COMENTÁRIO

 

EUTANÁSIA OU CUIDADOS PALIATIVOS?

 

 

Pe. Tony Neves  

  Jornalista, Provincial dos Espiritanos  

 

 

Todos sabemos. Há pessoas que não querem continuar a viver como vivem: com sofrimento insuportável, sem sentido, sem carinho, com solidão. E, nesta situação de desespero extremo, até podem afirmar que querem morrer. Muitas pessoas acham que faz sentido ajudá-las a morrer, praticando a eutanásia. E, por isso, a Assembleia da República Portuguesa vai discutir uma proposta de lei para legalizar esta prática de “morte assistida”.

Nestas questões “fracturantes”, estão em causa valores profundos. E, por isso mesmo, o debate é essencial. Há que fundamentar bem as posições tomadas e a tomar. Ninguém deve assumir posições arrogantes e fechadas, todos têm a obrigação de ser parte da solução e não do problema.

Os Bispos portugueses tomaram uma posição oficial, apoiando-se em peritos nas áreas do direito, da ética e da medicina. A tradição da Igreja, na sua doutrina social e moral, afirma sempre a vida como direito inalienável e valor intocável. Também a Constituição da República e o Código Deontológico dos Médicos assumem esta defesa da vida sem excepções. A Eutanásia contraria este princípio de fundo.

O Documento dos Bispos tem por título: “Eutanásia: o que está em jogo? Contributos para um diálogo sereno e humanizador”. Sim, tem de ser assim. Há que dialogar, reflectir, apresentar argumentos e, sobretudo, apontar soluções.

“A vida humana – dizem ainda os Bispos – é o pressuposto de todos os direitos e de todos os bens terrenos”. Além do mais, “a decisão de suprimir a vida é a mais absolutamente irreversível de qualquer das decisões”.

As pessoas pedem para morrer quando acham que a sua vida não tem sentido ou perdeu dignidade. E que resposta devem dar os familiares e o Estado a este pedido? “Sim, a tua vida não tem sentido, a tua vida perdeu dignidade, és um peso para os outros”? Não, a resposta deve ser outra: “Não, a tua vida não perdeu sentido, não perdeu dignidade, tem valor até ao fim, tu não és um peso para os outros, continuas a ter valor incomensurável para todos nós!” Será que o pedido não é mais que um grito de desespero de quem se sente abandonado e quer chamar a atenção dos outros?

Para os cristãos, não se elimina o sofrimento com a morte: com a morte, elimina-se a vida da pessoa que sofre. E a Igreja aponta caminhos: “o sofrimento pode ser eliminado ou debelado com os cuidados paliativos, não com a morte”.

Com perguntas e respostas preparadas por especialistas, explica-se que “a eutanásia não acaba com o sofrimento, acaba com a vida”. Diz-se ainda que “não se alcança a liberdade da pessoa com a supressão da vida dessa pessoa. A eutanásia e o suicídio não representam um exercício de liberdade, mas a supressão da própria raiz da liberdade”.

Os cuidados paliativos, tão pouco implementados ainda, são a melhor solução para o sofrimento intolerável e o abandono a que certas pessoas se sentem votadas. Dizem os especialistas que “estes cuidados devem ser prestados de forma continuada até ao momento da morte; e, mesmo após a morte, com a prestação de apoio á família enlutada”.

Em síntese, Eutanásia – Não! Cuidados paliativos – Sim!

 


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