à saudação mais elogiosa (vv. 42-45) que jamais se viu em toda a Escritura. É como se Maria dissesse que não havia motivo para uma tal felicitação; tudo se deve à benevolência, à misericórdia e à omnipotência de Deus. Sem qualquer referência ao Messias, refulge aqui a alegria messiânica da sua Mãe e a sua humildade num extraordinário hino de louvor e de agradecimento. O cântico está todo entretecido de reminiscências bíblicas, sobretudo do cântico de Ana (1 Sam 2, 1-10) e dos Salmos (35,9; 31, 8; 111, 9; 103, 17; 118, 15; 89, 11; 107, 9; 98, 3); cf. também Hab 3, 18; Gn 29, 32; 30, 13; Ez 21, 31; Si 10, 14; Mi 7, 20. Ao longo dos tempos, muitos e belos comentários se fizeram ao Magnificat; mas também é conhecida a abordagem libertacionista, abundando leituras materialistas utópicas, falsificadoras do genuíno sentido bíblico, com base no princípio marxista da luta de classes. Com efeito, a transformação social que é urgente realizar, não se consegue com o inverter a ordem social, o «derrubar os poderosos dos seus tronos» e o «despedir os ricos de mãos vazias». Eis o comentário da Encíclica Redemptoris Mater, nº 36: «Nestas sublimes palavras… vislumbra-se a experiência pessoal de Maria, o êxtase do seu coração; nelas resplandece um raio do mistério de Deus, a glória da sua santidade inefável, o amor eterno que, como um dom irrevogável, entra na história do homem».

 

Sugestões para a homilia

 

• Maria, Arca da Nova Aliança

Maria, Sinal da benevolência de Deus

À frente do exército do Senhor

Para nos conduzir à felicidade

• O caminho da glorificação

Serviço de caridade

Portadores da alegria

Humildade e gratidão

 

1. Maria, Arca da Nova Aliança

 

a) Maria, Sinal da benevolência de Deus. «Apareceu no Céu um sinal grandioso: uma mulher revestida de sol, com a lua debaixo dos pés e uma coroa de doze estrelas na cabeça. Estava para ser mãe e gritava com as dores e ânsias da maternidade

A visão do Apocalipse – que também se pode referir à Igreja – está cheia de alusões ao mistério da Assunção da Virgem Santa Maria ao Céu que hoje celebramos.

A Cheia e graça. O resplendor desta visão celeste alude a Maria, “a cheia de graça”. Dizer assim é o mesmo que proclamá-l’A Imaculada, Aquela que recebeu a participação da natureza divina – a graça santificante – no primeiro momento da sua existência.

Assim foi saudada pelo Arcanjo, na manhã da Anunciação; assim A contemplou Bernardete em Lurdes e os três Pastorinhos em Fátima. Assim a definiam: “Era uma Senhora mais brilhante que o sol.”

Está revestida de Deus, da Sua graça que recebeu deste o primeiro instante da sua Imaculada Conceição.

É para nós um apelo à santidade de vida, à felicidade, procurando estar em graça e fazer a vontade de Deus.

Rainha e Senhora de toda a criação. Ter a lua debaixo dos pés significa domínio, realeza. É Rainha porque é Mãe do rei; além disso, tomou parte, como nenhuma outra criatura, na recondução do mundo aos planos do seu Criador.

Por isso, na Ladainha, invocamo-l’A como Rainha dos Anjos, dos Patriarcas, dos Profetas, dos Apóstolos, dos Mártires... da Família.

A Realeza de Maria é o melhor e mais generoso dos serviços a todos nós, que somos seus súbditos.

Quiseram especialmente celebrar esta condição de Maria como Rainha os reis de Portugal, que A proclamaram Rainha deste “jardim à beira mar plantado” e que, a partir de 1640, nunca mais ousaram colocar na sua cabeça a coroa real.

Por provisão de 25 de Março de 1646, D. João IV, “estando ora junto em Cortes os três Estados do reino», proclamou solenemente “tomar por padroeira de nossos Reinos e Senhorios a Santíssima Virgem Nossa Senhora da Conceição... confessar e defender Mãe de Deus foi concebida sem pecado original”. Por esta proclamação a Virgem Imaculada era constituída e declarada, por todos os poderes da Nação, Senhora e Rainha de Portugal, a verdadeira soberana do país.

Mãe da Igreja. A maternidade de Maria é dolorosa, porque tem de defender constantemente os seus filhos atacados pela serpente infernal com brutal ferocidade.

Mãe do Redentor. Maria é Mãe de Jesus, do Redentor do mundo. «Ela teve um filho varão, que há-de reger todas as nações com ceptro de ferro

 

b) À frente do exército do Senhor. «E apareceu no Céu outro sinal: um enorme dragão cor de fogo, com sete cabeças e dez chifres e nas cabeças sete diademas. A cauda arrastava um terço das estrelas do céu e lançou-as sobre a terra

Está profetizado no Livro do Génesis. Quando Deus veio procurar Adão e Eva para lhes oferecer a salvação, anunciou solenemente: «Estabelecerei inimizades entre ti e a Mulher, entre a tua descendência e a descendência d’Ela. Ele esmagar-te-á a cabeça e tu armarás ciladas ao seu calcanhar.» (Gen 3, 15).

Satanás vomita o seu ódio contra Deus em cada um de nós, promovendo, para nós, uma vida infeliz no mundo: guerras, atentados, ódios, roubos, assassinatos.

Quando ouvimos notícias de tantos crimes, quase nunca nos lembramos que todas estas pessoas se colocaram ao serviço do Demónio, transformando-se em demónios à solta.

Para além dos crimes que a Comunicação Social nos noticia, há os muitos pecados que escravizam as pessoas e as empurram para o inferno.

É uma guerra contra Deus que o demónio promove no mundo, vingando-se, nas pessoas do seu furor e ódio ao Altíssimo.

Depois da queda dos nossos primeiros pais, Deus revelou-nos a existência de uma guerra que se trava no mundo entre os filhos de Deus e os que se entregaram à serpente. À frente do exército do Povo de Deus está uma Mulher que o Pai escolheu para Mãe de Seu Filho incarnado.

Combatem ao lado de Maria os que ajudam os seus irmãos no caminho da Salvação, praticando a caridade sob todas as formas.

Do outro lado, servindo a Satanás, estão os escandalosos e aqueles que procuram arrastar ao pecado as outras pessoas.

A arma mais perigosa e mais usada pelo Inimigo é a mentira, tentando convencer-nos de que deseja e procura a nossa felicidade, ao mesmo tempo que nos apresenta Deus como inimigo da nossa felicidade e liberdade. Ele é, como disse Jesus, «o pai da mentira

 

c) Para nos conduzir à felicidade. «E ouvi uma voz poderosa que clamava no Céu: Agora chegou a salvação, o poder e a realeza do nosso Deus e o domínio do seu Ungido!.»

Maria é a melhor das Mães que deseja ver todos os seus filhos que somos nós, radiantes de felicidade à sua volta no Céu.

Terminado este tempo de prova, não haverá mais tentações, inimizades, luto e morte, porque o Céu é a felicidade definitiva, para sempre.

Ao olharmos hoje em espírito para o Céu, onde contemplamos a glória da Mãe de Jesus e nossa fé, reafirmamos a nossa profissão desta verdade eterna: a vida presente é um tempo de prova; o prémio será a participação da mesma felicidade de Deus no Céu, para sempre.

Diz o Apocalipse: «Deus enxugará dos seus olhos todas as lágrimas.» E S. Paulo elevado ao Céu em vida, na impossibilidade de nos explicar convenientemente o que viu, exclama: «Nem os olhos viram, nem os ouvidos ouviram, nem passou pela mente do homem o que Deus tem preparado para aqueles que O amam

Quando afirmamos que Maria foi elevada ao Céu gloriosa, em corpo e alma, não queremos apenas dizer que Ela já está no Céu. À imitação de Jesus Cristo, que foi revestido de glória imortal ao terceiro dia, saindo glorioso do sepulcro, também é «dogma divinamente revelado que: a Imaculada Mãe de Deus, a sempre Virgem Maria, terminado o curso da vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celestial

É nesta felicidade que Nossa Senhora se encontra e é para ela que deseja conduzir-nos, neste nosso caminhar pela terra até ao Céu.

Deus estabeleceu que Maria fosse o caminho mais seguro e mais fácil para Jesus, de tal modo uma pequena devoção em honra dela é como um pequeno acendalho que em breve dará origem a uma grande incêndio de Amor.

A felicidade começa nesta vida pela escolha e Deus. Os que tapam os ouvidos às mentiras de Satanás e procuram no amor de Deus a verdadeira felicidade, encontram-na, para si e para os outros.

 

2. O caminho da glorificação

 

Maria, elevada ao Céu em corpo e alma, convida-nos, com peculiar insistência neste dia de festa, a aprender com Ela o caminho para a nossa glorificação final.

 

a) Serviço de caridade. «Naqueles dias, Maria pôs-se a caminho e dirigiu-se apressadamente para a montanha, em direcção a uma cidade de Judá. Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel

Maria recebeu do Arcanjo a boa nova de que Isabel iria finalmente ter um filho e que estava já no sexto mês da gestação.

Partiu apressadamente – a caridade não é vagarosa e lenta, porque quem dá, fá-lo com alegria e exultação – para Ain Karim, a cerca de uma dezena e quilómetros de Jerusalém e, portanto, a mais de uma centena de Nazaré.

Caridade e naturalidade. Vai felicitar Isabel, pelo dom de Deus que acaba de receber, levar a santificação – equivalente ao Baptismo – a João Baptista, ainda no seio materno e pôr-se à sua disposição para tomar conta do serviço doméstico, uma vez que Isabel, dado o estado em que se encontrava e a idade avançada, teria muita dificuldade em o fazer, e pega um incêndio de alegria naquela família: Isabel cantou com felicidade e o Menino exultou de alegria no seu seio.

A caridade que tem a marca de Deus é mesmo assim: reveste-se de naturalidade, fugindo do espectáculo e não encarece o dom que vai oferecer.

Caridade e fé. No segredo desta generosidade de Maria está a fé e Isabel apercebe-se disso: «Isabel ficou cheia do Espírito Santo e exclamou em alta voz: “[...]. Bem-aventurada aquela que acreditou no cumprimento de tudo quanto lhe foi dito da parte do Senhor”.»

Na verdade, pelo sim proferido na Anunciação, Maria entrega todo o seu presente e futuro nas mãos de Deus. Não põe perguntas desconfiadas, não hesita, mas lança-se nos braços de Deus como uma criança nos da mãe.

Caridade e sacrifício. Nem sempre é agradável viver a virtude da caridade. Ela submete-nos, por vezes a muitas incomodidades. Não deve ter sido agradável para Maria deixar todas as suas preocupações de lado, num momento da sua vida, e submeter-se aos incómodos de uma longa caminhada para felicitar e servir a sua parente.

Imaginamo-la a entrar as portas daquela casa, não com o ar de quem vem trazer uma esmola, mas como quem faz a coisa mais agradável da vida.

Poderíamos ser tentados a pensar que temos necessariamente de encontrar consolação humana nas obras de caridade e ficamos chocados se nos recebem mal se não nos agradecem, se ficam indiferentes como se nada tivessem recebido. A recompensa da caridade não nos vem das pessoas, mas de Deus.

 

b) Portadores da alegria. «Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino exultou-lhe no seio. Isabel ficou cheia do Espírito Santo e exclamou em alta voz: “[...] logo que chegou aos meus ouvidos a voz da tua saudação, o menino exultou de alegria no meu seio.”»

A verdadeira alegria. Nossa Senhora levou a casa de Isabel a verdadeira alegria que brota da nossa filiação divina e contagiou Isabel, o menino ainda no seu ventre e todas as demais pessoas ali presentes.

Muitas vezes somos tentados a pensar que a alegria é incompatível com a existência de problemas, de cruz. No momento em que visita Isabel, além da normal fadiga da viagem, a vida de Maria está complicada. Teve de mudar o rumo dos seus planos, porque não esperava este convite de Deus. Não sabe como José vai reagir perante a sua gravidez em que ele não interveio.

Os quadros e grupos escultóricos que reproduzem o encontro de Maria com Isabel costumam apresentar-nos quatro figuras: a Mãe de Deus e a de S. João Baptista; e mais dois homens, um de cada lado, contemplando atentamente a cena. Um é sem dúvida Zacarias; o outro será José que deve ter acompanhado Maria nesta longa viagem, integrados numa dessas caravanas que atravessavam o país.

Se isto é verdade, José ouviu Isabel tratar Maria como “Mãe do meu Senhor” e Ela não protestou contra esta afirmação, dizendo que era mentira. A partir daqui, José entra numa prolongada agonia, não porque divide da fidelidade de Maria, mas porque a sua humildade o leva a pensar que está a mais naquele mistério. É um intruso e, portanto, deve retirar-se, embora com toda a cautela, para não difamar Maria.

Maria, Inteligentíssima e atenta deve-se ter apercebido de tudo isto, mas nada pode explicar, até porque não seria compreendida. A alegria da Mãe de Deus não é isenta de cruz.

Viver em Deus. Para poder dar aos outros a verdadeira alegria, é preciso possuí-la. Ninguém dá o que não tem.

Deus é a fonte da alegria, amor firme em que nos apoiamos também nos momentos difíceis da nossa vida.

Maria traz o Filho de Deus no seu seio virginal e é Ele que contagia João ainda no ventre de sua mãe.

Viver em Deus significa não só estar na Sua graça, mas fazer todo o esforço possível para corresponder à Sua amizade. De outro modo, a tibieza invade a alma e uma nuvem de tristeza e desolação aparece inevitavelmente no rosto de quem vive neste estado, sem possibilidade de qualquer disfarce.

Maria é a consonância perfeita com a vontade de Deus em todos os momentos da sua vida. É, pois, a alegria perfeita.

 

c) Humildade e gratidão. «Maria disse então: “A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, porque pôs os olhos na humildade da sua serva: de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações.”»

Com o Magnificat que Nossa Senhora canta em casa de Isabel, aprendemos o que é a verdadeira humildade.

Não consiste numa visão negativa, mas verdadeira da vida, reconhecendo a luz e as sombras que possa haver nela.

Humildade e verdade. Maria tem consciência da sua grandeza única na história da humanidade. «A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, porque pôs os olhos na humildade da sua serva: de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações. O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas: Santo é o seu nome

Mas, ao mesmo tempo, tem consciência de que tudo nela é obra de Deus. Não reconhecer as riquezas com o Senhor a dotou seria injustiça e mentira. Atribuí-las ao mérito próprio seria também errado.

Maria conjuga perfeitamente estes dois aspectos da sua vida: pequenez pessoal e grandeza pelo que Deus fez.

Aceitação da verdade. Certas pessoas, quando conhecem os seus defeitos e limitações, revoltam-se ou refugiam-se em grandezas e méritos imaginários.

Maria não tem o mais leve defeito. Mas tem as limitações de toda a criatura – embora seja uma criatura extraordinária, e isto não lhe rouba a paz nem a alegria. Ela canta, feliz, a sua condição no mundo.

Humildade de Jesus na Eucaristia. Vamos continuar a celebração da Santa Missa. Depois de termos participado na Mesa da Palavra, preparamo-nos agora para participarmos na Mesa da Eucaristia.

Nela encontramos uma proclamação clamorosa da humildade de Jesus. “Na cruz estava oculta a divindade; mas aqui está-o também a humanidade.” (S. Tomás de Aquino, Adoro Te devote). Na verdade, Jesus apaga toda a Sua glória de nosso Deus, toda a Sua dignidade humana e dá-Se-nos como uma alimento vulgar.

 Está em silêncio e nem sequer reclama contra as nossas faltas de respeito motivadas pela falta de fé.

Que Maria elevada ao Céu em corpo e alma nos ensine a aprender com Jesus os verdadeiros caminhos da humildade.

 

Fala o Santo Padre

 

«Rezais o Terço todos os dias? O Terço, também tem essa dimensão “agonística”;

uma oração que dá apoio na luta contra o maligno e seus aliados.»

No final da Constituição sobre a Igreja, o Concílio Vaticano II deixou-nos uma meditação belíssima sobre Maria Santíssima. Destaco apenas as expressões que se referem ao mistério que celebramos hoje. A primeira é esta: «A Virgem Imaculada, preservada imune de toda a mancha de culpa original, terminado o curso da vida terrena, foi elevada ao Céu em corpo e alma e exaltada por Deus como Rainha» (Cost. dogm. Lumen gentium, 59). Em seguida, perto do final do documento, encontramos esta expressão: «A Mãe de Jesus, assim como, glorificada já em corpo e alma, é imagem e início da Igreja que há de se consumar no século futuro, assim também na terra brilha como sinal de esperança segura e de consolação, para o Povo de Deus ainda peregrinante, até que chegue o dia do Senhor» (ibid., 68). À luz deste belíssimo ícone de Nossa Mãe, podemos considerar a mensagem contida nas Leituras bíblicas que acabamos de ouvir. Podemos nos concentrar em três palavras-chave: luta, ressurreição e esperança.

A passagem do livro do Apocalipse apresenta a visão da luta entre a mulher e o dragão. A figura da mulher, que representa a Igreja, é por um lado gloriosa, triunfante, e por outro ainda se encontra em dificuldade. De fato, assim é a Igreja: se no Céu já está associada com a glória de seu Senhor, na história enfrenta constantemente as provações e desafios que supõe o conflito entre Deus e o maligno, o inimigo de todos os tempos. E, nesta luta que os discípulos de devem enfrentar – todos nós, todos os discípulos de Jesus devemos enfrentar esta luta -, Maria não os deixa sozinhos; a Mãe de Cristo e da Igreja está sempre connosco. Sempre caminha connosco, está connosco. Maria também, em certo sentido, compartilha esta dupla condição. Ela, é claro, entrou definitivamente na glória do Céu. Mas isso não significa que Ela esteja longe, que esteja separada de nós; na verdade, Maria nos acompanha, luta connosco, sustenta os cristãos no combate contra as forças do mal. A oração com Maria, especialmente o Terço – atenção: o Terço! Rezais o Terço todos os dias? Mas, não sei não... [os fiéis gritam: sim!] Sério? Bem, a oração com Maria, especialmente o Terço, também tem essa dimensão “agonística”, ou seja, de luta, uma oração que dá apoio na luta contra o maligno e seus aliados. O Terço também nos sustenta nesta batalha.

A segunda leitura fala da ressurreição. O apóstolo Paulo, escrevendo aos Coríntios, insiste no fato de que ser cristão significa acreditar que Cristo ressuscitou verdadeiramente dos mortos. Toda a nossa fé se baseia nesta verdade fundamental, que não é uma ideia, mas um evento. E o mistério da Assunção de Maria em corpo e alma também está inteiramente inscrito na Ressurreição de Cristo. A humanidade da Mãe foi “atraída” pelo Filho na sua passagem através da morte. Jesus entrou de uma vez por todas na vida eterna com toda a sua humanidade, a qual ele recebera de Maria. Assim, Ela, a Mãe, que o seguira fielmente durante toda a sua vida, tinha-O seguido com o coração, entrou com Ele na vida eterna, que também chamamos de Céu, Paraíso, Casa do Pai.

Maria também conheceu o martírio da Cruz: o martírio do seu coração, o martírio da alma. Ela sofreu tanto, no seu coração, enquanto que Jesus sofria na Cruz. Ela viveu a Paixão do Filho até o fundo de sua alma. Ela estava totalmente unida com Ele na morte, e por isso foi-Lhe dado o dom da ressurreição. Cristo como primícias dos Ressuscitados, e Maria como primícias dos redimidos, a primeira daqueles “que pertencem a Cristo”. Ela é nossa Mãe, mas também podemos dizer que é nossa representante, nossa irmã, nossa primeira irmã; Ela é a primeira entre os redimidos que chegou ao Céu.

O Evangelho nos sugere uma terceira palavra: esperança. A esperança é a virtude daqueles que, experimentando o conflito, a luta diária entre a vida e a morte, entre o bem e o mal, creem na Ressurreição de Cristo, na vitória do Amor. Escutamos o canto de Maria, o Magnificat: é o cântico da esperança, é o cântico do Povo de Deus no seu caminhar através da história. É o cântico de muitos santos e santas, alguns conhecidos, outros – muitíssimos – desconhecidos, mas bem conhecidos por Deus: mães, pais, catequistas, missionários, padres, freiras, jovens, e também crianças, avôs e avós; eles enfrentaram a luta da vida, levando no coração esperança dos pequenos e dos humildes. Maria diz: «A minha alma engrandece ao Senhor» - hoje a Igreja também canta a mesma coisa, e o canta em todas as partes do mundo. Este cântico é particularmente intenso, onde o Corpo de Cristo hoje está sofrendo a Paixão. Onde está a Cruz, para nós cristãos, há esperança, sempre. Se não há esperança, nós não somos cristãos. Por isso gosto de dizer: não deixeis que vos roubem a esperança. Que não vos roubeis a esperança, porque esta força é uma graça, um dom de Deus que nos leva para frente, olhando para o Céu. E Maria está sempre lá, próxima dessas comunidades, desses nossos irmãos, caminhando com eles, sofrendo com eles, e cantando com eles o Magnificat da esperança.

Queridos irmãos e irmãs, unamo-nos com todo o coração a este cântico de paciência e de vitória, de luta e de alegria, que une a Igreja triunfante com a Igreja que peregrina, ou seja, nós; que une a terra com o Céu, que une a nossa história com a eternidade, para a qual caminhamos. Assim seja.

 Papa Francisco, Homilia, Castel Gandolfo, 15 de Agosto de 2013

 

Oração Universal

 

Irmãs e irmãos caríssimos:

Neste dia em que toda a Igreja se alegra e canta

com o triunfo de Santa Maria elevada ao Céu,

chegue até Deus, por intercessão da Virgem cheia de graça,

a nossa oração unânime e cheia de filial confiança,

 Oremos (cantando), com alegria:

 

    Interceda por nós a Virgem cheia de graça.

 

1. Pela Igreja que nos fez renascer em Cristo, pelo Baptismo,

    para que se alegre ao gerar sempre novos filhos de Deus,

    oremos, irmãos.

 

    Interceda por nós a Virgem cheia de graça.

 

2. Pelos discípulos de Jesus Cristo que vivem da fé e do amor,

    para que sejam fiéis à doutrina da Igreja e alcancem o Céu,

    oremos, irmãos.

 

    Interceda por nós a Virgem cheia de graça.

 

 3. Pelas famílias de todo o mundo, lutando com dificuldades

    para que o Senhor Jesus as defenda das ciladas do Inimigo,

    oremos, irmãos.

 

    Interceda por nós a Virgem cheia de graça.

 

4. Por todos que sofrem humilhações e fome e incompreensão,

    para que Deus os encha de bens, os conforte e lhes dê alegria,

    oremos, irmãos.

 

    Interceda por nós a Virgem cheia de graça.

 

5. Por todas as mães, os doentes, os sem abrigo e marginalizados,

    para que tenham em Cristo esperança e em Maria a intercessão,

    oremos, irmãos.

 

    Interceda por nós a Virgem cheia de graça.

 

6. Pelos familiares falecidos de todos nós aqui presentes na Missa,

    para que o Senhor lhes dê, quanto antes, o terno descanso no Céu,

    oremos, irmãos.

 

    Interceda por nós a Virgem cheia de graça.

 

Santíssima Trindade, Pai e Filho e Espírito Santo,

dai à Vossa Igreja a graça de imitar a Rainha do Céu,

que deu ao mundo Jesus Cristo, e de entrar um dia na glória

onde Ela já se encontra, ornada do ouro mais fino.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo,

na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

O nosso coração enche-se de alegria e gratidão, neste momento em que está a ser preparada a Mesa da Eucaristia, depois de termos participado na Mesa da Palavra, porque devemos este tesouro à fidelidade de Maria.

 

Cântico do ofertório: Louvada seja na terra, F. dos Santos, NRMS 33-34

 

Oração sobre as oblatas: Suba até Vós, Senhor, a nossa humilde oferta e, pela intercessão da Santíssima Virgem Maria, elevada ao Céu, fazei que os nossos corações, inflamados na caridade, se dirijam continuamente para Vós. Por Nosso Senhor...

 

Prefácio

 

A glória da Assunção de Maria

 

v. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

v. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

v. Demos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte, e louvar-Vos, bendizer-Vos e glorificar-Vos na Assunção da Virgem Santa Maria.

Hoje a Virgem Mãe de Deus foi elevada à glória do Céu. Ela é a aurora e a imagem da Igreja triunfante, ela é sinal de consolação e esperança para o vosso povo peregrino. Vós não quisestes que sofresse a corrupção do túmulo aquela que gerou e deu à luz o Autor da vida, vosso Filho feito homem.

Por isso, com os Anjos e os Santos, proclamamos a Vossa glória, cantando com alegria:

 

Santo: F. dos Santos, NCT 201

 

Saudação da Paz

 

Nossa Senhora da Assunção é a Rainha da Paz, pela sua fidelidade generosa ao Senhor, durante a vida inteira. Que Ela nos alcance de Jesus a verdadeira paz: com Deus, connosco mesmos e com os irmãos.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

O Corpo e Sangue de Jesus Cristo, presente na Eucaristia e que agora vamos receber, é penhor da nossa ressurreição.

Peçamos ao Senhor que, pelo dom do Seu Corpo e Sangue, Alma e Divindade, nos transforme para a vida eterna.

 

Cântico da Comunhão: A minha alma louva o Senhor, F. dos Santos, NCT 254

cf. Lc 1, 48-49

Antífona da comunhão: Todas as gerações me proclamarão bem-aventurada, porque o Senhor fez em mim maravilhas.

 

Cântico de acção de graças: Foi um sono de Luz, H. Faria, NRMS 103-104

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que nos alimentastes com o pão da vida eterna, concedei-nos, por intercessão da Virgem Santa Maria, elevada ao Céu, a graça de chegarmos à glória da ressurreição. Por Nosso Senhor...

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Celebremos com alegria a solenidade da Assunção da Virgem Santa Maria ao Céu.

A nossa alegria, porém, não faria sentido, se não procurássemos no dia a dia, seguir os passos da Mãe de Deus e nossa Mãe.

 

Cântico final: Gloriosa Mãe de Deus, M. Carneiro, NRMS 33-34

 

 

Homilias Feriais

 

20ª SEMANA

 

3ª Feira, 16-VIII: As riquezas de Deus e as riquezas humanas.

Ez 28, 1-10 / Mt 19, 16-22

Olha que nós deixámos tudo e seguimos-te. Que nos será, pois, concedido?

«A fé em Deus leva-nos a usar de tudo quanto não for Ele, na medida em que nos aproximar dEle, e a desprender-nos de tudo, na medida em que dEle nos afastar» (CIC, 226). A referência que nos é aconselhada é sempre Deus.

Para quem conhece as riquezas de Cristo, que sendo rico se fez pobre, nada se lhe pode comparar. Mas, às vezes, por orgulho, queremos ser senhores do mundo: «O teu coração encheu-se de orgulho, e tu disseste: Sou um deus, mas tu não passas de um homem, não és Deus» (Leit.). Saboreemos as riquezas de Deus: a Eucaristia, a nossa Mãe, a confissão, etc.

 

4ª Feira, 17-VIII: Trabalhar na vinha do Senhor.

Ez 34, 1-11 / Mt 20, 1-16

O reino dos Céus é semelhante a um proprietário, que saiu muito cedo a contratar trabalhadores para a sua vinha.

O Senhor chama-nos para trabalhar na sua vinha (Ev.), para cuidar do seu rebanho (Leit).

Trabalhar na sua vinha pode significar, em primeiro lugar, cuidar das coisas que se referem a Deus, melhorar as nossas virtudes, aproveitar bem o tempo, trabalhar em obras de apostolado, etc. Mas significa também participar na construção do reino de Deus na terra, melhorar as condições do ambiente em que vivemos: no local de trabalho, na vida familiar, no ambiente cultural e social, etc.

 

5ª Feira, 18-VIII: Um traje adequado.

Ez 36, 23-28 / Mt 22, 1-14

O rei, quando entrou para observar os convivas, viu lá um homem que não vestia traje de cerimónia.

«Jesus chama para entrar no Reino, por meio de parábolas... Por meio delas, convida para o banquete do Reino (Ev.), mas exige também uma opção radical» (CIC, 546). Neste caso, a exigência do Senhor é um traje adequado (a graça de Deus).

Para conseguirmos o traje adequado, o Senhor vem em nosso auxílio: derrama sobre nós as águas puras, para ficarmos limpos; dá-nos um coração renovado e um espírito novo: substitui o nosso coração de pedra por um de carne (Leit.). Pela nossa parte, procuremos confessar-nos, preparemos a nossa comunhão, mantenhamos a presença de Deus, etc.

 

6ª Feira, 19-VIII:O conteúdo do amor.

Ez 37,1-14 / Mt 22, 34-40

Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com toda a tua mente.

«Amor a Deus e amor ao próximo são inseparáveis, constituem um único mandamento. Mas ambos vivem do amor proveniente com que Deus nos amou primeiro» (Bento XVI). É o próprio Deus que derrama em nossos corações o seu amor, por meio do Espírito Santo: «vou mandar-vos um sopro de vida e tornareis a viver» (Leit.)

O conteúdo do amor é: «'idem velle atque idem nolle' -querer a mesma coisa e rejeitar a mesma coisa é, segundo os antigos, o autêntico conteúdo do amor; um tornar-se semelhante ao outro, que leva à união do querer e do pensar» (Bento XVI).

 

Sábado, 20-VIII: Humildade e espírito de serviço.

Ez 43, 1-7 / Mt 23, 1-12

Aquele que for o maior entre vós será o vosso servo. Quem se elevar será humilhado e quem se humilhar será elevado.

Os escribas e os fariseus procuravam a sua glória (Ev.). Mas toda a glória há-de ser para Deus: «a terra ficou iluminada com a sua glória (de Deus) (Leit.).

Por isso Jesus chama a atenção para a virtude da humildade: «Cristo ocupou o último lugar do mundo – a cruz – e, precisamente com esta humildade radical, nos redimiu e ajuda sem cessar» (Bento XVI). É igualmente uma virtude indispensável para quem quiser servir o próximo: «Com humildade, fará o que lhe for possível realizar e, com humildade, confiará o resto ao Senhor (Bento XVI).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Fernando Silva

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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