19º Domingo Comum

7 de Agosto de 2016

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Lembrai-Vos, Senhor, da Vossa aliança, Az. Oliveira, Cânticos de Entrada e Comunhão II, pág. 96

Sl 73, 20.19.22.23

Antífona de entrada: Lembrai-Vos, Senhor, da vossa aliança, não esqueçais para sempre a vida dos vossos fiéis. Levantai-Vos, Senhor, defendei a vossa causa, escutai a voz daqueles que Vos procuram.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

A nossa experiência de convívio uns com os outros, mesmo no interior da mesma família, nem sempre é positiva.

Não estamos atentos aos problemas uns dos outros para os ajudar. Pelo menos, facilmente nos distraímos deles.

Deixamos atrair a nossa atenção para muitas outras coisas e distraímo-nos facilmente, deixando de ajudar oportunamente os que estão ao nosso lado.

E às vezes o nosso egoísmo – que nos fecha numa indiferença cruel perante os que sofrem – leva-nos a fazer que não nos damos conta do que se está a passar com os outros, para não nos incomodarmos com eles.

Ao pensarmos em Deus, sobretudo quando nos vemos com problemas, transportamos para Ele inconscientemente a nossa experiência humana e facilmente nos convencemos de que Ele não nos atende nem quer saber de nós para nada.

A Liturgia deste 19.º Domingo do tempo Comum procura convencer-nos do contrário, partindo da verdade de fé de que somos filhos de Deus e Ele é para nós o melhor dos pais.

Esta verdade é a chave de leitura de todos os acontecimentos da nossa vida, sobretudo daqueles que nos fazem sofrer.

 

Acto penitencial

 

Nós também reconhecemos humildemente que estamos muitas vezes de pé atrás nas relações com Deus e que o mais pequeno nada nos serve de pretexto para pormos em causa a amizade do Senhor para connosco.

Confiamos na misericórdia do Senhor para invocarmos o Seu perdão, com toda a confiança.

 

(Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, elementos para o esquema C)

 

•   Senhor Jesus: Não acabamos de compreender que a nossa vida na terra

    nos foi dada para crescermos, dia a dia, na generosidade para convosco.

    Senhor, misericórdia!

 

    Senhor, misericórdia!

 

•   Cristo: Vivemos alheios e indiferentes aos problemas das outras pessoas,

    como se não pertencêssemos todos à mesma família dos filhos de Deus.

    Cristo, misericórdia!

 

    Cristo, misericórdia!

 

•   Senhor Jesus: Contentamo-nos com uma vida medíocre e cheia de frieza,

    e não nos lembramos que estamos na terra para amar a Deus e aos irmãos.

    Senhor, misericórdia!

 

    Senhor, misericórdia!

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, a quem podemos chamar nosso Pai, fazei crescer o espírito filial em nossos corações para merecermos entrar um dia na posse da herança prometida. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O autor do Livro da Sabedoria ensina-nos que só a atenção aos valores de Deus gera vida e felicidade.

A comunidade israelita – confrontada com um mundo pagão e imoral, que põe em questão os valores da comunidade do Povo de Deus – deve, portanto, ser uma comunidade “vigilante”, que consegue discernir entre os valores efémeros e os valores duradouros.

 

Sabedoria 18, 6-9

 

6A noite em que foram mortos os primogénitos do Egipto foi dada previamente a conhecer aos nossos antepassados, para que, sabendo com certeza a que juramentos tinham dado crédito, ficassem cheios de coragem. 7Ela foi esperada pelo vosso povo, como salvação dos justos e perdição dos ímpios, 8pois da mesma forma que castigastes os adversários, nos cobristes de glória, chamando-nos para Vós. 9Por isso os piedosos filhos dos justos ofereciam sacrifícios em segredo e de comum acordo estabeleceram esta lei divina: que os justos seriam solidários nos bens e nos perigos; e começaram a cantar os hinos de seus antepassados.

 

A leitura é extraída da última parte do livro da Sabedoria (16 – 18), onde se exalta a Providência divina ao castigar os egípcios e salvar os israelitas. Pertence ao género literário chamado «midraxe hagadá»: é uma piedosa meditação sobre a história sagrada, em que a intenção edificante lança mão da imaginação, sem grande preocupação pelo rigor histórico.

6 «Noite… dada previamente a conhecer», segundo Gn 15, 13-14; 11, 4-7; 12, 21-23.

9 «Ofereciam sacrifícios em segredo», alusão a Ex 12, 46, onde se diz que o cordeiro pascal era sacrificado e comido no interior das próprias casas. A referência a «cantar os hinos» tem em conta o hagadá de Páscoa, que prescrevia para a Ceia Pascal o canto dos Salmos do chamado grande Hallel (113 – 118; cf. Mt 26, 30), que cantavam os favores divinos para com o seu povo.

 

Salmo Responsorial    Sl 32 (33), 1.12.18-19.20.22 (R. 12b)

 

Monição: O Salmo de meditação convida-nos a meditar sobre a grandeza da nossa vocação cristã: somos os eleitos de Deus para uma felicidade que não tem fim, e o Senhor protege-nos e ajuda-nos neste caminho.

Manifestemos ao Senhor a nossa alegria e gratidão ao Senhor por esta escolha, fazendo deste salmo a nossa oração.

 

Refrão:     Feliz o povo que o Senhor escolheu para sua herança.

 

Justos, aclamai o Senhor,

os corações rectos devem louvá-l’O.

Feliz a nação que tem o Senhor por seu Deus,

o povo que Ele escolheu para sua herança.

 

Os olhos do Senhor estão voltados para os que O temem,

para os que esperam na sua bondade,

para libertar da morte as suas almas

e os alimentar no tempo da fome.

 

A nossa alma espera o Senhor,

Ele é o nosso amparo e protector.

Venha sobre nós a vossa bondade,

porque em Vós esperamos, Senhor.

 

Segunda Leitura

 

Monição: O autor da Carta aos hebreus apresenta-nos Abraão e Sara, como modelos de fé para os crentes de todas as épocas. Atentos aos apelos de Deus, empenhados em responder aos seus desafios, conseguiram descobrir os bens futuros nas limitações e na caducidade da vida presente.

É essa mesma atitude que o autor da Carta aos Hebreus recomenda a todos nós, chamados aos caminhos da fé.

 

Forma longa: Hebreus 11, 1-2.8-19;       forma breve: Hebreus 11, 1-2.8-12

 

Irmãos: 1A fé é a garantia dos bens que se esperam e a certeza das realidades que não se vêem. 2Ela valeu aos antigos um bom testemunho. 8Pela fé, Abraão obedeceu ao chamamento e partiu para uma terra que viria a receber como herança; e partiu sem saber para onde ia. 9Pela fé, morou como estrangeiro na terra prometida, habitando em tendas, com Isaac e Jacob, herdeiros, como ele, da mesma promessa, 10porque esperava a cidade de sólidos fundamentos, cujo arquitecto e construtor é Deus. 11Pela fé, também Sara recebeu o poder de ser mãe já depois de passada a idade, porque acreditou na fidelidade d’Aquele que lho prometeu. 12É por isso também que de um só homem – um homem que a morte já espreitava – nasceram descendentes tão numerosos como as estrelas do céu e como a areia que há na praia do mar.

 [13Todos eles morreram na fé, sem terem obtido a realização das promessas. Mas vendo-as e saudando-as de longe, confessaram que eram estrangeiros e peregrinos sobre a terra. 14Aqueles que assim falam mostram claramente que procuram uma pátria. 15Se pensassem na pátria de onde tinham saído, teriam tempo de voltar para lá. 16Mas eles aspiravam a uma pátria melhor, que era a pátria celeste. E como Deus lhes tinha preparado uma cidade, não Se envergonha de Se chamar seu Deus. 17Pela fé, Abraão, submetido à prova, ofereceu o seu filho único Isaac, que era o depositário das promessas, como lhe tinha sido dito: 18«Por Isaac será assegurada a tua descendência». 19Ele considerava que Deus pode ressuscitar os mortos; por isso, numa espécie de prefiguração, ele recuperou o seu filho.]

 

A leitura é um eloquentíssimo elogio da fé, uma das mais notáveis páginas de toda a Escritura. Depois de definir o que é a fé, mostra como todas as grandes figuras do Antigo Testamento resplandeceram por uma vida de fé. Aqui temos apenas um pequeno extracto do capítulo 11 da epístola.

1 «A fé é a garantia dos bens que se esperam». As realidades que esperamos na outra vida ainda não são uma realidade de que tenhamos uma posse palpável, mas a fé é já uma base ou garantia de que estão ao nosso alcance. Mas há uma outra interpretação que entende o termo grego (traduzido no leccionário por garantia), «hypóstasis» (substância, à letra, o que está por baixo, o suporte) no sentido de consistência: assim, a fé como que dá corpo e consistência na alma do crente àquelas realidades divinas reveladas por Deus que esperamos vir a possuir em plenitude, (mas, para uma pessoa que não tenha fé, aparecem como inconsistentes, mera alienação,).

«A certeza das realidades que não se vêem». O termo grego élenkhos foi traduzido pela palavra «certeza», com efeito, assim como uma demonstração nos dá a certeza de algo não evidente por si, assim também a fé nos dá a certeza de todas as verdades divinas que se não vêem, uma vez que a fé se apoia numa revelação de Deus que não se engana nem nos pode enganar.

8-19 O exemplo da fé de Abraão está em relação com diversas passagens do Génesis do «ciclo de Abraão» (Gn 12, 1 – 23, 20).

10 Cidade… cujo arquitecto e construtor é Deus», isto é, «a pátria celeste» (cf. v. 16). Esta passagem concorda com uma tradição judaica que diz que Deus mostrou a Abraão a Jerusalém celeste (cf. Apocalipse Siríaco de Barukh).

11 Pela fé, também Sara... A inicial incredulidade de Sara acabou por dar lugar a uma atitude de fé (cf. Gn 18, 10-13).

19 «Prefiguração» (à letra, «parábola», também se podia traduzir por «símbolo»). Desde os Padres Apostólicos que a Tradição da Igreja viu no Sacrifício de Isaac uma figura da Morte e Ressurreição (a recuperação do filho) de Cristo.

 

Aclamação ao Evangelho        Mt 24, 42a.44

 

Monição: Jesus recomenda-nos que nos mantenhamos atentos e vigilantes, para acolhermos as Suas inspirações em cada momento.

Manifestemos esta disponibilidade, aclamando O Evangelho que via ser proclamado para nós, cantando Aleluia.

 

Aleluia

 

Cântico: F. Silva, NRMS 35

 

Vigiai e estai preparados,

porque na hora em que não pensais virá o Filho do homem.

 

 

Evangelho

 

Forma longa: São Lucas 12, 32-48;       forma breve: São Lucas 12, 35-40

 

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos:

[32«Não temas, pequenino rebanho, porque aprouve ao vosso Pai dar-vos o reino. 33Vendei o que possuís e dai-o em esmola. Fazei bolsas que não envelheçam, um tesouro inesgotável nos Céus, onde o ladrão não chega nem a traça rói. 34Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração.]

35Tende os rins cingidos e as lâmpadas acesas. 36Sede como homens que esperam o seu senhor voltar do casamento, para lhe abrirem logo a porta, quando chegar e bater. 37Felizes esses servos, que o senhor, ao chegar, encontrar vigilantes. Em verdade vos digo: cingir-se-á e mandará que se sentem à mesa e, passando diante deles, os servirá. 38Se vier à meia-noite ou de madrugada, felizes serão se assim os encontrar. 39Compreendei isto: se o dono da casa soubesse a que hora viria o ladrão, não o deixaria arrombar a sua casa. 40Estai vós também preparados, porque na hora em que não pensais virá o Filho do homem».

[41Disse Pedro a Jesus: «Senhor, é para nós que dizes esta parábola, ou também para todos os outros?» O 42Senhor respondeu: «Quem é o administrador fiel e prudente que o senhor estabelecerá à frente da sua casa, para dar devidamente a cada um a sua ração de trigo? 43Feliz o servo a quem o senhor, ao chegar, encontrar assim ocupado. 44Em verdade vos digo que o porá à frente de todos os seus bens. 45Mas se aquele servo disser consigo mesmo: ‘O meu senhor tarda em vir’; e começar a bater em servos e servas, a comer, a beber e a embriagar-se, 46o senhor daquele servo chegará no dia em que menos espera e a horas que ele não sabe; ele o expulsará e fará que tenha a sorte dos infiéis. 47O servo que, conhecendo a vontade do seu senhor, não se preparou ou não cumpriu a sua vontade, levará muitas vergastadas. 48Aquele, porém, que, sem a conhecer, tenha feito acções que mereçam vergastadas, levará apenas algumas. A quem muito foi dado, muito será exigido; a quem muito foi confiado, mais se lhe pedirá».]

 

Na sequência do Domingo anterior (Lc 12, 13-21), este trecho é extraído duma secção do iii Evangelho (Lc 12 – 14), em que predominam os ensinamentos de Jesus, sobretudo os de carácter escatológico, com apelos à vigilância e a viver desprendido, com os olhos postos no reino que há-de vir. A leitura começa (vv. 32-34) com o final da longa exortação ao abandono na Providência amorosa de Deus e ao desprendimento dos bens efémeros.

32 «Pequenino rebanho». Apesar de poucos e sem recursos humanos, os discípulos nada têm a temer, pois foram admitidos no Reino de Deus que é indestrutível (cf. Lc 1, 33).

33-34 «Tesoiro inesgotável nos Céus». O texto paralelo de S. Mateus é mais desenvolvido (cf. Mt 6, 19-21). Como o nosso coração é forçosamente atraído pelo que ele julga ser o «tesoiro», temos de ter a sensatez de não nos defraudarmos a nós próprios erigindo em tesoiro - bem supremo, fim último - as coisas da terra, trocando o efémero e caduco pelo eterno. As boas obras, a esmola e as obras de misericórdia em geral (cf. Mt 25, 31-46) constituem uma riqueza que não se perde, pois essas obras terão uma recompensa eterna nos Céus.

35-48 Na forma longa do Evangelho de hoje, podemos distinguir três parábolas: a dos criados vigilantes (vv. 35-36), a do ladrão (v. 39) e a dos servos administradores (o fiel: vv. 42-44 e o infiel: vv. 45-48). As duas primeiras referem-se à necessidade da vigilância e a terceira à necessidade da fidelidade.

35-37a «Rins cingidos», isto é, as cintas apertadas, num gesto então habitual, próprio de quem, para trabalhar, arregaçava a túnica com um cinto. «As lâmpadas acesas», isto é, em atitude de vigilância ao longo da noite; é assim que devem estar vigilantes os discípulos de Jesus, «como homens que esperam o seu senhor voltar do casamento», a uma hora incerta.

37b «Em verdade vos digo... os servirá». Aqui já deixamos propriamente de ter a «parábola», uma vez que se acabou toda a «semelhança» com a vida corrente: não são os servos a servir o seu patrão (cf. 17, 7-9), mas é o dono a servir os criados! É uma alegoria que exprime como, no momento da sua vinda, Jesus recompensará, um a um – «passando diante deles» – os seus servos vigilantes, servindo-lhes o «banquete» da vida eterna.

39 «A que hora viria o ladrão». Esta segunda parábola, que já não se refere a um criado, mas a um senhor, é também um convite à vigilância, pondo em evidência como a vinda do Senhor será de improviso, sem o dono da casa poder calcular o dia do assalto; os criados da parábola anterior sabiam que era naquela noite que o seu patrão chegava da boda, embora ignorassem a hora, mas aqui o dono da casa não sabe nem o dia nem a hora. Daqui o sério apelo: «Estai vós também preparados».

41 «É para nós que dizes essa parábola?» Esta pergunta de Pedro parece referir-se à primeira parábola, concretamente à afirmação de Jesus no v. 37b, que muito o devia ter impressionado; mas Jesus não responde à pergunta, e propõe uma nova parábola, a do administrador fiel (vv. 42-46), a mesma do «servo fiel e prudente» de Mt 4, 45-51, embora com um matiz próprio: precisamente o facto de se chamar este servo «administrador» indica a intencionalidade de referir a parábola aos apóstolos, «os administradores dos mistérios de Deus», de quem se exige uma fidelidade total (cf. 1 Cor 4, 1-2).

42-48a Na parábola, temos um criado feito administrador da casa durante um certo período de ausência do patrão, o qual tem de dirigir os criados e criadas e, concretamente, de lhes dar diariamente a sua ração de alimento. A parábola do administrador contempla duas hipóteses: a da administração fiel e sensata (vv. 42-44) e a da má administração (v. 45-46). Na primeira, a condição é posta sob a forma duma pergunta retórica (v. 42) que equivale à afirmação: «se o administrador que o senhor colocou à frente do seu pessoal, para lhe dar, no devido tempo, a sua ração de trigo, for fiel e prudente..., pô-lo-á à frente de todos os seus bens».

48b «A quem muito foi dado…». Temos aqui a forma impessoal da voz passiva para, segundo o costume judaico, evitar pronunciar o nome inefável de Deus, por motivo de respeito, equivalendo a: «a quem Deus muito deu...». Os versículos 47-48, que não aparecem no lugar paralelo de S. Mateus, explicitam como no dia de juízo haverá uma desigualdade de castigos proporcionada à responsabilidade de cada um. É fácil perceber que os discípulos de Jesus são aqueles que «sabem o que o Senhor quer» (v. 47) e aqueles «a quem muito foi dado» (v. 48).

 

Sugestões para a homilia

 

• Deus vela por nós

Nunca estamos sós

Atentos aos sinais

Solidariedade com os irmãos

• Confiemos no Senhor

Serenos e contentes

Vigilantes

Demos frutos da nossa fé

 

 

1. Deus vela por nós

 

a) Nunca estamos sós. «A noite em que foram mortos os primogénitos do Egipto foi dada previamente a conhecer aos nossos antepassados, para que, sabendo com certeza a que juramentos tinham dado crédito, ficassem cheios de coragem

Com paciência infinita, o Senhor libertou o Seu Povo da opressão e escravatura do Egipto. Ali trabalhavam duramente, eram mal pagos e oprimidos. Usando uma linguagem humana, o Senhor disse a Moisés, no Sinai:

«Eu vi, Eu vi a aflição do Meu Povo que está no Egito, e ouvi os seus clamores, por causa dos seus opressores; sim, Eu conheço os seus sofrimentos. E desci para o livrar da mão dos egípcios e para uma terra fértil...» (Ex 3, 7-8).

Durante bastante tempo, trava-se um combate entre a teimosia orgulhosa do faraó e a paciência de Deus. Foram precisas as 10 pragas do Egipto, a última das quais levou a morte a todas as casas daquela grande nação, sem que o palácio real fosse poupado. Só então o faraó dobrou a cerviz e deixou partir o Povo de Deus.

Mas o Povo reagiu com indelicadeza à benevolência do Senhor, revoltando-se contra Moisés. Então o Senhor anunciou-lhes previamente a noite da libertação:

• para que saboreassem antecipadamente a alegria da vitória;

• para que não fossem apanhados desprevenidos, mas antes pudessem preparar-se com serenidade, sem precipitação na fuga;

• para que não se assustassem ao verem a morte espalhar-se por todo o Egipto onde ainda viviam.

Somos também tentados a julgar que o Senhor está distraído a nossa respeito, fechado em Si mesmo, indiferente às nossas dores e problemas.

O Senhor não nos perde de vista um só momento, como fazem as mães com os filhos pequeninos.

 

b) Atentos aos sinais. «Ela foi esperada pelo vosso povo, como salvação dos justos e perdição dos ímpios, pois da mesma forma que castigastes os adversários, nos cobristes de glória, chamando-nos para Vós

O Senhor pede que nos mantenhamos na atitude dos Israelitas, naquela noite em que saíram do Egipto. Estavam atentos aos mais pequenos sinais para se porem a caminho.

Havemos de permanecer assim na vida quotidiana, porque nos encontramos na mesma situação de espera.

É muito diferente a leitura dos acontecimentos e sinais que faz uma pessoa com fé daquela que a não tem.

Acontece, porém, que nos deixamos levar na apreciação dos acontecimentos e da Palavra de Deus que nos deixamos guiar pelas pessoas que estão às escuras. Os seus critérios são materialistas e mundanos, levando-nos a fazer escolhas erradas.

Missa dominical. O primeiro grande sinal que o Senhor nos envia todas as semanas é a nossa Missa do Domingo, na qual Ele mesmo Se encontra connosco e nos dirige a Sua Palavra, para nos orientar.

Quem não participa pontual e regularmente na Missa Dominical está completamente distraído dos grandes problemas da sua vida, ainda que pareça muito diligente nos seus negócios.

Vida de oração e Sacramentos. Quando não começamos o nosso dia falando com o nosso Deus e com a Santíssima Virgem, começamo-lo completamente distraídos e arriscamo-nos a passar assim o dia inteiro.

Só quem se preocupa por alimentar todos os dias um pequeno programa de oração e sacramentos pode encarar com fé as diversas dificuldades do dia. Muitas vezes, uma pequena dificuldade desorienta-nos e faz-nos vacilar na fé, porque não fomos capazes de ver nela um sinal de Deus a transmitir-nos uma mensagem oportuna para nos orientar.

Viver da Fé. Em cada situação, havemos de nos interrogar: como procederia Jesus Cristo se estivesse em meu lugar? Que conselho me daria nesta situação? Se não procedemos deste modo, para que nos serve a fé?

Vivamos atentos, momento a momento, aos sinais que o Senhor nos envia para que orientemos devidamente a nossa vida.

 

c) Solidariedade com os irmãos. «Por isso os piedosos filhos dos justos ofereciam sacrifícios em segredo e de comum acordo estabeleceram esta lei divina: que os justos seriam solidários nos bens e nos perigos; e começaram a cantar os hinos de seus antepassados

Deve ter sido emocionante a espera, em vigília, dos israelitas pelo sinal da partida do Egipto. Cada um preocupava-se com sigo, com os outros membros da família e com os demais, porque todos formavam o Povo de Deus. Eram «solidários nos bens e nos perigos.»

Deus salva-nos um a um, mas dentro de um Povo. O individualismo e o egoísmo não fazem sentido na vida do Povo de Deus, porque a comunhão no Amor na terra e na eternidade é a nossa vocação fundamental. Por caminhos diferentes e com vocações diversas, temos chegar todos à mesma felicidade.

Esta verdade ajuda-nos a compreender melhor a razão pela qual a caridade é fundamental na nossa vida cristã, e que todo o que fere os outros ou os divide, atenta contra os planos fundamentais de Deus a nosso respeito.

Como havemos de viver esta solidariedade dentro do Povo de Deus, a começar pelos que estão ao nosso lado?

Generosidade. É preciso combater o egoísmo cruel que nos fecha no tacanho mundo dos nossos interesses e gostos, abandonando os que estão ao nosso lado à sua sorte.

Oração e mortificação. Uma vez que estamos conscientes de que a bem aventurança eterna é fundamental para toda a pessoa e que podemos ajudar com a oração e mortificação os que nos estão mais próximos, ajudemo-los. «Na verdade, que aproveita ao homem se ganhar o mundo inteiro, se, depois, vier a perder a sua alma? Ou que poderá dar o homem em troca da sua alma?» (Mt 16, 26).

Conselho amigo. Se há uma relação normal de amizade entre nós e uma pessoa que anda fora do caminho da salvação, por que não havemos de aconselhá-la em momento oportuno? De resto, fazemos isto muitas vezes em coisas materiais e elas aceitam, agradecidas.

Ajuda fraterna material. Pode chegar o momento em que uma pessoa que vive ao nosso lado esteja mesmo carenciada, ou precise que a acompanhemos ao médico ou a uma repartição oficial. Tudo isto são manifestações de amizade muito queridas de Deus.

 

2. Confiemos no Senhor

 

a) Serenos e contentes. «Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Não temas, pequenino rebanho, porque aprouve ao vosso Pai dar-vos o reino. [...] Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração

Se quisermos encontrar uma razão para esta disposição de espírito, encontrá-la-emos:

Filiação divina. A serenidade e alegria são frutos do Espírito Santo e brotam na nossa vida de fé. Lançam as suas raízes na verdade da filiação divina.

S. Paulo exprime esta disposição interior numa frase que nos pode servir de jaculatória: «Sei em Quem depositei a (minha) confiança e estou certo de que Ele é assaz poderoso para guardar o meu depósito (da fé) até àquele dia.» (2 Tim 1, 12).

Se os homens podem faltar aos seus compromissos de amizade, Deus não é assim. S. Paulo explica-o numa frase que vale um tratado: «Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus que me amou e Se entrou a Si mesmo por mim.» (Gal 2, 20).

Confiança em Deus. Vivemos dominados pelo medo e pelo pânico do que nos pode acontecer. A imaginação transforma uma hipótese longínqua numa ameaça como se estivesse presente, porque não contamos com Deus, o melhor dos pais e dos amigos.

A fé consiste neste abandono incondicional e confiado nas mãos de Deus, como a criança entregue aos carinhos da mãe.

É possível que estejamos marcados pelas más experiências que temos de lidar na vida com as pessoas que às vezes são desleais e atraiçoam; faltam aos compromissos assumidos. Mas isto não nos autoriza a transferir esta experiência para as nossas relações com Deus.

A mais pequena contrariedade serve-nos de pretexto para nos queixarmos de Deus e ficarmos de pé atrás com Ele.

Exprimimos esta nossa confiança em Deus fazendo tudo o que está ao nosso alcance e confiemos, depois, com toda a serenidade, na bondade de Nosso Senhor.

 

b) Vigilantes. «Tende os rins cingidos e as lâmpadas acesas. Sede como homens que esperam o seu senhor ao voltar do casamento, para lhe abrirem logo a porta, quando chegar e bater

O Mestre serve-Se dos usos do Seu tempo para nos dar doutrina. Era costume, antes de iniciar uma caminhada, uma viagem, prender a túnica com um cinto, subindo-a, para que não travasse o andar. A isto alude Jesus quando fala de ter os rins cingidos.

Também os participantes num banquete nupcial esperavam o noivo para depois o acompanharem preveniam-se com lâmpadas e azeite para as alimentar. A chegada era repentina, inesperada, e não dava tempo a qualquer preparação. O Senhor quer que nos mantenhamos nesta atitude interior, prontos para a caminhada e atentos.

A vigilância refere-se sobretudo às coisas do espírito e concretiza-se em algumas exigências:

Vida em graça. Quem está em pecado encontra-se morto para a vida do Céu. Como pode vigiar uma pessoa que se transformou num cadáver? Além disso, a graça santificante – a vida de Deus – é indispensável para irmos ao encontro do Senhor quando Ele nos chamar. Precisamos de manter acesa a lâmpada da fé e do amor. Os mortos pelo pecado não podem entrar no Céu. O lugar deles é o inferno.

Intimidade crescente com Deus. Estamos na terra para nos enamorarmos de Deus e crescermos nesta amizade. Ela vai continuar eternamente no Céu.

Para o conseguirmos, temos necessidade urgente de um plano de oração diária e de sacramentos. Quando duas pessoas na terra se querem enamorar uma da outra e crescer nesse enamoramento, procuraram encontrar-se com frequência.

Temos necessidade de confissão frequente, comunhão diária, e do cumprimento de um plano de vida de oração em cada dia.

Atentos aos outros. A nossa vigilância não se pode limitar a nós, porque somos membros de uma família solidária. Temos de viver preocupados para que nenhuma pessoa que está ao nosso lado se perca no caminho ou fique para trás.

 

c) Demos frutos da nossa fé. «A quem muito foi dado, muito será exigido; a quem muito foi confiado, mais se lhe pedirá

Jesus fala com muita insistência no Evangelho da necessidade de dar frutos de boas obras. Não podemos ficar apenas em sentimentalismos e manifestações de religiosidade popular.

São várias as ocasiões em que Ele nos fala desta urgente necessidade:

na Parábola da figueira estéril (Mt  21, 18-29; Lc 13, 6-9). Não bastava estar cheia de folhas verdes, de aparências de bondade, de bons desejos. São necessárias boas obras.

No evangelho do juízo final. Jesus chama para a bem-aventurança eterna os que praticaram obras de caridade em favor do próximo. Mas para estas obras serem meritórias, hão-de ser realizadas em graça de Deus.

“Filtramos” os pedidos do Senhor e reduzimos as Suas exigências, como se Ele exagerasse ou estivesse enganado no que nos pede. Contentamo-nos em evitar o pecado mortal, mas deixamo-nos entorpecer pela tibieza.

O Senhor adverte-nos: «Se disseres basta, estás morto.»

Fala, depois, dos pecados de omissão, causa do afastamento da bem aventurança para sempre.

No Apocalipse. Quando S. João escreve cartas às sete igrejas da Ásia menor, fala da necessidade de fazer obras agradáveis ao Senhor.

No Evangelho deste domingo. O Senhor volta a falar da necessidade de fazer boas obras, proporcionais às graças recebidas: «A quem muito foi dado, muito será exigido; a quem muito foi confiado, mais se lhe pedirá

Como aproveitamos as graças de acesso à missa dominical e até diária, de frequência de sacramentos e tantas outras ajudas da Igreja, da família e dos amigos?

Não nos orgulhemos apenas porque não temos pecados. Além de que esta convicção pessoal pode ser fruto de uma consciência mal formada ou endurecida, não basta não fazer mal para entrar no Céu. São precisas obras de amor, fazer a vontade de Deus em cada momento do dia.

Com Maria, Mãe de Jesus e nossa Mãe, aprendemos a correspondemos com alegre fidelidade aos apelos de Deus.

 

Fala o Santo Padre

 

«O que atrai o teu coração? Posso dizer que é o amor de Deus?»

Este é o tesouro autêntico do homem. Ir em frente na vida com amor, com aquele amor que o Senhor semeou no coração, com o amor de Deus

O Evangelho deste domingo (Lc 12, 32-48) fala-nos do desejo do encontro definitivo com Cristo, um desejo que nos faz estar sempre prontos, com o espírito vigilante, porque esperamos este encontro com todo o coração, com todo o nosso ser. Trata-se de um aspecto fundamental da vida. É um desejo que todos nós, explícita ou implicitamente, temos no coração; todos nós temos este desejo no coração.

Também este ensinamento de Jesus é importante vê-lo no contexto concreto, existencial em que Ele o transmitiu. Neste caso, o evangelista Lucas mostra-nos Jesus que caminha com os seus discípulos rumo a Jerusalém, rumo à Páscoa de morte e ressurreição, e é neste caminho que os educa, revelando-lhes o que Ele mesmo tem no coração, as atitudes profundas da sua alma. Entre estas atitudes encontram-se o discurso dos bens terrenos, a confiança na providência do Pai e, nomeadamente, a vigilância interior, a expectativa concreta do Reino de Deus. Para Jesus é a espera do regresso para a casa do Pai. Para nós, a espera do próprio Cristo, que virá à nossa procura a fim de nos levar para a festa sem fim, como já fez com a sua Mãe, Maria Santíssima: levou-a para o Céu juntamente consigo.

Este Evangelho quer dizer-nos que o cristão é alguém que tem dentro de si um desejo grande, um desejo profundo: de se encontrar com o seu Senhor, juntamente com os irmãos, com os companheiros de caminho. E tudo isto que Jesus nos diz resume-se num famoso provérbio de Jesus: «Onde estiver o vosso tesouro, ali estará também o vosso coração» (Lc 12, 34). O coração que deseja. Mas todos nós temos um desejo. Pobre daquele que não tem desejos; o desejo de ir em frente, rumo ao horizonte; e para nós, cristãos, este horizonte é o encontro com Jesus, o encontro precisamente com Ele, que é a nossa vida, a nossa alegria, aqueles que nos torna felizes. Gostaria de vos dirigir duas perguntas. A primeira: todos vós tendes um coração desejoso, um coração que deseja? Pensai e respondei em silêncio no vosso coração: tu tens um coração que deseja, ou um coração fechado, um coração adormecido, um coração anestesiado pelas situações da vida? O desejo de ir em frente, ao encontro de Jesus. E a segunda pergunta: onde está o teu tesouro, aquele que tu desejas? – porque Jesus nos disse: onde estiver o vosso tesouro, ali estará também o vosso coração – e eu pergunto: onde está o teu tesouro? Qual é para ti a realidade mais importante, mais preciosa, a realidade que atrai o meu coração como um íman? O que atrai o teu coração? Posso dizer que é o amor de Deus? Há o desejo de fazer o bem ao próximo, de viver para o Senhor e para os nossos irmãos? Posso dizer isto? Cada um responda no seu coração. Mas alguém pode dizer-me: mas Padre, eu trabalho, tenho família, para mim a realidade mais importante é ocupar-me da minha família, do trabalho... Sem dúvida, é verdade, é importante. Mas qual é a força que mantém a família unida? É precisamente o amor, e quem semeia o amor no nosso coração é Deus, o amor de Deus, é mesmo o amor de Deus que confere sentido aos pequenos compromissos diários e que ajuda também a enfrentar as grandes provações. Este é o tesouro autêntico do homem. Ir em frente na vida com amor, com aquele amor que o Senhor semeou no coração, com o amor de Deus. Este é o verdadeiro tesouro. Mas no que consiste o amor de Deus? Não é algo vago, um sentimento genérico. O amor de Deus tem um nome e um rosto: Jesus Cristo, Jesus. O amor de Deus manifesta-se em Jesus. Pois nós não podemos amar o ar... Amamos o ar? Amamos o todo? Não, não se pode, nós amamos as pessoas, e a pessoa que amamos é Jesus, o dom do Pai entre nós. Trata-se de um amor que confere valor e beleza a todo o resto; um amor que dá força à família, ao trabalho, ao estudo, à amizade, à arte e a cada obra humana. E dá sentido também às experiências negativas, porque este amor nos permite ir além destas experiências, ir mais além, sem permanecer prisioneiros do mal, mas impele-nos além, abrindo-nos sempre à esperança. Eis, o amor de Deus em Jesus sempre nos abre à esperança, àquele horizonte de esperança, ao horizonte final da nossa peregrinação. Assim, até as dificuldades e as quedas encontram um sentido. Até os nossos pecados encontram um sentido no amor de Deus, porque este amor de Deus em Jesus Cristo nos perdoa sempre, nos ama a ponto de nos perdoar sempre. […]

  Papa Francisco, Angelus, Praça de São Pedro, 11 de Agosto de 2013

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

Cheios de confiança na bondade do Senhor

que nos atende sempre e permanece atento

a tudo o que Lhe pedimos com fé e amor,

peçamos pelas necessidades de cada dia

e pelos problemas da Igreja e do mundo.

Oremos (cantando):

 

    Senhor, em Vós confiamos!

 

1. Pelo Santo Padre, com os Bispos em comunhão com ele,

    para que nos conduza nesta noite de vigília que é a vida,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor, em Vós confiamos!

 

2. Por todos os que têm problemas inadiáveis que os afligem,

    para que a sua confiança na bondade do Senhor os conforte,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor, em Vós confiamos!

 

3. Pelos que vivem alheios a todo valor da sua vida na terra,

    para que despertem e se voltem urgentemente para Deus,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor, em Vós confiamos!

 

4. Pelos que perderam a confiança em Deus e não O invocam,

    para que o Senhor os ilumine ajude a recuperar a esperança,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor, em Vós confiamos!

 

5. Por todos nós, aqui reunidos para celebrar esta santa Missa,

    para que tenhamos sempre presente o sentido da nossa vida,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor, em Vós confiamos!

 

6. Pelos que terminaram a sua vida na terra e são purificados,

    para que O Senhor abrevie o seu cativeiro no Purgatório,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor, em Vós confiamos!

 

Senhor, que nos encheis de confiança no Vosso Coração divino,

para nos animar a caminhar alegres ao Vosso encontro do Céu:

tornai-nos dóceis aos Vossos desígnios de paz e de Amor,

e dai-nos aquilo que não sabemos ou não ousamos pedir.

Vós que sois Deus, com o Pai, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

Em cada Celebração da Santa Missa, o Senhor vem ao nosso encontro na Mesa da Palavra, ensinando-nos a caminhar para o Céu, e na Mesa da Eucaristia, fortalecendo-nos para o podermos fazer.

 Preparemo-nos para celebrar este mistério em que o mesmo Jesus Cristo, pela pessoa do sacerdote ministerial, transubstanciará o pão e o vinho no Seu Corpo e Sangue para nos alimentar.

 

Cântico do ofertório: Tomai, Senhor, e recebei, J. Santos, NRMS 70

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai benignamente, Senhor, os dons que Vós mesmo concedestes à vossa Igreja e transformai-os, com o vosso poder, em sacramento da nossa salvação. Por Nosso Senhor...

 

Santo: J. Santos, NRMS 6 (II)

 

Saudação da Paz

 

A vigilância cristã há-de levar-nos a estar em paz com Deus, connosco e com os nossos irmãos.

Ao trocarmos agora entre nós o gesto litúrgico da paz, procuremos acompanhar com o nosso coração o desejo de nos tornarmos, cada vez mais, semeadores de paz e de alegria.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

A vigilância que o Senhor nos recomenda há-de levar-nos a estarmos sempre preparados para O recebermos na Sagrada Comunhão: na graça de Deus, com fé profunda e amor ardente.

Se é assim que Ele nos encontra, neste momento, aproximemo-nos com toda a reverência para O recebermos sacramentalmente.

Se não pudermos comungar, façamos ao menos uma comunhão espiritual, enquanto os nossos irmãos se aproximam do altar para O receberem.

 

Cântico da Comunhão: Senhor, eu creio que sois Cristo, F. da Silva, NRMS 67

Sl 147,12.14

Antífona da comunhão: Louva, Jerusalém, o Senhor, que te saciou com a flor da farinha.

 

Cântico de acção de graças: Pelo Pão do Teu amor, H. Faria, NRMS 2 (II)

 

Oração depois da comunhão: Nós Vos pedimos, Senhor, que a comunhão do vosso sacramento nos salve e nos confirme na luz da vossa verdade. Por Nosso Senhor...

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Ao longo da semana, que ressoem aos nossos ouvidos e em nosso coração as palavras de Jesus, para que estejamos sempre vigilantes.

Ajudemos também os nossos irmãos, a fazê-lo, vivendo na graça de Deus, orando e frequentando os Sacramentos.

 

Cântico final: Vamos levar aos homens, M. Carneiro, NRMS 107

 

 

Homilias Feriais

 

TEMPO COMUM

 

19ª SEMANA

 

2ª Feira, 8-VIII: Manifestações do amor de Deus.

Ez 1, 2-5. 24-28 / Mt 17, 22-27

O Filho do homem vai ser entregue nas mãos dos homens. E os discípulos ficaram profundamente consternados.

Pedro rejeita este anúncio e os outros ficaram consternados (Ev.). Mas é por amor que Jesus entrega a sua vida. Sejamos igualmente um pouco mais generosos com Deus.

A santa Missa é uma das maiores manifestações do amor de Deus para connosco. «Na Eucaristia, Jesus não dá 'alguma coisa', mas dá-se a si mesmo; entrega o seu Corpo e derrama o seu Sangue. Deste modo, dá a totalidade da sua própria vida, manifestando a fonte originária deste amor: Ele é o Filho eterno que o Pai entregou por nós» (Bento XVI). Na Missa unem-se os céus e a terra: «Os céus e a terra estão cheios da vossa glória» (S. Resp.).

 

3ª Feira, 9-VIII: Sta. Teresa Benedita da Cruz: O heroísmo de cada dia.

Os 2, 16. 21-22 / Mt 25, 1-13

Farei de ti minha esposa para sempre, desposar-te-ei segundo a justiça e o direito, por amor e misericórdia.

Celebramos hoje a festa de uma das Padroeiras da Europa. Recebeu o chamamento do Senhor: «farei de ti minha esposa fiel, e tu hás-de conhecer o Senhor» (Leit.). Ao longo da sua vida foi preparando o encontro com o Senhor, enchendo de 'azeite' a 'lâmpada da sua vida' (Ev.), que culminou no martírio.

A Europa continua a precisar do exemplo dos seus filhos e filhas. Há uma maneira desleixada de seguir o Senhor (virgens insensatas) e uma maneira heróica (virgens prudentes), que é viver com fidelidade o 'martírio' das coisas pequenas, feitas por amor a Deus.

 

4ª Feira, 10-VIII: S. Lourenço: A fecundidade do sofrimento.

2 Cor 9, 6-10 / Jo 12, 24-26

Se o grão de trigo cair na terra, e não morrer, fica só ele; mas, se morrer, dá muito fruto.

S. Lourenço, diácono do Papa Sisto II, sofreu o martírio poucos dias depois do Papa.

Graças ao seu martírio, e ao de tantos outros nos primeiros séculos, a Igreja foi-se expandindo pelo mundo inteiro: «o sangue dos mártires é semente dos cristãos», ou «quem semeia com largueza também colherá com largueza» (Leit.). Participemos também nesta sementeira, oferecendo as contrariedades de cada dia, as renúncias necessárias para cumprirmos os nossos deveres, etc., que constituem o nosso «grão de trigo» (Ev.), que dará frutos abundantes, que só viremos a conhecer no Céu.

 

5ª Feira, 11-VIII: Ver tudo com os olhos de Deus.

Ez 12, 1-12 / Mt 18, 21- 19, 1

Assim vos há-de fazer também meu Pai celeste, se cada um de vós não perdoar a seu irmão do íntimo do coração.

É inevitável que, no nosso dia, apareçam pequenos conflitos: as discussões caseiras, os gestos que incomodam, os aborrecimentos do trânsito, etc. O Senhor pede-nos que procuremos perdoar do íntimo do coração (Ev.).

«O amor ao próximo consiste precisamente no facto de que amo, em Deus e com Deus, a pessoa que não me agrada ou que nem sequer conheço... Aprendo a ver aquela pessoa já não com os meus olhos e sentimentos, mas também segundo a perspectiva de Cristo. O seu amigo é meu amigo» (Bento XVI).

 

6ª Feira, 12-VIII: A dignidade do matrimónio.

Ez 16, 59-63 / Mt 19, 3-12

Foi por causa da dureza do vosso coração que Moisés vos permitiu despedir as vossas mulheres. Mas, ao princípio, não foi assim.

Jesus devolve a dignidade do matrimónio à sua pureza original, tal como foi instituído no princípio da criação (Ev.). Infelizmente o ambiente continua a desfigurar esta dignidade: «O valor da indissolubilidade matrimonial é cada vez mais ignorado; reclamam-se formas de reconhecimento legal para as convivências de facto, equiparando-as aos matrimónios legítimos; não faltam tentativas para serem aceites modelos com casais onde a diferença sexual não resulta essencial» (João Paulo II).

Rezemos para que tudo volte à normalidade: «Pois eu é que hei-de restabelecer a minha Aliança contigo e então reconhecerás que eu sou o Senhor» (Leit.).

 

Sábado, 13-VIII: Coração novo e alma nova.

Ez 18, 1-10. 13. 30-32 / Mt 19, 13-15

Deixai as criancinhas e não a as impeçais de se aproximarem de mim, que o reino dos Céus é daquelas que são como elas.

Tornar-se criança diante de Deus é condição para receber a Revelação de Deus e também para entrar no reino dos Céus (Ev.).Para ser criança aos olhos de Deus é necessário «um coração contrito e confiante que nos faça voltar ao estado de crianças» (CIC, 2785).

Além disso, precisamos converter-nos e criar um coração novo e uma alma nova: «Convertei-vos e renunciai a todas as vossas culpas, para não terdes mais ocasião de pecar. Lançai para longe de vós todas as faltas que praticastes e criai um coração novo e uma alma nova» (Leit.).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:   Fernando Silva

Nota Exegética:            Geraldo Morujão

Homilias Feriais:           Nuno Romão

Sugestão Musical:        Duarte Nuno Rocha

 


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