16º Domingo Comum

17 de Julho de 2016

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Povos da terra, cantai hinos, S. Marques, NRMS 55

Salmo 53, 6.8

Antífona de entrada: Deus vem em meu auxílio, o Senhor sustenta a minha vida. De todo o coração Vos oferecerei sacrifícios, cantando a glória do vosso nome.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Para fomentar um ambiente agradável entre as pessoas é indispensável o cultivo dos bons hábitos, chamados vulgarmente virtudes humanas.

Entre muitas outras, encontra-se a virtude da hospitalidade, que nos aparece com grande relevo na Sagrada Escritura e é ainda em muitos lugares tida em grande conta.

No entanto, podemos perguntar até que ponto ela é possível no ambiente em que vivemos. As pessoas debatem-te com falta de tempo, habitações muito reduzidas, os condicionamentos dos horários de trabalho e uma séria ameaça à segurança grande que aconselha a não receber em casa pessoas estranhas.

Além disso, parece que é menos necessária em nossos dias. As pessoas deslocam-se rapidamente de um lugar para o outro, não tendo necessidade de se hospedarem fora de casa.

No entanto, a hospitalidade, como todas as virtudes, é de todos os tempos. O importante é configurá-la aos tempos em que vivemos, encontrar formas novas de a viver.

É sobre esta virtude humana da hospitalidade que a Liturgia da Palavra do 16.º Domingo do Tempo Comum nos vai encher de luz.

 

Acto penitencial

 

Deixamos facilmente que as portas do coração se fechem por causa da desconfiança, da preguiça ou da insensibilidade perante os problemas dos outros.

É o momento de reconhecermos as nossas faltas, nos arrependermos e prometermos, com a ajuda do Senhor, emenda de vida.

 

(Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, elementos para o esquema C)

 

•   Senhor Jesus: Perdoai-nos o isolamento em que nos refugiamos,

recusando-nos a reparar nos problemas dos outros e a ajudá-los.

Senhor, tende piedade de nós!

 

Senhor, tende piedade de nós!

 

•   Cristo: Perdoai-nos a frieza com que Vos tratamos na Comunhão,

mantendo-nos distraídos e alheios ao momento que vivemos.

Cristo, tende piedade de nós!

 

Cristo, tende piedade de nós!

 

•   Senhor Jesus: perdoai-nos a falta de atenção na Missa dominical,

de tal modo que, praticamente, não chegamos a falar convosco.

Senhor, tende piedade de nós!

 

Senhor, tende piedade de nós!

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração colecta: Sede propício, Senhor, aos vossos servos e multiplicai neles os dons da vossa graça, para que, fervorosos na fé, esperança e caridade, perseverem na fiel observância dos vossos mandamentos. Por Nosso Senhor ...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Abraão acolhe três personagens misteriosos que se apresentam diante da sua tenda de nómada e trata-os com a maior delicadeza e generosidade. Deus promete-lhe, como recompensa, a alegria de dar a esta casa um filho há muito esperado.

Quando acolhemos os outros com espírito sobrenatural, Deus acolhe-nos sempre e recompensa-nos generosamente.

 

Génesis 18, 1-10a

Naqueles dias, 1o Senhor apareceu a Abraão junto do carvalho de Mambré. Abraão estava sentado à entrada da sua tenda, no maior calor do dia. 2Ergueu os olhos e viu três homens de pé diante dele. Logo que os viu, deixou a entrada da tenda e correu ao seu encontro; prostrou-se por terra e disse: 3«Meu Senhor, se agradei aos vossos olhos, não passeis adiante sem parar em casa do vosso servo. 4Mandarei vir água, para que possais lavar os pés e descansar debaixo desta árvore. 5Vou buscar um bocado de pão, para restaurardes as forças antes de continuardes o vosso caminho, pois não foi em vão que passastes diante da casa do vosso servo». Eles responderam: «Faz como disseste». 6Abraão apressou-se a ir à tenda onde estava Sara e disse-lhe: «Toma depressa três medidas de flor da farinha, amassa-a e coze uns pães no borralho». 7Abraão correu ao rebanho e escolheu um vitelo tenro e bom e entregou-o a um servo que se apressou a prepará-lo. 8Trouxe manteiga e leite e o vitelo já pronto e colocou-o diante deles; e, enquanto comiam, ficou de pé junto deles debaixo da árvore. 9Depois eles disseram-lhe: «Onde está Sara, tua esposa?». Abraão respondeu: «Está ali na tenda». 10aE um deles disse: «Passarei novamente pela tua casa daqui a um ano e então Sara tua esposa terá um filho».

 

A Liturgia de hoje propõe-nos a hospitalidade de Abraão em função daquela outra hospitalidade das irmãs de Lázaro, também oferecida ao Senhor. Porém, à sombra do carvalho de Mambré (um pouco a Norte de Hebron), não se podia dizer, com propriedade, que Deus comia, ao passo que, quando Jesus tomava os manjares cuidadosamente preparados por Marta, era o próprio Deus que comia, em virtude do mistério da Incarnação.

2 “Viu três homens”. Nesta misteriosa teofania, cujo relato fortemente antropomórfico evi­dencia a tradição javista, Deus aparece “em forma humana” não sendo reconhecido logo à primeira. O Senhor vem acompanhado de outras duas figuras, igualmente de forma humana, dois anjos, segundo adiante se diz (19, 1). Abraão tem para com os caminheiros uma magnífica hospitalidade (vv. 4-8), de estilo oriental, enquanto lhes vai reconhecendo, pouco a pouco, o carácter sobrenatural (vv. 9.13.14).

3 “Meu Senhor…” Abraão dirigia­-se àquele que lhe perece ser o chefe da comitiva. Muitos Padres, fazendo uma exegese espiritual, viram aqui um prenúncio da futura revelação da SS. Trindade: é célebre a frase de Santo Hilário “tres vidit et unum adoravit” (“viu três e adorou um”).

10 “Daqui a um ano”, à letra, “no tempo da vida” (ka‘et hayyáh), que alguns traduzem “daqui a nove meses” (o tempo da gravidez).

 

Salmo Responsorial    Sl 14 (15), 2-3a.3cd-4ab.5 (R. 1a)

 

Monição: Todos nós queremos também ser acolhidos na Casa do Senhor, ao terminar a nossa caminhada na terra. Por isso, em oração, perguntamos-Lhe: Quem habitará, Senhor, no vosso santuário?

Esta pergunta que fazemos é também um apelo que Deus nos faz à santidade de vida. Só ela nos tornará dignos de habitar nas moradas do Senhor, na vida presente e por toda a eternidade.

 

Refrão:        Quem habitará, Senhor, no vosso santuário?

 

Ou:               Ensinai-nos, Senhor:

quem habitará em vossa casa?

 

O que vive sem mancha e pratica a justiça

e diz a verdade que tem no seu coração

e guarda a sua língua da calúnia.

 

O que não faz mal ao seu próximo,

nem ultraja o seu semelhante,

o que tem por desprezível o ímpio,

mas estima os que temem o Senhor.

 

O que não falta ao juramento mesmo em seu prejuízo

e não empresta dinheiro com usura,

nem aceita presentes para condenar o inocente.

Quem assim proceder jamais será abalado.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. Paulo, na Carta aos fiéis de Colossos, fala-nos de outra espécie de hospitalidade, de vida em comunhão na Igreja: a participação generosa na Paixão e morte de Cristo, pela aceitação da cruz de cada dia.

Havemos de fazê-lo com os sentimentos de Paulo que exclama: Agora alegro-me com os sofrimentos que suporto por vós e completo na minha carne o que falta à paixão de Cristo, em benefício do seu corpo que é a Igreja.

 

 

Colossenses 1, 24-28

Irmãos: 24Agora alegro-me com os sofrimentos que suporto por vós e completo na minha carne o que falta à paixão de Cristo, em benefício do seu corpo que é a Igreja. 25Dela me tornei ministro, em virtude do cargo que Deus me confiou a vosso respeito, isto é, anunciar em plenitude a palavra de Deus, 26o mistério que ficou oculto ao longo dos séculos e que foi agora manifestado aos seus santos. 27Deus quis dar-lhes a conhecer as riquezas e a glória deste mistério entre os gentios: Cristo no meio de vós, esperança da glória. 28E nós O anunciamos, advertindo todos os homens e instruindo-os em toda a sabedoria, a fim de os apresentarmos todos perfeitos em Cristo.

 

24 “Completo”. O verbo grego (ant-ana-plêrô), sendo composto de duas preposições que lhe enriquecem o significado, é difícil de traduzir em toda a sua expressividade: “antí” encerra a ideia de “em vez de (outrem)”; “aná”, a ideia de “até cima” (isto é, a transbordar). Há pois uma realidade inacabada que há que completar plenamente (“até cima”). S Paulo não diz que a obra da Salvação, enquanto Redenção objectiva, não tenha sido perfeita, ou lhe falte algo para atingir o seu valor intrínseco, mas deixa ver como ele próprio tem uma missão a cumprir plenamente em benefício da Igreja, isto é, em ordem à salvação das almas, e esta missão tem de a levar a cabo “em vez de” alguém, que é Cristo, de quem se tornou “ministro” (v. 23) e “embaixador” (cf. 2 Cor 5, 20). E, neste sentido, há algo que falta à “paixão de Cristo”. A palavra traduzida por “paixão” é expressa em grego por um termo que nunca aparece no Novo Testamento aplicado à Paixão de Jesus: “thlípsai” (tribulações). E que tribulações de Cristo são estas? São as que Cristo sofreu na sua vida mortal, ou as que sofrem os cristãos, membros do Corpo (místico) de Cristo? Uns, seguindo os Padres Gregos, pensam que se deve entender a expressão referida aos próprios padecimentos de Jesus, não no sentido de que tivesse faltado algo à sua Paixão para poder redimir os homens, mas no sentido de que Deus conta com o sacrifício e a colaboração dos homens para aplicar a todas as pessoas os méritos da Redenção (Redenção subjectiva), o que está de acordo com 1 Cor 3, 5-15; 4, 1-5; segundo esta opinião, S. Paulo quer dizer que é à própria Paixão de Cristo que falta a nossa quota parte (para que os seus méritos sejam aplicados). Outros, seguindo Santo Agostinho, entendem por “tribulações de Cristo” as tribulações padecidas pelos membros do seu Corpo Místico, pois a Paixão de Cristo continua-se nos membros da Igreja que sofrem em união com Cristo; em favor desta opinião está o termo grego que, como disse, nunca se aplica à Paixão de Jesus. De qualquer modo, exprime-se sempre neste texto uma realidade misteriosa e sobrenatural: é que temos uma missão a levar a cabo – completar em benefício de Igreja –, a favor da salvação de todos, “com os sofrimentos que suporto”; e esta missão é co-redentora.

 

Aclamação ao Evangelho        cf. Lc 8, 15

 

Monição: Todas as vezes que ouvimos proclamar a Palavra de Deus, lembremo-nos de que ela encerra um convite para que concretizemos na vida de cada dia os seus ensinamentos.

Exteriorizemos esta nossa disponibilidade para a cumprir, aclamando o Evangelho que para nós vai ser proclamado.

 

Aleluia

 

Cântico: F. Silva, NRMS 46

 

Felizes os que recebem a palavra de Deus

de coração sincero e generoso e produzem fruto pela perseverança.

 

 

Evangelho

 

São Lucas 10, 38-42

Naquele tempo, 38Jesus entrou em certa povoação e uma mulher chamada Marta recebeu-O em sua casa. 39Ela tinha uma irmã chamada Maria, que, sentada aos pés de Jesus, ouvia a sua palavra. 40Entretanto, Marta atarefava-se com muito serviço. Interveio então e disse: «Senhor, não Te importas que minha irmã me deixe sozinha a servir? Diz-lhe que venha ajudar-me». 41O Senhor respondeu-lhe: «Marta, Marta, andas inquieta e preocupada com muitas coisas, 42quando uma só é necessária. Maria escolheu a melhor parte, que não lhe será tirada».

 

38 “Entrou em certa povoação”. É razoável pensar que se trata de Betânia, “aldeia de Maria e de Marta” (Jo 11, 1; 12, 1-3), situada na vertente oriental do Monte das Oliveiras, a cerca de uns 3 km a leste de Jerusalém, hoje chamada El-’azariye (isto é, a terra de Lázaro). Só S. Lucas relata este verdadeiro “idílio familiar”, o que denota quanto Jesus era amigo daqueles três irmãos; o facto de omitir o nome da aldeia pode dever-se a querer evitar apresentar Jesus já em Jerusalém ainda antes de terminar a secção da “grande viagem” rumo a Jerusalém.

41 “Marta, Marta, andas inquieta e agitada…” Marta é quem recebe Jesus como verdadeira dona de casa, activa, cuidando todos os pormenores: Maria é uma “alma interior”, contemplativa, silenciosa. O génio activo de Marta, obcecado pelo cuidado de preparar para Jesus um bom acolhimento, entra em choque com a aparente inactividade contemplativa da irmã e este choque toma a forma dum protesto dirigido a Jesus, que parecia favorecer a inactividade da irmã: “Senhor, não te importas…” (v. 40). Mas Jesus dá razão a Maria! A única coisa necessária é privar com o Mestre, estar atento às suas palavras. Esta única coisa necessária parece ter, pois, um sentido espiritual já na própria intenção de Jesus ao falar; não se trata de uma só coisa (para comer), como se Jesus quisesse apenas dizer: um prato chega. Alguns traduzem “há necessidade de poucas coisas, ou melhor, uma só”, baseados em códices de muito valor. Neste caso, nas palavras de Jesus, haveria a passagem de um sentido material – “poucas coisas” – para um sentido espiritual – “uma só”. No texto original, a parte escolhida por Maria é designada como “a boa porte”, o que deixa ver uma suave censura à preocupação de Marta, não porque seja reprovável preparar uma boa refeição a Jesus, mas sim o dar a este trabalho um valor exagerado, pois os seus discípulos não devem andar “inquietos” com as coisas de comer e de beber, mais do que com as coisas do Reino de Deus (cf. Lc 12, 29-31; Mt 6, 25-34).

 

Sugestões para a homilia

 

• A hospitalidade nasce do amor

Uma virtude humana indispensável

Acolher com generosidade

Deus recompensa a hospitalidade

•  Jesus, Mestre da hospitalidade

Deus oculto em cada pessoa

Outras formas de hospitalidade

Acolher o Senhor do Universo

 

1. A hospitalidade nasce do amor

 

Abraão recebeu três misteriosos personagens no seu acampamento, quando estava à porta da tenda, por causa do calor sufocante que se fazia sentir.

Aparece nesta passagem da Sagrada Escritura como um modelo de da virtude da hospitalidade.

 

a) Uma virtude humana indispensável. «Abraão estava sentado à entrada da sua tenda, no maior calor do dia. Ergueu os olhos e viu três homens de pé diante dele. Logo que os viu, deixou a entrada da tenda e correu ao seu encontro

A hospitalidade é uma virtude humana que consiste em acolher bem os outros, acolhê-los e partilhar a vida com eles.

Toda a virtude é um hábito bom, um modo constante de actuar. Abraão levanta-se prontamente, logo que se dá conta da presença os três personagens. Esta prontidão deixa-nos entrever que estava aja habituado a fazê-lo.

Na realidade, esta virtude traz consigo um grande número de virtudes.

Cordialidade e simpatia. Abraão não espera que venham a seu encontro e lhe peçam alguma coisa de que têm necessidade. Aproxima-se pressuroso, manifestando a sua alegria em recebê-los. De facto, é preciso que as pessoas sintam que temos alegria em recebê-las e em estar com elas. Deus ama aquele que dá com alegria,

Espírito de sacrifício. Estava-se na hora mais quente do dia. Numa situação destas, somos tentados a pensar só em nós procurando enfrentar a temperatura incómoda, e oq que desejamos sinceramente é que ninguém nos incomode e nos deixem em paz.

Sem ela, as pessoas tornam-se ilhas fechadas e isoladas, tornando impraticável a convivência humana.

E, no entanto, o Senhor também bate à nossa porta em horas incómodas, misteriosamente presente nos nossos irmãos.

Abrir o coração. Mais do que abrir a porta de casa ou a bolsa, a hospitalidade consiste em abrir as portas do coração, encontrar tempo e paciência para escutar, para aceitar a partilha d problemas, dores ou preocupações. Por vezes, as pessoas é de falar de que mais precisam.

Abraão nem sequer tem casa para receber, porque se vive ainda no tempo do nomadismo. As pessoas iam acampando sempre, à procura de pastagens para o gado.

Hoje temos muitas oportunidades de praticar esta virtude. O isolamento, sobretudo dos mais idosos e doentes que são forçados a permanecer em casa é uma realidade gritante; muitas pessoas sentem-se asfixiadas pelos problemas da vida e vão até ao desespero. Precisam de quem as oiça.

Fomenta-se o voluntariado e as obras de apostolado que oferecem ajuda. Estas são uma forma preciosa de o viver, porque trabalham sem qualquer recompensa e apoiam-se um compromisso de continuidade.

 

b) Acolher com generosidade. «Mandarei vir água, para que possais lavar os pés e descansar debaixo desta árvore. Vou buscar um bocado de pão, para restaurardes as forças antes de continuardes o vosso caminho, [...].»

A segue os costumes do seu tempo. Ofereceu aos misteriosos personagens água para lavar os pés da poeira dos caminhos e o melhor que tinha nos seus rebanhos para lhes preparar uma refeição.

No acolhimento é preciso situar-se bem entre dois extremos:

Esbanjamento. Tem como origem a tentação da vaidade, de aparentar um luxo que, na verdade, não existe. Isto pode acontecer também com o tempo, ocupando espaço que pertence à oração, ao trabalho profissional, aos deveres de estado, etc.

Aos que iam ao moinho dos pais de Santa Bernardete, Francisco Soubirous acolhia-os tão bem que lhe oferecia um lanche suculento. O moinho começou a dar prejuízo e os pais da vidente de Lourdes foram até à falência.

Mesquinhez. Denuncia um coração mesquinho, tacanho que leva a fazer o menos possível para receber. Não é tanto no que se dá que existe o problema, mas no modo como se dá. Quando S. João Paulo II atendia uma pessoa, comportava-se para com ela como se não houvesse mais ninguém no mundo.

A falta de tempo, de disponibilidade, para acolher, pode ser uma máscara para encobrir o egoísmo. Para nos defendermos desta tentação, pensemos em que gastamos o tempo. Talvez houvesse outras coisas menos importantes que poderiam ter cedido o seu lugar a um acolhimento.

É generosidade acolher com um rosto sereno quando temos muito que fazer e o tempo é reduzido; quando estamos em más condições de saúde ou cansados ou temos coisas urgentes à nossa espera.

S. Josemaria costumava dizer na oração: “Hoje não tive tempo para (pensar) em mim.”

 

c) Deus recompensa a hospitalidade. «Depois eles disseram-lhe: “Onde está Sara, tua esposa?”. Abraão respondeu: “Está ali na tenda”. E um deles disse: “Passarei novamente pela tua casa daqui a um ano e então Sara tua esposa terá um filho”.»

Abraão ouve dos lábios de um dos três personagens uma promessa que vinha ao encontro do seu maior desejo: ter um filho.

Esta promessa aparece directamente relacionada com o gesto de hospitalidade que Abraão tivera para com eles.

Também a viúva de Sarepta ofereceu o último punhado de farinha e as últimas gotas de azeite para que se fabricasse o pão com que Elias matasse a fome, e nunca mais o alimento lhe faltou, até que acabou a seca naquela terra. Deus nunca se deixa vencer em generosidade e recompensa sempre a hospitalidade feita por amor d’Ele.

Alegria e paz no dar. A primeira recompensa que Deus nos oferece pela hospitalidade é uma grande paz e alegria interior.  É o que deve ter sentido Abraão e Sara, depois deste acolhimento caloroso. É alegria de ver o outro feliz, e ter vencido e egoísmo, fazendo algo que talvez nos custasse.

Dilata o coração. O coração de quem pratica esta virtude dilata-se, cresce na sua capacidade de amar e de vencer o egoísmo que nos fecha em nós mesmos.

Intensifica a comunhão entre as pessoas. O pecado original deixou em nós uma tendência para o egoísmo, para nos fecharmos em nós mesmos. A hospitalidade vai contra esta má tendência preparando, desde já, a comunhão eterna que nos espera no Céu.

Recompensa eterna. A hospitalidade é uma das obras de misericórdia espirituais. No Evangelho do juízo final, Jesus faz consistir o julgamento apenas sobre a caridade que se exprime por estas obras. “Vinde, benditos de Meu Pai...!”

 

2. Jesus, Mestre da hospitalidade

 

a) Deus oculto em cada pessoa. «Naquele tempo, Jesus entrou em certa povoação e uma mulher chamada Marta recebeu-O em sua casa. Ela tinha uma irmã chamada Maria, que, sentada aos pés de Jesus, ouvia a sua palavra

Marta, irmã de Lázaro e de Maria Madalena recebeu Jesus em sua casa de Betânia e preparou em Sua honra um banquete. É possível que se tratasse de homenagear Jesus e agradecer-Lhe a ressurreição de Lázaro.

Manifestava a sua generosidade correndo de um lado para o outro, para que nada faltasse, como costumam fazer as donas de casa.

Entretanto, Maria (Madalena) fazia companhia a Jesus, dialogando com Ele. Na verdade, quando recebemos uma pessoa em família, são precisas as duas coisas: preparar o que faz falta e não abandonar a pessoas sozinha num recanto da casa.

Jesus Cristo quer continuar a ser acolhido, não já visivelmente, mas oculto misteriosamente em cada pessoa humana.

A Saulo, que chega às portas de Damasco respirando ódio, para meter na prisão todos os cristãos que encontrasse, Jesus pergunta: “Saulo, Saulo, por que Me persegues?” “Eu sou Jesus a quem tu persegues.”

De modo semelhante diz a cada um de nós: “Eu sou Jesus a quem tu acolhes sorrindo, escutando, dizendo uma palavra de ânimo!”

Jesus acolhia as pessoas acolhia as pessoas que vinham ao Seu encontro com toda a cordialidade. Se não fosse assim, as pessoas não O teriam procurado com tanta confiança, expondo-Lhe os seus problemas e dificuldades. Quando Se encontrava com alguém, aquela pessoa era para Ele como se fosse a única do mundo. Atendia atentamente à Sua petição e atendia-a.

 

b) Outras formas de hospitalidade. «Marta atarefava-se com muito serviço. Interveio então e disse: “Senhor, não Te importas que minha irmã me deixe sozinha a servir? Diz-lhe que venha ajudar-me”

Marta fica chocada porque sua irmã Maria tinha ficado a conversar com Jesus, deixando-a só nos trabalhos domésticos, e resolveu queixar-se.

Ela desconhecia que, embora o que estava a fazer fosse importante, havia outras formas de acolhimento.

A hospitalidade pratica-se hoje entre famílias com relações de amizade. Encontram-se em almoços ou jantares, passeios em comum e, mais raramente, acolhendo-se mesmo na casa uns dos outros, sobretudo em férias.

  Quando as viagens eram longas e penosas, esta espécie de hospitalidade era mais necessária. A mãe de S. João Bosco e os pais de S. João Maria Vianney recebiam em sua casa viajantes, pobres e desertores dos exércitos, ofereciam-lhes comida e mesmo dormida.

Hoje, porém, por causa dos exigentes horários de trabalho, habituações reduzidas ao mínimo indispensável, e até por causa da falta de segurança crescente, desmotivam esta espécie de hospitalidade.

Além disso, parece que agora é menos necessária, porque as viagens são rápidas e as pessoas não dispõem de muito tempo.

Mas há outras formas de hospitalidade e de acolhimento muito necessárias no nosso tempo. Hoje a hospitalidade concretiza-se fundamentalmente em encontrar tempo e disposição para os outros.

• Visitar os idosos e os doentes que passam o dia sós ou em lares onde mergulham no anonimato.

• Disponibilizar-se para ouvir os que sofrem e iluminar o seu sofrimento com a luz da fé.

• Acolher quem nos pára no caminho, para nos abrir o seu coração — não para murmurar dos outros — e receber uma palavra amiga que oriente a sua vida.

Para tudo isto é preciso saber ouvir com paciência, com atenção, restabelecendo a paz no interior das pessoas.

 

c) Acolher o Senhor do Universo. «O Senhor respondeu-lhe: “Marta, Marta, andas inquieta e preocupada com muitas coisas, quando uma só é necessária. Maria escolheu a melhor parte, que não lhe será tirada”.»

Marta sabia que perfeitamente que estava ali Jesus em pessoa e tinha fé na Sua divindade. Quando se encontrou com Ele, antes da ressurreição do seu irmão, disse-Lhe com toda a convicção: “Senhor, se tivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido!”

No entanto, esqueceu-se de acolher Jesus com o coração, com o dialogo íntimo, e isto era o mais importante. De que acolhimento se poderia falar se Jesus tivesse ficado para alio abandonado a um canto, à espera da refeição que Marta preparava?

Hoje podemos falar de muitas espécies de acolhimento ao Senhor na nossa vida:

•  Na vocação pessoal. Que atenção dou ao chamamento vocacional que o Senhor me faz, não apenas quando se trata de encontrar o caminho da vida, mas em segui-lo em cada momento — no sacerdócio, na vida religiosa, no casamento — respondendo com generosidade a cada uma das suas exigências.

Na oração. O Senhor espera pacientemente que encontremos tempo para estar com Ele, enquanto corremos de um lado para o outro a tratar das nossas coisas. E quando nos perguntam se temos rezado, respondemos invariavelmente que não temos tempo... para acolher o Senhor.

Na Santíssima Eucaristia. O Senhor convida-nos para estarmos com Ele na missa de cada Domingo. Mesmo quando comparecemos, estamos distraídos e não chegamos a encontrar-nos com Ele, ouvindo o que nos diz na Liturgia da Palavra. E quando comungamos, julgamos que é perder tempo recolhermo-nos uns momentos para conversar com Ele, Lhe expormos as nossas dificuldades e pedir a Sua ajuda. Jesus faz-Se hóspede da nossa alma pela Sagrada Comunhão. Que acolhimento Lhe dispensamos?

Maria Santíssima ensina-nos como acolher Jesus: depois de dialogar com o Arcanjo sobre a mensagem que Deus lhe enviava abriu o coração com generosidade e Jesus formou-Se em seu ventre virginal, por força do Espírito Santo. Durante a vida inteira foi a Mãe silenciosa e atenta a Jesus e aos seus muitos filhos em que Ele está presente. Foi ao encontro de Isabel para a saudar e servir.

 

Fala o Santo Padre

 

«É da contemplação que nasce em nós a capacidade de viver e de anunciar o amor de Deus, a sua ternura pelo próximo.»

 

Prezados irmãos e irmãs, bom dia!

Também neste domingo continua a leitura do capítulo 10 do evangelista Lucas. O trecho de hoje refere-se a Marta e Maria. Quem são estas duas mulheres? Marta e Maria, irmãs de Lázaro, são parentes e discípulas fiéis do Senhor, que habitavam em Betânia. São Lucas descreve-as com estes termos: Maria, aos pés de Jesus, «ouvia a sua palavra», enquanto Marta estava comprometida em muitos serviços (cf. Lc 10, 39-40). Ambas oferecem hospitalidade ao Senhor, que estava de passagem, mas fazem-no de modo diverso. Maria põe-se aos pés de Jesus, à escuta, e Marta ao contrário deixa-se absorver pelos afazeres e está tão ocupada a ponto de se dirigir a Jesus dizendo: «Senhor, não te importas que minha irmã me deixe só a servir? Diz-lhe que me ajude» (v. 40). E Jesus responde-lhe, repreendendo-a com docilidade: «Marta, Marta, andas muito inquieta e preocupas-te com muitas coisas, no entanto, uma só coisa é necessária» (vv. 41-42).

Que quer dizer Jesus? Qual é a única coisa de que temos necessidade? Antes de tudo, é importante compreender que aqui não se trata da oposição entre duas atitudes: a escuta da palavra do Senhor, a contemplação, e o serviço concreto ao próximo. Não são duas atitudes opostas entre si mas, ao contrário, trata-se de dois aspectos, ambos essenciais para a nossa vida cristã; aspectos que nunca devem ser separados, mas vividos em profunda unidade e harmonia. Mas então por que motivo Marta é repreendida, embora o seja com docilidade, por parte de Jesus? Porque considerava ela essencial só aquilo que estava a fazer, ou seja, encontrava-se demasiado absorvida e preocupada com as coisas a «fazer». Para o cristão, as obras de serviço e de caridade nunca estão separadas da fonte principal de cada uma das nossas acções: ou seja, a escuta da Palavra do Senhor, o facto de estar — como Maria — aos pés de Jesus, na atitude do discípulo. É por isso que Marta é repreendida.

Amados irmãos e irmãs, também na nossa vida cristã a oração e a acção permaneçam sempre profundamente unidas. Uma oração que não leva à acção concreta a favor do irmão pobre, doente e necessitado de ajuda, o irmão em dificuldade, é uma prece estéril e incompleta. Mas do mesmo modo, quando no serviço eclesial só prestamos atenção à acção, quando damos mais importância às coisas, às funções e às estruturas, esquecendo-nos da centralidade de Cristo, sem reservar tempo ao diálogo com Ele na oração, corremos o risco de nos servirmos a nós mesmos, e não a Deus presente no irmão necessitado. São Bento resumia o estilo de vida que indicava aos seus monges com duas palavras: «ora et labora», reza e trabalha. É da contemplação, de uma forte relação de amizade com o Senhor que nasce em nós a capacidade de viver e de anunciar o amor de Deus, a sua misericórdia, a sua ternura pelo próximo. E inclusive o nosso trabalho com o irmão em necessidade, a nossa tarefa de caridade nas obras de misericórdia nos levam ao Senhor, para que nós vejamos precisamente o Senhor no irmão e na irmã necessitados. […]

Papa Francisco, Angelus, Praça de São Pedro, 21 de julho de 2013

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

Na oração, é o senhor quem nos acolhe delicadamente.

Aproveitemos a Sua disponibilidade nunca desmentida,

para lhe falarmos das necessidades da Igreja e do mundo.

Oremos (cantando) com toda a confiança:

 

    Acolhei, Senhor, a nossa prece!

 

1. Pelo Santo Padre, Mestre da Verdade e do Amor, entre os homens,

    para que nesta Jornada Mundial da Juventude seja bem acolhido,

    oremos, irmãos.

 

    Acolhei, Senhor, a nossa prece!

 

2. Pelos sem abrigo e outros marginalizados da sociedade de consumo,

    para que encontrem corações generosos que os ajudem e acolham,

    oremos, irmãos.

 

    Acolhei, Senhor, a nossa prece!

 

3. Pelas pessoas que dedicam tempo ao voluntariado apostólico,

    para que o façam com os olhos em Deus e recebam o prémio,

    oremos, irmãos.

 

    Acolhei, Senhor, a nossa prece!

 

4. Por todos os Bispos, Presbíteros e Diáconos da Igreja de Cristo,

    para que acolham a todos e nos ensinem os mais carenciados,

    oremos, irmãos.

 

    Acolhei, Senhor, a nossa prece!

 

5. Pelas pessoas chamadas pelo Divino mestre à vida contemplativa,

    para que vivam com generosidade, amor e alegria a sua vocação,

    oremos, irmãos.

 

    Acolhei, Senhor, a nossa prece!

 

6. Pelas pessoas que Deus chamou desta vida para a vida eterna,

    para que o Senhor, pela Sua misericórdia, as acolha no Paraíso,

    oremos, irmãos.

 

    Acolhei, Senhor, a nossa prece!

 

Senhor, que quereis fazer de nós uma comunhão,

mandando que nos acolhamos uns aos outros:

ensinai-nos a abrir generosamente as portas do coração,

para merecermos ser por Vós acolhidos um dia,

nas Vossas Moradas Eternas  em que reinais para sempre.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

Acolhemos a Palavra de Deus que nos foi dirigida, para iluminar os nossos caminhos na terra.

Preparemo-nos agora para acolher Jesus Sacramentado que estará presente sobre o altar, depois da consagração do pão e do vinho.

 

Cântico do ofertório: Os dons que vos trazemos, F. Silva, NRMS 4(II)

 

Oração sobre as oblatas: Senhor, que levastes à plenitude os sacrifícios da Antiga Lei no único sacrifício de Cristo, aceitai e santificai esta oblação dos vossos fiéis, como outrora abençoastes a oblação de Abel; e fazei que os dons oferecidos em vossa honra por cada um de nós sirvam para a salvação de todos. Por Nosso Senhor...

 

Santo: F. Silva, NRMS 38

 

Saudação da Paz

 

Para vivermos em paz, é preciso que nos saibamos acolher uns aos outros, sem exclusão de ninguém.

Manifestemos ao Senhor, pelo gesto litúrgico que somos convidados a realizar, o nosso desejo de nos acolhermos sempre uns aos outros.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

O Senhor Jesus quer tornar-se Hóspede da nossa alma, vindo anos pela Comunhão Sacramental.

Para O acolhermos bem devemos estar em graça e viver a fé na Santíssima Eucaristia, comungando com amor e devoção.

Aproveitemos este momento ditoso para Lhe apresentarmos as nossas necessidades e as das pessoas que partilham connosco a vida.

 

Cântico da Comunhão: Quem disser: «Eu amo a Deus», F. Silva, NRMS 73-74

cf. Salmo 110, 4-5

Antífona da comunhão: O Senhor misericordioso e compassivo instituiu o memorial das suas maravilhas, deu sustento àqueles que O temem.

 

Ou

Ap 3, 20

Eu estou à porta e chamo, diz o Senhor. Se alguém ouvir a minha voz e Me abrir a porta, entrarei em sua casa, cearei com ele e ele comigo.

 

Cântico de acção de graças: Quanta alegria é para mim, H. Faria, NRMS 18

 

Oração depois da comunhão: Protegei, Senhor, o vosso povo que saciastes nestes divinos mistérios e fazei-nos passar da antiga condição do pecado à vida nova da graça. Por Nosso Senhor...

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Cristo vai encontrar-Se connosco muitas vezes ao longo da semana, nas pessoas de família, companheiros de trabalho e demais pessoas.

Estejamos atentos e saibamos acolhê-l’O como convém.

 

Cântico final: Seguros e fortes, F. Silva, NRMS 11-12

 

 

Homilias Feriais

 

16ª SEMANA

 

2ª Feira, 18-VII: O sacrifício agradável a Deus.

Miq 6, -14. 6-8 / Mt 12, 38-42

Agradarão ao Senhor milhares de cabritos, dezenas de milhares de torrentes de azeite?

Qual o sacrifício que mais pode agradar a Deus? «Todas actividades dos leigos, orações, iniciativa apostólicas, a sua vida conjugal e familiar, o seu trabalho de cada dia, os seus lazeres do corpo e do espírito, se forem vividos no Espírito de Deus, e até as provações da vida, se pacientemente suportadas, tudo se transforma em sacrifício espiritual, agradável a Deus, por Jesus Cristo» (CIC, 901).

Jesus lembra igualmente a boa correspondência dos habitantes de Nínive ao pedido de Jonas (Ev.): arrependeram-se e abandonaram o mal que estavam a praticar.

 

3ª Feira, 19-VII: A misericórdia de Deus e o pecado.

Miq 7, 14-15. 18-20 / Mt 12, 46-50

Qual o deus semelhante a vós, que tira o pecado e perdoa o delito deste resto que é o vosso domínio?

O profeta fica espantado com um Deus que é misericordioso, que perdoa os pecados (Leit.). De facto, «Deus revela que é rico em misericórdia, ao ponto de entregar o seu próprio Filho» (CIC, 211). Agradeçamos a Deus, que nunca se cansa de perdoar os nossos pecados.

Também ficamos agradecidos por Ele querer que façamos parte da sua família: «Tornar-se discípulo de Jesus é aceitar o convite para pertencer à família de Deus, para viver em conformidade com a sua maneira de viver: 'todo aquele que fizer a vontade de meu Pai (Ev.)» (CIC, 2233).

 

4ª Feira, 20-VI: O anúncio do Evangelho.

Jer 1, 1. 4-101 / Mt 13, 1-9

O semeador saiu a semear. Quando semeava, caíram sementes à beira do caminho, outras caíram em sítios rochosos.

A semente, que é a palavra de Deus, tem que continuar a ser lançada à terra: «O Evangelho da esperança, entregue à Igreja e por ela assimilado, precisa ser diariamente anunciado e testemunhado» (João Paulo II). Poderemos talvez dizer, como o profeta Jeremias, que não sabemos falar, mas Deus anima-nos: «Não tenhas receio diante deles, pois Eu estarei contigo» (Leit.).

A sementeira há-de chegar a terrenos muito diversificados: ao campo da cultura, aos meios de comunicação social, às terras de missão, ao campo do trabalho e da vida familiar, etc.

 

5ª Feira, 21-VII: Como entrar no reino de Deus.

Jer 2, 1-3. 7-8. 12-13 / Mt 13, 10-17

Endureceram os ouvidos e fecharam os olhos, não fossem ver com os olhos e ouvir com os ouvidos.

Jesus convida a entrar no seu reino por meio de parábolas (Ev.), um elemento característico dos seus ensinamentos. Para isso, precisamos abrir bem os 'olhos da fé', e também os ouvidos, para acolhermos bem a palavra de Deus.

Deus queixa-se que o seu povo cometeu dois pecados: abandonou-o a Ele, que é fonte de água viva, e foi abrir cisternas, com fendas, que não conservam a água (Leit.). Se nos afastamos de Deus, ou não prestamos atenção aos seus ensinamentos, estamos a andar por caminhos alheios ao reino de Deus.

 

6ª Feira, 22-VII: S. Maria Madalena: A procura de Jesus.

Cant 3, 1-4 / Jo 20, 1. 11-18

No primeiro dia da semana. Maria de Magdala foi de manhãzinha, ainda escuro, ao túmulo do Senhor.

«Maria Madalena e as santas mulheres, que vinham para acabar de embalsamar o corpo de Jesus, foram as primeiras pessoas a encontrar-se com o Ressuscitado. Assim, as mulheres foram as primeiras mensageiras  da ressurreição de Cristo» (CIC, 641).

Imitemos Maria Madalena na perseverança  em procurar Jesus durante o nosso dia. E também o amor com que o procurou: «A contemplação procura 'aquele que o meu coração ama' (Leit.), que é Jesus e, nEle, o Pai. Ele é procurado, porque desejá-lo é sempre o princípio do amor» (CIC, 2709).

 

Sábado, 23-VII: S. Brígida: Por uma Europa renovada

Gal 2, 19-20 / Jo 15, 1-8

Quando alguém permanece em mim e Eu nele, esse é que dá muito fruto porque, sem mim, nada podeis fazer.

Recorramos à protecção de S. Brígida, Padroeira da Europa, para que todos nos aproximemos mais de Deus. Lembremo-nos que «Jesus conheceu-nos e amou-nos, a todos e a cada um, durante a sua vida, a sua agonia, a sua paixão, entregando-se por cada um de nós (Leit.» (CIC, 478).

Ajudaremos na tarefa da recristianização da Europa se estivermos muito unidos a Jesus: «Jesus fala de uma comunhão ainda mais íntima entre Ele e os que O seguem (Ev.)» (CIC, 787). Alcançaremos este objectivo através da Comunhão eucarística.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Fernando Silva

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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