Transfiguração do Senhor

6 de Agosto de 2016

 

Festa

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Resplandeça sobre nós, S. Marques, NRMS 102

cf. Mt 17, 5

Antífona de entrada: O Espírito Santo apareceu numa nuvem luminosa e ouviu-se a voz do Pai: Este é o meu Filho muito amado, no qual pus as minhas complacências. Escutai-O.

 

Diz-se o Glória

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Celebramos hoje a festa da Transfiguração do Senhor.

Que esta solenidade ajude à nossa própria transfiguração na realidade quotidiana da vida, a fim de nos apresentarmos perante os homens, nossos irmãos, como sinal de uma Igreja vocacionada para ser sacramento vivo do Reino de Deus, esperança da humanidade.

E porque nem sempre temos sido capazes de assim o testemunhar, peçamos, por isso, perdão ao Senhor.

 

Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, que na gloriosa transfiguração do vosso Filho Unigénito confirmastes os mistérios da fé com o testemunho da Lei e dos Profetas e de modo admirável anunciastes a adopção filial perfeita, fazei que, escutando a palavra do vosso amado Filho, mereçamos participar na sua glória. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Sob a aparência de um venerável Ancião, o próprio Deus dá poderes muito especiais a um «Filho do Homem», Jesus, a quem é «entregue o poder, a honra e a realeza» e o seu reino jamais passará.

 

Daniel 7, 9-10.13-14

9Estava eu a olhar, quando foram colocados tronos e um Ancião sentou-se. As suas vestes eram brancas como a neve e os cabelos como a lã pura. O seu trono eram chamas de fogo, com rodas de lume vivo. 10Um rio de fogo corria, irrompendo diante dele. Milhares de milhares o serviam e miríades de miríades o assistiam. O tribunal abriu a sessão e os livros foram abertos. 13Contemplava eu as visões da noite, quando, sobre as nuvens do céu, veio alguém semelhante a um filho do homem. Dirigiu-Se para o Ancião venerável e conduziram-no à sua presença. 14Foi-lhe entregue o poder, a honra e a realeza, e todos os povos e nações O serviram. O seu poder é eterno, que nunca passará, e o seu reino jamais será destruído.

 

A leitura é tirada da 2ª parte do livro de Daniel, a parte profética (7 – 12). Temos aqui a descrição, em estilo apocalíptico, do julgamento divino, com três quadros: a apresentação do Juiz, Deus, (vv. 9-10); a destruição do reino inimigo (vv. 11-12, omitidos nesta leitura); e o estabelecimento do reino de Deus (vv. 13-14).

9-10 «Um Ancião» (à letra, «o Antigo em dias»): é uma forma antropomórfica de falar de Deus eterno (cf. 36, 26; Salm 101[102], 25-26; Is 41, 4). A alvura dos cabelos não significa velhice, mas glória e luminosidade. As torrentes de fogo que saem do trono podem simbolizar o poder divino para destruir os seus inimigos (v. 11; cf. Is 26, 11). Dado o estilo apocalíptico desta passagem, não se pode partir deste texto para fazer um cálculo, ainda que meramente aproximado, do número dos Anjos: «miríades de miríades» (=10.000 vezes 10.000) é um superlativo hebraico para indicar um número incontável (nós diríamos, «aos milhões», mas este numeral não existe em hebraico nem em grego).

13 Alguém semelhante a um filho de homem. Os exegetas, partindo da análise do contexto (vv. 18.22-27), dizem que o sentido literal directo desta expressão visa não um indivíduo singular, mas o povo dos «santos do Altíssimo» (v. 18). Contudo, como sucede frequentemente, o que é dito em geral acerca de todo o povo entende-se, de um modo eminente (sentido eminente), como referido a uma personagem singular, nomeadamente o chefe do povo, neste caso o próprio Messias. O judaísmo assim o entendeu, e o próprio Jesus (cf. Mt 24, 30; 26, 64); discute-se, porém, se «Filho do Homem» é um verdadeiro título cristológico (assim parece em Lc 1, 32-33; Mt 8, 20; 24, 30; 26, 64; Apoc 1, 7; 14, 14) ou uma maneira discreta de Jesus se referir a si mesmo (uma figura chamada asteísmo: o filho do homem equivalendo a este homem); uma coisa, porém, é certa: este não era um título com que Jesus fosse tratado nem pelo povo da Palestina, nem pela Igreja primitiva. Os que o entendem como um título cristológico sublinham o seu carácter simultaneamente humilde e glorioso, humano e divino (a propósito, veja-se o belo e profundo comentário teológico de Bento XVI, em Jesus de Nazaré, capítulo X).

 

Salmo Responsorial    Sl 96 (97), 1-2.5-6.9 e 12 (R. 1a.9a)

 

Monição: As intervenções de Deus na história abrem horizontes de esperança, por isso, com a recitação deste salmo rejubilamos e celebramos a Sua memória de santidade.

 

Refrão:     O Senhor é rei,

                o Altíssimo sobre toda a terra.

 

O Senhor é rei: exulte a terra,

rejubile a multidão das ilhas.

Ao seu redor, nuvens e trevas

a justiça e o direito são a base do seu trono.

 

Derretem-se os montes como cera

diante do senhor de toda a terra.

Os céus proclamam a sua justiça

e todos os povos contemplam a sua glória.

 

Vós, Senhor, sois o Altíssimo sobre toda a terra,

estais acima de todos os deuses.

Alegrai-vos, ó justos, no Senhor

e louvai o seu nome santo.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Para falar sobre a vinda gloriosa de Jesus Cristo os falsos mestres da época inventavam teorias complicadas e sem fundamento. Os Apóstolos, ao contrário, transmitiam factos que viram com os próprios olhos.

 

2 São Pedro 1, 16-19

Caríssimos: 16Não foi seguindo fábulas ilusórias que vos fizemos conhecer o poder e a vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo, mas por termos sido testemunhas oculares da sua majestade. 17Porque Ele recebeu de Deus Pai honra e glória, quando da sublime glória de Deus veio esta voz: «Este é o meu Filho muito amado, em quem pus toda a minha complacência». 18Nós ouvimos esta voz vinda do céu, quando estávamos com Ele no monte santo. 19Assim temos bem confirmada a palavra dos Profetas, à qual fazeis bem em prestar atenção, como a uma lâmpada que brilha em lugar escuro, até que desponte o dia e nasça em vossos corações a estrela da manhã.

 

Neste trecho é aduzido como argumento de credibilidade a favor do anúncio da «vinda» gloriosa (parusia) de Jesus o facto de Pedro ter sido testemunha (com outros dois Apóstolos: cf. Mt 17, 1-18 par) da sua glória divina, que brilhou sobrenaturalmente quando os três estavam com Ele «no monte santo». A parusia era negada pelos trocistas visados na carta, mais adiante (cf. 3, 3-4). O texto não perde a sua força, mesmo que ele tenha sido redigido, depois da morte do Príncipe dos Apóstolos, por algum seu discípulo e continuador, como hoje pensam muitos estudiosos.

Com a Transfiguração, «ficou bem confirmada a palavra dos Profetas», que anunciaram a vinda gloriosa do Messias no fim dos tempos: a Transfiguração foi uma visão antecipada da glória da parusia. Essa palavra da Sagrada Escritura, a que devemos prestar atenção, funciona como uma luz que «brilha como uma lâmpada em lugar escuro» (v. 19), «para aqueles que esperam a luz final, a ‘estrela da manhã’ (cf. Apoc 2, 28) a surgir com a parusia de Cristo (cf. 1 Tes 5, 4)» (The New Jerome Biblical Commentary, p. 1019). Em Apoc 22, 16, Jesus é «a brilhante estrela da manhã», pela qual a comunidade orante dos fiéis clama com insistência: «vem!» (Apoc 22, 17.20).

 

Aclamação ao Evangelho        Mt 17, 5c

 

Monição: A voz de Deus mostra que Jesus é a única autoridade. Todos os que ouvem o convite de Deus e seguem Jesus até ao fim começam, desde já, a participar na Sua vitória final. Por isso, aclamamos aleluia!

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação ao Evangelho-1, F. Silva, NRMS 50-51

 

Este é o meu Filho muito amado,

no qual pus toda a minha complacência. Escutai-O.

 

 

Evangelho

 

São Lucas 9, 28b-36

 

Naquele tempo, 28bJesus tomou consigo Pedro, João e Tiago e subiu ao monte, para orar. 29Enquanto orava, alterou-se o aspecto do seu rosto e as suas vestes ficaram de uma brancura refulgente. 30Dois homens falavam com Ele: eram Moisés e Elias, 31que, tendo aparecido em glória, falavam da morte de Jesus, que ia consumar-se em Jerusalém. 32Pedro e os companheiros estavam a cair de sono; mas, despertando, viram a glória de Jesus e os dois homens que estavam com Ele. 33Quando estes se iam afastando, Pedro disse a Jesus: «Mestre, como é bom estarmos aqui! Façamos três tendas: uma para Ti, outra para Moisés e outra para Elias». Não sabia o que estava a dizer. 34Enquanto assim falava, veio uma nuvem que os cobriu com a sua sombra; e eles ficaram cheios de medo, ao entrarem na nuvem. 35Da nuvem saiu uma voz, que dizia: «Este é o meu Filho, o meu Eleito: escutai-O». 36Quando a voz se fez ouvir, Jesus ficou sozinho. Os discípulos guardaram silêncio e, naqueles dias, a ninguém contaram nada do que tinham visto.

 

Antes de mais, convém notar, na narrativa lucana da Transfiguração, um pormenor cronológico omitido na leitura litúrgica, mas nada despiciendo: «cerca de oito dias depois», em vez do habitual «naquele tempo», que preferiram adoptar. Com efeito, em todos os três Sinópti­cos, não é sem razão que se estabelece uma das raras ligações cronológicas entre este relato e o relato da confissão de fé de Pedro e do 1º anúncio da Paixão e Morte de Jesus. É uma ligação de grande alcance teológico: por um lado, a fé de Pedro é confirmada e ilustrada de forma singular com a glória divina que Jesus manifesta na sua Transfiguração; por outro, indica-se que a Cruz é o caminho da glória, como para Jesus, assim como para os seus discípulos (per crucem ad lucem).

28 «Subiu ao monte para orar». O monte Tabor (562 m), na Galileia, uns 10 Km a Leste de Nazaré, segundo a tradição, ou, segundo muitos hoje pensam baseados em Mt 17, 1 e Mc 9, 2 que falam de «um monte elevado», o monte Hermon, sobranceiro a Cesareia de Filipe, no maciço central da Síria (o Anti-líbano) com 2.759 metros, a região por onde Jesus então andava (cf. Mc 8, 27; 9, 1). Mas, acima das considerações topográficas, o mais interessante é fixarmo-nos com J. Ratzinger/Bento XVI no «simbolismo geral do monte: o monte como lugar da subida, não apenas da subida exterior, mas também da ascese interior; o monte como um libertar-se do peso da vida diária, como um respirar no ar puro da criação; o monte que oferece o panorama da criação em toda a sua vastidão e beleza; o monte que me dá elevação interior e me permite intuir o Criador. A estas considerações, a história acrescenta a experiência de Deus que fala e a experiência da paixão como seu ponto culminante no sacrifício de Isaac, no sacrifício do Cordeiro definitivo sacrificado no monte Calvário» (Jesus de Nazaré, p. 383-4)

S. Lucas é o único a notar que Jesus subiu ali para fazer oração; também não diz que se transfigurou, mas que «se alterou o aspecto do seu rosto…», certamente com a preocupação de que os seus primeiros leitores de ambientes greco-romanos não pensassem que se tratava de alguma metamorfose própria das religiões mistéricas. E a Transfiguração de Jesus não deixa de apontar para a nossa própria transfiguração pela graça do Espírito do Senhor, como diz S. Paulo em 2 Cor 3, 18: «todos nós…, que reflectimos como num espelho a glória do Senhor vamos sendo transformados na sua própria imagem, cada vez mais gloriosa…».

31 «Falavam da morte d’Ele». Também só o 3.° Evangelho diz o assunto da conversa de Jesus com Moisés e Elias. Falavam da «saída» de Jesus, como se expressa o original grego, que a nossa tradução interpretou como «a morte», mas que também se poderia referir à Ascensão (menos provável); de qualquer modo, o uso do termo grego êxodo pode aludir ao carácter libertador da morte de Jesus, numa alusão à libertação da escravidão do Egipto.

32-33 «Estavam a cair de sono; mas, despertando...» Este pormenor exclusivo de Lucas pressupõe que a Transfiguração se deu de noite, enquanto Jesus fazia oração, pois gostava de orar de noite (cf. Lc 6, 12; Mc 6, 46). A proposta de Pedro de construir «três tendas» (de ramos), tem na devida conta a diferente dignidade de cada um e pretende prolongar aquele êxtase feliz.

35 «Este é o meu Filho, o meu Eleito». A Transfiguração é um confirmar da fé daquele núcleo duro dos Doze, as «colunas» do Colégio Apostólico; o próprio Pai apresenta Jesus como o seu Filho. S. Lucas, em vez de «o Amado» (cf. Mt 17, 5; Mc 9, 7), diz: «o meu Eleito», que é mais uma forma (e mais clara) de O designar como o Messias (cf. Lc 23, 35; Is 42, 1). Comenta S. Tomás de Aquino: «Apareceu toda a Trindade, o Pai na voz, o Filho no homem, o Espírito na nuvem luminosa» (Sum. Th. 3, 45, 4, ad 2).

36 «Guardaram silêncio», por ordem de Jesus (Mc 9, 9-10) que pretende, a todo o custo, evitar a agitação popular à sua volta.

 

Sugestões para a homilia

 

O domínio dos mais fortes

A oração de Jesus e a alteração do seu rosto

O sono dos discípulos e a lâmpada que brilha

 

O domínio dos mais fortes

   

Daniel, no princípio do capítulo sétimo da sua Profecia (versículos 2 a 8), e cuja continuação nós hoje ouvimos ler, evoca uma dramática visão nocturna que tivera.

Nela vê saírem do mar (o mar, na Bíblia, é o símbolo da desordem e do caos) quatro enormes bestas que, conforme explica, são os reinos fortes mas tirânicos, bárbaros, sanguinários e desumanos que se sucederam no mundo e que dominaram os mais fracos, violaram os direitos dos povos e se lhes impuseram com prepotente violência.

Ao olharmos ao nosso redor e observando os acontecimentos que se têm sucedido nestes nossos dias, parece que estamos a reviver a Profecia de Daniel. Constatamos que neste mundo se sucedem novos dominadores prepotentes, violentos e ameaçadores. Tal se verifica no desejo do domínio territorial, no âmbito político, mas também em todos os contextos da vida: no campo económico e profissional, na escola, no desporto, nos (des)valores e até nas convicções religiosas que querem impor.

Então, interrogamo-nos: nunca se concluirá esta ocorrência? O mundo estará sempre sujeito incessantemente a estas forças de morte? A leitura de hoje responde que não. O reino do mal não será eterno, pois que, como refere o trecho, das nuvens do céu saiu, “alguém semelhante a um filho do homem e a quem Deus (referido como o Ancião) lhe entrega o poder, a honra e a realeza, que nunca passará, e o seu reino jamais será destruído.” Esse filho do homem é Jesus que deu início ao reino no qual os débeis e os pobres já não serão atormentados, mas servidos. Só este reino não terá fim e, apesar das contestações, crescerá sempre mais. 

Como ouvimos no Evangelho, Jesus tomou consigo Pedro, João e Tiago e subiu ao monte para orar.

 

A oração de Jesus e a alteração do seu rosto

 

 Talvez nos surpreenda na leitura do Evangelho deste dia que Jesus tenha chamado apenas três dos seus discípulos para serem testemunhas da cena que se iria passar. Os três escolhidos são, precisamente, aqueles que uns dias mais tarde também vão ser testemunhas da Sua hora mais negra, no Horto da Oliveiras. É compreensível que Jesus se interrogue acerca do caminho que o Pai quer que Ele percorra. Por isso vai ao monte para rezar.

Enquanto orava, “alterou-se o aspecto do seu rosto e as suas vestes ficaram de uma brancura refulgente”. Este esplendor é o sinal da glória que envolve quem está unido a Deus.

Cada autêntico encontro com Deus deixa alguma marca visível no rosto do homem.

“Moisés e Elias, tendo aparecido em glória, falavam da morte de Jesus, que ia consumar-se em Jerusalém.” A luz sobre o rosto de Jesus indica que, durante a oração, Ele compreendeu e fez seu o projecto do Pai; entendeu que o seu sacrifício não se iria consumar com a derrota, mas com a ressurreição.

 Mesmo depois de todas as instruções e explicações do Mestre, os três discípulos ainda não tinham compreendido o projecto de Deus. Notemos uma particularidade curiosa: quando se trata de problemas relacionados com a paixão e morte de Jesus, estes discípulos são sempre apanhados a dormir.

 

O sono dos discípulos e a lâmpada que brilha

 

Esta situação tem um significado simbólico: indica que eles não estavam a entender aquilo que estava a acontecer a Jesus. Só estavam bem acordados quando Jesus realizava prodígios ou quando as multidões o aclamavam. Quando Jesus começa a falar do dom da vida, da ocupação do último lugar, do serviço aos mais pobres, eles não querem entender, lentamente fecham os olhos e começam a dormir... assim podem continuar a sonhar com aplausos e triunfos.

Não é fácil acreditar na revelação de Jesus e aceitar a sua proposta de vida. Confiar n’Ele é muito arriscado porque embora sendo verdade que Ele promete uma glória futura, apenas experimentam aqui e agora a renúncia, o dom gratuito de si.

Com esta transfiguração de Jesus uma nova luz brilhou dentro das suas mentes e começam a apreender por antecipação o mistério pascal que só pela experiência do Ressuscitado lhes é dado perceber completamente. É esse instante que Pedro recorda uns anos mais tarde, quando testemunha comovido, como ouvimos na segunda leitura: «Não foi por fábulas ilusórias [...] mas por termos sido testemunhas oculares da sua majestade. Porque Ele recebeu de Deus Pai honra e glória, quando da grande glória divina, Lhe foi dirigida esta voz: “Este é o Meu Filho muito amado, em quem pus toda a minha complacência».

Na espera da aurora os nossos rostos, os nossos passos, as nossas acções são guiadas por uma “lâmpada que brilha em lugar escuro”: a palavra de Deus que se encontra nas Sagradas Escrituras.

Para nós, hoje, a transfiguração de Jesus conserva o mesmo significado que tinha para os primeiros cristãos: é anúncio da manifestação última do Senhor que, como “estrela da manhã” um dia brilhará nos nossos corações.

Hoje, saindo das nossas igrejas, podemos anunciar a todos aquilo que a fé nos levou a descobrir: quem dá a própria vida por amor entra na glória de Deus.

Que sejam estas, algumas das muitas lições que poderemos tirar da celebração desta festividade e que as saibamos pôr em prática quotidianamente.

 

 

Oração Universal

 

Caríssimos irmãos:

ao celebrarmos a festa da Transfiguração do Senhor,

saibamos ver em Jesus a luz que nos transforma.

Invoquemos, por isso, a Deus Pai

dizendo (cantando), com alegria

   

    Aumentai em nós, Senhor, a vossa luz.

 

1.     Que o Santo Padre, Bispos, Presbíteros e Diáconos,

sejam testemunho vivo da luz de Cristo

a iluminar toda a humanidade,

oremos irmãos.

 

2.     Que os governantes das nações,

sejam iluminados pelo Senhor,

a fim de procurarem minimizar

as dificuldades dos seus povos,

oremos, irmãos.

 

3.     Que o Senhor Jesus aja

no interior do coração dos prepotentes,

dos violentos e dos ameaçadores,

para os tornar dóceis à Palavra de Deus,

oremos, irmãos.

 

4.     Que todos nós, os baptizados,

consigamos redescobrir os convites

que nos são feitos pelo Mestre

à nossa própria transfiguração interior,

oremos, irmãos.

 

5.     Que procuremos Cristo na oração,

na Palavra e no Pão eucarístico,

onde Ele se nos manifesta e nos transfigura,

a fim de O sabermos louvar e adorar,

oremos, irmãos.

 

6.     Por todos os homens, nossos irmãos,

para que Jesus os ajude a acolher com outra luz

as dificuldades encontradas nas horas negras da vida,

oremos, irmãos.

 

7.     Pelos doentes e todos os que sofrem,

para que a luz de Cristo os leve a sentirem-se mais fortes,

oremos, irmãos.

 

Senhor,

ouvi estas nossas preces 

e dignai-vos atender os nossos pedidos,

para que nos transfiguremos interiormente

e consigamos mostrar aos homens a verdadeira luz.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo,

vosso Filho, que é Deus convosco,

na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Queremos ver transformados, Az. Oliveira, NRMS 17

 

Oração sobre as oblatas: Santificai, Senhor, estes dons pelo Mistério da Transfiguração do vosso Filho e com o esplendor da sua glória purificai-nos das manchas do pecado. Por Nosso Senhor...

 

Prefácio

 

O Mistério da Transfiguração

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Demos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte, por Cristo nosso Senhor. Na presença de testemunhas escolhidas, Ele manifestou a sua glória e na sua humanidade, em tudo semelhante à nossa, fez resplandecer a luz da sua divindade para tirar do coração dos discípulos o escândalo da cruz e mostrar que devia realizar-se no corpo da Igreja o que de modo admirável resplandecia na sua cabeça. Por isso exulta a Igreja em toda a terra e com os Anjos e os Santos proclama a vossa glória, cantando numa só voz:

 

Santo: «Da Missa de Festa», Az. Oliveira, NRMS 50-51

 

Monição da Comunhão

 

Ao participarmos da comunhão do Corpo de Nosso Senhor Jesus sejamos iluminados pela Sua luz, a fim de nos transfigurarmos interiormente para vivermos melhor a nossa vida de fé.

 

Cântico da Comunhão: Em Vós Senhor está a fonte da vida, Az. Oliveira, NRMS 67

cf. 1 Jo 3, 2

Antífona da comunhão: Quando Cristo Se manifestar, seremos semelhantes a Ele, porque O veremos na sua glória.

 

Cântico de acção de graças: Senhor, Vós sois grande, M. Simões, NRMS 48

 

Oração depois da comunhão: O alimento celeste que recebemos, Senhor, nos transforme em imagem de Cristo, que no mistério da transfiguração manifestastes cheio de esplendor e de glória. Ele que é Deus conVosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Depois de termos participado nesta festa da Transfiguração do Senhor, partamos para a vida conscientes de que temos por missão anunciar e viver a esperança e a luz de Cristo, sabendo-O descobrir por detrás de todos os acontecimentos, dificuldades, contratempos e incompreensões.

 

Cântico final: Glória a Jesus Cristo, Az. Oliveira, NRMS 92

 

 

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:   A. Elísio Portela

Nota Exegética:            Geraldo Morujão

Sugestão Musical:        Duarte Nuno Rocha

 


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