14º Domingo Comum

3 de Julho de 2016

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Oh que alegria, M. Faria, NRMS 67

Salmo 47, 10-11

Antífona de entrada: Recordamos, Senhor, a vossa misericórdia no meio do vosso templo. Toda a terra proclama o louvor do vosso nome, porque sois justo e santo, Senhor nosso Deus.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Notamos no ambiente em que vivemos, nas pessoas de todas as condições sociais e credos religiosos, um grande desconforto. Ao contemplar as lamentações generalizadas das pessoas do mundo, ficamos com a convicção de que nada nos pode contentar.

Ouvimos queixas por toda a parte, protestos a propósito de tudo e de nada e apontam-se culpados deste mal-estar sem qualquer critério.

As pessoas não se entendem na família, no grupo de trabalho, nem no grupo social, ao mesmo tempo que cada um procura isolar-se o mais que pode no seu mundo egoísta, procurando exclusivamente o próprio interesse.

A experiência ensina que podemos dar ás pessoas tudo o que pedem, porque, no fim de tudo, continuarão descontentes  e com novas exigências.

O segredo está em que lhes falta o essencial. Falta-lhes Deus e gritam pela Sua vinda, embora de modo inconsciente, porque já não podem esperar mais.

A Liturgia da Palavra deste 14.º Domingo do Tempo Comum indica-nos o caminho da alegria e da realização.

 

Acto penitencial

 

Ao iniciarmos este encontro pessoal com Jesus Cristo, na Santa Missa, devemos perguntar a nós próprios com coragem: quais são as minhas aspirações? Que valores procuro com sinceridade?

Que preocupação despertam em mim os problemas das outras pessoas? Finjo que não vejo, para não ter de as ajudar?

Peçamos humildemente perdão destas nossas atitudes que encobrem o rosto de Jesus aos nossos irmãos.

 

(Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, elementos para o esquema C)

 

•   Para a procura obsessiva do conforto material e prazer dos sentidos,

    com o desprezo quase total pelos valores espirituais da salvação,

    Senhor, misericórdia!

 

    Senhor, misericórdia!

 

•   Para as lamentações contínuas em que nos deixamos facilmente cair,

    esquecendo-nos de que Deus é para nós o Pai sempre nos atende,

    Cristo, misericórdia!

 

    Cristo, misericórdia!

 

•   Para o egoísmo que nos leva a ignorar os problemas dos nossos irmãos,

    como se não fôssemos todos uma família solidária a caminho do Céu,

    Senhor, misericórdia!

 

    Senhor, misericórdia!

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração colecta: Deus de bondade infinita, que, pela humilhação do vosso Filho, levantastes o mundo decaído, dai aos vossos fiéis uma santa alegria, para que, livres da escravidão do pecado, possam chegar à felicidade eterna. Por Nosso Senhor ...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Isaías proclama o amor do Pai do Céu ao Povo de Deus que regressou há pouco do Cativeiro de  Babilónia.

Hoje, como ontem, é arrimo Segundo, perante as dificuldades, uma confiança inabalável em Deus.

 

Isaías 66, 10-14c

10Alegrai-vos com Jerusalém, exultai com ela, todos vós que a amais. Com ela enchei-vos de júbilo, todos vós que participastes no seu luto. 11Assim podereis beber e saciar-vos com o leite das suas consolações, podereis deliciar-vos no seio da sua magnificência. 12Porque assim fala o Senhor: «Farei correr para Jerusalém a paz como um rio e a riqueza das nações como torrente transbordante. Os seus meninos de peito serão levados ao colo e acariciados sobre os joelhos. 13Como a mãe que anima o seu filho, também Eu vos confortarei: em Jerusalém sereis consolados. Quando o virdes, alegrar-se-á o vosso coração e, como a verdura, retomarão vigor os vossos membros. 14cA mão do Senhor manifestar-se-á aos seus servos.

 

O texto, faz parte dum discurso dotado de rara beleza poética, no final do livro de Isaías. Jerusalém, é apresentada como uma mãe que com seus peitos sacia de consolação e deleite os seus filhos que regressam do exílio (vv. 10-11).

12 “A paz como um rio” é uma figura da paz messiânica que Cristo trouxe à “nova Jerusalém” que é “nossa Mãe”, a Igreja (cf. Gal 4, 26-27), “o Israel de Deus” de que nos fala a 2.ª leitura de hoje (Gal 6, 16).

 

Salmo Responsorial    Sl 65 (66), 1-3a.4-7a.16.20 (R.1)

 

Monição: Como aos Apóstolos na barca, assustados com a tempestade do Mar da Galileia, o Senhor diz-nos no meio das dificuldades: «Por que temeis, homens de pouca fé

Encontramos por toda parte sinais da bondade do Senhor que nunca nos desampara no meio das dificuldades.

Façamos, pois, a nossa oração de meditação com o salmo que o Espírito Santo coloca em nossos lábios.

 

Refrão:        A terra inteira aclame o Senhor.

 

Aclamai a Deus, terra inteira,

cantai a glória do seu nome,

celebrai os seus louvores, dizei a Deus:

«Maravilhosas são as vossas obras».

 

A terra inteira Vos adore e celebre,

entoe hinos ao vosso nome.

Vinde contemplar as obras de Deus,

admirável na sua acção pelos homens.

 

Mudou o mar em terra firme,

atravessaram o rio a pé enxuto.

Alegremo-nos n’Ele:

domina eternamente com o seu poder.

 

Todos os que temeis a Deus, vinde e ouvi,

vou narrar-vos quanto Ele fez por mim.

Bendito seja Deus que não rejeitou a minha prece,

nem me retirou a sua misericórdia.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Na Carta aos fiéis da Galácia, S. Paulo fala das certezas da fé que o movem a enfrentar todas as dificuldades da evangelização com Fortaleza e optimismo.

A nossa vida tem o mesmo fundamento da mesma confiança em Deus, no meio das tempestades que nos provam.

 

Gálatas 6, 14-18

Irmãos: 14Longe de mim gloriar-me, a não ser na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo. 15Pois nem a circuncisão nem a incircuncisão valem alguma coisa: o que tem valor é a nova criatura. 16Paz e misericórdia para quantos seguirem esta norma, bem como para o Israel de Deus. 17Doravante ninguém me importune, porque eu trago no meu corpo os estigmas de Jesus. 18Irmãos, a graça de Nosso Senhor Jesus Cristo esteja com o vosso espírito. Amen.

 

Temos hoje o empolgante final da carta aos Gálatas.

14 “Longe de mim gloriar-me...” S. Paulo rebate os cristãos judaizantes que, por um “proselitismo” mal entendido, queriam impor a circuncisão a fim de “fazerem boa figura (v. 11) e acharem motivo de glória na carne assim marcada dos convertidos (v. 13). Mas o proselitismo do Apóstolo é totalmente outro: baseia-se no imperativo de Jesus (Mt 28, 19) e é algo que o faz “compelido pelo amor de Cristo” (2 Cor 5, 14) e não compelido pelo zelo da própria glória. Paulo gloria-se na Cruz de Cristo, não no êxito humano das suas correrias apostólicas, no que seria glória mundana, mas sim no valor redentor da Cruz, na dor e humilhação máximas que Jesus suportou e de que participa o autêntico apóstolo (cf. Gal 2, 19).

15 “O que tem valor é a nova criatura.” Pouco importa, diante desta realidade sobrenatural, uma questão tão ridícula como a de ser ou não ser circuncidado. Nova criatura é o cristão, “homem novo, criado em conformidade com Deus na justiça e na santidade verdadeiras” (Ef 4, 24; cf. Ef 2, 15; 2 Cor 5, 17; Rom 6, 3ss; Jo 1, 13; 3, 5; etc.), regenerado pelo Baptismo. Nesta argumentação contra os judaizantes, S. Paulo usa a mesma designação com que os rabinos da época designavam um convertido ao judaísmo após a circuncisão e o “baptismo dos prosélitos”: era então considerado “beriyá hadaxá”, isto é, nova criatura. Assim S. Paulo diz que o que interessa é ser nova criatura; e o cristão, de facto, torna-se isso mesmo num sentido radical e profundo, como se depreende de todo o seu ensino, pois é regenerado, santificado, torna-se filho de Deus, faz um só com Cristo que com a sua Morte e Ressurreição inaugura uma nova Humanidade, uma nova criação, em contraste com a criação inicial, a do velho Adão donde provém para todos o pecado e a morte.

17 “Ninguém me importune”, entenda-se, com discussões acerca da circuncisão ou da minha condição de apóstolo (cf. Gal 5, 11;1, 8-18), uma vez que eu trago no meu corpo outras marcas, os estigmas de Jesus. Os escravos costumavam então trazer, marcadas, com ferro em brasa (ferrete), umas marcas que indicavam o dono. Sem dúvida, que as marcas de Jesus que S. Paulo se gloria de trazer eram as próprias cicatrizes físicas dos seus padecimentos por Cristo, flagelações, apedrejamentos, etc., os “estigmas” da Paixão de Cristo, que autenticavam a sua pertença ao Senhor, o seu apostolado, a sua pregação.

 

Aclamação ao Evangelho        Col 3, 15a.16a

 

Monição: Se dermos ao Senhor o primeiro lugar na nossa vida, se procurarmos em primeiro lugar o Seu Reino, veremos que tudo o mais nos é dado por acréscimo.

Que esta certeza nos ajude a acolher com maior alegria e generosidade o Evangelho que vai ser proclamado.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação – 3,F. da Silva, NRMS 50-51

 

Reine em vossos corações a paz de Cristo,

habite em vós a sua palavra.

 

 

Evangelho

 

Forma longa: São Lucas 10, 1-12.17-20;                            forma breve: São Lucas 10, 1-9

1Naquele tempo, designou o Senhor setenta e dois discípulos e enviou-os dois a dois à sua frente, a todas as cidades e lugares aonde Ele havia de ir. 2E dizia-lhes: «A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi ao dono da seara que mande trabalhadores para a sua seara. 3Ide: Eu vos envio como cordeiros para o meio de lobos. 4Não leveis bolsa nem alforge nem sandálias, nem vos demoreis a saudar alguém pelo caminho. 5Quando entrardes nalguma casa, dizei primeiro: ‘Paz a esta casa’. 6E se lá houver gente de paz, a vossa paz repousará sobre eles; senão, ficará convosco. 7Ficai nessa casa, comei e bebei do que tiverem, que o trabalhador merece o seu salário. Não andeis de casa em casa. 8Quando entrardes nalguma cidade e vos receberem, comei do que vos servirem, 9curai os enfermos que nela houver e dizei-lhes: ‘Está perto de vós o reino de Deus’. 10[Mas quando entrardes nalguma cidade e não vos receberem, saí à praça pública e dizei: 11‘Até o pó da vossa cidade que se pegou aos nossos pés sacudimos para vós. No entanto, ficai sabendo: Está perto o reino de Deus’. 12Eu vos digo: Haverá mais tolerância, naquele dia, para Sodoma do que para essa cidade». 17Os setenta e dois discípulos voltaram cheios de alegria, dizendo: «Senhor, até os demónios nos obedeciam em teu nome». 18Jesus respondeu-lhes: «Eu via Satanás cair do céu como um relâmpago. 19Dei-vos o poder de pisar serpentes e escorpiões e dominar toda a força do inimigo; nada poderá causar-vos dano. 20Contudo, não vos alegreis porque os espíritos vos obedecem; alegrai-vos antes porque os vossos nomes estão escritos nos Céus».]

 

 Apenas S. Lucas fala desta missão dos 72 (70 segundo alguns textos de menos valor). Neste discurso de Jesus aos 72 há grandes coincidências de forma e conteúdo com o discurso aos Doze em Mc 6, 6-13 e Mt 9, 5-23. Mas estas coincidências não parecem bastar para se pensar que se trata duma mesma missão e dum mesmo discurso. Na verdade, Lucas fala em 9, 1-6 de uma outra missão dos Doze, tomada de Mc 6, 6-13. Estes discípulos são “outros” como propõem autorizadas variantes do v. 1, isto é, discípulos diferentes dos Apóstolos (“outros” é uma variante textual importante recolhida na Neovulgata). As coincidências apontadas justificam-se pela semelhança do objectivo dos discursos de Jesus e pela própria tradição oral prévia que teria influído em ordem a uma transmissão semelhante, sem alterar a substância dos discursos. Este episódio contém, antes de mais, um grande ensinamento: é que, nem antes nem depois do Pentecostes, a evangelização foi um privilégio exclusivo dos Doze.

2 “A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos”. Jesus fala à maneira de um grande proprietário agrícola que, ao contemplar as suas grandes searas, vê enorme abundância de trigo maduro em risco de se perder, caso não seja colhido, sentindo a máxima preocupação por encontrar braços para o ingente e urgentíssimo trabalho. Deus, para salvar os homens, quer precisar de outros homens. “Pedi ao Dono da sara...”. A urgência do trabalho não pode levar os discípulos a perderem o sentido da realidade sobrenatural que é uma “messe das almas”: embora eles sejam “ceifeiros”, não se podem limitar a ceifar sem parança, têm de achar tempo e modo de pedir ao Dono o envio de novos ceifeiros, já que é dele que depende o bom êxito de todo o trabalho.

3-4 “Para o meio de lobos. Não leveis…”. Dadas as dificuldades do trabalho apostólico e o seu vastíssimo alcance sobrenatural, o discípulo podia atemorizar-se ou deixar-se seduzir pela tentação de pôr a sua confiança nos recursos humanos. O Senhor quer dos seus grande desprendimento e audácia apostólica. “Nem vos demoreis a saudar …”. “Não se trata de evitar a urbanidade de saudar, mas de eliminar um possível obstáculo ao serviço (cf. 2 Re 4, 29)... Saudar é uma coisa boa, mas melhor é executar quanto antes uma ordem divina, que muitas vezes se tornaria frustrada por um atraso” (Sto. Ambrósio, Hom. 17).

7 “Ficai... não andeis de casa em casa”, isto é, aceitai a hospitalidade que vos oferecerem, sem qualquer reserva, e não andeis à procura da melhor casa, de quem vos dê mais vantagens pessoais.

11 “Até o pó... sacudimos para vós”. Segundo a indicação rabínica de então, todo o bom israelita que entrava na Palestina vindo do território pagão devia sacudir o pó das sandálias, a fim de não contaminar a Terra Santa. Este gesto indica que os judeus que não recebem a Jesus se equiparam aos pagãos.

18 “Eu via Satanás cair…”. Esta expressão não se refere ao pecado de Satanás que o precipita na condenação eterna, logo ao ser criado. Refere-se, sim, ao começo da sua derrocada que se consumará no fim dos tempos, mas que se vai realizando sempre que o Evangelho é pregado e aceite. Jesus utiliza uma imagem isaiana para significar a derrota de Satanás, com a perda do seu domínio sobre os homens (cf. Is 14, 12).

20 “Alegrai-vos antes...”. Os discípulos sentiam uma alegria apoiada em motivos pre­dominantemente humanos, como era o domínio sobre os demónios e o poder de realizarem milagres, mas o importante é fazerem a vontade de Deus (cf. Mt 7, 21-23); isto é o que conduz ao Céu, onde está a verdadeira felicidade, e eles são do número dos eleitos, isto é, têm os seus nomes inscritos nos Céus (cf. Ex 32, 32; Is 4, 3; Dan 12, 1; Mal 3, 16; Apc 20, 15).

 

Sugestões para a homilia

 

• O Senhor é a nossa Esperança

Nossa Alegria

Nossa Paz

Torna-nos Seus filhos

• Ele precisa da nossa ajuda

Somos enviados

Todos somos poucos

As nossas armas

 

1. O Senhor é a nossa Esperança

 

O texto de Isaías situa-nos em Jerusalém, vários anos após o regresso do Exílio da Babilónia.

A reconstrução da cidade e do Templo faz-se muito lentamente e em condições penosas, porque a maioria da população da Cidade Santa está mergulhada na miséria; os inimigos atacam continuamente e põem em causa o esforço da reconstrução; a esperança está em crise… O Povo pergunta: “quando é que Deus vai realizar as promessas que fez, ainda na Babilónia, através do Deutero-Isaías?”

 

a) Nossa Alegria. «Alegrai-vos com Jerusalém, exultai com ela, todos vós que a amais. Com ela enchei-vos de júbilo, todos vós que participastes no seu luto

Deus consola o Seu Povo com imagens tiradas da vida familiar. Compara-nos à criança que chora faminta e desconsolada e a quem a mãe se esforça por consolar.

Numa visão profética, o Senhor promete bens que contrastam com a situação actual do Seu Povo.

O clima humano em que vivem contrasta com o ambiente inseguro e triste em que se encontravam nos tempos do cativeiro de Babilónia.

«Nas margens dos rios da babilónia nos sentamos a chorar, lembrando-nos de Sião. / Nos salgueiros daquela terra, pendurávamos, então, as nossas harpas, / porque aqueles que nos tinham deportado pediam-nos um cântico. / Os nossos opressores exigiam de nós um hino de alegria: Cantai-nos um dos cânticos de Sião. / Como poderíamos nós cantar um cântico do Senhor em terra estranha? / Se eu me esquecer de ti, ó Jerusalém, que minha mão direita se paralise! /Que minha língua se me apegue ao paladar, se eu não me lembrar de ti, se não puser Jerusalém acima de todas as minhas alegrias.» (Salmos 137:1-7).

O importante é aceitarmos os dons que o Senhor nos oferece na Sua Igreja. Se teimássemos em procurar teimosamente apenas o prazer dos sentidos — boa mesa e sexo — estaríamos na situação de quem procura matar a sede com água salgada.

Para termos verdadeira alegria, precisamos de mudar de mentalidade, convertermo-nos às promessas de Deus.

Caminhava santa Teresa de Jesus, de noite na serra Morena, a caminho de Granada. Os almocreves perderam-se no caminho e não sabiam que rumo tomar. De repente, as mulas que puxavam os carros estacaram e não havia quem as fizesse mover. Quando estavam a chicotá-las para que seguisse, ouviu-se uma voz vinda das profundidades: “Parai! Ides cair no abismo!”

Deixaram-se ficar imóveis até despontar a manhã. Quando a manhã despontou verificaram com horror que um passo mais dado em frente teria sido fatal.

A santa reformadora dos Carmelos atribuiu sempre este aviso a S. José, porque o tinha invocado na aflição.

Não nos dá vontade de gritar isto mesmo a esta caravana do mundo que procura a felicidade nos prazeres da vida, voltando as costas ao Senhor, verdadeiro caminho?

Temos a doutrina da fé a iluminar-nos o caminho, a abundância dos Sacramentos e a solicitude dos pastores da Igreja. Por que desaproveitamos estes dons e continuamos a procurar a felicidade por falsos caminhos?

 

b) Nossa Paz. «Porque assim fala o Senhor: «Farei correr para Jerusalém a paz como um rio e a riqueza das nações como torrente transbordante

A verdadeira paz é a tranquilidade na ordem. Há tranquilidade na desordem quando ela é fruto do medo, da prepotência de alguns que nos mantêm imobilizados.

A paz é um dom de Deus e nasce de uma consciência que procura conhecer e seguir a Sua vontade.

Dá a impressão de que as pessoas já não sabem falar de outro modo senão aos gritos, e com cara agressiva, como se estivessem em plena batalha contra o inimigo.

É curioso notar que, no mundo político — quando todos deveríamos estar à procura de uma melhoria de vida para todos, cada grupo reivindica o próprio interesse, mesmo que não seja justo. Instaurou-se a lei da selva: “Sai, porque eu sou o mais forte e, portanto, tenho o direito.”

É necessário começar por reconhecer que pertencemos todos à mesma família dos filhos de Deus na terra.

Somos irmãos uns dos outros e vamos todos a caminho do Céu. Se não alcançássemos esta meta, seríamos as mais desgraçadas de todas as pessoas, participando no ódio e tristeza de Satanás para sempre.

A falta de paz vem precisamente daqui: a falta de segurança interior em que muitas pessoas vivem porque, no fundo, sabem que estão enganadas e querem sufocar a voz da consciência para não ouvirem os seus gritos a pedir mudança de vida.

Deus é a nossa paz, se O deixarmos entrar no nosso coração, para aí a derramar como um bálsamo. É preciso lutar contra a desordem, os falsos deuses que temos entronizado na nossa vida, para que a paz possa reinar em nós.

 

c) Torna-nos Seus filhos. «Como a mãe que anima o seu filho, também Eu vos confortarei: em Jerusalém sereis consolados

Constitui uma verdade nuclear da nossa fé a filiação divina. Deus ama-nos tanto que nos torna Seus filhos pelo Baptismo. Não somos filhos segundo a natureza, porque não somos deuses.

Mas não podemos reduzir a nossa filiação divina a uma simples filiação adoptiva: Esta é uma ficção jurídica: a pessoa finge que é pai. Mas não há uma verdadeira comunicação da riqueza contida em cada natureza. Os pais adoptivos não podem fazer correr nas veias do filho adoptado o seu próprio sangue.

Na filiação divina é diferente. S. Pedro afirma, na sua primeira carta, que nós somos «participantes da natureza divina

Isaías, ao transmitir-nos a mensagem do Senhor, recorre a imagens da vida familiar: a criança que chora com desconforto — como os regressados do cativeiro de Babilónia — e a mãe que faz apelos ao seu carinho para a confortar.

É a segurança dos braços da mãe e o calor do seu afecto que dá à criança a alegria de que precisa. Assim procede Deus para connosco.

Não podemos viver uma vida esquizofrénica, acreditando, dentro do templo, na nossa filiação divina, para logo a seguir, na vida de cada dia, nos deixarmos mergulhar num pessimismo sem horizontes.

A única coisa que o senhor recusa — porque é o melhor dos pais — é satisfazer todos os nossos caprichos, porque muitas vezes são maus e não resolvem os nossos verdadeiros problemas.

Ao contemplar a bondade do Senhor para connosco que se espelha em toda a criação, cantamos o salmo responsorial: «A terra inteira aclame o Senhor

 

2. Ele precisa da nossa ajuda

 

Deus quer actuar no mundo para resolver os problemas que nos afligem, mas precisa da nossa colaboração. Sem esse pequeno nada que podemos fazer, Deus não actuará.

Santa Teresa de Jesus lamentava-se dos muitos males que havia no seu tempo e do muito bem que ficava por fazer. O Senhor respondeu-lhe: “Teresa, Eu quis, mas os homens não quiseram!”

 

a) Somos enviados. «Naquele tempo, designou o Senhor setenta e dois discípulos e enviou-os dois a dois à sua frente, a todas as cidades e lugares aonde Ele havia de ir

Jesus enviou à Sua frente os discípulos, para uma missão bem definida: preparar o acolhimento a Jesus Cristo.

Todo o apostolado que  fazemos se concretiza nisto: não uma afirmação pessoal um projecto individual, mas preparar o acolhimento a Jesus Cristo pela conversão pessoal.

Quando somos enviados ao outros, não há uma separação física entre nós e Jesus Cristo, mas levamo-l’O presente. O Espírito Santo faz que Ele fale pela nossa boca. Não é a nossa eloquência — as nossas palavras bonitas — que fazem mudar as pessoas, mas a acção misteriosa e eficaz da Terceira Pessoa da Santíssima Trindade em cada pessoa.

Dar visibilidade a Jesus Cristo no mundo, restituir-Lhe o lugar a que Ele tem direito, na família, no trabalho, nos divertimentos e nas leis, é uma grande honra.

Para isso precisamos de pôr em prática algumas exigências:

Identificação com a vontade de Deus. É preciso purificar a nossa mente e desprendê-la de interesses pessoais. Queremos apenas o que Deus quer, sem forçar a verdade teológica e moral para os nossos gostos e interesses.

Mas para querermos o que Deus quer, temos de saber o que Ele quer. Precisamos de formação doutrinal. De outro modo, podemos dar conselhos que em vez de ajudar as pessoas as afastam de Jesus Cristo e as levam a não O acolher.

Nestes tempos de confusão doutrinal, o perigo é ainda maior, porque as pessoas ignoram o mais elementar. Não faltam pessoas de comunhão diária a dizer que A ou B, depois de ter abandonado a esposa ou marido legítimo, tem o direito de ser feliz, juntando-se a outra pessoa.

Se isto acontece em assuntos tão gritantes, o que não acontecerá noutros, quando se fala da generosidade na aceitação dos filhos, na seriedade no trabalho... ?

Coerência. Deus não nos pede que nos tornemos santos antes de começar a fazer apostolado, mas que estejamos sinceramente dispostos a cumprir aquilo que aconselhamos aos outros. Como podem os pais fazer dos filhos pessoas piedosas, se eles não rezam?

 

b) Todos somos poucos. «E dizia-lhes: “A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi ao dono da seara que mande trabalhadores para a sua seara.”»

O apostolado foi sempre parte integrante da vida cristã. Mas torna-se mais urgente em nossos dias, quando o Santo Padre nos fala com insistência numa nova Evangelização.

A Nova Evangelização anunciada pelo Papa tem estas notas características:

Novos púlpitos. O anuncia do Evangelho deve fazer-lhe em todos os lugares onde se encontram pessoas. Muitas já não entram no templo para ouvir a pregação.

Nova linguagem. Não nos podemos limitar a frases abstractas e distantes da realidade, mas temos de iluminar com a luz da fé os problemas reais que afligem as pessoas.

Novas testemunhas. É imprescindível que cada evangelizador encarne, com a sua vida, as verdades que anuncia. A isto chamamos testemunhas.

Novos sinais. As pessoas estão predispostas a acreditar somente num sinal, num milagre: no caridade. Na medida em que nos aproximamos das pessoas para as ouvir e ajudar nos seus problemas reais, acreditarão em nós. O tempo que gastamos com as pessoas não é medido pela quantidade, mas pela qualidade.

Quem não sente uma necessidade urgente de comunicar o amor de Deus que traz em si, não ama de verdade. Uma das propriedades do amor é ser difusivo da sua bondade.

Como poderemos tornar efectivos os nossos pobres esforços?

Oração. Orar é a grande solução que o Divino mestre aponta para a falta de vocações sacerdotais, religiosas e apostólicas.

Audácia. Temos de vencer o medo e o respeito humano. Os arautos do mal são, por vezes, mais ousados de que os cristãos.

Unir esforços: o apostolado organizado. Fazer parte de uma obra apostólica pode ajudar-nos a vencer a timidez e a lucrar com a experiência dos outros, e contamos com a presença de Jesus no nosso meio, porque estamos reunidos em Seu nome.

 

c) As nossas armas. «Não leveis bolsa nem alforge nem sandálias, nem vos demoreis a saudar alguém pelo caminho

Ao enviar os discípulos, Jesus fez-lhes algumas recomendações práticas que deviam observar para cumprir bem a missão que lhes era confiada.

Humildade. «Eu vos envio como cordeiros para o meio de lobos.» A advertência feita por Jesus não pretendia levar os discípulos e terem medo, mas a serem prudentemente humildes. Esta virtude leva-nos a não nos fiarmos em nós e contarmos com Deus.

Desprendimento. «Não leveis bolsa nem alforge nem sandálias.» Esta recomendação de Jesus convida-nos a renunciar a muitas coisas para encontrarmos tempo que damos aos outros.

Há pessoas que passam a vida à espera das condições ideais para começarem a evangelizar.

Outras estão tão apegadas a bagatelas — o sofá, a telenovela, o descanso — que nunca encontram tempo para dar aos outros, quando as convidamos para prestar uma ajuda aos irmãos.

Urgência. «nem vos demoreis a saudar alguém pelo caminho.» Jesus faz referência às saudações porque eram muito demoradas e cerimoniosas no Oriente. As pessoas não podem esperar.

O que lhes podemos fazer hoje, talvez o não possamos fazer amanhã, ou porque já partimos nós, ou partiram eles. Todas as vezes que morre uma pessoa numa casa, os seus familiares comentam inevitavelmente: “se eu soubesse que ia estar com esta pessoa tão poço tempo!...” Aproveitemos o momento que passa, porque o amanhã não nos pertence.

Difundir a paz. «Quando entrardes nalguma casa, dizei primeiro: ‘Paz a esta casa’.» Somos mensageiros da paz. Não havemos de tomar partido por uma das partes, mas tentar a reconciliação.

Como entendia bem isto S. Paulo, quando exclamava: «Doravante ninguém me importune, porque eu trago no meu corpo os estigmas de Jesus.» (2.ª leitura).

Contemos com a ajuda de Nossa Senhora, porque estamos a cuidar dos seu filhos. “Quem meu filho beija, minha boca adoça.”

 

Fala o Santo Padre

 

«Todos devem ser missionários, todos podem ouvir este chamamento de Jesus e ir adiante e anunciar o Reino.»

 

Caros irmãos e irmãs, bom dia!

[…] O Evangelho deste domingo (cf.Lc10, 1-12.17-20) fala-nos disto: Jesus não é um missionário isolado, não quer cumprir a sua missão sozinho, mas compromete também os seus discípulos. E hoje vemos que, além dos doze apóstolos, chama outros setenta e dois, enviando-os depois aos povoados, dois a dois, para anunciar que o Reino de Deus está próximo. Isto é muito bonito! Jesus não deseja agir sozinho, mas veio trazer ao mundo o amor de Deus e quer propagá-lo com o estilo da comunhão, com o estilo da fraternidade. Por isso, forma imediatamente uma comunidade de discípulos, que constitui uma comunidade missionária. Prepara-se imediatamente para a missão, para partir.

Mas atenção: a finalidade não é socializar, passar o tempo juntos, não; o objectivo é anunciar o Reino de Deus, e isto é urgente! Também hoje é urgente! Não há tempo a perder com bisbilhotices, não se pode esperar o consenso de todos, mas é preciso partir e anunciar. Anuncia-se a todos a paz de Cristo, e se não a acolhem, contudo vai-se em frente. Aos doentes leva-se a cura, porque Deus quer curar o homem de todo o mal. Quantos missionários já fazem isto! Semeiam vida, saúde e alívio nas periferias do mundo. Como isto é bonito! Não vivas para ti mesmo, nem para ti mesma, mas vive para ir fazer o bem! Hoje há tantos jovens na praça. Pensai nisto, interrogando-vos: Jesus chama-me a partir, a sair de mim mesmo para fazer o bem? A vós, jovens, a vós rapazes e moças, eu pergunto: vós sois corajosos para isto, tendes a coragem de ouvir a voz de Jesus? É bonito ser missionário! [...]

Quem são estes setenta e dois discípulos, que Jesus envia adiante de si mesmo? Quem representam? Se os doze são os apóstolos, e por conseguinte representam também os bispos, os seus sucessores, estes setenta e dois podem representar os demais ministros ordenados, presbíteros e diáconos; mas, em sentido mais amplo, podemos pensar nos outros ministérios da Igreja, nos catequistas e nos fiéis leigos que se comprometem nas missões paroquiais, em quantos trabalham com os enfermos, com as diferentes formas de dificuldade e de marginalização; mas sempre como missionários do Evangelho, com a urgência do Reino que está próximo. Todos devem ser missionários, todos podem ouvir este chamamento de Jesus e ir adiante e anunciar o Reino!

O Evangelho recorda que aqueles setenta e dois voltaram das respectivas missões cheios de alegria, porque tinham experimentado o poder do Nome de Cristo contra o mal. E Jesus confirma-o: àqueles discípulos, Ele concede a força para derrotar o Maligno. Mas acrescenta: «Contudo, não vos alegreis porque os espíritos vos estão sujeitos, mas alegrai-vos porque os vossos nomes estão inscritos nos céus» (Lc10, 20). Não devemos vangloriar-nos, como se fôssemos os protagonistas: um só é o protagonista: o Senhor! Protagonista é a graça do Senhor! Ele é o único protagonista! E a nossa alegria consiste unicamente nisto: ser seus discípulos, seus amigos. Que Nossa Senhora nos ajude a ser bons trabalhadores do Evangelho.

Estimados amigos, a alegria! Não tenhais medo de ser alegres! Não receeis o júbilo! Aquela alegria que o Senhor nos concede, quando o deixamos entrar na nossa vida, quando permitimos que Ele entre na nossa vida e nos convide a sair de nós mesmos para ir às periferias da vida e anunciar o Evangelho. Então não tenhais medo da alegria. Alegria e coragem!

Papa Francisco, Angelus, Praça de São Pedro, 7 de julho de 2013

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

No meio das preocupações de cada dia,

temos a felicidade de contar com Deus,

como o melhor dos pais, sempre atento.

Que esta certeza da fé nos encoraje

a fazer a nossa oração com mais  confiança.

Oremos (cantando):

 

    Senhor, Vós sois a nossa Esperança!

 

1. Pelo Santo Padre, Bom Pastor da santa Igreja universal,

    para que nos leve a ter mais confiança e amor a Deus,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor, Vós sois a nossa Esperança!

 

2. Pelos que vivem preocupados com esta crise de valores,

    para que ponham a sua confiança no nosso Pai dos Céus,

    oremos, irmãos.

 

3. Por todos os que se movem no mundo político do país,

    para que busquem o bem de todos e não o seu interesse,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor, Vós sois a nossa Esperança!

 

4. Pelos que procuram e não conseguem encontrar trabalho,

    para que realizem quanto antes as suas justas aspirações,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor, Vós sois a nossa Esperança!

 

5. Pelos jovens que se preparam para entrar na vida laboral,

    para que o façam com prudência, responsabilidade e amor,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor, Vós sois a nossa Esperança!

 

6. Pelos que terminaram a sua caminhada nesta vida na terra,

    para que o Senhor os acolha hoje nas Suas moradas eternas,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor, Vós sois a nossa Esperança!

 

Senhor, que sustentais o nosso optimismo na vida

com a certeza de que sempre nos amais e protegeis:

ajudai-nos a viver com generosidade nesta vida,

para merecermos a recompensa que nos prometeis.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

na unidade do Espírito Santo.

 

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

O Senhor providenciou para que nada nos faltasse, nesta caminhada da terra ao Céu. Cuidou de que fôssemos iluminados pela Sua palavra, para que não hesitássemos com qualquer dúvida, e oferece-nos como Alimento divino o Seu Corpo e Sangue.

De facto, nesta celebração da Eucaristia, depois de nos ter saciado à Mesa da Palavra, prepara agora a Ceia Pascal para a qual nos convida, transubstanciando o pão e o vinho no Seu Corpo e Sangue.

 

Cântico do ofertório: Cantai ao Senhor nosso Deus, M. Simões, NRMS 38

 

Oração sobre as oblatas: Fazei, Senhor, que a oblação consagrada ao vosso nome nos purifique e nos conduza, dia após dia, a viver mais intensamente a vida da graça. Por Nosso Senhor ...

 

Santo: Az. Oliveira, NRMS 50-51

 

Saudação da Paz

 

O Senhor oferece-nos a verdadeira paz, mas depende da nossa generosidade que a tenhamos ou não. Para a conseguirmos, o coração tem de estar livre de qualquer aversão ou desamor.

Olhemos atentamente o nosso interior, perdoemos as ofensas recebidas e peçamos perdão das que fizemos, e abramos o nosso coração à paz e à alegria.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

Antes de nos aproximarmos deste Banquete Sagrado, verifiquemos se temos a veste nupcial indispensável — a graça santificante — para podermos participar nele e somos levados a comungar movidos pela fé e pelo amor.

Que o Corpo de Jesus Cristo, uma vez recebido por nós, guarde a nossa alma para a vida eterna.

 

Cântico da Comunhão: A messe é grande, C. Silva, NRMS 94

Salmo 33, 9

Antífona da comunhão: Saboreai e vede como o Senhor é bom, feliz o homem que n'Ele se refugia.

 

ou

Mt 11, 28

Vinde a Mim, todos vós que andais cansados e oprimidos e Eu vos aliviarei, diz o Senhor.

 

Cântico de acção de graças: Louvai ao Senhor, louvai, J. Santos, NRMS 37

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que nos saciastes com estes dons tão excelentes, fazei que alcancemos os benefícios da salvação e nunca cessemos de cantar os vossos louvores. Por Nosso Senhor ...

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Não vivamos só dobrados sobre os nossos problemas, mas estejamos atentos aos das outras pessoas.

Possivelmente, bem perto de nós há pessoas que os têm maiores do que os nossos e precisam da nossa ajuda.

 

Cântico final: Cantai ao Senhor um cântico novo, Az. Oliveira, NRMS 48

 

 

Homilias Feriais

 

14ª SEMANA

 

2ª Feira, 4-VII: Deus ama o seu povo.

Os 16, 17-18. 21-22 / Mt 9, 18-26

Farei de ti minha esposa para sempre, desposar-te-ei segundo a justiça e o direito, por amor e misericórdia.

«Deus ama o seu povo, mais do que um esposo a sua bem amada; este amor vencerá mesmo as piores infidelidades (Leit.); e chegará ao mais precioso de todos os dons: 'Deus amou de tal maneira o mundo, que lhe entregou o seu Filho único'» (CIC, 219).

As curas narradas no Evangelho são precisamente uma manifestação do amor de Cristo: « A compaixão de Cristo para com os doentes e as suas numerosas curas de enfermos de toda a espécie são um sinal claro de que Deus visitou o seu povo e de que o reino de Deus está próximo. É o médico de que todos os doentes precisam» (CIC, 15023).

 

3ª Feira, 5-VII: O combate à ignorância doutrinal.

Os 8, 4-7. 11-13 / Mt 9, 32-38

Ao ver as multidões, encheu-se de compaixão por eles, por andarem fatigados e abatidos, como ovelhas sem pastor.

Jesus tem compaixão pelas multidões e pela desorientação que nelas encontra. Precisam de alguém que as oriente. E Jesus pede colaboração: «Jesus exorta os seus discípulos a levar para a oração esta solicitude em cooperar com o desígnio de Deus (Ev.)» (CIC, 2611).

Deus encontra igualmente esta desorientação entre o povo de Israel: com a prata e com o ouro fabricaram falsos deuses (Leit.). Um dos grandes males dos nossos tempos é a profunda ignorância doutrinal. É hora de conhecer melhor os conteúdos da nossa fé, lendo o Catecismo da Igreja Católica ou o seu Compêndio.

 

4ª Feira, 6-VII: Vocação e missão dos leigos.

Os 10, 1-3. 7-8. 12 7Mt 10, 1-7

Jesus deu-lhes autoridade sobre os espíritos impuros, com poder de os expulsarem e de curarem todas as doenças.

Jesus chamou os Doze, conferiu-lhes alguns poderes e enviou-os em missão (Ev.).

Os leigos têm como vocação própria ocupar-se das realidades temporais e ordená-las segundo Deus (CIC, 898). Compete-lhes semear a justiça, arrotear novas terras e procurar o Senhor (Leit.). Compete-lhes ter iniciativas para a transformação das realidades terrenas: «A iniciativa dos fiéis leigos é particularmente necessária quando se trata de descobrir, de inventar meios para impregnar, com as exigências da doutrina da vida cristã, as realidades sociais, políticas e económicas»(CIC, 899).

 

5ª Feira, 7-VII: Manifestações da misericórdia divina.

Os 11, 1-4. 8-9 / Mt 10, 7-15

Ainda Israel estava na infância e já eu o amava, e a ele, meu filho, chamei-o para que saísse do Egipto.

«O amor de Deus para com Israel é comparado ao amor de um pai para com o seu filho (Leit.). Este amor é mais forte que o de uma mãe para com os seus filhos» (CIC, 219).

É esse amor que o leva a perdoar as ofensas dos filhos: «Mas, porque Deus é santo, pode perdoar ao homem que se descobre pecador diante dEle: 'Não deixarei arder a minha indignação. É que eu sou Deus e não homem, o Santo que está no meio de vós' (Leit)» (CIC, 208). E o leva também a ter misericórdia por todos os enfermos: «curai os enfermos, ressuscitai os mortos, sarai os leprosos, expulsai os demónios» (Ev.).

 

6ª feira, 8-VII: Confiança nas promessas de Deus.

Os 14, 2-10 / Mt 10, 16-28

Quando vos entregarem, não vos inquieteis com a maneira de falar. O Espírito do vosso Pai é que falará em vós.

Deus é fiel e nunca nos abandonará. Devemos, portanto, aceitar as suas promessas e ter nEle uma confiança e fé plenas: «Porque sem a fé não é possível agradar a Deus e chegar a partilhar a condição de filhos seus; ninguém jamais pode justificar-se sem ela e ninguém que não persevere nela até ao fim (Ev.), poderá alcançar a vida eterna» (CIC, 161).

É o omnipotente e misericordioso. Convida-nos a voltar para Ele, com arrependimento: «Vinde com palavras de súplica, voltai para o Senhor. Hei~de curar-lhes a rebeldia, amá-los-ei generosamente, pois a minha indignação vai desviar-se deles» (Leit.).

 

Sábado, 9-VII: O abandono filial.

Is 6, 1-8 / Mt 10, 24-33

Até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados. Não temais, portanto: valeis mais do que muitos passarinhos.

«Jesus reclama um abandono filial à Providência do Pai celeste, que cuida das mais pequenas necessidades dos seus filhos: 'Não vos inquieteis dizendo: Que havemos de comer...?(Ev.)» (CIC, 305).

Este abandono consegue-se especialmente na oração:«Eis-me aqui, Senhor, podeis enviar-me» (Leit.). «É no 'a sós com Deus' que os profetas vão haurir luz e força para a sua missão. A sua oração é uma escuta da palavra de Deus, às vezes um debate ou uma queixa (Leit.)e sempre uma intercessão que espera e prepara a intervenção de Deus» (CIC, 2854)

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Fernando Silva

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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